História Lights In The Camp - Capítulo 19


Escrita por: ~

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Categorias Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Afrodite, Annabeth Chase, Apollo, Ares, Artemis, Atena, Bianca di Angelo, Calipso, Clarisse La Rue, Connor Stoll, Cronos, Dionísio, Frank Zhang, Grover Underwood, Hades, Hazel Levesque, Hefesto, Hera (Juno), Hermes, Hylla Ramírez-Arellano, Jason Grace, Júniper, Katie Gardner, Leo Valdez, Luke Castellan, Nico di Angelo, Octavian, Percy Jackson, Perséfone, Personagens Originais, Piper McLean, Poseidon, Quíron, Rachel Elizabeth Dare, Reyna Avila Ramírez-Arellano, Sally Jackson, Thalia Grace, Travis Stoll, Treinador Gleeson Hedge, Will Solace, Zeus
Tags Annabeth Chase, Caleo, Calipso, Connor Stoll, Frank Zhang, Frazel, Hazel Levesque, Heróis Do Olimpo, Jasiper, Jason Grace, Júlia Martínez, Juni, Leo Valdez, Nico Di Angelo, Os Olimpianos, Percabeth, Percy Jackson, Piper Mclean, Reyna Ramírez-arellano, Travis Stoll, Will Solace
Visualizações 72
Palavras 4.520
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


PERDÃO (DE NOVO) PELA DEMORA DO CAP SURPRESA. Tomara que estejam surpresos, por que eu só ia postar próximo final de semana, então... Adiantei muitão. Enfim, gentey, como cês estão? Tomara que bem, pois eu adoro bolar vocês em tretas e TEM MUITA TRETA NESSE CAPITULO.
ASSIM, MUITA MESMO.
E NO PRÓXIMO TAMBÉM.
NO PRÓXIMO TEM MAIS QUE ESSE ATÉ.
POR QUE EU VIVO DE TRETA.
TRETA É MEU OXIGÊNIO AUHASUHASUAHS.
Enfim, espero que gostem e nos vemos lá embaixo.
Beijos de luz!!

Capítulo 19 - A segunda sentença de Hazel Levesque


Fanfic / Fanfiction Lights In The Camp - Capítulo 19 - A segunda sentença de Hazel Levesque

 

Por Frank Zhang:

Acordar no meio de um sono profundo com o grito da garota que você gosta – digamos que seja um sentimento hipotético – é desesperador. Mas abrir os olhos e ver a garota que você gosta – outro sentimento hipotético – sentada no banco à frente com uma velhinha esmagando seu pescoço com a bengala prateada é mais desesperador ainda. É ÓBVIO que a situação não é hipotética, pois estava acontecendo naquele instante – a menos que seja o sentimento de eu gostar de Hazel, que é hipotético.

Hipoteticamente falando.

Ok, chega de sentimentos hipotéticos, cansei de me distrair.

Levantei-me com um súbito salto e puxei meu arco de dentro da mochila. Duas outras passageiras do vagão estavam de pé. Além da senhorinha, havia mais duas mulheres em pé. Olhei ao redor para tentar encontrar os outros passageiros, mas todos estavam com os encostos das cadeiras deitados. Olhei atentamente para ver se estavam mortos, mas pareciam apenas adormecidos.

- Não vão acordar nem tão cedo, semideus. – A velhinha falou por entre sibilos de cobra e sorriu com suas presas à mostra. – Não até que eu encontre aquele verme rebelde dos céus.

Verme rebelde dos céus?

Puxei uma flecha da aljava e apontei para as três mulheres simultaneamente. Elas sorriram e Hazel negava com a cabeça enquanto a idosa ainda apertava seu pescoço.

- Solta ela. – Eu disse firmemente enquanto mirava em seu rosto feio.

Os olhos do trio de mulheres eram flamejantes. Suas cabeças pareciam a de mulheres humanas, mas com uma forma híbrida de uma cobra. Suas roupas começaram a esticar e se rasgar e asas de morcego surgiram das costas das três.

- Essa luta não é sua, Frank Zhang. E nem da Hazel Levesque aqui. – A idosa apertou o pescoço de Hazel mais ainda. – Assim que encontrarmos nosso alvo, daremos o fora daqui. Então não se metam no caminho.

Alvo?

Ouvi um estalido de porta atrás de mim e vi Julia entrar com um olhar confuso para as três.

- O que... – Antes que pudesse terminar, uma das outras duas correu para cima de Julia com as garras e presas a mostra.

- Olha só quem consegui achar. – A mulher sorriu e Julia sorriu de volta.

- Julia Martínez, muito prazer. – Julia deu um sorrisinho maligno e a mulher envergou a cara.

- Já nos conhecemos antes, não me trate como uma mera desconhecida. – O tom da mulher morcego ou cobra, sei lá, era o mais irônico possível. - Ou não se lembra de nossa conversinha de tempos atrás, Princesa? – A mulher esperou, no mínimo, que Julia se assustasse e corresse, mas a garota com valentia manteve-se no lugar com o queixo erguido. 

- Sorte a sua que eu perdi a memória e vou precisar chutar o seu traseiro como se fosse a primeira vez, como com certeza já fiz antes. – Julia retirou o chicote que trazia consigo no cinto e segurou a base do mesmo.

Eu sempre estive curioso sobre o que poderia ser aquilo. Uma espécie de fetiche estranho ou uma arma letal? Eis a questão.

Julia segurou firme o cabo da base do chicote e a “corda” se desenrolou até o chicote estar estirado a partir de sua mão. Julia bateu com a ponta da correia do chicote no chão com uma chicoteada apenas e uma leve névoa cinza se espalhou ao redor dela. Da ponta do chicote, a correia parecia endurecer aos poucos. De repente toda a correia se transformou numa lâmina assustadora e grande de uma espada, e a base em seu cabo. O que antes era um chicote negro, agora era uma espada negra de ferro com uma névoa cinzenta ao redor. Uma leve maresia pareceu englobar o recinto e eu entendi que era hora de lutar.

Resposta? Arma letal.

Tudo isso aconteceu num piscar de olhos e quando eu me dei conta, já estava atirando flechas loucamente no terceiro monstro.

Por autora:

- Eu sou Tisífone, Julia. Você irritou minha fúria e agora irei levar você comigo. – Se Julia recobrou a memória do acontecimento, não deixou transparecer.

- Isso prova que sua derrota não foi lá grande coisa para minha memória ter conseguido salvar. – Julia deu outro sorrisinho e foi à deixa perfeita para o trio de semideuses.

Hazel deu uma cotovelada na idosa morcego-cobra e puxou sua espata de cavalaria da mochila no canto do banco. Hazel girou e avançou para cima do monstro e começou a investir seus golpes na mulher de olhos flamejantes. Enquanto isso, Frank transferiu uma flecha que quase atingiu a mulher. A mesma bateu asas de morcego e planou até conseguir agarrar o teto de metal do metrô e se agarrou no metal. Mostrou as presas para o garoto e as garras lhe apertaram os ombros. Frank deu um grunhido e socou os braços dela e a terceira o soltou.

- Essa não é sua luta, Hazel. – A velhinha sibilou. – Saia do trem com o grandalhão ali e deixaremos vocês sobreviverem.

- Só queremos a filha de Júpiter. – Tisífone sorriu para Julia como se soubesse um segredo cruel da garota. Na verdade, ela sabia. Mas Julia estava desmemoriada demais para saber.

- Vão. – Julia rodou a espada e transferiu outro golpe contra Tisífone. – Eu cuido disso. Não é a luta de vocês.

- Você está louca? – Hazel rodou a espada e acertou uma parte do braço da idosa que sibilou e seus olhos incendiaram-se mais ainda. – Não vamos lhe deixar.

- Frank, tira a Hazel daqui e continue a missão. – Julia subiu em um dos bancos e recebeu um arranhão das garras de Tisífone. – Eu sei que você não gosta de mim. Use sua desconfiança para convencer Hazel.

Julia sabia que Hazel não a deixaria. E era verdade. Hazel tinha consciência do risco que Julia estava correndo para lhe salvar e faria o mesmo por ela. Hazel não moveria um dedo para fora daquele trem sem Julia no encalço. Então a Princesa Irritante tinha que usar outro método. Ela sabia que por Hazel, Frank não hesitaria em deixar-lhe para trás. Por isso, Julia disse o que disse. Para que alguém obrigasse Hazel a continuar e se salvar.

Engano da baixinha.

- Eu não sairei daqui sem as duas. – Frank segurou uma flecha com as próprias mãos e pulou tão alto que conseguiu fincar a quase lança no peito do terceiro monstro, com raiva.

A mulher morcego-cobra gritou e sumiu em pó dourado e esfumaçado.

- ALECTO! – As outras duas gritaram com horror e ódio.

A idosa que lutava contra Hazel esqueceu dela e correu para cima de Frank. Frank caiu com o choque e a mulher começou a usar Frank de amolador de garras, quase literalmente. A camisa de Frank estava agora manchada de sangue e os cortes em seu peito estavam fazendo Frank berrar. Ele segurou o rosto da velhinha com as duas mãos e o apertou.

Até que a idosa gritou de horror e sumiu em poeira dourada. Parada atrás do que antes era a idosa do mal, estava uma Hazel furiosa e destemida, segurando a espata a frente do corpo. Frank sorriu abobalhado pra ela e Hazel pulou sobre ele para checar seus cortes. Porém ambos levantaram com um salto ao ouvir Julia engasgar. Tisífone parecia descontar uma raiva imensa no pescoço de Julia ao qual enfiava suas garras. Hazel tentou corta-la ao meio com sua espata, mas Tisífone virou-se e bateu em seu rosto tão forte que Hazel caiu para o lado. Frank preparou uma flecha, mas antes de atirar, a mulher morcego-cobra lançou-se sobre ele. Ainda tinha dado tempo de Tisífone arranhar o peito de Frank mais uma vez com suas garras antes de Julia enfiar sua espada negra no meio dela.

O vagão ficou em silêncio. O cheiro de sangue, maresia, carne queimada e suor espalhou-se pelo ar. Julia caiu de joelhos e sentou-se no meio do trem ainda em movimento. Nenhum dos três acreditava que tinham derrotado três mulheres morcego no meio de um trem em movimento cheio de passageiros adormecidos.

- Senhores passageiros, a próxima parada em Calgary será em alguns minutos. Este trem segue com destino à Peace River. Tenham uma boa viagem. – A voz da comandante ressoou pelo recinto e os três levantaram em silêncio para pegar as mochilas.

Por Hazel Levesque:

Droga! Minha perna doía como o inferno. Eu realmente não queria xingar as três mulheres morcego com palavrões, mas minha mente estava cheio deles. Minha cabeça latejava e meu quadril pela queda e choque contra a porta do trem estava dolorido. Julia mantinha uma cara séria demais para ela. Sem sorrisinho irônico ou deboche, bateu sua espada no chão três vezes e disse:

- Vythisménos. – E a lâmina da espada amoleceu e encolheu até se resumir à correia do chicote negro.

- O que você disse? – Perguntei, aproximando-me dela.

Julia me olhou e antes de responder, passou por mim e encarou Frank. Os dois estavam cara a cara, Julia com fúria nos olhos.

- Você nem ao menos gosta de mim, por que ficou? – Julia cruzou os braços e bateu o pé no chão.

Frank tinha uma expressão de dor já que seu peito estava totalmente arranhado. Já retirava ambrosia da mochila para curar a ele e a nós duas. 

- Sou leal à missão, à Hazel e a você apesar de tudo. – Frank bufou e ajeitou o arco e a aljava na mochila. Utilizou da ambrosia para começar a cura dos seus ferimentos e passou o potinho para mim.

- Podia ter estragado a missão inteira. Eu sabia que Hazel não iria, mas você? Devia ter tirado você e ela daqui. – Julia falava com seriedade na voz que eu nunca havia visto. – Ela não iria embora por vontade própria. Mas você podia tê-la convencido a ir. 

- Eu não deixaria você e ponto final. Não é que eu não goste de você... – Frank olhou para o lado e de volta para Julia. – Eu só desconfio de sua entrada triunfal em nossas vidas, só isso. – Frank pareceu vencer o pouquinho de orgulho que ele tinha e estendeu a mão pra ela. – Estamos juntos nessa.

Julia apertou sua mão com força e a soltou.

- Eu odeio vocês dois. – Julia não estava falando sério, prova disso era o fantasma de um sorrisinho em seu rosto, mas dava pra ver que estava brava. Não com Frank, comigo. – Devia ter ido, Hazel. - Dei de ombros sorrindo para ela e passei a parte não manchada da camiseta que Frank retirara do próprio corpo nos ferimentos do pescoço dela. 

Meus cortes não estavam tão feios, mas os do pescoço de Julia e os do peito de Frank... Estavam horrorosos de ensanguentados. Julia consumiu a ambrosia também e devolvi o pote à mochila de Frank. 

- Estamos bem, afinal. – Passei meu braço por seu ombro e a apertei contra mim. – Deu tudo certo.

- Podia não ter dado. – Julia segurou sua mochila com força e passou a mão por sobre o seu pescoço. 

- Mas deu. E mesmo assim, eu não iria sem você, já disse. – Beijei sua testa e puxei Frank pelo braço para sairmos do trem que havia acabado de chegar à estação.

- O que eram aquelas coisas? – Frank perguntou, confuso.

- Fúrias. – Parecia mais uma pergunta do que uma resposta de minha parte.

- Sim. As três fúrias responsáveis por castigar os mortais ainda na vida terrena. – Julia deu um sorrisinho esperto. – Não sei como sei disso, mas acho que li em algum lugar. – Forçou-se a lembrar de algo. – Alecto, Tisífone e Megera. Alecto é a fúria dos castigos morais. Megera é a fúria dos castigos matrimoniais. E Tisífone... – Torceu o rosto. Talvez ressentindo algo de sua experiência passada com ela. – A fúria dos castigos dos assassinatos.

- E por que tem um passado com ela? – Frank usou o tom desconfiado, de novo.

Nem para ser discreto em acusar Julia de algo, Frank conseguia.

- Quando eu souber, eu te respondo, Frankie. – Julia abusou da ironia novamente.

Frank calou-se e lhe repreendi com o olhar. Ele me devolveu um como pedido de desculpas e voltou a falar.

- E o que eram aquelas palavras? – Mais uma vez, Frank se dirigia à Julia com desconfiança na voz.

- Vythisménos. – Julia repetiu, olhando para seu chicote. – Significa submerso em... – Julia enrugou a testa e curvou-se para frente. Seu rosto se contorceu de dor e ajoelhou-se. A estação estava com algumas pessoas apenas, já que viajávamos de madrugada. As poucas que andavam por ali, olharam para Julia preocupada. Uma senhora se aproximou de nós e Frank sorriu pra ela.

- Ela enjoa em trens. – Frank falou calmamente e forçou um sorriso. Nós dois seguramos ela pelos braços e a levamos para um cantinho da estação. – Julia? – Frank chamou-a e ela o olhou, apertando a barriga com os braços em seu entorno.

- Eu não sei. – Seu rosto suavizou. – Foi de repente. Eu pensei... Talvez sejam as lembranças. Eu... – Seus olhos se arregalaram. – O que eu estava falando?

- O significado de Vythisménos. – Falei a ela, enquanto tirava sua franja da testa.

- Significa submerso em... – Mais uma onda do que pareceu ser náuseas e ela se interrompeu de novo.

- Ok, não diga. – Falei enquanto abanava seu rosto e Frank escondia nós duas dos curiosos. – Só esqueça que Frank perguntou.

- Eu não quis... – Frank estava com um semblante preocupado. Seu rosto fofo agora parecia temeroso. Frank tinha um coração tão grande.

- Eu sei. Você me odeia, mas nem tanto. – Julia sorriu, ranzinza e Frank arregalou os olhos.

- Eu já disse que não te odeio. – Frank jogou as mãos para o alto. – Eu só... Ok, Julia Martínez. Eu confio em você agora. Feliz?

- Magnífica. – Julia levantou-se num salto, como se estivesse maravilhosamente bem de repente. Sorriu para nós, fez um cumprimento medieval e passou a caminhar a nossa frente. – A propósito, Vythisménos significa submerso em grego. – Piscou e sorriu por cima do ombro.

- Filha de um... – Corri atrás dela pela estação com Frank atrás de mim, enquanto ela dava risadinhas vitoriosas. – Você não fez isso, Martínez!

...

Por Nico Di Ângelo:

A viagem pelas sombras havia sido exaustiva. Uma trilha tão longa quanto aquela havia me deixado morto, quase que literalmente. Suor escorria por meu rosto, costas e peitoral. Eu ofegava de tempos em tempos enquanto escalava o morro cuidadosamente, a uma distância segura. Olhei para trás e vi o grandioso lago Lake Louise, próximo a cidade de Calgary, aonde os três desembarcaram do trem. Até que a vi. Quase caí morro abaixo quando vi o rosto da traidora que estava levando minha irmã para a morte. Julia Martinez, Princesa Irritante, estava sorrindo de lado junto com Hazel enquanto caminhavam com Frank atrás, para o palácio da morte. Julia conseguia ser meu pesadelo até em outro país, sem nem saber que eu estava por ali. Eu ia mata-la. Filha de um puto! Ela estava tentando prejudicar a minha irmã, como pode fazer isso? Segurei uma lágrima raivosa que estava prestes a deslizar pelo meu rosto e sentei-me devagar no chão, para pensar. Julia não tinha essa índole. Por mais que eu a detestasse e ela fosse a pior pessoa pra mim naquele acampamento, Julia não tinha feitio de assassina e muito mesmo de traidora. Julia era leal ao acampamento. E tinha sido sequestrada pela luz branca que interrompera nosso... Momento de loucura psicótica extrema e com saliva envolvida. Ela só podia estar sobre efeito de alga marinha das loucas ou sobre hipnose. Eu não conseguia pensar nela entregando minha irmã mais nova para a morte. Mesmo que eu quisesse cortar seu pescoço fora mesmo assim. A questão é que se Anne, Percy ou Will estivessem aqui, qualquer um deles bateria o pé no chão dizendo que ela era confiável e que havia alguma coisa errada na sentença de Audrey. Eu deveria – mas não podia – confiar em meus instintos, mesmo que eles me dissessem para mata-la. Ok, instinto acordado por Hades, eu não tinha culpa de meu pai odiar o dela. Por que eu não conseguia simplesmente me levantar e correr atrás deles? E se fosse tarde demais e algo ocorresse a Hazel? E se... Julia... Ela sabia que Hazel era minha irmã? Será que aquilo era alguma espécie de brincadeira com a minha cara? Ou ela estivesse realmente puta com Hades? Não. Ela não faria isso nunca. Eu tinha certeza. Levantei a cabeça e olhei por cima das rochas que me escondiam do campo de visão do trio.

Eu tinha encontrado-a e só agora tinha me tocado disso. O acampamento inteiro estava caçando Julia desesperadamente e ela esteve ali o tempo todo, junto a minha irmã. Eu... Eu não podia simplesmente aparecer, salvar Hazel e arrastar Julia de volta ao acampamento meio-sangue. Hazel realmente tinha assuntos antigos a tratar e Julia provavelmente tinha um dedo podre nisso tudo. Eu não podia simplesmente chegar e por tudo a perder. Eu tinha que montar um plano e rápido, pois as portas da mansão da morte estavam se abrindo naquele instante.

E os três estavam entrando.

...

Por Julia Martínez:

Eu era a maior mentirosa de todos os tempos. E essa minha sentença sobre mim mesma estava retornando, pois o momento da entrega estava chegando. Eu estava a um passo de completar a missão decidida a fazer a pior coisa da minha vida. Uma pessoa iria morrer aquela noite e eu não podia impedir isso.

Mãe, pai, me perdoem. Mas eu vou fazer uma coisa da qual vocês não irão se orgulhar. 

A mansão da morte onde tínhamos entrado era sinistra. Na verdade, eu até achei maneiríssimo as caveiras penduradas como jardins suspensos decorando a parede dos corredores. Mas as vozes baixinhas de almas presas ali eram de arrepiar. Tochas com fogo verdadeiro – sem onda, era fogo mesmo – iluminavam pedaços do “corredor polonês” – meus trocadilhos eram os mais cruéis da história.

- Não sinto a presença de meu pai. Ou de algo dele por aqui. – Hazel me olhou, mas não sustentei seu olhar. – Se fosse a mansão dele eu saberia. Ju, será que viemos ao lugar errado?

Sinto muito, Hazel.

- Não, estamos no lugar certo. – Voltei a apressar o passo para diminuir meu nervosismo diante de possíveis perguntas comprometedoras e cheguei ao local que ele havia me mostrado.

- Não faz isso. Eu nunca vou te perdoar se o fizer. – Uma voz sinistra ressoou pelo corredor onde estávamos e um arrepio gélido espalhou por minha espinha. – Me desculpe pelo o que eu disse. Pode haver outra saída. Só agora eu percebi... – Por um momento, eu até achei que fosse dois discursos de duas vozes diferentes, mas não era. – Volta por onde você veio. Vamos dar um jeito. Eu não vou te perdoar se fizer isso.

Você vai ter que me perdoar. Não farei isso pensando em mim.

Voltei a andar mais rápido. Frank e Hazel não pareceram ouvir a voz. Apenas aceleraram os passos para me acompanhar. Atravessamos o corredor de tijolinhos escuros e atormentados pelo tempo. Chegamos até uma porta alta e de madeira escura e grossa.

Bati à porta da morte, literalmente.

Uns segundos e dois estalidos depois, a porta se abriu e lentamente nos deu passagem para o futuro incerto e o epicentro da minha mentira.

Lá estava o ele que tanto me deu trabalho.

Pleno, mórbido e homicida vingativo. Um sorrisinho no rosto branco, uma veia de loucura saltando do pescoço e os braços abertos.

- A morte abre os braços tranquilamente para aqueles que entram em sua casa de tão boa vontade. – Sorriu e apontou para as cadeiras ao redor do tapete vermelho sangue.

Estávamos na sala da mansão da morte...

Literalmente.

- A morte de “Supernatural” parecia tão maneira que eu pensei que a da vida real resolvesse a sujeira com as próprias mãos. – Soltei uma gracinha.

Ponto pra mim, raiva pra ele.

Alguém deveria calar a minha boca depressa.

- Eu deixo o trabalho para traidores como você. – Piscou e meu rosto se contorceu em um “que merda eu fiz”.

- O quê... – Hazel me olhou, mas não olhei para ela. Não queria ver a dúvida em seu rosto, e nem a desconfiança em Frank.

- Hazel Levesque e Frank Zhang, sentem-se. – A morte apontou para os outros lugares vagos próximos ao meu. Nós três formávamos uma meia lua de frente para a poltrona onde ele próprio sentaria. – Então, Julia. Concluiu nosso combinado.

- Espera, eu não estou entendendo. – Hazel, que estava na cadeira do meio, segurou em meu braço com leveza. – Onde está o meu pai? Ele deveria estar aqui para receber Julia ao final da missão.

- Plutão cuidando de seus próprios filhos? – A Morte gargalhou alto, mas parou de repente. – Pode sentar aqui, se quiser. – Uma quarta poltrona surgiu ao lado da própria morte e ele olhou pelo recinto. – Venha se não for covarde.

- Com quem está falando? – Frank falou pela primeira vez e a Morte sorriu pra ele.

- Se não foi com você, não lhe interessa. – Ele sorriu e voltou a olhar para mim. – Hazel, queria, quantos anos você tem? Doze?

- Treze. – Hazel disse firmemente e em nenhum momento soltou o meu braço.

- Treze. – Ele repetiu e se recostou à poltrona. – Vamos lá, querida. Você pode ser menos tola do que essa garotinha de doze anos aqui. – A Morte riu debochado e não consegui responder-lhe. Eu podia ser valente em todas as horas, mas não quando eu sabia qual seria o fim daquela noite. – Como pode confiar em alguém que acabou de conhecer? Hazel, querida, sua mãe nunca lhe ensinou que confiança se dá com o tempo?

- Cale a boca. – Sussurrei para ele e uma lágrima ameaçou descer por meu rosto.

Não seja covarde, Ju. – Eu disse para mim mesma.

- Eu não entendo... – Frank olhava para o seu próprio colo e enrugava a testa. – Quem é você?

A Morte sorriu com desprezo, talvez por não ter sido reconhecido, mas depois deu uma risadinha melancólica.

- Eu sou Orcus. – Orcus bateu palmas para si mesmo. – Deus do submundo.

- Meu pai é o deus do submundo. – Hazel cruzou os braços e recostou-se a cadeira. Ela era sempre tão gentil e fofa com todos, que sua mudança repentina de humor havia me assustado. – Eu já li sobre você. O deus dos julgamentos.

- E do submundo, para alguns da Idade Clássica. – Orcus deu um sorriso gélido. – Infelizmente não sou mais como naquele tempo. Sou identificado como A Morte por sentenciar a busca daqueles que passaram do seu tempo terreno. E tivemos um mau julgamento por aqui, não foi, Hazel? – Orcus lançou um olhar sinistro para Hazel e sorriu novamente.

- E-eu não sei do que... – A voz de Hazel morreu quando tudo ficou escuro. A sala parecia ter ficado sem energia por alguns instantes.

Uma imagem surgiu diante de Hazel. Uma imagem sua no submundo. Hazel estava sentada sob uma árvore escura e sem graça, com folhas secas ao redor. O olhar perdido, triste, sem vida. Hazel procurava alguém, algo, ou sei lá o quê. Ela olhava para os lados como se aquilo estivesse durando anos e não apenas segundos. Seus olhos se iluminaram quando uma figura parou perto dela. Um menino com minha idade estendeu-lhe a mão. Seu rosto duro e sério tinha o fantasma de um sorrisinho. Seus olhos negros e seu cabelo mais escuro ainda. Poucas ondas espalhavam-se pelos fios lisos. Suas roupas eram pretas e sua pele, branca. Hazel sorriu pra ele e tocou em sua mão.

A imagem mudou. O globo dourado de luz que revelava a imagem girou para trás como se estivesse voltando no tempo. A imagem agora era de Hazel diante de três homens. Um deles era Plutão, o outro Orcus e o outro eu nem podia imaginar. Talvez Tânatos, quem sabe. Não ouvíamos vozes, apenas víamos a sentença de Hazel ser dada.

- Plutão nem ao menos me pediu para ter pena de você. – Orcus sorriu malignamente como se planejasse acabar com todos nós ali mesmo. – Simplesmente me deixou redigir as coisas enquanto já tinha lhe dado a sentença. Plutão não nasceu para amar, Hazel. Assim como os filhos dele. – Orcus olhou para Frank. – Os filhos do “Rei do Submundo”. – Falou com desgosto. – Não amam nunca. – Orcus bateu raivosamente contra a bola e ela sumiu, fazendo a luz normal voltar. A sala agora estava às claras de novo. – Você não deveria estar aqui, Hazel. Não deveria. Seu lugar é em Asfódelos, e não aqui. Seu tempo nesse mundo acabou e o idiota intrometido do seu irmão atrapalhou tudo isso. – Orcus virou-se para o nada atrás de nós novamente. – Covarde!

ELE ERA LOUCO OU O QUÊ?

Minhas pernas não paravam de tremer. O medo voltava a me consumir à medida que o discurso dele parecia terminar. E quando terminasse, mortes viriam a seguir.

- Por isso alguém tem que pagar. – Orcus bateu duas palmas e a lareira sinistra junto com a parede que se estendia dela, atrás do deus, desabou para trás. Uma imagem estranha surgiu. Eu nunca havia parado para pensar como era Asfódelos. Havia um chão cinzento e opaco. Árvores mortas davam um toque ainda mais melancólico à imagem. Pessoas caminhavam aqui e ali, perdidas e sem rumo a seguir. O cheiro era literalmente de nada. Nada crescia ali. Tristeza, alegria, dor, raiva, nada. Nada vinha dali. Apenas perdição e ócio. – Por isso, querida Hazel, eu fui buscar a nossa querida valente ali. – Orcus apontou com desgosto para mim. – Ela parecia ser a escolha perfeita de acordo com aquela fantasma sem graça. Como era mesmo o nome dela...

- Audrey. – Eu disse e levantei-me da poltrona. – Não fale assim dela. Ela só queria ajudar.

- Eu falo como eu quiser, pois eu sou um deus e você é uma reles mortal que só fez o seu trabalho. – Orcus voltou a fitar Frank. – Você estava certo, Frankie. – Orcus repetiu meu apelido.

Ridículo imitão de merda.

- Ela não é confiável. Julia é uma traidora. – Orcus deu uma risadinha maligna. – E ela enganou vocês direitinho. Aonde você fez aulas de teatro pra mentir assim tão bem, filha de Júpiter? Por que você arrasou na encenação.

- Eu não sou! – Gritei. Eu queria dizer que sim, eu era. Tecnicamente eu tinha mentido e traído a confiança deles. Mas nada era o que parecia ser. Eu não era uma homicida.

- Ju... – Hazel segurou o meu braço e aquilo partiu meu coração. Ela ainda tinha esperanças em mim.

Me perdoe.  

- Você é. – Orcus olhou para Hazel. – Hazel, querida, entenda. Você não deveria estar aqui. Quando alguém morre, tem que ficar morto. Nada é por acaso. Se você morreu, deveria ter continuado dessa maneira. Seu lugar ainda está vago lá embaixo. – Orcus apontou para Asfódelos. – Por isso eu precisava de uma alma para retornar a Asfódelos. Para voltar a ocupar seu lugar. Não é a ordem natural das coisas, querida. Você não deveria estar aqui. Eu precisava te sentenciar de volta ao seu destino e Julia me proporcionou isso. – Voltou a olhar para mim com um sorrisinho filho da puta. – Da maneira mais suja possível, Julia trouxe você para morrer. 

Infelizmente, essa era a verdade.


Notas Finais


Eu até ia fazer alguns comentários, mas pensei que vocês vão querer saber a verdade nua e crua no próximo cap. Sobre Julia ser traidora, eu não tenho nada a dizer. Foi um capítulo triste, apesar de tudo e eu sinto muito gente.
Mas volto a dizer: Nada é o que parece ser.
JOGUEI A BOMBA E FUI EMBORA.
Antes de ir de verdade, queria agradecer a todos. Estou recebendo mais comentários e isso me deixa MUITO FELIZ MESMO. Tem algumas pessoinhas que em todo cap comentam e isso é bom demais. Agradeço à aquelas que também acompanham, apesar de não comentarem. Eu sei que cês tão aí ;). Chegamos à mais de 70 favoritos (NUNCA PENSEI QUE CHEGARÍAMOS A TANTO) e passamos das TRÊS MIL VISUALIZAÇÕES.
MEOS DEOSES!
Enfim, tô chorosa. Muito obrigada, luzinhas <3
BEIJOS DE LUZ.
Não esquece de sentar o dedo em enviar comentário pra gente conversar, falow \o/
TCHAUZIN <3 ATÉ O PRÓXIMO CAP


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