História Life Is Like a Boat - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Black Pink
Personagens Jisoo, Rosé
Tags Black Pink, Blackpink, Chaesoo, Drama, Fluffy, Jisoo, Otp, Romance, Rose, Shoujo-ai, Yuri
Exibições 140
Palavras 3.543
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Josei, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Universo Alternativo, Yuri
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá, pessoal <333

Como prometido, trouxe outra fic yuri do Black Pink para vocês, e dessa vez se trata de um ChaeSoo (Rosé X Jisoo) leve semelhante a brisa de final de tarde (para recompensar as lágrimas que vocês derramaram com o meu JenLisa). A fic é inspirada na música Life Is Like A Boat (Rie Fu/ Primeira Ending do Anime BLEACH), então como sempre indico músicas para lerem minhas fics, essa é mais uma recomendação!!!

PS: Essa fic foi inspirada em partes em um caso real de uma colega minha, acrescentando apenas alguns elementos de autoria minha.

Boa Leitura <3333

Capítulo 1 - Life Is Like A Boat


Ninguém nunca soube o que realmente sou...

... Jamais havia sentido tamanho vazio em mim...

... Nesses momentos pensava como eu ficaria sem ninguém que permanecesse comigo...

... Quem iria me confortar e me manter forte...

O Domingo sempre me foi um dia esquisito. Parecia que a luz do sol me fazia despertar mal humorada propositalmente todos os domingos que vivi, desde que me entendi por gente. Se estivesse ao meu alcance, adiantaria esse dia direto para a segunda sem piscar duas vezes...

Na época em que tudo começou, tinha quatorze anos de idade; Era uma menina que fazia questão de se cuidar bem, mantendo-se sempre bem vestida e limpa, com os cabelos o mais bem arrumado e bem penteado possível. Adorava fotografar a natureza e as coisas belas que ela conseguia nos dar; Admirando e invejando simultaneamente a liberdade que os animais possuíam em seu meio. Sim, eu desejava aquela liberdade... E como desejava; Era algo que infelizmente as lentes das câmeras não poderiam me trazer, restando apenas a minha franzina criatura observar tudo o que passava diante de meus olhos.

A adolescência foi um período duvidoso para mim; Torturante também, diria. Já perdi as contas de quantas vezes questionei o motivo real de minha existência, se a única coisa que sabia fazer era invejar a liberdade dos animais. Minha mãe se via muito preocupada com minha solidão, indagando sempre porque eu não possuía nenhuma amiga ou nenhum amigo; Para quer ter amigos? Para se apegar a investimentos tão incertos quanto a demanda? Para correr o risco de se magoar com palavras maldosas que a insensatez da raiva faz o ser humano dizer sem precedentes? Para sofrer com a distância e com a saudade? Não, não precisava disso.

Sempre me apeguei facilmente ás pessoas, que chegavam sempre na minha vida sem mais nem menos, indo embora igualmente como chegaram. Não queria mais passar por isso. Afinal, já dizia o ditado: antes sozinha do que mal acompanhada.

Aos meus quatorze anos de idade, algo drástico aconteceu em minha vida, que fora o início de todas as indagações retóricas que faria a mim mesma nos anos seguintes. Assumi minha homossexualidade para com meus entes, esperando que estes aceitassem de bom grado minha opinião e minha opção... O que não foi bem assim; Logo que revelei minha opção sexual, minha mãe chamou-me para uma conversa séria e bem direta. Suas palavras foram ríspidas devido a sua preocupação com meu bem estar, já que esta sabia as dificuldades que um homossexual homem ou mulher passam diante da sociedade atual.

“Minha filha, procure não afirmar isso em nosso meio familiar, e evite comentar também com qualquer pessoa que não seja de sua confiança! Isso atrairá problemas para você que dificultarão até sua carreira futura! Por favor, não me compreenda mal e procure esconder isso para o seu próprio bem...”.

Ótimo... Daqui para frente, teria de negar quem sou para não ser prejudicada... Deveria preferir mentir para mim mesma e para os outros a assumir minha única verdade... Deveria viver com essa mentira... Até o fim da minha vida...

O assunto se tornou polêmico entre as pessoas de minha cidade, que eram absurdamente tradicionalistas, portanto não aceitariam tamanha audácia de minha parte com uma afirmação dessas. Aos meus dezesseis anos, me mudei para outra cidade... Bem distante daquele inferno.

A nova escola poderia ser comparada ao meu colégio anterior: tão enjoativo quanto. Aparentava-me que um minuto durava uma hora naquele ambiente tão repulsivo, cheio de crianças em corpos de adultos que pouco interesse demonstrava sobre o próprio futuro ou sobre os estudos. Eu era apenas uma dentre aquele número gigantesco de imbecis egocêntricos... A famosa “menina do fundão”. Nessa mesma época, uma nova aluna havia chegado à turma em pleno terceiro bimestre; Era uma garota alva e ruiva, que usava roupas completamente extravagantes, ao ponto de quase me cegar os olhos. Sua fala era completamente informal, me deixando nervosa com tantos erros gramaticais e gírias que ela usava ao falar... Brr, Park Chaeyoung era meu oposto perfeito, sem dúvida...

Para me consolar em todos os momentos, podia contar com dois objetos – que eu considerava meus verdadeiros melhores amigos –, estes eram minha câmera e um diário de capa lilás, que possuía um cadeado pequeno cujo este só poderia ser aberto por uma chave vermelha, que levava sempre em meu bolso.

Um dia, para meu total desespero, dei por falta do diário e da chave em minha bolsa. Meus membros congelaram quando notei que o caderno não estava comigo. Tentando reunir toda a calma possível, corri por todo o prédio para procurar meu pertence, falhando em tentar encontra-lo. Tornei a minha casa com o coração na mão, abatida por não conseguir encontrar meu diário; Qualquer que fosse a pessoa que o tenha encontrado poderia usá-lo contra mim de todas as maneiras possíveis! Haviam muitos segredos meus contidos ali dentro, inclusive sobre minha opção sexual verdadeira.

Ainda naquela tarde, pude escutar alguém tocar a campainha de minha casa. Como minha mãe se encontrava ausente, andei desanimadamente até a porta para atender a visita. Ao abrir a porta, uma figura feminina familiar trajada de uma blusa vermelha com uma calça e uma jaqueta de estampa militar estava com meu diário na mão.

– Chaeyoung? – Indaguei certamente surpresa por constatar a presença de semelhante criatura com meu pertence.

– Você deveria ter mais cuidado com as suas coisas, Jisoo – Disse a ruiva, enquanto jogou o diário em minhas mãos. Pude notar que ela estava me olhando enquanto eu observava se todas as páginas do caderno estavam inteiras. – Estava na gaveta da professora, e como eu achei, vim aqui devolver...

– Obrigada... Escute... Você não o leu, não é? – O pânico estava evidente em minha voz, o que vez Chaeyoung franzir um pouco a testa.

– Fique calma, não fiz nada demais com o seu caderno, juro – Afirmou ela, enquanto levantava a mão direita simbolizando que estava a dizer a verdade. Por mais que estivesse com dúvidas naquele momento, deixei-a ir sem mais questionamentos; Ainda assim, eu tinha a impressão de que ela havia lido meu diário, mesmo que houvesse negado.

Imediatamente, movi meus pés a passos ligeiros até meu quarto, verificando todas as páginas que pude; Estavam todas intactas, limpas, sem orelhas e sem qualquer risco. Em meio a minha checagem, parei em uma página que havia escrito não fazia nem sete dias, nas quais estas tinha deixado cair dois pingos pequenos de lágrimas na extremidade direita, que marcaram a página com duas pequenas manchas circulares. Na página, estava escrito o seguinte:

“É mais uma terça feira comum.

Andei lendo alguns arquivos e documentos na Internet sobre gnosticismo para me distrair nos últimos dias, e devo admitir que se trata de um universo muito interessante... Quem sabe até fosse capaz de inspirar uma canção ou algo do gênero...

Ah, esse é um desejo que tenho tornado recluso nessas páginas já tem muito tempo. Adoraria escrever uma música algum dia... Porém me vejo incapaz de fazer isso; Afinal, música nenhuma tem qualidade se não possuir uma base sólida ou uma inspiração boa, que seja capaz de mover frases em função de sentimentos verdadeiros e lições a serem repassadas para o ouvinte. Sem isso, a música se torna apenas mais uma na multidão, dentre tantas outras músicas de um teor vago qualquer.

Porque me vejo impossibilitada de escrever músicas? O que teria de inspirador em minha vida fazia que tornasse minhas canções especiais? Absolutamente nada... Não tenho uma lição para passar... Não tenho nada para contar... A vida acabou se tornando uma sequência de páginas cheias de palavras e vazias de emoções. Poderia afirmar sem dúvida que apenas estaria vivendo no mundo humano, porém tampouco existindo. Ao passo que as horas e os dias se vão, eu me coloco a gastar mais e mais tinta de minha caneta desabafando com as folhas secas e inanimadas de um caderno que se tornara meu melhor amigo...

Sim, essa é a palavra que tem me feito falta nos últimos tempos... Criar amigos sempre foi difícil para mim... Um sonho utópico que creio nunca ser capaz de realizar. Indago se o problema seria eu ou os outros a minha volta. É uma lástima que ninguém jamais chegue a ler este texto... Ou seja... Ninguém seria capaz de me ajudar... E nessa terça-feira qualquer, encerro minha tarde com o cantar dos passarinhos e andorinhas imigrantes, mais uma vez sozinha.”.

Não pude conter a torrente de lágrimas que se moveu descendo meu rosto mais uma vez; Contendo ao máximo os soluços que teimavam em se manifestar, retirei um lenço de minha cômoda e limpei meu rosto, que com certeza já estava rubro aquela altura. Naquele instante, pude notar algo que havia passado desapercebido por meus olhos: um pequeno rabisco feito de lápis grafite era ligado por uma seta a um trecho daquela página que estava sublinhado.

“...mais uma vez sozinha... Ninguém é capaz de te ajudar?... Vou me lembrar disso...

Xoxo, Rosie Chae”.

“Rosie Chae”? Ah sim... Aquela era a “marca” de Chaeyoung, a qual sempre era referida por Rosie devido ao seu nome em inglês ser “Roseanne”. Sei que deveria ficar encabulada por ela ter danificado uma das páginas do meu pertence, porém estranhamente – até mesmo para mim soou estranho – não fiquei com raiva. Coloquei-me a observar aquele rabisco mais umas oitocentas vezes naquele fim de tarde, até mesmo alisando o desenho algumas vezes. Havia finalmente chegado a hora do jantar.

Como meu pai sempre trabalhou no turno noturno e era um homem muito ocupado, foi se tornando mais ausente a cada jantar que fazia ao lado de minha mãe, e era visível que a ausência do marido estava deixando-a um pouco deprimida também. Sentei-me á mesa para jantar e pude constatar que minha mãe estava mais contente do que em todos os dias anteriores aquele; Ela estava pulando e cantarolando como se tivesse ganhado na loteria o grande prêmio da virada de ano.

– O que há mãe? Ganhou na loteria e esqueceu-se de me contar? – Indaguei de forma irônica, enquanto a mesma nem se importava com minha ironia.

– Nada disso, Jichu! Estou muito feliz por ter conhecido uma amiga sua hoje, e para mim isso é melhor do que ganhar na loteria!

Quase engasguei com a comida. Uma amiga minha? Minha mãe estaria alucinando ou o quê?

– Quem seria essa tal amiga, mãe? – Questionei um tanto aflita com a situação.

– Uma garota ruiva muito simpática que estava passando na rua hoje e perguntou de você! – Uma garota ruiva e “simpática”? Não precisava pensar muito para deduzir quem era a criatura.

– Mas omma, porque a senhora afirma com tanta certeza que ela é uma amiga minha?

– Porque ela mesma disse! – Quase sufoquei com o alimento novamente. Mas o que deu na Chaeyoung agora? Nunca fomos próximas, e ela afirma ser amiga minha? Tudo bem, não conseguia compreender mais nada da situação... Apesar de que – eu tenho que admitir isso – tenha ficado um tanto contente devido àquela afirmação, mesmo que se tratasse de uma mentira... Ninguém nunca havia afirmado ser minha amiga, nem de brincadeira...

Após o jantar, tratei de fazer meus deveres rapidamente para ir dormir o mais rápido possível. Acabei indo dormir com a roupa casual, sem trocar para um pijama. Admito que não suportava minha rotina diária, sempre orando a qualquer ser superior que estivesse escutando para que fizesse as horas passarem mais rápidas a medida do decorrer dos dias.

Meu sono era pesado e tranquilo; Dormia semelhantemente a um urso em período de hibernação, onde nem o mais rígido dos terremotos poderia me acordar... Ou assim eu imaginei...

Despertei no meio da noite sentindo a presença de mais alguém em meu quarto... Seria um ladrão? Lentamente abri meus olhos e constatei a presença de uma figura ruiva adentrada no cômodo, mexendo em minhas malas de viagem e em minhas roupas.

– M-Mas o que diabos você pensa que está fazendo? Aliás, como você conseguiu entrar no meu quarto? – Era ninguém mais ninguém menos que Park Chaeyoung colocando algumas roupas minhas e utensílios dentro de uma mala de viagem preta com detalhes em roxo.

– Boa noite, Bela Adormecida! Vim te levar para um passeio! – Era incrível como aquela garota possuía voz confiante e firme, que davam um brilho incomum a cada palavra que aquela garota dizia; E mesmo assim, não conseguia acreditar no cinismo da moça.

– Vem cá, mas que história de passeio é essa, hein? Você já olhou que horas são? Nós temos aula amanhã! E afinal de contas, como demônios você conseguiu entrar no meu quarto?!

– Primeiro: uma pedrinha e uma escada me ajudaram a entrar no seu quarto – Disse ela, enquanto observei vários cacos de vidro no chão e uma pedra de tamanho médio entre elas. Ela quebrou a minha janela? – ... E segundo, pode parar com as perguntas! Você pergunta demais e age de menos, vamos embora!!!

A ruiva literalmente me puxou para fora da cama e guiou meu pulso até a janela, onde pulamos e caímos sobre uma planta macia, que mesmo em sua maciez me causou um pouco de dor nas pernas devido ao impacto com o chão.

– V-Você é louca ou o quê? Poderíamos ter morrido, sabia? – Questionei, enquanto tentava recuperar meu fôlego.

– Poderíamos, mas não morremos! Vamos logo, você pensa demais e acaba perdendo as melhores partes da ação! – Aquela ruiva era completamente insana; Louca varrida, diria eu. Sua energia parecia infinita, em contrapartida a minha paciência com aquele seu lado rebelde... Mesmo assim, naquele instante fui preenchida por sua energia positiva. Provei de um sentimento louco por aventura – extremamente momentâneo e insensato – que nunca havia sentido em toda a minha vida... Afinal, o que estava acontecendo comigo?

Nós estamos todos remando o barco do destino...

... As ondas continuam chegando e não podemos escapar...

... Mas se algum dia nos perdermos no nosso caminho...

... As ondas irão guiá-lo através de outro dia...

O relógio já marcava 05:30 da madrugada, e eu estava presa a um jipe esportivo vermelho, que rodava a todo o vapor enquanto o sol sinalizava sua presença completa em poucos instantes. A viagem foi silenciosa, onde o elemento mais chamativo de toda a viagem eram os fios brilhantes de Chaeyoung, que estavam dispersos ao ar gélido da manhã de uma forma mágica; Pareciam fios de puro rubi quando jogados ao vento.

Passados alguns minutos, Chaeyoung parou o jipe em frente a um campo coberto por uma pradaria belíssima, onde bem no centro desta jazia uma laranjeira grande, cujas folhas eram espessas e seus frutos ostentavam uma cor muito bonita.

– Pensa rápido! – A ruiva se moveu para a copa da laranjeira, jogando uma laranja grande exatamente entre minhas mãos. – Esse vai ser o seu café da manhã, baseado no que a mãe natureza maravilhosa nos dá! Não é legal?!

Não esbocei nenhuma reação mediante aquela animação toda; Pedi emprestada a faca que Chaeyoung usou para descascar sua laranja visando repetir o processo com a minha fruta. Quando menos esperei, a ruiva surrupiou a laranja das minhas mãos, e saiu correndo por entre as pradarias verdes.

– Devolve Chaeyoung! – Disse em tom imperativo e firme, para que ela entendesse que estava falando sério. A palhaça começou a gargalhar de minha reação, aplicando uma condição a minha vontade:

– Só vou devolver quando você ajeitar essa cara de séria! Caso contrário... Bem... Vem pegar... – A ruiva afirmava sua condição com um semblante malicioso no rosto; Ela queria que eu corresse atrás dela... Ela queria me desafiar... Algo em meu interior simplesmente fez minhas pernas se moverem em alta velocidade na direção da ruiva para pegar o que me pertencia.

Repentinamente, escutei algo que há muito não percebia sair de meus lábios: eu estava sorrindo... Estava gargalhando simplesmente por estar correndo... Eu estava feliz...; Enquanto me distrai em meus pensamentos, acabei tropeçando em cima de Chaeyoung, e fomos rolando no solo da pradaria até sermos paradas por outra árvore.

Não pude acreditar naquilo... Eu estava sorrindo! Digo, estava gargalhando euforicamente, como se minha respiração dependesse daquilo. Passaram diversas sensações que meu coração não conseguia sentir já tinha muito tempo... Era algo inexplicável!

– Você está rindo... Você fica tão bonita quando sorri Jisoo... Deveria sorrir mais vezes... – Disse aquela louca, enquanto arrumava meus cabelos com seus dedos finos e delicados; Era um toque suave e, mesmo assim, viciante.

Amanhecemos o dia sorrindo e gargalhando em meio à vegetação da pradaria. A sensação de rir era extremamente confortável... Questionava-me porque passei tanto tempo sem praticar esse ato...

Estou a oferecer minhas preces...

... Para poder enxergar um novo amanhecer do dia...

Os dias se passaram em uma velocidade vertiginosa. Aquela garota aparentava mexer com o tempo, pois assumo nunca ter notado o quão rápido os dias se passavam. Aos poucos, iniciei diversas conversas com Rosé – assumi esse apelido para chama-la carinhosamente –, e após muitos esperar, acho que finalmente havia encontrado uma amiga de verdade, que seria capaz de me acompanhar e me manter forte.

Havíamos marcado um dia para ir a um festival de cores, que não ficava muito distante da costa praiana do lugar onde morávamos. Na data em questão, havíamos arrumado tudo com a devida antecedência, partindo com o jipe em direção ao litoral bem cedo.

Eu nunca havia presenciado um festival daquela magnitude... Era uma coisa a qual eu nunca imaginei que fosse por livre e espontânea vontade. As cores eram jogadas ao vento, flutuando como plumas em meio ao som das guitarras e baixos, que eram exibidos no último volume ao público do festival, que se sujavam prazerosamente com as nuvens de tinta dispersadas pelos outros; Adolescentes bebiam das mais diversas bebidas alcoólicas, e até mesmo adultos partilhavam da atitude. Todos pulavam e chacoalhavam suas cabeças em um mesmo ritmo, usando todos os músculos de sua garganta para cantar a uma só voz. Com o tempo, passei a ser acometida por toda aquela energia em meio ao público juvenil daquela plateia, me esbaldando em meio ás músicas – onde a grande maioria, eu nem fazia ideia de qual música se tratava. Rosé permanecia ao meu lado, tão contente e animada que berrava todos os versos das músicas que conseguia rememorar. No ápice do festival, aparecera finalmente uma música a qual reconhecia: Livin’ On A Prayer, do Bon Jovi.

Essa música me foi deveras marcante... Sim, como poderia esquecê-la? Essa música foi a trilha sonora de meu primeiro beijo. O selar de lábios mais profundo e sóbrio de toda a minha vida fora realizado com Rosie, que soube aproveitar bem o fato de nunca ter a aproximado em outra boca que não fosse a dela. Realmente, ela era louca... A louca que invadiu meu coração e o preencheu de esperança... A louca que permeou meus sentimentos, revelando novas sensações a cada frase que era proferida de seus lábios e a cada toque realizado por seus dígitos... A louca que nunca me evitou, mesmo depois de ter confessado minha real opção sexual... Sim, finalmente estava prestes a ser eu mesma... Havia me apaixonado por aquela louca.

Não me lembro do que fizemos ao fim do festival de cores; Relembro de seguirmos completamente sujas até a pradaria e cairmos mortas de bêbadas no chão, deixando a lua por testemunha de qualquer outra coisa que houvesse acontecido em seguida – e que certamente aconteceu.

Aquela garota foi alguém que realmente valeu a pena. Sim, seus lábios tocaram os meus muitas vezes mais além daquela. Fizemos muitas loucuras durante toda a nossa adolescência; Brincávamos sobre casar e até mesmo adotar um menino algum dia.

Quando foi chegada a época da universidade, nos separamos por um oceano de distância; Sim, ela tivera que voltar para a Austrália quando a mesma completou seus 23 anos... E até hoje não nos vimos mais.

Atualmente, possuo 29 anos de idade. Não sou casada. Atuo como produtora musical e compositora. Tenho uma boa casa. Tenho um bom humor e um pensamento muito espirituoso. Aguardo a volta do amor da minha vida todos os dias, e sempre aguardarei.

NOS DIAS ATUAIS, NÃO MUITO DISTANTE DESSE MOMENTO...

DING DONG! Escuto o taciturno barulho da campainha incomodar meu sono ás 08:30 da manhã.

– Mas quem será... – Levanto-me de uma forma preguiçosa até a porta do meu quarto, descendo as escadas lentamente. Até uma tartaruga me ultrapassaria na velocidade a qual me encontrava. DING DONG! DING DONG!

– Estou indo! Tenha calma! – Acelero um pouco meus passos na direção da porta, tendo minha visão encandeada pelos raios solares.

– PENSA RÁPIDO! – Uma voz familiar havia jogado algo em minha direção, que agilmente peguei com minha mão esquerda. Sem perceber quem era a pessoa, abri aquele continente e constatei a existência de uma aliança dentro dela, com um pequeno papel que dizia “Quer casar comigo?” enrolada no objeto.

– Achei que não fosse pegar! – Fios rubros cobriram minha vista naquele instante. Uma mulher que usava uma calça jeans lilás e uma blusa de manga longa vermelha me agarrou para um abraço apertado. Não foi preciso muito para que adivinhasse de quem se tratava, tendo por consequência uma maré de lágrimas rolando por minha face.

– Achei que nunca te veria de novo, Rosie...

E cada vez que eu vejo seu rosto...

... Os oceanos transbordam meu coração...

... Você me faz querer apressar os remos...

... E logo eu posso ver a costa!

 


Notas Finais


Por hoje foi só, pessoal! Obrigada por terem lido e até a próxima!!!!!!

Fic Yuri JenLisa (Black Pink): https://spiritfanfics.com/historia/home-6587840
Fic Yuri TzuNa (TWICE): https://spiritfanfics.com/historia/dont-cry-tonight-6472165
Blog Pessoal: http://docetesrevolts.blogspot.com.br/


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