História Lionheart - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Draco Malfoy, Gilderoy Lockhart, Harry Potter, Hermione Granger, Lord Voldemort, Minerva Mcgonagall, Molly Weasley, Neville Longbottom, Quirinus Quirrell, Ronald Weasley, Severo Snape
Tags Dramione
Exibições 300
Palavras 6.007
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Fluffy, Hentai, Magia, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi gente, desculpem a demora! Espero que gostem e obrigada por cada comentário <3

Capítulo 8 - The Mystery Of The Stars


Lucius colocou o filho na cama e ajeitou os cabelos loiros, tentando ao máximo não pensar no pior. 

— Você ficará bem, Draco — murmurou, afagando os cabelos loiros, olhando para os lados como quem garante que não há mais ninguém ali. Afastou-se ao ouvir o som do salto da esposa e respirou fundo. Os dois não faziam a menor ideia do que o garoto tinha, e ele permanecia inconsciente sob os cobertores pesados. 

— O medibruxo virá o mais rápido possível — a matriarca da família sussurrou, cansada. O clima ali ficava mais tenso a cada segundo que se passava e ela sabia que Lucius calculava com precisão como agiria, em uma tentativa de ocultar seus verdadeiros sentimentos. Enquanto os pais da criança se encaravam silenciosamente, o garoto era puxado pelas longas e intensas memórias:

Draco andou rápido pelas ruas de Hogsmeade, encostando a cabeça na parede fria. Voltara para Hogwarts para refazer o sétimo ano e nunca se sentiu tão deslocado. Ninguém o olhava nos olhos, todos os evitavam como se suas vidas dependessem disso e a única pessoa com quem ele ainda falava era Pansy Parkinson.

Ele ainda podia ouvir os gritos de dor, o sangue em suas mãos... Mordeu o lábio para conter o grito que ameaçava escapar por entre seus lábios. Acelerou os passos, colocando as mãos no bolso da jaqueta pesada que usava. O glamour sobre seu corpo impedia que soubessem quem ele realmente era, do contrário sabia que não poderia andar sem ser abordado por pessoas raivosas.

Parou em frente a grande casa em estilo imperial e encarou a construção, arranjando forças para entrar. Na placa, lia: "Orfanato da Sr. Mills". Ele abraçou o próprio corpo e coçou os olhos, respirando fundo. Queria apenas... Conhecer aquelas crianças.

Abriu a porta e adentrou, observando a espaçosa sala na qual algumas crianças brincavam alegremente. Havia crianças de todas as idades ali, algumas ainda bem pequenas e outras já maiores, e ele sentiu o ar ficar rarefeito.

— Bom dia, sou Irina Mills, em que posso ajudar? — Uma senhora de meia idade surgiu de outro cômodo da casa, segurando em mãos o que parecia ser uma prancheta. Os cabelos grisalhos eram curtos e os grandes olhos verdes brilhavam. Ela usava uma roupa clara e sapatos baixos e tinha um sorriso acolhedor no rosto marcado pelo tempo:

— Boa tarde, eu vim me candidatar para ler para as crianças — disse, cruzando os braços. Os olhos verdes faiscaram em uma emoção que ela não conseguiu reconhecer:

— Ah, que maravilha! O senhor é...

— Noah Hemsey — ele respondeu, usando a primeira combinação de nomes que lhe veio à cabeça, pelo menos o nome não soava falso ou inventado e ele agradeceu mentalmente por isso.

— Me acompanhe, por favor — a senhora pediu, educadamente. Ele a seguiu por um amplo corredor e observou enquanto a mulher abria uma porta que dava acesso a uma ampla sala com vários livros, sofás e tapetes. Era um lugar bem iluminado, e no chão ronronava um belo gato peludo. Draco sorriu ao ver a criaturinha e abaixou-se, para acariciá-lo: — Eu não faria isso se fosse... — Ela ia dizendo; contudo, já era tarde demais. O rapaz já afagava os pelos brancos do animal: — Curioso...

— O que? — O rapaz perguntou, sentindo o pelo macio por entre seus dedos.

— Félix não costuma deixar ninguém se aproximar, ele tende a arranhar as pessoas que tentam acariciá-lo — o gato pulou no colo de Draco e ronronou diante das carícias, parecendo extremamente satisfeito com as mesmas. O bicho de olhos azuis acinzentados encarava o humano parecendo intrigado com ele. — Mas acho que ele gostou de você — a mulher sorriu ao ver o rapaz devolver o gato para o chão, que agora lambia a própria pata incessantemente. 

— A sala é bem confortável — o rapaz comentou, cruzando os braços. 

— Sim, realmente é — ela concordou. — O senhor gostaria de começar quando?

— Posso começar hoje — ele deu de ombros, não tinha nada de importante para fazer mesmo. — Como as crianças são?

— Todos são bem amáveis — Irina sorriu: — Muitos deles perderam os pais durante a última Guerra — sussurrou. Draco engoliu em seco e desviou o olhar do dela. Ele definitivamente não precisava se lembrar daquilo agora. — Vou chamá-los — ela retirou-se, deixando-o sozinho.

O rapaz suspirou e foi até o toilette, encarando seu próprio reflexo, para garantir que o glamour que usava ainda estava lá. Quem o encarava de volta era um rapaz de feições menos angulares, os cabelos eram castanhos claros e bem alinhados, e os olhos agora eram azuis claros. 

— Com licença — ouviu uma voz familiar e saiu do banheiro, deparando-se com ninguém mais ninguém menos que Hermione Granger. — Ah, bom dia! Estou procurando por Irina Mills — a jovem murmurou, encarando o belo rapaz que a olhava como se tivesse visto um fantasma.

— Er... Ela foi pegar as crianças — ele disse, tentando se recompor. Lembre-se, você está usando um feitiço e ela não sabe quem você é. Repetiu mentalmente: — Você é?

— Ah, sou Hermione Granger — a menina respondeu, lembrando-se dos bons modos. Estendeu a mão para o rapaz que pegou sem hesitar. Uma pequena corrente elétrica passou pelos dedos gélidos do rapaz e ele afastou-se rapidamente, como se tivesse sido queimado. 

— Noah Hemsey — ele murmurou, encarando-a. Fazia alguns meses que não via a jovem, já que decidiu terminar seus estudos em casa e não voltar para Hogwarts para refazer o sétimo ano. Não poderia. Jamais teria coragem de encarar as pessoas que um dia ele tanto machucara; contudo, ali estava ele, olhando nos olhos castanhos da pessoa que ele certamente mais magoou durante todos aqueles anos em Hogwarts. 

— Nunca te vi por aqui — a garota comentou, casualmente. Ela lia para aquelas crianças já havia alguns meses e nunca notara o rapaz cuja presença era imponente e lhe lembrava alguém, ela só não sabia quem... 

— É a primeira vez que venho — ele explicou, colocando as mãos no bolso da calça negra. A jovem o avaliou por completo. O rapaz tinha uma postura elegante, movia-se com precisão, os ombros eram bem posicionados e sua coluna estava sempre ereta. — Não tive a oportunidade antes — comentou. E a maneira como ele falava era polida e comedida, como se ele pensasse antes de dizer cada sentença. Ele realmente era familiar, ela sentia em algum lugar do seu cerne; entretanto, olhando nos olhos azuis sabia que jamais tinha o visto antes.

— Essas crianças são adoráveis — cruzou os braços, sentindo-se incomodada com sua própria intuição. 

A conversa entre os dois foi interrompida pelo som das vozes infantis. Um grupo de sete crianças adentrou na sala e todos os observaram, até que um belo menininho negro de cerca de três anos de idade correu, abraçando-se a perna de Hermione, que riu:

— Tia Mione! — A criança de pele chocolate escuro e olhos castanhos era gorducha, ainda tinha os bracinhos roliços e grandes bochechas. Ele realmente era fofo: — Tava com saudades — ela o pegou no colo e beijou-o, sentindo o odor infantil: — A Joanne tá dodói — falou apontando para o nada, referindo-se a melhor amiga, que detalhe, era imaginária. 

— Ah é mesmo, meu anjo? — Ela questionou, rindo: — Tenho certeza que logo ela ficará novinha em folha! Lucas, esse é o Noah — falou, apontando para o rapaz: — Ele vai ajudar a tia Mione com as histórias a partir de hoje — comentou, sussurrando, como quem conta um segredo. Ele lançou um olhar para Draco e abriu um sorriso um pouco banguela, algumas janelas ainda formadas em sua boquinha rosada. 

— Oi, Lucas! — Ele disse, sorrindo para o menino. 

— Crianças, esse é Noah Hemsey — Irina disse, lançando-o um sorriso: — Ele irá ler as histórias para vocês a partir de hoje junto com a tia Mione — explicou.

Todas as crianças pareciam animadas, exceto por uma bela garotinha de cerca de três anos de idade. A menininha tinha grandes olhos verdes e os cabelos loiros caíam em cachos por seu ombro pequenino. Ele caminhou até a garota e ajoelhou-se, para ficar na mesma altura que ela:

— Oi, qual é seu nome? — Questionou, delicadamente. A menina o lançou um olhar confuso, os belos olhos verdes brilhando, e ela respondeu:

— Sarah — a menininha murmurou, como quem tem medo. Ele pôde perceber que o problema não era ele em si, e sim o fato de que ela tinha medo de rostos novos.

— Hum... Uma princesa de fato — sorriu: — Você gosta de contos-de-fadas, Sarah? — Perguntou, delicadamente:

— Sim! — Ela gritou e a voz dela era alta demais para uma criança tão pequena: — Mamãe costumava ler para mim — ela confidenciou, parecendo subitamente triste. Ele assentiu, suspirando, e levantou-se. Hermione aproximou-se e murmurou, no ouvido dele:

— A mãe dela foi morta por um Comensal da Morte — explicou. Draco sentiu a garganta fechar e encarou os olhos verdes, subitamente lembrando-se daquela noite sombria: — Lucius Malfoy era o nome dele. 

O rapaz apoiou-se na parede, tentando respirar fundo e conter as memórias. Ele lembrava bem até demais daqueles eventos, se recordava do pai torturando e depois matando aquela mulher. Ofegou e respirou fundo, tentando não ter um ataque de pânico:

— Já ouvi falar da família — foi só o que ele pôde dizer. — Sentem-se crianças, vamos começar — pediu, tentando mudar o foco da conversa. Todas as crianças sentaram-se no chão e Hermione ficou ao lado dele em uma cadeira. — O que gostariam que eu lesse? — Perguntou, indo até a estante. 

— A Pequena Sereia! — Uma menininha ruiva disse, batendo palmas. Mas Lucas revirou os olhos e disse:

— O Fantasma de Misteryville — falou, mais alto:

— Não! Lê Corredeiras de Linns! — Um outro menino se manifestou. 

— Não, Pequena Sereia! — A ruiva repetiu, irritada. De repente, os três começaram uma discussão fervorosa a respeito do livro e Sarah levantou a mão, sugerindo:

— Você podelia ler O Mistélio da Estlela? — Draco a lançou um sorriso doce e pegou o livro que ela pedira, abrindo na primeira página. O mesmo não era muito extenso e tinha imagens em algumas páginas específicas. Ele nunca havia lido o livro antes. Sentou-se ao lado de Hermione, que observava-o atentamente:

— Era uma vez... Um reino distante — ele começou, delicadamente: — No qual morava uma bela princesa chamada Estrela — ele alterou a voz, criando um ar de suspense no ambiente, fazendo a morena sorrir: — Ela era filha de um benevolente rei e tinha tudo o que sempre desejara — prosseguiu: — Estrela tinha os cabelos tão claros quanto a luz da lua e olhos tão azuis quanto o mais profundo dos mares — disse, olhando para as crianças, que agora o observavam atentamente: — Porém, mesmo com todas as riquezas que a cercavam, era infeliz — parou um pouco: — Sempre que olhava na janela de seu quarto, tinha de lidar com as noites sem luz, vivendo num breu intenso e voraz. 

— O que é voraz? — Lucas perguntou, mudando de posição. Hermione sorriu e respondeu:

— Algo bem forte e intenso — ele a lançou um sorriso grato e Draco prosseguiu com a leitura:

— Seu pai, o rei, fez de tudo para alegrar a filha; mas nada bastava. Estrela estava em constante tristeza, não havia nenhuma luz para guiar seu caminho — virou outra página: — A jovem fora acometida por uma grave doença e pouco depois, falecera — ele franziu o cenho. Aquilo não era uma história para crianças! — O pai, consumido pelo luto, ficou à beira da loucura — prosseguiu, sentindo sua garganta arranhar: — Os deuses, compadecidos com a situação do rei, fizeram da filha dele o astro mais brilhante das noites, uma força poderosa que incindia mesmo na mais poderosa das escuridões e nomearam em homenagem a ela: Estrela. 

Draco parou um pouco para coçar os olhos e voltou a ler:

— Certo dia, ele percebeu a estrela, única e singular, que brilhava no Céu, bem ao lado da Lua, e algo em seu peito dizia que aquela luz jamais cessaria. Todos os anos, os moradores do reino observavam a bela estrela, única e singular, que tornava o Céu um belo atrativo. A cada ano, uma nova fonte do luz era marcada no Céu, a cada alma que partia da Terra, uma nova estrela surgia acima das cabeças dos moradores da região. Ninguém conseguia compreender o mistério que cercava os astros, ou por que os mesmos continuavam a brilhar mesmo depois de séculos. Não sabiam como a luz podia ser tão mais forte que a escuridão, mas ao olhar para o Céu todas as noites, sabiam que não estavam mais sozinhos.

— É isso crianças — Hermione se pronunciou, percebendo que Noah ficara afetado com a leitura. 

— Tia Mione, por que as estrelas brilham tanto tempo no Céu? — Um menininho de cabelos castanhos perguntou. Era Liam. A jovem foi pega de surpresa pega pergunta e não soube ao certo o que responder:

— Por que elas são como a esperança... Lembram que mesmo nos momentos mais difíceis você não está sozinho — Draco respondeu, por ela. Liam sorriu, satisfeito com a resposta e ele prosseguiu: — Amanhã eu volto para ver vocês! — Prometeu, delicadamente. Sarah levantou-se e deu um beijo molhado na bochecha do rapaz, que sorriu diante do gesto. 

— Você é muito legal — a menina disse, envolvendo o pescoço dele e dando-o um abraço desajeitado. O rapaz devolveu, sem saber muito bem o que fazer, e ela afastou-se, sorrindo docemente.

— Você também é — garantiu. A menina pulou do colo dele e saiu saltitando alegremente para fora da sala, seguindo os amiguinhos: — Ela é tão nova — murmurou: — E já tem que passar por isso — por minha culpa. Adicionou, amargamente.

— Ela é forte, Noah — ele voltou-se para ela: — É como as estrelas, que mesmo depois de mortas, continuam a brilhar no Céu.

...

Draco ia ao orfanato todos os dias ler para as crianças. Sempre encontrava com Hermione lá e os dois conversavam antes de entrarem e irem ler para suas respectivas salas.

Certo dia, ele chegou e não encontrou Sarah brincando com os amigos. Ele aproximou-se de Irina e perguntou:

— Onde está Sarah?

— Ah, Noah! — A mulher disse, parecendo nervosa: — Sarah está acamada, meu menino — ela a encarou, confuso: — Os medibruxos estão a examinando agora — explicou.

Draco sequer esperou que ela dissesse algo mais, apenas subiu as escadas da casa e seguiu pelo corredor, batendo na porta e entrando em seguida. Ali era o dormitório feminino, onde todas as meninas ficavam. Haviam várias camas bem arrumadas por todo o amplo espaço.

— Tio Noah! — A menina disse, tossindo. Ele parou ao ver que um homem  alto examinava a garota: — Eu estou bem — ela tentou soar confiante. O medibruxo afastou-se e lançou um olhar para o menino. Os dois saíram do quarto em silêncio e ele perguntou:

— O que ela tem?

— É sangria — o rapaz arregalou os olhos. A doença era algo comum entre sangues-puros mas em alguns casos também podia aparecer em mestiços. — Ela não tem muito tempo.

Draco encolheu-se, sentindo-se sem ar. Ele mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça freneticamente:

— Não, deve haver algo que você possa fazer! — Ele urrou.

— Não há nada, senhor! — O homem negou, sussurrando: — Lamento muito.

O mais novo quis gritar, quis dizer que ele sentir muito não iria salvar aquela menininha. Deus, por que? Ele entrou no quarto e sentou-se ao lado da criança, afagando a testa suada. A menina estava quente e parecia cansada. 

— Tio Noah — a menina murmurou, encolhendo-se um pouco. Ele passou o braço pelo ombro dela e beijou a testa. Não conseguia sequer respirar, tudo seu interior parecia prestes a entrar em colapso. — Não fique tliste — ela pediu, delicadamente.

— Você é muito especial, sabia disso? — Perguntou, tentando conter as lágrimas. Ela abriu um sorriso desdentado e assentiu. 

— Você também é — garantiu, segurando a mão dele da melhor forma que podia: — E eu te amo de montão! — Ele a encarou, espantado. Ela havia dito que o amava! Aquela criança tão inocente, cuja mãe ele permitira que morresse, estava ali, dizendo que o amava!

— Eu também te amo, princesa — garantiu. 

— Semple que o senho se sintir sozinho olha plo céu e eu estalei lá, vou vilar uma estlelinha — a menina disse, tentando soar alegre. Draco permitiu que as lágrimas caíssem por seu rosto e e abraçou como se sua vida dependesse disso. — Pode me ablaçar?

Ele soluçou, beijando novamente a testa da criança. Um novo rasgo fora feito em seu peito. Ele não conseguia mais suportar. Suas mãos trêmulas abraçavam-se a menina que agora parecia ser tomada pela inconsciência. Todas as esperanças, sonhos, morriam ali. Sarah o fez se sentir alegre e agora ele a perderia também, perderia a garotinha que tão desesperadamente estava desejando adotar.

Deus, aquela criança não merecia aquilo! Não merecia morrer! Ele era a pessoa que devia estar ali! Não uma menininha tão inocente e jovem, com tantas coisas para viver! Aquilo não era justo! Quis trocar de lugar com ela, daria qualquer coisa no mundo para que ela pudesse viver! Minutos se passaram e então ele percebeu que o coração da criança já não batia mais. 

— Não! Não! Não! — Implorou. — Por favor, Sarah! — Apertou o corpo imóvel e soluçou alto, as lágrimas caindo livremente pelo rosto. Doía. Ele não conseguia respirar direito, seus pulmões inflavam dolorosamente, os dedos ficando-se na pele fria da menininha. — Abra os olhos, por favor! — Ele implorou, afundando a cabeça no vão do pescoço dela. Ali, o último fragmento de seu coração quebrou-se...

Lucius observou o corpo inerte do filho, enquanto o medibruxo fazia uma série de exames na criança. Ele cruzou os braços, massageando a têmpora. Seu filho ficaria bem, ele iria garantir isso! 

Draco sentia a consciência sendo-lhe lentamente roubada. Seu corpo ameaçava ser levado pelo torpor que o dominava. Estava fraco, cansado, e não sabia mais quanto tempo poderia resistir. Era como se um mar obscuro o levasse para bem longe dali, como se estivesse a passos de alcançar o Céu ou no caso dele, o Inferno. 

— O coração dele parou de bater! — O medibruxo murmurou, usando a magia para tentar trazer a criança de volta. Lucius parou ao ouvir as palavras, o tempo parecia ter congelado subitamente. Não! Não! Merlin, por favor não!

Draco estava sendo arrastado pela correnteza sem fim, os olhos cinzentos agora já vazios. Ali estava tão escuro, tão frio! Não sabia se deveria seguir em frente ou voltar. Não sabia o que deveria fazer. Encarou o amplo espaço negro a sua volta, sentindo como se estivesse perdendo algo importante ali. Ouvia os ponteiros do relógio e encarou a parede negra, na qual estava pendurado o único objeto dali. Um relógio antigo e estranhamente os ponteiros andavam no sentido anti-horário. O garoto pôde ouvir a voz desesperada de seu pai e algo o puxou de volta, uma força intensa e desconhecida. As memórias agora o assolando-o, deixando-o sem ar. 

— Draco, por favor abra os olhos! — Lucius implorou, jogando-se ao lado do filho. O homem não conseguia conceber um mundo no qual seu filho não existisse, não conseguia imaginar uma realidade na qual tivesse que viver sem o brilho nos olhos de sua criança. A mera ideia o fez ofegar. — Por favor, meu filho! — Ele pediu, desesperado. Foi com o ar que ameaçava extinguir-se de seus pulmões que viu seu filho sentar em um ímpeto, ofegando por ar: — Ah, graças a Merlin! — O mais velho murmurou, extremamente aliviado.

— Papai? — O menino perguntou, confuso. Lucius fechou os olhos ao ouvir o som da voz dele e prosseguiu: — Pode me abraçar? — Era a segunda vez que ouvia aquela pergunta e algo dentro dele mudou, algo no cerne de sua alma foi alterado drasticamente. Sem se importar com o medibruxo, abraçou o filho e respirou fundo. Foi como segurar o mundo em seus braços. O homem tinha que fazer uma escolha, sabia que não podia deixar seu filho seguro quando o Lord das Trevas retornasse... Ele teria que escolher entre seu menino e suas crenças, e sabia que uma vez a decisão tomada, não poderia voltar atrás...

...

Harry despertou e espreguiçou-se, vendo o relógio que indicava ser sete e meia da manhã. Sentou-se na cama confortável e sorriu, colocando os chinelos. Ainda teria uma hora para fazer o café da manhã para o Professor Snape, não podia cometer nenhum erro, não queria correr riscos.

Harry arrumou seu quarto e colocou a mesma roupa do dia anterior, já que ele literalmente não possuía nada que pudesse usar. Ele desceu as escadas e foi em direção à cozinha, procurando os mantimentos dentro dos armários. Ficou na ponta dos pés, alcançando a pia, e pegou uma tigela, misturando nela a farinha, o açúcar, o fermento e o sal. Faria panquecas americanas, sua tia gostava quando ele as fazia e era uma coisa com a qual já estava habituado. 

A criança vasculhou a cozinha, deixando tudo em ordem posteriormente, e pegou outro recipiente no qual misturou os ovos, leite a manteiga. Acrescentou os líquidos aos secos e os misturou delicadamente. Deixou a faca cair no chão e torceu para que o barulho não tivesse despertado seu professor.

Snape acordou com o som de alguém mexendo nas panelas, certamente era Bleu, seu hiperativo elfo doméstico. Levantou-se e foi até o banheiro, lavando o rosto e arrumando-se. Era verão e ele optou por roupões em tons de cinza, desconsiderando as típicas roupas negras. Ele caminhou até o quarto de Potter e franziu o cenho ao ver que a criança já não estava mais lá e que o recinto estava bem arrumado.

O homem desceu as escadas e deparou-se com uma cena que o deixou desconcertado. Harry estava na ponta dos pés, colocando a massa da panqueca na frigideira:

— Bom dia, senhor — o menino disse, virando a panqueca e afastando-se do fogão para derreter o chocolate com o qual faria a calda da panqueca.

— O que você está fazendo, senhor Potter? — Severo questionou, cruzando os braços. Se a criança acha que fazendo isso iria o conquistar, está redondamente enganado!

— O seu café, senhor — o menino respondeu, como se fosse óbvio: — Eu sempre fazia para meus tios. — Os grandes olhos verdes o encararam e o professor fora pego de surpresa, novamente, pelas palavras do menino. Snape suspirou e disse:

— Potter, não há necessidade! — O garantiu: — Enquanto estiver aqui, não precisará fazer as refeições, eu tenho um elfo doméstico para isso — esclareceu. Harry o encarou confuso, sem fazer a menor ideia do que raios era um elfo doméstico. — Elfos domésticos são criaturas mágicas que geralmente trabalham para as famílias bruxas — prosseguiu, ao ver a clara confusão da criança: — Enquanto você estiver aqui, só deverá focar em seus estudos, fui claro?

— Sim senhor — o menino murmurou, tirando a única panqueca que fizera do fogo e colocando no prato. Harry jurou a si mesmo que faria de tudo para não decepcionar o mais velho, pois ele foi a primeira pessoa em anos que dizia aquilo. Ele iria fazer com que Snape se orgulhasse, aquilo era uma promessa!

— Você está usando as mesmas roupas de ontem — comentou, avaliando a criança. Só então lembrou das condições nas quais o menino vivera até então, e teve de respirar fundo: — Que tamanho você usa?

— Eu não sei, senhor... Nunca tive roupas só minhas — o menino explicou, olhando para os próprios pés, que estavam descalços. Snape mordeu a língua para não o mandar pôr um calçado. Ele não se importava, ele não se importava! 

— Mandarei Madame Malkin vir até aqui confeccionar novas roupas para você — garantiu.

— Eu preciso ir ao Beco Diagonal — o menino se manifestou: — Pegar o dinheiro para pagá-la. 

— Não há necessidade, senhor Potter, eu a pagarei — garantiu. Harry quis protestar mas ao ver o olhar que seu professor o lançara soube que era melhor apenas aceitar a proposta do mais velho. — Bleu — chamou o elfo doméstico, que apareceu em um "pop". Bleu era menor do que um elfo comum, as grandes orelhas eram pontudas e ele tinha olhos azuis grandes, e sua pele era cinzenta:

— O senhor Snape chamou Bleu? — A criatura perguntou, freneticamente:

— Sim, prepare o resto das panquecas, por favor — Snape pediu e o elfo saltitou em direção a pia, fazendo as panquecas em uma velocidade rápida, os pés batucando no piso frio. — Venha, senhor Potter, há algumas coisas que ainda precisamos discutir — pediu, guiando o menino para a sala.

Harry arrastou a cadeira, um pouco desajeitado, e sentou-se. Snape o seguiu e respirou fundo, pensando:

— Diga, senhor — o menino pediu, delicadamente. O professor encarou a criança e falou:

— Percebi que o senhor é bem próximo do Weasley, da senhorita Granger e de Draco Malfoy — o homem comentou, resignado: — Sempre que quiser vê-los basta me avisar antes e poderá os encontrar — explicou. Por que ele estava fazendo aquilo mesmo? Ele não sabia. 

— É sério? Poderei mandar cartas também? — Perguntou, lembrando de Edwiges de repente: — Edwiges! — Ele levantou-se num rompante, movendo-se tão rapidamente quanto Bleu.

— Acalme-se, senhor Potter... Sua coruja virá para cá no final da tarde — Severo disse, agradecendo quando Bleu apareceu com o prato com panquecas cobertas com calda de chocolate.

— Aqui está, senhor Snape — o elfo colocou as coisas sobre a mesa e voltou-se para Harry, dizendo em um tom apressado: — O seu cabelo é engraçado, parece um ninho e você é magrinho demais, Bleu vai te engordar — garantiu, movendo a cabeça freneticamente, desaparecendo em seguida:

— Ele é sempre assim? — Perguntou, de olhos arregalados. O mais velho assentiu e comentou:

— Desde sempre, Bleu fala o que o vem à cabeça, que nem certas pessoas — adicionou, semicerrando os olhos, e Harry corou, envergonhado. — Você lembra absurdamente sua mãe — comentou, sem pensar. Mas que raios foi aquilo?!

— O-o senhor conheceu minha mãe? — Harry questionou, boquiaberto. O garfo com um pedaço de panqueca parou no meio do caminho, ficando parado no ar. 

Snape quis negar, mas aquilo já não era mais uma opção, agora precisaria dançar de acordo com a música. 

— Sim, eu a conheci — esclareceu, sentindo-se desconfortável com os olhos cor de esmeralda que o encaravam com expectativa: — Lily tinha o mesmo defeito que o senhor, falava o que a vinha a cabeça — revirou os olhos ao lembrar de como tentava controlar sua amiga impulsiva.

Harry sorriu e bebeu um pouco do suco de abóbora, deliciando-se com o gosto e só então notando o quão faminto estava. Nunca ninguém o contara sobre seus pais, Snape era o primeiro que se dava ao trabalho, e a gratidão que ele sentia pelo homem foi para a estratosfera. 

— Titia uma vez deixou escapar que eu tinha os olhos dela — Harry murmurou, brincando com a comida em seu prato. 

— Coma — Severo mandou ao ver que o menino quase não ingerira nada. Não queria ouvir Pomfrey reclamando que ele não estava alimentando a criança direito. O menino o obedeceu e voltou a comer, tomando mais um gole de suco. Geralmente só podia comer duas bolachas de água e sal na casa da tia, e ali ele estava comendo três panquecas e ainda podia beber suco, aquilo era demais!

— Obrigado pelo café, senhor! — Ele tentou conter sua animação, não queria que o mais velho se irritasse. Severo assentiu, terminado seu próprio café, e o lembrou:

— Coma uma fruta as nove horas, não se esqueça! — O mais novo assentiu e brincou com o tecido de sua roupa, parecendo perdido em pensamentos:

— Pode deixar! — Garantiu: — Eu vi um livro sobre Transfiguração em sua biblioteca, posso pegar? — Pediu, lembrando-se das regras que o outro havia estabelecido. Snape suspirou e disse, ajeitando o guardanapo:

— Vá em frente! — Harry abriu um sorriso luminoso e retirou-se da mesa, levando consigo o que usara. Subiu as escadas pulando de dois em dois graus sob os olhos atentos de Severo Snape. O homem suspirou e encarou em volta. Colocou a mão sobre a manga que escondia a marca negra e respirou fundo, fechando os olhos. Aqueles seriam longos meses...

...

Lucius revirou-se na cama, incapaz de dormir. Será que Draco estava bem? Será que precisava de algo? Em um ímpeto louco, o homem levantou-se e colocou os calçados, caminhando na direção do quarto do filho.

Ele abriu a porta lentamente, tentando não fazer muito barulho, e entrou no lugar. Draco estava encolhido em uma bola, havia sido examinado pelo medibruxo que disse não saber o que o rapaz tinha. Lucius não teria paz enquanto não descobrisse o que quase levara seu filho, sabia que jamais teria uma noite tranquila de sono enquanto não tivesse certeza de que seu filho ficaria bem.

Sentou-se na poltrona e avaliou o filho. Draco era sua mais bela obra de arte, seu tesouro mais precioso. Avaliou o rosto pálido, os cabelos loiros e finos caindo sobre a testa. Antes de segurar o filho nos braços, não conhecia amor, não o de verdade. Agora, ali, sabia que faria de tudo pelo filho, seria capaz de qualquer coisa para vê-lo seguro. Ergueu a mão e hesitou, os dedos a centímetros do rosto quente do filho.

Observou a criança e em um ato de carinho, afagou o rosto com delicadeza. Ele fizera aquilo, ele criara aquela vida! Criara, junto a mulher que aprendeu a amar, um ser cheio de vida e luz, como um anjo que descia à Terra para tornar todos ao seu redor especiais.

Lucius pegou-se desejando que seu filho soubesse o quanto era importante para ele, o quanto ele o amava. Em Draco residia tudo o que o homem julgava mais precioso para si, o seu filho valia mais do que qualquer outra. Ouviu a criança resmungar algo incompreensível e se remexer um pouco, abrindo os pequenos olhos cinzas.

— Pai, está tudo bem? — Perguntou, coçando os olhos. O mais velho suspirou e assentiu: — Por que está aqui?

O outro parou antes de responder. Afastou a mão do rosto do filho, que sentiu falta do toque e o avaliou. Como poderia quebrar as barreiras que ele mesmo construíra, ele sequer sabia se era de fato aquilo que ele desejava. As paredes daquela casa já viram muitas brigas, discussões, separações... As pedras marcadas pelo sangue mágico, pelo preconceito e pelas crenças, os quadros imponentes que viram e vivenciaram os momentos mais sombrios da família Malfoy. Cada pequena falha na estrutura, cada mínima e imperceptível rachadura nas paredes viu a dor que carregar aquele sobrenome trazia.

O que aquela arquitetura não presenciara; entretanto, eram as conversas calmas. Os sorrisos, abraços, as comemorações ou as declarações de amor. Aquela casa passara por grandes transformações, apesar de sua estrutura ter permanecido a mesma, e jamais vira a felicidade. Era isso o que desejava para seu filho? 

— Estava preocupado com você — murmurou, em um sussurro dificultado pelas emoções. Lucius sabia que no instante que aquelas palavras saíssem de sua boca, as coisas mudariam, que algo no cosmos seria eternamente alterado pelo som da frase outrora jamais pronunciada. — Volte a dormir — pediu, delicadamente. Entretanto, Draco sentou de joelhos na cama e abriu a janela, olhando para o Céu sem estrelas.

— Não estou com sono — a criança respondeu, apoiando o corpo no parapeito, sob o olhar cuidadoso do pai: — Gostava de olhar para as estrelas e conectá-las. Como no mapa estelar que ele fizera. Lucius pensou, amargamente. — Mas elas sumiram — o menino sussurrou. 

Ao encarar o Céu, Lucius notou dois pontos singulares brilhando no Céu. Duas estrelas agarradas a negritude. Não havia lua no céu aquela noite:

— Olhe ali, apareceram duas — murmurou, apontando para o céu negro. Draco semicerrou os olhos e encontrou aqueles ínfimos dois pontos de luz: — Não se preocupe, um dia as outras aparecerão — garantiu.

Mas a criança sequer ligou para a frase, pois ao olhar para os astros brilhantes, reconheceu-os imediatamente... A primeira era a estrela que sempre associara a Sarah e a segunda... Era a estrela de seu pai... Era Lucius.

...

— Harry! — Draco disse, ao sair da lareira. O menino moreno que estava sentado no chão lendo sorriu e colocou o livro sobre o sofá, abraçando o amigo: — Por que não contou antes que havia vindo para cá? — Perguntou, confuso.

O moreno deu de ombros e sentou-se no sofá:

— Eu estava me acostumando a nova rotina — explicou, casualmente: — Precisava testar o terreno com o professor Snape — comentou, e antes que ele pudesse prosseguir, Ron saiu da lareira consumida pelas chamas verdes:

— Harry! E ai companheiro! Uau, que casa grande! — Ele disse, arregalando os olhos para encarar a ampla sala de estar do rígido professor de Poções: — Como exatamente você veio parar aqui? — Questionou, franzindo o cenho ao receber uma cotovelada de Draco, que o lançou um olhar reprovador. — Desculpe!

— Oi meninos — Draco estacou ao ouvir a voz. Ele virou-se e um sorriso amplo fez notar-se nos lábios do rapaz: — Draco! — Ela sorriu e ele abriu os braços, pronto para o abraço que sabia que viria. Sentiu o perfume dela contra si e respirou fundo, beijando a testa da menina em um ato amigável ao separar-se dela: — Seu imbecil, por que não respondeu nenhuma das minhas cartas?! — Ela perguntou, o dando tapinhas de leve no ombro. Ele arregalou os olhos, chocado. Sério, mulheres eram estranhas!

— Meu pai cortou todos os meus meios de comunicação, ele até me prendeu no quarto por causa do que aconteceu em Hogwarts — revirou os olhos: — E ainda ficou tagarelando sobre como eu podia ter morrido e bla bla bla — disse, fazendo uma imitação do seu pai e revirando os olhos novamente. 

— Oras, ele ficou preocupado! Isso é uma coisa boa! — Ela disse, tentando não rir da careta que ele fizera. Depois a jovem voltou-se para Harry e o deu um abraço apertado, sob o olhar atento do loiro, e estendeu a mão para Ronald, que a cumprimentou parecendo desinteressado. — Harry, acho que você tem algumas explicações para dar — ela murmurou, lançando um olhar para o amigo, que assentiu e disse:

— Sentem-se — pediu, lembrando-se das boas maneiras. Harry, Draco e Hermione sentaram no amplo sofá e Ronald ficou sentado no chão, analisando a ampla sala: — Como sabem, eu morava com os meus tios... Eles não eram muito legais comigo — comentou, olhando para o chão. Hermione suspirou e agarrou o pingente que Draco a dera, buscando nele as forças para ouvir a história: — Eles odiavam mágica ou qualquer coisa relacionada a isso e como eu tenho mágica no sangue eles nunca... Gostaram de mim — respirou fundo: — Há alguns dias, titia tacou no fogo o álbum que Draco me deu — o loiro fechou os olhos e respirou fundo, desejando poder torcer o pescoço daquelas pessoas. Como alguém podia ser tão cruel? Do lado de fora da sala, Snape ouvia a conversa parado na porta, sem ser notado por ninguém. Ele não deveria estar se metendo na conversa alheia, mas precisava saber pelo que Potter passara.

— Que coisa horrível! — Hermione falou, colocando a mão na boca. Ron concordou, parecendo afetado também.

— Mas eles faleceram em um acidente de carro — pensou, lembrando de como a vida podia ser irônica: — E o senhor Snape foi até lá me recolher, e decidiu me acolher na casa dele.

— De bom grado? — Draco questionou, arqueando a sobrancelha.

— Bem, eu não diria que foi exatamente de bom grado mas ele me trata bem — Harry deu de ombros: — Ele me deixou até pegar um livro dele! — Disse, sorrindo.

— Então você está bem aqui? — Ron perguntou, arqueando a sobrancelha: — Quero dizer, ele parece com um morcegão das masmorras e ele parece meio malvado...

— Ron! — Harry o interrompeu. — Snape não é malvado! — Ralhou com o amigo: — Ele só é sombrio, mas não mau — murmurou.

Snape congelou ao ouvir as palavras. E ao encarar seu pulso coberto, soube que não era digno da fé cega daquela criança...

...

Lucius revirou o escritório inteiro procurando pelo retrato:

— Por Merlin, Lucius! Estou tentando dormir, o que tanto procura? — A mulher perguntou, massageando a cabeça:

— Aquele retrato de Draco de quando ele era bebê, eu vi aqui ontem mesmo?

— De Draco? — A mulher perguntou, a cabeça um pouco confusa: — Ah, lembrei! Bem, deve estar por ai em algum lugar — deu de ombros, beijando-na testa e voltou para o quarto. Lucius olhou para o relógio, confuso, e pôde jurar que viu o ponteiro retroceder um segundo, coçou os olhos, tendo a certeza de que estava alucinado e retirou-se do quarto. Ele suspirou, cansado. Havia visto o retrato outro dia desses! Tinha certeza! Olhou em volta e estremeceu, sentindo-se estranho... Pôde sentir algo obscuro o rondar e um arrepio percorreu sua espinha. Algo estava acontecendo... Ele podia sentir.

Foi com esse pensamento que ele apagou a vela, percebendo todo a biblioteca ser engolido pelo breu da escuridão...


Notas Finais


>LEIAM, POR FAVOR!
É gente, eu sou cruel... Sim, claro ou sem sombra de dúvidas? Haha
Gente, algumas perguntas que eu gostaria que vocês respondessem:
1º Com que idade vocês acham que Draco e Hermione devem se relacionar?
2º Quem leu o livro sabre que foi Severo quem contou a Voldemort sobre a profecia - apesar de que um adendo: Eu não li nenhum livro, só sei disso por causa de várias pesquisas e fanfics que já vi -, vocês acham que Sev deve contar a Harry sobre o que ele fez e se sim, como o menino deve reagir?
3º Esse conto do mistério das estrelas foi algo aleatório e ainda assim profundo, é o que chamam de lendas de origem e esse conta a origem das estrelas, o que vocês acharam dele? E do momento do Draco com o pai? E sobre Sarah? O que acharam dela?
4º Com quem vocês querem que Harry fique? Com Ginna, Cho sem sal ou outra pessoa? Deem suas opiniões.
5º Vocês acham que os capítulos estão grandes demais ou assim está bom?
Bem, no próximo capítulo teremos mais flashbacks de Noah a.k.a Draco com Hermione, teremos mais da nossa bruxa predileta e eles finalmente vão para Hogwarts haha.


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