História Lies - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Suga
Tags Bangtan, Bts, Gay, Hoseok, Jhope, Suga, Yaoi, Yoongi, Yoonseok
Visualizações 75
Palavras 3.712
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Shounen, Slash
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Apenas ama-me, ou finge amar-me.


Hoseok

E é com uma chávena de café que me está a queimar as mãos e um cigarro apagado, que eu olho para o centro daquela mesa de madeira velha e penso: "foda-se, sou um carente de merda."

Sou só mais um daqueles que se apaixona e sonha em finais felizes. Eu não me conhecia assim, ou pelo menos eu acreditava não ser assim. É engraçado. Dizemos que não somos melosos, e que não nos vemos umas princesas delicadas e todas emocionais, mas depois da primeira decepção, o nosso coração parece ficar mais sensível. Também dizemos que nunca iremos cometer loucuras por amor, mas percebemos que estamos totalmente enganados quando damos por nós a fazer as malas e a viajar para o outro lado do mundo, entrando na casa enorme do nosso namorado atual com um enorme sorriso no rosto.

Uma das coisas que primeiro identifiquei foi aquela bancada gigante na tua cozinha, que mesmo assim não bloqueava o espaço para andar-mos, visto que toda a divisão era muito grande. Para quê todo este espaço se vives sozinho, Yoongi?

De qualquer das maneiras, eu não estou sentado nesta cadeira muito desconfortável e a queimar as mãos nesta chávena para falar da tua cozinha. Honestamente, o teu jardim é muito agradável, mas podias ter comprado uns assentos mais fofos para não magoar os rabos desta maneira. É bonito no inverno porque aqui neva, então, todos os fins de tarde, os flocos de neve caiem entre os ramos do carvalho velho que está na parte de trás da tua casa e pinta todo aquele relvado de branco. No outono, o chão fica repleto de folhas verdes, castanhas, vermelhas e amarelas, misturado com aquele por de sol que dá para ver maravilhosamente bem no teu jardim. No verão é ótimo, porque destapas a piscina, e temos este teto improvisado que nos protege do sol. E na primavera é quando eu mais gosto de aqui ficar, porque a brisa é agradável e sabe bem beber chá e ler uns livros, enquanto sentimos aquele vento gostoso no rosto. Mas claro, tudo melhoraria se os bancos fossem outros.

Tu pareces não te importar com os bancos serem desconfortáveis, porque estás à minha frente, com o pescoço caído para o lado, os braços cruzados no peito, e uma respiração calma. Os teus olhos estão fechados e os teus lábios entreabertos. Tu dormes, mesmo que o teu rabo esteja a doer por este assento tão rijo. Dormes dessa maneira delicada e que nada retrata o que tu és no dia a dia.

Quando te conheci, percebi que não era um dos teus planos entrar em uma relação. Tu pensavas mais em ti, e não escondias o desleixe que tinhas pelos outros. E eu sempre tentei que tu mostrasses o outro lado da moeda, mas percebi que esse lado só sobressai quando tu dormes, porque, porra, tu pareces um anjinho. E foi isso que me deixou assim, carente. Porque eu sinto-me uma princesa delicada com um coração ridiculamente sensível, e tu só queres divertir-te contigo próprio e dizer a palavra "amo-te." quando eu as falo primeiro.

Lembro-me de muitas vezes tu olhares para mim todo chateado e dizeres-me para eu deixar de ser chato. Ok, eu sei que devia aproveitar os teus momentos de carinho e não implorar por mais, mas quando falas dessa maneira comigo eu sinto-me um cachorrinho irritante, que fica sempre nas patas traseiras e a querer brincar, ou algo desse género. Eu não sou irritante, eu só sou um bocadinho carente. Certo?

Será que tu te lembras da primeira vez em que nós nos vimos? Acho que não. Eu já tentei tocar nesse assunto algumas vezes, mas tu mudas sempre a conversa para alguma coisa sem sentido, tipo o facto de estar muito frio numa noite de verão, ou o facto do teu casaco te estar a incomodar. Coisas sem sentido fazem-te ser quem tu és, Yoongi. De cada vez que abres a boca, soltas palavras aleatórias que só tu entendes. Tens a mania de murmurar alguns palavrões de vez em quando, sem nenhum porquê. Ou pelo menos que eu saiba. Nunca fiz nada que te deixasse chateado, eu acho. A não ser as minhas necessidades de carinho, mas eu prometo que irei melhorar.

Tu também me irritas, mas eu acabo sempre por pedir desculpas, mesmo que a culpa seja tua. Por vezes eu quero conversar, mas tu agarras-te ao telemóvel e ignoras-me. Perguntei-te se gostas de Scorpions, e tu apenas assentiste com a cabeça e continuaste a digitar aquela mensagem gigante que já estavas a digitar à minutos. Estavam a falar com quem? E sobre o quê? Porque falas tanto com alguém por mensagens, e me ignoras? Ou foi apenas porque não gostas de Scorpions? Talvez não quisesses dizer que não, então fingiste nem ouvir. Se calhar tu nem me ouviste mesmo.

Abriste os olhos e resmungas-te um "foda-se" desnecessário. Endireitaste-te na cadeira desconfortável e olhas-te para mim com os olhos fechados e o rosto meio inchado, de teres dormido tanto. Forçaste um sorriso, e eu retribui, empurrando a minha chávena de café na tua direção. Agradeces-te, apenas com um movimento de lábios, e bebeste um pouco do líquido escuro, segurando na cadeira e aproximando-a de mim. Pousaste a tua cabeça no meu ombro e voltaste a fechar os olhos.

É engraçado. Acho piada a maneira como todos à nossa volta acham que somos apenas amigos, e parecem chocados assim que eu digo que nós namoramos. O facto de nós passar-mos a imagem de amigos chega a mexer comigo, pelo lado mau. Era suposto as pessoas perceberem que nós nos ama-mos. Era suposto elas verem os olhares apaixonados que nós não trocamos, os nossos dedos suados que não entrelaçamos, e os beijos cheios de sentimento que nós não damos. Era suposto nós sermos como aqueles casais, que passeiam de mãos dadas e distribuem sorrisos a cada passo que dão, apenas por estarem um ao lado do outro. Não era suposto nós passear-mos separados e com caras sérias, como se fossemos dois desconhecidos.

Eu entendo, ou tento entender. Eu entendo que tu não és o tipo de pessoa que gosta de dar as mãos em público, de dar presentes sem qualquer ocasião especial, de te deitares debaixo de uma grande árvore em uma tarde de outono, nem de ler livros para mim quando eu não consigo dormir. E eu peço desculpa por ser assim. Peço desculpa por precisar de segurar a tua mão, precisar de te entregar pequenos presentes simbólicos, precisar de relaxar do teu lado numa tarde de outono, e de querer que tu leias para mim de noite. Eu sempre corro para os teus braços com "As Vantagens De Ser Invisível." nas mãos, mas tu sempre me olhas de lado e negas com a cabeça, resmungando que não queres ler porque tens muito sono. E eu acabo por ler o meu livro preferido sozinho, em um canto da cama, enquanto tu me viras as costas e adormeces profundamente do meu lado.

E quando acordas aos fins de semana e ficas a bocejar durante tempos e tempos, esticando os braços e apoiando-te no meu peito, eu passo as minhas mãos pelo teu cabelo verde menta, que tu dizes odiar mas sempre pintas cada fio de cabelo dessa cor, apenas porque eu te peço para que o faças. E quantas vezes tu já me perguntas-te o porquê de eu querer tanto que tu deixes o cabelo cor menta, e eu já tive de te explicar tantas vezes que é porque aquela é a minha cor preferida. E eu adoro ver o teu sorriso pequenino sempre que eu digo que a tua cor de cabelo é a minha preferida, mesmo que tenha de voltar a ouvir a mesma pergunta vezes e vezes sem conta, e responder sempre a mesma coisa.

O meu café terminou, e eu encostei-me no encosto da cadeira, suspirando bem fundo. A tua cabeça ainda está no meu ombro, e os cantos dos teus lábios estão ligeiramente virados para baixo. Esses lábios finos e macios, que eu não toco à dias, porque tu não me deixas. Sempre estás demasiado ocupado para mim, sempre. Nunca me deixas te beijar assim que entras na cozinha pelas manhãs de sábado, nem quando chegas a casa de noite, nem quando estás deitado no sofá a mexer no telemóvel. Esses lábios que mentem tantas vezes ao dia, quando proferem aquelas três palavras que eu amo ouvir, mas apertam o meu coração. Aqueles "também te amo" tão cheios de mentira que tu falas de cada vez que eu me declaro a ti.

E tu reclamas tantas vezes pelo facto de eu ficar a encarar o teu rosto em silêncio. Resmungas que isso é estranho, e que se sentes desconfortável. A tua testa fica cheia de rugas, e os teus olhos elevam-se até os meus, olhos escuros e vazios, tão vazios. Esses olhos que olham os meus por tão pouco tempo. Esses olhos que eu adoraria ficar a olhar por dias seguidos, sem paragens ou piscadelas de milésimos de segundo. Esses que encaram o ecrã do teu telemóvel por todo o dia, esses que se esquecem que eu estou do teu lado, pedindo-te que compres um gatinho para nós.

E eu fico a perguntar-me qual é o teu problema com gatos. Sempre que eu falo do Felix, tu pareces bufar de forma irritante e reviras os olhos, caindo no sono alguns minutos depois de eu contar algumas histórias engraçadas que já passei com ele. Aquele gato que eu tenho desde os meus 10 anos, lembraste? Ele é branco e tem o focinho preto. E ele é uma grande companhia para mim, por isso é que eu te conto tantas histórias sobre ele. O meu objetivo não é aborrecer-te com as minhas histórias chatas, eu peço desculpa. Só gostava que te interessasses mais sobre ele, e que pensasses na possibilidade de comprar um para nós dois. Se sim, ele pode chamar-se Chuby? Por favor, não te esqueças do nome dele, como fazes com o outro.

Sabes, eu provavelmente pareço muito louco ao dizer que me lembro onde e em que dia nós demos o nosso primeiro beijo. Foi no primeiro dia da primavera, a minha estação preferida, e estávamos no jardim da minha casa, do outro lado do mundo. Aquela minha casa tão pequena e simpática, nos subúrbios da Coreia do Sul. Estávamos deitados na relva, a conversar sobre o facto de estar cientificamente comprovado de que o céu não é azul, e que talvez a terra na verdade não é redonda. E agora aqui estamos nós, na América do Norte, numa casa enorme e que é demasiado apenas para nós dois, num jardim com piscina e telhado improvisado, e com a tua cabeça apoiada no meu ombro.

É estranho, não? O meu rabo ainda está a doer mas tu pareces estar muito bem aqui. Dormes à horas e ainda não te queixaste sobre dor alguma, apenas murmuraste alguns palavrões desnecessários uma vez ou outra.

A tua boca é algo tão sujo. Os teus lábios separam-se tão poucas vezes ao dia, e a tua voz é ouvida com tão pouca frequência, que chega a fazer-me sofrer. De cada vez que te oiço, estás a resmungar um "foda-se"; "caralho", "merda", "puta que pariu." ou coisas desse género. Faz-me confusão, como consegues ser tão sujo e tão lindo ao mesmo tempo. Como até a dizer essas palavras feias tu consegues parecer a pessoa mais delicada enquanto dormes. Tens os lábios entreabertos e respiras muito lentamente. Consigo comparar-te a um gatinho, e isso faz-me lembrar a Serafina. A gatinha da princesa Anneliese. Eu sei que tu não deves nem desconfiar do que eu estou a falar, mesmo que eu fale muitas vezes sobre esse filme. 

"A princesa e a Plebeia". Eu já te falei sobre ele, é um dos meus preferidos! Eu acho bonito como elas se apaixonam e dizem querer ficar com eles para sempre, e também acho bonito terem mostrado os dois lados, o da classe alta e o da classe baixa. Eu sei, tu sempre me falas "isso é para meninas, Hoseok." mas eu acredito mesmo que o filme passa uma boa mensagem. Peço desculpa se pareço um idiota por vezes. Mas ao contrário dessas "coisas para meninas", eu também gosto muito de séries, mas tu sempre me ignoras quando eu quero assistir Doctor Who contigo. Dizes ter trabalho para fazer e desapareces do quarto, voltando apenas pelas 2 ou 3 da manhã. O que fazes a essas horas, em vez de ficares comigo a assistir a minha série preferida? Fico a cada episódio a pensar onde tu te meteste, se estás bem, ou se irás voltar antes de eu adormecer. E tu sempre voltas depois de eu desligar o computador e me aconchegar nos lençóis. Despes a tua roupa lentamente e deitas-te do meu lado de forma a não me acordares, mesmo que eu ainda esteja de olhos abertos. Viras-te de costas e logo adormeces, deixando-me ali, sozinho e cheio de insónia.

Mais uma asneira. Abriste os teus olhos e disseste "que merda" tão baixinho que eu quase nem ouvi. Juntei os meus lábios depois de ouvir aquelas palavras que não precisavam terem sido ditas. Levantas-te a cabeça do meu ombro e sorriste de forma sonolenta, deixando-me derretido por dentro. Como consegues? Eu pensava que era impossível amar-te mais, mas na verdade, a cada dia eu me apaixono um pouco mais por ti. Mesmo com todas as tuas manias de merda, eu a cada dia sinto o meu coração palpitar mais e mais rápido, e sinto cada vez mais vontade de te ter para sempre. Tu sentes-te assim, Yoongi? Sentes o teu coração palpitar quando conversas comigo, e queres ficar do meu lado para sempre?

Levantaste-te e entras-te pela porta grande de vidro, que separa o exterior do interior da nossa mansão. Fiquei a observar-te, enquanto colocavas o carapuço da tua camisola a cobrir os teus cabelos e desaparecias pelo corredor enorme e cheio de portas dos dois lados, onde me perdi imensas vezes quando me mudei para cá. Continuo a acreditar que esta casa é um exagero, mas sempre que te digo isso tu pareces ficar extremamente ofendido e olhas-me de cara fechada, dizendo para eu parar de falar disparates. Eu sempre acabo me desculpando no final, porque sinto que realmente ficas chateado comigo quando eu toco nesse assunto.

Voltas-te para fora alguns minutos depois, e com a tua cara de sono e alguns fios de cabelo caídos na tua testa, tu sentaste-te do meu lado e apoias-te a cabeça na palma das mãos, ficando a olhar para o céu com os teus olhinhos meio fechados. E o teu rosto fez-me lembrar de mim próprio, à 4 anos atrás, quando eu, ainda na Coreia do Sul, me sentava no meu jardim, a segurar a cabeça nas mãos, e ficava a ver as estrelas todas as noites. Era uma coisa que eu gostava muito de fazer, quando tinha insónia. Lembro-me de quando me mudei para Boston, e sempre te perguntava se querias ficar a ver comigo o céu da noite. Era um ritual que eu queria partilhar contigo. Mas perdi esse hábito quando tu, com a tua voz desinteressada, me respondes-te "não consegues ver estrelas aqui, só candeeiros e luzes de prédios."

Desenvolvi um ódio por cidades por conta disso, mas depois acabei por me habituar a ficar dentro de casa nas noites de insónia, e quando não tinha livros novos para ler. Enrolava-me numa manta azul marinho e ficava sentado no sofá da sala, com as luzes apagadas e os meus olhos assustadoramente abertos, até bater algum sintoma da sono. Ficava a sonhar acordado em um dia acordar na nossa cama com o barulho da porta a abrir, e ver-te a entrar no quarto, com uma chávena de café sem açúcar e um prato com panquecas, mirtilos, e algumas fatias de bacon, como vi ser o pequeno almoço típico na América. Mas acabo por adormecer às 9 da manhã, sabendo que isso nunca iria acontecer, pois quando eu me levanto da cama, tu já estás a quilómetros de distância de casa.

Olhaste para mim com um rosto pensativo, e eu escondi o papel que tinha nas mãos, não te deixando ler o que lá tinha escrito. Ainda tentaste espreitar, mas eu sorri-te de forma simpática e virei a folha para baixo, vendo as tuas sobrancelhas juntarem-se e os cantos dos teus lábios virarem para baixo. Gargalhei baixinho da tua figura, mas tu não deste muita importância a mim. Apenas encolheste os ombros e pediste-me uma folha do meu caderno e um lápis, que eu rapidamente te dei, porque uma das coisas que mais gostava de ver era o teu rosto concentrado enquanto tentavas desenhar nas tardes em que não trabalhavas e ficavas no pátio comigo. E eu desejei que me estivesses a desenhar. Desejei que estivesses a observar cada pormenor com os teus olhos e estivesses a desenhar cada um deles naquela folha branca que estava pousada à tua frente. Desejei que, assim como eu estava a escrever sobre ti, tu estavas a desenhar-me a mim.

Deixei de lado o papel que tinha na minha frente, apenas para observar o sol a se esconder atrás dos prédios. A cada por do sol, eu fico triste. É deprimente ver o sol a desaparecer entre prédios gigantes, e cheios de grandes janelas de vidro. Na minha pequena casa na Coreia, eu sempre via o sol entre as colinas, e um sorriso involuntário crescia nos meus lábios. Aqui é muito diferente, mas tu pareces gostar disso. Sempre falas "é sinal que vivemos numa cidade, e não numa aldeiazinha." e eu encolho-me no meu canto, concordando com a cabeça, mesmo que eu discorde a 100% das tuas palavras.

E mesmo eu adorando ver o céu ficar em tons de azul, rosa, e por vezes amarelo, eu sempre fico triste quando chegam as 7, 8, 9 da noite, e começa a ficar escuro. O sol finalmente se foi, e apenas sobramos nós, o barulho dos carros, e as luzes da rua. É a essa hora que costumo entrar de novo em casa, mas tu dizes que preferes ficar mais um pouco, e sempre te esqueces que eu tenho medo do escuro. Vagueio pelo nosso castelo, e vou apagando as luzes que deixei ligadas pelo caminho, brincando com os meus próprios dedos, e morrendo de medo dos monstros que tu teimas dizer em tom chateado que "não existem monstros nenhum, deixa de ter medo dessas merdas!". Mesmo assim, eu ainda sinto o suor na minha testa e a respiração descompassada, pelo facto de os meus pés estarem a pisar um chão que eu não vejo. É estranho, porque sempre te vejo andar no escuro como se visses tudo à tua frente. Dás passos rápidos e grandes, deixando-me para trás enquanto murmuras que estou a ser ridículo.

Falas-me assim, mas quando finalmente chegamos ao quarto e eu acendo a luz, tu soltas um risinho engraçado e dás-me um beijo no rosto, que eu sinto que demora horas, quando na verdade são apenas milésimos de segundo. Sorris bem perto da minha cara e falas que eu pareço uma pequena criança quando fico no escuro. E o meu coração derrete quando sinto os teus dedos na minha bochecha, e a tua voz bem perto de mim. São os meus momentos preferidos. Afinal, passar todo aquele corredor no escuro vale a pena.

Mas tirando isso, nada. Nada vale a pena nesta mansão, Yoongi. Queria que tivesses ido viver na minha pequena casa, onde a cama era pequena e terias de dormir em cima do meu peito, onde a mesa era pequena e terias de comer à minha frente, e onde o sofá era pequeno e terias de assistir séries deitado do meu lado. Eu sou carente, eu sou um carente de merda. Queria poder sentir o teu carinho de noite, e acordar com o teu rosto bem perto do meu. Queria poder te dar as mãos enquanto passeamos nos domingos, e beijar-te durante horas e horas no banco do parque onde sempre nos sentamos depois de jantar em algum restaurante chique. Preciso de qualquer tipo de amor, qualquer um. Apenas ama-me, ou finge amar-me. 

Finge gostar de Scorpions, para eu te mandar algumas frases das suas músicas em momentos aleatórios do dia, e finge que leste o "As Vantagens De Ser Invisível." para eu puder falar algumas frases marcantes nele. Finge que sabes qual é a minha cor preferida, para eu achar que dás atenção aos pequenos pormenores, e finge saber o nome do meu gato de estimação, para eu pensar que tu o adoras. Finge ver secretamente filmes de princesas, para que eu cante sem vergonha algumas músicas que sei desde criança, e finge gostar de Doctor Who apenas para eu ficar horas e horas a relatar os meus episódios preferidos. Finge ver as estrelas de noite, para eu me fascinar ainda mais por ti, e finge saber cozinhar, para eu sonhar casar-me contigo e acordar com pequenos almoços servidos na cama. Finge saber desenhar, para eu pensar que, de todas as vezes que tens um lápis na mão, me estás a desenhar em segredo, e finge saber que eu tenho medo do escuro, para eu me agarrar a ti quando falta a luz. 

Continua a sorrir para mim, mesmo que sejam sorrisos cheios de falsidade, e continua a entrelaçar os nossos dedos quando eu seguro a tua mão, mesmo que eu saiba que odeias as minhas mãos suadas. Continua a pagar almoços e jantares extremamente caros, mesmo que eu saiba que só fazes isso para te satisfazer a ti próprio e não a mim, e continua a deixar recados na bancada da cozinha, mesmo que eu saiba que são apenas para não me ouvires resmungar contigo por teres saído sem avisar. E por favor Yoongi. Continua a responder "também te amo" mesmo que sejam palavras que transbordam mentiras.

Sou um carente de merda e preciso de amor, qualquer um. Finge mentir, pois essa é a tua forma preferida de me amar, e finge amar-me pois essa é a tua forma preferida de mentir. Mentes ao dizer que me amas, e eu adoro. Obrigado, meu amor. As tuas mentiras completam-me.


Notas Finais


acho que me sinto um pouco dos dois, e não gosto disso


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