História Lights In The Camp - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Afrodite, Annabeth Chase, Apollo, Ares, Artemis, Atena, Bianca di Angelo, Calipso, Clarisse La Rue, Connor Stoll, Cronos, Dionísio, Frank Zhang, Grover Underwood, Hades, Hazel Levesque, Hefesto, Hera (Juno), Hermes, Hylla Ramírez-Arellano, Jason Grace, Júniper, Katie Gardner, Leo Valdez, Luke Castellan, Nico di Angelo, Octavian, Percy Jackson, Perséfone, Personagens Originais, Piper McLean, Poseidon, Quíron, Rachel Elizabeth Dare, Reyna Avila Ramírez-Arellano, Sally Jackson, Thalia Grace, Travis Stoll, Treinador Gleeson Hedge, Will Solace, Zeus
Tags Caleo, Frazel, Heróis Do Olimpo, Jasiper, Os Olimpianos, Percabeth, Percy Jackson
Exibições 32
Palavras 4.845
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Eita!! Desculpem a demora, foi mais de um mês sem postar. E para me redimir, postarei outro capítulo já já. Fiquem ligados ;)
Lembrem-se, eu vou mudar alguns fatos da história original para conseguir encaixar na minha trama, mas nada muito grandioso.
Enfim, é isso.
Beijos de luz

Capítulo 4 - Novas bombas explodem


Fanfic / Fanfiction Lights In The Camp - Capítulo 4 - Novas bombas explodem

Por Júlia Martínez:
  Não saber de nada da sua vida é um saco. Não saber de nada da sua vida por que mentiram pra você é pior ainda. Não que eu estivesse com raiva dos meus pais por esconderem que eu talvez fizesse parte de um mundo sobrenatural, ou sei lá, mas sim por que meu pai não era meu pai. Vivi a vida toda achando que ele era meu pai e de uma hora pra outra, minha mãe diz que tudo aquilo aconteceu comigo por que meu pai de verdade vivia nesse mundo. Eu não entendi muito bem e eles não quiseram me explicar, me pediram paciência e calma para descobrir as coisas gradativamente e reagir a elas com sabedoria. 
Meu. Pai. Não. Era. Meu. Pai.
  Não que a informação de que “o espermatozoide que um dia fui não saiu do meu pai” fizesse alguma diferença na intensidade do meu amor por meu pai. Ele era e sempre será meu pai, não importa se outro cara tenha me gerado. Mas, eu estava confusa. Tinha que começar a listar todas as bombas que explodiram ultimamente, por que acho que meu cérebro não estava conseguindo acompanhar. 
  O trio que provavelmente também eram desse mundo ficou lá em casa pelo restante do dia para irem embora no dia seguinte. E nesse meio tempo, a varanda da minha casa tinha sido meu refúgio, já que com os pensamentos loucos que eu estava tendo, eu precisava de um tempo para reagrupa-los nas casas da sanidade. E foi sentada lá que minha mãe bateu a porta de vidro e a abriu, colocando o pescoço pela fresta.
- Será que você me cederia um pouco do seu tempo, Rainha Vermelha? – Minha mãe sempre me chamava por Rainha Vermelha ou de Copas, de Alice no país das maravilhas, por causa do meu temperamento explosivo. E apesar das dúvidas que eu tinha e da pequena raivinha que eu alimentei por terem mentido pra mim, eu acenei com a cabeça positivamente.
- Claro. – Eu sorri sem vontade, mas não mudei meu tom para o brusco, como eu teria feito diante de qualquer outra mentira deles.
- Está tudo bem aí dentro? – Minha mãe tocou na minha cabeça.
- A senhora sabe que eu nunca estou bem aqui dentro, imagine agora. – Ri um pouco.
- Está muito confusa, não é? – Acenei com a cabeça. – Meu amor, entenda. Não podíamos contar pra você até que fosse a hora. O que você é... Não podia ter sido explicado a uma criança. Você tinha que crescer primeiro para ter idade para compreender...
- Eu entendo, mãe. – Disse com toda a sinceridade presente em meu hipotálamo. – Só que você está acostumada com o chão que pisou por 12 anos e do nada esse chão e tudo nele somem. É meio complicado de eu assimilar tudo isso de uma vez. Eu que peço calma dessa vez, por que meu cérebro é lento. – Ri mais um pouco. Chorar pra quê?
- Fala do seu pai, não é? – Minha mãe me olhou com pesar. – Ele continuará sendo seu pai, só que agora você sabe apenas que ele não lhe gerou. Mas, o resto foi ele quem fez.
- Eu sei, nunca deixaria de amar o papai por isso. É só que eu preciso de tempo pra digerir que ele não é meu pai e que meu pai verdadeiro vive em um universo paralelo a este. 
- Nossa, como você é intensa, Júlia Martinez! – Minha mãe sorriu e retirou o cabelo dos meus olhos. Meus cachos não tinham noção nenhuma de espaço pessoal. 
Olhei para ela.
- Vou conhecê-lo, não é? – Perguntei não sabendo se queria ou não saber a resposta.
- Vai, ele mesmo vai ao seu encontro. Quando for o tempo dele. – Ela me olhou e eu me perguntei quem era ele e como os dois se conheceram. E daí, muitas e muitas perguntas encheram minha cabeça e eu estava louca de novo.
Eu ficava louca com frequência.
- Você não vai xingá-lo ou coisa parecida por ter te “abandonado”, não é? – Ela perguntou, sabendo que eu não iria fazê-lo. 
- Provavelmente sim. – Ri com minha fala e olhei para a floresta para a qual a vista da varanda dava. Eu nunca me cansava dessa vista. – Na verdade, eu não ligo muito por ele ter “me abandonado”. Tive o papai a vida toda, esse outro pai não fez nenhuma falta.
Minha mãe sorriu.  
- Tenho algo a lhe dizer. – A porta foi aberta e meu pai entrou, mas minha mãe não virou-se para olhá-lo, acho que os dois tinham combinado tudo. – Nós dois temos.
 Olhei para o homem que não era meu pai biológico, mas que não deixaria de ser meu pai por esse motivo. Eu o amava do mesmo jeito que o amei desde que o conheço.
- Podem falar, eu aguento. – Ajeitei-me na cadeira para ouvir a próxima bomba.
- Amanhã, quando Quíron, Annabeth e Will forem embora, você vai com eles. – Meu pai falou rapidamente, como se isso fosse mudar a intensidade da minha reação.
COMO É QUE É?
- O quê... – Eu levantei-me e quando fui começar meu discurso, eles me impediram.
- Deixe-nos explicar. – Minha mãe ergueu as mãos e me sentou de volta na cadeira. – Você precisa ir.
- Por quê? – Eu ergui as sobrancelhas com a surpresa daquela proposta.
- Por que é o melhor lugar do mundo para você. Para vocês. – Meu pai sentou-se ao nosso lado e colocou a mão no meu rosto.
- Quem somos nós? Não dá pra vocês me dizerem quem é o meu “pai” – fiz aspas com os dedos – e terminamos com esse suspense. Por que eu quero saber quem eu sou.
Ao contrário o que essa conversa possa parecer, não estávamos gritando. Nós não éramos de gritar.
- Nós sabemos, Júlia. Mas, espere. Você vai entender tudo melhor quando Quíron lhe disser e explicar tudo com particularidades que eu desconheço por não ser como você. – Meu pai afagou meus cabelos e me olhou nos olhos. – Você não é louca e nem um monstro. Você só é diferente.
- Me sinto o Harry Potter. – Fechei os olhos e os apertei tentando não chorar. Eu não tinha motivos, certo? Você não tem motivos pra isso, Júlia Martinez, não seja fraca!
- Você sempre foi fã do Harry Potter. – Mamãe sorriu da minha comparação. – Nós só precisamos deixar você ciente de algumas coisas antes de partir com eles.
- Para onde vamos? – Eu perguntei.
- Essa era uma das coisas, agoniada. – Meu pai disse irônico e olhou para minha mãe.
- Deixe-me terminar dessa vez. – E me repreendeu com o olhar. – Vocês irão para os Estados Unidos, mas especificamente Nova Iorque. Você sabe falar inglês fluentemente, então vai se sair muito bem. 
Tínhamos falado inglês o tempo todo com o trio da “minha espécie”. 
- Por isso vocês insistiram para eu ter aulas de inglês desde cedo, não é? – Ri com as peças que eu ia juntando.
- Sim. – Meu pai riu. – Além disso, Quíron é um velho amigo da sua mãe, então o obedeça. – Bufei. – Entendeu, Júlia?
- Aham. – Disse, e mesmo eu odiando regras, Quíron parecia ser bem bacana.
- Vocês irão para um acampamento. O acampamento Meio-Sangue. É um lugar seguro para vocês.
- Porque...? – Tentei tirar a todo custo alguma informação sobre o que de diferente eu tinha. Eles me olharam feio.
- Lá você irá aprender diversas coisas e irá ficar perto de pessoas como você. Será bom, filha. – Mamãe uniu as sobrancelhas.
- E quando seu pai proclamar você... – Cortei a fala da minha mãe.
- Proclamar? – A confusão no meu rosto era gritante.
- Nem nós sabemos o que isso quer dizer, Quíron só contou partes da sua “iniciação”.  – Papai levantou-se e tirou uma caixinha do bolso. – Aqui dentro tem o resumo de tudo o que você é. Tudo. Sei que você não acredita em amuletos da sorte, mas esse é nosso símbolo. 
Ele me deu a caixinha e eu sorri para o meu pai. Se alguém nesse mundo sabia dar presentes no tempo certo, esse alguém era meu pai. Peguei a caixinha de madeira forrada e abri-a com nervosismo. Dentro havia um colar, sua corrente era preta e simples e nela estava pendurado um pequeno pingente prateado. Peguei-a entre meus dedos e olhei fixamente. O pingente era um M na frente e atrás um G. MG?
- MG? – Perguntei, confusa.
- Você vai entender em breve. – Mamãe sorriu, mas riu com o desgosto estampado na minha cara.
- Adoro esses mistérios de vocês. Isso está parecendo mais um filme de Sherlock Homes. – Revirei os olhos rindo e coloquei o colar em mim mesma. Era lindo, mas simples. Meu pai sabia exatamente como eu detestava coisas chamativas. – Obrigada, pai.
- De nada, Rainha de Copas. – Ele bagunçou o meu cabelo com suas mãos.
Se minha situação fosse um filme, com certeza não teríamos rido tanto. Teríamos chorado e gritado um com o outro. Eu teria feito birra e dito que não iria. Teria gritado e dito que os odiava por terem mentido pra mim. Em outra ocasião, eu talvez teria feito algum desses itens, mas pra quê? Eu os amava independente de tudo. Eles me amavam independente de tudo. Poxa, meu pai tinha me assumido e feito de tudo para ser o pai que talvez o meu pai biológico nunca teria sido. Por que eu deveria ficar com raiva deles? Na real, eu estava com um pouco de raiva e me sentia brava comigo mesma por me sentir assim. Eles fizeram tudo por mim e eu tinha que retribuir. Além disso, eu tinha enfrentado um monstro e matado ele sabe-se lá como. Se eu afastasse as únicas pessoas que me amam total e completamente, fizesse birra e começasse a chorar, onde iriamos parar? Em canto nenhum. Eu não ia ser a personagem de filme que é chatinha e birrenta. Eu seria a personagem que mesmo não estando bem, mostraria que está bem e que iria rir mesmo se a vida der uma rasteira. Na verdade, tenho sido ela há muito tempo, agora é apenas uma pequena extensão desse meu lado em uma nova etapa assustadora da minha vida. Até por que, alguns monstros não podem ser pior do que a puberdade, né? 
Eu não iria ser fraca. A partir do dia de hoje, vendo como meus pais estão aflitos em me deixar ir numa jornada na qual nem eu sei o que vou enfrentar, eu iria fazer valer a pena a minha vitória na corrida com mais de bilhões de espermatozoides. Eu faria valer a pena tudo isso. Até por que, o que vale é aquele ditado: Se a vida te passar pra trás, passe a mão na bunda dela. 
Eu iria passar a mão na bunda da vida e sem a sua permissão. 
Eu ia ganhar esse jogo mesmo eu estando morrendo de medo de enfrentar outro bicho daqueles. Mas, como nos muitos filmes, eu tenho certeza que aquela fúria foi à primeira brincadeirinha de criança que eu iria enfrentar, que viria coisa muito pior. 
Mas, eu iria rir. Chorar não. 

Por Annabeth Chase:
  Caramba, eu estava estática. Estávamos na cozinha logo após os pais de Júlia contarem a ela que seu pai não era seu pai. O clima tinha ficado meio tenso e os três estavam agora lá em cima, mas só ouvíamos risadas. Nada de choro, gritos ou briga. Nada. Se eu queria uma família antes, agora eu queria muito mais. Não que eu pensasse nisso com frequência. Os três haviam descido logo após e todos nós fomos jantar e dormir em seguida. Tínhamos uma grande viagem pela frente. Subimos as escadas e Arthur nos mostrou os quartos de hóspedes. Os quartos dos três ficavam no segundo andar, enquanto havia mais sete portas no primeiro andar. As duas primeiras portas do lado esquerdo pareciam ser quartos normais. Arthur fechou suas portas rapidamente, antes que víssemos, mas pude ver um pouco do primeiro quarto. Tinha as paredes de um azul tempestade, que não parecia ser de hóspedes e sim de algum morador que não ia lá há algum tempo. Não havia nada singular também, era como um quarto esperando o retorno do seu dono que levara todos os pertences consigo. As portas da frente eram banheiros. Haviam mais dois quartos, um de cada lado e um na parede do final do corredor. Todos os três eram quartos de hóspedes. Meu Deus, eles eram podres de ricos ou o quê? Will e eu ocupamos dois dos três quartos de hóspedes. Apesar da quantidade de quartos, todos eram de tamanhos bons, mas nada muito exagerado. Grande, mas modesto. Quíron ficou no térreo, por causa da cadeira de rodas. Não queríamos assustar Júlia ainda aqui. Deitei-me na cama e não consegui pregar o olho tão cedo. A imagem que eu projetei na minha cabeça do sonho de Amélia rondava meu subconsciente toda vez que eu fechava os olhos. Pensei onde Percy estaria agora. Curtindo o resto das férias, com certeza. Já que agora passaríamos todo o ano letivo no acampamento, ele ia voltar em poucos dias, assim como todos. Com a batalha contra Cronos se aproximando, tínhamos que ficar espertos. 
Estava quase pegando no sono quando alguém bateu a porta.
- Sim? – Levantei meio mal humorada e uma voz ressoou do outro lado da porta.
- Está vestida? – Will perguntou rindo.
- Entra, Solace. – Eu disse revirando os olhos e rindo.
- Posso falar com você rapidinho? – Ele fez um sinal com os dedos indicando “pouco” e eu assenti, fazendo-o entrar.
- O que houve?
Ele sentou-se na cama ao meu lado.
- Fiquei pensando em Júlia o tempo todo e não consegui dormir. – Ele passou as mãos pelos cabelos loiros e bufou, frustrado.
- Apaixonou mesmo, hein? – Ri e dei um empurrãozinho no seu ombro.
- É sério, Anne. – Will riu e me olhou intensamente. – Acha que ela é filha de quem?
- Por que isso te deixou tão preocupado?
- Ah, você sabe. Se ela for de um dos três grandes... 
- Eu duvido muito. – Balancei a cabeça.
- Por quê?
- Júlia não parece nenhum pouco com Hades. É muito livre e louca para ser de Zeus. A menos que ela também seja filha de Poseidon. – Pensei um pouco a respeito.
- Ela parece muito com Thalia. Não na aparência, na ousadia e falta de papas na língua sim. Além disso, ela lembra Percy. 
- Talvez, mas a mãe de Thalia é outra. Acha que Zeus se relacionou com as duas na mesma época? – Agora eu estava encucada. – Acho que ela seja filha de Ares, tem o mesmo temperamento.
Will riu.
- Ela poderia ser filha de Apolo, é tão linda quanto. – Ri do comentário nada a ver de Will. – Não que beleza seja nossa única especialidade. - Ele piscou com um dos olhos e nós rimos. Will era um bom amigo.
- Também tem Hefesto. – Will me olhou como se eu fosse louca. - Ela tem a mesma autoestima deles. Não sei por que eles se colocam tão pra baixo. – Fiquei mal ao lembrar como os filhos de Hefesto cobravam e reclamavam de si mesmos. 
Estávamos só chutando. Pois, não tinha como sabermos. Vários semideuses não pareciam em nada com seu pai ou mãe Olimpiano. 
- Se ela for filha de um dos três grandes... – Will me olho com pesar.
- Sim, é bem perigoso pra ela.
- Ela reagiu bem para uma adolescente de 12 anos que descobriu que monstros existem e que seus pais mentiram pra ela. 
- É, ela é bem incomum. Acho que eu teria surtado. 
- Que nada, você é tão controlada e centrada. Não teria surtado. E outra, você lutou com monstros com apenas sete anos. – Will disse e me deu um empurrãozinho com o ombro.
- Mas, nenhum era Tisífone e eu não explodi uma companhia de energia pra mata-la. – Ri com desgosto ao lembra-me de tudo o que eu, Thalia e Luke passamos.
- Bom, veremos em breve. Agora, vou dormir. Só queria me livrar do pensamento de que ela não era uma dos três grandes. – Will bocejou e me olhou.
Nos olhamos intensamente.
- Eu espero profundamente que ela não seja. – Eu disse e ele assentiu, saindo do quarto.
Pois se ela fosse, eu sinto muito.  
...
De manhã, desci as escadas maravilhosas da grande casa dos Martinez. Aliás, aquele era um sobrenome bem bonito. Eu achava sobrenomes latinos extraordinários. Cheguei à sala e a casa estava silenciosa. Fiquei constrangida por estar andando sozinha na casa de estranhos, então me virei e quando ia subir as escadas novamente, ouvi passos atrás de mim.
- Hey. – Júlia disse e eu a olhei. Ela agora vestia uma calça jeans escura, uma blusa com formas loucas coloridas, mas apenas com cores escuras, e um allstar cinza. Os cabelos puxados em um rabo de cavalo e óculos escuros preso a blusa. Ela era uma mistura de “paz e amor” com “não repare em mim”. Era um estilo bem complexo. Ela percebeu que eu reparei na roupa dela e sorriu. – Eu sei que parece confuso, mas eu nunca consigo me decidir. 
Ela andou até a cozinha com uma xícara nas mãos. Acho que era café. Hum, eu queria um pouco de café.
- Se decidir em quê? – Perguntei, confusa e fui atrás dela. Eu estava com uma calça jeans cinza, allstar preto e uma blusa azul que as pessoas diziam que destacavam meus olhos. Havia uma bancada no meio da cozinha, com cadeiras ao redor. Sentei-me assim como ela, em duas das cadeiras, uma de frente pra outra. 
- Se uso roupas “de humanas” ou roupas mais estilo “tumblr”. – Ela fez uma cara confusa se era isso mesmo. 
- De humanas?
- É, estilo hippie. Eu gosto bastante dos dois estilos. Como não sei o que usar, uso os dois e dá eu. Sei lá, eu sou bem confusa às vezes, vocês devem achar que eu sou louca e mimada. – Ela colocou uma xícara de café pra mim. 
- Se você fosse mimada, teria feito um escândalo daqueles. Você só aceitou de bom grado. 
- Detesto escândalo. – Ela riu.
- Então não é mimada. Eu vou te apresentar alguém realmente mimada quando chegarmos ao acampamento.  – Eu revirei os olhos ao lembrar dela.
- Hum, trabalho com nomes. – Ela estreitou os olhos e ri da sua fala.
- Drew Tanaka. Você vai ver. Ela é um porre. – Ri disso e bebi meu café.
- É legal lá? – Júlia perguntou e eu assenti. 
- É o melhor lugar do mundo. – Sorri com as lembranças. – Tenho um amigo chamado Percy, vou te apresentar. Vocês são bem parecidos. 
- Sério? – Júlia perguntou e colocou a xícara na pia da cozinha. – Por que somos parecidos?
- Por que vocês dois tem um jeito debochado e uma língua que não para.
- Ai, todo mundo diz que eu tenho uma língua afiada. – Ela fez cara de desgosto. – Devia ter um filtro.
- Não, essa sua sinceridade é legal.
- Você é sincera e tem algumas papas na língua.
- Algumas?
- Eu não sou a única meio afiada daqui. A diferença é que eu passo dos limites. – Ela abaixou o olhar.
- Passa como?
- Eu digo coisas que deveria guardar pra mim e isso machuca os outros. Você parece ser inteligente demais pra qualquer peripécia. – Ri com essa fala.
- Inteligente para não falar besteira? – Ri mais um pouco e ela me acompanhou. – Sou mestra em falar coisas das quais eu não devia. Principalmente com Percy.
Parei de falar. Droga. Ela vai achar que gosto dele ou coisa parecida.
- Todo amigo fala coisas pro outro das quais não devia. Amigo de verdade fica e escuta a verdade. Se não fosse isso, eu perderia o Theo em dois tempos. – Fiz uma careta ao não ouvir “hum, Percy é seu namorado é?”. - O que foi?
- Não, nada. É que todo mundo quando me ouve falar do Percy acha que a gente namora ou eu gosto dele. – Fiz careta.
- Te entendo, as pessoas romantizam demais eu e o Theo. Não sei por que. – Ela deu de ombros.
- Esse Theo era o que estava com você na companhia de energia? 
- É o que está comigo em tudo. Theo é o meu melhor amigo há sete anos. – Ela fez cara de tristeza.
- Vai falar com ele antes de ir? – Perguntei já esperando a resposta.
- Não, os pais dele estão meio receosos comigo. Acham que eu sou perigosa. – Ela bufou e abriu a geladeira cinza escuro, procurando algo lá dentro. – Talvez eu seja.
- Ei, eu também sou perigosa às vezes. Todos nós somos, por causa dos poderes...
Merda! Eu não deveria ter dito ainda! 
- Poderes? – Ela perguntou, chocada.
A conversa fluía tão facilmente com ela que eu estava ficando sem filtro. Que droga!
- Eu não devia ter dito. Desculpe, mas vai ser melhor se o Quíron explicar tudo. – Levantei da cadeira e olhei fixamente pra ela. – Mas, sim. Temos poderes.
Ela estava de queixo caído e me analisava pra ver se eu não estava mentindo.
- Eu realmente devo estar louca. – Júlia riu e me jogou uma maçã. – Vou pegar minhas malas.

Por Will Solace:
  Eu detestava despedidas e pelo visto Júlia também. Seu semblante estava escuro e indecifrável. Ela segurava a mala com força, mas sorria para os pais como se estivesse tudo bem. 
- Fale conosco pelo computador do acampamento e não desafie as regras. – Amélia disse séria e Júlia riu.
- Nem umazinha? – Ela riu da reação da mãe. – Ok, ok. Sem passar dos limites. 
- E por favor, não morda ninguém. – Foi a vez do Arthur.
- Vou tentar. – Júlia riu e abraçou os dois. 
- Nos vemos daqui a um tempo. – Amélia disse enquanto já colocávamos as malas dentro do carro.
- E tome cuidado. – Arthur olhou no seu olho quando disse isso. Eles tinham uma sintonia familiar incrível. 
  Annabeth entrou no banco da frente do táxi e eu e Quíron no banco de trás, enquanto esperávamos os três se sentirem a vontade para partirmos.
Eles se abraçaram e trocaram alguns “eu te amo”. 
- Tudo bem. Vou tentar sobreviver. – Ela sorriu e entrou no táxi, junto conosco. Assim que fechou a porta, escutamos um “espera”.
Olhei pela janela e vi um garoto loiro, alto e muito bonito, correndo até nós. 
- Theo! – Júlia disse e saiu do carro a mil. Ao se encontrarem, os dois se abraçaram e ela riu. – Achei que ia pra os Estados Unidos sem falar com você.
- Na verdade você vai quebrar nossa promessa e ir pra os Estados Unidos sem mim. – Theo riu e a abraçou de novo.
- Nós vamos pra Las Vegas, eu prometo. – Ela sorriu e deu um soquinho no braço dele.
- Não estamos sabendo disso... – Amélia disse, fingindo estar brava e eles riram.
- É um segredo, vocês não sabem disso. – Theo falou e olhou pra Júlia. - Não faça algum melhor amigo lá a ponto de me trocar. 
- Não irei, ninguém vai aguentar ver Friends e falar todas as falas junto comigo. – Júlia riu. 
- É verdade, eu sou demais. – Theo fingiu grande reconhecimento de si mesmo.
- Gente, avisem ao Theo quando forem me chamar no acampamento. Pra eu falar com todos vocês algumas vezes. – Júlia pediu e o casal assentiu.
- Não arrume alguma melhor amiga a minha altura. – Júlia estreitou os olhos pra ele. 
- Não tem gente tão chata aqui no Rio a esse ponto. – Ele riu enquanto ela entrava no carro e fechava a porta. 
Antes de darmos partida, os dois gritaram “how you doing?” um pro outro. Não entendi o que aquilo significava.
- How you doing? – Perguntei a ela e Júlia me olhou.
- Essa é A frase de Friends. – Júlia riu e nós começamos a longa viagem até o aeroporto do Rio de Janeiro. 
De uma coisa eu sabia, esse Theo precisava visitar Júlia nos Estados Unidos.
...
Por Júlia Martinez:
  Como aquele lugar era ENORME. E lindo. Eu estava chocada. Tudo ali parecia mágico, mesmo ali sendo um acampamento e não Hogwarts. Eu queria explorar tudo, desde a floresta e chalés, até os hipódromos e forjas. Eu tinha estranhado um pouco esses nomes antigos, mas parei de pensar nisso. Annabeth disse que eles também tinham biblioteca e que o chalé dela tinha vários livros. Estávamos caminhando pelo acampamento, eu e ela, e eu tinha tantas perguntas sobre tudo.
- Onde eu vou dormir? – Perguntei e ela me olhou em dúvida. Acho que ainda estava com medo de falar algo que não devia, ela parecia tão controlada pra ter esse medo. 
Eu não estava necessariamente animada. Estar naquele lugar, mesmo lindo e gritando para que eu explore, aquilo significava estar longe dos meus pais e que mais monstros viriam. Também não estava com medo, eu nunca fui muito de ter medo. Ali parecia ser seguro, mas se eles se reúnem ali, uma hora eles tem que sair e enfrentar coisas lá fora, certo?
- Chalé onze, Hermes. – Annabeth me olhou fixamente como que esperando minha reação.
- Hermes? Não é o deus grego? 
- Sim, ele mesmo. – Uniu as sobrancelhas.
- Forjas, chalés, Hermes, vocês colocam nomes antigos e mitológicos em tudo por aqui? – Eu estava confusa e meu tom era de real dúvida.
- Somos mitológicos, Júlia. Eu, você, esse lugar. Tudo e todos aqui tem a ver com os deuses que a Grécia antiga cultuava. – Ela disse rápido, mas com cuidado ao dizer.
- É uma espécie de RPG ou algo do tipo? – Ri sem humor. 
- Não. É real. – Assentiu com a cabeça e seus brilhosos cabelos loiros balançaram com o movimento. 
- Você só pode estar brincando. – Ri novamente pra esconder minha surpresa. Por que ela brincaria com isso?
- Annabeth está dizendo a verdade, Júlia. – Quíron apareceu, mas não mais na cadeira de rodas. Ele agora era um cavalo. Eu ia desmaiar. - Não se assuste. – Ele riu da minha expressão. – Antes que pergunte, sou um centauro.  
- Tipo daqueles das histórias de Hércules e da mitologia romana e grega? – Perguntei abismada.
Ele era um CAVALO. Eu devo ter chegado ao nível máster de loucuras pra um ano apenas. 
- Sim, eu mesmo conheci Hércules. – Quíron disse e não parecia estar brincando. 
- Eu tenho a leve impressão de que você está falando sério. – Ri de nervoso e olhei novamente para as pernas traseiras de Quíron. Seu pelo era branco feito a neve. Eu sempre fui apaixonada por cavalos, mas um homem cavalo era demais pra minha cabeça. Essa semana merecia um prêmio de bizarrices descobertas aleatoriamente.
Quíron e Annabeth riram das minhas reações. 
- Vamos pra casa grande e depois Annabeth te leva para um passeio digno pelo acampamento. – Ele me estendeu a mão e eu a segurei, caminhando ao seu lado até a chamada casa grande. Eu ainda não tinha entrado nela, na verdade eu tinha a impressão de que era o primeiro lugar para onde eu devia ter ido e não sair por aí. Minha culpa.
- Ok, essa é a hora em que você me diz o que somos, eu fico chocada, desmaio, vou pra enfermaria, dias depois acordo, me toco de onde estou, desmaio de novo e o ciclo se repete? – Perguntei tentando fazer graça. Quíron riu e me olhou com alegria nos olhos. 
- Você me lembra muito a sua mãe. É tão divertida quanto. – Quíron não tinha soltado da minha mão, apenas me guiava por entre os campistas.
Ah, os campistas. Essa era uma coisa que eu tinha esquecido de comentar no meu diário mental. Havia MUITOS adolescentes ali, todos olhavam pra mim estáticos. Eu andava um pouco e eles cochichavam enquanto olhavam pra mim. Isso devia ser bem normal para novatos, pois Quíron nem pareceu perceber ou ligar para eles. Apenas andou comigo até uma casa de madeira que tinha uma placa escrito “Big House”. 
- Esta é a casa grande. Onde fica o óraculo e digamos, é o “centro de administração” do acampamento. – Assenti enquanto ele falava. Espera, oráculo? – É aqui que tem o computador que seus pais falaram. Você pode se comunicar com eles algumas vezes no mês.
Algumas vezes? Oráculo? Quê?
- Oráculo? - Perguntei, apertando os olhos para ver melhor o lugar.
- Isso eu já respondo. Agora venha, vamos lhe apresentar ao Sr. D. 
Subimos a varanda da casa grande e Quíron apontou para uma das cadeiras de madeira. Sentei-me e ele ficou apenas me analisando por uns minutos. 
- O que vou lhe dizer agora, Júlia, vai te assustar de verdade. Mas, você se acostuma. Uma hora, a ficha cai e você inicia suas atividades normalmente aqui no acampamento. – Ele cruzou os braços a frente do corpo e me olhou fixamente.
- Estou pronta. – Olhei pra ele e fiz minha melhor cara de coragem. Ai, como eu era boa atriz. 
- Você é uma semideusa. – Quíron disse devagar, com os olhos estreitos. 
- Semi...?
Semideusa? Ele está brincando comigo? SEMIDEUSA?


Notas Finais


E então? O que acharam? Ia colocar o Nico Maravilhoso Di Angelo nesse capítulo, mas encaixei ele melhor no próximo.
Comentem o que acharam, por favor!!
Beijos de Luz


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