História Lights In The Camp - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Percy Jackson & os Olimpianos
Personagens Afrodite, Annabeth Chase, Apollo, Ares, Artemis, Atena, Bianca di Angelo, Calipso, Clarisse La Rue, Connor Stoll, Cronos, Dionísio, Frank Zhang, Grover Underwood, Hades, Hazel Levesque, Hefesto, Hera (Juno), Hermes, Hylla Ramírez-Arellano, Jason Grace, Júniper, Katie Gardner, Leo Valdez, Luke Castellan, Nico di Angelo, Octavian, Percy Jackson, Perséfone, Personagens Originais, Piper McLean, Poseidon, Quíron, Rachel Elizabeth Dare, Reyna Avila Ramírez-Arellano, Sally Jackson, Thalia Grace, Travis Stoll, Treinador Gleeson Hedge, Will Solace, Zeus
Tags Caleo, Frazel, Heróis Do Olimpo, Jasiper, Os Olimpianos, Percabeth, Percy Jackson
Exibições 19
Palavras 3.818
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Heeey! Não demorei tanto dessa vez, ainda bem! Mas, esse é o episódio onde finalmente Júlia e Nico se encontrar. U_U
Espero que gostem.
Beijos de luz

Capítulo 5 - Nossos santos não bateram


Fanfic / Fanfiction Lights In The Camp - Capítulo 5 - Nossos santos não bateram

Por Júlia Martínez:

Ou eu tinha comido algo estragado no dia anterior ou tinha acabado de ouvir Quíron dizendo que eu sou semideusa.

Escolho a primeira opção.

- Sim. Por isso Annabeth disse-lhe que somos mitológicos. Por isso você pode ver que eu sou um centauro. Por isso você enfrentou Tisífone. Somos seres “mitológicos”. – Era impressão minha ou toda vez que ele dizia mitológico, seu rabo balançava nervosamente?

- Isso só existe em livro de história, não? Quíron, é muita doideira. – Eu parei um tempo e encarei o nada. Meu cabelo voava por cima dos meus olhos e eu não me importava se ele estivesse bagunçado.

EU ERA UMA SEMIDEUSA. O-M-G! É, está tudo bem com meu estômago.

- Seu pai é um deus e sua mãe uma mortal. Da união dos dois, surgiu você. Mas, receio que você saiba de muita coisa de mitologia.

- É. Meus pais me contavam histórias de tempos em tempos. – Lembrei-me de algumas histórias de heróis e monstros. Deuses e armas. Espadas e arco e flecha.

Tudo isso era real?

Não podia ser. Era tudo mitologia, certo? Errado.

 - Eu sou mesmo uma semideusa? – O encarei. As árvores de fundo balançavam com o vento. O cheiro de morangos invadiram meu nariz. A paisagem estava calma demais para uma informação daquelas. Semideusa? Eu?

- Sim. Você é. Bla bla bla. Acostume-se com a ideia de uma morte dolorosa e lenta que você terá antes dos vinte e cinco anos. – Uma voz ressoou atrás de nós me fazendo virar. Um homem barrigudo com uma blusa havaiana, cabelo grande e barba mal feita segurava uma diet coke com a mão esquerda. Ele tinha uma expressão zangada no rosto e ao mesmo tempo, indiferente. Quíron cruzou os braços para ele. – O que foi? Você enrola demais nessa história de apresentação, Quíron.

- Ele com certeza explica melhor do que você. – Minha boca soltou antes que eu pudesse segurar. Eu e minha boca grande. Olhei para Quíron e ele sorriu pra mim.

- Júlia, este é o Sr. D. Esse nome vem de Dionísio. – Quíron apontou para o mesmo que sorriu debochado pra mim.

O DEUS DIONÍSIO?

- Agora, você vai mudar seu tom de falar comigo, não é? – Ele sorriu e eu fechei a cara.

- Se eu fosse um pouco instável, seu jeito de falar teria me enlouquecido. Uma hora alguém instável vai chegar aqui e você vai assustá-lo. – Eu disse, num tom cuidadoso, mas com uma pitada de raiva.

Ele era meio arrogante ou era impressão?

- Não ligo, campistas idiotas. – Sr. D ou Dionísio sentou-se em uma cadeira e abriu a diet coke.

- Não ligue pra ele, Júlia. – Quíron chamou minha atenção de volta e eu sorri pra ele.

- Pode me chamar de Ju, Quíron. Eu não gosto muito do nome todo. Parece que você está brigando comigo. – Sorri pra ele e me levantei pra ficar o mais longe possível daquele ogro-deus.

- Ok, vamos dar um passeio por aí. Annabeth gostou muito de você e quer te apresentar os outros lugares. – Quíron me estendeu a mão e eu o segui.

Eu também tinha gostado muito da Annabeth.

- Tchau, campista instável. Foi um desprazer. – O Sr. D falou sem olhar pra mim.

- Posso dizer o mesmo, Sr. Arrogante. – E virei as costas, correndo ao lado de Quíron.

- Tem que ter cuidado com o que fala com os deuses, Júlia. Dionísio não se importa com insultos, mas nem pense em falar um desses para Ares ou Hades. Por que o bicho pega.

- Eu nunca consigo segurar a minha língua. – Me xinguei internamente. – Vou morrer nas mãos de um desses deuses rapidinho, desse jeito.

Quíron riu.

- Sua sinceridade é fascinante. – O homem-cavalo disse-me.

- Sua gentileza também. – Sorri e olhei ao redor.

Mais olhares e cochichos de campistas. Dessa vez, eles riam.

- Voltando ao assunto. – Quíron sorriu e galopou mais para perto de mim e eu andei mais rápido par acompanha-lo. – Você é uma semideusa, Júlia. E uma das poderosas. Tisífone não perderia seu tempo com algum semideus que ela não quisesse realmente.

- Ela pode me querer por que eu sou útil em algo, não preciso ser necessariamente poderosa, certo?

- Errado. É algo que você precisa aprender. Você tem MUITO o que aprender sobre nosso mundo. Mas, monstros, quanto maiores e mais perigosos forem, mais forte e poderoso é o semideus a quem eles perseguem. Tisífone é uma fúria, trabalha pra Hades no mundo inferior. E é a mais temida das três fúrias. Ela não foi atrás de você por qualquer coisa.

Uou, calma lá!

- Ok, Quíron. É muita informação pra minha cabeça. Vai com calma. – Eu ri e ele riu comigo. – Eu sou uma semideusa? Tipo, das histórias das minhas aulas de filosofia? E eu sou poderosa?

Ele assentiu.

- Quais meus poderes? – Perguntei, mesmo aquela loucura não fazendo nenhum sentido na minha cabeça.

- Não sabemos ainda, você precisa ser proclamada.

Fiz cara de paisagem. E uma paisagem feia.

Quíron gargalhou.

- Seu pai vai proclamar você quando achar que é a hora. Após isso, irá até o chalé dele onde será sua nova casa e passará a usar seus poderes relacionados a ele para ajudar no acampamento e na guerra.

- Guerra? – Eu precisava ir ao banheiro.

- Sim. Mas, isso é assunto para outra hora. – Ele andou até a minha frente e me olhou fixamente. – Precisa tomar cuidado, Júlia. Tisífone não é um bom sinal, não sabemos o que ela queria com você e por que ela queria isso, mas como aqui é um lugar seguro, vai poder treinar para quando ela voltar.

Voltar? Eu não tinha matado-a?

- Mas, ela morreu. – Minha voz esganiçou.

- Os monstros nunca morrem, eles apenas vão para o Tártaro e se regeneram. Isso leva tempo, mas com Cronos se aproximando, não sabemos como está essa regeneração dos monstros. – Quíron olhou para o horizonte, onde enxergávamos os campos de morango e um lago que me convidava pra dar uma nadada.

- Cronos? O titã? – Perguntei, com o queixo caído. – Ele existe mesmo?

- Todas as histórias que ouviu são reais. Todos os monstros, deuses, titãs, semideuses, heróis, seres mitológicos. Tudo é real.

Tudo é real.

Eu estava zonza.

- Você vai aprendendo tudo com o tempo. Agora, vou lhe dar suas instruções de iniciante para você ajeitar-se no chalé de Hermes e ir comer no refeitório. – Quíron começou a falar sobre muitas coisas do acampamento.

Para onde eu tinha que ir. As atividades que teríamos. Como eu deveria explorar todo tipo de atividade para meu pai-deus me notar e pra saber em que era boa. Os horários e as regras. Ele até tinha dito que o oráculo podia mesmo prever o futuro e fazer profecias.

Tudo aquilo era real.

Tudo.

...

Por Annabeth Chase:

Júlia andava ao meu lado com olhos curiosos. Tudo ela observava e perguntava. Ela queria saber de tudo e até mais do que precisava. Eu não podia imaginar algo que fugisse do olhar daquela garota.

- Cadê o seu amigo, Percy? - Júlia dirigiu a palavra a mim enquanto caminhávamos até o chalé de Hermes. Ela ainda parecia estar estupefata por causa das novas notícias sobre ela. Eu não estaria diferente.

- Ele está chegando, Júlia. - Eu falei entre um sorriso que não consegui segurar. Há uns tempos, eu tinha beijando Percy. E mesmo dizendo para todos, inclusive a ela, que eu não gostava dele, no fundo sabia que eu nutria algum sentimento forte. Porém, eu não sabia como lidar com isso e nem como contar a Percy. - Daqui a uns dois dias você conhecerá o furacão alegre e afiado - olhei pra ela de maneira maliciosa indicando que ela era igualzinha - que é Percy Jackson.

Ela riu de mim assim que pisamos nos degraus do chalé onze.

- Pode me chamar de Ju, Annabeth.

- Só se me chamar de Anne.

- GAROTA NOVA! – Alguém gritou lá de dentro e Connor Stoll saiu do chalé onze, sorridente. Seu cabelo ruivo brilhava com o sol e seu sorriso era travesso. Como sempre.

Todos saíram do chalé, como sempre faziam, para ver a garota nova. Júlia sorriu meio desconfortável.

- Júlia, esse é Connor Stoll, conselheiro chefe do chalé de Hermes. – Apontei para o ruivo sorridente, que se aproximou de Júlia e segurou sua mão, beijando-a. - Connor, essa é Júlia Martínez.

Ju olhou para a sua mão, onde o beijo de Connor Stoll foi depositado.

- Suspeito que você não costume fazer isso, já que todos estão olhando pra você surpresos. – Ela riu e ele sorriu convencido. – Quer um conselho? Continue sem fazer. É tão século IXX.

Ele gargalhou da brincadeira dela. Se tinha alguém que levava tudo na brincadeira, esse alguém era Connor. Ela riu também e pôs as mãos dentro dos bolsos, meio tímida.

- Acho que temos uma filha de Ares, pessoal. – Ele riu e Júlia mostrou-lhe a língua.

- Acabei de chegar, mas sei quem é Ares. – Ela deu uma risadinha e olhou pra mim. – Vai ficar aqui também?

- Não. Só novatos e filhos de Hermes podem dormir aí. Eu durmo no chalé de Atena. – Eu disse, enquanto via como todos estavam olhando curiosos pra Júlia. Eles sabiam. Pelo sotaque, pelo jeito, pelo sobrenome. Sabiam que ela não era daqui. Júlia seria o centro das atenções por um logo tempo.

Ju me olhou maravilhada.

- Sua mãe é Atena? – Ela perguntou, enquanto Connor e Travis mandavam todo mundo sair dos arredores de Júlia, silenciosamente.

- Sim.

- Eu a adoro. Acho-a a segunda deusa mais incrível. – Ela retirou a mão dos bolsos e tirou os cachos do rosto.

- Quem é a primeira? – Queria dizer-lhe que Atena não era perfeita, assim como TODOS os outros deuses. Mas, ela ainda era nova no nosso mundo.

- Ártemis. – Suas bochechas coraram sem ela autorizar. – Acho que ela é a mais forte. Não sei por quê.

Sorri pra ela por que eu achava a mesma coisa.

- Desculpem atrapalhar, mas preciso roubar a Júlia por um momento. – Connor se aproximou de nós e eu assenti. Eles tinham assuntos a tratar. Jú me olhou, curiosa.

- Ok. – Sorri pra ela. – Só toma cuidado pra não se meter em encrenca.

Olhei diretamente pra Connor. Ele levantou as mãos, em defesa.

- Cuidado pra não ficar soterrada por livros. – Júlia disse. Como ela sabia que eu ia ler nesse exato momento? Eu era transparente, ou o quê? – Não sem mim.

Ela gargalhou.

Eu finalmente tinha achado alguém que talvez se tornasse tão importante quanto Thalia.

Por Connor Stoll:

- Então, eu soube que você é sincera ao extremo. – Falei para a garota novata que tinha olhos reluzentes. Eram tão verdes que hipnotizavam.  

- Quem disse isso? O Sr. D? – Ela perguntou, revirando os olhos.

- Não é só você que o acha irritante. A diferença é que com vinte minutos, você fez algo que eu quero fazer a anos. – Andei com ela até o final do chalé enquanto mandava olhares de advertência para meus irmãos, curiosos.

- Eu não devia ter feito aquilo. – Ela pareceu realmente chateada com o que disse. – As pessoas sempre dizem que minha sinceridade é linda. Eu a acho cortante e cruel.

Outch.

- Olha, eu não te conheço. Mas não acho que você seja cruel. – Soltei e ao contrário do que parecesse, eu não estava nem um pouco afim dela. Ela era linda, mas parecia não ser do tipo que aceita qualquer ladainha.

- Espera só. – Ela riu, desgostosa.

- Essa é sua cama. – Apontei para a cama de cima de um beliche, um dos últimos do lado esquerdo. – Nós não tínhamos camas vazias, até algum tempo.

Disse lembrando-me da batalha após o labirinto se revelar. Que trágico.

- Alguns foram embora do acampamento? – Júlia perguntou, inocentemente. Pobre, Júlia. Ela ainda ia aprender tanto.

- Foram embora da terra. – Eu sei que não era a melhor maneira de eu me expressar, mas eu sempre escolho a coisa mais inconveniente pra dizer. Mal de filho de Hermes. Droga!

- Que droga. – Ela pareceu bem desconfortável e sincera ao mesmo tempo. – Eu sinto muito.

- Obrigado. – Agradeci e apontei para alguns lugares do chalé, explicando-lhe coisas básicas. Inclusive, como reagir às coisas dos meus irmãos. Nós sabíamos ser bem loucos, às vezes.

Ela riu, olhando ao redor.

- AC/DC? – Ela me olhou, sorrindo grandiosamente enquanto apontava para o pôster de AC/DC na parede do chalé.

- Você ouve? – Perguntei.

- Claro que sim, pra mim são a melhor banda de rock.

- Eu espero que você seja nossa irmã. – Ri com ela e continuamos a caminhada pelo chalé.

Por Nico Di Ângelo:

  O suor que escorria por minha testa era uma consequência. Após uma série de exercícios, eu estava pronto para correr em volta do lago. Estava de noite e eu torcia para que as harpias não me comessem vivo. Ninguém sabia que eu corria a essa hora, isso era um segredo meu e do céu escuro, que me acalentava bem mais do que os sorrisos humanos que andei recebendo nos últimos tempos, logo após a morte dela. Cruel? Desculpe. Nunca fui uma das pessoas mais otimistas e isso é um defeito quase mortal. Começo a correr silenciosamente, o que é minha especialidade, e a imagem de um momento de horas atrás me volta à cabeça. Lá estava eu, as duas da tarde, indo até o chalé de Apolo para pegar mais filmes para minha Polaroid* que Arthur conseguia pra mim escondido de seus irmãos. Era um hobbie secreto, acho que nem o Arthur sabia que era pra mim, ou se sabia, não comentava. Entrei no grandioso, feliz e claro chalé quando olhares focaram-se em mim. E antes de eu olhar fixamente, eu já sabia. Os olhares de pena e de “vai ficar tudo bem” estavam ali, no rosto de todos. Não me levem a mal, mas eu sou do tipo que sofro em silêncio. Mas, silêncio não é algo típico dos filhos do deus do sol. Após exatas seis pessoas virem me cumprimentar e falar coisas como: “você vai superar”, “ela foi para um lugar melhor” e “você precisa ficar bem, não pode se deixar abater”, consegui escapar e pegar os filmes rapidamente para sair fora dali. Sou grato pela atenção e preocupação de todos. Mas, está doendo? Não quer levantar a cabeça? Não levante. Não há problema nenhum em se recuperar enquanto ainda está no chão. Não precisa sorrir só para aliviar as pessoas que pensam que dizendo frases feitas vão LHE aliviar.

Você. Pode. Sentir. Dor.

É normal. Não faço a menor ideia do porque as pessoas insistem em não querer sentir dor. Não estou dizendo para procurar sentir dor como um masoquista. Estou dizendo que quando você se machuca e a dor está lá, ela tem um propósito. Te ensinar algo, talvez. Sinta-a. Não há pecado em um pouco de dor quando se está triste e destruído. Mas, quando ela passar, vai deixar uma cicatriz. E quando essa cicatriz se fixar, você vai escondê-la, pra ninguém saber o que pode te derrubar e seguir em frente. Vai compartilhá-las apenas com os mais próximos. Amigos. É pra isso que eles servem, pra segurar o céu com você. E depois de tudo isso, vai levantar e sorrir. Mas, não para aliviar os outros. E sim porque você está finalmente aliviado. Fazia meses desde a morte de Bianca e eu estava de volta ao acampamento. Após a batalha contra o exército de Cronos e a destruição do labirinto de Dédalo, eu tinha decidido ficar. Talvez por um tempo, dessa vez. Corro mais rápido. O vento sopra contra mim e o suor em minha testa vai de encontro ao meu cabelo. Sei que é típico dos filhos de Hades, mas não há nada mais bonito do que um céu escuro com estrelas. Um céu ensolarado pode até ser legal, mas nada se compara ao mistério que um céu negro representa. Corro mais rápido, consigo ouvir meu coração batendo forte. A excitação por fazer algo que eu gosto estava de volta. Eu adorava correr. Acho a melhor sensação física que se pode ter através de exercícios. Diminuo os meus passos ao ouvir um barulho. Não o da água batendo na areia do lago ou o som das folhas nos galhos das altas árvores ao meu redor. Um barulho de passos. Passos rápidos. Olho para os lados e não vejo ninguém ou nada que pudesse originar o barulho. Até que vejo uma silhueta correndo até a beirada do lago e ajoelhando-se na areia molhada. A silhueta tinha cabelos longos. Uma garota. Aproximo-me devagar, para que ela não se assuste. Ela produzia um som baixo, como se estivesse chorando. Droga, detestava ver pessoas chorando. Não sabia como reagir. Cheguei devagar ou ao menos tentei. Ela virou-se rapidamente e como eu estava perto o suficiente, me deu um chute no meio das minhas pernas. Merda. Aquilo estava doendo como um inferno.

- Oh Deus, desculpe! – Ela disse e olhou pra mim apavorada. – Eu pensei que você fosse um monstro ou...

- Tudo bem. – Eu disse ajoelhado e com as mãos nos meus países baixos. – Sei como é ser um estrangeiro.

Respirei fundo para me recuperar da dor lancinante que subiu por minha espinha e levantei com dificuldade. Enquanto eu estava no chão, ela enxugou as lágrimas do rosto. Acho que eu não devia ter chegado naquele momento.

- Como sabe que eu sou estrangeira? – Ela perguntou com as sobrancelhas unidas e as mãos juntas. A voz fraca, por conta do choro, esganiçou um pouco.

- Americanos não usam cachecol nessa época do ano. – Apontei para o cachecol vermelho no seu pescoço, rindo debochado. O deboche tinha se tornado meu parceiro nos últimos tempos.

- Minha mãe me obrigou. – Ela retirou o cachecol do pescoço fazendo seu cabelo se movimentar, falando com um tom arisco. Os cachos que eu não tinha percebido davam um volume legal ao seu cabelo. – Espera, você também é estrangeiro?

Enruguei a testa.

- No acampamento, sim. Nos Estados Unidos, não. – Afastei meu cabelo do rosto que estava grudando devido o suor. – De onde você vem?

- França. – Ela revirou os olhos e olhou para o cachecol.

- Seu sotaque não é francês... – Estreitei os olhos e olhei para os olhos dela. Eram duas esmeraldas de tão verdes. Eram parecidos com os de Percy, mas mais escuros e misteriosos. Percy era um livro aberto, essa garota era um baú.

- Ok, espertinho. Sou brasileira e já percebi que você não consegue perceber ironia. – Oh, ela era brasileira. Ela era a novata de quem TODOS estavam falando. Ela me estudou. – Sei o que está pensando. “Olha só, é a garotinha de doze anos que explodiu uma companhia de energia no Brasil. Palmas para a quase assassina de melhor amigo.”

Ri dela.

- Isso, vai rindo mesmo. Não sabe o estrago que eu fiz. – Ela arqueou a sobrancelha e revirou os olhos novamente. – Vocês só sabem falar dos outros né...

- Não. – Eu disse e a olhei profundamente, como sempre fazia. – Não sei nada sobre você. Não sou de ouvir boatos, eu mesmo já fui o centro deles. – Virei o rosto e olhei ao redor, com medo de alguma harpia aparecer. – Só ouvi que havia uma novata que tinha causado um reboliço na casa grande e insultado o Sr. D. Não fiquei para ouvir o resto, porque detesto isso. – Sorri vitorioso. Ela tinha uma expressão de confusão e logo após de irritação. – Só não sabia que ela tinha uma língua tão afiada.

A garota sorriu pra mim. Um sorriso cortante.

- Acho que ouvi algo sobre você. O garoto solitário. Só não sabia que era tão presunçoso. – Virou-se de costas e falou por cima do ombro. – De qualquer forma, desculpe-me pelo chute, não foi minha intenção. – Ela mudou o semblante de cortante para sincero quando disse essa frase. Mas, fechou a cara logo após e saiu marchando para o outro lado. Ela era meio louca ou...? Pensei, quando uma harpia apareceu do outro lado do píer perto de nós.

Puxei a garota cujo nome eu desconhecia, pus minha mão em sua boca pra ela não gritar e a segurei por trás. Andei com ela até o lugar mais escuro e cheio de plantas que eu havia visto. Não sabia o que fazer para ela não gritar, por isso tapei sua boca. Durante o percurso, ela esperneou contra os meus braços. Ok, minha culpa. Eu deveria tê-la avisado, mas não podia falar com a harpia ali. Elas tinham ouvidos bons, mas eu também era bom em ser o mestre do silêncio. E foi graças a meu dom que chegamos lá sem sermos ouvidos. E ela teve a reação certa já que eu era um desconhecido que estava levando-a para uma floresta escura. Mas, ela precisava ter quase me dado um outro chute no meio das pernas? Essa garota não sabia que aquilo doía MUITO? 

- O que raios está fazendo? – Ela perguntou assim que eu soltei-a já dentro da floresta do acampamento. Mechas de cabelo estavam na frente dos seus olhos, bagunçando a bagunça generalizada que seu cabelo era. Não que não fosse bonito, por que era sim.

- Salvando sua vida. – Olhei para trás. – Aquela criatura perto de nós era uma harpia. Ela mata qualquer um que esteja vagando por aí após o toque de recolher. Ela ia lhe comer viva se eu não tivesse tapado essa sua boca grande que estava quase berrando para ela nos ouvir.

- Porque não experimentou me falar? Eu teria ficado calada ao invés de gritar por achar que você estava me sequestrando.

- Porque eu iria te sequestrar?

- Não sei, não te conheço! – Ela parou e ajeitou o cabelo. Nossa, como ela mudava de humor rápido. – Ok, obrigada por salvar a minha vida. – Ela estava sendo sincera. Wow, eu não esperava isso. Ela parecia ser aquelas líderes de torcida malvadas.

Mas, por que eu achava isso? Não sei. Talvez porque nossos santos não bateram.

- De nada. – Me virei e ia continuar andando até ouvi-la bufar. Olhei para ela de volta, pensando se iria perguntar o que estava rondando a minha cabeça desde o chute no meu saco. – Aliás, por que estava chorando? – Eu não devia ter perguntado, definitivamente. Mas, ela me lembrava uma pessoa fortemente, duas na verdade.

Bianca e Thalia.

- Não vou responder. – Ela sorriu meio debochada, assim como o tom que eu usava. Ela jogava a altura.

- Ok, não me importo. – Sorri no mesmo nível e saí andando pelo meio dos troncos e folhas.

Você acha que ela pediu ajuda para sair da floresta? Não. Apenas virou-se como eu e saiu andando, como se conhecesse o acampamento há anos.

De duas coisas eu sabia sobre ela.

Primeira, ela era bipolar.

Segunda, ela e eu com certeza não nos daremos bem.

Definitivamente, nossos santos não bateram.


Notas Finais


E então? Os santos deles não bateram, nós já percebemos isso. Mas, e agora? De quem será que ela é filha? Comentem suas opiniões.
Beijos de luz


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