História Ligeiramente seduzidas - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Tags Camila G!p, Camren G!p
Exibições 143
Palavras 6.048
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hello, eu sempre cumpro com minhas promessas virão só? ;)))
Era pra eu postar mais cedo, mas minha mãe me carregou para sair com ela, então só tive tempo de postar agora.
A foto do capítulo não é nada parecido com a Lauren ou a Camila, eu sei, só coloquei para vocês terem uma ideia de que época estamos. E também o capítulo ai embaixo vai explicar o porque dessa foto.
Boa leitura, e não tombem!!!!

Capítulo 6 - Chapter Five.


Fanfic / Fanfiction Ligeiramente seduzidas - Capítulo 6 - Chapter Five.

Os preparativos para a guerra prosseguiram a passos largos na Bélgica. Todo dia chegava novas tropas, suprimentos e artilharia — embora, de acordo com os comentários correntes, nunca em quantidade suficiente para satisfazer o duque de Wellington. — Mas poucos acreditavam que Bruxelas corresse algum perigo. Apenas alguns tinham retornado à segurança das Ilhas Britânicas. A maior parte das pessoas de dedicava com entusiasmo cada vez maior a aproveitar as distrações que lhes eram oferecidas diariamente, determinadas a ficar perto de seus maridos, irmãos, filhos e amantes pelo tempo que fosse possível. O piquenique noturno oferecido pela condessa de Rosthorn na floresta de Soignes acabou sendo mais popular do que qualquer outro entretenimento até aquele momento. Entre dezenas de convites enviados, houve apenas três recusas. É claro que aquela fora uma ideia concebida inteiramente no calor do momento, admitiu Camila para si mesma depois de sua conversa com Lady Caddick no dia da revista das tropas. Ela fora até lá com o firme propósito de encontrar Lady Lauren Jauregui mais uma vez. Dinah rira dela e dissera, com certa malícia, que Camila despertara a inveja de todas as anfitriãs de Bruxelas — desde que o evento não fosse prejudicado pela chuva. — Mas Camila não dera ouvidos a amiga. Contratara profissionais na organização de eventos e deixara todos os detalhes dos preparativos em mãos experientes, inclusive a confecção da lista de convidados — apenas os instruíra a convidar todo mundo que fosse importante — e seguiu com sua vida com se ela mesma não passasse de mais uma convidada. Ao nascer do dia marcado para o piquenique, todos os preparativos estavam encaminhados e a única preocupação de Camila era com as condições climáticas. Mas depois de uma manhã de chuviscos intermitentes e de uma tarde nublada, o céu clareou por volta da hora do chá e o sol brilhou até se pôr. A lua apareceu no céu antes mesmo que a noite caísse por completo e a escuridão trouxe consigo milhões de estrelas cintilantes. A noite estava quente e sem vento. Enquanto examinava o lugar do evento, elogiava o chefe do pessoal responsável pela organização — que estava ali para anunciar os convidados e supervisionar pessoalmente o serviço de bufê e outros detalhes — e esperava a chegada dos primeiros convidados, pensou que agora só lhe restava torce para que Lady Lauren Jauregui não encontrasse alguma desculpa para não estar presente. 

Lauren se eriçara com uma irritação quase visível no dia da revista das tropas, quando Camila praticamente a ignorara depois de tê-la encarado a distância por um longo momento e de ter se dirigido — com perfeita correção — à acompanhante da moça. E Lady Lauren era uma jovem muito orgulhosa e arrogante. Poderia muito bem decidir puni-la ficando em casa, alegando uma dor de cabeça ou qualquer outra breve indisposição. Mas Camila apostaria que a dama era orgulhosa demais para dar uma desculpa falsa, e ousada demais para não encarar de cabeça erguida o desafio dela. A Lady provavelmente reconhecera o desafio. Camila ficara encantada ao descobrir que Lady Lauren Jauregui não era uma jovem tola. Mesmo assim, admitiu Camila, aquela era uma aposta extremamente alta. 

Despertar a inveja de todas as anfitriãs de Bruxelas... por Deus!

                                     ~~*~~

Lauren usava um vestido de noite verde-claro que, por algum motivo, lhe parecera adequado à ocasião. Estava sentada na carruagem aberta ao lado de Allyson, de costas para os cavalos e de frente para lorde Caddick e Lady Patrícia. A noite não poderia estar mais agradável para um evento como aquele nem que a houvessem encomendado, pensou ela, e ergueu o rosto para o céu, que estava quase completamente visível por entre os galhos altos  das árvores. Lauren descobrira que o piquenique seria um evento grande e luxuoso, já que a condessa Camila estendera o convite verbal para além de Dender. Todas as pessoas que ela conhecia haviam sido chamadas. Até Alleyne iria, assim como um grande número de oficiais — inclusive é claro, o capitão Gordon. 

Lauren quase não fora. Chegara até mesmo a pensar na mensagem que mandaria pelos Brooke's — insistiria em que eles fossem, é claro. Pediria que informassem a condessa que ela havia preferido permanecer em casa com um bom livro naquela noite, já que saíra em todas as noites por uma semana e estava cansada de tanta diversão. Mas Lady Patrícia jamais transmitiria uma mensagem como essa, é claro. Ela certamente acabaria dizendo a condessa que Lauren estava com dor de cabeça ou algo semelhante. Além do mais, Lauren desprezava a ideia de evitar a condessa. Seria muito melhor, decidira, comparecer ao evento, confrontá-la e fazê-la entender que se aquele piquenique fora idealizado em função dela, então a condessa cometera um grande erro de julgamento. Deixaria claro que considerava as atenções libertinas dela um tremendo aborrecimento. Ela nunca  tivera que lidar com uma libertina em Londres. Christopher teria erguido apenas meia sobrancelha e isso já bastaria para apavorar qualquer uma que sequer imaginasse a possibilidade de flertar daquela forma com ela. E tia Rochester pairaria ao redor dela como uma grande ave belamente emplumada. No entanto, Lauren teve que admitir a si mesma, havia uma certa satisfação na perspectiva de uma guerra de vontades com uma libertina experiente. 

— O ar está quente agora — comentou Lady Patrícia. — Mas é possível que esfrie mais tarde. Talvez devêssemos ter vindo de carruagem fechada, Caddick. 

Lorde Caddick grunhiu, e Lauren e Allyson trocaram sorrisos. Elas preferiam a carruagem aberta. 

O que acontecia em um piquenique noturno? Esta era uma pergunta que Allyson fizera várias vezes ao longo dos últimos dias. Seria parecido com um vespertino? Os convidados se sentariam sobre mantas, comeriam coxas de galinhas e tortas de lagosta e beberiam vinho? Haveria passeios na floresta depois? Mas não estaria escuro demais entre as árvores? Talvez, sugeria Allyson, a escuridão garantisse uma boa desculpa para que uma dama se perdesse por alguns minutos com o cavalheiro de sua escolha. Se isso acontecesse com ela, pensou Lauren secamente, o cavalheiro sem dúvida seria o capitão Gordon. Ou a condessa Camila... Isso, sim, ao menos seria um desafio interessante. A floresta de Soignes era como uma grande catedral, pensou Lauren, inspirando a fragrância fresca ao redor enquanto a carruagem seguia e lembrando o odor de um incenso. A vegetação rasteira era escassa por ali. De cada lado da estrada, as faias se erguiam em cima deles, os troncos altos, maciços e prateados lembrando colunas. Os galhos das árvores se entrelaçavam como uma cúpula de desenho intrincado. A floresta inspirava assombro, como aconteceria em uma catedral gótica. Era como se estivessem bem no meio de algo poderoso, misterioso, além de mundano, do rotineiro, algo que elevava o espírito a outro plano. De repente, Lauren sentiu uma vontade irresistível de pintar aquilo tudo — a floresta e a alma que ela guardava. — De repente, a vida que vinha levando nos últimos meses pareceu extremamente banal. Sentia falta do campo ao redor de Lindsey Hall e das frequentes horas de solidão que tanto prezava. 

— Eu me pergunto se a luz do luar passará por entre os galhos o suficiente para nos permitir ver o que comemos — comentou Allyson, também olhando para cima. — Talvez a floresta não tenha sido a melhor escolha de lugar...

Mas, com certeza, a condessa Camila — ou pelo menos quem quer que ela tenha contratado para cuidar do piquenique — teria previsto a possibilidade desse problema e encontrado a solução. Lauren duvidava que a condessa houvesse levantado um dedo na preparação. E estava certa, é claro. Conforme a carruagem se aproximava do lugar marcado para o piquenique, eles iam vendo mais lampiões — centenas deles, em todas as cores do arco-íris — pendurados nos galhos das árvores. Subitamente, a floresta ganhou um tipo diferente encanto — agora feito pela uma pessoa, mais humana, mais íntima, mais romântica. — Ao seu modo, era tão atraente quanto a beleza natural na qual Lauren acabara de se perder. 

— É mágico — disse Allyson, os olhos brilhando. — Como os Vauxhall Gardens, o jardim de prazeres. 

Pequenas mesas tinham sido arrumadas em meio às arvores, cada uma posta com uma tolha branca engomada, com a mais fina porcelana, copos de cristal e talheres de prata. Em todas elas havia um lampião colorido brilhando no centro. Mas o esplendor não era só visual. 

— Escutem! — exclamou Lauren, erguendo uma das mãos. 

Conforme a carruagem parava e desaparecia o barulho das rodas rangendo e dos cascos dos cavalos, eles conseguiram ouvir música. Havia uma pequena orquestra posicionada sobre uma plataforma de madeira em meio às arvores. Um grande piso de madeira fora montado junto à plataforma. 

— Vai haver dança! — comemorou Allyson, apertando com força o braço de Lauren. 

Quem quer que houvesse planejado aquilo para a condessa, pensou Lauren, obviamente fizera um trabalho fantástico. O piquenique seria o assunto geral por dias, talvez mesmo por semanas. Outras carruagens se aproximavam pela mesma entrada por onde eles chegaram, os lampiões acesos para iluminar o caminho à frente. Mas vários convidados já estavam no local. E entre eles, inúmeros oficiais de jaqueta escarlate. 

— Este será o melhor evento da temporada até agora — declarou Allyson. 

Quando o cocheiro posicionou os degraus e abriu a porta da carruagem, Lauren viu a condessa se desvencilhar de um grupo de convidados e se dirigir para onde estavam os Brooke's e ela. Ela tinha uma aparência esplêndida, toda de prateado suave e branco. Seus trajes eram formais: vestido longo e branco. A condessa tinha um sorriso indolente estampado no rosto e estava muito bonita.

Lauren pousou a mão na da condessa que levou aos lábios dando um beijo suave, depois de ela ter ajudado Lady Patrícia a descer. 

— Parece uma cena de um idílio pastoril, condessa Camila — disse Lauren. — Está muito bem-arrumado. Queira aceitar meus cumprimentos. 

Havia um sorriso nos olhos de Camila quando encarou a Lady, depois que ela já descera. 

— Então meus esforços não foram em vão. — retrucou, antes de se voltar para Allyson. 

Ah, pensou Lauren, então ela não havia se enganado. É claro que não havia se enganado. 

— Estamos determinadas a nos divertir mais esta noite do que em qualquer outro evento da temporada, madame — comentou Allyson. — Não é, Lauren?

— Darei o melhor de mim para garantir que consigam fazer isso. — respondeu condessa Camila.

Mas era para Lauren que ela olhava enquanto falava. 

A condessa dispensou com um aceno um criado de aparência muito superior quando o homem tentou levar o grupo de Lauren para uma das mesas. Então a condessa ofereceu um braço a Lady Patrícia e acompanhou pessoalmente os quatro até uma mesa próxima da orquestra e da pista de dança de madeira. Daquele lugar, eles teriam uma visão perfeita de toda a área do piquenique, que era como um amplo salão de baile, sustentado por pilares, com um teto de folhas verdes, o piso levemente irregular e ar puro para respirar, perfumado com o aroma da floresta e da terra. Lampiões coloridos acrescentavam uma aura de encantamento e romantismo a toda a cena. Condessa Camila se inclinou em uma mesura, mas não se demorou junto deles. Um garçom se adiantou na direção da mesa, trazendo nas mãos uma garrafa de vinho enrolada em um guardanapo branco engomado. Durante a hora seguinte, Lauren ficou sentada com seu grupo. Depois que todos haviam chegado e sido conduzidos a seus lugares, foi servido o jantar, constituído por saladas sofisticadas, enquanto a orquestra tocava e um tenor cantava. A beleza da voz do cantor levou lágrimas aos olhos de Lauren. Depois da refeição, vários jovens oficiais se aproximaram da mesa deles e lorde Caddick pediu licença para se juntar a um grupo de conhecidos, reunidos sob uma faia próxima. O capitão Gordon e o major Franks convidaram Lauren e Allyson para dar um passeio ao redor da área do piquenique e cumprimentar conhecidos comuns. Lady Patrícia, em resposta ao olhar ansioso que a filha lançou, assentiu graciosamente, dando seu consentimento. A orquestra estava no meio de um intervalo. As danças começariam quando eles voltassem, previu o capitão Gordon, dirigindo-se a Lauren. Ele achava a pista de dança de madeira um pobre substituto ao piso encerado de um salão de baile, em uma casa elegante, e acrescentou que a orquestra não era tão boa quanto algumas que ouvira em Bruxelas, mas que ainda assim esperava que Lady Lauren estivesse se divertindo. 

— Imensamente — assegurou Lauren. — Com certeza, a magia destas árvores, a luz e a cor de todos estes lampiões mais do que compensam qualquer pequena perda. Afinal, a pista de dança de madeira precisou ser montada sobre o terreno irregular da floresta, e a orquestra tem que se contentar com condições acústicas muito abaixo do ideal. 

— Ah, mas é claro, com certeza — falou o capitão. — Não poderia concordar mais, Lady Lauren. Estava apenas preocupado que não fosse do seu gosto. De fato, é um evento esplêndido. 

E lá estava ela de novo, pensou Lauren, se vendo forçada a defender o evento da condessa. Na verdade, apesar da novidade de um piquenique à luz do luar, a noite fora organizada para ser muito parecida com quase todas as outras desde a sua apresentação à sociedade. Ao menos estavam todos ao ar livre, em um cenário adorável. Lauren se distanciou intimamente do seu eu social, que sorria e conversava como ditavam as boas maneiras, e ficou observando como se estivesse no coração tranquilo e silencioso da floresta. 

Quem dera ela estivesse ali pintando, em vez de socializando. 

A condessa estava parada diante da mesa deles, conversando com Lady Patrícia, quando as moças voltaram. Ela se virou para Lauren, sorrindo. 

— Ah, aí está a senhorita — disse a condessa. — Espero que o jantar a tenha agradado. 

— Agradou, sim, obrigada — garantiu Lauren. 

Lauren percebeu como as roupas claras da condessa contrastavam com as cores vivas dos uniformes usados pela maior parte dos convidados. 

— Lady Lauren, estaria interessada em dar um passeio em minha companhia? — perguntou a condessa. 

Apenas ela. O convite não se estendia a Allyson. 

— Pode ir, Lady Lauren — autorizou Lady Patrícia, com gentileza. — Mas permaneça à vista. 

O capitão Gordon pigarreou, como se estivesse prestes a protestar. Mas se ele tinha a intenção de detê-la, seu gesto, é claro, provocou o efeito oposto. Além do mais, Lauren estava curiosa para saber como a condessa se comportaria. Tinha quase certeza de que a condessa organizara tudo aquilo por ela. A mulher realmente acreditava que ela se deixaria impressionar e ficaria suspirando diante de uma exibição tão exagerada de devoção?

— Obrigada — disse Lauren, brindando a condessa com um de seus sorrisos mais altivos enquanto aceitava o braço que ela oferecia. — Eu adoraria. 

Era um braço firme, musculoso. A condessa era quase uma cabeça maior do que ela, percebeu Lauren, que era bem alta. Ela era maior até do que o capitão Gordon. E agora abaixara os olhos na direção de Lauren com aquele já familiar sorriso zombeteiro — como se soubesse que ela percebera seu jogo, mas continuasse disposta a ganhar de qualquer modo. 

— Deve ter sido uma empreitada e tanto — comentou Lauren. — Planejar um piquenique à luz do luar. 

— Eu arriscaria dizer que sim — respondeu a condessa. — Para monsieur Pepin, da agência Pepin. Mas a senhorita teria que perguntar a ele para ter certeza. Ele até tentou me envolver em uma ou duas decisões mais difíceis que precisou tomar, mas lembrei-lhe que estava pagando uma belíssima quantia para que ele tirasse de meus ombros todo esse fardo tedioso. Agi certo? Ele era mesmo confiável? Uma das dúvidas de monsieur Pepin, seriíssima, na opinião dele, imagino, era se deveria conseguir que mesas fossem trazidas até aqui ou se seria melhor espalhar mantas pelo chão. 

Agora, os olhos da condessa estavam claramente risonhos ao encará-la. 

— Mesas e cadeiras são mais confortáveis do que mantas — comentou Lauren. — E compuseram um lindo cenário quando chegamos, arrumadas formalmente como estavam. 

— Eu teria ficado arrasada se a senhorita tivesse preferido as mantas — disse a condessa, levando a mão livre à altura do coração. 

Lauren não conseguiu evitar sorrir. 

— E outro dúvida de monsieur Pepin era se deveríamos permitir que a luz da lua e das estrelas fosse filtrada pelas sombras da floresta, presumindo que a noite não estivesse nublada, e só colocar lampiões sobre as mesas ou se seria melhor pendurá-los também nas arvores, interferindo assim na beleza natural. Temo não ter a mente filosófica necessária para lidar com questões tão torturantes. Àquela altura, deixei bem claro que não deveria ser consultada de novo a não ser no caso de uma emergência séria, como a lua se movendo para uma outra galáxia ou um exército de guardas florestais chegando para derrubar as arvores da floresta. A senhorita acha que monsieur Pepin fez a escolha certa?

— O modo como os lampiões foram pendurados valoriza a beleza da natureza em uma ocasião como esta — opinou Lauren. 

— Eu teria ficado desvatada se a senhorita pensasse de outro modo — falou a condessa.

Lauren riu abertamente. 

Como alguém poderia levar a sério um flerte tão óbvio, tão teatral? Lauren não pretendia, pensou. Também achou que a condessa de algum modo era mais esperta do que esperava. Camila percebera, é claro, que a Lady notaria a intenção dela e, assim, não estava tentando esconder seus motivos. Escolhera fazê-la rir deliberadamente, e se divertir. Ora, Lauren estava se divertindo também — e isso era melhor do que se sentir entediada. — Mas era bom que a condessa não tivesse ilusões de que isso a tornaria mais disposta a ceder aos planos dela, fossem quais fossem. 

As duas estavam passeando pela área do piquenique, bem à vista de Lady Patrícia e de qualquer outra pessoa que se importasse em tomar conta do que Lauren fazia — Alleyne, por exemplo, que estava lá. — Mas agora a maior parte dos convidados estava de pé, se misturando uns aos outros. Risadas e conversas animadas deixavam claro que o piquenique da condessa era um sucesso retumbante. Lauren imaginou que, depois de um tempo decente, a condessa a levaria de volta à mesa de Lady Patrícia — e ficaria se distraindo até começarem as danças. — Mas a condessa não estava com pressa de deixar a companhia dela. Ela manteve a mão de Lauren enfiada na dobra de seu braço quando passou a circular entre os convidados, trocando breves cumprimentos com a maioria, parando para conversar com alguns. Lauren conhecia quase todos que estavam ali, por isso sentia-se completamente à vontade. Mas percebeu que a condessa mantinha o braço dela preso ao dela, de forma que Lauren não conseguisse soltá-la mesmo que quisesse a não ser atraindo a atenção das pessoas ao redor para o gesto. A condessa tinha o firme propósito de conservá-la a seu lado, quase como se ela fosse a anfitriã da noite, ou a convidada de honra. Quase como se elas fossem um casal. Na verdade, não era exatamente apropriado da parte da condessa mantê-la só para si por tanto tempo e chamando a atenção dessa forma. Lauren se perguntou se na manhã seguinte elas seriam assunto do dia — Lady Lauren Jauregui, que estava quase comprometida com o capitão Gordon, e a misteriosa e ousada condessa Camila. Era preciso tão pouco para se tornar objeto de especulação e fofoca indesejada... como, é claro, a condessa devia saber muito bem. 

Mas Lauren estava achando divertido entrar no jogo da condessa, ao menos por ora. Apenas Lady Patrícia, Allyson e os oficiais estariam aguardando quando a condessa finalmente a levasse de volta à mesa. Lauren havia esperado por algo um pouco mais... perigoso, talvez, mas a noite ainda não tinha terminado. No momento em que Lauren pensava isso, a condessa inclinou a cabeça para se aproximar dela e falou de modo que apenas Lauren ouvisse:

— O barulho das conversas e a quantidade de pessoas parecem excessivos, não? — perguntou Camila, tocando com os dedos a mão de Lauren pousada em seu braço. — Talvez eu devesse ter instruído a agência a não convidar tanta gente assim. Seria muito agradável ter mais espaço para respirar e ter ao menos a ilusão de uma privacidade maior, não acha?

— Acredito, condessa Camila, que é correto dizer que há segurança nos números — comentou Lauren, lançando um olhar demorado na direção da condessa. 

A condessa se encolheu, como se estivesse profundamente chocada. 

— A senhorita achou que eu estava sugerindo algo impróprio? — perguntou. — Feriu a minha sensibilidade. Tinha apenas a intenção de lhe mostrar o que monsieur Pepin me mostrou pouco antes da chegada dos convidados. É algo incrivelmente inteligente. Permita que eu lhe mostre também. Não vai se afastar por um instante sequer dos olhos de águia de sua acompanhante. 

Lauren viu de relance que Lady Patrícia estava no meio de um grupo de oficiais que, ao que parecia, faziam a corte de forma animada à filha dela. Era bastante provável que houvesse esquecido completamente a existência de Lauren. 

— Muito bem — disse Lauren. — Mostre-me. 

Lauren tivera a impressão até aquele momento de que os lampiões haviam sido pendurados em uma espécie de círculo ao redor da área do piquenique. Mas, quando a condessa lhe apontou, ela percebeu que, em certos lugares, mais lampiões haviam sido pendurados em caminhos tangenciais ao círculo, criando avenidas onde era possível passear por entre as arvores sem ficar cercado pela total escuridão e sem correr o risco de se perder. Cada trilha iluminada acabava retornando à área principal. 

— Não é maravilhoso? — perguntou a condessa, com um brilho zombeteiro nos olhos chocolates. — Eu quase lamento não ter tido um papel ativo no planejamento desta festa, porque assim poderia reivindicar o crédito por isso.... avenidas semi-particulares para os que desejam estar juntos de forma semi-particular. 

Lauren parou quando a condessa estava preste a entrar com ela em um dos caminhos. 

— Realmente maravilhoso — concordou Lauren. — Mas não preciso ir além daqui. De onde estou, posso ver muito bem a forma brilhante como tudo foi projetado. 

A condessa riu baixinho. 

— Teme que eu queira sequestrá-la chérie? — perguntou a condessa. — Bem à vista de todos os meus respeitáveis convidados? Esta área central é visível de todos os pontos das avenidas, que não são, é claro, avenidas de verdade, mas apenas trilhas por entre as arvores. E está vendo? Mesmo antes de as danças começarem, outros casais descobriram por si mesmos esses caminhos mais tranquilos para passear. Permita que lhe mostre. 

O sotaque francês da condessa se tornara mais pronunciado. E ela a chamara de chérie novamente. Lauren percebeu que a condessa estava passando para o próximo estágio, mais perigoso, do jogo. Ela se perguntou por um instante por que a condessa a escolhera. Talvez por ela ser muito, muito rica?Libertinos não eram conhecidos por usar seus encantos com damas muito jovens sem um motivo desses, não é mesmo?

— Mas a senhora já fez isso — assegurou Lauren, erguendo os olhos para a condessa com uma expressão de estudada inocência. 

— Ah — disse a condessa. — Teme que eu seja uma lobo mau. Aceite minhas desculpas,Lady Lauren Jauregui. Não forçaria minhas atenções a uma jovem dama que tivesse medo de mim. 

Bem, o objetivo fora atingido, é claro. Embora soubesse muito bem que estava sendo manipulada como uma marionete. Lauren reagiu como a condessa esperava. Lauren se eriçou. 

— Medo? — repetiu Lauren, os dedos encontrando o leque que pendia de seu pulso. Ela o abriu e abanou o rosto vigorosamente. — Medo da senhora, condessa Camila? Talvez não compreenda o que significa ser uma Jauregui. Não tememos ninguém, posso lhe garantir. Mostre-me o caminho. 

A condessa sorriu para ela e Lauren notou a expressão de admiração em seus olhos quando ambas entraram em uma das avenidas delimitadas por lampiões e foram imediatamente cercadas pela ilusão de privacidade e isolamento. 

— Enfim começo a apreciar a noite do jeito exato que imaginei desde o princípio. — comentou a condessa.

— Comigo? — Lauren abanou novamente o rosto e levantou os olhos para ela, agora com uma expressão arrogante, quase zombeteira. — Imaginou apreciá-la comigo?

— Sim, chérie — disse a condessa em voz baixa. 

— Tudo isso foi para mim? — perguntou Lauren. — Toda esta noite?

— Imaginei que pudesse achar divertido. — falou a condessa. 

Lauren parou de caminhar, fechou o leque e deixou-o cair novamente junto ao pulso. 

— Por que, em nome de Deus?

— Por que imaginei que pudesse achar divertido? — indagou a condessa. — Porque é jovem, chérie, e os jovens apreciam piqueniques, música e a luz do luar. Não é verdade?

— Estou perguntando — disse Lauren em um tom frio. — Por que, condessa Camila. Por que fazer algo tão absurdamente extravagante como este piquenique para mim, quando sou uma total estranha para a senhora? Foi uma presunção imensa de sua parte!

— Ah, mais non — retrucou a condessa. — Não uma total estranha. Fomos apresentadas formalmente. Valsamos juntas. 

— Mas algo tão elaborado como este evento apenas por causa de uma apresentação e de uma dança? — falou Lauren, acenando com determinação para a área do piquenique. — Acredito, condessa Camila, que me escolheu como objetivo de seu flerte. Acredito que sua intenções não são respeitáveis. 

— Respeitáveis — Camila deu uma risadinha. — não pretendo me ajoelhar e implorar que se torne minha condessa, se é a isso que se refere, chérie. — A luz bruxuleante de um lampião iluminou o sorriso nos olhos da condessa. — Mas, no baile de Camerons, tive a impressão de que a senhorita é um espírito afim, que se irrita com a rigidez das regras sociais e anseia por liberdade e aventura. Estava errada?

— E qualquer anseio por liberdade e aventura que eu sinta necessariamente me levaria a flertar com a senhora, condessa Camila? — perguntou Lauren em um tom zombeteiro. — É uma grande presunção.

— Acha mesmo? — A condessa inclinou a cabeça para o lado e observou-a com atenção.

— O que planejou? — indagou Lauren. — Fez um extraordinário esforço para me trazer até aqui. Agora o que pretende fazer comigo? Rouba-me um beijo? Me seduzir?

A condessa ergueu as sobrancelhas e de deu conta de que, de um modo perverso, estava se divertindo imensamente. 

Seduzi-la? — A condessa levou a mão à altura do coração mais uma vez e se mostrou mortalmente chocada. — Acha que eu traria essas hordas de pessoas até aqui, chérie, inclusive todo um regimento de cavalheiros oficiais do Exército, se minha intenção fosse violá-la quase em público? Eu acabaria meu próprio piquenique de modo espetacular, enforcada em uma dessas arvores, ou atravessando por uma dezenas de espadas. 

— Mas não pode negar que planejou me roubar um beijo — sugeriu Lauren.

A condessa se inclinou um pouco mais na direção de Lauren. 

— Eu questionaria o uso do passado — disse a condessa. 

Ser a mais jovem dos Jauregui's — além disso, também mulher — sempre deixara Lauren em enorme desvantagem durante as brigas familiares. Mas se havia uma tática que ela aprendera bem, fora que a melhor defesa costumava a ser o ataque. E a surpresa. 

— Sugiro, então, condessa Camila — retrucou Lauren. — Que saiamos desta avenida, que de acordo com a senhora mesma é visível de todas as partes da área do piquenique, e entremos na floresta. Ou deseja ser vista me beijando? Ou tentando fazer isso?

A condessa torceu os lábios e seus olhos dançaram de alegria. A condessa se inclinou em uma breve cortesia e ofereceu o braço a Lauren. 

— Desejo ver o contraste entre a floresta à noite e a área do piquenique, é claro — concordou Lauren, quando a condessa a guiou para longe do caminho delimitado pelos lampiões. — Entre a natureza em seu estado bruto e a natureza depois da intervenção do homem. 

— Ah, então isto é apenas um passeio bucólico?

— Talvez eu permita que me beije antes de voltarmos, condessa Camila, ou talvez não — respondeu Lauren, com um desdém estudado. — Se eu permitir, não será um beijo roubado, mas um que eu autorizei. Ou recusei. 

A condessa jogou a cabeça para trás e deu uma bela gargalhada. 

— Não tem medo de que, então, eu roube um segundo e um terceiro beijos, chérie?

— Não. — A luz e os sons já estavam distantes o bastante para que Lauren conseguisse ver a floresta. Ela parou de caminhar e levantou os olhos para a condessa. — Não permitirei que faça isso. Provavelmente não permitirei sequer um único beijo. 

— Talvez ninguém tenha mencionado minha reputação à senhorita — falou a condessa, parando também e soltando o braço dela para que pudesse se apoiar despreocupadamente contra o tronco de uma árvore. Camila cruzou os braços a baixo dos seios. — Talvez eu seja perigosa, chérie. Talvez deva ter medo de mim. 

— Que tolice está dizendo — retrucou Lauren. — Se tivesse a intenção de me fazer algum mal de verdade, manteria silêncio absoluto sobre seu passado ofensivo e torceria para que eu não tivesse ouvido a respeito dele em outro lugar. 

Mas Lauren precisava admitir para si mesma que, parada como estava e onde estava, no meio da floresta escura com apenas ela por perto, a condessa parecia muito perigosa. 

Camila deu uma risadinha. 

— Qual será o assunto desta noite em especial sobre o estudo da natureza? — perguntou Camila, com a voz lenta e provocante. 

Na verdade, era realmente prazeroso estar longe da multidão e do grosso do barulho. O céu ainda estava claro com a luz das estrelas e realçava os altos galhos da arvores. Lauren puniria a condessa fingindo que não havia perigo algum, que ela a convidara até ali apenas pela companhia. 

— Já pensou em como somos afortunadas por termos sido brindadas com tantos contraste? — perguntou Lauren. Virou-se em um círculo completo, então fechou os olhos e inspirou profundamente para que nenhum aroma fosse ignorado. 

— Masculino e Feminino? — disse Camila. — Perto e longe? Acima e abaixo?

Lauren virou a cabeça para encará-la com uma expressão de interesse, embora já não soubesse mais distingui-la bem na escuridão. Se houvesse feito aquela pergunta a Allyson, ao capitão Gordon ou uma dezena de outros conhecidos, com certeza não teria recebido nada além de olhares vazios. 

— Luz e sombra, som e silêncio, companhia e solidão — falou Lauren. 

— Sagrado e profano, grande e pequeno, guerra e paz — acrescentou a condessa. — Beleza e feiura. 

— Ah, não — protestou Lauren. — Não há contraste aí. Tudo o que é feio para nós, com certeza, é belo para alguém. A lesma mais viscosa provavelmente é bela para outra lesma. Uma tempestade, que traz chuva e frio para uma pessoa que pretendia aproveitar a vida ao ar livre, é linda para um fazendeiro ansioso por causa dos seus campos secos. 

— E o que nos parece grande ou pequeno será completamente diferente da perspectiva de um elefante ou de uma formiga — completou a condessa. — Oposto são apenas dois lados da mesma moeda. Um não existe sem o outro. 

— Isso mesmo — Lauren se aproximou mais da condessa. — Portanto, contraste estão conectados de modo indissolúvel. São apenas uma forma de processarmos a informação, de entender, de apreciar. Passado e futuro, por exemplo, não existem realmente, concorda? Há apenas o presente. Mas se essas percepções contrastantes não existissem, não seríamos capazes de organizar nossa vida ou nossos pensamentos. Seríamos inundadas por tudo acontecendo ao mesmo tempo e por milhares de decisões tendo que ser tomadas simultaneamente. 

— Estaríamos morrendo enquanto estivéssemos nascendo. — Camila riu de repente. — Foi para isso que entramos na floresta?

— O flerte foi ideia sua — lembrou Lauren. — A minha intenção era escapar, ao menos por algum tempo, do tédio de um evento social muito concorrido. 

— Estou arrasada — comentou a condessa, levando a mão mais uma vez à altura do seios. — Tudo isto foi preparado para o seu prazer, ma chère, e é tedioso?

— De forma alguma. — Lauren voltou a se aproximar um pouco mais. — É mágico, um banquete para os sentidos. Mas só agora, quando também consigo ter consciência da escuridão, do silêncio e da paz que a floresta guarda, posso apreciar de forma plena as luzes, a animação e as risadas. Fazer um piquenique aqui foi uma ideia inspirada, condessa, e eu lhe agradeço por isso. 

Lauren deu um sorriso propositalmente cintilante para a condessa. Seus olhos já haviam se acostumado à escuridão e ela pôde ver que a condessa lhe oferecia um sorriso lânguido em resposta. 

— A senhorita é uma feiticeira — disse a condessa. — Inverteu a situação, não é mesmo, Lady Lauren Jauregui? Jogou meu próprio jogo e teve uma conversa filosófica comigo quando eu estaria flertando com a senhorita. Chegou mesmo a me instigar a conversar filosoficamente também. Mas não é tão fácil me distrair dos meus instintos básicos. Tenho que lhe roubar um beijo. E já que a senhorita, de forma tão corajosa, alegou que não permitirá que lhe roube um segundo ou um terceiro, devo fazer o melhor possível no primeiro. 

Pela primeira vez, Lauren sentiu um leve arrepio de medo. Embora talvez medo não fosse a palavra certa, já que ela não acreditava de fato que a condessa a agarraria e a seduziria contra sua vontade. Elas também estavam próximas o bastante da área do piquenique para que qualquer grito fosse ouvido de imediato e pessoas viessem correndo em seu socorro. O que Lauren sentia, na realidade, era a respiração acelerada, os joelhos fracos, a impressão de que fora um pouco longe demais para o próprio bem. E a certeza de que, é claro, não era medo o sentimento que estava experimentando. De forma alguma. 

Era desejo. 

Ela queria que a condessa a beijasse. 

Consequentemente, quase recuou um passo. Quase se virou e saiu correndo. Porque havia, sim, brincado com fogo, e era provável que terminasse queimada. Além do mais, estava preste a mostrar a condessa quão fácil seria flertar com ela, com era uma presa fácil para uma libertina experiente. Lauren sentiu uma onda de irritação vir em seu auxílio — junto do orgulho dos Jauregui's. Que absurdo! A condessa não passava de uma sedutora barata, no fim das contas. 

Lauren deu um passo à frente e inclinou a cabeça para trás. 

— Ah, a senhora não vai roubar nada — disse, em um tom frio, com a voz admiravelmente firme. — Vim até aqui com o firme propósito de ser beijada. A senhora não foi nada esperta, condessa, apenas ligeiramente divertida. Beije-me. 

Por um instante, a condessa não se moveu. Permaneceu encostada contra a arvore, os braços ainda cruzados, encarando-a uma expressão descontraída. Lauren ergueu as sobrancelhas e sustentou seu olhar. Então Camila descruzou os braços, afastou-se da arvore e segurou o rosto de Lauren entre as mãos. Lauren esperava algo mais agressivo, mais intenso, vigoroso, marcante. Algo, para ser sincera, que fizesse a terra estremecer. Mas os lábios da condessa, quando tocaram os dela, estavam quentes, macios, levemente entreabertos, e o toque foi leve como o de uma pluma. No entanto, se no primeiro momento Lauren ficou desapontada, logo mudou de ideia. Os lábios dela permaneceram imóveis, mas os da condessa, não. A condessa roçou-os com delicadeza sobre os dela, lambeando-os de leve, mordiscando o lábio inferior com delicadeza, então pousando a língua pela parte de dentro, explorando a região úmida e sensível. O calor do hálito da condessa acariciava o rosto de Lauren. Os efeitos do beijo, descobriu Lauren, não se restringiram à área dos lábios. Ela sentiu toda a cavidade da boca ansiando por mais, então o pescoço, os seios, o abdômen e a parte interna das coxas. Quando a condessa enfim afastou a cabeça. Lauren compreendeu como um simples beijo podia ser perigoso. Ela sentiu o calor do corpo de Camila se espalhar pelo próprio corpo, das sobrancelhas aos dedos dos pés.

A condessa deixou as mãos caírem ao lado do corpo. 

— Muito bem, chérie. Muito bem, mesmo. Só desejaria que as florestas belgas fossem equipadas  com colchões e que acompanhantes, mesmo as mais relapsas como a sua, fossem seres sem o menor sentindo de tempo. Mas, infelizmente, devemos voltar aos meus convidados e à segurança dos números. 

Ela ofereceu o braço a Lauren com uma mesura. 

E assim, pensou Lauren, encarando-a com dureza antes de aceitar o braço, talvez a condessa houvesse ganhado aquele round de hostilidades, afinal. Já que, é claro, a condessa não a beijara de forma apropriada, nem como era de imaginar que uma libertina beijasse, nem, com certeza, como havia pretendido beijá-la. 

Em vez disso a condessa havia brincado com ela. 

Era uma adversária ardilosa. Lauren se perguntou se condessa Camila agora se cansaria do jogo e esqueceria a existência dela depois daquela noite enquanto saía em busca de outra presa. Christopher e tia Rochester teriam tido um ataque se a vissem naquele momento, pensou subitamente. E com razão. Ela havia se proposto a ser mais astuta do que uma sedutora experiente, que por algum motivo desconhecido a escolhera como a vítima da vez. E não estava bem certa de qual das duas vencera a disputa. 

Talvez tivesse sido empate. 

 


Notas Finais


Erros arrumo depois, o capítulo está gigante não sei se vocês gostam de capítulos desse tamanho, eu sinceramente adoro capítulos grandes hahaha.
Volto amanhã com mais, cometem o que estão achando!!!! Estou sendo bem amorzinho e respondendo todos. :)))
Até amanhã, boa noite amores amo vocês <3'


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