História Lionheart - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Draco Malfoy, Gilderoy Lockhart, Harry Potter, Hermione Granger, Lord Voldemort, Minerva Mcgonagall, Molly Weasley, Neville Longbottom, Quirinus Quirrell, Ronald Weasley, Severo Snape
Tags Dramione
Visualizações 409
Palavras 5.042
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Hentai, Magia, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Hey bebês, tudo bem? Gostaria de agradecer imensamente à todos que comentaram no último capítulo. Well, esse capítulo ficou um pouquinho menor mas há bastante coisa rolando nele, inclusive coisa importante, então espero que gostem pois eu amei. Eu nunca postei de Domingo, vamos ver se dá certo né? Hahah.
Well, vamos ao capítulo sim?

Capítulo 14 - The Heart Of The Scorpion


Harry escreveu em seu caderno, mordendo o lábio inferior e arqueando a sobrancelha em concentração. Ele podia ouvir o barulho das vozes no andar de baixo da casa, mas preferiu não sair do seu quarto. Tamborilou os dedos na mesa de madeira nervosamente, desejando saber sobre o que Severo e Arthur Weasley conversavam. 

Ele parou de escrever e levantou-se, abrindo a porta com cuidado para não fazer barulho. Desceu metade da escada e encostou na parede, tentando ouvir a conversa do pai de Ronald:

— Sirius Black fugiu?! — Ouviu seu guardião questionar, a voz um pouco alta demais, tingida de algo venenoso que borbulhava sob a superfície: — Como ele conseguiu fugir?

— Não sabemos ainda, mas achei melhor te avisar — Arthur respondeu, pela ligação de Floo — Precisa conversar com Harry, ele não estará seguro enquanto Black não for recapturado.

— E teve algum momento em que Potter esteve seguro? — Ouviu o outro questionar, ironicamente, e revirou os olhos, cruzando os braços. — Falarei com ele e com Dumbledore — falou, respirando fundo: — Obrigada pelo aviso — completou. Logo, a imagem de Arthur desapareceu da lareira.

— Potter, venha aqui agora! — Mandou. Harry assustou-se ao ouvir o tom de voz consideravelmente mais alto e respirou fundo. Esperou alguns segundos e continuou a descer as escadas, aparecendo na sala: — Sente-se — mandou, apontando o sofá:

— O que houve? O que o senhor Weasley queria?

Snape massageou a têmpora e desejou estar em outro lugar, com outras pessoas. 

— Sirius Black fugiu de Azkaban — ao perceber que o nome não significava nada para o menino, grunhiu baixo: — Ele e seu pai eram grandes amigos... — explicou: — Há chances, grandes chances, de que ele venha atrás de você — explicou.

— Mas por que ele foi para Azkaban? 

— Ele matou uma pessoa... Peter Pettigrew... Dizem que só o que encontraram do corpo foi o dedo mindinho — explicou. 

...

Hermione ajeitou os cabelos castanhos e respirou fundo. Usava um vestido bege claro de frente única, um colar de pérolas e os cabelos estavam presos em um coque bem feito. Em seus pés, um par de sandálias douradas. Ela colocou os brincos que Ronald a dera e brincou com a aliança em seu dedo, tentando encontrar forças para sair do quarto.

— Ei — ouviu aquela voz familiar e virou-se, deparando-se com Noah ali. Ele usava uma blusa negra, assim como as calças. A pele, mais pálida do que o comum, ressaltava seus olhos azuis. Ela coçou o pescoço e sorriu fraco:

— Oi — ele deu um passo em direção à jovem, hesitando no meio do caminho. Os olhos cintilaram, os tons misturando-se profundamente. Ele colocou as mãos no bolso e abaixou o olhar. Ambos ficaram em silêncio, sem saber ao certo o que dizer.

— Você está linda — ele murmurou, baixo. A jovem assentiu, molhando os lábios, e sentou-se na cama, desejando poder expressar em palavras o que ela estava sentido naquele momento. Ela brincou com a barra de seu vestido e ele, em um ato impensado, decidiu sentar-se ao lado da jovem. 

Ela fechou os olhos, respirando fundo. Antigamente, a jovem tinha plena certeza do que queria, do que desejava. Ela já tinha um mapa mental, um plano bem estruturado de como seria sua vida. Ela casaria com Ron, os dois teriam dois filhos, ela trabalharia no Ministério e seguiria sua vida no curso que planejara. Entretanto, agora, quando ela olhava para aquele futuro que planejara com tanto cuidado, já não sentia tanta paz diante do mesmo. Percebera que antes seus sonhos tão ambiciosos haviam sido reduzidos à cinzas. Porém, Noah de alguma forma colocava fogo nos mesmos novamente, e ela se sentia o pior ser humano por isso.

— Estou um pouco emotiva — riu fraco. Ele a encarou com cuidado, pensando no que poderia fazer para que a jovem se sentisse melhor. — Eu só... Queria ter visto o mundo antes de ter ficado noiva... Queria ter ido à Nova York ou conhecido um Planetário Mágico. 

— Ainda pode fazer essas coisas quando estiver com Ronald — garantiu-a, desviando o olhar do dela. 

— Talvez — ela não parecia tão convencida assim. A verdade era que não sabia ao certo por que se sentia daquela maneira, especialmente em um momento no qual era para estar satisfeita com tudo o que tinha. Ela e Ron se amavam, a família dele era incrível e ela realmente se sentia feliz, mas ao mesmo tempo, era como se algo estivesse... Errado. 

— Feche os olhos — ele pediu, delicadamente.

— Por que? — A menina perguntou, confusa.

— Apenas confie em mim — ele pediu delicadamente, a voz baixa invadindo seus tímpanos com delicadeza. A morena assentiu e fechou os olhos, sem ter como rebater o pedido dele. Ele sacou a varinha e encarou o teto. Ele jamais pensou que de fato usaria o encantamento, mas ela merecia. Enfeitiçou o teto que subitamente tornou-se translúcido, imitando o céu real. Não era muito mas era melhor que ele podia fazer naquele momento. Ele deitou-se, encarando as estrelas brilhantes por alguns segundos antes de murmurar: — Pode abrir — a jovem o obedeceu e parou de respirar ao ver as estrelas brilhando sobre sua cabeça.

Ela tentou falar algo mas não conseguiu. Imitou o movimento dele e deitou-se ao lado do rapaz, encarando o teto no qual as estrelas brilhavam em perfeição. Sobre suas cabeças, as estrelas reluziam numa intensidade absurda, a poeira estelar espalhava-se ao redor, as luzes intensificando diante do seu olhar. Aquilo era a coisa mais linda que já vira em toda a sua existência, e definitivamente a mais bonita que alguém a fizera.

Draco ia abrir a boca para proferir palavras que nunca sequer ousara sonhar em dizer quando calou-se. Virou o pescoço para a direção da jovem e a encarou, vendo-a sorrir diante do Céu estrelado. Os olhos castanhos brilhavam diante da luz estrelas, um sorriso brincando em seus lábios. Ele não pôde arruinar o momento. Ele respirou fundo e voltou a olhar para cima, juntos, os dois observavam o Universo que parecia trazer consigo o poder de algo que transcendia suas capacidades de compreensão.

— É lindo — ela murmurou, suspirando. Era mesmo lindo. Sobre eles, a Antares brilhava intensamente: — Aquele ali é Antares, ela é conhecida como o Coração de Escorpião, é a mais brilhante da constelação de Scorpius. 

Ele assentiu, em silêncio e respirou fundo. Calados, os dois viraram as estrelas brilhando e movimentando-se ao redor. 

Hermione despertou confusa, coçando os olhos. Sentou-se na cama e bocejou, tentando entender aquele sonho. Ultimamente, aquelas imagens começaram a ficar cada vez mais frequentes, e ela sentia que conhecia aquele tal de Noah de algum lugar. Ela só não sabia de onde. 

...

Harry, Draco, Ronald e Hermione entraram no Expresso, os quatro procurando algum compartimento vazio no qual pudessem entrar. 

— Então quer dizer que tem alguém atrás de você? — Hermione perguntou, enquanto eles andavam pelo corredor estreito. 

— Sim, o nome dele é Sirius Black — explicou: — Severo me fez prometer que eu não iria atrás dele independente do que ouvisse o que não faz o menor sentido por que eu jamais iria atrás de alguém que está tentando me matar!

— Ele não está tentando te matar — o loiro falou, antes que sua mente sequer processasse. Ao ver os olhares de seus amigos, quis bater em si mesmo: — Quero dizer... Ah quer saber? Mais tarde eu explico — garantiu. Draco lembrava-se bem de como o rato - literalmente - do Pettigrew se vangloriara por ter mandado Sirius para a cadeia por um crime que ele não cometeu. Ia adorar ver aquele traidor queimando no fogo do Inferno.

— Vamos entrar nesse compartimento, todos os outros estão cheios — Hermione falou, abrindo a porta do vagão no qual um homem dormia, com o rosto coberto por uma longa capa. 

— Quem é esse? — Ronald perguntou, olhando para o homem. 

— Esse é Remus Lupin — Draco e Hermione responderam em uníssono. 

— Como é que vocês sabem disso? Vocês sabem tudo!

— Está na mala, Ronald — Hermione respondeu, revirando os olhos. 

Draco e Hermione sentaram um ao lado do outro e Ronald e Harry sentaram-se na ponta oposta. Ela encolheu-se sob a blusa e ele a lançou um olhar rápido, decidindo se tirava ou não sua blusa para dá-la. 

— Ele o dará aula de D.C.A.T esse ano — comentou, olhando para o homem que dormia em silêncio. Lupin era uma das pessoas que ele estava obstinado a salvar, não queria que Teddy crescesse sem ninguém, sem família. E se pudesse, também tentaria polpar Nymphadora de uma morte injusta. Sabia que Lupin era de confiança, talvez pudesse o contar no futuro sobre o que acontecera. — Mas parece que Sirius Black foi preso em um devido julgamento no Ministério da Magia — explicou: — Ele, seu pai, Remus e Peter Pettigrew estudaram juntos em Hogwarts.

— Uau, está esfriando! — Hermione murmurou de repente. Draco, instintivamente, a puxou para mais perto, envolvendo-a pelo ombro. A jovem apoiou-se no ombro dele e mordeu o lábio inferior ao sentir algo engraçado na boca de seu estômago. — Sabe se ele é um bom professor?

Harry quis rir. Ele preocupado com um maníaco assassino e ela querendo saber se o sujeito seria um bom professor. 

— Ele é... — parou um pouco: — Só diria que ele tem um pequeno problema de Licantropia — murmurou, para si mesmo, impedindo que os outros o ouvissem direito. 

Subitamente, o Expresso parou de andar. 

— O que houve? Nós já chegamos? Não podemos ter chegado! — Hermione disse, olhando em volta. Draco arregalou os olhos ao lembrar daquele pequeno detalhe. O maldito dementador! Harry levantou-se para checar o que estava havendo quando o Expresso deu um solavanco, fazendo-o cair no sofá:

— O que está havendo? — Ronald perguntou, arregalando os olhos e segurando Rabicho, seu rato, com força. 

— Não sei, deve ter enguiçado — Potter sugeriu. De repente, as luzes de dentro da cabine apagaram-se e Draco sentiu Hermione agarrar a sua mão com força, quase que instintivamente.

— Tem alguma coisa se mexendo lá fora! — Ronald falou, encostando-se na janela para ver do lado de fora. — Eu acho que tem alguém embarcando — ele sussurrou. Novamente, o trem deu um forte solavanco e Draco empunhou a varinha, desejando mesmo ter aprendido a criar um Patrono. Maldição! Pensou, frustrado. 

Draco sentiu o corpo da jovem próximo de si. Estava cada vez mais frio, mas era diferente de tudo que ele já sentira. Com as luzes apagadas, sentia aquela coisa esgueirando-se dentro de si, o desespero corroendo-o por dentro. Não era um frio normal, era algo que parecia consumir cada pedaço do seu coração. Sentiu a mão gelada de Hermione contra a sua e sua cabeça começou a doer.

Não ouviu o som da tranca sendo aberta lentamente. Sentiu a pressão contra seu cérebro, a vibração ao seu redor. Sua garganta queimou ao ver a figura da criatura negra e sombria diante de si. Sua cabeça latejava com força, ouvia vozes - sussurros - contra sua cabeça, murmurando coisas rapidamente. Não sabia como, mas os murmúrios tornaram-se cada vez mais altos, fazendo-o tampar os ouvidos. Fechou os olhos desesperado, a pele tremendo diante do frio, mas sabia que o Dementador não estava se alimentando dele. Simplesmente sabia. Ouviu uma das vozes murmurar: "Deixe-me entrar... Deixe-me apagar".

E então, sob a luz brilhante contra suas pupilas dilatadas, a última coisa que viu foi seu amigo desacordado antes de apagar também. 

...

— Draco, acorde por favor! — Sentiu mãos frias contra seu rosto e apertou os olhos, tentando cessar a dor na parte lateral de sua cabeça. Ele abriu os olhos lentamente, deparando-se com as íris de sua amiga. — Ah, graças a Merlin! — A menina murmurou, aliviada. Ele sentou-se, com a ajuda da menina, que praticamente o impedia de mover-se rápido demais. — O que houve? — Ele perguntou, com a voz rouca. Percebeu que Harry mordiscava um pedaço de chocolate parecendo fraco também.

— Acho que a sua magia teve um daqueles picos estranhos — a menina respondeu, tocando a testa dele para averiguar a temperatura. — Uma criatura entrou aqui e Harry simplesmente desmaiou — explicou, lançando um olhar preocupado para o outro amigo: — E você também... Você ficava murmurando algo, mas não sei o que era — explicou. 

Só então Draco notou a presença de Remus Lupin, que entrara na cabine há alguns segundos:

— Senhor Malfoy, como vai? — O homem perguntou, analisando o menino loiro de olhos cinzentos. Não havia como confundir aquela criança com qualquer outra, só não entendia como um Malfoy podia estar justo naquele compartimento.

— Bem, professor — murmurou:

— Aquele era um dementador... São guardas de Azkaban, eles estavam procurando por Sirius Black — o homem murmurou. Remus ainda tinha no rosto algumas cicatrizes, os olhos cor de âmbar brilhavam apesar de todas as desventuras que ele sofrera, e só o que ele queria era dizer ao homem que ele se casaria e teria um filho incrível no futuro.

— Muito obrigado, senhor — Harry falou, sorrindo fraco.

— Não há de quê... Bem, se me dão licença preciso checar outra coisa — ele disse, lançando um olhar rápido para Draco, que olhou para baixo. 

— O que houve comigo? — O menino de olhos cor de esmeralda perguntou, mordiscando o chocolate. 

— Bem, você começou a ficar todo duro — Ron respondeu: — E o Draco começou a murmurar algo em uma língua esquisita, que eu não entendi e apagou também — explicou. 

— Mas aconteceu alguma coisa com vocês?

— Não, só que eu senti que nunca mais seria feliz novamente — o ruivo respondeu, suspirando. Draco fechou os olhos, tentando aliviar a dor que ainda o atingia e a jovem, ao perceber a dor do amigo, começou a fazer um cafuné na cabeça dele, quase que instintivamente. O loiro relaxou visivelmente sob o toque, respirando e expirando. Harry riu baixo, finalmente entendendo o que estava começando a acontecer ali - ele merecia um prêmio pois ele era péssimo com sentimentos - e voltou a comer seu chocolate.

...

Quando o quarteto adentrou no Salão Comunal, o mesmo já estava repleto de outros alunos. O coral cantava em harmonia quando todos sentaram-se na mesa da Grifinória, apreciando a música. Após o término da música, Alvo ficou no centro do palanque:

— Bem-vindos, bem-vindos a mais um ano em Hogwarts! — O Diretor falou, erguendo as mãos para que as palmas cessassem: — Eu queria dizer algumas palavras antes de todos se deliciarem nesse banquete. Primeiro, quero das as boas-vindas ao Professor R.J Lupin que teve a bondade de aceitar o cargo como professor de Defesa Contra As Artes das Trevas. Boa sorte, professor — ele falou, apontando para mesa. Draco precisou abafar a sua risada ao notar que Lupin estava sentado bem ao lado de Snape, que não parecia nem um pouco satisfeito, como sempre. — E agora, um assunto mais inquietante... A pedido do Ministério da Magia, Hogwarts terá até segunda ordem ter como hóspedes os dementadores de Azkaban até a hora em que Sirius Black seja capturado — falou, vendo todos trocaram olhares e cochichos diante da notícia: — Eles ficarão postados nas entradas da propriedade, embora tenham me garantido que a presença deles não irá atrapalhar nossas atividades diárias, eu peço cuidado... Os dementadores são criaturas más, eles não fazem diferença entre os que estão caçando e os que entram em seu caminho.

O bruxo parou de falar um pouco, permitindo que a notícia fosse absorvida por seus alunos:

— Portanto eu quero avisar a todos vocês que não o deem razão para lhe fazerem mal... Não é da natureza de um dementador, perdoar — alertou, e por alguma razão Harry achou que aquilo era direcionado à ele. — Mas como sabem, pode se encontrar a felicidade mesmo nas horas mais sombrias, se a pessoa se lembrar de acender a luz — disse, movendo a mão em frente à vela que acendeu.

...

Todos os alunos já haviam ido dormir, exceto pelo quarteto, o qual estava sentado na sala de estar no Salão da Grifinória. Draco abriu um de seus sapos de chocolate e mordeu a cabeça antes que o mesmo pulasse. Deu um pedaço à Hermione que sorriu e comeu o doce:

— Está nos devendo uma explicação quanto à Sirius, Draco — Ronald o lembrou, comendo um dos feijões de todos os sabores. Ele respirou fundo e abraçou os próprios joelhos, pensando no que seria seguro contar para os amigos:

— Só o que eu sei é que da onde eu veio, Peter Pettigrew é o verdadeiro criminoso— explicou: — Ele era amigo de seus pais, assim como Sirius e entregou a localização deles para Voldemort... Sirius foi atrás dele, mas Peter conseguiu incriminá-lo por sua própria morte, pela de doze trouxas e pela sua traição — explicou. — Eu não sei ao certo, mas eu acho que Black não foi sequer julgado — murmurou. — Eu ainda não sei se Peter ainda está por ai, ou se ainda está vivo — comentou.

— Ele entregou meus pais? — Harry questionou, levantando: — Mas por que ele... Por que ele faria isso? Eles eram amigos dele! — O menino praticamente berrou. — E quanto à Sirius? Por que ele não foi julgado?

— Eu não... Não sei — Draco respondeu, com sinceridade. — Não pude o conhecer, mas eu sei que depois ele foi inocentado — depois da morte, pensou, com tristeza.

 — Ele era... Meu padrinho? — O menino perguntou, com a voz falhando no meio do caminho. O loiro notou a dor tingida nos olhos verdes, sabia como o menino desejava ter uma família, alguém que o amasse. — Então ele podia ter cuidado de mim.

Malfoy abriu a boca e fechou, sem saber muito bem o que falar. Talvez não devesse ter o contado, talvez devesse deixar as coisas seguirem seu curso natural; entretanto, a parte mais lógica de si mesmo sabia que seria mais fácil para Harry saber que aquele homem era inocente, ele merecia isso. Sirius podia ser muitas coisas, mas não era um assassino. 

— Podia — murmurou. Harry olhou para baixo, incapaz de processar tudo aquilo. Ele podia ter dito uma família de verdade, com alguém que o quisesse, que cuidasse dele. Podia ter enfeitado árvores de Natal, dado e recebido presentes, mas tudo aquilo foi... Arrancado dele. Por que ele? Era tão injusto! Ele só queria ser uma criança normal, só não queria ter que carregar aquele maldito peso nas costas. 

— Por que eu? Com tantas pessoas no Universo por que Riddle tinha que ter matado meus pais? Por que Pettigrew os traiu? Eu não consigo entender! — Esbravejou.

— Harry...

— Não, Draco! Eu podia ter dito uma família de verdade! Alguém que me amasse — murmurou. Ronald levantou-se com cuidado, tentando ajudar Malfoy a acalmar o amigo. — Tem ideia de quanto tempo eu sonhei que alguém me tiraria dos Dursley's? Alguém que realmente me quisesse e não o Snape que parece que preferia estar em qualquer outro lugar a estar ao meu lado  — sentiu seus olhos arderem e respirou fundo. — Eu quero ficar sozinho — sussurrou cansado. Draco ia rebater quando percebeu que talvez fosse melhor deixar o amigo sozinho por algum tempo: 

— Vamos, gente — ele murmurou. Hermione hesitou mas acabou concordando, assim como Ronald. Segundos depois, Potter estava completamente sozinho no Salão . Ele sentou-se novamente, abraçando os próprios joelhos com força. Afundou a cabeça neles, apoiando o queixo sobre os joelhos, e respirou fundo, contando até dez. Ele fechou os olhos e contou até dez, inspirando e expirando.

Lembrou-se de quando embarcara no Expresso de Hogwarts pela primeira vez, de ter visto tantas crianças acompanhadas por seus pais e ter imaginado como seria se fosse com ele. Ele adoraria ter alguém ao seu lado, o dando um beijo de despedida e dizendo que o amava. Draco, Hermione e Ron tinham muita sorte, mais do que ele jamais tivera. Afundou o corpo na cadeira e respirou fundo. Passou a mão pelo bracelete que Severo o dera e sentiu a magia contra seus dedos, trazendo um pouco de calma em seu peito.

...

Estava frio nos arredores da Mansão Malfoy. Lucius estava vagando pela sala, tentando organizar seus pensamentos. Sentou-se no sofá e olhou em volta, analisando o grande lugar no qual passara grande parte de sua vida. Vivera ali os piores e melhores momentos de sua vida. Assustou-se ao ouvir o barulho de algo batendo na sua janela e levantou-se, vendo uma bela coruja com pelugem malhada bicando a janela. Abriu e pegou o animal pela mão, tirando da perna um pergaminho. Abriu o papel e começou a lê-lo:

"Caro senhor Malfoy,

É com pesar que informo que seu filho Draco Malfoy foi encontrado desacordado no banheiro masculino. Ele foi levado imediatamente para a Enfermaria do Colégio, requisito sua presença no local imediatamente, creio que haja algo de muito errado com seu filho.

Alvo Dumbledore".

Lucius ia gritar por Narcissa mas parou. Ultimamente sua esposa estava estranha, então simplesmente pegou o pó de Floo e disse o nome do Colégio, orando para que seu filho. 

Ele saiu da lareira rapidamente, sem se preocupar em limpar as cinzas de sua roupa e caminhou com o máximo de graciosidade possível em direção a Enfermaria do colégio. Ele estava indo excessivamente ali para seu gosto. Quando entrou, viu seu filho completamente desacordado na cama, ao lado dele uma menina de cabelos loiros escuros estava sentada, mordendo o lábio inferior.

— Senhor Malfoy, obrigado por vir — voltou-se para Dumbledore, que apareceu subitamente na enfermaria. Lucius o encarou com um olhar indiferente e voltou-se para seu filho, vendo a menina remexer-se. 

— E você, quem é?  — Perguntou, voltando-se para a jovem. Hermione levantou-se, tentando não ceder diante do olhar escrutinador do patriarca da família Malfoy. O homem tinha cabelos platinados compridos, uma postura elegante e olhos tão cinzentos quanto os do filho. Não era difícil perceber que Draco herdara do pai a beleza e a postura.

— Sou Hermione Granger, amiga dele — falou. Ele a analisou de cima a baixo, avaliando com um olhar inquietante. A menina ia estender a mão mas pensou melhor. Granger... Ele não conhecia aquele sobrenome. Mas ele conhecia praticamente todas as famílias bruxas da região... A menos que... 

— Prazer — ele murmurou, voltando-se para Dumbledore. — O que houve com meu filho?

— Senhorita Granger, poderia nos dar licença por favor? — O diretor pediu, delicadamente. A menina hesitou mais assentiu, levantando-se e saindo da sala. A jovem sentiu o olhar do Malfoy mais velho queimar sobre sua nuca e não pôde deixar de pensar nas semelhanças entre pai e filho. 

— E então? — O loiro perguntou, novamente. 

— O núcleo mágico do seu filho está ficando cada vez mais fraco, senhor Malfoy — o mais velho murmurou: — Há picos nos quais a magia dele se enfraquece e como consequência ele também — explicou: — Madame Pomfrey está tentando entender o que está havendo e... — antes que o bruxo pudesse continuar, ele ouviu um barulho vindo da maca e voltou-se para ver o seu filho se debatendo. 

— Draco? — Perguntou, aterrorizado. Os olhos cinzentos estava arregalados, o corpo gélido batia-se com força. Madame Pomfrey entrou correndo e o empurrou para longe, analisando o menino que convulsionava na cama. Lucius agarrou-se à bengala, avaliando seu filho até que ele simplesmente parou:

— Ele está tendo uma parada cardíaca — a mulher gritou. Ele não conseguiu ver mais nada, tentou aproximar-se mas Dumbledore bloqueou seu movimento com uma mão em seu peito: — Vamos lá, menino Malfoy — a mulher disse, tentando trazê-lo de volta. As luzes começaram a piscar ao redor, os vidros de medicamento tremendo nas prateleiras. Lucius sentia o controle de sua mágica escapar por entre seus dedos, enquanto a medibruxa tentava trazer a criança de volta. Ela parou de repente, murmurando: — Eu sinto muito.

De repente, todos os vidros quebraram diante dos olhos deles. Dumbledore e Pomfrey abaixaram-se lentamente enquanto Lucius estava estático, os olhos vazios e ocos. Ele não percebeu o ar voltando para os pulmões de seu filho rapidamente, ou os olhos abrindo-se em um átimo em algo que Madame Pomfrey considerou como um milagre. O homem não conseguia respirar direito, sentia o sangue contra seu corpo, percorrendo-o lentamente. Estava tão mergulhado em um desespero silencioso que não percebeu seu filho puxar a mão dele com delicadeza. Quando sentiu a mão menor contra a sua e olhou para os olhos cinzentos que o encaravam com preocupação, sentiu todas as suas paredes desmoronarem. Pomfrey e o Diretor trocaram um olhar rápido e saíram da sala, deixando pai e filho sozinhos:

— Por Merlin! — O homem suspirou, o ar finalmente voltando aos seus pulmões: — Ah, meu filho! — O apertou contra si, decidido a nunca mais soltar seu filho e beijou os cabelos dele. 

— Está tudo bem pai... Está tudo bem — o garantiu. Não estava tudo bem. Lucius quase havia perdido o filho. A realização o atingiu como uma facada no peito. Ele realmente havia... Parou com o pensamento e tentou não permitir que aquele desespero o dominasse. 

— Eu não vou deixar ninguém te machucar —  falou tão baixo que se Draco não estivesse colado a ele não teria ouvido. Lucius estava farto de pisar em ovos, de sempre temer que o pior acontecesse ao adolescente. Ele fechou os olhos e respirou fundo. Agora finalmente teria uma chance de fazer as coisas do modo certo. Ele ia ter uma conversa muito séria com Dumbledore.

...

Harry e Ronald estavam dentro da sala de adivinhação e ele já sentia que aquilo era sinônimo de confusão. 

— Sejam bem-vindos — Sybill falou, com os grandes olhos verdes brilhando sob as lentes dos óculos: — Nessa sala vocês irão aprender a explorar a nobre arte da adivinhação! Aqui, vocês irão descobrir se possuem Clarividência! — Ela disse, levantando e esbarrando na mesa: — Olá, eu sou a Professora Trelawaney e juntos nós iremos aprender a adivinhar o futuro — ela disse, sorrindo abertamente. — Vamos estudar a taciomancia que como devem saber, é a arte de ler folhas de chá. Peguem as xícaras do colega sentado a sua frente — mandou. — O que vocês veem?

Ronald e Harry trocaram um olhar mas obedeceram. A mulher continuou seu discurso até que Hermione apareceu ao lado deles, dizendo enquanto guardava seu vira-tempo:

— Isso é um monte de bobagem! 

— Da onde você veio? — Ronald perguntou, arregalando os olhos.

— Eu estava aqui o tempo todo! — A menina respondeu, revirando os olhos. Sybill começou a andar pela sala até parar na frente do trio, mandando que Ronald lesse a xícara de Harry:

— Ahn... Isso daqui é uma cruz torta, que significa provações e acho que isso é um Sol, o que significa felicidade... Então, você vai sofrer, mas vai ficar feliz por isso — falou, olhando para Harry. A professora tomou a xícara do mão do aluno e ao ver a imagem, soltou-a, fazendo-a cair sobre a mesa:

— Ah! Meu pobre garoto! — Murmurou, com a voz entrecortada: — Minha pobre criança... Você tem o Sinistro — falou, fazendo o menino pegar a xícara. 

— Sinistro é um cão enorme e espectral... Ele tem um dos piores agouros desse mundo, é um agouro de morte — um dos meninos da Grifinória leu, enquanto Harry analisava a imagem do grande cão negro.

...

Após a aula de Trato de Criaturas Mágicas, a escola inteira falava sobre o acidente que Goyle sofrera durante a aula, quando fora atacado por Bicuço, o Hipogrifo que Hagrid trouxera. 

— Honestamente, eu achei bom feito — Ronald disse, depois de beber um pouco de suco: — Assim ele deixa de ser tão sem noção — comentou. Hermione o lançou um olhar escaldante mas não manifestou-se, voltando-se para Draco.

— Está melhor? — Questionou, lançando um olhar preocupado para o amigo, que apenas assentiu sorrindo fraco. Ele suspirou e murmurou:

— É só que... Dumbledore me avisou que certas coisas seriam iguais e eu... Tenho medo — murmurou. Ela sentiu um arrepio breve e simplesmente ignorou aquela sensação estranha: — Tenho medo de não conseguir salvar alguém — murmurou. — É um peso bem grande.

Hermione sabia que ele carregava em si o peso do mundo, da história que ele trazia consigo, em seus olhos, sua alma. Mas ela sabia também que ele podia reescrever o livro que o Destino deixara em aberto, que ele tinha poder para isso. 

— Eu sei que é angustiante carregar esse peso nos ombros, Draco — garantiu, olhando-o nos olhos: — Mas você não está sozinho — garantiu. Ele sorriu fraco e a beijou na testa, em um ato que tornava-se cada vez mais automático.

— É impressão minha ou estamos sendo observados? — Ele perguntou, de repente. A jovem olhou em volta disfarçadamente e notou que realmente algumas pessoas os encaravam. Algumas cochichavam algo em silêncio, outras pareciam curiosas e algumas poucas a fuzilavam com intensidade, fazendo-a virar-se para frente rapidamente. 

— Não, não é impressão sua — ela respondeu, bebendo um gole da água para livrar-se daquela sensação estranha. 

— Por que raios eles estão encarando? — O menino perguntou, confuso. A jovem deu de ombros, incapaz de o responder e comentou:

— Hum, Draco... Minha mãe sugeriu que você fosse até a minha casa um dias desses... Ela quer te conhecer — comentou, brincando com o pingente que ela a dera: — Mas se você não quiser ou se... Se for inconveniente eu...

— Mione... Eu adoraria — ele garantiu, sorrindo.

— Sério?! Mas e quanto ao seu pai?

— Eu lido com ele — respondeu, dando de ombros. Era óbvio que ele não iria contar ao seu pai onde estaria de fato, ele não era estúpido! Precisaria dar um jeito de convencer Harry a mentir por ele, mas talvez aquilo não fosse um problema. 

...

— Senhor Malfoy, boa tarde — Alvo Dumbledore disse, sorrindo. O brilho em seus olhos azuis podia ser notado até mesmo a distância: — No que posso ajudá-lo?

— Precisamos ter uma conversa, Dumbledore — falou, segurando a bengala com as duas mãos:

— Claro, sente-se — o bruxo mandou, sorrindo fraco: — Sobre o que gostaria de falar? — Lucius podia estar paranoico, mas por alguma razão suspeitava que o homem sabia bem o que ele desejava. O loiro parou um pouco, pensando em suas opções. 

— Eu preciso que prometa que irá deixar meu filho seguro — pediu, tentando ao máximo não se rebaixa: — Preciso que garanta que ninguém o machucará e que ele estará bem aqui — prosseguiu. — E em troca... Eu virarei um espião.

...

 

Lucius colocou o pé dentro da casa, chamando por sua esposa. Narcissa desceu as escadas, trajando um belo vestido negro e colares de pérola.

— Precisamos conversar — pediu, pegando a mão pálida da esposa e beijando-a com cuidado: — Há algum tempo eu tenho pensando em algo que pode mudar nossas vidas — falou, sentando com ela no sofá de veludo negro: — Eu fui conversar com Dumbledore e pedi ajuda dele... Ele irá manter Draco seguro e em troca eu trabalharei como espião... Eu sei que é arriscado, mas não deixarei que o machuquem.

Narcissa piscou algumas vezes, claramente confusa, e a pergunta que saiu de seus lábios fez com que Lucius parasse subitamente de respirar:

— Querido... Quem é Draco?


Notas Finais


>LEIAM, POR FAVOR!
Cliffhanger na cara de ocês! Muhahahaha. No próximo capítulo, explicarei o que há com a Narcissa e vocês finalmente entenderão o que tá rolando. Bem, o próximo capítulo irá demorar um pouco pois tenho algumas provas na faculdade então acho que só daqui duas semanas poderei voltar a postar, mals por deixar vocês esperando :/
Buuuuuut, depois dessas provas estarei de férias então ai eu tentarei postar uns dois capítulos por semana. Vocês têm alguma teoria sobre o que tá havendo? Têm alguma sugestão de cena? Se sim, comentem nos reviews :3
Bem, é isso galerinha linda ♥
Beijos e não saiam sem comentar, sim? Xaaau!


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