História Língua de Fogo - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Dual, Fogo, Lua, Ninfomania, Orange, piromania, Romance, Satansoochallenge, Sol, Yuri
Exibições 100
Palavras 6.189
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Orange, Romance e Novela, Visual Novel, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Somente se deliciem com isso.
Se quiserem, ouçam "Moonlight", da Ariana Grande, na parte do Orange. Foi o que eu fiz.
Até mais tarde!

P.S.: Ainda dedicando essa fanfic pra minha Lua, e agradecendo ao meu querido amigo, designer de capa super fodão.
Amo você dois.

Capítulo 2 - ;ii


 

 

 

Eu não tinha a mínima ideia de onde ela tinha vindo. Mas isso não me importava nem um pouco.

Perdi a conta de músicas que nós dançamos, uma após a outra, sem parar para respirar, descansar, beber alguma coisa, nada. Nossos corpos se chocavam em sintonia com a música e com nós mesmas, pois era como se tivéssemos nosso próprio ritmo, nossa própria música; eu podia ver e sentir as pessoas em volta, mas estava totalmente alheia a elas, e poderia dizer o mesmo da Lua.

Seus olhos pareciam brilhar em uma cor e intensidade diferentes enquanto dançava. Demorou um tempo para que ela se soltasse realmente, mas quando o fez, não havia nada mais bonito a ser visto. Seus movimentos eram precisos, leves, como uma espada cortando o ar, manejada por alguém muito experiente. Ela parecia concentrar-se somente na batida, e nunca repetia um passo; criava ouro a partir do nada. E olhar o jeito como as outras pessoas olhavam para ela, meninos e meninas, era completamente fascinante, eles estavam hipnotizados. E só de ver as expressões em seus rostos eu sabia que o jeito que eu a olhava era exatamente o mesmo.

Em alguma parte da noite que eu não me lembro, depois de várias danças e alguns drinks, nós saímos da boate. Lua simplesmente entregou uma ficha no balcão com todos os nossos gastos, assinada por ela, a uma das moças e lhe disse, de modo que só nós ouvíssemos: “Você sabe de quem cobrar.” Eu não perguntei, e quando ela me olhou, eu já havia desviado o olhar, como se não tivesse visto ou ouvido nada.

Lá fora, ela apertou nervosamente sua bolsinha prateada. Mesmo depois de beber, seus olhos ainda estavam focados e suas pernas, firmes sob o salto alto. Mas seus ombros descobertos estavam tensos, e o vento, que começava a aumentar sua intensidade, balançava seus cabelos castanhos, que pareciam dançar em frente ao seu rosto. Ela mordeu o lábio inferior nervosamente e ia abrir a boca para falar quando eu segurei sua mão, a que não segurava a bolsa, e a levei comigo mais adiante na calçada, onde a fila para entrar na boate ainda era grande e havia taxis estacionados na rua, enquanto a olhava sorrindo e dizia:

— Agora é minha vez. — abri a porta de um dos taxis para que ela entrasse, mas antes que ela o fizesse, segurei-a pelos ombros, retirei meu casaco e coloquei em seus ombros. Ela me olhou com os olhos arregalados de surpresa, e eu apenas sorri e indiquei o banco do carro. Assim que ela entrou, eu a segui, e o taxista saiu com o carro para as ruas desertas, abandonadas como o mar de madrugada, escuro e límpido, liso como uma passarela, imponente em sua magnitude. Na escuridão, o asfalto parecia ser quase infinito.

— Para onde vão, senhoritas? — perguntou o taxista, sem desviar os olhos da direção.

Lua me olhou inquiridora, com um questionamento nos olhos; pelo menos foi isso que eu entendi, pois ainda não tinha nenhuma prática em entender os olhares das pessoas, muito menos o dela. “Para onde vamos?” seus olhos perguntavam, e eu a olhei nos olhos novamente. Com o brilho dos poucos outdoors que ainda estavam ligados, e que passavam em alta velocidade através do vidro às minhas costas, presos nas fachadas das lojas já fechadas ou ainda abertas, tudo em seu rosto ficava multicolorido. Rosa e azul, logo depois vermelho e amarelo. Um pequeno sorriso cresceu no canto de meus lábios ao perceber as cores, e eu ia avisá-la disso quando o motorista refez sua pergunta, agora já meio impaciente.

Eu então lhe ditei o endereço de meu apartamento, e ele simplesmente assentiu sem olhar para trás e seguiu em frente, pegando a primeira à direita depois do sinaleiro, o qual ele passou no amarelo.

Eu me recostei no banco de tecido com um suspiro, e abaixei minha cabeça para fitar minhas mãos. Eu sentia meu corpo quente e suado sob as roupas, e os cabelos de minha franja estavam colados à testa. Mas minhas mãos continuavam geladas. Era como ter as mãos de um defunto, como ter as mãos constantemente mergulhadas em água gelada ou em gelo puro. Eu gostava de encostar minhas pontas dos dedos aleatoriamente em minhas bochechas, pois a sensação era de neve caindo em meu rosto, flocos de neve frescos e miúdos, enquanto encostar minha mão inteira causava arrepios. E era isso que eu estava fazendo, de olhos fechados, quando ela segurou uma de minhas mãos, e lentamente levou-a a seu rosto.

Eu senti um arrepio e um formigamento nas pontas dos dedos, que avançava pela mão lentamente; estava impressionada com o calor que exalava dela, que envolveu minha mão em um choque de temperatura. Seu rosto era tão quente quanto perfeito, e ela sorria quando meus olhos encontraram os dela; eu também sorri.

— Alguém já te disse que você é um paradoxo?

Sua pergunta me pegou de surpresa. Eu desviei o olhar de seu rosto para refletir um instante. O que ela queria dizer com paradoxo? Como isso se aplicaria a mim? Enquanto eu pensava rapidamente, ela retirou a minha mão do meu rosto — provavelmente ela achava que esta não estava mais gelada o suficiente para extinguir seu calor — e alcançou a outra apoiada em minha perna, levando-a a seu rosto. Eu senti o arrepio que ela sentiu.

— Você sabe o que é um paradoxo, não sabe? São duas coi—

— Eu sei o que é, mas não consigo entender o que você quis dizer com isso. — eu a encarei, curiosa, a espera de sua resposta. Ela soltou minha mão, que eu rapidamente entrelacei na outra sobre meu colo. As duas estiveram temporariamente mornas, mas à medida que o calor da Lua se esvaía, elas voltavam à temperatura normal.

— O seu amor pelo fogo e suas mãos frias. As mesmas mãos que abrem e fecham o isqueiro. E pelo que eu senti, são as mesmas mãos que já manusearam fogo. — ela terminou de falar e continuou me olhando atentamente, esperando que eu a contradissesse. Mas eu não o fiz; ela estava certa. Eu tinha uma cicatriz na palma da mão direita de queimadura, resultado de um episódio que eu preferia esquecer.

Quando eu ia respondê-la, o taxi parou. Eu então procurei pelo dinheiro no bolso do casaco — mas este estava nas costas da Lua. Ela percebeu o que eu procurava e colocou as mãos nos bolsos do meu casaco. O taxista já havia estacionado em frente à entrada do prédio, e esperava só o pagamento, impaciente. Havia olheiras sob seus olhos castanhos, e eu não tinha percebido antes sua esparsa barba e cabelo ruivo, ambos desgrenhados e com aparência suja. Mas seu carro era muito limpo; era assim que você percebia alguém que prezava demais por seu trabalho.

Lua tirou um maço de notas dobradas do bolso esquerdo, e seu espanto ficou estampado em seu rosto. Ela olhou para mim com o mesmo olhar pasmo, mas sem erguer o dinheiro. Sussurrei-lhe para que retirasse duas notas de cinquenta, e que me alcançasse-as. Ela o fez sem fechar a boca, que havia se aberto em estupefação. Eu então as estendi para o taxista enquanto me arrastava pelo banco do taxi, em direção à calçada, para fora do carro. Eu lhe disse que ficasse com o troco, segurei a mão de Lua para ajudá-la a sair e, depois que estávamos do lado de fora, fechei a porta com leveza, dando uma leve batida na lateral para que o motorista seguisse viagem.

Ainda segurando sua mão, guiei-a até a porta de vidro, empurrei-a e nós entramos. O porteiro estava sentado à sua mesa, com a cabeça apoiada na mão, os olhos aparentemente cansados. Isso me fez pensar que eu não tinha a mínima ideia de que horas eram. Eu, por outro lado, me sentia desperta, como se tivesse dormido por horas a fio.

Eu o cumprimentei com um aceno de cabeça, e seus olhos se arregalaram levemente por me ver levando uma pessoa comigo. Pelo jeito, todos os porteiros deviam estar avisados de minha discrição, e da restrição em relação a visitantes. Eu simplesmente lhe sorri a caminho do elevador, e levei o dedo indicador da mão que não segurava a dela aos lábios, em um sinal claro de “segredo”. Ele então voltou sua atenção para a TV que mostrava as imagens das câmeras externas e da garagem, subitamente interessantes.

Depois que as portas do elevador se fecharam e esse começou a subir em direção ao último andar, ela soltou minha mão e se virou para me olhar. Eu fiz o mesmo, e olhei-a pela primeira vez na noite em uma luz clara, limpa, branca.

Ela era realmente estonteante. Mesmo com os cabelos bagunçados pela dança e pelo vento, e o brilho suave do suor em seus braços e pernas, agora visíveis depois que ela retirara meu casaco de seus ombros e o estendia para mim, ela continuava perfeita. Na verdade, tudo isso só contribuía para sua imagem natural, resplandecente. Extraordinária.

— Você sabe quanto custou a corrida? — de início, não entendi o que ela dizia, mas depois, presumi que ela se referia ao táxi.

— Ahn… Não. Você sabe? — eu perguntei, enquanto vestia meu casaco novamente, e buscava o isqueiro em um dos bolsos, ávida. Sabia que não poderia acendê-lo no elevador, mas era bom poder segurá-lo. Era reconfortante; fazia-me esquecer todos os sentimentos que explodiam dentro de mim, e ao mesmo tempo, manter o rosto limpo de tais emoções. Meu descaso parecia assustá-la, por que ela cruzou os braços sobre o peito, claramente indignada.

— E você não se importa de deixar de troco quase 60 reais? — sua voz soava indignada, mas tudo o que eu pude fazer foi rir. E eu ri, e ela continuou me olhando, como se me acusasse, como se rir de algo assim fosse como estar assassinando uma família de cachorrinhos a sangue frio. Mas o que eu poderia fazer? Tinha mais dinheiro do que precisava, e por que não ajudar alguém que precisava mais dele do que eu?

Então, ainda sorrindo, eu dei de ombros.

 

 

 

A luz da Lua me acordou.

Assim que abri os olhos, cansada, e fitei a fresta da janela que não estava coberta pela fina cortina branca, avistei-a. Lá no alto, no céu escuro, quase sem estrelas, que eu conseguia distinguir com dificuldade. As janelas eram foscas por um motivo que a Sol não me dissera, e isso dificultava a visão do lado de fora durante o dia. Mas durante a noite, eu podia ver o céu.

Ela dormia tranquilamente ao meu lado, encolhida em posição fetal de costas para mim, agarrada ao cobertor claro. Eu sabia que agora ela estava dormindo, e dormindo bem, pelas suas respirações, longas e profundas. Antes de conseguir dormir, eu as contara. 1. 2. 3. 4. Adormeci antes do 50. Na verdade, eu estivera dormindo em outro quarto pequenino no começo do corredor que, quando o apartamento fora comprado, seria designado para a empregada de acordo com ela, mas Sol nunca quisera uma. Ela gostava de limpar a casa sozinha, do seu próprio jeito. Mas eu acordei algumas horas depois de adormecer por suas mãos gélidas me sacudindo. Grogue de sono, ouvi seu suspiro amedrontado de “eu tive um pesadelo”, como uma criança faria com sua mãe no meio da noite. Lembro-me que, na hora, quando o pensamento me ocorreu, de algum modo me pareceu errado; insólito. Era estranho imaginar a Sol como uma criança, mesmo que, de alma, ela realmente parecesse uma.

Eu então me deitei ao seu lado em seu quarto, no fim do corredor, com sua cabeça apoiada no encaixe entre o pescoço e o ombro esquerdo, minha mão acariciando de leve sua testa. Ela dormiu em poucos minutos, se afastando para o outro lado, provavelmente para que eu pudesse dormir também, e permanecendo na mesma posição desde então. Provavelmente, algumas horas se passaram pela minha contagem, e naquele momento, quando eu a olhava encolhida no outro lado da cama, eu podia ver sua alma. Era como se esta planasse alguns centímetros acima dela, serena e leve. Mas não era preciso enxergar além do véu para ver realmente sua alma, seu cerne; de fato, eu não era capaz de ver isso. Mas sua alma estava em tudo que ela fazia. Ela dava tudo de si em qualquer coisa que fizesse, e quando ela estava feliz, era possível ver isso em seu olhar. E tudo que ela fazia era tão perfeitamente executado que não havia como negar isso.

No primeiro dia em que fiquei aqui, eu senti inveja, por seu carisma, por seu talento, por sua beleza e por sua bondade. Na verdade, cheguei a me sentir quase desconfortável, pois ela me tratava de um jeito que eu nunca havia sido tratada antes. Era estranho sentir essa mudança tão bruscamente. Mas agora, três dias depois, eu não sabia o que pensar. Primeiro, eu quisera ser como ela. Depois, quisera que ela mudasse, que me desprezasse pelo que eu havia pensado dela antes. E então, neste momento quando eu vi a Lua, imensa e amarela a boiar no céu negro, e só queria tê-la. Tê-la para sempre, para que me amasse e cuidasse de mim, e me tratasse bem e me fizesse feliz. Mas a cada instante que eu pensava isso, mais eu acreditava que não merecia nada disso.

Onde eu fui me meter? Era a pergunta que me ocorria a todo instante. Mas ainda havia esperança. Eu poderia “abortar a missão”, sair agora mesmo, talvez deixar um bilhete de desculpas, e um agradecimento pelos dias maravilhosos. E foram realmente maravilhosos.

Nós cozinhamos no café da manhã do primeiro dia, ovos e waffles. Mas depois de preparar e comer percebemos que não seriam suficientes; ainda estávamos com fome. Então pedimos pizza em plenas 10 horas da manhã. Depois, ela me mostrou todos os seus discos. Discos antigos mesmo; ela não tinha CDs. Alguns eram de bandas que eu já conhecia, como Nirvana e The Beatles, mas havia muitos que eu nunca ouvira falar, quase todos dos anos 70 e 80. E quando eu lhe perguntava sobre algum deles, ou ela colocava um LP — como ela me ensinara, significava Long Play —, ela cantava as músicas de cór. E sua voz era incrível.

Ela tocava piano, violino, violão, guitarra e um pouco de flauta transversal. Ela tinha todos esses instrumentos em um quarto grande, com paredes com isolamento acústico, pois ela costumava “ se empolgar na guitarra às vezes”, em suas exatas palavras. Ela sentou ao piano e tocou uma música lenta, calma, plácida, que eu reconhecia, mas não sabia o nome. Ela me disse que era Debussy; Clair de Lune. Na mesma hora, decidi que seria uma de minhas músicas favoritas. Depois, nós pintamos e desenhamos, eu sujando uma tela com respingos de tinta vermelha, amarela e verde, a qual ela classificou como “magnífica” e me pediu para vendê-la em uma galeria de arte, anonimamente. Eu ri e ela me olhou pasma, perguntando qual era a graça, pois ela estava falando sério, para depois entregar-se e sorrir comigo. Mas então eu vi sua tela, e desabei.

Ela havia me pintado, deitada em um canteiro de flores multicoloridas sob o luar, e a Lua era enorme e resplandecente acima do campo. Eu nunca havia visto nada tão bonito quanto isso. O vestido era longo, da mesma cor do vestido que usava na noite em que a conheci, e os cabelos soltos emolduravam meu rosto pálido, mas rosado nas bochechas. Em minha mão, as fitas de sapatilhas brancas se enrolavam por entre meus dedos, e meus pés estavam descalços. Eu senti meus olhos se encherem de lágrimas na hora, mas resisti, e pedi licença para ir ao banheiro. Ela apenas assentiu e sorriu encorajadora, permanecendo sentada em seu banquinho, procurando erros inexistentes naquela tela tão perfeita. E enquanto eu chorava no banheiro, eu sabia que ela me ouvia, mas não me seguiu no primeiro momento, apenas quando já estava lá dentro há um bom tempo. E ela só me abraçou enquanto eu me acalmava, até que as lágrimas pararam de jorrar. Quando voltamos para a sala, a tela já não estava mais no cavalete.

Enfim. Tudo o que fizemos foi espetacular; eu nunca tive dias tão… perfeitos em minha vida. Não havia outra palavra para descrevê-los, e eu ficava feliz de pensar neles a qualquer momento. Quando fosse embora, o que estava decidida a fazer depois de pensar em tudo isso, eu iria me lembrar deles para sempre.

Sem fazer barulhos, e olhando uma última vez para a linda Lua no céu, eu me levantei, já procurando pelos saltos prateados perto da parede, assim como minha bolsa prateada. Meu vestido não estava em nenhum lugar à vista, então resolvi deixá-lo. Algum dia traria de volta as roupas que ela me emprestara e que e vestia agora: uma camiseta branca, calças de agasalho e um casaco leve, vermelho. O cheiro em suas roupas era uma mistura de menta, sabão em pó e cinzas.

Nas pontas dos pés, segurando meus pertences, segui para a porta aberta do quarto. Mas antes que pudesse alcançá-la, ouvi uma voz fraca sussurrar:

— Lua…?

Parei imediatamente onde estava, sem produzir nenhum ruído, na esperança de que ela não percebesse minha ausência e voltasse a dormir. Eu percebia em sua voz todo o sono que sentia. Mas quando começava a pensar que ela voltara a dormir, ouvi a mesma vozinha, um pouco mais forte agora.

— Aonde você vai…? — ela estava apoiada nos travesseiros por um dos cotovelos, e com a outra mão em punho coçava um dos olhos. Eu podia enxergar seus contornos, a longa camiseta branca que usava como camisola, e os cabelos curtos e finos, mas bastos, desgrenhados pela noite ruim. Coisas que eu não percebia em nenhuma pessoa, nem mesmo em mim, quando fitava o espelho depois de uma noite trabalhando. Por isso mesmo: tudo o que eu via nela era o raio de Sol que ela era.

E eu percebi então que lhe devia uma explicação.

 — Eu tenho que ir, Sol. Eu… Não posso ficar. Eu adorei conhecê-la, e quero te ver de novo algum dia, se puder. — foi duro falar isso, sabendo que não era verdade. Não poderia ser a verdade. — Mas a minha hora já chegou. Me perdoe por isso.

Ela continuou me fitando com aqueles olhos castanhos, quase fechados de tão inchados. Eu não percebi quando ela levantou da cama e veio até mim, se ajoelhou, e envolveu minha cintura com os braços em um abraço firme, como uma filha que abraçava a mãe para impedir que ela fosse embora. Tudo isso sem desgrudar seus olhos dos meus.

— Não vá, por favor… Eu quero você aqui. — sua voz enfraquecera nas últimas palavras, e eu podia ver um brilho, como o brilho das estrelas, que começava a se acumular na base de seus olhos. — Eu… preciso de você.

Enquanto ela falava tudo aquilo, e muito mais, para me convencer a ficar, minha cabeça balançava negativamente, involuntariamente, e cada vez mais fraco; eu não ouvia uma palavra do que ela dizia, pois meus ouvidos zumbiam. Meu coração parecia apertado, e ficava cada vez mais difícil contê-lo de pular de meu peito, de gritar, de arrancar as mordaças que eu havia colocado nele desde o primeiro dia. E então vê-la chorar, prender suas mãos no tecido que cobria a minha pele, apoiar sua cabeça trêmula em meu abdômen, ficava cada vez mais difícil. Tentei pela última vez.

— Não posso… — percebi depois de falar, que minha voz também saíra como um sussurro, com um engasgo no fim. Não consegui terminar a frase que pretendia dizer. Senti a queimação atrás dos olhos, e pela primeira vez, eu não escondi as lágrimas. Não corri para o banheiro para sofrer sozinha, por que eu via: ela também estava sofrendo. Como era possível se apegar tanto a alguém em tão poucos dias? Ainda mais eu, que demorava a confiar em qualquer um?

Então ela se levantou em um pulo. Tudo durou um segundo; suas mãos soltando minhas roupas, para fechá-las em punho e fincar as unhas na pele da palma, deixando os ombros tensos, para depois apoiar uma das mãos em meu ombro, e a outra segurar delicadamente minha bochecha; eu podia sentir seus dedos frementes em minha face. E então, ela respirou fundo, fechou os olhos, e inclinou-se em minha direção. Eu fechei os olhos no último instante.

Seus lábios roçaram os meus de início, e depois selaram-se completamente. Seu toque era doce, fresco. Suave. Eu continuei completamente parada durante os poucos segundo do nosso beijo, perplexa demais para responder. Já havia beijado meninas antes, mas em nenhuma vez sentira todos os membros do meu corpo entorpecidos.

Acho que ela percebeu, e foi por isso que me soltou.

— D-desculpe, eu… Não sei… — mas antes que ela pudesse terminar, puxei-a pela frente da camiseta e selei nossos lábios novamente. Um movimento praticamente involuntário.

Ela reagiu instintivamente, segurando meu casaco pela abertura. Seus lábios não eram muito habilidosos, mas eu não ligava; a cada segundo eu intensificava o beijo, tomando o controle sobre ele. Com meu lábio superior, abri sua boca calmamente, e introduzi minha língua delicadamente, devagar. Quando ela abriu mais a boca e chegou mais perto, nossas línguas se chocaram em uma dança silenciosa e rápida.

Nosso beijo se aprofundava mais a cada segundo. Suas mãos se moveram para minhas costas, e as minhas subiram para seu pescoço, apoiando seu rosto. Eu dei um passo para frente e ela me imitou, só que para trás. No meio do caminho, girei com ela de modo a mudarmos de lugar. Continuamos assim até que fui de encontro com a cama, de costas, e caí sentada. Nosso beijo se interrompeu e eu abri os olhos. Os lábios da Sol estavam avermelhados, e suas mãos se projetavam para frente, colocando mechas dos meus cabelos atrás das orelhas.

Sua respiração estava pesada e descompassada, assim como a minha. Ela sentou-se em meu colo e juntou nossas bocas novamente, dessa vez, mais rápido e profundo de primeira.

Toquei sua bochecha com o polegar, de olhos fechados, e encaixei os outros dedos entre sua mandíbula e seu pescoço. Ela colocou uma das mãos em minha cintura, sobre a blusa, e a outra se prendeu ao meu casaco, perto do ombro, e lentamente puxava-o, fazendo-o escorregar por meu ombro. Podia sentir seu toque gelado mesmo por cima da blusa, e isso fez os pêlos se arrepiarem em meu braço. Nossos lábios se separaram, e ela sorriu sem fôlego, com os olhos agora abertos fixos em mim. Afastei uma mecha de cabelo do seu rosto, ainda olhando-a. Tudo o que eu queria era me sentir mal pelo que estava fazendo, pelo o que desejava, mas o brilho nos olhos da Sol não me deixava; ela queira isso também. Então segurei a parte de trás de seu pescoço firmemente, e iniciei um novo beijo.

Seus lábios moviam­-se lentos junto aos meus, nossas línguas dançando no espaço que era nossa bocas unidas, quase que em uma brincadeira. Mesmo depois de interromper o beijo pela falta de ar, continuei, deslizando meus lábios e a ponta do meu nariz por seu rosto, até a base da mandíbula e à lateral do pescoço. Tudo lentamente, sorvendo seu cheiro como se sentia o aroma de um vinho. Sua cabeça se inclinava para trás à medida que eu avançava, até que suas costas arquearam-se de modo que tive de segurá-la para que não caísse, e mudei nossa posição. Depositei seu corpo suavemente no colchão e me esgueirei para perto dela. De imediato, suas coxas envolveram minha cintura, puxando-me mais ainda para perto.

Em vez de unir seus lábios aos meus novamente, enterrei meu rosto em seu pescoço novamente, e continuei o trabalho anterior até a base de sua clavícula. Eu sentia seu corpo tenso e arrepiado sob o meu, e então, dedos gelados chegaram à barra de minha camiseta. Suspirei contra sua pele quando a ela colocou a mão por baixo do tecido, que subiu pelas minhas costas nuas, trazendo junto vários arrepios por minha pele. Era como sentir gotas de água escorrendo por todo meu corpo, e elas traziam uma sensação boa. Com a outra mão, Sol segurou meu queixo e trouxe meu rosto para perto do seu, alcançando sua boca.

Enquanto sua outra mão saía de baixo da minha camiseta e se unia à outra em meu rosto, e ela beijava delicadamente meu lábio inferior, minhas mãos aproveitaram para explorar seu corpo. Deslizei-as uma para cada lado de sua cintura, apertando-a levemente, e depois, colocando-as dentro de sua camisa, correndo meus dedos pela sua pele quente; na verdade, quase febril. Como era possível, ter as mãos e pés tão gelados e o corpo tão cálido?

O beijo se aprofundou pela surpresa de meu toque em sua pele, e ela prendeu meus lábios entre seus dentes, primeiramente com calma e depois, quando minhas mãos já estavam em seu quadril e o apertavam com mais intensidade, com selvageria. Suas mãos então deslizaram, igualmente para minha cintura, e prenderam-se no cós de minha calça, ao mesmo tempo em que as minhas subiam por seu abdômen e chegavam a seus seios, apertando­-os por cima do sutiã. Ela interrompeu o beijo e abriu a boca levemente, em claro êxtase.

Suas mãos, que estavam em minha calça, começaram o trabalho de retirá-las. Suas mãos eram habilidosas, as mãos treinadas por anos de instrumentista e pintora, e eram firmes; seu dedão deslizava por minhas pernas enquanto ela segurava a peça, e quando seus dedos chegaram à parte de trás de meu joelho, e seu tronco já estava erguendo-se com o esforço de esticar os braços, separei o beijo e ajudei-a. Em seguida, coloquei meus joelhos um de cada lado de seu corpo na cama, minhas coxas roçando a base das suas. O atrito de nossas peles era prazeroso demais. A temperatura era praticamente a mesma, e era tão bom poder senti-la de verdade, sem um tecido delimitador de espaço, sem barreiras entre nós.

Inclinei-me para beijá-la, mas seu rosto não pedia um beijo. Havia suor em suas têmporas e seus lábios entreabertos demonstravam apenas minimamente o desejo que ela sentia. Eu sabia que era minimamente, pois sentia o mesmo. Muitas vezes quando deixei esse desejo transbordar tão rapidamente, coisas não muito boas aconteceram. Mas seu pedido silencioso acendeu a pequena chama que vivia dentro de mim, e que estivera adormecida durante esses dias, mesmo que não o estivesse todos os outros dias, sempre me inflamando 24 horas por dia normalmente.

Sorrindo levemente, e sentindo minha calcinha encharcada, segurei a barra de sua camiseta a puxei-a para cima, retirando a penúltima peça que separava nossos corpos. Por apenas um segundo, contemplei seu corpo; era pequeno, mas bem feito. A linha da clavícula bem marcada, assim como os ossos das costelas no colo e abaixo dos seios. O sutiã cor de vinho, sob a pouca luz, parecia sangue, o sangue que pulsava em suas veias, bombeado pelo coração logo abaixo da pele, protegido pelas costelas; o sangue que começava a acelerar o meu coração. Então, sem esperar mais um segundo, uni meus lábios aos dela, e senti o choque mecânico se espalhar por todo meu corpo.

Sua primeira reação foi colocar as mãos em minha nuca, ao mesmo tempo segurando meus cabelos para que não caíssem. Minhas mãos repousaram na base de suas costas, e mesmo estando quentes, pareciam frias em contato com sua pele febril. Sua segunda reação foi, enquanto abria meus lábios usando os seus, seguraram minhas mãos em suas costas e levá-las até mais em cima, para o fecho do sutiã. Quando percebi isso, interrompi nosso beijo por apenas um segundo e olhei em seus olhos.

Ela me olhava, e em seu olhar era quase possível ver sua alma. E foi isso que me conquistou na primeira vez que a olhei, e desde que estava em seu apartamento, me conquistava a cada dia, hora, minuto e segundo que estava com ela. Que a via. Por esse motivo, nem precisei perguntar o que estava prestes a perguntar. Você quer isso? Ela simplesmente sorriu, e era um sorriso tímido, diferente de todos que ela já havia me dado, um sorriso que, apesar de pequeno, refletia o Sol. Ela balançou a cabeça afirmativamente, e eu acatei.

Uni nossos lábios durante o segundo que levei para retirar seu sutiã. Logo após descartá-lo para algum lado da cama, comecei a distribuir beijos pela linha de sua mandíbula, descendo pelo pescoço, as clavículas, os ombros, e descendo em direção aos seus seios.

Depositei um beijo entre eles, e arrastei meu indicador desde seu oblíquo a um de seus seios, circulando seu mamilo devagar antes de abrir a mão e apertá-los de leve. Enquanto isso, minha boca distribuía chupões em volta do outro seio, para depois escorregar meus lábios lentamente pela região antes de tocar o mamilo, chupando­-o e passando a língua em volta dele.

Suas mãos seguravam um maço de meus cabelos, e quando a intensidade com que chupava seu seio começou a aumentar, assim como o aperto no outro, ela puxou-o levemente. Levantei meu rosto, e ela segurou meus ombros, levantando-me junto com ela, de modo que eu fiquei sentada em seu colo, com as coxas dela perfeitamente ajustadas entre as minhas, que apertavam seu quadril. E ela, sem nenhum momento desviar seus olhos dos meus, segurou a base de minha camiseta e retirou-a, para logo em seguida segurar o fecho do meu sutiã. Ela me olhou, indagando, e eu apenas uni nossos lábios, tão forte que o fôlego me deixou em poucos segundos. Mas não fez diferença, pois ela havia retirado-o, pousando-o na mesa de cabeceira atrás de si (sempre tão cuidadosa), para em seguida começar o mesmo trabalho que eu fizera em mim.

Seus lábios eram tão macios quanto algodão; era como beijar nuvens, se algum dia fosse possível, frias e flutuantes. E não foi diferente da sensação em meus peitos, apesar de eu saber que não seria. Isso já havia acontecido comigo antes, já havia dormido com outras meninas e meninos. No entanto, algo em meu inconsciente parecia sussurrar, eu sentia o vazio da dúvida atrás dos olhos, mas não fazia ideia do que ele simbolizava.

Suas mãos acariciavam minhas costas, subindo e descendo pela linha da coluna. Seus lábios por vezes beijavam de leve um dos seios, outras chupavam o mamilo e a região abaixo deste, sempre alternadamente, sempre continuamente. Meus olhos se fecharam com o tesão, e minhas unhas se agarravam à pele de suas costas, sem que eu pudesse evitar de início; ao tomar consciência do que fazia, parei, com medo de machucá-la. Mas ela parecia não se importar.

Impaciente, levantei seu rosto até o meu, e depositei um beijo leve em seus lábios, como se diminuísse nosso ritmo, enquanto reclinava-a contra o colchão, tomando as rédeas e descendo minhas mãos por sua pele, deslizando as pontas dos dedos por toda a extensão de seu tronco, desde seus ombros até a base da calcinha, e parando lá. Esta era mais uma pergunta.

— Você quer isso, Sol? — perguntei em um sussurro contra seus lábios. Retirando suavemente seus lábios dos meus, ela entreabriu os olhos e buscou uma das minhas mãos, que repousavam contra sua pele, sentindo o osso proeminente da bacia. Ela segurou-a e guiou-a até sei peito. Pensei que ela iria colocá-la sobre o seio, e franzi a testa, mas então, senti através da palma de minha mão a pulsação. Sua pulsação. O ponto exato onde o som e a sensação do bater do coração eram mais sensível, mais audível. E eu senti a vibração por toda minha mão, em minhas veias, subindo pelos músculos e ossos até o meu próprio coração. E o som que ecoava no fundo de meus ouvidos batia em uníssono com o dela.

Nossos corações eram como um só.

— Eu nunca o senti batendo tão forte. — começou ela. — É você. Você que o faz bater assim, desde que a vi.

E foi só.

Mas foi tudo o que bastou.

Enquanto nossos lábios se uniam novamente, e um sorriso florescia nos meus, minhas mãos deslizaram o leve tecido por suas coxas, ao mesmo tempo em que meu corpo cobria o dela por inteiro.

 

 

 

O suor cobria meu corpo todo.

Lado a lado, eu e ela estávamos deitadas, em meio aos lençóis que, assim como nossas mãos, se entrelaçavam por nossos corpos. E as mãos eram a única coisa que ainda se tocava entre nós, e o aperto, apesar de não ser forte, parecia muito duradouro. Na verdade, eu ainda tinha a sensação do corpo dela sobre o meu.

Nossos peitos subiam e desciam, e nossas respirações soavam pesadas, cansadas, mas nossos olhares não estavam fixos como estavam poucos minutos atrás. Eu olhava para o teto, tentando diminuir o fluxo de sangue no cérebro, acalmar os nervos, tentando entender o que fizemos, tentando ver algo de errado nisso — em vão.

Foi lindo. Foi como sentir-se flutuando, subindo aos céus, cada vez mais alto; como inflar como um balão de gás hélio, para depois, quando já se está quase se encostando à camada de ozônio, explodir de uma vez só, extravasando tudo o que sente dentro de si. É como, de repente, descobrir uma nova droga, um novo vício. Para mim, foi como sentir o fogo que tanto amo queimando, doce e barbaramente, de dentro para fora, e de fora para dentro, de uma vez só.

Era como ser a chama. Ser a labareda reluzente que se projeta entre as outras, mas não uma ruim; não uma destruidora. Eu sentia o fogo queimando algo bom, como se marcasse algo ai para sempre. Seria uma cicatriz, mas uma que me lembrasse pra sempre as consequências do amor, sejam elas boas ou ruins.

E eu me sentia diferente.

É claro, todos dizem que você se sente assim depois da primeira vez, e muitos contam, rindo, que depois dela, não se quer mais parar. Mas não é desejo que eu sentia, não era cansaço, nem euforia, nem rebeldia, nem sufoco, nem nada das sensações que se pode descrever.

Eu me sentia completa.

E quando ela se virava de lado, ainda segurando uma de minhas mãos, e esticando a outra para tocar meu rosto, eu via em seus olhos.

Eu via os beijos, as palavras, os toques, os sussurros, os (poucos) abraços. Eu via seu cabelo, e sentia seu cheiro, sentia o gosto de seus lábios, e o gosto das palavras que dizia. Eu via seus segredos, seus desejos, suas tristezas, sua felicidades; suas mágoas e seus amores. Eu vi seu coração partido, e via minhas mãos se estendendo para concertá-lo. Eu via seu sangue pulsando nas artérias, seus pulmões se enchendo de ar, se enchendo com meu cheiro, seu cheiro; via seus sonhos e seus pesadelos, e os meus sonhos e pesadelos, complementares aos seus.

Eu via estrelas, e planetas, e o vazio; via o Sol e a Lua, distantes um do outro, solitários em seus próprios vácuos. O Sol, o centro de tudo, e a Lua, apenas mais uma no universo, mais uma orbitando seu próprio planeta. Orbitando a Terra, a mais brilhante Lua entre as Luas. E, quando eu esticava meus braços para envolvê-la, soltando de sua mão e me desvencilhando suavemente do toque em minha bochecha, eu sabia que a distância não era real, era apenas simbólica. Não precisaria sentir medo, pois não havia distância entre nós duas agora; nós éramos uma só. Mas o Sol e a Lua nunca poderiam se aproximar, pois ela derreteria como o calor dele, e além do mais, a gravidade não permitiria.

Mas mesmo assim.

Eu sempre adorei os paradoxos, os anacronismos, os símbolos. E não havia nada tão digno de tudo isso do que o que eu sentia por ela. Não havia coração no mundo que batesse mais do que o quanto o meu batia pelo dela; não havia tempo no mundo que represente o tempo que eu esperei por ela, e o tempo que eu ficarei com ela; não havia ninguém no mundo que amasse alguém tanto quanto eu a amo.

Então, como o Sol e a lua poderiam ser o nosso símbolo? Como, se nem ao menos podem se aproximar um do outro? Se a Lua orbita a Terra, e a Terra orbita o Sol, como seria possível? Será que há alguma Galáxia onde a Lua orbita o Sol, ou vice versa?

Por que se ela existir, talvez nós pudéssemos ser essa Galáxia tão distante.

E quando nós adormecemos uma nos braços da outra, pele contra pele, coração contra coração, nossas mentes e almas ligadas para sempre, eu sabia. Que me apaixonara, e que nunca mais amaria assim de novo. Eu me apaixonara por ela, por tudo nela, e também pelo seu fogo, a chama vívida e refulgente que habitava seu corpo, e que agora era a que mais me importava na vida. Eu sabia que, do mesmo modo que eu a amava, ela me amava também.

E eu soube naquela noite que um amor como o nosso nunca se extinguiria.

E essa foi a nossa ruína.

 

 

 


Notas Finais


"If the past year were offered me again,
And choice of good and ill before me set
Would I accept the pleasure with the pain
Or dare to wish that we had never met?"

Deixo vocês com essa reflexão. E tem a ver com o fim da fanfic...

P.S.: Se alguém precisar que eu traduza, só pedir nos coments.
P.S.2: Amo todos vocês <33333333333


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