História Linking - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias D'espairsRay, Miyavi, The GazettE
Personagens Aoi, Hizumi, Kai, Karyu, Miyavi, Reita, Ruki, Uruha
Tags Aoiha, Fluffy, Kayavi, Miyavixkai, Nykaramika, Reituki, Repostagem
Exibições 16
Palavras 7.443
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Escolar, Fantasia, Fluffy, Lemon, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Aw... Espero que gostem desse capítulo. Já em antemão agradeço aos favoritos!
Eu ia esperar mais dias para postar por conta da faculdade que agora tá me apertando o pescoço e... Awn... Espero que tenha ficado bacana. Não mudei muita coisa como disse e... Ain... Boa leitura.

Capítulo 2 - Lembre-se de Mim - Yuu e Kouyou


Fanfic / Fanfiction Linking - Capítulo 2 - Lembre-se de Mim - Yuu e Kouyou

“Tudo o que eu queria é que se lembrasse de mim Takashima Kouyou. Tudo o que queria é que entendesse que eu nunca o esqueci e que absurdamente o amo mais do que a mim mesmo. Seja meu, me ame como eu te amo, onegai...”

 

“Um menino loirinho estava encolhido e chorava muito quando o conheci.

Lembro-me que éramos pequenos e estávamos na mesma festa para as crianças que antes fomos enquanto eu tentava entender o motivo daquele choro todo... Ele havia machucado o joelho e tentava não berrar de dor, fingindo que já era um homem crescido na época apenas deixando suas lágrimas escorrerem, aos soluços, enquanto me dava nervoso ver tanto sangue sair de um lugar só. Até achei que ia desmaiar, mas também fingi que era homem o suficiente naquele dia para aguentar.

Eu o amparei e o acompanhei até um pequeno rio límpido que corre até hoje no bairro e limpamos a ferida com medo de que ficasse pior, arrancando um pedaço da minha yukata para fechar a ferida e assim nunca mais tive um contato direto com ele.

Dava para notar que ele nunca foi de ter amigos enquanto eu apenas tentava lutar para manter os poucos que tinha e ele foi o único que tive a imensa vontade de ter mais perto comigo, de desvendar os segredos daqueles olhos cor de mel e... O único por quem me apaixonei...”

Shiroyama Yuu estava na biblioteca lendo um livro qualquer – nem mesmo sabia qual era o título – apenas para seu rotineiro costume de observar seu colega de sala que sempre ia lá passar o tempo lendo uma pilha de livros... Era admirável vê-lo tão animado com cada página que folheava, quando se sentava a mesa e sorria ao devorar cada livro enquanto gingava as pernas sobre a cadeira como se fosse uma criança.

Na verdade esse colega de sala era seu vizinho que nem sabia de sua existência, mas por timidez e medo, mesmo que fosse um rapaz ativo e extrovertido, não conseguia se apresentar para Takashima Kouyou, seu amado desde que tinha dez anos quando presenciou toda a fofura e beleza da criatura numa festa no bairro que ocorreu, onde reuniu todas as crianças para comemorar alguma coisa que não se lembrava bem, que apenas serviu para encontrar seu destinado amor, acreditando nisso firmemente mesmo que ainda não soubesse bem sua opção sexual até agora, sentindo que ali, bem dentro de seu kokoro, nutria algo muito mais profundo do que uma simples admiração ou obsessão por assim dizer... Estava confuso, de verdade, mas não conseguia pensar em outra coisa que não fosse isso e queria muito achegar-se ao outro para sanar essa terrível dúvida que lhe rendia oito anos incertos de seus próprios sentimentos.

Uma hora ou outra estava convicto que sentia amor por Kouyou, pois sempre que o via, ficava todo eufórico, seu coração perdia o ritmo, seus membros trepidavam... Queria logo ter certeza, pensava nisso todos os dias e sempre que as aulas acabavam, sempre que Kouyou não o notava, sentia que uma parte sua poderia morrer... O que faria para ser notado? O que poderia fazer para que ele se lembrasse de oito anos atrás?

O sinal de retirada lhe tirou de seus devaneios e mais uma vez suspirou por não ter êxito algum no dia de hoje, arrumando suas coisas já que as aulas do dia haviam acabado e andando cabisbaixo a caminho de casa sem saber no que pensar exatamente, apenas observando de longe o coxudo, alto e lindo Kouyou tambem partindo com o sorriso de sempre nos lábios por mais que não tivesse ninguém ao seu lado... Aw, como era invejável, como era tão... Doce...

Chegou a casa não encontrando seus pais, deviam ter saído, subindo direto para o quarto e se jogar na cama devido o cansaço e o estúpido calor que fazia nesses últimos tempos, querendo logo dormir por conta do sono, mas seu gato branco pulava em cima de sua barriga, assustando-lhe com o impacto repentino.

- Juno, não me assuste, por favor! Seu bichano doido! Hum... Como foi o seu dia hein? – Disse acariciando o animal mesmo com o susto.

O gato ronronou com as carícias do dono, deitando-se sobre o tórax de Yuu para aproveitar melhor o ato de afeto...

“Meu dia foi o de sempre como qualquer gato faria, o que me preocupa é o que o mestre está sentindo agora.”

Yuu arregalou os olhos por escutar a voz repentina do felino... Mas ele nem gesticulava a boca para falar! Bom, imaginou logo que seria culpa de seu cansaço e de sua total tristeza por ainda não ter conseguido nada com Kouyou, pegando o bichano e deixando-o de lado, decidido a tomar um banho e esfriar a cabeça.

“Ei, realmente não acredita que foi eu que disse algo? Eu não sou um gato qualquer, mestre”

O moreno teve de esfregar os olhos, coçou a cabeça para ter certeza de que poderia acordar de algum sonho estranho e dizer, encarando o gato com grande ceticismo:

- Juno, não me pregue peças! Eu... Aw, cara! Eu tô cansaço... É... É apenas um cansaço do dia, mais nada.

“É sempre difícil no começo, pode apostar, mas estou aqui para um propósito maior. Digo que o mestre foi um dos únicos que consegui contato verbal e direto, o que significa que sua situação é bem dura aí dentro do seu coração...”

- Kami-sama... Eu... Yuu, você precisa de um banho bem gelado agora.

“Mestre, por favor, acredite em mim! Eu sei que queres ajuda para definir o que sente por Takashima Kouyou.”

Mais uma vez Yuu ficou surpreso demais com a resposta do bichano que só se aproximava graciosamente, provocando certo medo no rapaz.

- Como você sabe? – Disse pausadamente, afastando-se um pouco.

“Convivo com o mestre há sete anos! Como não irei saber? Desde que senti seu aperto no coração, sem melhora alguma nesses anos todos, eu tive que dar um jeito e me manifestar.”

- Tá, ok... Tudo bem... – Yuu se dirigia até a cama, sentando-se enquanto o gato o seguia, sentando-se a sua frente. – O que você é afinal, Juno? Bom, nem sei seu nome... – Continuou tentando acreditar nas circunstâncias. Se o assunto era ajudar a se aproximar de Takashima, valeria alguma coisa, valeria?

“Já tive muitos nomes mestre. Juno foi o nome que me deste, então Juno é Juno. Sobre mim... Bem, sou apenas uma criatura que precisa ajudar os outros para cumprir uma... Coisa que foi designada a mim, mas isso nunca importa, apenas devo te ajudar a preencher o vazio do seu peito.”

- Aw... Você... É o deus dos gatos? Bom, se veio me ajudar, então seria um deus, sei lá! – Yuu pareceu aceitar um pouco a ideia, mesmo que ainda estivesse confuso.

“Não... Eu não sou nem um tipo de deus, mestre. Por mais que tentasse explicar ia ser uma longa história que renderia alguns dias talvez, mas o meu objetivo principal mesmo é te ajudar e mais nada.”

- Alienígena? – Yuu ainda estava nervoso e muito confuso conversando com o gato.

“Mestre, por favor. Acredite apenas que eu sou uma mão a mais para sua causa. Não questione minha origem, pois isso só dificulta certo?”

O moreno encarou por mais tempo o gato, espremendo os olhos como que para entender melhor, decidindo por ora acreditar que aquilo era verdade e aceitar a ajuda do felino para se aproximar de Takashima, nem que pelo menos fossem amigos...

- Tudo bem Juno. Vou aceitar sua ajuda. Eu... Apenas precisava que ele se lembrasse da nossa infância. Acho que assim ia ser mais fácil e acho que nunca desejei tanto que isso acontecesse...

“O que devemos fazer agora é fazer com que Takashima se lembre com alguma aproximação. Ele definitivamente não se lembra de nada agora... Meus pêsames...”

- Não, não. Já imaginava.  Acho que coisas de criança a gente esquece mesmo quando não foi muito significativo para você. Mas como posso me aproximar dele?

“Hum... Use algo que ele costuma fazer como meio de aproximação. E... Hum... Mestre, gomene, mas como ainda tenho que viver como um gato, poderia me dar um pouco de comida?”

- Aw, claro! Havia me esquecido de deixar uma quantidade maior para você não ficar com fome. Vem cá. – Yuu sorriu com o pedido do gato, estendendo os braços por querer pega-lo no colo, agora achando de certa forma, maravilhoso ter que conversar com alguém. Seus amigos mais íntimos se mudaram do bairro um por um, tendo dificuldades em manter contato com eles e fazer novas amizades... Ser filho único era tão chato.

O ágil felino pulou para o colo do dono, atrevendo-se em subir até o ombro de Yuu, ficando pendurado como se fosse uma toalha ali enquanto arrancava risadas do moreno.

- Você não perdeu o costume de ficar pendurado no meu ombro né?

“Só acho confortável, mestre. Se te incomoda eu posso parar.”

- Não, tudo bem. Vamos até a cozinha... Fiquei com fome também...

Ambos comerem em silêncio, pensativos, Yuu achando incrível ter que conversar com o gato que lhe entendia; o gato que queria logo fazer o dono feliz para encontrar seu par, claro que se realmente Takashima fosse a pessoa certa para Yuu, seu par estaria com ele, era um sinal e ambos seguiram seus caminhos, na verdade juntos até o quarto de volta; Yuu tomando seu banho e o felino deitando-se ao pé da cama de seu dono para dormir... Um longo dia curioso e... Mágico...

No dia seguinte, Yuu acordou bem disposto a agir de acordo com os conselhos do gato que ainda dormia... Queria até conversar um pouco mais com o felino para saber melhor das coisas, mas preferiu deixa-lo descansar, seguindo para o colégio enquanto pensava se abordava Takashima na biblioteca fingindo ser ávido para leitura ou se sentava com ele no refeitório no horário de almoço, logo achando todas as opções estúpidas demais, cabisbaixo por não ter ideias boas para iniciar uma conversa com ele, chegando a sala e sentando-se em seu respectivo lugar a espera do sensei de literatura, apenas acompanhando com os olhos o loiro por quem nutria sentimentos ainda desconhecidos sentar-se no fundão por ser alto demais e por fim escutar o professor se anunciar:

- Hoje faremos uma atividade em duplas na qual vocês escolherão um livro desta lista para apresentar a turma uma resenha crítica da literatura que escolherem. Vocês terão duas semanas para fazer esse trabalho e quero que me entreguem a parte escrita e façam a apresentação logo depois sem qualquer recurso digital. Formem logo suas duplas e escolham o livro que querem antes de começarmos a aula de hoje.

Um grande “a” de insatisfação preencheu a sala. A maioria não gostou da ideia, menos alguns nerds e, claro, Takashima, ficaram alegres com o trabalho surpresa. Porém, por curiosidade, Yuu pode observar o olhar de tristeza do loiro pois todos já escolhiam seu par ou então negavam sua parceria, enchendo Yuu de esperanças, até que o viu se levantar timidamente para conversar com o sensei, escutando a conversa baixa entre o pequeno tumulto que se formava na sala:

- Sensei, posso fazer o trabalho sozinho de novo? Ninguém me aceitou...

- Você tem que ser mais sociável Takashima-san, futuramente precisará fazer muitos trabalhos em grupo.

- Não é querer ser anti-social sensei, o detalhe é que se recusam a fazer trabalho comigo. Acho que já formaram todas as duplas...

- Não é possível. A sala tem um número par de alunos, fiz os cálculos antes...

- Eu posso fazer com você Takashima-san! – E a voz de Yuu saiu um pouco alta demais enquanto tentava se manifestar ao se levantar para que o loiro o enxergasse, mas por azar acabou caindo junto com mesa e cadeira, provocando risos aos demais. Era desastrado até a alma.

- Agora você tem um par Takashima-san. – Dizia o sensei rindo do desastre do moreno.

- Hai. Arigato sensei. – Takashima disse antes de ir ao encontro de Yuu para ajuda-lo a se levantar.

- Ai... Minhas costas... – Yuu se queixava das batidas efetuadas na queda, ainda tentando se levantar.

- Calma, eu vou te ajudar. – Takashima se aproximava e tirava a mesa em cima do outro.

- Ai... Valeu. Shiroyama Yuu, prazer.

- Hum... – Takashima sorriu meigo com a disposição e animação do moreno. – Takashima Kouyou. Conto com sua ajuda e... Arigato. – E continuou com um sorriso animado enquanto ajudava o moreno a se levantar.

- Ah! Claro... Err... A gente pode almoçar juntos? Anno... Quer dizer, pra discutir sobre o trabalho! É que prefiro fazer as coisas com antecedência pra não atrasar... – Yuu esfregou a cabeça, sem graça. Nem estava acreditando que conseguira tomar atitude.

- Perfeito! Acho que encontrei um bom parceiro para trabalhos. Nos falamos então no almoço depois das aulas. – Kouyou sorria mais uma vez. – Aw! Ainda nem escolhemos a obra! Err... Vamos lá para escolher e entrar num consenso. – Continuou sem graça também...

Yuu seguiu Kouyou até a lista disposta perto do professor enquanto ele fazia as anotações dos livros que já foram escolhidos dando breves dicas sobre como apresentar o trabalho, ambos observando que havia apenas três títulos de livros livres para escolherem.

- Puxa! Já escolheram Camões... Aw... Ow! Sensei! Achei que o senhor ia colocar apenas os clássicos para serem apresentados! – Kouyou dizia enquanto observava a lista.

- Olha só! Continua ávido a ler clássicos! Queria que todos os alunos fossem como você Takashima, mas escolhi autores mais atuais com temáticas diversas para incentivar a leitura do resto da turma devido às notas péssimas que vi no semestre passado. Bom, ainda temos... Hum... Oliver Bowden, George R.R Martin e Agatha Christie.

- Os dois primeiros eu ainda não conheço muito bem, mas já li uma história muito boa da Agatha. O que você acha Shiroyama-san? – Kouyou perguntava com aquela sorriso encantador que derretia aos poucos o moreno.

- Hum... Confesso que não sou muito de ler, mas já li um livro do Oliver. Depois que descobri que ele escreveu um livro sobre um game de ação maravilhoso, eu peguei pra ler por curiosidade e achei muito bacana! Mistura ficção com personagens que já existiram e que morreram na época designada. Mas, enfim, pode escolher o que achar melhor e daí até procuro o livro hoje para ler pra gente começar o trabalho. – Yuu estava terrivelmente sem graça, tentando ser o mais sincero possível. Pelo menos nas pequenas observações ao loiro pela biblioteca, teve algum lucro em conhecer algum autor pelo menos.

- Interessante... Vamos escolher o Oliver. Precisava de uma indicação para livros de ação mesmo.

- Muito bem. Espero que se divirtam com o trabalho e... – Dizia o sensei, prolongando mais um pouco a conversa para lhes explicar o modo como devia ser feito todo o trabalho...

 

 

A aula foi longa para Yuu que não via a hora de chegar o horário de almoço para conversar com Kouyou, nem que fosse sobre trabalho, já seria alguma coisa para conhecer melhor o loiro e conseguir uma aproximação, gloriosamente sentando-se de frente para ele no refeitório para conversar.

- Então Shiroyama-san, me conte um pouco do livro que você leu.

- Hum... Aw, tem muita ação, luta com muito sangue e acaba que você aprende um pouco de italiano, latim, espanhol, francês e conhece alguma coisa de história também por causa dos personagens reais que incluíram no enredo como os Bórgias e tudo mais... – Yuu respondeu animado.

- Owo! Sério? Os Bórgias tem uma história muito interessante. Deve ter ficado bom no livro! – Os olhinhos cor de mel de Kouyou brilhavam de emoção no momento. Parecia que ele gostava mesmo de mergulhar nos livros.

- Puxa cara! Você tem que ler as cenas de luta! Ficaram tão bárbaras que quando percebi, já havia acabado com o livro! Muita emoção do começo ao fim!

- Hum... Você comprou o livro ou pegou na biblioteca?

- Vi um dia na biblioteca, mas acho que já alugaram... É bem requisitado, ainda mais para o pessoal viciado no game.

- Aw, puxa! Fiquei curioso para ler...

- Bom, tô pensando aqui. O sensei pediu pra ler o primeiro livro? Tipo, como a saga acompanha o game, devem ser uns cinco livros... – Yuu já se sentia a vontade com o outro. Parecia que já eram amigos... Era o que achava...

- É verdade... A gente podia falar sobre o primeiro e incentivar o pessoal a ler o resto, o que acha?

- Boa pedida. Faremos um bom trabalho. Como iremos combinar para começar logo de uma vez?

- Poderia ser durante a semana? É que fim de semana meus sobrinhos costumam vir me fazer uma visita.

- Oh! Você já é tio? Filho caçula?

- É... Minhas irmãs gostam de passar o fim de semana com nossos pais... Não é sempre que aparecem também, mas é quase certo. Mas vamos fazer o seguinte: me passa o seu número que qualquer coisa eu te ligo e a gente combina num lugar pra fazer o trabalho. Anota o endereço da minha casa também pra...

- Err... Na verdade somos vizinhos, Takashima-san. Desde pequenos. – Yuu disse tímido, quase inaudível.

Kouyou pareceu surpreso, ficando sem graça com o fato e coçando a cabeça sem saber muito bem o que fazer.

- Desculpa Shiroyama...

- Poderia me chamar de Yuu apenas? Não curto muito formalidades comigo e... Também é estranho ficar me tratando assim se somos vizinhos desde que tínhamos quatro anos. – O moreno tentou ser descontraído ao dizer o que sentia, morrendo de medo ao achar que proferiu as palavras de forma ofensiva.

- Aw... Gomene Yuu. É que sou um cara tão fechado para as coisas que acabo não percebendo os fatos ao meu redor. Minha mãe costuma me chamar de altista por conta disso... Gomene! – Kouyou pareceu compreensível, ficando todo vermelho de vergonha.

Yuu sorriu com o rosto corado de Takashima, desejando muito que aquilo tudo estivesse dando certo, dizendo alegre:

- Tudo bem Takashima-san. Minha mãe é quase a mesma coisa comigo quando fico enfurnado no quarto jogando. A gente poderia voltar para casa juntos né? Bom, moramos quase de frente um pro outro.

- OK, ok... Primeiro, pode me chamar de Kouyou e gostaria muito mesmo de ir acompanhado para casa... Não tenho amigos, então... Seria ótimo conversar com alguém.

- Ah! E-Eu posso te chamar de amigo? – E novamente a atitude impulsiva de Yuu falou mais alto, na verdade na hora certa pois só faltava mesmo uma oportunidade para que seu jeito desengonçado agisse sobre o outro.

- Hountou? E-Eu aceito, amigo...

Ambos trocaram um sorriso de animação, ao mesmo tempo rubros pela timidez do inesperado, comeram enquanto conversavam mais e finalmente na saída, esperaram um ao outro para seguirem rumo a suas casas, rindo, trocando fatos de suas vidas além de números de seus celulares para mais contato por mais que morassem perto, deixando Yuu completamente radiante e com uma chance de conseguir realizar o que tanto queria; descobrir o que seu coração realmente sente por Kouyou.

- Tadaima! – Yuu disse animado, adentrando sua casa.

- Okarin meu filho. – Respondeu a mãe do moreno que estava na cozinha preparando algo. – Parece que viu um passarinho verde hoje... – Continuou, reparando no entusiasmo do filho.

- Fiz uma amizade okaa-san! – Yuu rapidamente abraçou a mãe, querendo logo subir para o quarto, tomar um banho e incrivelmente compartilhar a ideia com todos os detalhes para Juno, seu gato, mesmo que seja esquisito aparentemente.

- Olha! Meus parabéns! Achei que meu filho fosse a criatura mais anti-social do mundo. Quem é? – A mulher tentou prender o filho por mais tempo para conversar melhor. O rapaz estava estourando em felicidade.

- Takashima Kouyou, o nosso vizinho.

- Aw! Ele é um bom menino. Converso sempre com a mãe dele. Digamos que somos amigas, sabe? Que bom que me poupou o trabalho de mostra-lo para ela para que conhecesse o menino dela.

- Mãe, por que não me disse que era amiga da mãe dele? Tá de zuação né? – Yuu teve até de voltar para entender melhor a história.

- Eu tentei te contar meu filho, mas se você não fosse igual um bicho do mato, tudo seria mais fácil.

- Aw... Mas tá bom! Já somos amigos! Estamos até fazendo trabalhos juntos! – Yuu já subia as escadas para chegar ao quarto.

- Ótimo! Depois venha comer algo Yuu. – Gritou a mãe para que o moreno escutasse.

- Ok!

O moreno se trancou no quarto e logo se despiu sem pensar muito para tomar um banho gelado, encontrando Juno dormindo perto de seu criado mudo que acordou quando uma de suas roupas foram lançadas sem querer em cima do felino.

“Aw, hum... Okarin mestre... Hum... Parece mais animado...”

- Eu consegui Juno! Ele é meu amigo agora! – Yuu se trancou no banheiro que tinha em seu quarto logo em seguida.

“Hum... Foi rápido! Que bom que as coisas estão fluindo depois de tanto tempo... Meow... Conheço esse cheiro”.

O gato se esfregou nas roupas do dono extasiado com o odor diferente que vinha dali, miando sem parar, arrastando a roupa até a porta trancada do banheiro, arranhando a madeira com euforia, mas não teve êxito... Sabia que o cheiro era de seu par. Tinha que vê-lo logo...

Yuu terminou seu banho rapidamente e sem muitos rodeios começava a contar toda a história de como conseguira a aproximação com Takashima para Juno enquanto se vestia, o gato apenas observava e o moreno apenas dizia sem parar até o momento de sua chegada a casa.

“Agora o mestre já sabe o que sente pelo Takashima?”

- Bom... Saber mesmo eu não sei, mas... É normal ficar todo eufórico, se sentir trêmulo e o coração disparar perto de um amigo? – O rapaz sentava-se a cama, acariciando o gato, pensando.

“Bom, é um indicativo de que sente algo a mais pelo outro, tenho certeza disso.”

- Então... Será que é amor? – Ele sorria abobado, imaginando coisas além, mesmo que isso a princípio o deixasse sem graça.

“É melhor ter mais contato com ele para saber mestre. Costumo ajudar os mestres para preencher o vazio de seus corações com o amor de alguém compatível, mas não quer dizer que amor deva ser apenas algo... Hum... Carnal. Ele pode ser de outras formas também, então não diga que eu não o avisei caso...”

- Juno, eu sou um tarado por acaso? – Yuu fazia bico.

“Mestre, é apenas um lembrete. Eu já juntei apenas grandes amigos, irmãos que não se falavam, pai e filho brigados... Eu apenas os ajudo a preencher o vazio de seus corações devido há algum motivo, mas o meu papel como ‘cupido’ funciona apenas quando o sentimento de ambos superam os outros tipos de amor, sabe? Então... Não querendo te desanimar, às vezes esse Takashima quer apenas sua amizade, mas com certeza o destino de vocês está laçado para sempre...”

- Hum... Mas... Você me garante que mesmo que sejamos apenas amigos até o final, será até o fim né? Tipo, até a morte? – O moreno pareceu um tanto desanimado ao proferir as palavras, não querendo perder tão rápido a companhia do outro.

“Yuu-sama, meu trabalho é enlaçar almas e não apenas junta-las por um tempo. Sejam apenas amigos ou a reconciliação de parentes ou mesmo um grande amor, meu trabalho é firmar esses laços até para as próximas encarnações para garantir que sua alma não seja mais vazia como antes, mestre.”

- Muito bom... – Ele sorria animado e mais aliviado, deitando-se sobre a cama, agora pensando em todas as possibilidades segundo Juno. Pensava se seriam grandes amigos, pensava se Takashima responderia seu amor... Pelo menos agora tinha certeza que não queria apenas amizade dele se isso fosse possível e devidamente correspondido, mas pelo menos o que queria era que o loiro jamais saísse de sua vida...

 

~***~

 

Alguns meses depois. Shiroyama e Takashima praticamente não se desgrudavam.

A princípio eram apenas amigos, andavam sempre juntos, combinavam sempre de fazer algo para se entreterem, mas, em nenhum momento o moreno teve coragem de se arriscar em uma declaração, em dizer tudo o que sentia a mais além da perfeita amizade que tinha com o outro... Mesmo com os avisos de Juno de que tudo aquilo valeria para as próximas vidas que poderia ter, ainda tinha o medo de perdê-lo, tinha medo de ser rejeitado, então... Apenas deixava o tempo passar para saber o que poderia ser ou se realmente tinha uma ideia torta de seus sentimentos... Aquilo doía...

- Yuu, você tem uma yukata? – Dizia o loiro enquanto estava concentrado no game que jogava com o outro.

- Hu? Por quê? – Yuu encarava o outro, sem se importar se perderia ou não.

- É que vai ter um festival no bairro e... Queria que você fosse comigo. – Takashima respondeu com naturalidade, pausando o jogo para corresponder o olhar.

- Aw, sim... Claro que posso ir com você, mas primeiro eu devo comprar uma yukata nova. A que eu tenho é bem velha, então não dá para usar.

- Hountou? Ou você está com vergonha de ir com a que tem agora? – Kouyou dizia com um sorriso que indicava que estava brincando.

- É sério. A que eu tenho guardado é pequena demais. Ela serviria se eu ainda tivesse dez anos. Quer ver? – Yuu sorriu, pensando na possibilidade de relembrar o tempo em que conheceu o loiro, talvez acender o passado na mente do outro. Mesmo que às vezes comentasse sobre o festival de anos antes, Kouyou apenas era indiferente ou dizia que não se lembrava de nada do que ocorreu... Poderia ser uma oportunidade.

- Hum, tudo bem. Devo imaginar que ainda caiba em você, mas não quer confessar. – Kouyou começava a implicar com um grande sorrisão que deixava o moreno sem chão.

Yuu pediu para que o outro o seguisse, ambos indo em direção ao quarto do moreno onde Juno dormia um pouco, mas que rapidamente acordou quando os rapazes adentravam enquanto conversavam.

O cheiro é realmente o que eu procuro...

- Ufa! Achei! É esse aqui... – O moreno mostrava depois de tanto procurar a pequena yukata que estava rasgada na barra inferior, esboçando um sorriso feliz.

Juno se aproximava lentamente de Takashima e o próprio ficara sem reação ao ver a peça de roupa, entreabrindo os lábios como que atônito por alguns instantes antes do felino chegar finalmente ao seu colo, institivamente encarando o gato, acariciando-o, porém ainda pasmado com o que vira nas mãos de Yuu.

- Kou, o que foi? Você tá bem? – Yuu ficou preocupado, aproximando-se sem entender aquela reação, agachando-se para enxergar o rosto do loiro.

- Aw... Ah! – Kouyou sorria suave como se estivesse pensando em algo bem distante. – Você gosta mesmo desses festivais que ocorrem por aqui? Você costuma sempre comentar comigo sobre essas coisas então foi por isso que eu te convidei e... Anno... Ainda está de pé né? – Continuou, dizendo tudo tão de repente para o outro, deixando-o confuso.

- Claro que está de pé, mas quando será o...

- Hoje mesmo, a noite. Eu posso te emprestar uma yukata minha, então... Só queria muito que fosse comigo já que agora eu tenho um motivo maior. Eu... Além de querer me divertir com você eu... Quero te dar um presente. – Kouyou dizia com uma expressão indecifrável para o moreno.

- Bom, eu... Nem sei como agradecer cara... Nem é meu aniversário ou algo do gênero, mas...

- O presente é apenas algo singelo. Não precisa ficar nessa. Me deu vontade de te dar um presente e pronto. Err... Que tal irmos logo para minha casa para vermos logo a yukata? Já é tarde, então, quanto mais rápido melhor né? – Kou se erguia ainda com Juno em seus braços sem nem mesmo perceber isso, seguindo para o andar inferior, deixando ainda mais Yuu tonto de confusão.

- Tudo bem... Só... Vou dar uma breve ajeitada no que deixamos ligado para minha mãe não ficar falando depois e escrever um bilhete para ela. – Yuu seguia o outro que habilmente desligava a televisão antes mesmo de o fazer, guardando tudo.

- Escreva logo o bilhete para sua mãe.

- Hai... Anno... Não tem mesmo problema? Tipo, ir à sua casa agora e...

- Não, não! Minha família fez uma viagem longa. Só não pude ir junto por conta do colégio, então, eu tô sozinho em casa como nas muitas vezes que eles precisaram viajar.

- Aw... Tá...

Yuu queria muito entender essa reação repentina do outro, essa euforia que nunca vira com tanta intensidade como agora, escrevendo logo o bilhete para a mãe depois de tudo arrumado e em seu devido lugar para não levar uma bronca, saindo de casa com um grande sorriso no rosto, mas que se transformou num quase gesto de grito quando não notou antes que Juno também saíra com eles, o felino correndo pela rua enquanto o moreno tentava chama-lo de volta.

“Mestre, é ele! É ele! Esse promete uma reação maior! Meow!”

Juno corria como um animal louco, para lá e para cá enquanto dizia até parar em frente à porta de uma casa alguns poucos metros longe da de Yuu, arranhando a porta de entrada enquanto Kouyou corria na frente.

- Puxa! Mesmo sem ter ido a minha casa alguma vez, parece que seu gato acertou onde é...

“Nyaw! Você voltou! Você voltou!”

O moreno começou a escutar outra voz, uma voz mais infantil e que lembrava brevemente a de Juno, logo um miado fraco e de um possível filhote pendurado na janela do andar superior da casa de Takashima que correu mais rápido ao ver a bolinha preta praticamente quase se jogando dali...

- Ai meu Kami! Nino! Entra! Sai da janela! – O loiro pegava logo as chaves para entrar.

“Nyaw! O mestre chegou... Hum... Não biga com o neko...”.

“Obedece ao seu mestre, eu já vou entrar! Meow! Quanto tempo...”.

Juno dizia e parece que o pequenino bem pretinho de olhinhos bem grandes também estava a falar, deixando Yuu um tanto espantado, entrando devagar enquanto o loiro ainda procurava o seu bichano.

- Ah, Nino. Não me assuste mais sua bolinha felpuda! – Dizia Kouyou ao longe.

“Ah, mestre! Ele está aqui!” Juno estava eufórico ao lado de Yuu que apenas esperava o loiro no andar inferior, fechando a porta da casa.

- Tá tudo bem, Kou? – Yuu disse um pouco mais alto, aparentemente ignorando o felino branco, escutando alguns passos ao longe.

- Tá sim. Gomene. É que esse danadinho aqui é bem sapeca às vezes. – Kouyou se aproximava com o filhote no colo.

- Aw! Então esse é o pequenino Nino. – O moreno sorria.

“Nino desu, nyaw! O amigo do mestre trouxe o meu amigo! Nyaw”.

Novamente a voz infantil como antes preencheu seus ouvidos, sabendo agora que vinha do filhote de gato nas mãos do loiro, pegando-o para fazer-lhe um carinho enquanto Juno ficava ainda mais eufórico, agarrando-se as pernas do moreno.

“Hum... Nino gosta de carinho na barriga, faz carinho na barriga...”.

Mesmo um tanto espantado, sorriu com o pedido simples do pequenino, fazendo carinho ali, escutando ronronares e sentindo as patas de Juno em suas pernas querendo pedir atenção também.

“Mestre, deixe-me ver Nino-san também. Eu senti a falta dele... Deixa... Meow”.

- Parece que você atrai os gatos Yuu. – O loiro admirava a cena.

- Nem é... Vamos ver logo essa yukata e... – Yuu deixava o pequenino ao chão onde Juno já começava a brincar com o filhote.

- É mesmo! A festa será daqui a umas duas horas e nem vimos... – Kouyou pegava a mão do moreno puxando-o escada acima.

- O que? Mais não era só à noite?

- Claro. Daqui a duas horas já será noite e pode relaxar que eu já avisei a tia Aya que pretendia chama-lo para ir comigo no festival, então, não se preocupe.

- Porra! Minha mãe sabia primeiro e nem para me dizer nada?

- Yuu, você já deixou o bilhete, então ela já vai saber que você está comigo no festival. Senta ai.

Ambos já estavam no quarto do loiro, Yuu sentando-se na cama do amigo enquanto o próprio revirava o guarda roupa para procurar uma yukata apropriada e que servisse no moreno, conversando e logo se arrumando de uma vez depois de um banho, um de cada vez, Kouyou aproveitando para embrulhar o simples presente enquanto Shiroyama estava trancado no banheiro e assim que estavam arrumados, deixaram os gatos em casa com tudo que eles poderiam precisar e partindo para o festival que já começava animado, bem iluminado e com muitas atrações para oferecer.

- Oh! Não sabia que teria um show de fogos de artifício. Vai aguentar até lá, Yuu? – Kouyou dizia animado ao conferir mais das atrações depois de algum tempo dentro do festival.

- Claro! Nem ficamos direito aqui dentro, por que não até o fim? – Yuu comprava alguma coisa para comerem.

- Hum... Eu... Queria conversar com você melhor e num lugar especial para mim, pode ser? – O loiro dizia envergonhado.

- Aw, ok... – O moreno não conteve um sorriso ao observar as bochechas do outro corar... Como queria que ele soubesse o quanto o amava, mais do que a si mesmo...

Caminharam por entre a multidão que começava a lotar toda região que compreendia o festejo, algumas vezes tropeçavam, mas seguiam em frente, Kouyou guiando Yuu até um lugar que praticamente não havia ninguém passando, um lugar calmo e que percorria um pequeno rio límpido na qual se conheceram pela primeira vez, o lugar que o moreno começou a amar o outro em segredo.

- É aqui... É mais calmo do que toda aquela muvuca e o meu esconderijo quando preciso relaxar um pouco... – Kouyou dizia sereno, com um semblante pensativo.

- Eu também gosto desse lugar. Me trás as melhores lembranças... – Yuu encarava o outro, sentindo seu coração perder o ritmo enquanto passava por sua cabeça se deveria se declarar... Não queria vomitar as tripas agora de tanto nervosismo do momento.

- Ah! Agora eu quero que veja o presente que eu tenho para você... Só não ri tá? – O loiro retirava um embrulho de dentro da yukata, pegando a mão do outro para ter certeza de que ele pegaria o presente.

Yuu sorria animado, retirando o embrulho e encontrando um pedaço de pano com a cor e desenhos que lhe eram familiares, ficando impressionado quando observava que se tratava de um pedaço da yukata que usava quando tinha dez anos, quando arrancara para fechar a ferida do pequeno Kouyou de antes, não contendo uma lágrima de felicidade ao imaginar que ele se lembrava...

- Quando era bem novinho tinha me machucado bem aqui neste rio e um garoto valentão e de bom coração havia me amparado até o fim dos eventos daquele festival. Juro que aquilo me deixou feliz, pois achei que aquele garoto seria meu melhor amigo, mas por motivos da vida eu não consegui encontra-lo novamente e então o que me restou foi guardar alguma lembrança para sempre me recordar do gesto... Só... Me diz que você é aquele garoto de anos atrás já que... Bom, vocês são parecidos, mas há aqueles traços de diferença entre vocês... – Kouyou dizia quase inaudível, claramente um tanto nervoso como Yuu no momento.

- V-Você se lembra? Você... Guardou esse pedaço de pano por todo esse tempo e... Ah... Eu fico tão feliz que tenha se lembrado de mim mesmo que a princípio não soubesse que era eu por todo esse tempo. – Yuu teve de usar o pano como lenço para limpar as lágrimas que escorriam involuntariamente de seus olhos ónix, arrancando uma risada feliz do outro.

- Desculpa por não perceber antes. Só... – O loiro respirava fundo, ficando ainda mais vermelho de vergonha – Precisava confirmar e ter certeza de que você foi o rapaz por quem me apaixonei. – E continuou sem conseguir encarar Yuu, apertando os olhos com medo de receber uma resposta ruim.

O coração de Yuu por alguns instantes parou de bater com aquelas palavras, ainda mais impressionado por escutar que os sentimentos do loiro eram recíprocos com o que sentia também, levando suas mãos até a face de seu amor com carinho, dizendo com um sorriso nos lábios:

- Então você me ama como eu te amo? Diz que todo o amor que nutri por você por todo esse tempo é o mesmo que você nutriu, diz logo para me enfartar de uma vez com essa grande felicidade...

- Se você sente o mesmo, então é verdade. Se dissesse algo contra, faria de tudo para não perder sua amizade, dizendo que era brincadeira, sei lá! E... Err... Se... – Kouyou tentava se explicar, nervoso com a situação.

Sem mais delongas, Yuu apenas beijou os lábios carnudos do amigo que agora seria seu namorado com o pedido que faria assim que terminasse o beijo e que timidamente era retribuído com carinho, que começou a prolongar com certa volúpia quando seus corpos se colaram num abraço, apenas se separando quando o ar foi necessário.

- Quer ser meu namorado? Não precisa dizer agora se quiser, mas... Eu te faço essa proposta... Na verdade sempre quis te dizer isso! – Yuu dizia um pouco nervoso ainda, sorrindo abobado com os fatos que se seguiam da melhor forma do que havia imaginado.

- Se me prometer que não vai me deixar, que não terá vergonha de mim e entre outras coisas que podem interferir, eu aceito sim... – Kouyou sorria, atacando os lábios do moreno.

Eles estavam num lugar bem reservado, na verdade de baixo de uma pequena ponte, aos beijos, beijos que evoluíam para algo mais além, encostando-se na pequena elevação de terra que possuía ali, seus corpos colados e os volumes entre suas pernas bem evidentes com aqueles gestos que até então eram novos para ambos...

- Yuu, espera... Eu... Hum... – Kouyou pedia um tempo, levando suas mãos até sua intimidade, com vergonha de que o outro veja.

- O que foi? Não está bom?

- Não é isso... – O loiro finalmente deixava suas mãos livres, insinuando o que parecia uma seta entre suas pernas.

O moreno vendo aquilo, deslizou sua destra por dentro da yukata, sentindo que o outro não usava nenhuma roupa íntima, arfando quando sentia os toques, tombando a cabeça para degustar os movimentos gostosos de Yuu que sorria, aproximando seus lábios pelo pescoço longo do loiro...

- Não sabia que você preferia não usar cueca... – O moreno sugava a pele alva do coxudo.

- Aw... É que... Hum... É mais fresco quando se está de yukata... – Kouyou respondia entre ofegos, corado...

- Hum... Irei fazer um favor então...

A boca ousada de Yuu descia até o membro rijo do loiro após afastar um pouco o tecido da yukata para abocanhar aquela parte do corpo, arrancando um gemido mais alto de Kouyou que se apoiava na pequena elevação de terra a suas costas, além de segurar com uma de suas mãos os cabelos negros do outro devido ao imenso prazer.

- Aw, Yuu... Koishiteru...

As palavras, os gemidos de Kouyou apenas estimulavam o moreno a continuar, engolindo e chupando tudo com vontade, fazendo os gemidos apenas aumentarem, os ofegos sofridos, a expressão de prazer cada vez mais forte sobre a face do loiro.

- Hum... Yuu... Esperaa... Aw! E-Eu não vou aguentar... Err E-Eu vou...

Kouyou sentia uma boa sensação subir-lhe pelo corpo seguido de formigamentos prazerosos, agarrando mais forte os cabelos de Yuu que engolia todo o licor quente sem se importar com o sabor diferente, voltando seus olhos para o loiro que buscava ar, tocando o próprio membro por desejar um alívio, ofegando ao observar o outro no auge de seu êxtase.

- Kou, me toca... – Yuu dizia aos sussurros, expondo seu sexo que começava a gotejar.

- ... Por que não... Me faz bem, dentro de mim? Eu quero te sentir Yuu... – Toda a timidez parecia não existir mais para Kouyou, esboçando uma expressão sapeca bem desenhada nos lábios e olhos imersos no momento libertino.

- Tem certeza? Não vai machucar?

- É você Yuu. Não vai machucar. Eu quero... – Kouyou puxava o moreno para beijar-lhe os lábios, um pouco desajeitado pela falta de ar, mas louco para sentir mesmo que nunca tivesse feito esse tipo de coisa.

Mesmo que seu amor tivesse dito que não tinha problema algum, tentou ser cauteloso, primeiro retribuindo o beijo da melhor forma, deslizando suas mãos sobre as coxas grossas do outro para enfim agarrar a dobra de sua perna, erguendo sem muita dificuldade as pernas de Kouyou e deixando-as fletidas para o alto para dar vazão ao membro pulsante invadir o interior do submisso que apertava os lábios com o incômodo.

- Não vai devagar. Entra de uma vez Yuu... – A voz saía sofrida mesclada a prazer.

Yuu obedeceu, enterrando-se de uma vez e gemendo aliviado por sentir aquela cavidade cavernosa e apertada lhe envolver, recebendo em troca um gemido quase sem nenhum som enquanto algumas lágrimas vazavam dos olhos mel.

- Você tá bem?

- Não fica parado... Mova-se logo ou vai ser pior...

As estocadas começaram e mais uma vez o loiro espremia os lábios para evitar que grunhidos de dor fossem soltos de sua garganta, tentando relaxar e concentrando-se nos sons de prazer que Yuu emitia, conseguindo por fim sentir uma sensação diferente quando a ponta do membro do moreno batia num ponto específico em seu interior, involuntariamente levando uma de suas mãos para se masturbar, recebendo investidas fortes e que começavam a ficar altamente prazerosas, sentindo aquela sensação de antes preencher o seu corpo.

- Hum... Você é tão... Ah Apertadinho Kou...

- Não para Yuu... Tá... Tão... Hum... Gostoso... – Não conteve um gemido.

- Eu não vou aguentar Kou... Tá chegando... – Teve que repousar a cabeça no ombro do outro com a sensação quase entorpecedora, aumentando ainda mais seus ritmos.

- Eu também... Aw... Também estou sentindo... Me preenche Yuu...

- Aw... Me beija... Eu vou... – Yuu suplicava, sentindo que poderia gritar ao chegar a seu ápice.

Kouyou uniu seus lábios com o alheio, tão tomado pelo prazer de sentir Yuu invadir seu corpo que sem querer mordeu um pouco forte o lábio inferior do moreno antes de gemer alto quando sentia que estava no seu limite, sentindo o outro preencher-lhe...

- Hum... Kou, Koishiteru mo.

- Eu te amo mais... – Disse rindo, colando sua testa com a do outro.

- O que importa é que será para sempre...

A consumação do amor que ambos tinham um pelo outro estava apenas começando, o ar que voltava aos poucos e os olhos brilhando com o momento mágico assim como a queima de fogos de artifício que se iniciava, colorindo em multicores o céu negro...

 

 

 

“Já acabou...” O gato branco dizia observando pela janela as belas explosões pelo céu.

“Nyaw? O que acabou? Continua a brincar com o neko!” O pequenino encarava o outro enquanto estava deitado, parecendo garrar o rosto do maior com suas patinhas.

“Não, infelizmente acabou. Não podemos continuar mais...” Juno já se preparava para abocanhar o cangote do filhote.

“Nyaw, nyaw! O neko não quer! O neko quer ficar! O neko quer continua mais tempo com você!”

“Não é bem assim. Eu também queria muito que isso acontecesse, mas não podemos. Se continuarmos depois de cumprir uma missão, seremos punidos...”

“O neko não entende e não quer entender! Eu quero ficar com você! Não me deixa sozinho de novo! O neko te ama, nyaw!” Nino miava como se estivesse chorando...

“Não podemos! A punição é bem severa, entenda! Eu não quero te perder! Então apenas aceite essas circunstâncias!” Juno grunhia irritadiço.

“O neko só queria...”

Nós vamos nos ver de novo...” Juno ficava mais calmo.

“Vamos ficar! Daí podemos ficar juntos! O neko tem medo de ficar sozinho de novo!”

“Já cumprimos nossa missão pequeno. Eles não irão mais se lembrar de nós. É por isso que vamos embora” O felino branco abocanhava o menor finalmente pelo cangote, pulando para a janela como sempre fazia.

“Mas você não ama o neko? Neko não quer te perder, nyaw...” Nino parecia dizer com tristeza em meio aquele miado angustiado.

“Eu te amo sim, mas é preciso ainda fazer esses sacrifícios para conseguirmos ficar juntos...”.

“Tenho medo...”

“Não tenha... Vamos nos ver...”

“Não deixa o neko de novo”

“Sei que ainda não entende, mas é por amor... Gomene...”

Juno deixava novamente Nino em algum lugar, sumindo mais uma vez sem ter muito contato para não voltar atrás enquanto escutava os miados desesperados do filhote em meio aquela noite fria, tentando imaginar quando, quando mesmo essa agonia passaria, quanto tempo levaria para pagar seus erros...

Já faz tanto tempo...



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