História Leve-me para o mar - Capítulo 5


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amor, Drama, Mistério, Suspense, Yaoi
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Palavras 1.895
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Poesias, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - Quero ser tudo o que você tem


Fanfic / Fanfiction Leve-me para o mar - Capítulo 5 - Quero ser tudo o que você tem

Acordo deitado na minha cama, suado e com uma dor de cabeça latente. Meu lençol está molhado, a janela e a porta estão fechadas. Minha visão esta turva e escuto um zumbido no fundo do meu cérebro. A pouca luz que sai da janela me atrapalha e faz meus olhos arderem. Algumas imagens desconexas estão preenchendo aos poucos minha mente conturbada, seriam de ontem? Pego os comprimidos que estão na mesa ao lado da cama e os tomo. Senti-los descendo minha garganta seca me dá arrepios e uma sensação de sufocamento. Olho para o relógio digital, são 5:31. A pouca luz que atravessa as cortinas brancas faz meus olhos arderem.

Vou para o banheiro e evito olhar para o espelho. Minhas mãos estão sujas de terra até quase o cotovelo. Tenho alguns hematomas pelo corpo, decido evitar eles também. Esfrego meus braços com força tentando tirar a sujeira, eles começam a ficar vermelhos e faço alguns cortes neles. Meu celular toca e vejo que Eva me mandou uma mensagem e ligou algumas vezes, ignoro e coloco o celular no bolso. Quando desço as escadas presto atenção nos porta-retratos na parede e no modo estranho em que eles estão pendurados, alguns eu não posso distinguir que são pessoas. Não encontro ninguém na cozinha.

Procuro meus tênis e os encontro imundos, cheio de lama e pedaços de grama. Acabo indo até a sala e vejo uma pessoa sentada no sofá de dois lugares.

Foi como se eu estivesse andando no escuro e apenas seguindo o caminho que eu havia decorado e agora que a luz estava acesa eu vi onde estava. Não era ao menos minha casa, era um lugar qualquer que parecia com ela.

-O que eu estou fazendo aqui? Quem é você?

Não respondeu.

-Quem é você?

Olhou para mim sem nenhuma expressão. Poucos segundos depois seus olhos me observaram com curiosidade e enfim falou algo.

-Você não se lembra. Como pode esquecer? Nos divertimos tanto.

-Como assim?

-Vou deixar você descobrir. Deve estar com fome, quer comer alguma coisa?

-Não.  Tenho que ir.

-Sem problemas.

-Não sei qual é o seu nome.

-Por que você acha nomes tão importantes? Você não precisa saber o meu.

-O que eu estou fazendo aqui?

Encarou-me de um jeito diferente, como se estivesse pensando na frase certa para dizer. Ajeitou o cabelo e suspirou.

-Ei, eu não sou a má pessoa aqui. Se eu soubesse poderia te dizer. Você bateu na minha porta de madrugada, estava meio pra baixo. Só te dei um lugar para ficar. - falou enquanto um sorriso surgia em seu rosto.

Olhei novamente para as paredes do lugar desconhecido e então respondi.

-Tudo bem, vou acreditar em você.

-Você vai ... acreditar em mim? Por que faria isso? É tão idiota assim?

Sua voz aumentou e logo começou a gritar. Jogou um dos vasos que estavam em uma mesa comprida e alta perto da parede. Chutou o sofá com tanta força que temi que tinha quebrado seu pé. Colocou as duas mãos na cabeça e se agachou, encostou a cabeça no chão com seus dois braços tampando seu rosto. Só pude ver suas costas subindo e descendo enquanto recuperava o fôlego. Dei alguns passos para trás, não ousei fazer nenhum tipo de som, apenas fiquei parado. O estranho começou a levantar-se, colocou os dois joelhos no chão e com a mão direita apoiou o corpo. Olhou para mim. Não pude definir qual era sua expressão, mas podia dizer que estava mais confuso que eu. Raiva. Olhou novamente para o chão e pegou um pedaço do vaso de cerâmica que havia quebrado. Por alguns segundo achei que iria machucar a si mesmo. Estava prestes a pular em sua direção para tirar o objeto pontudo de sua mão.

-Para!

Estendi minha mão, o tempo pareceu desacelerar.

-Sai daqui! –gritou.

Não consegui me esquivar quando jogou aquilo em mim. Senti ele passando próximo do meu pescoço, nada mais, uma onda de adrenalina tomou conta de mim. Corri o mais rápido que pude para fora. Cheguei num corredor que poderia levar para a saída. Isso eu não reconhecia.

Ao sair da casa tentei ver onde estava, não havia parado de correr. Quando alcancei uma distância considerável sentei no meio fio. Estava arfando. A adrenalina ainda corria pelas minhas veias. Olhei perdido para todos os lados, quero voltar para aquela casa. Depois de alguns minutos consegui me acalmar.

Parecia ser a mesma casa de antes, pelo menos agora eu começava a me lembrar do que parecia ter acontecido.  

-Alo? Tom, por favor, vem aqui, acho que tem alguém tentando entrar...o... ta la fora e não voltou... não sei o que fazer, por favor, Tom!

Aquela voz trouxe calafrios, mas não me despertou nenhuma vontade de ir ver o que aconteceu. Tinha outras coisas para me preocupar. Tinha?

Pensei em passar em casa, mas meus pais fariam muitas perguntas. Se eu tivesse algum amigo a quem poderia contar isso seria para lá que iria agora. Essa sensação de não ter conexão com o mundo real está se tornando frequente. Sentei no meio fio de uma rua ao lado da escola e ali fiquei. Enfim pude respirar, coloquei a mão no meu pescoço e senti o sangue seco, porém minha mão também ficou vermelha. Aquele cheiro de metal me fez estremecer e lembrar daquele estranho, o que ele está fazendo agora? Será que se machucou?

O vento batia no meu cabelo e me deixava com frio, me deixava com uma sensação de pureza.

-Tom? Bom dia.

-Ah, oi, bom dia, pensei que ninguém passasse aqui.

-Acho que bastante gente passa aqui. Temos tempo ainda, quer ir pra algum lugar?

Jim parecia alegre, enquanto eu não respondia ele apenas me olhava. Eu estava me afastando novamente. Ele tinha uma mancha no canto do pescoço, era pequena e até que combinava com o rosto dele.

-Ok. Se eu parecer meio distante, pode me dar um tapa na cabeça.

-Tudo bem. Nossa amizade está começando bem. Cuidado que eu sou bem forte.

Amizade? Não sei se considero Jim um amigo, mas acho que quero isso.

-Te procurei na internet, mas não encontrei nada sobre você. Me passa seu número? Quer dizer, se quiser.

Peguei seu celular e adicionei meu contato. Seu plano de fundo me lembrava um pássaro. Ficamos andando um pouco, Jim às vezes esbarrava com o ombro no meu e depois pedia desculpas, mas não parava de falar.  

-Quer sair mais tarde? A gente pode... O que será que eles acharam ali? -apontou para frente com o dedo.

-Que?

Jim correu na direção da escola, segurou meu pulso e me puxou enquanto corria. Há um bosque ao lado, nele estavam várias pessoas se aglomerando. Assim que chegamos mais perto consegui ouvir os comentários que faziam. Parece que alguém estava machucado ali. Ainda estava segurando meu pulso, ele estava doendo, mas eu acho que estava gostando.

-Vamos embora, Jim.  Eu não quero ficar aqui.

-Ah Tom, não fica com medo agora. Você não quer ver mais de perto? – disse enquanto colocou a mão esquerda no meu ombro e aproximava a boca do meu ouvido– É claro que quer.

Uma voz sussurrou em minha cabeça, dizia para ir.

-Quero.

Entre o limite da escola e o inicio da parte densa do bosque havia um córrego formado por mais lama e lodo que água. Algumas pessoas estavam ligando para a polícia ou ambulância.

A pessoa estava com metade do corpo na margem do córrego e outra dentro dele, parecia um bêbado qualquer, a não ser por seu rosto estar completamente desfigurado e suas roupas rasgadas e imundas, talvez tenha sido espancado.

-Ele tá morto.

-Como você sabe?

-É só olhar pra ele, não tem como estar vivo. Vamos sair daqui agora, tem muita gente.

-Você não ta com medo de ter alguém perigoso por ai?

Estava sem respostas. Se somente eu e Jim estivéssemos aqui eu acho que iria querer ver mais de perto.

-Acho que eu não me importo com esse tipo de coisa. Você é forte lembra? Vai nos proteger.

-Tudo bem. Vamos voltar então.

Enquanto íamos para nossas salas, Jim ficou contando um pouco sobre sua turma e professores. Ele também falou um pouco sobre sua família e que queria que eu fosse na sua casa.

Durante a aula fiquei lendo um conto sobre um navegador que vai em busca de algo no meio do oceano, ele sai com confiança, como se conhecesse o que estaria para acontecer. Acho que Jim gostaria de ler.  Nunca tive vontade de ter amigos ou de ser intimo com alguém, não parece natural, Jim somente entrou na minha vida como se tivesse batido na porta e ela aberto sozinha.

-As provas consistem em várias fases, vocês devem se inscrever daqui a duas semanas se quiserem uma boa faculdade. As notas de agora vão definir o futuro de vocês.

-Acho que não. – sussurrei para mim mesmo e em seguida saí da sala.

Eu estava confuso. Coloquei meu fone de ouvido e fiquei andando em cima das rachaduras do chão. Sem saber eu estava no lugar em que Jim e eu ficávamos no intervalo. Logo ele apareceu e se despediu dos seus amigos, ele tinha me dito que não gostava das pessoas da sua sala.

-Oi.

-Oi.

Sorriu para mim. Jim sempre encarava meu rosto enquanto conversávamos, eu evito fazer o mesmo. Olhos falam muito e distraem.

-Não sabia que tinha tantos amigos.

-Não são meus amigos. Eles só..

-Tudo bem, não precisa falar se não quiser.

-Eu quero, é so que..

-Tá tudo bem.

Ficamos um tempo sem falar nada.

-Ah, você sabe dirigir, Tom?

-É, mais ou menos. Mas não tenho carro.

-Então, vai ter uma exposição em outra cidade e poderíamos ir junto. Não que eu só to te chamando pra ter uma carona, é que...

-Vamos.

-Sério?

-Claro, vai ser legal, mas o risco vai ser seu.

Sorriu ainda mais, eu também dei uma risada.  

-Mas antes meus pais precisam te conhecer.

-Você não pode so avisar que vai com um amigo?

-Claro que posso, vamos agora mesmo.

-Idiota.

Estávamos sentados em um canto qualquer da escola. Nenhum de nós parecia querer sair dali.

-Onde tá aquela menina loira que andava com você?

-Você conhece ela?

-Não, é que, pode soar estranho, tipo muito mesmo, mas faz tempo que eu queria falar com você, ai eu meio que ficava te observando e tal.

-É, é bem estranho, mas tudo bem - falei entre uma risada sem graça - Nós meio que brigamos ontem, eu acho.

-Você acha que brigaram? Isso não é grave, as meninas levam as coisas muito a sério, não tenho experiência, mas não deve ser...

-Não, eu não tenho certeza se foi ontem que brigamos.

Jim ficou sem expressão, apoiou os braços no joelho e abaixou a cabeça. Não disse nada por alguns segundos, parecia uma pedra.

-Não quero que fique bravo comigo, mas eu passei na frente da casa dela hoje antes de te encontrar ali na rua. E meio que fiquei encarando a casa dela.

-Como assim?

-É que tinha um carro da polícia la e ela tava parada na frente de um deles e eu...

-Policia?

-É. O cara tava fazendo algumas perguntas e tinha outro desenhando um rosto.

Eles fazem isso quando alguém...desaparece?

-Tom, você acha que tem alguma coisa a ver com aquele cara do rio?


Notas Finais


Espero que estejam gostando.
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