História Linger. - Capítulo 5


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Categorias David Luiz, Eden Hazard, John Terry
Personagens Personagens Originais
Tags Chelsea, David Luiz, Eden Hazard, Futebol!
Exibições 50
Palavras 1.276
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Esporte, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 5 - Hey, strange!


O corpo humano tem instinto de sobrevivência que, involuntariamente, faz você correr quando detecta perigo. É instintivo, você não pensa, não planeja, apenas corre para longe daquilo que te ameaça. Essa foi a primeira reação do meu corpo quando me deparei com aqueles cachos que eu conhecia bem. A sala era grande, como uma área de entretenimento, os jogadores estavam espalhados pelo sofá, pelas poltronas e até mesmo no chão. Não vi nem John nem Eden por lá. Meus olhos correram por todos, com o sorriso mais largo ao me deparar com Oscar, e rodando pelo lugar até que meus olhos pararam naquela figura parada no meio das duas poltronas onde estavam Azpi e Diego, discutindo sobre videogame. Aí voltamos para o instinto de sobrevivência. Meu corpo todo se enrijeceu e meu sorriso se desfez no mesmo momento. Se eu não tivesse o reconhecido pelo cabelo - o que era impossível - eu teria reconhecido pela risada que ele soltou em seguida.

Não saberia dizer qual foi a reação dos outros com aquela cena, porque nem mesmo lembrei que eles ainda estavam ali. Meu instinto de sobrevivência me mandava correr, mas minhas pernas se negavam a obedecê-lo. Depois do que pareceu horas - mas fora apenas segundos - David pareceu notar a quietude do lugar.

- O que f...? - ele começou a perguntar o que estava acontecendo, se virando na minha direção, mas a frase morreu no instante em que ele me viu.

Os seus olhos, a princípio, demonstrava surpresa. Choque. Havia um pouco de confusão também. Vi seu olhar percorrer todo meu corpo, se atentando a cada detalhe, como se procurasse alguma mudança desde a última vez que nos vimos. Sua boca estava entreaberta, como se tivesse acabado de fazer um grande esforço físico, quando seus olhos finalmente pararam nos meus. Aquele olhar demonstrava tanta coisa que me deixou um pouco tonta. Ansiedade, insegurança, surpresa, saudade, felicidade. Era tanta informação que eu não estava sabendo absorver. Ao contrário de David, eu não sentia nada além de surpresa. Não conseguia demonstrar nada, pois estava em uma espécie de anestesia que não me permitia sentir nada mais que isso. 

- Oi, amor.

Escutei a voz de Eden e pela primeira vez desde que avistei David, consegui desviar os olhos dele. Eden e John estavam parados à minha esquerda, na porta de uma sala reservada. John tinha a testa franzida em um claro sinal de preocupação, Eden tinha um sorriso cauteloso no rosto.

- Hey. - sorri e o vi caminhar na minha direção.

Eden me abraçou e me deu um selinho discreto, como sempre fazia quando nos víamos. Não pude deixar de notar que David desviou os olhos imediatamente. Aquela era provavelmente a situação mais embaraçosa pela qual eu já havia passado. Eu parecia uma pré adolescente de novo, não sabia o que dizer, como agir. Minha vontade era simplesmente sair correndo. 

- Oi, Liz. - David saudou.

Foi estranho. Foi estranho ouvir a voz dele novamente, foi estranho escutar ele dizer meu apelido, a sensação foi de desconforto e de constrangimento. Aquela altura, todos haviam voltado para as conversas e as coisas que estavam fazendo antes. Eden conversava com John perto de mim. O olhei nos olhos que eu costumava decifrar e não encontrei nada. Olhei seus lábios que para mim sempre foram tão macios e doces e não senti nada. Olhei seus cabelos que eu adorava afundar minhas mãos e não senti vontade de tocá-los. Olhei seu pescoço que sempre foi meu refúgio e não pensei em seu cheiro de lavanda. Olhei seus braços que costumavam me abraçar forte e minha cintura não reclamou de saudades. Olhei David Luiz o mais profundo que pude e, pela primeira vez, não o reconheci.

- David. Bem vindo de volta! - sorri serena.

E naquele dia cheio de primeiras vezes, pela primeira vez, falei com David como falaria com qualquer jogador aleatório que chegasse no clube. Pela primeira vez, falei com ele como se ele tivesse sido só mais uma coisa na minha vida que é sempre cheia de coisas que não são ela. Falei com ele como se ele fosse um estranho. Ironicamente, o tratei com a mesma consideração que ele me tratou quando me deixou sem nenhuma explicação. E o melhor de tudo? Não foi vingança, foi ainda pior: foi natural. 

- Obrigado. 

O sorriso havia morrido. Sinceramente, não sei o que ele esperava. Um abraço? Esperava que eu fingisse que nada aconteceu? Seja o que for, eu não correspondi a suas expectativas. Não que eu me importasse, pelo contrário, senti até uma alegria infantil ao contrariá-lo. 

Cansada daquele dia que já estava cheio demais, me despedi de todos em um "até logo, beijos" geral e decidi que era hora de ir pra casa. Eu me sentia exausta e minha cabeça me fazia ter a sensação de que uma escola de samba estava dentro dela. 

- Posso falar com você? - John perguntou quando eu já estava saindo.

- É importante? Hoje realmente... 

- Vai lá, Liz. Encontro você no estacionamento depois. - Eden interviu.

Havia poucas coisas que me irritavam em Eden Hazard e, sem dúvidas, sempre ajudar o John era uma delas.

- Ok. - me dei por vencida.

Caminhei ao lado de John em silêncio até onde estava meu carro, no estacionamento. Chegando lá, escorei no capô e esperei.

- Como você está se sentindo com a volta do Luiz? Estou preocupado com você. - as rugas mais expressivas em sua testa comprovava que era verdade, eu sabia.

- Não se preocupe, estou bem. - respondi. Eu só queria ir embora logo dali.

- Tem certeza disso? - ele questionou.

- Sim. Tenho certeza. - não pude evitar a revirada de olhos.

- Você pode se abrir comigo. Eu sou seu pai. - ele insistiu.

- Ah, John, por favor - soltei uma risada sem humor. - Eu já sou uma adulta, não preciso mais que você zele pelo meu bem estar. - perdi a paciência e comecei a caminhar na direção a porta do motorista.

- Filha, por favor... - John me seguiu. - Eu só quero ajudar você!

- Agora você quer me ajudar??? - eu alterei o tom de voz.

- Ei, ei, ei - Eden nos interrompeu.

Durante alguns segundos eu e John nos encaramos. Haviam tantas palavras não ditas, tantas coisas implícitas na frase que eu acabara de falar. "Agora você quer me ajudar? Quando eu precisei de um pai você não estava lá! Quando eu realmente precisei da sua ajuda você não estava lá! Agora é tarde pra você ser meu pai!". John se retirou após me olhar nos olhos e ficar evidente as lágrimas se formando. Assim que ele entrou, suspirei e deixei que as minhas próprias caíssem. Eden me abraçou e ficamos nós dois escorados no meu carro, sem falar nada. Não era preciso. 

Após um tempo, quando eu já estava mais calma, finalmente nos separamos um pouco. Eden olhou bem no meu rosto e começou a acariciar minha bochecha, limpar os resquícios de lágrimas, afastar meu cabelo do rosto. Eram gestos simples mas que demonstravam o mais puro afeto. Depois de poucos segundos, juntamos nossas bocas em um beijo demorado, doce e calmo. Intenso, demonstrava todo nosso apoio mútuo, companheirismo e, acima de tudo, amor. Finalizamos com uma sequência de selinhos e nos abraçamos. De olhos fechados,enterrei meu rosto em seu pescoço e suspirei aliviada por tê-lo ali comigo. Quando abri os olhos, olhei em direção ao prédio do qual tínhamos saído e David Luiz prestava atenção na cena atentamente.

Suspirei mais uma vez e fechei os olhos. Havia sido um longo dia.

 



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