História Liga dos Canalhas - Capítulo 16


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Karin, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Rin Nohara, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Suigetsu Hozuki, TenTen Mitsashi
Tags Amizade, Comedia, Naruto, Rivalidade, Romance, Sasusaku, Universidade
Exibições 1.518
Palavras 3.363
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Festa, Hentai, Josei, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


O sentimento de alívio por conseguir voltar tão rápido é uma delícia, viu? hahahahahaha mas isso só aconteceu porque esse capítulo foi menor e bem mais leve do que o usual. Espero que, apesar disso, apreciem a leitura.

O próximo não deve vir com tanta rapidez, mas vou me esforçar para que não demore tanto.

E, como já é de praxe, comecei a postar uma nova história (Sim, sasusaku!) e vou deixar o link nas notas finais. A quem interessar, o nome da fanfic é "Nós somos feitos de estrelas".

Por enquanto é isso. Beijos e até o próximo <3

Capítulo 16 - Classe, Ordem, Família


1 de outubro de 2015

República Mesa de Saloon

 

Estava cedo demais para que qualquer outro residente me fizesse companhia durante o café da manhã, o que resultou, felizmente, em uma refeição silenciosa e livre das costumeiras discussões matinais que se desenvolviam à mesa.

Meu dedo desliza lentamente pela tela do celular enquanto dou fim a uma xícara de café, tomando como único intuito o de espantar o sono. Foi difícil sair da cama tão cedo num sábado, principalmente quando, na noite anterior, levei meu corpo ao seu baixo limite físico tentando, de toda forma, acompanhar a coreografia que começava a se desenvolver.

Mas essa indisposição começou a evaporar à medida em que o gosto amargo do café ia tomando conta de minha boca e meus olhos se perdiam nas informações do site exibido na pequena tela touch do telefone em minhas mãos.

Um sorriso discreto, porém empolgado, surgiu quando fui redirecionada a um novo link que apresentava uma extensa lista com os nomes das espécies cultivadas no Instituto de pesquisa e reserva botânica de Hyde Park, onde, secretamente, teria meu encontro com Sasuke dentro de alguns minutos.

Analiso calmamente cada uma das espécies, seus nomes científicos e populares e especificações de origem, ansiosa por poder, finalmente, ir ao viveiro florestal.

De tão concentrada em avaliar cada uma das plantas especificadas, acabei perdendo a noção do tempo e, quando dei por mim, a notificação de uma nova mensagem fez meu celular vibrar.

Sara

Você não vai se atrasar de novo, vai?          6:58

Ainda com o raciocínio atrasado, analiso o nome do contato com algum estranhamento antes de me desesperar ao lembrar que se tratava de Sasuke.

Acontece que, para evitar qualquer suspeita, eu salvei seu contato com outro nome e, ao notar isso, percebi também que eu ia, sim, me atrasar.

— Pro inferno com essa pontualidade medonha — Resmungo baixinho, entornando o resto do café já morno e correndo para deixar a louça suja na pia com a consciência de que, quando os outros acordassem, eu seria bastante julgada por isso. Mas por favor! Era a primeira vez que eu tinha a oportunidade de ir ao Instituto e não podia correr o risco de perder minha carona!

E enquanto eu corria para arrumar minha bolsa e escovar os dentes em velocidade recorde, percebi algo que, afinal, era bastante incomum: eu estava usando Sasuke.

Minha nossa, eu estava mesmo usando o líder dos canalhas e ele nem sabia disso!

Bom, ao menos não por enquanto. Provavelmente ele seria atingido pela percepção assim que descobrisse qual o nosso destino e, principalmente, minhas intenções. Mas aí seria tarde demais, não?

Ou ele poderia me deixar lá, sozinha, e voltar para sua casa.

Sim, ele poderia fazer isso, e a possibilidade me fez morder furiosamente a ponta do polegar enquanto praticamente corria em direção ao nosso ponto de encontro.

Quando cheguei, fiz questão de checar as horas e vi que estava atrasada em quase vinte minutos e Sasuke não parecia muito feliz com isso.

— Bom dia! — Tentei dispersar a atenção da minha falta de pontualidade forçando um sorriso e exalando toda a disposição que tive tanto trabalho para reunir. — Esperou muito?

— Vinte minutos — ele responde, ignorando meu cumprimento e sentando no banco do motorista. Rapidamente dou a volta e ocupo o assento ao seu lado, ainda sustentando meus resquícios de bom-humor em cada nuance da minha expressão facial.

— Você é mesmo muito pontual, né? — Comento, constrangida, ao puxar o cinto de segurança. — Eu juro que nunca lhe atribuiria pontualidade como uma qualidade. — Rio, ainda sem muito jeito, enquanto o observo mexer no celular em silêncio.

Ele passa o aparelho para mim em seguida, com um mapa digital ocupando toda a tela.

— Mostra a localização do lugar — ele diz, simplesmente, enquanto se ocupa em escolher um álbum para ser reproduzido pelos alto-falantes do carro.

Eu não me atenho muito à sua escolha, ocupada demais em analisa-lo com algum cuidado. Ele estava, sem sobra de dúvidas, com um péssimo humor e eu não conseguia relacioná-lo a nada além do meu atraso inconveniente, o que me rendeu uma pequena crise de consciência.

— Desculpa ter me atrasado de novo — digo, depois de ponderar bem as palavras — Eu sei que é desagradável ficar esperando, ainda mais a essa hora. — Meu sorriso carrega uma culpa quase palpável, vacilando quando ele me olha com os olhos levemente cerrados em confusão. — Desculpa mesmo.

Ele então passa a língua furtivamente sobre o lábio inferior, desviando o olhar por um segundo antes de voltar a atenção para mim.

— Seu atraso já era esperado. Não é isso que está me incomodando — ele aumenta o volume, parecendo fazê-lo apenas para movimentar as mãos e eu rapidamente entendo que sua irritação não teria sido fruto de qualquer atitude minha, ou ele com certeza aproveitaria a deixa para me provocar de todas as formas por isso. — Já tem a localização?

— Ah — sussurro, esquecida da pequena missão que tinha sido atribuída a mim e rapidamente volto a digitar o nome do nosso destino na pequena caixa de busca. Depois de informar o local de partida, o mapa foi preenchido com uma linha verde que indicava o percurso a ser seguido. — Aqui.

Ele toma o celular de volta e analisa brevemente o lugar selecionado, atento ao nome informado ao lado da seta vermelha.

— Instituto de pesquisa e reservatório botânico? — Ele lê com a voz carregada de indisposição.

Meu sorriso se abre com o intuito de incentivá-lo a seguir em frente.

— Sim. Eles têm plantas bem bonitas, algumas raras, também!

— É isso o que você considera como um bom encontro? — Ele pergunta, entediado, ao dar partida no carro.

Me pego suspirando vergonhosamente aliviada ao perceber que, apesar da aparente desaprovação, Sasuke não desistiria de ir ao local escolhido por mim.

Perder a oportunidade de finalmente ir ao instituto seria mais doloroso que levar um tiro!

— Eu não diria que essa é a minha definição de encontro ideal, mas é um lugar que eu realmente quero conhecer desde que vim para a Sullivan — Confesso, divertida, enquanto recebo umas olhadelas de canto. — E entrar em contato com a natureza faz bem pra alma. Pode até te ajudar a melhorar esse humor azedo, né? — Provoco levemente ao perceber que consegui lhe arrancar um sorriso, ainda que discreto. — Viu? Só a possibilidade já te deixou com um ar mais agradável — cutuco levemente seu ombro, fazendo o perfeito papel de pentelha.

Entretanto, o maior sobressalto é o meu quando sinto uma de suas mãos agarrar a minha que lhe incomodava e coloca-la sobre minha própria perna. Sua palma permanece sobre a minha, apertando-a levemente.

— Nunca te ensinaram a não incomodar o motorista? — Ele diz, mantendo sua atenção na pista, enquanto eu observo o peso de nossas mãos sobre minha coxa.

O contato me parece inusitadamente íntimo e eu sinto o calor característico se alastrar pelas laterais do rosto e concentrar-se nas maçãs.

— Nunca te ensinaram que ambas as mãos devem ficar no volante durante a condução?

Sasuke move os lábios outra vez, redesenhando-os em mais um sorriso torto enquanto sua mão é retirada de cima da minha e colocada sobre a circunferência revestida com couro.

— Satisfeita? — Questiona, cínico, aumentando brevemente a velocidade.

— Imensamente. — Retruco, consciente de que não se tratava de uma resposta totalmente verdadeira.

Sua atitude me deixou desconcertada, sim, mas eu não a repudiava. Entretanto, ter suas mãos longe de meu corpo me parecia muito mais cômodo, já que não precisava lidar com os pensamentos que envolviam as frequentes censuras acerca da nossa repentina proximidade.

E, para o meu alívio, durante o restante do percurso, Sasuke não fez nenhum outro movimento arriscado.

Nossa interação se resumiu a conversas curtas, interrompidas constantemente por meus bocejos inconvenientes e, vez ou outra, pelo toque de seu celular. Em todo caso, Sasuke ignorou tanto minhas demonstrações de sono quanto as chamadas recebidas, mesmo que todas elas tivessem sido realizadas por, pelo que foi identificado no visor, seu pai.

Depois da segunda chamada deliberadamente ignorada, então, eu pude fazer a associação entre seu prévio mal humor e o reitor de nossa universidade. De qualquer forma, como foi deixado claro na última vez, Sasuke não se sentia confortável para abordar o tema, então me poupei dos esforços de tentar fazê-lo compartilhar qualquer coisa sobre e me mantive focada em outros tópicos de conversa, vez ou outra cantarolando as músicas que se reproduziam em busca de espantar o sono.

Após algum tempo, meus esforços renderam resultados e, ao chegarmos ao nosso destino, eu já não pensava tanto em voltar para a minha cama e permanecer lá até a hora do almoço. Na verdade, eu tomei uma injeção de disposição ao sentir o motor ser desligado, olhando através do para-brisa para a paisagem que se perdia nos limites da minha visão.

— Eu não acredito que finalmente pude vir aqui! — Comento, entusiasmada, enquanto meus olhos varriam o cenário verde logo à frente.

Mesmo sem estar atenta às reações de Sasuke, no momento, eu podia sentir o peso do seu olhar me censurando.

Tudo bem, eu admito. Não levei em consideração o ponto de estarmos em um encontro. Na verdade, eu não levei em consideração nada além da minha vontade de conhecer o local e, por isso, nem mesmo me arrumei como normalmente faria ao ter um compromisso desse calibre.

Eu estava com uma calça jeans levemente folgada e surrada — alguns rasgões eram propositais; outros, nem tanto —, camiseta sem qualquer estampa e meu fiel par de tênis, os mesmos que costumava usar nas aulas. Meu cabelo também não tinha recebido nenhum tratamento especial, preso num rabo de cavalo pouco empenhado que tinha como único objetivo impedi-lo de se enroscar à alça da bolsa transversal.

E eu sei que, se pudessem me ver, várias das outras estudantes da Sullivan estariam me condenando por ir a um encontro com Sasuke Uchiha naquelas condições. Em silêncio, lá no meu íntimo, eu também me condenava, mas a vida é feita de escolhas, e eu sempre escolho minhas prioridades. No momento, a prioridade era estar confortável, não bonita, porque meu intuito em ir até ali não era exatamente avançar em minha relação — podemos chamar assim? — com Sasuke. Era, em oitenta por cento de sua totalidade, conhecer novas espécies botânicas.

Mas, enquanto Sasuke não fizesse nenhuma reclamação, eu não confessaria minha atitude egoísta (porém completamente justificável, certo?).

E, assim, seguimos em silêncio para o interior do instituto, recepcionados por uma estrada ladeada por roseiras de diversas cores.

Eu sentia meu coração palpitar com cada fragmento de imagem que meus olhos eram capazes de captar, enquanto a discreta mistura de fragrâncias arrastava para a superfície um sentimento de nostalgia já esquecido.

Era como estar de volta ao reservatório botânico que, durante meus anos em Lincoln, foi o meu refúgio.

Mas a sensação, no final, não era de agonia, como costumava ser.

A lembrança da angustia cutucava meu estômago, mas era facilmente ignorada pelos novos efeitos de estar ali por prazer, e não por medo de enfrentar a vida.

Incapaz de conter a satisfação, mal tomo consciência de quando a exteriorizo na forma de um sorriso genuíno, cheio de dentes e desinibição.

— Obrigada por não ter desistido de vir — digo, girando sobre meu próprio pé para ficar de frente para Sasuke enquanto continuamos a caminhar. Ele sorri, mas antes que possa falar qualquer coisa, eu tropeço numa pedra solta do caminho e rapidamente perco o equilíbrio.

Eu poderia cair desastrosamente sentada, sem jeito nenhum de me reerguer depois do constrangimento. Poderia, mas Sasuke, não pela primeira vez, impediu minha queda.

Sua mão ágil alcançou meu braço, me puxando em sua direção antes que meu corpo desmontasse no chão, e eu ofeguei em surpresa ao sentir meus pés firmes outra vez.

Ele permaneceu parado em minha frente, a mão ainda me segurando e as sobrancelhas arqueadas como toda vez que se colocavam quando eu falava ou fazia qualquer coisa desajeitada. Eu levanto o olhar vagarosamente, torcendo os lábios em um pedido de desculpa e, simultaneamente, em mais um agradecimento.

— Obrigada por isso também. — Digo, rindo da minha própria natureza desastrosa, ao passo em que faço nascer traços de bom humor também em seu rosto.

— Disponha. — Ele diz simplesmente, soltando meu braço e enfiando as mãos nos bolsos da calça antes de voltar a caminhar. Algum tempo depois de outro trecho de caminhada silenciosa e, felizmente, livre de quaisquer outros acidentes envolvendo meu equilíbrio, ele para diante de uma placa que exibia um mapa ilustrado do local. — Para onde?

Eu o analiso brevemente em busca de um ponto em especifico e, assim que o encontro, aponto com o indicador, observando também a rota que deveríamos seguir para chegar lá.

E, então, voltamos a caminhar em silêncio.

Minhas passadas eram lentas, combinadas ao ritmo que meus olhos seguiam para gravar cada detalhe da paisagem ao redor. O terreno começava a ser coberto por árvores de pequeno porte, identificadas por pequenas placas fixadas ao fim de seus troncos.

Eu analisava cada pequena informação, gravando os nomes e, eventualmente, tomando a liberdade de sair do caminho de pedras para tocar nos caules e sentir a rugosidade, consistência e nervuras das folhas.

Ainda sem me atentar verdadeiramente a isso, fui invadida pela certeza de que Sasuke estaria, na melhor das hipóteses, bastante entediado.

Sempre foi claro para mim que nem todos compartilhavam do meu interesse por botânica, e me parecia claro o suficiente de que Sasuke pertencia a essa casta de pessoas.

Então, tomada pelo receio de estar abusando de sua boa vontade, retorno ao caminho de pedras e murmuro um pedido de desculpas pela demora, voltando a caminhar, dessa vez, com passadas mais rápidas.

Sasuke vinha atrás, entretanto, caminhando com a mesma calma que eu impus inicialmente.

— Com pressa? — Ele pergunta, de repente, me fazendo reduzir o ritmo outra vez para olhar para ele.

— Um pouco. — Confesso, analisando o terreno ao redor em busca de alguma sinalização. O reservatório ficaria por algum lugar nas imediações, mas eu não tinha mais certeza de que direção tomar. Então volto a olhar para Sasuke, ansiosa. — Minha memória é ruim... você lembra o caminho?

Ele aponta o indicador para a minha direita, onde a estrada de pedra se tornava ainda mais estreita à medida em que avançávamos.

O silêncio já se comportava como um terceiro integrante do nosso encontro, sempre presente, porém, para meu alívio, não me parecia mais tão inconveniente. Na verdade, a julgar pelo ambiente em que estávamos, ele era muito bem-vindo e Sasuke, assim como eu, parecia entender isso.

Mas, no instante seguinte a essa percepção, minha voz se faz audível outra vez.

— São glicínias? — Questiono, espantada, observando o caminho adjacente que se transformava numa espécie de túnel ladeado por glicínias japonesas, com os cachos de flores lilases pendendo em espirais uniformes e volumosas. — Meu deus, são glicínias! — Afirmo, enfim, sequer me preocupando em dar algum tempo para Sasuke processar minha empolgação repentina.

Eu o agarro pela mão e apresso o passo em direção ao corredor, desviando do nosso caminho inicial.

— Eu não acredito! — Pronuncio, entusiasmada, observando aquele pequeno pedaço do paraíso em meio ao Instituto. — Me empresta seu celular, por favor! Sua câmera é melhor que a minha! — Ainda com os olhos brilhando, viro para Sasuke outra vez e estendo ambas as mãos como uma criança ansiosa.

Ele coloca a mão no bolso, puxando o aparelho com lentidão e sorrindo com divertimento evidente.

— O que foi? — Interrogo, desconfiada.

Seu celular está em minhas mãos com a câmera habilitada, mas eu não me preocupo em tirar a tão desejada foto, e sim em olha-lo em busca de uma resposta.

— Eu só não imaginei que você ficaria tão excitada.

Eu franzo o cenho diante de sua justificativa. — A escolha de palavras foi proposital?

— Completamente.

Sem querer, acabo rindo de sua sinceridade crua.

— Você é mesmo um babaca pervertido — Resmungo, ainda risonha, enquanto me ocupo em enquadrar o cenário à frente na tela de seu celular. Empolgada, acabo tirando muito mais fotos do que o necessário, mas decidida a enviar cada uma delas a Tsunade. Ao fim, estendo o aparelho a ele e sorrio em agradecimento. — Envia todas pra mim, por favor, eu preciso mostrar essa maravilha a Tsunade!

— Tudo bem. — Ele responde, mas, ao invés de devolver o telefone ao bolso, aponta a câmera para mim. — Agora sorria.

— O que? Não, ela me proibiu de mandar fotos minhas para ela enquanto não parar de pintar o cabelo. As que eu tirei já são mais do que suficiente — declaro, divertida, observando que meus argumentos não o tinham convencido.

— Essa é pra mim. — Ele anuncia, com a leveza usual, logo antes de pressionar o dedo na tela, provavelmente capturando o exato momento em que meu sorriso se tornou frouxo. — Ficou ótima — Ele sorri, descarado, passando ao meu lado para adentrar o túnel de glicínias enquanto eu tentava, com pigarro atrás de pigarro, me recuperar da surpresa.

— Você tem mesmo que fazer essas coisas o tempo todo? — Resmungo, baixinho, e recebo em resposta apenas um torcer de lábios atravessado. Então mantenho um passo de distância, caminhando atrás dele enquanto silenciosamente massageava as bochechas buscando devolver a elas a coloração natural, embora eu desconfiasse que, em presença de Sasuke, vermelho era a cor espontânea delas. — De qualquer forma, viu que eu estava certa? Um tempinho aqui e seu humor já voltou ao normal! — Comento, desviando o foco do meu constrangimento anterior.

Ele caminha cada vez mais devagar, até que para. Sua mão direita alcança uma das inflorescências, tocando levemente as pétalas suspensas.

— Você não vai perguntar o que aconteceu? — Ele questiona tranquilamente, mantendo sua atenção focada no turbilhão lilás diante de seus olhos.

Eu pondero bem minhas palavras antes de responder qualquer coisa.

— Posso tentar adivinhar? — Ele me olha brevemente, apenas para me agraciar com uma resposta positiva. — Brigou novamente com seu pai? — Arrisco, com a voz inconsistente, e sinto um arrepio involuntário quando, outra vez, ele move a cabeça em afirmação.

Eu umedeço o lábio, indecisa sobre a continuação daquela conversa, mas Sasuke, dessa vez, é mais rápido que eu.

— Eu honestamente não o suporto. — Ele confessa, liberando as flores antes presas entre seus dedos e movendo o rosto em minha direção. Seus lábios exibem o usual sorriso dissimulado, mas o restante de sua expressão não espelhava nada além de seriedade. — Foi graças a ele que eu comecei a evitar toda a minha família, mas agora que meu irmão vai casar... — ele suspira pesadamente, deixando que seus dedos se percam nos próprios cabelos num gesto enfadado — Ele age como se nada tivesse acontecido, e eu não consigo lidar com isso.

Eu arrumo uma mecha do meu cabelo, tentando juntar as palavras em qualquer frase que o reconfortasse, mas nada me vem à mente.

Eu não sabia porque Sasuke tinha criado aquela repulsa pelo próprio pai, mas também não pretendia julgá-lo. Mesmo assim, eu não consigo tecer um comentário positivo e sincero.

— Desculpa, eu... —

— Eu não estou esperando nenhum discurso motivacional, Sakura — Ele me interrompe, dando dois passos em minha direção para quebrar a distância entre nós. Sua mão serpenteia por meu pescoço, acariciando-o com leveza. — Você já me disse que costuma dar uns conselhos de merda, não? — Seu sorriso acompanha o meu, que carrega um leve ar ofendido embora aquelas tenham, sim, sido as minhas palavras.

Então seus lábios tocam os meus, demorando-se no contato leve e quase inocente. Quando se afasta, ele desliza a mão de meu pescoço pelo ombro e braço até alcançar minha mão.

— Eu só aproveitei a oportunidade — Ele diz, então, me puxando levemente para que voltássemos a caminhar. Agora, lado a lado e de mãos dadas. — Já que você me usou para vir até aqui, eu me achei no direito de te usar para desabafar um pouco.

Eu rio, sentindo o calor de sua mão envolver a minha, surpresa por, dessa vez, não conseguir sentir que estava fazendo algo de errado.

— Olho por olho? — Questiono risonha, olhando-o com desaprovação velada e fingida.

— Eu não te disse? — Ele exibe outra vez sua faceta oblíqua e lasciva, mantendo sua mão presa à minha ao erguer o braço para me envolver pelo pescoço e me puxar para mais perto. Então, com o rosto quase colado ao meu, ele prossegue: — Comigo é sempre assim.


Notas Finais


Como prometido, o link da história: https://spiritfanfics.com/historia/nos-somos-feitos-de-estrelas-7122405

E um link extra, caso alguém não conheça as maravilhas que são as glicíneas: http://i.imgur.com/ebF56GT.jpg


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...