História Lírios Brancos - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Deficiencia, Depressão, Drama, Jikook, Jimin, Jimin!top, Jungkook, Jungkookbottom!, Kookmin, Romance
Visualizações 79
Palavras 4.124
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Primeiramente, boa noite.
Segundamente, PUTA MERDA GENTE QUE ISSO COMO ASSIM 64 FUCKING FAVORITOS?????? VOCÊS QUEREM QUE EU TENHA UM ATAQUE CARDÍACO??? MEU DEUS DO CÉU. STÔ PASMA. CHOCADA EM BUSAN.
SÉRIO, gente. Eu nem tenho palavras para agradecer, não é nem pelos favoritos, mas por saber que tem gente que lê essa fanfic. O assunto do qual eu trato nela não é nada fácil, então eu me esforço MUITO para tentar escrever algo legal, por vocês.
Jureg, eu tô emocionada. De verdade.
Peço inúmeras desculpas por ter demorado tanto, eu estive bem ocupada com a escola nessa última semana, então atrasei um pouquinho para escrever, sim. Eu também tinha que atualizar outra fanfic, mas Lírios Brancos é tão meu xodó que eu precisei escrever antes aaaaaaa

Outra coisa, peço desculpas caso vocês, de alguma forma, achem que os capítulos estão repetitivos ou coisa do gênero, principalmente com os pensamentos pessoais do Jk, exagero de emoções e etc. Bom, o garoto claramente tem depressão, então sim, eu vou dar muito enfoque nisso ainda. Ele está passando por uma situação bem difícil e a cabeça dele tá completamente cheia, e isso faz parte do desenvolvimento dele como personagem também. Agora que ele está começando a assimilar as coisas, perceber que teve/terá que deixar muita coisa para trás, e gente, isso é assustador. Ele está completamente confuso, quer ser notado, quer ser invisível. Se sente vazio, mas ao mesmo tempo se sente cheio (de sentimentos ruins). Então paciência com o meu menino, por favor kklkkjk

Boa leitura! Amo vocês <33

Capítulo 4 - Céu Rosa


Fanfic / Fanfiction Lírios Brancos - Capítulo 4 - Céu Rosa

Capítulo Três — Céu Rosa

 

O problema da depressão é que ela é instável, completamente. Você nunca está bem, pelo menos não de verdade. Em um momento você está feliz, mas então uma onda te atinge e você se afoga novamente, em questão de segundos.

Você tem recaídas e mal sabe explicar o por quê. O motivo parece ser tão óbvio, tão claro, mas é difícil de explicar. Você inspira todo o ar que pode, mas seus pulmões continuam vazios. Como procurar cegamente por algo que não existe.

Como procurar por uma felicidade que está longe demais para ser alcançada.

 

Jimin passou a me visitar regularmente depois daquele dia. Nós não conversávamos muito, talvez por eu ainda me sentir um pouco desconfortável diante de sua presença, mas com certeza tê-lo por perto era melhor do que ficar sozinho o dia inteiro.

Às vezes os meus pais perguntavam por ele, mas eu não queria que os conhecessem; não queria que enchessem sua cabeça de ideias malucas ou qualquer outra coisa que o fizesse querer distância de mim. Eu precisava de si tanto quanto precisava de meus remédios, ou tanto quanto precisava respirar. 

Apenas tê-lo por perto já era um conforto imenso; mesmo que isso significasse ter que lidar com o meu próprio constrangimento em ser quem era.

Vez ou outra Hoseok mandava alguma mensagem, me "atualizando" sobre tudo o que estava acontecendo, mas eu não tinha nem sinal dos outros. Nem de Taehyung, nem de Namjoon, muito menos de Yoongi — que parecia ter sumido do mapa.

Para falar a verdade, sem Jimin, os dias sozinho no hospital pareciam ter passado em branco. Não havia nada de divertido ou interessante, nenhuma distração sequer, e lidar sozinho comigo mesmo era a pior das torturas. 

— Jungkookie, qual é mesmo o nome daquele rapaz? — Minha mãe perguntou e voltei minha atenção para ela, cansado de ouvir a mesma pergunta pela milésima vez.

— Jimin. — Respondi, com a voz baixa, enquanto um médico forçava minhas pernas contra o meu peito. — Minhas costas doem. — Reclamei. A fisioterapia era uma merda, e eu não tinha começado nem há uma semana.

Mas lá estava eu, de moletom cinza e deitado em um colchonete no chão, cercado por pessoas cheias de expectativas em cima de mim, quando no fundo todas sabiam que não havia nada para esperar.

— Faltam apenas uns quinze minutos. Você aguenta. — Jin tentou me confortar, com o seu jeito calmo e sereno de sempre. Ele decidiu que talvez fosse melhor estar presente nas sessões, e eu não o impedi. Às vezes ele tomava algumas notas sobre a situação.

O hyung era quase como um irmão mais velho para mim. Eu ainda não conversava muito com ele, porque sentia que a ferida em meu peito se abria mais a cada vez que eu tentava falar sobre aquilo — sobre a paraplegia, sobre meus pais, sobre mim, sobre tudo —, e tampouco podia dizer que confiava em si, mas eu podia ver que ele era uma boa pessoa. Ou pelo menos era o que fazia parecer.

Respirei fundo, tentando recuperar o fôlego. Era simplesmente inútil. Não havia nada mais cruel do que ser obrigado a, todos os dias, encarar e tentar lutar contra algo que é inatíngivel, ou tentar alcançar algo que é inalcançável. 

Como se ficar paraplégico já não fosse o bastante, eu diria que a parte mais dolorosa era a fisioterapia. Não por causa da dor exterma, porque é claro, eu não podia sentir nada do quadril para baixo. Mas a dor interna, a que me perseguia todos os dias. Ah, essa era a que mais doía. Porque eu sabia que, mesmo me esforçando e fazendo todas aquelas coisas, jamais recuperaria meus movimentos. 

Na verdade, isso tudo era apenas para impedir possíveis deformidades articulares, ou seja, impedir que eu perdesse uma das pernas ou as duas. Você sabe, todo aquele negócio de coagulação de sangue e tal. Mas qual era a diferença de meus membros necrosarem, se meu coração já estava completamente negro?

— Quando você vai deixar que eu o conheça? — Nunca, pensei, e minha mãe fez um beicinho inconformado. — Por que quer tê-lo só pra você? Por acaso está apaixonado? — Sugeriu com um sorriso malicioso, seguido de uma risadinha, e senti o rosto queimar ao perceber os olhares curiosos do psicólogo e do médico.

Respirei fundo, me convencendo de que aquela era só mais uma pergunta para a qual eu não devia nenhuma resposta.

Mamãe parecia muito curiosa, ultimamente. Ela vivia me perguntando sobre Jimin, sobre a faculdade ou simplesmente como eu estava me sentindo e se estava me adaptando bem, mas eram todas perguntas retóricas, porque as respostas eram tão claras quanto a água. 

Fechei os olhos, empurrando o corpo para trás novamente, enquanto o fisioterapeuta me dava os "comandos" do exercício.

Suspirei uma última vez, irritado por não conseguir sair da estaca zero.

— Já chega. Não dá. Eu não consigo. — Repeti as mesmas palavras pela terceira vez naquela manhã, mas desta vez completamente convicto de cada uma delas. Minha mãe me olhou de um jeito triste, quase com decepção, e os dois homens presentes não demonstraram qualquer reação. 

— Mas filho, você mal come—

— Eu não consigo! Isso é inútil. — A interrompi. — Isso não vai me levar a lugar algum. Todo mundo sabe que eu não vou voltar a andar. Até você! — Gritei em tom acusatório enquanto apontava para à mulher de olhos molhados. — Não quero mais fazer isso.

— Jungkook, pode não parecer, mas é necessário. — Jin interviu, mas o médico fez sinal com a mão para que ele parasse.

— Tudo bem. Podemos acabar por aqui, por hoje. — Disse, ajudando-me a levantar o tronco e por fim a me sentar novamente na cadeira de rodas. 

 

A noite seria silenciosa se não fossem pelos soluços incessantes que saíam de minha boca. Mamãe dormia na pequena poltrona que havia na sala, se recusando a ir para casa, e suas olheiras profundas eram mais visíveis que as minhas. Mas embora eu tentasse abafá-los para que ela pudesse descansar, era quase impossível impedir que eles saíssem de mim, tentando liberar toda a dor e sofrimento presentes em meu corpo. Mas parecia nunca ser o suficiente. 

Eu me perguntava o quanto mais precisava chorar para ficar complatemente vazio. Mas com certeza era muito mais do que apenas um litro de lágrimas.

 

Na manhã seguinte, Jimin apareceu. Seus cabelos continuavam cor de rosa, exatamente do jeito que costumavam ser, e seu sorriso ainda era o mesmo sorriso radiante de todos os outros dias.

Eu batucava com os dedos na madeira do parapeito da janela quando ele me chamou. Parecia um pouco cansado. 

Mas eu estava com a cabeça cheia demais para me importar com um detalhe tão pequeno.

 

—  Que cara de cachorro abandonado é essa? — Debochou, dando uma risadinha. — O que você tem, Jeon Jungkook?

O olhei hesintantemente por um breve momento.

— Nada. — Dei de ombros, mas sabia tanto quanto ele que aquela palavra tinha um significado completamente oposto do que expressava. 

Eu simplesmente não via necessidade de falar alguma coisa. Seria difícil colocar em palavras tudo o que havia dentro de mim — afinal, era isso o que Jin vinha tentando fazer, e se tornava mais difícil cada vez que eu pensava sobre isso. 

Ele dizia que eu estava com depressão, e, sinceramente, eu mal tentava negar. Talvez fosse verdade, talvez não fosse. Mas ele era um especialista, e por isso decidi confiar em suas palavras, mas não era como se eu me importasse de fato.

A única coisa que eu sabia era que eu me sentia um merda, o tempo todo. 

— Por que você não veio ontem? — Perguntei, desenhando círculos com o dedo indicador no lençol. Ele suspirou, já sentado na cadeira ao lado da maca, e sorriu fraco. — Aconteceu algo com a sua vó? 

Ele negou. 

— Achei que você se cansaria rápido de mim se eu viesse todo dia. — Disse.

— Me impressiona que você ainda não tenha se cansado de mim. — Respondi, tentando quebrar o clima pesado com uma risada nasal, mas o Park apenas ficou me encarando fixamente, como se estivesse tentando me decifrar.

E mais uma vez tive vontade de me encolher, de me enrolar no cobertor e simplesmente morrer.

E depois de um longo e torturante silêncio, o rosado perguntou:

— Mas, Kookie, — me apelidou, o que a princípio estranhei, já que ele sempre me chamava de Jeon ou Jeon Jungkook — o que você fica fazendo aqui, o dia todo? Quando eu não estou.

— Nada, eu acho.

— Como assim "nada"?

— Nada. — Respondi simplesmente. Odiava quando o assunto se voltava para mim. — O que você fica fazendo, quando não está aqui?

— Faculdade. 

— Ah, é. — Murmurei.

— Você ainda não me disse porque não estuda. — Lembrou, e me amaldiçooei mentalmente por ter começado aquele assunto.

Merda, mil vezes merda.

Odiava quando o assunto era eu

— Não tem nada que eu queira fazer, eu acho. — Respondi, e de certa forma, não estava mentindo. 

— Não tem nada de que você goste? — Perguntou, e arregalou os olhos quando assenti, como se fosse a coisa mais absurda que já tivesse ouvido. — Jeon Jungkook, em que mundo você vive?! — Segurou-me pelos ombros e me chacoalhou suavemente, fingindo estar horrorizado. Depois, me soltou e sentou-se novamente na cadeira. — Não tem mesmo nada que você acha interessante?

Olhei para cima, pensativo.

Então me lembrei das poucas coisas pelas quais já havia despertado certo interesse.

A primeira de todas, com certeza, era a música. Em especial o piano, por causa de Yoongi. Ele me ensinava algumas notas sempre que eu ia para o seu apartamento, que era praticamente vazio.

Ele vivia dizendo que poderia perder tudo, desde que ainda tivesse o seu piano. 

Nem eu nem Hoseok falávamos muito sobre isso, mas uma vez o Jung me contou que a mãe do Min morrera em um acidente de carro, quando ele tinha por volta de seus sete ou oito anos. Ela era pianista, e talvez essa fosse a única lembrança que ele tivesse da mãe.

Eu amava a música, mas mais do que isso, eu amava o seu amor por ela. 

Se eu citasse todas as coisas que me encantavam, com certeza não acabaria tão cedo, mas nada parecia ser "meu" de verdade. Eu amava como Hoseok era apaixonado pela dança e, mesmo que não treinasse muito, sempre mostrava o quão incrível era aquilo para ele.

Taehyung poderia passar horas a fio apenas jogando videogame, principalmente os de zumbis — sua mãe odiava esse tipo de coisa, por isso ele passava a maior parte do tempo na casa do namorado, jogando. 

E Namjoon, bem, ele era bom em tudo que tentasse fazer, sem nenhum esforço ou trabalho árduo. 

Mas eu não. Não havia nada que me prendesse, que me instigasse de fato, como história fazia com Jimin ou a música com Yoongi. Nada que eu pudesse chamar de meu, ou que parecesse tão incrível que me fizesse ficar animado e me esforçar para aquilo. 

E, sempre que eu tentava começar algo novo, desistia em poucos minutos. Porque o médio sempre foi bom para mim, e eu nunca conseguia fazer nada perfeitamente bem. Então eu me contentava em não fazer nada.

Mas era horrível pensar que agora, eu realmente não poderia fazer mais nada. Eu havia perdido a minha vida toda sendo um completo ninguém, passando despercebido por tudo e por todos, sem nem mesmo me esforçar para tentar mudar.

O que Jeon Jungkook já havia feito de tão impressionante? Nada. Absolutamente nada.

Mas agora eu estava pagando pelos meus erros; por cauda um deles.

Então eu me lembrei de algo.

— Escrever.

— Escrever? — O outro arqueeou uma sobrancelha. — Você gosta de escrever?

— Quando eu era mais novo...eu sempre carregava um caderninho comigo. Eu gostava de anotar tudo o que via, mas sei que queria escrever um livro, um dia. — Abri um sorriso quase imperceptível, me sentindo nostálgico. 

— E por que você parou?

— Não sei. Acho que alguns meninos ficavam me zoando, então eu simplesmente parei.

— Não acredito que você conseguia ser mais idiota do que é hoje em dia. — Bufou, mostrando indignação, e eu revirei os olhos. Juro que não sabia de onde toda essa intimidade havia surgido, e, por algumas vezes, isso me assustava. Não estava acostumado com esse tipo de aproximação, e, depois do acidente, havia me recluso no meu próprio mundo, em uma bolha de ar invisível que era — ou pelo menos eu pensava ser — impenetrável para qualquer um. Mas com o Park era diferente. Era como se a qualquer momento ele pudesse estourar a bolha e tirar de mim toda a proteção que criei para mim mesmo, sem lugar para ir ou me esconder.

Mas ninguém nunca quer estar sozinho. Todo mundo quer alguém para segurar a sua mão e te tirar do escuro. Por mais arriscado que pareça.

— Você podia tentar fazer literatura. Por que não volta a escrever? — Jimin disse e sorriu como se uma lâmpada houvesse se acendido em sua mente. Ri fraco, achando sua reação fofa.

— Não vou voltar a estudar, hyung. — Respondi calmamente. — Esse tipo de coisa...não faz mais sentido para mim.

Ele me olhou pensativo e abriu a boca para falar, mas no mesmo instante batidas na porta de vidro do quarto desviaram minha atenção de si.

Era a minha mãe, acompanhada de meu pai e do médico. 

Eu e Jimin trocamos olhares, e desejei simplesmente pegá-lo pela mão e sair correndo dali.

— Olha só! — Minha mãe abriu um sorriso estonteante, quase ofuscando a minha visão. Senti o rosto esquentar. — Então você é o famigerado Jimin? — Jimin encolheu os ombros e deu uma risadinha tímida.

Revirei os olhos.

— É um prazer, Sra. e Sr. Jeon. — O rosado se levantou para fazer uma breve reverência, e me lançou um olhar confuso. Mas eu não sabia o que dizer. — A-Acho melhor deixar vocês a sós...

Queria dizer a ele para não ir embora, mas as palavras não saíam de minha boca.

— Tudo bem, pode ficar, se quiser. — A mulher respondeu, sorrindo. Mas algo em seu olhar me dizia que não estava sendo completamente sincera com todos aqueles sentimentos positivos para cima do outro. Jimin agradeceu e se sentou lentamente na cadeira. — Temos uma ótima notícia para te dar. — Me olhou.

Engoli em seco, curioso. 

— Nós recebemos os resultados dos exames, e já está tudo bem com você. Não há nenhuma sequela neurológica devido a pancada na cabeça, e você teve uma ótima recuperação nas áreas fraturadas e lesionadas. — O Doutor disse, folheando a prancheta que carregava sempre consigo. Pisquei algumas vezes, tentar encontrar o significado para aquilo. — É claro que ainda será necessário tomar todos os cuidados necessários, e você precisará continuar vindo às sessões de terapia e psicoterapia. — Soltou um suspiro. — Mas, a partir de amanhã, você poderá oficialmente ir para casa. — Arqueeou uma sobrancelha e me olhou.

Papai colocou uma mão sobre o ombro da esposa, os dois sorrindo abertamente. Olhei para Jimin, os lábios entreabertos e claramente sem saber como reagir àquilo.

Jimin também sorria.

— Isso é ótimo, Jeon. — Murmurou. — Não está feliz?

Fiz que sim, ainda perplexo.

 

Agora só estávamos eu, Jimin e meus pais no quarto espaçoso e sem graça. Mamãe havia finalmente conhecido Jimin, e de quebra até lhe fazia algumas perguntas, mas não parecia tão feliz. Mas tive medo de perguntar por quê.

Eu não queria realmente saber.

— Jungkook, — meu pai começou — sua mãe decidiu voltar a trabalhar. Seria difícil demais para nós se ela apenas continuasse em casa.

— Então decidimos que vamos contratar um cuidador para você. — Mamãe completou, e eu entortei os lábios, sem gostar do que ouvira.

— Como assim um "cuidador"?

— Alguém que te ajude por um tempo, filho. A se habituar a outros ambientes, e claro, cuidar de você. — Ela disse, com a voz tão macia quanto veludo, colocando sua mão sobre a minha.

Ri de desdém. 

— Eu não preciso de um cuidador. Não tenho cinco anos.

— Não é para sempre, Jungkook. É só enquanto eu e sua mãe estabilizamos tudo em casa. Estamos apenas querendo te ajudar. — Papai interviu, ajeitando o óculos que começara a usar recentemente.

— Eu não quero ser ajudado. Muito menos por alguém que não conheço. — Resmunguei. — É humilhante. — Sussurrei para mim mesmo, e percebi que Jimin me olhava, o que só me deixou mais nervoso.

Não queria ser tratado como alguém que não pode fazer nada sozinho. Não precisava de ajuda para me sentir mais ainda como um fardo.

Mamãe suspirou.

— Também não é recomendável que você fique sozinho, Jungkook. — Olhou para baixo. — Só quero que você melhore. — Pegou em minhas mãos, mas as soltei.

— E se eu cuidasse dele? — Ouvi a voz de Jimin pela primeira vez desde aquela conversa, e nós três olhamos para ele chocados.

— J-Jimin, você não pode. E sua vó? Sua faculdade? — Perguntei, embaralhado em minhas próprias palavras.

— Posso, sim. Eu estou de férias da faculdade, e posso continuar a trazer a vovó para fazer os exames. — Deu de ombros.

— Você...realmente faria isso pelo Jungkook? — Meu pai perguntou, e olhei para Jimin, curioso e ansioso pela sua resposta.

Então ele abriu um sorriso. O mais lindo de todos — se é que isso era possível.

— Sim. 

Sorri, mas mamãe não pareceu gostar da ideia. Ela lançou um olhar repreensor para meu pai, que lhe foi devolvido com uma careta.

— Mas, Jimin — riu nervosamente. —, você não tem nenhuma experiência com esse tipo de coisa, estou correta?

— Ah, sim... — O rosado parecia desconcertado. — Mas acho que não seria difícil aprender. E acredito que o Jungkook também não quer se sentir totalmente dependente de alguém. Mas, se eu puder ajudá-lo com minha compainha, então com certeza o farei.

Senti meu estômago embrulhar no momento em que ele disse aquilo, e não gostei muito dessa sensação. Abaixei a cabeça tentando esconder o sorriso que se fez presente em meus lábios, procurando por alguma reação no rosto de meus pais pelo canto dos olhos.

Então minha progenitora suspirou.

— Eu e seu pai precisamos conversar um pouco, tudo bem? Lá fora. — Concluiu e deu um tapinha leve no braço inferior do mais velho ali, para que ele a seguisse.

Fiquei olhando para a porta enquanto eles saíam, e então percebi que Jimin me olhava daquele jeito, de novo.

— Por que você 'tá me olhando assim?

— Porque você é bonito. — Senti as bochechas esquentarem, e ele riu suavemente. 

— Parece mais que tem algo de errado com a minha cara. — Ou comigo, pensei, e ri. — Não quero te prejudicar, você sabe. Tendo que "tomar conta de mim". Mamãe não vai te deixar em paz por um segundo, isso se ela aceitar.

Ele sorriu, mas seu sorriso não durou nem dois segundos.

— Ela sempre foi tão protetora assim com você?

— Não. — Me encolhi. — Na verdade, ela sempre me deixou fazer tudo o que eu queria. Eu sabia dos limites, então acho que ela nunca viu necessidade de ser rígida ou coisa assim. Mas agora acho que ela tem medo até de que eu respire errado. — Tentei levantar o astral do outro, mas não pareceu ter funcionado, então apenas ri baixinho e depois me mantive em silêncio.

Dava para ouvir os outros dois discutindo do lado de fora da sala.

Mamãe realmente não percebia que falava alto.

— Eles se conhecem há menos de um mês, Hanguk! E como você espera que um garoto de vinte anos seja responsável pelo nosso filho? Espero que você não esteja pensando em deixá-lo ser o cuidador do Jungkook.

— Qual o problema? O Jungkook não é mais criança. Podem haver coisas que ele não pode fazer sozinho, mas de resto, tenho certeza de que ele é completamente capaz. 

— Mesmo assim! Ele precisa de um profissional.

— Ele precisa de alguém que o ajude a melhorar, não de alguém que viva por ele. Ele quase não fala conosco, ele mal olha para mim! Mas é completamente diferente quando ele está com esse garoto.

— Como você sabe?

— Jiwon, eles têm praticamente a mesma idade. Se o rapaz diz que não é um problema para ele, então por que não? Jungkook tem maturidade o suficiente para decidir o que é melhor para ele. Até quando você vai ficar tentando prendê-lo?

— E do que você sabe? Mal esteve presente na vida dele. Não estou o prendendo, estou protegendo.

Não podia ouvir nem ver, mas tinha certeza de que papai suspirou e apertou as têmporas, como fazia quando estava exausto ou frustrado.

— Acho que apenas ele tem o direito de fazer essa decisão.

 

 

 

E mamãe acabou cedendo, depois de muita insistência e condições — todas impostas por ela, é claro. Ela ainda não era muito próxima de Jimin, embora o tratasse muito bem, mas o rosado também não parecia se importar.

Por mais estranho que pareça, foi um pouco difícil dizer "adeus" ao hospital. Eu ainda o frequentaria várias vezes, provavelmente pelo resto da minha vida, mas não era mesma coisa. Eu odiava estar ali e, ao mesmo tempo, podia sentir que eu não era o único com problemas.

Talvez fosse um pensamento egoísta e cruel, mas era o máximo de conforto que eu podia ter.

Jimin passava a maior parte do tempo em minha casa, era quase como se ele morasse lá. Quando eu estava com ele, pelo menos, podia deixar a marca negra deixada em mim de lado, nem que por um breve momento. Só ainda era um pouco difícil de lidar com ele tendo que me ajudar nas tarefas mais simples. 

Mas, naquele dia em especial, parecia haver algo de errado com ele.

Mamãe estava fazendo turno extra no trabalho, e papai, bem, acho que ele tinha um outro lugar para ficar. Mas Jimin estava sentado na beira da calçada, do lado de fora de casa, com uma expressão que eu não sabia reconhecer muito bem.

Ele usualmente não era tão quieto. 

Coloquei as mãos sobre as rodas da cadeira de rodas e abri a porta de entrada. Ainda era um pouco difícil passar por ali sozinho, porque ainda não havia uma rampa, e o único degrau que separava a minha casa do chão gramado do lado de fora era um pouco alto.

A cadeira fez um barulho ao passar pelo degrau, e Jimin se virou para fitar o que era, abrindo um sorriso fraco ao me ver. 

Me aproximei e freei a cadeira ao seu lado. Seus braços estavam cruzados sobre os seus joelhos, e seu cabelo jogado para o lado.

— Jeon. — Ele me chamou, e respondi com um "hm?" — Você não acha engraçado?

— O que? — Questionei, sem entender. Então ele apoiou as mãos no chão atrás de si, jogou a cabeça para trás e sorriu, olhando para o céu escuro acima de nós. Todos aqueles prédios e casas o tampavam um pouco, mas ainda havia estrelas. 

— Como cada pessoa tem uma galáxia dentro de si.

— Co...Como assim?

Suspirou e levantou a cabeça, fitando a rua movimentada. Eu morava em uma rua onde vários carros e pessoas passavam o tempo todo, praticamente no centro de Seul. Algumas vezes os barulhos de buzina eram tão altos que era quase impossível dormir de noite.

— Eu fico olhando para todas essas pessoas e imaginando como cada uma delas vive, mas é impossível. — Respondeu, abrançando as pernas. — Posso tentar imaginar com o que elas trabalham, ou o que estudam, mas cada uma delas vive em um mundo diferente do nosso. Com pessoas diferentes, ideias diferentes, gostos diferentes. Somos tão pequenos, e tão grandes ao mesmo tempo. 

Fiquei sem saber o que responder, então apenas me concentrei em olhá-lo e ouvir cada uma de suas palavras. Jimin era, provavelmente, a pessoa mais inteligente que eu conhecia.

— É estranho imaginar como tanta imensidão cabe em um algo tão pequeno. — Observou, e eu concordei, mesmo sem ter dito ou expressado isso fisicamente. — Você nunca vai saber o quão azul é o céu de alguém, ou o quão profundo é o seu oceano.

— Essa é a coisa mais clichê e mais linda que eu já ouvi. — Eu disse, e ele me deu um soquinho na perna, roubando-me uma gargalhada. — Sério, acho que você quem devia escrever um livro. Não eu.

— Até parece. — Ele riu, envergonhado. — Ah, falando nisso. — Ele arqueeou o corpo para pegar algo no bolso da calça, que até então eu não tinha notado, e o olhei, curioso. Ele tirou uma pequena caderneta de couro, e a estendeu para mim. — É para você. Pra você voltar escrever.

Engoli em seco, sentindo meu rosto esquentar de novo. Peguei o caderninho, com as mãos trêmulas.

— Obrigado. 

— "Obrigado" nada, quero que você dedique o seu primeiro livro pra mim. — Sorri, e fiquei pensativo por um momento.

— O quão azul é o seu céu, Jimin? — Perguntei, curioso, sem conseguir desviar o olhar dele por um minuto sequer. 

Ele me olhou com certa surpresa, parecendo não saber a resposta. 

— Não sei. — Respondeu. — E o seu, Jeon? Quão azul ele é?

Sorri.

— O meu céu é rosa.


Notas Finais


Espero que tenham gostado aaaaaaaaaaaaaaaaaa
Deixei o cap bem softzinho, porque quem não gosta de um pouco de fluffy, não é mesmo?

Me passou pela cabeça que talvez algumas pessoas achem que as coisas estão acontecendo/avançando rápido demais, mas não se preocupem com isso. A fanfic foi pensada justamente com o propósito de ser curta, então a cada capítulo, se passaram dias ou até meses do anterior. Eu optei por não ficar indicando, então fica à sua livre imaginação <3
Mas pode relaxar que ainda tem muito chão pela frente!

Espero que tenham gostado e me perdoem pela demora :((
Até o próximo, bolinhos~


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