História Liar - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bangtan Boys, Bottom!jimin, Bts, Drama, Jikook, Jimin, Jimin Uke, Jungkook, Jungkook Seme, Kookmin, Lemon, Namjin, Top!jungkook, Yaoi, Yoonseok
Visualizações 778
Palavras 4.356
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OOOOOOOOOOIIIIIIIIIIIIII EU TO MUITO LOUCA
Porque tipo, até sábado, eu tinha só umas 900 palavrinhas desse capítulo, daí do nada de ontem pra hoje fiz todo o resto heuheuheuhe Me empolguei bastante :')
E NOSSA OBRIGADA POR TUDO, GENTE DO CÉU, 235 FAVORITOS JÁ, COMO ISSO?? Amo vocês AAAAA ❤❤
Agora bora pro capítulo xD Boa leitura o/

Capítulo 3 - Te vejo amanhã


Eu estava em um lugar estranho.

Não que eu não conhecesse minha própria casa em Busan, o lugar onde passei os meus primeiros quinze primeiros anos de vida. Estranho era o fato de eu estar ali novamente.

Andei pelo quarto que não demorei a reconhecer como meu, notando que tudo parecia grande demais e meus brinquedos da infância estavam espalhados pelo chão. Meus olhos ardiam, minha cabeça doía e as lágrimas em meu rosto estavam frias, mesmo que toda essa sensação parecesse distante, como se eu não estivesse realmente sentindo aquilo, mas soubesse que era isso que eu deveria sentir.

Que foi assim que me senti, na verdade.

Mais uma vez eu reconheci aquele sonho, aquela lembrança. Sabia passo a passo do que viria a seguir, sem conseguir mudar o rumo dos acontecimentos ou mesmo acordar e me livrar daquilo.

Eu tinha lá meus sete anos. Eu não fazia ideia do que aqueles números laranjados significavam e, como fui criado para não fazer muitas perguntas, eu ficava calado achando que era mais uma dessas coisas de “te conto quando for mais velho”. Mas não era. Eu tive que aprender sozinho, porque só eu tinha aquilo comigo.

Essa é a lembrança mais forte que tenho da minha mãe, a mulher de 26 anos que entraria no quarto a qualquer momento e me veria encolhido ali na cama, chorando. Maldita lembrança que de tempos em tempos aparecia em meus sonhos novamente, principalmente quando eu ouvia alguma mentira muito chocante ou via um número muito absurdo.

E eu sabia exatamente quem era o responsável por aquilo aparecer em meu sono de novo.

Eu senti meu corpo se mexendo na cama, minhas costas suando e minhas sobrancelhas tensas, mas não despertei por completo – como sempre acontecia. O pequeno Jungkook continuava chorando, deixando alguns soluços escaparem enquanto apertava entre os dedos a coberta do Homem de Ferro.

– Jungkook? – a voz da minha progenitora me chama alguns segundos antes da mesma abrir a porta, olhando-me confusa.

– M-Mamãe... – chamei fraco enquanto ela se aproximava completamente séria e se sentava na cama ao meu lado. – E-Eu ouvi a tia Sook falar que eu não deveria ter nascido. Isso é v-verdade? – ergui meus olhos que deveriam estar vermelhos pelo choro e olhei para o seu rosto ficando levemente surpreso.

– Não, meu anjo. – aquele número horrível passou de 86468 para 86470 de uma vez.

– Então você não me odeia como ela disse? – perguntei fungando.

– Eu te amo, filho.  – afirmou com a voz mansa e lá se foi mais um número. Quando eu esperava um abraço carinhoso com os braços esticados em sua direção, com direito a alguns minutos de aconchego no colo daquela mulher, ela se levantou, ignorando totalmente meu pedido mudo por carinho. – Agora a mamãe vai trabalhar. – o estranho número se alterou novamente.

– Mas já é noite... – falei confuso, nunca entendia porque minha mãe trabalhava tantas noites seguidas, assim como meu pai.

– Hora extra. – confirmou, fazendo mais uma unidade crescer.

Então ela saiu do quarto batendo o salto fino no chão, perfumada demais para quem ia trabalhar e eu finalmente abri meus olhos, respirando com dificuldade e sentindo minha cabeça latejar.

Sentei-me na cama, olhando ao meu redor de forma confusa. Levei um tempo para assimilar que meus olhos estavam marejados e o sol lá fora parecia ter nascido há não muito tempo. Funguei e pisquei algumas vezes tentando tirar aquelas lágrimas dali de alguma forma, tentando também não pensar muito naquele sonho.

O que era impossível.

Logo minha mente vagou nas memórias da minha infância, lembrando-me de como fora horrível ver o casamento dos meus pais se destruindo aos poucos, já que amavam apenas a própria luxúria sem se importar com as consequências daquilo, sendo eu uma delas. Tenho certeza que só se casaram por pressão dos meus avós para que minha mãe não fosse um motivo ainda maior de vergonha para a família ao ter um filho, solteira.

Tive de assistir ambos traindo um ao outro e lutando por um divórcio enquanto me jogavam de um lado para o outro, sem saber o que fazer comigo durante esse tempo, até que quando fiz 15 anos, me colocaram para morar sozinho em Seul, já que alugar um apartamento e me dar uma mesada altíssima era muito mais fácil do que conviver comigo. Deixando claro que a mesada era responsabilidade dos meus pais enquanto a moradia eles jogaram para meus avós paternos se virarem. Ao menos a família Jeon tinha uma condição financeira absurdamente boa. Não vou nem comentar que me mudei recentemente para o apartamento que meus avós compraram para mim recentemente, provavelmente para que eu não os incomodasse tão cedo ao cobrar o aluguel que sempre atrasavam por puro esquecimento.

Era um pouco deprimente a forma em que aquilo não era nem mesmo uma tentativa de compensar a falta que uma família fazia na minha vida com bens materiais, pois na verdade eu fui jogado no canto que menos lhes desse trabalho, sem boa intenção alguma. E ainda contribuía para o nome da família ao ser o garoto inteligente, maduro e responsável que estudava na capital, mesmo que eles mal soubessem o curso que eu fazia.

Suspirei e me arrastei para a beirada da cama, chamando por meu cachorro para ver se assim meu dia começava um pouco melhor com uma dose de fofura canina.

– Rai! – chamei pela segunda vez, vendo o cachorro bobão entrar em meu quarto quase tropeçando nas próprias patas, dando voltas pelo cômodo com a língua para fora enquanto abanava o rabo. Eu nunca vou me cansar dessa felicidade dele quando eu acordava. – Vem aqui, seu maluco! – escorreguei da cama para o chão, estalando a língua algumas vezes para chamá-lo.

Ele correu e se encaixou entre minhas pernas, querendo virar de barriga para cima ali mesmo, respirando pesado e esfregando a cabeça contra minha mão que já o agradava. Fiquei ali passando as mãos por seu pelo amarelado enquanto falhava mais uma vez em não pensar no garçom mentiroso ou no sonho que estava diretamente ligado a ele.

Talvez aquela era uma das coisas que mais me perturbava em Park Jimin. Seu número era próximo demais ao daquela mulher, o pior: era proporcionalmente maior, pois eu tinha certeza que ele não alcançara seus 26 anos ainda.

Aquilo me intrigava mais do que me assustava, para ser sincero. Em geral, eu já me acostumei com essa curiosidade sobre as mentiras alheias e aprendi a deixar isso de lado, cobrindo tudo isso com meus próprios julgamentos e hipóteses baseados nas ocasiões em que os números crescem ou no comportamento dessas pessoas.

Por exemplo, Jimin aparenta ter problemas de autoestima, já que mentiu quando disse que sabia que era bonito, então ele deveria só mentir para agradar os outros e se sentir melhor consigo mesmo. Mas isso ainda assim não justifica aquele oitenta mil, o que só me leva a crer que ele é um manipulador que mente para ter as pessoas aos seus pés e tenta sanar o que ele acha insuficiente em si mesmo com o sentimento de superioridade. Aish, não sei, existem várias possibilidades, isso que só estou tentando pensar do que pôde ser visto em uma conversa superficial.

É por tudo isso que estava intrigado demais para esquecê-lo. E, bem, isso não é uma coisa que eu deveria estar pensando perto das sete da manhã enquanto deveria estar me arrumando para ir à faculdade, certo? Certo.

Contei até três mentalmente e me levantei para ir fazer minha higiene matinal, isso enquanto falava com o meu cachorro sobre os professores chatos que teria que aturar hoje. Rai era uma mistura de Jindo coreano que de alguma forma ficou com as pernas curtas e se tornou um cachorro de porte pequeno, o que foi perfeito para morar no apartamento comigo sem causar maiores problemas. Era uma ótima companhia e não tinha contagem alguma consigo, me dando bons momentos de paz enquanto enchia cartões de memória com fotos suas.

Depois de me arrumar, fui até a pequena sacada onde estavam todas as coisas do cachorro, limpei devidamente seus potes de água e ração para reabastecê-los e troquei os jornais onde ele fazia suas necessidades. Dava trabalho e certo gasto para alguém que morava sozinho com o dinheiro dos pais, mas valia a pena.

Despedi-me dele com mais uns afagos, coloquei a mochila nas costas – que estava intocada no sofá desde o dia anterior – e decidi que não comeria nada, pois ainda estava com o estômago embrulhado demais para isso.

Saí do apartamento não me importando em deixar Rai solto por lá, já que ele não bagunçava muito além das caixas vazias e uns panos velhos que deixei especialmente para isso. Eu só tinha que fechar a porta do banheiro ou então ele comeria meu sabonete de novo.

Coloquei meus fones e andei distraído pelo condomínio cheio de pequenos prédios onde morava, com blocos de A até J. Não era um lugar de luxo, mas era sim um ótimo lugar para se viver. Principalmente quando tinha um apartamento que, em tese, me pertencia – além de ser muito perto da universidade.

Cheguei lá em 15 minutos de caminhada, adiantado como sempre para o início das aulas, já me preparando para Fotojornalismo com uma das professoras mais enroladas desse mundo. Passei o tempo todo bocejando e rabiscando círculos em uma folha aleatória para me manter acordado, vendo o tempo passar devagar demais...

Quando finalmente o intervalo chegou, Yoongi veio me procurar. Ele cursava Música e estava em seu último semestre, mas sempre dava um jeito de me caçar naquele curto momento de folga nem que fosse apenas para sentar ao meu lado de fones, sem realmente interagir comigo.

Dessa vez ele procuraria Hoseok para que ele passasse aqueles minutos conosco, pois eles estavam tentando se resolver pela briga da semana anterior e ter uma “vela” junto tornava as discussões muito mais evitáveis. E lá fui eu como o amigo fiel que sou...

Aquele era o ambiente onde eu via mais números. Todos os professores, a grande maioria dos meus colegas e as pessoas dos corredores que estavam lá todos os dias; eram letreiros néon brilhantes em mentiras para todos os lados. Para me sentir mais seguro ao transitar com Yoongi, puxei minha máscara e uma touca da mochila e os vesti, deixando apenas meus olhos descobertos, mas sempre fixos no chão ou no mais baixo ao meu lado.

Não demorou muito para chegarmos onde os alunos da Dança se concentravam do lado de fora dos prédios e, consequentemente, encontramos Jung Hoseok por lá, um dos gênios de tal curso. Sempre estava rodeado de muita gente, sempre tinha aquele sorriso estonteante no rosto e sempre acenava como um louco quando nos via. Ele cumprimentou o namorado com um abraço e um selinho que custou muito a se tornar rotina, pois Hoseok se incomodava bastante com os olhares alheios sobre si. Porém naquele dia ele parecia ainda mais meloso, parecia querer deixar claro para todos que amava o platinado em seus braços. Como se aquilo compensasse sua situação com seus pais.

Revirei os olhos para tal ação que também não passou despercebida para o Min, que parecia pronto para começar a discutir com o de cabelos castanhos a qualquer instante, mas se manteve quieto enquanto trocava olhares comigo, claramente xingando Hoseok mentalmente.

Ficamos por ali meio conversando, meio assistindo alguns exibidos dançando no gramado, até que algo me pegou completamente de surpresa.

81990.

Quando vi aquele oitenta mil brilhante andando por aí, minhas mãos ficaram lisas de suor no mesmo instante. O que ele está fazendo aqui? Não, não pode ser. Ajeitei a máscara no rosto e a touca em minha cabeça, tentando me esconder como fosse possível, contudo meus orbes e os de Park Jimin se encontraram. Ele primeiro estreitou os olhos para mim, aparentemente tentando me reconhecer e, quando realmente reconheceu, pareceu surpreso.

– Oh, Jungkook-ssi. – por não estar assim tão longe, pude ouvi-lo falar meu nome, atraindo a atenção do casal junto comigo. Ele foi se aproximando e tudo o que eu queria fazer era sair correndo e meus hyungs percebendo isso, fizeram uma espécie de barreira para me impedir. – Não sabia que estudava aqui. – falou sorrindo de forma meiga enquanto chegava à minha frente, mas seu número estranhamente aumentou. Ok, medo.

– Ah, eu curso Fotografia. – falei tentando não gaguejar e não me importar com o fato de que ele sentiu a necessidade de mentir sobre algo tão bobo. Espero que realmente seja algo bobo. – E você?

– É o meu primeiro semestre em Dança. – explicou, olhando de forma inquieta para os dois perto de mim. Sem saber muito o que dizer, pensei em apresentá-los e torcer para que Hoseok começasse uma conversa do nada, como sempre fazia, e me deixasse de lado na história toda.

– Bem, estes são Min Yoongi e...

– Jung Hoseok. – Jimin completou, abrindo ainda mais o sorriso. – Todos admiram muito o sunbae, sua dança é incrível.

– Obrigado... – o Jung agradeceu acanhado, ganhando um tapa do loiro que dizia algo como “não vá se achando muito”, que recebeu em resposta um “mas eu só agradeci” indignado que seguiu para uma discussão boba entre eles, coisa que frustrou meus planos de evitar Jimin, já que este se dirigiu a mim logo em seguida.

– Jungkook-ssi, eu posso ver alguma das suas fotos? – Park perguntou com os olhos brilhando em curiosidade.

– P-Pode sim. – comecei a ficar nervoso com o seu interesse, mas nunca negava visualizações ao meu trabalho. – Eu tenho um site onde posto minhas fotos. Mesmo não sendo formado, algumas pessoas pedem por minhas fotografias... – falei sem pensar, deixando no ar que se ele se interessasse, poderia me contratar para algo.

Ele puxou seu celular e pareceu abrir o navegador, pedindo para que eu lhe dissesse o link para dar uma olhada. Era um endereço simples apenas com o meu nome, como os sites de fotógrafos em geral.

– Jeon Jungkook, estudante de Fotografia, 20 anos? – leu partes da minha breve descrição no cabeçalho da página. – Oh, você é meu dongsaeng. Tenho 22. – comentou sorrindo para mim.

Não sabendo o que falar, pra variar, apenas sorri um pouco para ele também, vendo sua atenção sendo voltada à tela novamente.

– Uau, suas fotos são incríveis! – exclamou depois de rolar a página algumas vezes e dei meu sorriso mais sincero possível diante daquele laranja assustador, ainda sem nem mesmo mostrar meus dentes.

Notei, então, que o casal estava quieto demais. Virei-me para os dois, vendo seus olhares e sorrisos maliciosos em minha direção, fazendo com que meu rosto corasse e eu me apressasse em conferir as horas, agradecendo por faltar pouquíssimo para voltar para a aula.

– Ah, v-vejam a hora. – minha voz falhou pelo nervosismo e Yoongi apenas riu da minha situação. – Tenho que voltar. Até mais, hyungs. – falei rápido, dando só o tempo deles se despedirem – com sorrisos zombeteiros demais, no caso de Yoongi e Hoseok – e basicamente corri para a sala que teria aula agora, focando em não pensar naquele sonho logo depois de ver o motivo dele ter me assombrado em pessoa.

 

***

 

Naquela noite, Yoongi resolveu aparecer em meu apartamento carregando uma sacola cheia de cerveja em plena quarta-feira, o que me surpreendeu um pouco. Meu Jindo o recebeu muito bem, com pulos e farejadas curiosas no conteúdo da sacola, de onde meu hyung tirou uns biscoitinhos para cachorros e os deu para um Rai feliz da vida.

Sem questionar muito, deixei-o entrar, ligar a TV e se jogar no sofá, já puxando uma das latinhas para começar a beber. Não sabia dizer se estava chateado ou cansado – talvez um pouco dos dois –, por isso achei melhor puxar um assunto aleatório enquanto sorvia das cervejas.

– Você e Hoseok estão se resolvendo, pelo jeito. – comentei quando o mais baixo recebeu uma mensagem do namorado e tratou de respondê-lo no mesmo instante.

– Mais ou menos. – deu de ombros. – Ainda estou puto com ele, mas eu sou tão pateticamente fraco contra seus pedidos de desculpa que estamos como estamos agora. Por que você acha que cheguei aqui com bebidas?

Ri baixo, finalmente entendendo que aquilo tudo de repente era só para que pudesse xingar seu namorado, descontando tudo em cerveja.

Hoseok se preocupava muito com o que os outros falavam de si, então a principal justificativa para o seu número relativamente alto era a tentativa de agradar todo mundo, principalmente seus pais conservadores e homofóbicos. Eu imagino o quanto isso deve desgastar o relacionamento deles, já que eles se conhecem desde o ensino médio, mesmo que só tenham começado a namorar quando Yoongi fez 22 anos.

E, bem, apesar de tudo, Yoongi é bastante honesto. Ele odeia se esconder do mundo e não liga para o que os outros pensam; um contraste desses certamente daria na merda que estava dando.

Depois de longos minutos ouvindo Yoongi reclamar, comigo virando as latinhas sem parar por ainda estar no clima do meu sonho e invejando a forma tranquila que Rai dormia na sacada, meu hyung do nada resolveu que agora queria falar da minha vida amorosa.

Não vou nem comentar que fiquei com vontade de jogar as latinhas cheias na cabeça dele naquele momento.

– E Jimin faz Dança, você ouviu? – comentou empolgado, cutucando-me com o cotovelo. – A flexibilidade de alunos da Dança é uma coisa de outro mundo, digo por experiência própria.

– Ok, Yoongi-hyung. Já entendi. – revirei os olhos, ouvindo pela terceira vez a mesma frase em palavras diferentes.

– Mas sério! Por que você não aproveita?

– Porque eu não quero. – falei no impulso, sabendo que aquela não era a verdade. Pelo menos não toda ela. Afundei meus próprios dedos com força em meu braço, punindo-me por mentir.

– Viu, você está mentindo! – e eu odeio Min Yoongi por me conhecer tão bem. Lógico que ele já havia notado essa minha mania de apertar meus dedos e unhas em qualquer pele exposta quando mentia.

– Para com isso! – falei alto demais, assustando-o. Eu quase não levantava a minha voz desse jeito, então isso realmente deve tê-lo chocado. – Que merda! Para de me jogar pra cima daquele lá! Eu tenho meus motivos para não me envolver, não interessa o que você acha melhor pra mim!

O silêncio que seguiu foi realmente desconfortável. Eu não gritava com as pessoas assim, mas meu dia havia sido tão ruim e a bebida fez com que eu simplesmente descontasse minha frustração no loiro ao meu lado.

Depois de pelo menos uns cinco minutos de silêncio onde ambos resolvemos fingir prestar atenção em qualquer coisa da TV, quem resolveu voltar a falar foi o Min.

– Jungkook, o que você esconde? – perguntou, fazendo meu corpo todo gelar.

– O q-quê? Como assim?

– Eu sei que tem algo por trás disso tudo. Eu te conheço muito bem, sei coisas da sua vida e da sua família que sei que você nunca contou para ninguém além de mim. E você deveria me conhecer também para saber que não sou burro.

– Eu não posso te contar.

– Não pode ou não quer? São coisas diferentes. – sugeriu virando o que sobrou na latinha que havia prometido ser a última.

– Eu posso te conhecer bem também, hyung, mas não faço ideia de como você reagiria a algo assim. Tenho medo de perder a única pessoa nesse mundo em quem eu confio, então não faça isso comigo. Não me faça falar de coisas que eu não quero que você saiba.

Ele ficou apenas me encarando em silêncio, parecendo um pouco surpreso com toda a minha seriedade e desespero com aquilo.

– Jungkook. – chamou sério, forçando-me a olhar para ele. – Eu não vou me afastar de você pelo o que quer que seja isso que você esconde. E eu percebi que você está particularmente estranho hoje, como já vi acontecendo algumas vezes. Estou cansado de te ver nesses dias assim sem poder te ajudar com nada.

Fiquei longos minutos quieto, tentado a lhe contar tudo de uma vez. Lógico que queria contar para ele. Queria mais que tudo ter alguém com quem compartilhar isso, queria poder lhe explicar os motivos de eu não confiar facilmente nas pessoas, como que isso o torna tão especial para mim, por que Jimin é um verdadeiro pesadelo...

E se eu não me controlasse ali e agora, despejaria tudo nele de uma vez. Eu guardei tudo isso por longos vinte anos, passei a minha vida toda escondendo esse poder idiota, sem ter com quem contar, em quem me apoiar, nem nada disso. Quando Yoongi apareceu na minha vida, pensei que seria passageiro, mais uma amizade de conveniência já que ele era meu vizinho no local onde eu morava antes, mas os anos foram passando e cada vez eu me sentia mais e mais sufocado com tudo aquilo.

Eu queria tanto lhe contar.

Tanto.

Nunca mais precisaria dar um jeito para contornar as situações para não mentir para a única pessoa que realmente considero no mundo, um enorme peso deixaria minhas costas. Nossa, isso me faria um bem absurdo.

Mas e Yoongi? Sua reação pode converter todo o bem dessa leveza na mais pura solidão. Eu arriscaria nossa amizade por algo assim? E caso ele resolva acreditar em mim e se manter como meu amigo, ele vai aguentar carregar isso comigo? É um fardo muito difícil de lidar. É um segredo pesado demais. E todas as vezes que vi através de suas mentiras? Ele se sentira horrível e talvez me odiaria por isso, porque eu sempre vi tudo acontecer sem falar nada. Isso que só estou considerando as mentiras dele mesmo; e as de Hoseok? Tantas vezes vi aquele número crescer quando ele prometia conversar com seus pais...

Porém eu podia mudar aquilo tudo naquele instante. Podia lhe contar e assumir as consequências de um poder que nunca quis ter, que não pude nem escolher.

Minha cabeça dá essas voltas há anos com esses mesmos questionamentos, mas quando tive que repassar toda a informação novamente em minutos junto com o álcool no sangue, cheguei a ficar tonto. Entretanto no final voltei à mesma pergunta de sempre: conto ou não?

– Ok, então não conte. – Yoongi falou do nada como se lesse meus pensamentos, aparentemente irritado. – Fique com tudo pra você e se sufoque nos seus problemas sozinho, eu não ligo.

– Tá, tá! Eu conto! – acabei me dando por vencido de forma impulsiva demais. Bem, acho que se eu não arriscasse, nunca saberia como seria, certo? Respirei profundamente umas três vezes antes de conseguir abrir a boca, todavia nenhum som saiu. Não sabia como dizer aquilo. – Eu nunca precisei dizer isso em voz alta, ok? – enfim iniciei o assunto, tentando enrolar mais um pouquinho para organizar as palavras na minha cabeça. – Nunca contei para ninguém. O único que deve saber disso é Rai, mas ele não me entende, então eu... Me desculpe se ficar confuso.

– Ah, finalmente. – comemorou minha decisão agora definitiva de começar a falar.

Levei mais alguns segundos para conseguir reunir a coragem de lhe contar algo que eu sabia que não acreditaria.

– Eu vejo uns números. Eu... E-Eu não sei por que raios de motivo. Mas quando eu olho nos olhos de uma pessoa, posso ver um número acima da cabeça dela. – falei sem encarar a expressão provavelmente confusa ou desacreditada do mais velho.

– Ok, isso tá estranho. E que números são esses? O tempo de vida delas? – questionou sarcástico, perdendo a postura séria de segundos atrás, como se estivesse me achando maluco de repente.

– São mentiras. – expliquei de forma simples. – Esses números são a quantidade de mentiras que esse alguém já contou. – quando finalmente procurei olhar para ele, seu sorriso era debochado.

– Ah, tá. – concordou irônico, segurando a vontade de rir. Lancei meu olhar mais frio possível para ele, chateado demais ao confirmar que ele reagira exatamente como eu imaginara diversas vezes.

– Por isso eu não queria te contar. – fiz menção de me levantar, mas fui impedido pela mão de Yoongi segurando meu pulso.

– Ei, ei! Calma lá! – ele pediu agora um pouco apreensivo, talvez pelo meu tom de voz um tanto triste. – Eu sei que tô te achando um completo maluco no momento, mas me explica essa coisa aí!

– Eu não sei como te explicar, ok?! Quando olho pra uma pessoa, um número idiota aparece na cabeça dela e, depois disso, sempre que ela mente eu vejo o número crescer. Tenho isso desde sempre e não tenho grandes explicações do motivo disso. Não tenho nenhuma explicação, pra ser sincero! – disse agitado, não aguentando aquele olhar reprovador sobre mim.

– Você tá zoando comigo, né?

– Não, eu não estou. – respondi bufando, dessa vez me levantando sem ser impedido e desligando a televisão, já ficando irritado com o barulho desnecessário.

Comecei a recolher as latinhas de cerveja e arrumar um pouco as coisas em geral na sala, só para me manter ocupado com algo enquanto o nervosismo apenas crescia em meu peito conforme os minutos passavam. Não quis nem olhar pra cara do meu hyung; estava com medo demais do que encontraria.

Depois de deixar as latinhas cheias na geladeira e as vazias no lixo, voltei para a sala, vendo o platinado na mesma posição.

– Eu não sei o que pensar. – confessou quebrando o silêncio.

– Claro que não sabe. – afirmei o que era óbvio. – Se eu que convivo com isso há duas décadas não sei o que pensar muitas vezes, imagina você que nem acreditou no que eu falei.

– Não é isso. – ele negou rapidamente, mantendo seu número inalterado. Aquilo me deu um pouquinho de esperança, confesso, mas quando ele repetiu a mesma frase para si mesmo, só que agora mais baixo, a contagem cresceu sim. Ele estava bastante confuso, pelo jeito.

Do nada, ele se levantou, guardando seu celular e suas chaves que havia largado de qualquer jeito no móvel onde a TV estava.

– Vai pra casa? – perguntei, mesmo que já soubesse a resposta.

– Sim. É melhor. – afirmou sério, indo para a entrada calçar seus tênis.

– Sim, eu entendo. – fiquei apenas parado cabisbaixo, observando seu jeito nervoso de amarrar os cadarços. Quando finalmente o fez, levantou-se e abriu a porta, sem me encarar em momento algum.

– Te vejo amanhã. – e então ele sai do apartamento, carregando mais uma mentira em sua cabeça, deixando claro que não me procuraria no dia seguinte.


Notas Finais


Acho que esse capítulo explicou mais do Kook e de toda essa desconfiança dele com todo mundo :') AINDA não temos muito sobre o Jimin, mas no próximo quem sabe rs
E assim, se pareceu cedo pro Kook contar sobre o dom dele pro Yoongi (porque é só o 3º capítulo), me desculpem :') Ele guarda isso já há muitos anos e, bem, se ele enrolasse muito mais pra isso acontecer, as coisas ficariam ainda mais complicadas do que já são...
Enfim! Espero que tenham gostado :')
Estou amando ver as teorias nos comentários ou lá no grupo do whatsapp da minha outra fic, que logo vou deixar o link aqui ;) O grupo é de My Stupid Boss (e está com esse nome), mas várias pessoas lá leem Liar também ~> https://chat.whatsapp.com/CNSlpBBr3y90YqnMymRPb8
Prometo que somos legais :')
Beijinhos, lindos *3*
Até o próximo o/


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