História Leve-me à Igreja - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Undertale
Personagens Papyrus, Sans, W. D. Gaster
Tags Fellcest, Fontcest, Uf!papyrus, Uf!sans, Undertale
Visualizações 40
Palavras 1.535
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


A imagem de capa é obra da minha irmãzinha amada, a @Aruisok

O título da fanfiction/dos capítulos são extraídos da música Take me to Church, do Hozier.

Para os enfermos do coração, essa não vai ser uma história feliz. Não recomendo.

Capítulo 1 - Nós nascemos doentes.


Papyrus adorava a biblioteca da sua casa. Na verdade, ele passava quase todos os dias ali e já havia lido quase grande parte da longa coleção do seu pai. Livros de ficção científica, romances, livros policiais, livros de ciência. Os de fantasia eram o seu favorito — aqueles em que os autores não tentavam fingir que o que escreviam eram coisas de verdade. Coisas de verdade eram horríveis.

Ele amava, especialmente, a Bíbilia. Papyrus lembrava-se da primeira vez que tinha reparado nela — tinha sido logo após Gaster, o seu pai, fazer coisas esquisitas com ele pela primeira vez. Muito desconfortáveis e dolorosas. Coisas que ele preferia esquecer. Não eram coisas desconfortáveis tipo dever de casa de matemática — era mais como quando ele ficava com raiva e batia nele, mas, nesses casos, ele batia por dentro. E ele o mandava tirar as roupas antes.

Seu pai, Gaster, era um cientista. Ele tinha muito orgulho disso, porque todos gostavam muito dele. Gaster era útil para a sociedade, havia dito um senhor que atendia por Gerson, uma vez. Por conta disso, ele não ficava muito em casa. Estava sempre no laboratório do trabalho. E, quando não estava lá, estava no laboratório de casa.

Papyrus nunca tinha conhecido a sua mãe. E não havia fotos dela pela casa. Provavelmente porque seu pai se sentia muito mal de vê-la em fotos, já que ela tinha morrido. Mas ele não falava disso. Nunca tinha tocado no assunto. E Papyrus não queria incomodar, então não perguntava.

Por conta desses fatos, Papyrus estava, quase sempre, sozinho.

Daí os livros.

Seu pai não gostava de quando ele lia a Bíblia. Porque era fantasia. Fantasia usada por gente estúpida que não aguentava a realidade, Gaster tinha dito. Mas Papyrus gostava da Bíblia. Gostava do moço que vinha e dizia coisas bonitas. Coisas que tinham a ver com paz e amor ao próximo e perdão. E também protegia as pessoas que sofriam. Até as que todos diziam que eram más.

Papyrus queria ser como o moço do livro. Que, ele tinha ouvido dizer, um dia voltaria. De verdade. As pessoas da sua cidade, Snowdin, diziam que o moço voltaria e traria a paz que não existia no reino. Mas seu pai dizia que isso era mentira, também. Seu pai sabia das coisas. Era por isso que era um cientista. Deveria confiar nele.

Mas, mesmo assim, sem perceber — Papyrus começou a acreditar.

***

Um dia, em uma das suas longas escavações pelo livro perfeito na biblioteca do pai, ele achou um muito diferente. Era um livro de capa vermelho vivo, brilhante. Papyrus não sabia como não o tinha visto antes, porque ele era bem chamativo. O título dizia: Instruções Para Iniciantes Em Divinação — Tarô. Não sabia o que significava a palavra divinação, nem a palavra tarô, mas isso não importou muito. Pegou-o apressadamente.

Quando o fez, várias cartas que estavam guardadas dentro dele deslizaram para fora do livro e caíram no chão. Papyrus ofegou, aflito — seu pai odiava bagunça. Arrumou rapidamente a confusão, mal registrando que havia desenhos nas cartas. E que havia alguma coisa escrita, também, em cada uma delas. Juntou-as em um bolo e, abraçando o livro, ele subiu as escadas e entrou no quarto.

Seguiu para a cama em forma de carro de corrida. Sentado, de pernas cruzadas, colocou o livro sobre ela e o abriu. Parecia muito antigo. Tinha páginas amareladas e o cheiro característico de livro antigo que o fazia espirrar de vez em quando. Mas o conteúdo, ele rapidamente descobriu, era curioso o suficiente para que a sua atenção não se desviasse nem durante os espirros.

O livro falava sobre cartas. E tinha desenhos de cartas nele. Papyrus, com, bem, cartas em mãos, comparou os desenhos do livro com as cartas que estavam em sua posse. Eram os mesmos desenhos. E, aparentemente, Papyrus podia prever o futuro com elas. Ou saber de coisas que ninguém sabia. Pelo menos era o que o texto introdutório dizia.

Que interessante! Era como ter superpoderes.

Ele foi olhando carta a carta, muito interessado; na parte inferior de cada desenho havia um nome: tinha a Sacerdotisa, o Louco, o Mago, a Imperatriz, o Imperador, o Hierofante, os Enamorados, o Eremita, a Roda da Fortuna, a Justiça, o Enforcado, a Morte, a Temperança, a Torre, a Estrela, a Lua, o Sol, o Mundo, o Julgamento e... E faltava uma. Papyrus conferiu as cartas mais uma vez. É. Faltava uma, uma que estava no livro, mas não estava em mãos. Talvez a carta tivesse escorregado para baixo do livreiro quando ele as deixou cair.

“O Diabo.” Papyrus disse, em voz alta, vendo o desenho da carta no livro — um esqueleto, como ele, com chifres e asas parecidas com asas de morcego. Tinha um sorriso enorme, cheio de dentes pontiagudos, e olhos vermelhos que pareciam brilhar, como se fossem reais. Papyrus podia jurar que eram reais, inclusive. Ele se inclinou para frente, a fim de examinar a carta com mais cuidado—

“tecnicamente, sim.”

Papyrus deu um pulo na cama, virou o rosto para trás — para a fonte do som — e, em consequência, deu um grito e foi para o lado oposto da cama chutando a colcha, o livro, as cartas, finalmente caindo ele próprio no chão. Levantou-se, tropeçando, indo até o lado contrário do quarto, encostou-se contra a parede, sem tirar os olhos daquele ser que flutuava sobre a sua cama.

Era ele. Era o Diabo, da carta de tarô, no seu quarto.

“mas eu prefiro ser chamado de Sans.” A criatura disse. A ALMA de Papyrus batia tão rápido que brilhava sobre a camiseta branca. “Sans, o esqueleto.”

O ser — Sans? — sobre a cama sorria tanto quanto a imagem feita dele. Tinha um dente dourado, inclusive, como a representação pictórica. E era pequeno, Papyrus reparou; tinha certeza de que era mais baixo do que ele, mesmo que Papyrus só tivesse 12 anos e estivesse ainda em fase de crescimento. Muito menor do que Gaster.

“ei.” Sans disse em resposta ao seu silêncio. “você não sabe cumprimentar um novo amigo?”

“A— Amigo?” Papyrus gaguejou. Amigo? Papyrus não... Ele não tinha amigos. Ninguém gostava muito dele, na verdade. Porque ele tinha uma cara muito má, uma vez haviam dito para ele, na escola. Então ninguém se aproximava dele.

“será que eu dormi tanto assim que essa palavra não existe mais?” Sans parecia genuinamente confuso. “em que ano estamos?”

“Ano 954.” Papyrus respondeu. Que pergunta esquisita. Mas não era de se assustar, na verdade. Aquele livro devia estar na estante do pai há muitos, muitos anos. E, aparentemente, Sans tinha passado o tempo inteiro dentro dele. Será que Sans se sentia tão sozinho quanto ele?

“ah.” Sans, que estava de pernas cruzadas, no ar, colocou um dedo sobre a boca, a expressão concentrada. “não faz tanto tempo assim. cerca de quatrocentos anos, na verdade.”

“Q-quatrocentos?” Papyrus tentou imaginar o que era viver tanto tempo. Não conseguiu. “Isso é muito tempo!” Principalmente para ele, que não dormia mais do que cinco horas por dia. Dormir por quatrocentos anos era uma eternidade!

“para mortais, talvez sim.” Sans deu de ombros. “mas, como você deve imaginar...” Sans veio flutuando na sua direção. Papyrus correu para outro canto quarto. “o que foi?” Perguntou. “está com medo de mim?”

“C-Claro que não!” Papyrus disse. Tentou disfarçar o fato de que estava tremendo. Não de medo. Era de, de, de ansiedade. Tinha aprendido a palavra em um dos livros da biblioteca. “Eu s-só não confio em você!”

“é mesmo?” Sans inclinou a cabeça para o lado. “por que não?”

“V-você...” Papyrus engoliu em seco, procurando algum objeto que pudesse usar como arma. Seu pai havia dito que ele não devia confiar em ninguém. E aquele ser era, no mínimo, suspeito. “Você apareceu d-do nada, t-tentando ser meu amigo, n-ninguém nunca faz isso, e v-você dormiu por quatrocentos anos e eu n-não te conheço.”

“é claro que você me conhece.” Sans respondeu. “você sabe o meu nome, não sabe?”

“Bem,” Papyrus engasgou, fechando a mão em punhos. “S-sim.”

“sou eu que não sei o seu nome.” Sans respondeu. Não tentava mais se aproximar. “então sou eu que não conheço você. eu é que deveria desconfiar de você, não acha?”

“Bem...” Papyrus encarou o chão. Ele não sabia dizer. “Talvez?”

“e, mesmo assim, estou te dando meu voto de confiança—” Sans prosseguiu. “e oferecendo a minha amizade. você deveria levar isso em consideração, não?”

“E-eu acho que...” Fazia sentido. Não era justo que apenas Papyrus soubesse o seu nome. Não era? “S-sim.”

Sans se aproximou dele. Papyrus enrijeceu no lugar, mal conseguindo respirar. Mas não tentou fugir. Ele não era um covarde; além disso, Sans era pequeno. Menor do que ele. E não era um estranho. Não totalmente. Seu pai havia dito para não confiar em estranhos. Com certeza se referia a pessoas as quais não sabia o nome.

“então.” Sans, sorrindo muito, falou. “qual é o seu nome?”

“Papyrus.” Ele murmurou, desviando o olhar. Alguma coisa naquele sorriso o perturbava, mas ele não sabia dizer o que era.

“bem, papyrus,” Sans repetiu o seu nome como se há o houvesse dito muitas vezes antes. Como se fosse natural. “acho que você acabou de fazer o seu primeiro amigo.”



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