História Lionheart - Capítulo 17


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Draco Malfoy, Gilderoy Lockhart, Harry Potter, Hermione Granger, Lord Voldemort, Minerva Mcgonagall, Molly Weasley, Neville Longbottom, Quirinus Quirrell, Ronald Weasley, Severo Snape
Tags Dramione
Visualizações 283
Palavras 1.726
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Hentai, Magia, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 17 - Letters to a Ghost


"Querida Hermione,

Feliz aniversário. 

É... Hoje é dia 05 de Maio, e eu estou escrevendo para alguém que sei que jamais responderá. 

Faz dois meses. 61 dias. Entretanto, parece com uma eternidade... Eu não sei ao certo por que razão lhe escrevo essa carta, você se foi e jamais haverá ninguém para quem mandar, ou alguém que sequer possa responder. Minha mãe havia sugerido que pudesse me ajudar mas... Não creio que ela esteja certa.

Hoje o dia está ensolarado... Há um casal de senhores alimentando os pombos do outro da rua e eles parecem felizes. Certamente são um daqueles casais que ficaram juntos há mais de cinquenta anos, um implicando com o outro. A senhora me fez lembrar de você. Tudo faz com que eu lembre de você.

Eu...

Eu lembro de quando fomos naquela sorveteria trouxa uma vez. Você estava insistindo que eu fosse com você  já que Ronald havia saído para uma missão junto com Potter. Lembro-me de termos aparatado próximo a esse bistrô delicado, com pequenos bijous e doces com nomes de mulher. Nós atravessamos uma rua movimentada e sem que percebesse, você pegou minha mão. 

Era uma tarde de outono. Fazia frio e as folhas caíam singelamente sobre as calçadas de paralelepípedo. A brisa fria fez com que seus cabelos balançassem delicadamente e com que seu perfume de frésias se espalhasse ao redor. Lembro-me de adentrarmos numa pequena sorveteria e de você me puxar pela mão, como uma criança prestes a ganhar seu primeiro doce. Merlin, como você estava linda! 

Ao entrarmos, fomos atendidos por uma senhora tagarela que insistia que nós éramos o casal mais adorável da região, sem se importar com nossas interferências para corrigi-la. Eu fiquei fascinado com as massas e cores. Você havia colocado suas mãos pequenas sobre o vidro e aproximado o rosto do mesmo, analisando tudo com os olhos repletos de um brilho que eu não cansava de admirar. Sorrindo, disse:

— Quero de chocolate e amendoim, é meu predileto — esclareceu, olhando para mim com aquela cor adorável nas bochechas. Sinto falta de lhe ver assim. Tão... Viva.

— O mesmo para mim — eu havia pedido, ignorando o fato de eu não ser o maior fã de amendoim do mundo. Ela sorriu abertamente, parecendo conter-se para não quicar freneticamente. A senhora riu baixinho e pegou os potes, preenchendo-os com três fartas bolas de sorvete e com cobertura de caramelo. Nós sentamos em uma das mesinhas de fora e foi com um sorriso que lhe vi encher a colher e colocar na boca.

Tomei um pouco do sorvete, estranhando o gosto, e respirei fundo. Naquele dia seus cabelos estavam mais selvagens do que nunca, tomando teu rosto por inteiro, você estava linda. Você sequer pareceu ter percebido a mancha de chocolate em seus lábios, animada demais em saborear seu sorvete predileto. Tomei mais um pouco do meu e aproximei-me de você, limpando seus lábios cor de morango.

Merlin, como foi bom te tocar! Você sempre foi como um anjo bom demais, como uma criatura feita de luz e éter, da mais pura perfeição, que sempre esteve fora de meu alcance. Inocente como sempre, você não parecia perceber o tamanho da força e luz que carregava em si, não parecia perceber a própria resiliência, ou o poder do teu sorriso. Ali, você virou meu anjo da guarda, lamento nunca poder ter lhe dito isso. 

Quando meus olhos cruzaram com teus, vi mais do que apenas o tom de mel que eu tanto admirava. Vi a força que trazia em cada movimento de teu corpo, vi a tua história, seu passado, presente e futuro. Vi a inteligência e a sabedoria de Atena, a compaixão e o amor de Afrodite, o poder de Ártemis e a entrega de Deméter. Vi tua coragem - aquela que eu desejava tanto ter mas que jamais possuí -, vi sua lealdade - aquela que fez lutar lado a lado com seus amigos -, vi tristeza e dor - as mesmas que ainda perseguem-me nos meus piores pesadelos -. Eu vi a luz de que você é feita, suas partículas de poeira estelar, contendo todo o universo em si e não pude não me apaixonar. Você, Hermione Granger, é amada muito mais do que imagina. Se eu pudesse, gastaria todos os dias de minha vida mostrando-lhe isso.

Hoje é seu aniversário e eu estou escrevendo para um fantasma, para um que parece preso a cada canto, cada pequeno lugar do meu peito e coração. Eu só espero que um dia nos reencontremos para que eu possa lhe dizer que você fez de mim um homem melhor.

Feliz aniversário.

Para sempre seu,

Draco Malfoy.

 

Draco abriu os olhos sentindo a claridade da luz contra suas íris. Respirando fundo, levantou-se e vestiu-se rapidamente, tentando não pensar nos sonhos que vinha tendo. Olhou para a cama em frente a sua e respirou fundo, saindo do quarto e caminhando em direção à Torre de Astronomia.

O dia estava com uma temperatura agradável e ele podia ouvir o som dos pássaros cantarolando em alguns pontos do castelo. Ele respirou fundo ao ver Harry sentado no chão, abraçando os próprios joelhos.

— Oi — murmurou, suspirando. Harry levantou os olhos e Draco mordeu o lábio ao ver que as lentes estavam embaçadas e que o menino parecia machucado, magoado.

— Oi — o de cabelos negros falou, encostando a cabeça na parede. O ex-sonserino sentou-se ao lado dele e pensou no que poderia dizer, sem saber ao certo por onde começar. Harry havia perdido sua única família, seu padrinho estava preso por um crime que não cometera, ele não tinha mais ninguém. Exceto por Snape.

— Quer conversar? — Perguntou, voltando-se para o amigo. Harry deu de ombros, tentando fingir que não se importava. Draco notou o amigo brincando com os dedos nervosamente, os olhos verdes presos a um ponto distante. O loiro suspirou e esperou. 

— Eu não queria nada disso — explicou, suspirando: — Eu não queria ser um herói, não queria ter que derrotar Voldemort, apenas queria viver minha vida. O loiro entendia aquilo. Sabia como era estar preso a um destino que não fora sua escolha, e sim que lhe fora imposto. Era uma merda. 

— Eu sei — garantiu.

— Às vezes eu me pego pensando em como as coisas teriam sido se ele jamais tivesse encontrado meus pais, eu poderia ter tido uma família de verdade — adicionou, com o tom de voz baixo. — Droga, será que é pedir demais? Será que estou sendo egoísta por querer uma coisa só para mim?!

— Harry, é normal desejar algo para si mesmo de vez em quando — o outro interferiu, antes que o amigo pudesse afundar-se num mar de auto-censura. Draco passava noites a fio desejando poder salvar Hermione, sabendo que estava disposto a fazer qualquer coisa, a ir para qualquer lugar, se aquilo garantisse que ela ficaria viva. Ele sabia que provavelmente não era o pensamento mais heroico de todos, mas ele não se consideraria exatamente um herói. Aliás, ele jamais seria um. 

— Dumbledore me disse uma vez que não podemos nos prender ao mundo dos sonhos e nos esquecermos de viver — falou, molhando os lábios. 

— Dumbledore geralmente tem algumas frases de efeito dessas, e ele tem sempre razão — falou, empurrando o amigo com o ombro. Harry riu baixo, revirando os olhos, para então concordar com o outro.

— Meu maior sonho foi ter uma família... Foi ter alguém que me amasse, me desse algum caminho... Foi o que o espelho de Ojesed me mostrou... Meus tios sempre me podaram, me impediram de usar a magia e agora estou aqui e... É diferente.

Draco assentiu e respirou fundo. Realmente era diferente. Harry Potter era indiscutivelmente um bruxo poderoso, era alguém cujo potencial se mostrava presente em vários âmbitos. Ter toda aquela magia dentro dele e ainda assim jamais ter virado um obscuros mostrava uma força sobrenatural. Harry ainda tinha esperança, ainda era uma pessoa que acreditava nos outros e o loiro não queria vê-lo perdendo aquela luz, perdendo-o aquilo que o transformava no menino-que-sobreviveu. Tanto havia acontecido, tantas perdas, tantas mortes... Sirius, Fred, Edwiges, Dobby, Snape, Dumbledore. Tantas foram as vidas perdidas em nome de uma guerra estúpida, em nome de uma superioridade inexistente. Ele não poderia deixar que as coisas acontecessem da mesma maneira. Harry merecia amor, merecia um guia, merecia alguém que o ensinasse o caminho certo. Ele não poderia ser meramente um sacrifício em nome do bem maior, ele era um adolescente que merecia viver como um.

— Quando nos conhecemos da primeira vez, eu realmente quis ser seu amigo... Meu pai insistia que era bom ser amigo do Salvador, mas eu apenas queria alguém em quem pudesse realmente confiar, quando você rejeitou minha oferta foi um grande tapa na cara... Eu nasci numa família preconceituosa, elitista... E foi preciso que eu perdesse tudo para perceber o que havia de errado com a forma que eu vivia minha vida. Eu não sei por que eu tive essa chance, são sei por que eu fui escolhido mas eu juro que não irei desperdiçá-la, Harry — garantiu. 

O moreno virou-se para ele, sorrindo fraco. Draco levantou-se em um ímpeto e foi em direção e saiu andando rapidamente, ignorando os chamados incessantes de seu amigo. Desceu as escadas e andou pelos amplos corredores da escola xingando a pessoa que decidira que seria legal adicionar tantos caminhos no lugar. Ele ia mudar as coisas, era uma questão de honra.

...

Hermione respirou fundo, tirando as colchas que jaziam sobre a sua cama a balançando-as desesperadamente, jogou os travesseiros no chão e bufou irritada, passando as mãos pelo cabelo. Ela saiu do quarto e desceu as escadas que guiavam-na para o salão comunal. Andando em direção ao lugar, ela sentou-se ao lado de Draco, que parecia perdido em pensamentos. 

— Oi — falou, dando-o um beijo rápido na bochecha. Ele sorriu, tímido, e falou:

— Bom dia — murmurou, carinhosamente, os olhos vagos e inexpressivos. 

— Aconteceu alguma coisa?

— Ah... Não... Eu só estava conversando com Angel — explicou, dando de ombros. Angel... A garota da dedos de mel! Pigarreando, a jovem perguntou:

— Sobre o que?

— Ela me pediu ajuda com Poções — ele esclareceu.

— E por que você parece tão perturbado? — A menina perguntou, lançando um olhar rápido para mesa da Corvinal, onde a jovem de cabelos negros conversava com as amigas.

— Eu conhecia praticamente todo mundo da Corvinal na minha outra vida... Mas essa garota... Ela definitivamente não era da Corvinal...



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