História Lights In The Camp - Capítulo 23


Escrita por: ~

Postado
Categorias Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Afrodite, Annabeth Chase, Apollo, Ares, Artemis, Atena, Bianca di Angelo, Calipso, Clarisse La Rue, Connor Stoll, Cronos, Dionísio, Frank Zhang, Grover Underwood, Hades, Hazel Levesque, Hefesto, Hera (Juno), Hermes, Hylla Ramírez-Arellano, Jason Grace, Júniper, Katie Gardner, Leo Valdez, Luke Castellan, Nico di Angelo, Octavian, Percy Jackson, Perséfone, Personagens Originais, Piper McLean, Poseidon, Quíron, Rachel Elizabeth Dare, Reyna Avila Ramírez-Arellano, Sally Jackson, Thalia Grace, Travis Stoll, Treinador Gleeson Hedge, Will Solace, Zeus
Tags Annabeth Chase, Caleo, Calipso, Connor Stoll, Frank Zhang, Frazel, Hazel Levesque, Heróis Do Olimpo, Jasiper, Jason Grace, Júlia Martínez, Juni, Leo Valdez, Nico Di Angelo, Os Olimpianos, Percabeth, Percy Jackson, Piper Mclean, Reyna Ramírez-arellano, Travis Stoll, Will Solace
Visualizações 87
Palavras 3.522
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


COMO ESTÃO VOCÊS?
ESPERO QUE BEM!
POIS TEMAS POLÊMICOS VIRÃO.
Próximo capítulo talvez ;)
Nesse temos apenas mais uma dose de nacionalismo brasileiro pra vocês.
Vamos amar mais nosso país? Espero que estejam dispostos =D
Adoro vocês!!!!
Espero que gostem!
Beijos de luz!!!

Capítulo 23 - Um coração levemente partido para o jantar, por favor


Fanfic / Fanfiction Lights In The Camp - Capítulo 23 - Um coração levemente partido para o jantar, por favor

        Dois dias antes da chegada ao Acampamento Meio-Sangue...

Por Theo Albuquerque:

Caminhando e cantando

E seguindo a canção

Somos todos iguais

Braços dados ou não

Nas escolas, nas ruas

Campos, construções

Caminhando e cantando

E seguindo a canção

Cantei a canção com desgosto. Por que eu a cantava no caminho para a escola quando eu e Julia íamos juntos. Torci o rosto e voltei a desenhar a imagem do meu sonho. O sonho que eu sonhava acordado. Julia levitando no ar. O cheiro de eletricidade e faíscas queimando em todo o lugar. Seu cabelo se tingindo de cinza lentamente. Seus olhos brancos como nuvens e paredes brancas.

Aonde você está, my person?

Vem, vamos embora

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer

Vem, vamos embora

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer

Continuei colorindo o desenho, utilizando vários tons de cinza e azul, além de amarelo e verde. Eu gostava das cores do nosso país. Amava essa canção. E sentia saudade da pequena nacionalista que estava perdida por aí.

Pelos campos há fome

Em grandes plantações

Pelas ruas marchando

Indecisos cordões

Ainda fazem da flor

Seu mais forte refrão

E acreditam nas flores

Vencendo o canhão

Cantei os últimos dois versos bem alto, vencido pelo nacionalismo e pela emoção. Que saudade do Brasil. E que vontade de achar minha melhor amiga.

Vem, vamos embora

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer’

Vem, vamos embora

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer

Mesmo que se tornasse cansativo, eu continuava cantando verso por verso, estrofe por estrofe, dominado por minhas origens.

Há soldados armados

Amados ou não

Quase todos perdidos

De armas na mão

Nos quartéis lhes ensinam

Uma antiga lição

De morrer pela pátria

E viver sem razão

Pátria? Que pátria? Se os patriotas pelo Brasil pareciam ter morrido ou se calado de vez, restou quem pra gritar Brasil?

Vem, vamos embora

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer

Vem, vamos embora

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer

 

Nas escolas, nas ruas

Campos, construções

Somos todos soldados

Armados ou não

Caminhando e cantando

E seguindo a canção

Somos todos iguais

Braços dados ou não

 

Os amores na mente

As flores no chão

A certeza na frente

A história na mão

Caminhando e cantando

E seguindo a canção

Aprendendo e ensinando

Uma nova lição

 

Vem, vamos embora

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer

Vem, vamos embora

Que esperar não é saber

Quem sabe faz a hora

Não espera acontecer

Terminei de cantar assim que acabei o desenho. A música era longa e os traços e cores eram trabalhosos. Pus os pincéis e lápis de volta na caixinha que Will havia me cedido para passar à tarde com meu tempo ocupado, como ele costumava dizer. Ou seja, passar o dia sem pensar que cheguei tarde demais.

- Sua voz é linda. – Ouvi uma voz aveludada ressoar atrás de mim e dei um pulo ao ver Will saindo de trás de uma das pilastras do silencioso e vazio refeitório.

- Há quanto tempo está aí? – Perguntei afobado, segurando a mão em meu peito.

- Desde que Julia estava sem os cabelos desenhados. – Ele pegou o desenho da minha mão e sentou-se na mesa onde eu estava desenhando a poucos. Apoiou os dois pés no banco de madeira e começou a analisar minha obra de arte.

- Por que não me avisou que estava aqui? – Bufei ao perguntar e cruzei os braços em frente ao meu peito. Will deu um sorriso de lado e ergueu as sobrancelhas.

- E perder a oportunidade de te ver cantando? – Ele riu e me devolveu o desenho, ainda me encarando. – Gostei dos traços e das cores. Os olhos dela estão muito brancos, não acha?

- Foi assim que eu vi em meus “sonhos”. – Fiz aspas com os dedos e revirei os olhos para ele. – Você me ouviu cantar. Só Julia me ouviu cantar até hoje. Sente o peso do que você fez? – Voltei a cruzar os braços, bravo.

- Uma pena para o mundo, adorei a melodia com a sua voz rouquinha. A música era em português? – Ele se levantou e me encarou alguns dedos de altura acima.

- Era. – Voltei a pensar na música e sorri. – Pra dizer que não falei das flores, de Geraldo Vandré. – Will torceu o rosto ao não entender português e traduzi para ele. – Foi o hino contra a ditadura no Brasil. Contra toda a crueldade e falta de liberdade que meu país já viu. – Fechei a cara. – O segundo maior atentado à população brasileira, na minha opinião.

- Qual foi o primeiro? – Will pareceu interessado no assunto “Brasil”.

- A escravidão, claro. Ela durou mais de trezentos anos e até hoje vemos os resquícios do atentado contra os negros. Os piores cargos, as piores moradias, o preconceito. Em sua grande maioria é contra negros. Uma herança desse tempo. – Olhei para o desenho. – Julia me fez analisar sobre isso uma vez. E desde então eu pesquiso muito sobre isso.

- Bem profundo. – Will realmente parecia tocado com minha fala. – Você é bem patriota.

- Sou nacionalista, é diferente. Mas não me peça para explicar. – Ri um pouco e fechei a caixinha vermelha em cima da mesa de madeira marrom médio.

- Eu queria ser assim pelos Estados Unidos. – Will deu de ombros e segurou a caixa que eu estava lhe entregando.

- E por que não é? – Olhei para suas profundezas azuladas.

- Por que não me ensina a ser? – Will estava próximo demais. Com o nariz perto demais ao meu. Com o hálito batendo demais em meu queixo. Coisas demais assim me deixam tonto.

- Na-nacionalista? – Gaguejei um pouco e andei para trás, topando na parede do refeitório atrás de mim.

- É. Me ensine a amar o meu país. – Will me olhou com olhos de gavião. Era como um predador diante de uma presa. E eu era o cervo.

- Não se ensina a amar um país. Você simplesmente a-ama. – Gaguejei de novo e desatei a falar, já que era meu método para esquecer o nervosismo. – Todo país tem seus prós e contras. E é dever de seus habitantes amarem-no do jeito que ele é, com defeitos e qualidades. É espalhar sua cultura. É bater no peito com orgulho de sua história. É amar seus defeitos, mas tentar muda-los, para o bem da população. Ser nacionalista também é melhora-lo, não só apreciar seus defeitos e qualidades sem fazer nada para muda-lo. – Falei tudo numa velocidade impressionante, aumentando o grau a medida que o rosto de Will se aproximava.

Seu nariz agora topava no meu levemente.

As imensidões azuis me encarando. As bochechas levemente vermelhas. Os cabelos loiros caindo para frente. Os lábios entre abertos. A boca vazia.

Ao menos estava.

Pois agora minha língua ocupava o espaço dela. O tocar de lábios foi bem lento. Diferente de tudo o que eu já havia provado. Era uma espécie de canção que estávamos pondo pra tocar discretamente. Pra ninguém ouvir. Pra ninguém ver. Pra ninguém saber.

Batalha. Minha língua contra a dele. O melhor entrave já visto. Sua respiração ofegante e a minha não muito diferente. Suas mãos em minha cintura e meus braços envolvendo seu pescoço. Os fios loiros por entre meus dedos e os seus, longos, apertando a carne do meu quadril levemente. Seu peito duro e malhado chocando-se contra o meu. Uma separação de bocas que não durou nenhum segundo, apenas para mudarmos a posição das cabeças. Mais salivas trocadas. Mais sons discretos e baixinhos de beijo. Mais beijos. Separamos nossas bocas e buscamos o ar. Encarei seus olhos novamente e ele sorriu. Will sorrindo era ainda mais lindo.

Porra, o que estava acontecendo comigo? O que aquilo significava?

- O-o que-e... – Eu tentei começar, mas Will tapou minha boca com a sua.

- Shiii. – Ele disse quando separou da minha boca por um momento. – Você fala demais.

Não pude deixar de sorrir. Um sorrisinho nasalado com o beijo delicioso. Continuamos os selos e os dedos perversos em áreas sutis como granadas, até que ouvimos um barulho.

- Eu não gostaria de atrapalhar, mas precisamos liberar esta área para o jantar. Até por que o refeitório foi construído para isso e nada mais. – Encarei Quíron com os olhos esbugalhados. Will não estava diferente. Sua boca se abriu várias vezes e nada disse. Mas Quíron apenas mantinha um sorrisinho esperto no rosto. – Podem ir. Nada aconteceu. – Ele sorriu com os olhos e saímos de fininho da grande estrutura de madeira.

Meu coração estava aos berros. Eu não sabia o que dizer. Eu não sabia o que fazer.

Eu ainda não superei.

Então fiz a única coisa estúpida o suficiente para manter Will longe da bomba relógio que eu era.

Bati em seu rosto. Encarei seu rosto iluminado pelo sol ao longe, que agora estava se pondo. O rosto tingido de laranja do céu e de vermelho por meu tapa. Ele me encarou com dor nos olhos.

- Nunca mais repita isso. – Quase gritei aquela frase com uma falsa raiva. – Quem disse a você que eu te queria?

Eu nunca havia sido tão cruel com alguém.

Virei-me e fui embora, querendo esquecer a visão de seu rosto triste, confuso e magoado.

Sinto muito, Will. É para seu próprio bem.

Eu não presto para namorar alguém.

Por Nico Di Ângelo:

Eu me sentia muito errado. Estranho. Talvez péssimo. Eu tinha mentido para minha irmã e me sentia horrível. Eu simplesmente não sabia o que fazer. Não sabia como me sentir. Eu não queria sentir. Culpa. Eu não sabia sentir culpa. Eu não sabia sentir nada. Eu tinha dificuldades com tudo aquilo que fugisse ao meu controle. Eu não era um controlador louco. Era apenas centrado em permanecer à frente do que eu fazia. E sentimentos não me deixavam à frente. Pelo contrário, me jogavam para trás e me jogavam uma corda para que eu os perseguisse de uma maneira desastrada e confusa.

Mas nunca havia me sentido com tanta vergonha como agora.

Certo, eu sabia que não aparentava a idade que eu tinha. Eu tinha apenas treze anos e às vezes as pessoas me davam quinze. Mas aquilo? Aquilo forçava a barra mais do que qualquer coisa que essa bola azul no meio do universo já tinha visto. E Julia? Ela tinha o tamanho de um gnomo e parecia ter dez anos. Como alguém poderia insinuar aquilo?

- Tudo certo com a filha de vocês? – A senhora que era dona da lojinha onde Julia tinha insistido que precisávamos parar, perguntou para a Princesa Irritante assim que ela saiu do banheiro feminino acompanhada de Amber e seu sorrisinho tímido.

- Ah, senhora, e-ela não-o é nossa fi-ilha. – Gaguejei ao falar isso pela centésima vez aquela manhã.

Julia se aproximou de mim, segurando a mão da Amber. Amber, que não estava ajudando em nada me chamando de Ninico, um apelido que ela tinha inventado há pouco.

- Tudo bem, querido. Não precisa sentir vergonha. Eu tive meu primeiro filho aos quatorze anos. – Ela sorriu, gentil e meu estômago embrulhou.

Eu ainda era virgem e ela pensava que eu já tinha feito uma filha? Com Julia? Deuses, alguém me salve.

Julia arregalou os olhos levemente e olhou de Amber até mim e depois de volta a senhora.

- Nós não somos... – Julia foi interrompida.

- Quero comer, Ninico. – Amber segurou minha mão e sorriu.

- Já devíamos estar lá. Por que ainda não chegamos, mesmo? – Olhei para Julia com uma cara feia e ela entortou a boca.

- Viajamos por um tempão, Amber estava com vontade de ir ao banheiro. Ela não tem culpa. É só uma criança, Cara Pálida. Você nunca foi uma? Ou vai me dizer que nasceu com essa alma de 72 anos, mesmo? – Julia sorriu diabólica e olhou para Amber. – Vamos pegar umas frutas pra você. Tem algumas ali. – Julia apontou para um canto da lojinha no posto de gasolina. – Eu e Ninico precisamos conversar. – Ela zoou o apelido e sorriu inocentemente para Amber. A qual correu para escolher suas frutas, enquanto Julia me puxava para fora do estabelecimento. Pude ver de relance um homem sair do banheiro masculino de dentro da loja de conveniência, através dos vidros na porta de entrada.

- Estou sentindo algo. Algo muito ruim, Cara Pálida. – Julia olhou para os lados e pôs as mãos na testa.   

- Como assim? Não senti nada. Meus sentidos são muito bons para eu não ter sentido alguma presença perto de nós. – Olhei ao redor e por mais que fosse difícil de acreditar, não disse aquilo na intenção de ser boçal.

- Você por acaso sentiu a presença da Dracaenae que atacou a Amber? Não. Então cale a boca. – Revirou os olhos para mim.

Insolente!

- Grossa. – Ergui as sobrancelhas pra ela.

- Ridículo. – Devolveu com o rosto retorcido.

- Infantil.

- Boçal.

Ah, não. Isso de novo não.

- Insolente.

- Indelicado.

 Indelicado? Sério?

- Indelicado? – Ri de sua cara um pouco demais e ela revirou os olhos. – Vai me xingar mais de quê?

- Vai à merda, Di Ângelo. – Virou de costas pra mim.

- Ok, manda mais um desses xingamentos dos anos 50 que eu quero ouvir. – Virei-a para mim e ela deu um tapa em minhas duas mãos. – Que tal, ousado? Chato? Incoerente?

- Cale a boca. – Ela olhou para um ponto fixo dentro da loja.

- Cara Pálida? Uh, esse foi o pior. – Ri mais alto e ela colocou a mão sobre a minha boca.

- O seu radar maravilhoso captou aquilo? – Ela apontou com o olhar para o homem que havia entrado na loja de conveniência minutos atrás para usar o banheiro.

- Merda.

Nós dois corremos como nunca para dentro da loja. O homem encurralava Amber que gritava horrores contra os freezers de frutas. Seu rosto estava deformado, passando por uma transição. Ele estava mudando. Estava virando uma cobra.

Estamos no meio de uma revolução das cobras? O que deu nelas nos últimos tempos para nos atacar assim? Mais que porra!

O homem rapidamente se transformou. Suas pernas agora eram uma calda. Muco parecia escorrer de suas fendas minúsculas. Os olhos agora queimavam contra Amber, olhos finos de felinos. Era não mais um homem, mas uma mulher. Metade cobra e metade humana. Outra Dracaenae. Ela sibilou algumas palavras sem sentido e riu para nós, mostrando as presas afiadas. Julia e eu nos olhamos por exatos três segundos e já foi o suficiente. Saquei a espada da mochila rapidamente. Joguei o chicote para Julia que o fez estalar na parede e sua espada negra surgir. As pedras negras ferventes cintilaram a luz da lojinha e a mulher agora nos encarava.

- Vocês mataram a minha irmã. – A mulher sibilou lentamente e suas orelhas já se armavam, se preparando para a briga.

- Sério? Nem percebi a semelhança. – Julia correu e pulou em cima da mulher.

Já tínhamos feito isso antes, por que não repetir a tática que deu certo.

Saquei a espada no ar e cortei-lhe o estômago. Ou quase. Já que a mulher se chocou contra a parede atrás dela, tirando Julia de suas costas. Algumas latas caíram da estante mais próxima. Julia levantou-se e aproveitei para distraí-la. Corri ao redor da grande, mas não tanto, loja. Quase fui cortado ao meio por sua grande espada azulada. Pulei em cima do balcão do caixa e vi a senhorinha que tinha falado conosco mais cedo, desmaiada no chão. Fiquei mal por ela. Era apenas uma mortal, não tinha nada a ver com a história. Pulei as três vezes em que sua espada tentou cortar meus pés.

Que cobra burra.

Dei um mortal para trás e bati as costas na prateleira atrás de mim. Chaves e papéis caíram de onde a senhorinha devia guardar as coisas administrativas da loja.

Julia voltou a se agarrar na cobra pelas costas. Sua espada estava de lado e por isso não cortava o pescoço da Dracaenae aonde estava apoiada. Tentou vira-la para acabar logo com a mulher cobra, mas foi lançada para a esquerda.

Essa parecia mais forte. Mais poderosa.

Julia estava com alguns cantos cortados no rosto. Suas costas com certeza estariam roxas. Havia alguma parte da minha perna sangrando, eu podia sentir o liquido escorrendo. Os cortes eram mais fundos. Os golpes mais fortes. E o pavor de Amber mais gritante. Encarei Julia. Ela acenou com a cabeça, entendendo o que precisávamos saber. Então o fiz. Me lancei contra a Dracaenae e voltei a lutar com sua pesada espada e seu escudo acertador de costelas.

Julia correu até Amber e a pegou nos braços. A garota era magra, porém Julia era pequena demais para aguentar correr com ela sem problemas. Lancei-me contra a mulher-cobra com toda força e abri uma cratera enorme no chão, derrubando mais prateleiras e objetos a serem vendidos para dentro. Uma das duas caudas da Dracaenae agora estava enfincada no buraco aberto.

Corri e abri a porta do estabelecimento. Tirei Amber dos braços de Julia, a contragosto da garotinha e corremos a toda ela rua. Desatamos a correr muito rápido. O céu agora estava escuro, era quase noite. O céu apenas meio alaranjado. Descemos uma rua à esquerda da loja e entramos em um beco. Do beco saímos em outro beco e assim começamos a traçar um caminho para enlouquecer a Dracaenae que já devia estar atrás de nós a essa altura. Amber me abraçava com força. Seus cabelos atrapalhavam a minha visão. Julia segurava o meu braço para me guiar no meio da cabeleira loira de Amber. Corremos até não podermos mais. A mochila nas costas de Julia. Amber em meus braços. Lágrimas manchando a minha camisa.

- Shiii, está tudo bem. – Afaguei suas costas e Amber gritou.

- Ela vai me matar! – Amber se virou e ergueu os braços para Julia. A Princesa Irritante pegou-a de meus braços e sentei-me no chão.

- Ela não vai lhe matar. Não vamos deixar. – Julia tirou o cabelo de seu rosto e lhe deu um sorriso fraternal. Como se fosse sua irmã mais nova. Beijou-lhe a testa e voltou a colocar seu rosto para deitar em seu ombro.

- Preciso conhecer Leo antes. – Ela falou contra o pescoço de Julia. – Dizer a ele que Ninico e Xuxu me salvaram. – Amber não falava Juju como gostaria. O J saia sempre com som de X e era extremamente fofo.

- Vamos encontra-lo. Você vai ter seu irmão. E vamos voltar em segurança. Você vai conhecer Quíron, Annabeth, Percy e Will. – Seus olhos encaravam o nada. – E Theo.

Sua voz ressoou triste. Seus olhos olharam para mim e depois para o chão. De repente, as imensidões verdes de Julia pareceram brilhar. Lágrimas?

- Qual deles é seu namorado? – Amber perguntou e olhou para Julia, que estava assustada.

- Nenhum! – Ela desatou a rir. – Percy e Annabeth namoram. – Ela acenou com a cabeça. Amber agora lhe encaravam. – Will e Theo são só meus amigos. E Quíron é o tiozão do Acampamento.

- Então é com o Ninico? – Ela apontou para mim.

- Ninico o quê? – Perguntei, confuso.

- Você namora ela? – Agora a pergunta era pra mim.

- Não! – Fiz uma expressão de desgosto. – Aonde viu isso?

- Até a vovozinha da lojinha pode ver. – Riu infantil e tirou os cabelos loiros dos olhos.

- Não mesmo, Amber. – Julia negou fortemente com a cabeça. – Somos... – Olhou pra mim com desprazer.

- Colegas. – Respondi seco.

- Uma pena. A vovozinha estava certa. – Colocou o dedão na boca e deitou a cabeça no ombro de Julia, viradas para mim. – Vocês dariam mesmo para serem meus pais. – Ela riu novamente e deu um sorriso banguelo. – Eu finalmente teria uma mamãe e um papai de verdade.

Meu coração nem teve tempo de despedaçar enquanto eu encarava Julia me olhando com uma expressão triste no rosto e o semblante infantil de Amber. Pois assim que respiramos mais uma vez, a Dracaenae já estava na ponta do beco novamente.

Sério isso? Que ilógico.

- Sinto cheiro de raios e morte falecendo está noite. – Sibilou com seus dentes amarelados e pútridos. – E uma filha do vulcão queimando até morrer. – Riu alto e sacou sua espada. Vi uma ferida grande em sua calda da direita, mas ela não seria vencida tão fácil.

Amber já descia do colo de Julia. Seu semblante não mais infantil, mas irritado. Estava muito irritado.

- Deixa eles. – Ela gritou. Julia lhe segurou pelo ombro para impedir que a criança fizesse alguma besteira. – Vai embora de uma vez! Eu cansei de você, sua cobra nojenta! – Ela gritou alto. – VOCÊ MATOU MINHA MÃE! – E foi com essa frase que Amber pareceu liberar algo em seu interior. Algo poderoso. Algo um tanto cruel. Algo incontrolável. Algo desconhecido. Algo que eu nunca havia visto antes.

Algo cheirando a fumaça.

E onde há fumaça, há fogo.

Pois a mulher cobra a nossa frente queimou até sumir em pó dourado.

Amber podia queimar seres vivos até matar.


Notas Finais


E então? Por que as cobras parecem não gostar da Amber? Como assim Junico são pais tão novos? E esse Will e Theo aí? Um shipp cheiroso?
Um shipp cheiroso.
Beijos de luz e até o próximo capítulo.
(Aguardem grandes emoções e mais polêmicas).
SENTA O DEDO EM ENVIAR COMENTÁRIO E VAMOS AMIGAR ;)


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...