História Lírio - Capítulo 10


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Aventura, Drama, Magia, Mistério, Romance
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Palavras 1.429
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


Obrigada! XOXO

Capítulo 10 - Liberta-me


Fanfic / Fanfiction Lírio - Capítulo 10 - Liberta-me

AELIN  

Os próximos dias passaram como um borrão de atividades, na maior parte do tempo eu estava enfurnada na biblioteca lendo livros antigos para tentar traduzir aquela palavra maldita. 
 mhaksaatrei
Se Jules sabe algo sobre essa língua não demonstrou. Agora eu dormia no seu quarto, entrava tarde para ninguém me ver e saia cedo, não fazíamos nada. Sempre conversávamos até um de nós pegar no sono. Era tão vulnerável quando dormia. 
Ele me falou que eu afastava seus pesadelos e eu suspeitava se isso era verdade, os meus estavam a todo vapor. Na maioria das vezes os sonhos se repetiam, ou me mostravam detalhes que não estavam ali antes, ou até se adiantavam para a parte que eu estava caída em frente ao copo jazido de alguém, alguém que eu não sabia quem era. 
Também estava praticando minha magia com frequência, ninguém nunca anunciou quando seria a próxima prova, também, pra quê? Eles tinham tempo para nos crucificar aqui o quanto quisessem.
Suspirei e joguei o outro livro no chão. Quantos já tinha lido? Duzentos? Era bem possível. 
Nada. Não tinha absolutamente nada na biblioteca que pudesse me dar uma pista sobre a palavra. De onde vinha eu já sabia, do Sul, embora nunca tenha ouvido eles falando uma palavra sequer daquilo, nunca. 
- Acenda a vela.
O treinador falou. 
Na minha frente havia um pequeno candelabro com algumas velas púrpuras. 
- Certo, como eu faço isso? 
Essa pergunta saia tão constantemente da minha boca que o treinador nem piscou para explicar. 
- Imagine que a sua magia é algo sólido e firme que você possa pegar, puxe a imagem de sua mente, uma vela se acendendo, mande seus pensamentos para ela. 
Fiz o que ele disse (ou achei que estava fazendo) mas a vela não faiscou uma única vez. 
Uma hora se passou.
Duas. 
Eu continuava encarando a vela e quando achei que meus olhos estavam prestes a sangrar gritei de frustração. 
- Chega por hoje.- Ele disse arrancando o candelabro do chão e sumindo pela porta. 
Me levantei e espalmei meu vestido, já estava prestes a sair andando quando uma voz falou atrás de mim. 
-Você não vai conseguir.
Uma das competidoras estava ali, não lembrava mais seu nome, ela tinha cabelos cacheados e uma pele brilhosa chocolate. 
- O quê?- Perguntei encarando-a firmemente. 
- Você não pode ser mais poderosa que uma de nós.- Ela riu - Olhe para você, só uma iniciante.- 
Eu não ia facilitar as coisas para ela. 
- Quem diabos você pensa que é para me falar essas coisas, hum?- Disparei com um tom propositalmente irônico. 
Ela andou um passo confiante para a minha frente e ergueu as mãos. No momento que ela fez isso eu fiquei sem ar como se tivesse engolido muito água e estava lutando para cuspi-la, minha boca ficou seca e eu cai no chão com uma crise de tosse quase não percebendo que já podia respirar. 
Uma eu com muita raiva e ofegante virou a cabeça para ela, ergui as mãos sem ter a mínima ideia do quê estava fazendo mas concentrei toda a minha fúria naquele movimento. 
Ela caiu no chão tão rapidamente quanto eu, cuspindo água e colocando a mão no pescoço. Olhei para ela já de pé e disse:
- Parece que também posso afogar você, não tente isso de novo. 
- N...não p-pode ser.- Ela falava e tomava várias lufadas de ar ao mesmo tempo. 
Rodei meu vestido com toda a classe que consegui e deixei a sala.
Eu. Não. Tinha. A. Mínima. Ideia. Que. Poderia. Fazer. Isso. 
Cada palavra na minha mente veio devagar e com pausas significativas quando o choque tomou o meu corpo.  
Sai correndo para a biblioteca onde tinha se tornado meu refúgio nesses últimos dias e passei por diversas prateleiras até achar um sofá enorme de couro e me jogar nele. 
Quando me acalmei vi que nunca tinha estado naquela parte da biblioteca antes, tudo parecia mais antigo e empoeirado que o habitual, até as prateleiras tinham mudado de madeira-clara para uma madeira escura com coisas estranhas entalhadas. 
Passei a mão por alguns volumes porém não conseguia ler nenhum, tudo estava escrito em línguas diferentes. 
Andei mais alguns passos para frente ainda analisando os livros quando tropecei em algo no chão, um livro, aberto.
Peguei ele com cuidado para não fechar a página que estava aberta e me sentei de volta no sofá macio. 
Passei o olho pela página e percebi que as palavras estavam dívidas, algumas no meu próprio idioma e outras no idioma desconhecido, havia várias linhas riscadas, setas, como se alguém estivesse tentando desvendar o que quer fosse aquilo.   
As primeiras linhas tinha palavras grifadas e borradas com o tempo, mas bem no começo, não em uma linha, mas acima da folha estava escrito em uma caligrafia caprichada: Guia Khmer 
Esse devia ser o nome da língua pensei, não consegui entender o resto das palavras na folha, tudo estava muito riscado e atrapalhado para meus olhos. 
Virei o livro nas mãos e olhei para a capa, bom, não tinha uma, ele era todo revestido de um material que eu nunca vira na vida.
Enquanto fazia isso um pequeno pedaço de papel caiu do livro para o chão de mármore, me abaixei e peguei, estava lá, na minha língua, a seguinte frase:
Conseguiu o quê queria? 
Tremi um pouco e percebi que o papel tinha caído mais do final do livro, então abri na última folha, porém não havia nada escrito lá além de uma única palavra marcada de vermelho bem escuro: mhaksaatrei e logo abaixo uma tradução feita às pressas: Rainha, Domadora, Líder
Reli as linhas mais vezes do que consegui contar, por fim deixei o livro de lado e comecei a pensar como isso, pelo amor dos deuses, tinha a ver comigo. 
Não tinha uma resposta. 
Fiquei um longo tempo só escutando minhas respirações ali sozinha no sofá, quando ouvi um ruído incomum. 
A biblioteca vivia quase sempre vazia a não ser por eu e algumas damas de companhia, esse barulho vinha de pés sendo arrastados no piso. 
Alguém me segurou por trás e eu gritei quando uma escuridão estranha me levou.
Eu não estava desmaiada, tão pouco dormindo, podia sentir mãos firmes em meu ombro mas a escuridão ainda estava lá, pura e densa escuridão. 
De repente tudo ficou claro, olhei para o chão, neve, mas eu estava na corte de verão... 
Então eu me virei e o homem mais lindo que eu já vira na vida estava ao meu lado, seus cabelos eram tão brancos quanto a neve que eu estava pisando e os olhos eram, calma aí...violetas? Sim, lindos olhos violetas me encaravam. 
Dei um paço para trás ainda atordoada com a viagem e com aquela beleza sobrenatural. 
Olhei para os lados, neve, neve, e montanhas cobria toda a minha visão periférica, um castelo feito de pedra escura e luminosa estava na minha frente, logo depois da montanha que eu estava. Perdi o fôlego, nunca tinha visto uma coisa tão linda assim. 
- Você é tão bela quanto eu imaginei.- Estreitei os olhos para aquela voz ronronada. 
- Quem, pelos sete infernos, é você?
- Sou o Grã-líder do sul.- Ele mexeu a cabeça devagar me fazendo uma reverência.
Uma reverência! Abri a boca e fechei várias vezes. 
- Mas ninguém nunca viu você...por quê eu estou aqui?- Disparei quando recuperei minha voz. 
- Você é portadora de um grande poder, Aelin.- 
- É mesmo?- Ironizei cruzando meus braços. -Por quê você quer uma guerra com o Rei?- 
- Eu não quero uma guerra com ele.- Ele disse com a sua voz sem um pingo de qualquer emoção. 
- Então....- Minhas palavras morreram quando olhei seu rosto inexpressivo.
- Eu sou sua prisioneira? - Perguntei com minha voz mais baixa que não passou de um sussurro.
Ele mexeu a cabeça devagar. 
- Você pode ir pra onde preferir, mas aqui, você será livre, livre para seguir suas escolhas e decidir para qual caminho quer tomar.-
Livre, Liberdade. 
Eu não amava Jules, gostava muito dele, sim, ele me fazia sentir protegida. Mas liberdade? Era o que eu desejava com todo o meu coração. 
- Mas?
- Mas, você precisa me ajudar com uma coisa, até então, lhe prometo proteção, e no fim, se você ainda quiser ir, não vou atrapalhar. 
- Fale. 
- Vamos entrar. 
Antes que eu pudesse impedi-lo, das suas costas se projetaram lindas asas negras como a noite, ele pegou minhas duas pernas e me prendeu contra seu corpo. 
- Tente não gritar.- Disse, e se jogou da montanha. 


Notas Finais


Para Aelin, liberdade vem primeiro que o amor.


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