História Ligeiramente grávida - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Dorcas Meadowes, Lílian Evans, Marlenne Mckinnon, Remo Lupin, Sirius Black, Tiago Potter
Tags Adolescente, Drama, Gravides Precoce, Harry Bebe, James, Jily, Lily, Romance
Exibições 103
Palavras 4.648
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oiii, eu nem vou mais da desculpinha pra vocês. Quem tem meu twitter sabe que eu to muito enrolada com a faculdade, minha beta também, por isso to demorando tanto. Mas prometo que não vou abandonar.

Capítulo 9 - 8. Março, 1978.


Conseguir falar com a Professora Minerva se mostrou mais difícil do que parecia. Ela estava tão ocupada com a organização dos N.I.E.M.s, que só conseguiu nos atender quase uma semana depois de falarmos que era algo de grande importância.

Eu estava tão nervosa que não consegui comer nada desde o dia anterior. Eu preciso saber o que as regras da escola dizem sobre casos de gravidez. Esse era meu segundo maior medo, o primeiro ainda era não saber ser mãe, não poder terminar os estudos em Hogwarts.

A partir dessa resposta eu poderia planejar todo o resto da minha vida.  Sou maior de idade, tanto no mundo bruxo quanto no trouxa, sou responsável por mim mesma e, em breve, serei responsável por uma criança.

Portanto, fiquei extremamente ansiosa, quando a Prof. Minerva avisou que teria como falar conosco na manhã de quinta-feira. James me encontrou no Salão Comunal antes do café da manhã e nos dirigimos para a sala dela em silêncio, cada um mergulhado em seus próprios pensamentos.

Sinto meu coração bater freneticamente. O que eu faria se a escola me expulsasse? É essa a pergunta que eu fiz a mim mesma inúmeras vezes, em nenhuma delas consigo uma resposta. Nunca vi uma menina grávida em Hogwarts. Isso quer dizer que a escola não permite ou que não aconteceu durante os anos que estive aqui?

- Bom dia, professora. - falamos eu e James ao entrarmos na sala.

- Bom dia. - respondeu, sentada em sua cadeira, lendo calmamente um documento e completamente alheia ao meu desespero. - sentem-se.

James me olha uma vez antes de se sentar na cadeira a frente da professora. Ele sacode a perna sem parar, noto que suas unhas estão tão roídas que apresentam pequenas feridas. Ele está nervoso, tanto quando eu. Quero fazer algo para acalmá-lo, mas não consigo nem acalmar a mim mesma.

A Prof. Minerva olha de mim para James, e de volta para mim. Tenho a impressão de que ela já sabe o que vamos dizer e tento achar algo em seu rosto, uma pista do que esperar, mas não há nada, ela está séria, esperando nós nos pronunciarmos.

Decido ser direta, como fui com James, pois não tenho motivos para enrolar.

- Eu estou grávida. - digo em tom de confissão. - E quero saber como a escola se posiciona quanto a isso.

Ela solta o documento que estava lendo. E suspira antes de nos olhar de novo.

- Para o senhor Potter estar aqui, devo deduzir que ele é o pai da criança, certo?

- Sim. - responde James, ele está pálido, mas parece firme, confiante de que tudo ficará bem. - E que vou arcar com as responsabilidades de pai.

Mais uma vez sinto que ela já sabia sobre isso também. A professora respira fundo, ela parece achar o assunto muito sério, quase lamentável. Preparo-me para ouvir um sermão, mas não é isso que acontece.

- Vocês conhecem a regra sobre ter relações sexuais no território escolar, mas isso seria solucionado com algumas semanas de detenção. - ela fala enquanto pega um papel novo para anotar algo, ao mesmo tempo em que fala. - Quanto à gravidez, é um pouco mais complicado.

Vou ser expulsa, é isso. Sinto uma vontade enorme de chorar, mas me seguro. Prendo a respiração para evitar soluçar e pisco diversas vezes para afastar as lágrimas.

- Não temos regras que expulsem por isso, não mais pelo menos. Na maioria das vezes as meninas preferem ir embora, ter o bebê e terminar os estudos em casa. - ela finalmente termina de escrever e nos olha.

Meu coração dá pulos dentro do meu peito, sinto um alívio tão grande, é como se tivesse tirado um peso dos meus ombros.

- A escolha é sua, mas você precisa saber que a escola não tem capacidade de acomodar um bebê.

- Não, não o terei aqui. - falo, minha voz sai embaçada e aguda, então limpo a garganta antes de continuar. - Ainda estarei com sete meses quando me formar.

- Além disso, deve saber que os alunos irão comentar, levantar hipóteses, e nós não poderemos fazer nada. - ela faz uma pausa, para me dar um tempo para entender isso, porém eu já imaginava isso, uma moça solteira grávida tão nova sempre é um escândalo, ainda mais quando o pai é rico. - Dito isso a escolha é toda sua.

- Eu vou ficar.

Ela sorrir, parecendo feliz por minha escolha.

- Depois teremos que nos encontrar para resolver alguns pontos importantes. - ela fala, e nos entrega o papel em que estava escrevendo antes, era uma detenção. - Mas por hora só preciso lembrar-lhe que sua dispensa para ir ao casamento de sua irmã no próximo fim de semana já foi liberada.

Perco o fôlego de novo, todo o alívio que senti ao saber que iria continuar estudando some com a perspectiva de que em uma semana irei estar frente a frente com meus pais.

- Se me permite o conselho, seria um bom momento para contar aos seus pais. Posso providenciar uma dispensa para o Sr. Potter também.

Permaneço em silêncio, em um pequeno ataque de pânico mudo. Então James toma a frente para mim

- Pode preparar a minha dispensa, professora, por favor.

X-X

Três dias após eu completar quatro meses de gestação, eu ainda não me sinto pronta para contar que estou grávida. Isso, entretanto, não muda em nada o fato de que hoje a noite é o casamento de Petúnia e em alguns minutos estarei cara a cara com meus pais.

Estou na sala de Dumbledore, esperando James chegar para irmos para minha casa pela chave de portal, iremos agora pela manhã e voltaremos amanhã à tarde.

Tempo suficiente para ficar na festa e contar aos meus pais a bomba. Uma pequena parte de mim acha importante que nossos pais sejam os primeiros a saber. Então James aceitouminha escolha, embora ele se sinta culpado por Remus e Peter ainda não saberem. Principalmente por que Sirius já sabe de tudo.

Ele continua sendo protetor, e não comentou nada sobre James ser o pai do bebê e nem sobre como isso aconteceu, mas deixou claro que já sabia de tudo. James deve ter contado para ele, claro, Sirius é o único amigo com quem  podemos surtar.

Ele escuta pacientemente todos os meus surtos sobre como minhas roupas estão apertadas e todos os surtos de James sobre como ele será um mau pai. Ele acalma e fala que tudo vai ficar bem. Mesmo sem saber como isso vai acontecer.

Um grande amigo que sempre aparece com uma fruta de três em três horas durante as aulas, que sempre toma conta de mim, impedindo que as crianças dos primeiros anos me empurrem, que age como se fosse o pai do bebê.

Não que eu esteja reclamando de James. Ele está sendo ótimo. Leu tudo que tinha na biblioteca sobre gravidez (não que seja muita coisa), sempre pergunta como estou me sentindo, se preciso de alguma coisa e se pode me ajudar com algo.

Mas por algum motivo, me sinto muito mais a vontade quando Sirius faz isso, ultimamente fico até irritada quando James está por perto. Uns dias atrás escutei ele e Sirius conversando aos sussurros.

- Tenho uma tia que quando engravidou detestava ver o marido, ele teve até que dormir em outro quarto - falou Sirius. - não imaginei que isso aconteceria com vocês, afinal não estão juntos.

- Bem, ela definitivamente não gosta muito quando estou por perto. - respondeu James. - Mas tudo bem, vou fazer minha parte, é ela que está passando pelas maiores mudanças, posso aguentar um pouquinho de mau humor.

Fiquei com mais raiva dele ainda. Ora, mau humor, ele nem sabe o que eu sou quando estou com mau humor, e se eu não o quero por perto, ele tem é que ir pra longe.

Fiquei sem falar com ele por três dias. Mas isso não o impediu de continuar me perguntando como estou e se preciso de algo.

E então um dia acordei com ele me carregando até minha cama (honestamente, por algum motivo aquele sofá parece muito mais confortável), e me senti extremamente tocada com o fato de ele continuar preocupado comigo mesmo eu agindo como uma louca.

James entrou na sala logo após uma batida na porta, me despertando dos meus pensamentos conturbados. Ele, assim como eu, trazia uma bolsa com uma muda de roupa para voltar para Hogwarts e a roupa de festa em um saco plástico.

- Bom dia, Professor - cumprimentou James, depois ele veio até mim e falou baixinho. - tudo bem?

Sorri um pouco, tentando esconder o nervosismo, e confirmo com a cabeça.

- Bem, meus queridos faltam cinco minutos para a chave se ativar, então sugiro que tomem seus lugares. - James e eu nos posicionamos em lados opostos do caldeirão de lataria velha e encostando um dedo nele. - as 15 hrs, amanhã ele será ativado novamente e vocês voltarão, não atrasem nem um minuto.

Olho para James, ele sorri para mim, me dando coragem durante todo o tempo até a chave se ativar e nós sermos levados dali.

Antes mesmo de eu conseguir identificar onde estou me inclino para frente e vômito. Fazia algum tempo que isso não acontecia, o que fez com que eu me sentisse bem mal. James segura meus cabelos e passa a mão em minhas costas.

- Pronto. Pronto. Passou? - respiro fundo enquanto afirmo com um aceno de cabeça.

Olho onde estou, é em um beco próximo de casa, entre uma loja de conveniências e uma locadora de vídeo cassete.

- Certo vamos, estamos perto. - falo agora com o estômago embrulhado por outro motivo.

Não demoramos nem três minutos para chegar a casa. E assim que aperto a campainha, minha mãe abre a porta me dando um grande abraço.

Eu engordei um pouco, principalmente na barriga. Na escola, ninguém ainda notou isso, mas quando se tratava de alguém que não me via há meses era mais fácil de perceber esse detalhe. Mais cedo, vesti uma blusa folgada com a intenção de esconder um pouco, mas não ajudou em nada quando minha mãe pressionou o corpo contra o meu.

Ela se afasta, notando algo errado não só no meu corpo, mas também em meu rosto. Ela sabe, eu sei que sabe, então tudo o que eu digo é:

- Eu sinto muito, mamãe.

X-X

Vejo os olhos da minha mãe se revirarem e ela cair no chão, desmaiada. James logo a ampara, meu pai vem correndo para ver o que está acontecendo.

James carrega minha mãe com dificuldades até o sofá. Enquanto isso meu pai grita todo tipo de pergunta complicada.

- O que está acontecendo? Quem é esse, Lily? Por que sua mãe desmaiou?

Começo a hiperventilar, surtando ainda mais com os gritos dele. Se ele já tá assim agora, imagina quando eu soltar a bomba.

Petúnia vem correndo lá de cima, onde acho que ela estava se arrumando. Ela está vestida em um robe branco, o cabelo está preso em bobes e mais bobes, a maquiagem pela metade.

Sinto James se aproximar de mim e parar logo atrás, e é só aí, sentido que ele está ao meu lado é que tenho coragem de falar.

- Eu estou grávida, pai.

Imagino que esse é uma das maiores preocupações dos pais de moças, que elas engravidem antes do tempo, embora tenhamos avançado consideravelmente em alguns aspectos, ainda era um escândalo sem tamanho.

Meu pai tem o rosto tão vermelho que penso que a qualquer momento ele vai explodir. E quando ele fala, é com gritos absurdamente altos do tipo que tenho certeza que toda a rua pode ouvir.

- EU NÃO ACREDITO NISSO! DEPOIS DE TANTA CONVERSA QUE SUA MÃE TEVE COM VOCÊ. AINDA ASSIM VOCÊ FOI IDIOTA O SUFICIENTE PARA FAZER UMA COISA DESSAS!!! - começo a chorar descontroladamente, sei que ele está decepcionado, mas não esperava esse tipo de reação dele. - ONDE ESTÁ O IMPRESTÁVEL DAQUELE SEU NAMORADO? ELE SÓ É HOMEM PARA FAZER POR ACASO?!

Antes, Ashton era amado por meus pais, o namorado perfeito, quem eles queriam que eu casasse, mas a forma como meu pai fala dele agora faz parecer que ele é um cara desprezível que meu pai queria a vinte metros de distância e que eu fui uma filha rebelde que continuou o namoro mesmo assim. Não quero pensar no que ele fará quando souber que Ashton nem é o pai do bebê.

Ele solta outros montes de xingamentos e reclamos, o zumbido nos meus ouvidos abafam a maior parte deles, me desligo da sala e só consigo chorar, choro mais do que quando peguei Ashton me traindo, mais do que quando descobri estar grávida, mais do que quando achei que James ia me deixar sozinha nessa.

Minha mãe acorda, tenho a vaga impressão dela tentando acalmar meu pai, falando sobre sua pressão, mas ela está visivelmente enraivecida também. Exige explicações. E uma pergunta sempre se repete.

- ONDE ESTÁ ASHTON!?

Meu pai perde o resto de paciência que ele tem. Agarra meus ombros e me sacode com força, me fazendo voltar a mim para respondê-lo.

- Nós terminamos. - falo de forma quase incompreensível.

- ÓTIMO. ELE PENSA QUE É SÓ FAZER E DEPOIS IR EMBORA!

James dá um passo a frente, fazendo meu pai me soltar, provavelmente James não gostou de ver me sacudirem assim.

- Na verdade senhor, o pai do bebê sou eu, e não pretendo ir embora.

Meu pai parece não ouvir a última parte, apenas se volta novamente para mim.

- SÉRIO, LILY? COM QUANTOS CARAS VOCÊ SE DEITOU NOS ÚLTIMOS MESES? REALMENTE SABE SE ELE AÍ É O PAI OU SÓ JOGOU NELE?

Não consigo nem acreditar que meu pai está falando isso de mim.

- Eu sou o pai! - afirma James elevando a voz para ser ouvido por cima dos gritos.

E então meu pai explode mais ainda. Ele avança para cima de James, o xingando de tudo quanto é forma, noto que sua intenção é bater em James e noto também que James não pretende fazer nada para se defender.

Puxo James para trás de mim. Mas isso não impede meu pai de continuar tentando bater em James. Uma parte de mim sabe que ele nunca me machucaria, mas outra parte sabe que ele está completamente fora de si.

Isso faz James tentar me proteger e se proteger por tabela. Minha mãe que tenta tirar meu pai de cima de James. Mas nada dá muito certo. Nossa sala ainda parece uma zona de guerra até um grito feminino ser ouvido.

- PAREM COM ISSO, PAREM JÁ COM ISSO TODOS VOCÊS.

Todos nós paralisamos.

No início imagino que foi minha mãe que gritou, mas não, foi Petúnia que correu até nós, e se pôs no meio, deixando James e eu de um lado e meus pais de outro. Ela está de costas para mim, em uma posição protetora que me lembrou a minha infância.

- O QUE DIABOS VOCÊS ESTÃO FAZENDO! GRITAR COM LILY ASSIM NÃO VAI RESOLVER NADA. FRANCAMENTE, QUEM VOCÊS SÃO PRA FALAR ALGUMA COISA. - nunca vi minha irmã gritar com meus pais, ela nunca nem mesmo respondeu para eles, e isso me choca, mas nada me choca mais do que ela fala em seguida. - EU REALMENTE PRECISO LEMBRAR QUE EU NASCI APENAS SEIS MESES DEPOIS DO CASAMENTO DE VOCÊS?!!!

X-X

Nos sentamos a mesa de jantar. Papai na cabeceira, mamãe ao seu lado direito, Petúnia ao esquerdo, eu ao lado de Petúnia e James ao lado de mamãe.

Estamos em silêncio há uns vinte minutos. Não sei o que pensar, o que Petúnia falou realmente colocou meus pais de volta ao juízo deles. Nunca imaginei algo assim, nunca parei para contar quantos meses de casados eles tinham quando Petúnia nasceu, nunca achei necessário algo assim.

Mas agora pequenas lembranças me fazem ver que isso era uma verdade que sempre esteve na minha frente. Sussurros sobre um casamento apressado, a forma como mamãe ficava quando alguém falava sobre a “prima distante” que ficou grávida solteira, o fato de que todos paravam de falar nisso em sua presença, sua constante preocupação sobre nossas vidas sexuais.

Talvez se ela tivesse contado pra gente, se ela tivesse falado da dificuldade de tudo, do pânico, do medo. Talvez eu tivesse tido mais cuidado. Mas agora não adianta pensar nesse “e se”, eu já estava grávida e nós só tínhamos que resolver o futuro.

- Vocês estão juntos? - pergunta meu pai, calmante. - Vão casar? O que pretendem fazer?

- Não estamos juntos, e nem vamos casar - falo, porque ainda não estou confiante de que ele pode ouvir a voz de James sem tentar socar a cara dele. - a primeira ideia é terminarmos a escola.

Minha mãe arregala tanto os olhos que parece que eles vão pular na mesa a qualquer momento.

- Você vai continuar lá assim. - ela aponta pra mim, como se isso fosse uma ideia idiota.

Lembro de outra coisa que ignorei durante toda a minha vida. Minha mãe não terminou os estudos, ela se casou antes. Obviamente, é o fim do mundo uma adolescente andando nos corredores das escolas com uma barriga.

- Não vou me casar mãe, vou continuar a viver minha vida. - respondo. - e pra isso eu tenho que ter minha educação completa.

- Você presente de sustentar como se não vai casar? - pergunta mamãe, soando como se o casamento fosse um emprego. - é sua obrigação como mãe.

- Não, não é. Minha obrigação como mãe é ter o bebê e dar a ele estabilidade. Acho que será melhor ele crescer com pais separados do que vendo um casamento sem amor, sem nenhum sentimento.

- E eu irei sustentá-los. - fala James, se pronunciando pela primeira vez. - Irei começar a trabalhar assim que deixar Hogwarts e tenho uma grande herança. Tenho certeza de que Lily não gosta da ideia de ser sustentada por mim, mas será assim até o bebê crescer e ela poder deixá-lo com uma babá.

Ele tem razão, não gosto da ideia. Mas terei que aceitá-la. Tenho um dinheiro guardado dos anos trabalhando no verão. A ideia era que eu, Lene e Dorcas iriamos morar juntas. Não sei mais como isso vai ficar.

Eu também tinha um emprego para assim que deixasse Hogwarts, mas agora, grávida não acho que ainda conseguirei. O mercado de trabalho é absurdamente preconceituoso com grávidas.

- Como isso aconteceu? - pergunta meu pai, e eu sei que ele fala de como fiquei grávida se eu e James não estamos namorando.

- Festa e muita bebida. - respondo com o rosto queimando de vergonha, agora além de descobrir que a filha está grávida, eles também descobriram que tenho o costume de beber até cair.

- O que vocês vão fazer? - pergunta meu pai esfregando os dedos indicadores e polegares nos olhos.

E então contamos a eles. James e eu nos dividimos para contar que a decisão era ter e criar o bebê, nós dois íamos fazer isso, mas somente como pais, não como marido e mulher. Não nos amamos e não vamos nos amar. Contamos que vou ter o bebê depois da formatura, que James vai pagar tudo até o momento em que eu tiver um emprego. Que eu não sei se vou ficar em casa ou vou embora, mas eu tive certeza que eu tinha que ir assim que fechei a boca e meus pais se mostraram desgostosos com a ideia sobre ter uma filha grávida sob o mesmo teto.

- Eles têm razão. - diz Petúnia olhando para meus pais. Ela não falou uma única palavra desde que nos fez sentar e deu ao papai um remédio para a pressão. - a vida de vocês deu certo por que vocês se amavam mais que tudo, esse não é o caso deles. Força-los a se casar não vai ser nada bom, eles apenas vão se separar em dois ou três anos. Uma família tem que ser formada por amor, se eles vão amar o bebezinho e não um ao outro, a família deles será esse bebê. Não tem porque forçar mais do que isso.

Ela se levanta da mesa, dando a conversa por encerrada. Nunca imaginei que Petúnia me ajudaria tanto, da família ela era a que mais estava me dando apoio.

- Agora, com licença, pois em algumas horas será meu casamento. James espero que você fique para a festa.

X-X

Eu acordo do nada.

Tento entender o que me fez acordar mais não sei. Tudo está absurdamente normal. James está dormindo na sala e eu no meu antigo quarto.

Embora ele estivesse absurdamente encantado com as tradições de um casamento trouxa, não pudemos aproveitar em nada. A exaustão emocional do dia recaiu sobre mim e eu mal pude aguentar até a hora da mesa ser liberada.

Petúnia estava linda, e seu, agora, marido parecia tão feliz que nem conseguia ficar parado. Não fui à luta pelo buquê, não por não querer pegá-lo, mas por que eu nem conseguia mais me mexer de tanto sono.

Meu vestido era folgado, de forma que escondeu minha barriga pontuda, e ninguém fez perguntas. Ninguém comentou nada também, meus pais não queriam um escândalo no casamento da filha, e eu não queria tirar a atenção de Petúnia.

James me trouxe para casa assim que vários casais começaram a dançar. Meus pais não gostaram da ideia dele dormir aqui. Mas o que mais poderia acontecer? Eu já estou grávida mesmo.

Petúnia me deu um abraço apertado. Ela ia da festa direto pra lua de mel em Amsterdã e não poderia se despedir de mim depois.

- Vai ficar tudo bem, ok? - sussurrou ela em meu ouvido. - Eles só estão em choque, logo passa e vão te apoiar em tudo. E eu também. Você será uma ótima mãe, só siga o seu coração e instinto.

Sorrio para ela, agradecida por suas palavras de incentivo.

- Te mando uma carta logo, te contar as novidades.

Sorrio com a lembrança doce, não pensei que a gravidez traria isso. A melhora da minha relação com minha irmã. Ela parece está disposta a me ajudar com tudo.

Fecho os olhos para voltar a dormir. E é aí que eu sinto. Uma pequenina movimentação no baixo ventre, provavelmente o motivo de eu ter me acordado, não era como nada que já senti na minha vida, mas ainda assim eu soube imediatamente o que era.

Meu bebê.

Se mexendo dentro de mim.

Ponho a mão na barriga, mas não dá pra sentir nada pelo lado de fora, somente eu sinto isso. Meus olhos se enchem de lágrimas e uma emoção se apodera de mim, algo tão forte que me sinto zonza. Isso seria o tal amor materno de que minha mãe falava?

Não, não isso. Por que sinto amor por esse bebê desde o momento em que larguei a poção abortiva estúpida, talvez até antes disso. Isso está mais para orgulho materno.

Meu bebê está crescendo, logo o terei em meus braços. Mal posso esperar por isso.

Esfrego a mão em minha barriga carinhosamente.

- A tia Petúnia tem razão, amor, vai ficar tudo bem. A mamãe te ama muito.

X-X

- Bem vindos de volta. - saudou Professor Dumbledore quando eu e James aparecemos em seu gabinete. - Espero que tenha ocorrido tudo bem.

Sorrio pra ele enquanto James deseja um bom dia. Não ocorreu exatamente tudo bem, mas no final deu certo.

Saímos da sala depois de uma breve troca de palavras. Achar nossos amigos não é uma tarefa difícil, todo domingo à tarde desde o fim do inverno eles sentam-se na beira do lago para conversar um pouco.

- Eu estava pensando. - diz James quando estamos nos aproximando dos jardins. - talvez devêssemos contar logo para nossos amigos.

Olho para ele pelo canto do olho.

- Você não quer contar para sua mãe antes?

- Na verdade acho que ela pode esperar mais um pouco, deixa você se recuperar do estresse que foi contar para seus pais. Ou talvez eu possa fazer isso sozinho.

- Não, - digo parando para olha-lo. - você esteve comigo em casa, vou estar com você também.

James para alguns passos na minha frente e se vira para mim.

- Certo, a escolha é sua. - ele passa a mão pelos cabelos, bagunçando os fios ainda mais. - mas só vamos ver minha mãe em umas duas semanas. Você realmente quer esconder por mais tanto tempo?

Não, eu não quero. Quero poder falar para as minhas amigas sobre o bebê, quero poder discutir nomes e fazer planos. E quero isso logo. James tem razão, não tem mais porque esperar.

- Ok, vamos logo.

Eles estão exatamente onde eu imaginei. Sirius e Lene estão abraçados de forma carinhosa. Remus tem um livro aberto no colo, mas parece já ter desistido da leitura. Dorcas está mexendo com algumas miçangas, provavelmente fazendo algum colar novo. Peter conta algo, sacode os braços animadamente.

- Ei pessoal. - fala James se jogando ao lado de Sirius e Lene.

Me sento ao lado de Remus e tento ver qual é o livro que ele está lendo.

- Aaaah, finalmente voltaram. - exclama Lene, sua voz é de alguém irritada, mas seu sorriso enorme e o seu olhar mostra que é fingimento. - talvez vocês queiram dizer para nós por que Lily convidou James pra ir com ela no casamento da irmã.

Quando James foi conosco, não avisamos ninguém além de Sirius. Cruel, eu sei, mas se fôssemos explicar, teríamos que falar o motivo. Então simplesmente deixamos para Sirius a tarefa de contar onde James estava e dizer que não sabia porque ele tinha ido comigo.

- Admitam! - gritou Lene, se afastando de Sirius bruscamente e apontando um dedo para James. - Vocês estão namorando, não é?  Sempre desconfiei desses trabalhos de monitoria!

Olho para James, e espero que ele entenda meu olhar. Um olhar de “você conta dessa vez”. Ele suspira, mostrando seu entendimento.

- Na verdade é algo mais sério. - ele fala. - Lily e eu vamos ter um bebê.

Todos paralisam, menos Sirius que sorrir. Olhos arregalados, bocas escancaradas. Eles estão tão absurdamente parados que posso apostar que nem estão respirando.

- EU SABIA! - grita Dorcas, sendo a primeira a se recuperar do choque. - sabia, sabia, sabia!

E então, uma avalanche de perguntas recai sobre nós.

- Como assim?

- Como aconteceu?

- Vocês estão juntos?

- Está com quanto tempo?

- Vai terminar a escola?

- Porque não contou pra gente antes?

Os únicos calados são Sirius e Lene. Ele porque já sabia de tudo, ela porque ainda está absorvendo a informação. Deixo James responder tudo, explicar tudo, apenos confirmo com a cabeça cada frase.

- Você já sabia Sirius? - pergunta Peter, notando que Sirius não parece nem um pouco surpreso.

- Soube antes mesmo do James.

Ele diz que uma voz quase convencida, como se dissesse “sou muito importante na vida de Lily, lógico que ela veio até mim”.

- Oh, meu Deus. - sufoca Dorcas. - agora tudo vai mudar, né?

- Vamos ter um bebê no nosso grupo. - Remus reforça.

- Isso quer dizer… - começa Lene, ela ainda parece bem abalada. Por um momento, penso que ela vai me dar uma lição de moral, mas ela engole em seco e diz. - isso quer dizer, que quando nos formarmos teremos que achar um apartamento com quatro quartos?

Eu e Dorcas sorrimos. E Dorcas não pensa duas vezes antes de confirmar.

Será um momento bem complicado da minha vida, principalmente no resguardo, então me sinto muito aliviada ao saber que minhas melhores amigas estarão a uma distância de apenas alguns metros.


Notas Finais


Bem, espero que tenham gostado, é um cap bem grandinho para compensar o tempo.


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