História Listen To Your Heart - Capítulo 20


Escrita por: ~

Postado
Categorias Justin Bieber
Personagens Jaxon Bieber, Jazmyn Bieber, Jeremy Bieber, Justin Bieber
Tags Romance
Exibições 88
Palavras 4.220
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Esporte, Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


perdoem o atraso, tive um imprevisto ontem.

Espero que gostem, boa leitura.

Capítulo 20 - Ele Fez O Quê?


Holly Mitchel

Sabia que seria um zumbi pelo restante do semestre, mas não esperava que fosse por causa do vazio em meu peito onde antes ficava o coração. Faz uma semana que não vejo ou falo com Justin. Uma semana não é muito tempo. Reparei que, à medida que vou envelhecendo, o tempo parece voar em alta velocidade. Você pisca, e passou uma semana. Pisca de novo, passou um ano.

Mas desde que terminei com Justin, o tempo voltou a ser como quando eu era criança. Naquela época, um ano escolar parecia uma eternidade, e o verão não chegava nunca ao fim. O tempo ficou devagar, e a sensação é insuportável. Estes últimos sete dias poderiam muito bem ter sido sete anos. Sete décadas.

Sinto falta do meu namorado.

E odeio a mãe dele por me colocar nesta situação horrível. Odeio-o por me fazer partir o coração de Justin. Você quer explorar, só pela possibilidade de encontrar alguém melhor do que eu. O resumo sombrio de Justin do meu discurso mentiroso de separação continua a zumbir em meu cérebro como um enxame de gafanhotos.

Alguém melhor do que ele?

Deus do céu, foi a morte dizer aquilo. Machucá-lo daquele jeito. O gosto amargo dessas palavras ainda queima minha língua. Alguém melhor do que ele? Não tem ninguém melhor do que ele. Justin é o melhor homem que já conheci. E não só porque é inteligente, sensual, engraçado e muito mais gentil do que poderia imaginar. Ele me faz sentir viva. Certo, nós discutimos, e sem dúvida sua arrogância me deixa maluca às vezes, mas quando estou com ele, sinto-me completa. Sei que posso baixar a guarda totalmente e não me preocupar que me machuquem ou se aproveitem de mim, nem ficar com medo, porque Justin Bieber sempre vai estar lá para me amar e me proteger.

A única fagulha de esperança para esta terrível confusão é que o time está ganhando de novo. Eles perderam a partida que Justin não jogou por causa da suspensão, mas já tiveram outras duas depois disso, inclusive uma contra o Eastwood, o rival deles na chave, e ganharam as duas. Se continuarem como estão, Justin vai conseguir o que quer — ganhar o campeonato para os Bruins em seu primeiro ano como capitão.

Preciso me lembrar de que fiz isso por ele, para que pudesse continuar na UCLA fazendo o que ama sem ter que se preocupar com dinheiro. Se tivesse lhe contado das ameaças da mãe, Justin teria escolhido o nosso relacionamento em detrimento de seu futuro, mas não quero que ele trabalhe em tempo integral, caramba. Não quero que vá embora ou abandone o hóquei ou viva estressado com pagar o aluguel ou o carro. Quero que se torne profissional e mostre a todos o quanto ele é talentoso. Que prove ao mundo que está no gelo porque é o lugar dele, e não porque a mãe ou até mesmo seu pai os levaram até lá.

Quero que seja feliz.

Mesmo que isso signifique a minha infelicidade.

Corro em direção à saída, assim que a aula termina, as sapatilhas prateadas batendo no piso de madeira diante da minha necessidade desesperada de fugir.

A um metro e meio da porta, bato num peito masculino rígido.

Meu olhar voa e pousa num par de olhos cinzentos. Levo um segundo para perceber que estou diante de Justin.

Nenhum de nós fala. Está de calça jeans preta e uma camisa de manga cumprida azul que se estica sobre seus ombros largos. Sua expressão é um misto de admiração radiante e tristeza infinita.

- Oi. - diz, com a voz rouca.

Meu coração pula de felicidade, e tenho que me lembrar que esta não é uma ocasião feliz, que ainda estamos separados. - Oi.

Os olhos bonitos ficam ligeiramente embaçados. Então sua voz engrossa, e ele murmura: - Quantos?

Uma confusão me invade. - Quantos o quê?

- Com quantos caras você saiu esta semana?

Estremeço de surpresa. - Nenhum. - deixo escapar, antes de poder evitar. 

E me arrependo na mesma hora, pois um vislumbre de perspicácia surge em seus olhos. - Foi o que imaginei.

- Justin...

- O negócio é o seguinte, Mitchel. - me interrompe ele. - Tive sete dias inteiros para pensar nesta separação. Na primeira noite? Enchi a cara. Sério, fiquei um lixo.

Sou tomada por uma onda de pânico, porque, de repente, imagino que ele possa ter ficado com alguém quando estava bêbado, e a ideia de Justin com outra garota é de matar.

No entanto, ele continua, e minha ansiedade diminui. - Depois, deixei a bebedeira passar, me acalmei e resolvi fazer melhor uso do meu tempo. Então... Tive sete dias inteiros para analisar e reavaliar o que aconteceu entre nós, para dissecar o que deu errado, reexaminar cada palavra do que você disse naquela noite... - ele deita a cabeça. - Quer saber a conclusão a que cheguei?

Meu Deus, tenho pavor de ouvir isso.

Quando não respondo, ele sorri. - Minha conclusão é que você mentiu para mim. Não sei por que fez isso, mas pode apostar que pretendo descobrir.

- Não menti. - minto. - Realmente estávamos indo rápido demais para mim. E quero sair com outras pessoas.

- Aham. Sério?

Adoto meu tom mais insistente. - Sério.

Justin fica em silêncio por um instante. Em seguida, estende a mão e acaricia de leve o meu rosto antes de afastá-lo e dizer: - Só acredito vendo.

***

As férias de Natal demoram uma eternidade para chegar. Estou literalmente um trapo ao embarcar no avião para Filadélfia — de moletom, descabelada e coberta de espinhas por causa do estresse. Desde aquele dia na saída da aula, topei com Justin três vezes. Uma no Café Hut, uma no jardim do campus e uma na saída do auditório de ética, quando fui buscar minha nota final. Em todas as três vezes, ele me perguntou com quantos caras eu já tinha saído desde a separação.

Em todas as três vezes, entrei em pânico, deixei escapar alguma desculpa sobre estar atrasada e fugi feito uma covarde.

O problema de terminar com alguém sob falsos pretextos é o seguinte: a outra pessoa não aceita a sua desculpa, a menos que você faça o que disse que queria fazer. No meu caso, preciso sair com um monte de garotos aleatórios e começar a explorar, porque foi o que falei a Justin que queria, e, se não partir logo para a ação, ele vai perceber que tem alguma coisa errada.

Acho que poderia chamar alguém para sair. Arrumar um encontro bem público, do qual Justin sem dúvida ficasse sabendo, e convencer o cara que amo de que segui em frente. Mas a ideia de estar com alguém que não seja Justin me dá náuseas.

Felizmente, não preciso me preocupar com nada disso agora. Vou ter uma folga, porque vou passar as próximas três semanas com minha família. Entro no avião e, pela primeira vez desde que a mãe de Justin deu seu penoso ultimato, sou capaz de finalmente respirar.

Ver meus pais é exatamente o que precisava. Não se iludam, ainda penso em Justin o tempo inteiro, mas é muito mais fácil me distrair da dor assando biscoitos de Natal com meu pai ou sendo arrastada para a cidade para fazer compras com minha mãe, minha tia e minha avó.

Na segunda noite na Filadélfia, contei à minha mãe sobre Justin. Ou melhor, ela arrancou de mim depois que me pegou deprimida no quarto de hóspedes. Disse-me que eu parecia uma mendiga que tinha acabado ser tirada das ruas e começou a me empurrar para o chuveiro e me forçou a escovar o cabelo. Depois disso, coloquei tudo para fora, o que a fez dar início ao que está chamando de Operação Férias Animadas. Em outras palavras, está me enfiando um zilhão de atividades de férias goela abaixo, e a amo muito por isso.

Não estou com pressa de voltar para a UCLA daqui a três dias, onde Justin, sem dúvida, está com seus próprios planos não tão secretos — a Operação Fazer Holly Admitir Que Estava Mentindo. Sei que está tentando me reconquistar.

Também sei que não vai precisar de muito esforço. Basta me olhar com aqueles olhos amendoados maravilhosos, abrir aquele sorriso torto, e vou me debulhar em lágrimas, jogar os braços em volta dele e contar tudo.

Sinto sua falta.

- Ei, querida, você vai descer para passar a virada com a gente? - minha mãe aparece na porta com uma tigela sedutora de pipoca.

- Já vou. - respondo. - Só vou botar uma roupa confortável.

Quando ela se afasta, saio da cama e procuro uma calça de ginástica na mala. Tiro a calça jeans skinny e substituo pelo algodão macio, em seguida, desço as escadas até a sala, onde meus pais, meus tios e seus amigos Bill e Susan estão acomodados nos sofás em forma de L.

Vou passar a noite de Réveillon com três casais de meia-idade.

Uuuuuhuuu.

- E aí, Holly? - me cumprimenta Susan. - Sua mãe estava me contando que você acabou de ganhar uma bolsa de prestígio.

Sinto-me corar. - Essa coisa de prestígio é uma baboseira. Mas, na verdade, todo ano eles distribuem bolsas nos festivais de inverno e de primavera. E é verdade, eu ganhei.

Depois de ralar pra caramba naquela biblioteca abafada, pude ter um alívio de que notas máximas me trariam, e agora estou cinco mil dólares mais rica, e meus pais podem respirar aliviados, porque vou ser capaz de pagar eu mesma pelas despesas com residência e comida no semestre que vem.

Às dez para a meia-noite, tio Mark põe um fim à nossa tagarelice ligando de novo o som da televisão para assistirmos à festa da Times Square. Tia Nicole distribui línguas de sogra com serpentinas cor-de-rosa, enquanto minha mãe passa punhados de confete para todo mundo. Minha família é cafona, mas não a trocaria por nada neste mundo.

Meus olhos estão surpreendentemente enevoados quando começamos a contagem regressiva junto com o locutor na TV. Até aí, talvez as lágrimas não sejam exatamente uma surpresa, porque quando o relógio chega ao zero e todos gritam

- Feliz Ano Novo! - lembro que o bater da meia-noite não indica apenas o início de um novo ano.

Aperto os lábios para conter o turbilhão de lágrimas, forçando um riso quando meu pai me gira em seus braços e beija minha bochecha. - Feliz Ano Novo, princesa.

- Feliz Ano Novo, pai.

Seus olhos castanhos suavizam ao perceber minha expressão triste. - Ah, filha, por que não pega o telefone e liga logo para aquele pobre menino? É Réveillon.

Fico boquiaberta, então viro a cabeça para minha mãe. - Você contou para ele?

Ela pelo menos tem a decência de me lançar um olhar culpado. - Ele perguntou por que você estava deprimida. Não tinha como não contar.

Meu pai ri. - Ah, não culpe a sua mãe, Hol. Percebi sozinho. Você tem estado tão triste que só podia ser problema com algum menino. Agora vá desejar a ele um feliz ano novo. Vai se arrepender se não fizer isso.

Suspiro. Mas sei que ele está certo.

Subo as escadas às pressas, o pulso disparando. Pego o celular na bolsa, então hesito, porque, sério, isso não é uma boa ideia. Eu terminei com ele. Deveria estar seguindo em frente e saindo com outras pessoas e blá-blá-blá.

Solto um suspiro trêmulo e ligo.

Justin atende ao primeiro toque. Achei que iria ouvir um burburinho. Conversa, gargalhadas, gritos bêbados. Mas onde quer que esteja, está um silêncio sepulcral.

Sua voz rouca faz cócegas em meu ouvido. - Feliz Ano Novo, Holly!

- Feliz Ano Novo, Justin.

Há uma pequena pausa. - Você lembrou de mim.

Pisco em cima das lágrimas. - Claro que lembrei.

Tem tantas outras coisas que quero falar. Eu te amo. Sinto sua falta. Odeio a sua mãe. Mas reprimo a necessidade e não digo absolutamente nada.

- Como vão os namoros? - pergunta ele, alegremente.

Minha barriga se contrai. - Hmm... Ótimos.

- Ah, é? Tem explorado muito? Feito uma pesquisa minuciosa do significado do amor?

Há uma nota de sarcasmo em sua voz, porém, mais do que tudo, parece estar se divertindo. Parece presunçoso até.

- Tenho. - digo, sem dar muita importância.

- Com quantos caras você saiu?

- Alguns.

- Ótimo. Espero que estejam te tratando bem. Sabe como é, abrindo a porta, colocando o casaco no chão para você passar por cima de poças, esse tipo de coisa.

Nossa, que idiota. Amo esse homem.

- Não se preocupe, são todos muito cavalheiros. - asseguro-lhe. - Estou me divertindo horrores.

- Bom saber. - ele faz uma pausa. - A gente se vê em poucos dias. Aí você vai poder me contar tudo.

Justin desliga, e eu o amaldiçoo baixinho.

Droga. Por que está insistindo com isso? Por que não pode simplesmente aceitar que está tudo acabado entre nós e se concentrar na droga do time de hóquei? E como diabos vou convencê-lo de que não quero estar com ele quando não consigo nem me convencer?

***

No meu segundo dia de volta ao campus, embarco em minha própria missão: Operação Só Acredito Vendo. Porque está na cara que o único jeito de convencer Justin a recuar é provar a ele que estou seguindo em frente. O que significa que preciso encontrar um cara para sair comigo. Para ontem.

A primeira oportunidade surge quando passo no Café Hut para pegar um chocolate quente. Está fazendo um frio de tremer a espinha lá fora, e bato as botas no capacho perto da porta antes de entrar na fila. É então que percebo que o cara na minha frente parece conhecido. Quando faz seu pedido e vai até o balcão para recebê-lo, vejo seu perfil de relance e me dou conta de que se trata de Fred

Fred, um dos jogadores de hóquei dos Bruins, e irmão de fraternidade do Justin da Phi Kappa Sigma. Perfeito. Temos passado. 

- Oi, Fred. - cumprimento depois de pedir minha bebida e me juntar a ele no balcão.

Fred se enrijece visivelmente ao som da minha voz. - Ah. Oi. - seus olhos disparam pelo ambiente, como se não quisesse que ninguém nos visse conversando.

- Escute. - começo. - Estava pensando, nunca mais nos falamos desde aquela festa... - a barista coloca um copo de isopor na frente de Fred, que o pega tão rápido que nem sequer vejo sua mão. Continuo depressa. - Achei que seria bom colocar a conversa em dia e... - Fred já está se afastando de mim. Meu Deus, por que parece tão aterrorizado? Será que pensa que vou esfaqueá-lo ou algo assim? - ... Talvez você queira tomar um café um dia desses. - termino.

- Ah. - afasta-se ainda mais. - Hmm. Obrigado pelo convite, mas... Hmm, é, não bebo café.

Fico olhando para o copo em sua mão.

Ele segue meus olhos e engole em seco. - Desculpa, tenho que ir. Vou encontrar alguém... Do outro lado do campus e... Hmm... Bem longe, então estou com um pouco de pressa.

Bom, pelo menos não está mentindo sobre estar com pressa, porque voa porta afora como um velocista olímpico.

Certo, isso foi... Estranho.

Franzindo a testa, pego meu chocolate quente e vou na direção da Bristol House. Mas o ritmo forçado me permite encontrar outro elemento de estranheza. Quando estava saindo com Justin, as pessoas me cumprimentavam o tempo todo. Hoje, todo mundo por quem passo parece me evitar, principalmente os homens.

É assim que os amish desonrados se sentem quando são banidos? Porque ninguém está olhando para mim, e não gosto disso.

Também não entendo o que está acontecendo.

No caminho até o alojamento, decido ligar para Aubrey e ver se ela quer sair hoje à noite. Talvez ir ao Malone's — não, Justin poderia estar lá. Outro bar na cidade, então. Ou o salão de festas da faculdade. Qualquer lugar em que eu poderia conhecer um cara.

Perto da Bristol House, o garoto oportunidade número dois sai do prédio ao lado. É Adam, o cara na qual me convidou para sair, ao contrário do restante do mundo, ergue a mão para um aceno.

Aceno de volta, em grande parte pelo alívio de que alguém pareça feliz em me ver.

- Oi, estranha. - cumprimenta ele, vindo na minha direção.

Está com o cabelo de quem acabou de sair da cama, e, no entanto, não acho mais isso tão bonitinho. Só o faz parecer um desleixado. Ou talvez um farsante, porque tenho certeza de que posso ver gel nos fios, o que significa que perdeu tempo criando o estilo "não estou nem aí". E isso faz dele um mentiroso.

Também caminho em sua direção. - Oi. Como foi de férias?

- Bem. Não chove muito em Seattle nesta época do ano, por isso tive que me contentar com uma tonelada de neve. Andei de snowboard, esquiei, fiz hidromassagem. Foi divertido. - as covinhas de Adam aparecem e não provocam nada em mim.

Mas... Que inferno, é o único cara que olhou para mim hoje. Pedintes não contam, certo?

- Parece divertido. Hmm, então...

Não.

Não, não, não. Simplesmente... Não.

Não posso fazer isso. Não com este cara. Cancelei um encontro com ele quando percebi que queria estar com Justin. E sei o quanto Justin não gosta de Adam. Não posso, de jeito nenhum, abrir esta porta, e não é apenas porque meus sentimentos por Adam sejam inexistentes, mas porque seria como esfaquear Justin no peito.

- Então, oi. - termino. - Pois é... Só vim dizer oi. - ergo meu copo de chocolate quente como se de alguma forma fizesse parte desta conversa. - E vou lá dentro beber isto. Bom ver você.

Sua voz irritada faz minhas costas se arrepiarem. - O que diabos foi isso? -  pergunta.

A culpa borbulhando em meu estômago me impele a virar de volta para ele.

- Desculpa. - digo, com um suspiro. - Sou uma idiota.

Um sorriso irônico surge em seus lábios. - Bom, eu não ia falar nada, mas...

Caminho de volta até ele, as mãos ainda envolvendo o copo. - Nunca quis te dar falsas esperanças. - admito. - Quando disse que ia sair com você, era algo que queria muito na época. De verdade. - a dor se instala em minha garganta.

- Não achei que fosse me apaixonar por ele, Adam.

Agora ele parece apenas resignado. - E as pessoas sabem quando vão se apaixonar por alguém? Acho que é algo que simplesmente acontece.

- É, acho que sim. Ele... Me pegou de surpresa. - encontro seus olhos, torcendo para que veja o arrependimento genuíno que estou sentindo. - Mas eu estava interessada em você. Nunca menti sobre isso.

- Estava, é? - ele soa triste.

- Desculpa. - digo mais uma vez. - Eu... Droga, estou um caco, e ainda apaixonada por Justin, mas se você quiser começar de novo, como amigos, estou cem por cento dentro. Podemos falar de beisebol  de vez em quando.

Adam franze os lábios. - Como você sabe que gosto de beisebol?

Ofereço-lhe um leve sorriso. - Hmm. Talvez eu tenha feito umas pesquisas.

- É, acho que não. Bom saber, pelo menos. - depois de um silêncio constrangedor, Adam enfia as mãos nos bolsos da jaqueta. - Tudo bem. Topo tentar esse negócio de amigo. Mande uma mensagem se quiser tomar um café um dia desses.

Ele se afasta, levando consigo um peso do meu peito.

Em meu quarto, parabenizo-me por ter evitado um desastre em potencial e volto a me remoer com minha missão. Aubrey está em Nova York até amanhã. April também está viajando. 

Suspirando, repasso a lista de contatos em meu telefone até que um nome chama minha atenção. Na verdade, quanto mais penso nisso, mais gosto da ideia de fazer essa ligação.

O namorado de Aubrey, também amigo de Justin, atende depois de vários toques. - E aí, como vai?

- Oi. É Holly!

- Não brinca. - zomba Ryan. - Tenho seu telefone.

- Ah, certo. - hesito. - Então, sei que Aubrey ainda não voltou da casa do pai, mas queria saber se... - paro um segundo e, em seguida, deixo escapar: - O que você vai fazer hoje? Quer sair?

O namorado da minha melhor amiga fica em silêncio. Não o culpo. Nunca liguei para ele e o chamei para sair sem Aubrey antes. Até aí, nunca liguei para ele, ponto.

- Você entende que isso é estranho, né? - diz Ryan, com franqueza.

Solto um suspiro. - Entendo.

- O que tá acontecendo? Tá só entediada ou algo assim? Ou isso é uma loucura do tipo dar em cima do namorado da melhor amiga? Espera — Aubrey tá ouvindo isso? - Ryan levanta a voz. - Aubrey, se você estiver aí, eu te amo. Eu nunca, nunca iria trair você com a sua melhor amiga.

Solto uma risada junto ao telefone. - Ela não tá na linha, seu bobão, mas é bom saber. E, vai por mim, não tô dando em cima de você. Eu... Só... Achei que a gente poderia sair com alguns dos seus amigos da fraternidade hoje. Talvez você pudesse, sabe, me apresentar a algum deles.

- Tá falando sério? - exclama. - De jeito nenhum. Você é boa demais para qualquer um desses idiotas, e tenho certeza de que Aubrey me mataria se eu apresentasse você a algum deles. Além do mais... - ele se cala, abruptamente.

- Além do mais o quê? - exijo.

Ele não responde.

- Termine essa frase, Ryan.

- Melhor não.

- Melhor sim. - minhas suspeitas vão a mil. - Ai, meu Deus. - solto um suspiro. - Você sabe por que todos os homens da universidade de repente estão me tratando como se eu tivesse uma DST?

- Talvez... - diz ele.

- Talvez? - quando Ryan não responde, solto um gemido de frustração. - Juro por Deus, se você não me disser o que sabe, vou...

- Tudo bem, tudo bem. - ele interrompe. - Vou contar.

E contou tudo.

E a minha resposta é um grito alto de indignação.

- Ele fez o quê?

Vinte minutos depois, irrompo pelas portas da arena de hóquei da UCLA. O ar frio envolve meu rosto na mesma hora, mas não consegue arrefecer o fogo queimando dentro de mim. São cinco e meia, o que significa que o treino de Justin já acabou, então passo pelas portas do rinque e vou direito para os vestiários nos fundos da arena. Estou com tanta raiva que meu corpo inteiro treme.

Justin chegou ao limite. Não, ele foi tão além que nem dá saber onde ficou a porcaria do limite. E de jeito nenhum vai se safar dessa palhaçada infantil e ridícula.

Chego à porta do vestiário quando um dos jogadores está saindo.

- Justin tá aí? - berro.

Ele parece assustado de me ver. - Tá, mas...

Passo por ele e agarro a maçaneta da porta.

O cara protesta atrás de mim. - Não acho que você devesse entrar no...

Irrompo no vestiário e...

Pênis!

Minha Nossa Senhora.

Pênis para todos os lados.

Um horror me invade quando me dou conta do que estou vendo. Ai, Deus. Entrei numa convenção de pênis. Pênis grande, pênis pequeno, pênis gordo, pênis em forma de pênis. Não importa para onde movo a cabeça, para todo lado que olho, vejo pênis.

Meu arquejo mortificado chama a atenção de todos os pênis — digo, de todos os jogadores no vestiário. Num piscar de olhos, toalhas aparecem, mãos cobrem os pênis e corpos se atrapalham, enquanto permaneço na entrada, vermelha como um tomate.

- Mitchel? - um Chris de peito nu sorri para mim, um dos ombros apoiados contra o armário. Parece estar se esforçando muito para não rir.

- Pênis... Chris. - deixo escapar. - Oi. - faço o possível para evitar contato visual com os homens seminus andando de um lado para o outro, todos rindo divertidos ou brancos de susto. - Estou procurando Justin.

Com um sorriso mal contido, Chris aponta com o polegar uma porta nos fundos do vestiário que imagino ser onde ficam os chuveiros, porque posso ver o vapor saindo por ela.

- Obrigada. - ofereço-lhe um olhar agradecido e sigo na direção da porta, bem no instante em que um vulto emerge do lugar embaçado.

Chaz aparece, e vejo seu pênis.

- Oi, Mitchel. - me cumprimenta. Indiferente à minha presença, ele passeia nu em direção ao seu armário, como se me encontrar aqui fosse uma ocorrência diária.

Sigo em frente, pensando se devo fechar os olhos, mas, felizmente, todos os chuveiros têm portas baixas e são separados por divisórias. À medida que caminho pelo piso de azulejos, cabeças se viram na minha direção. Uma delas pertence a Birdie, que arregala os olhos quando passo por ele.

- Holly? - exclama.

Ignoro-o e continuo caminhando até achar as costas que me são familiares. Meu olhar dá uma conferida rápida, e, sim, pele branca, tatuagens, cabelo claro. É Justin, sem dúvida.

Ao som dos meus passos, ele vira e fica boquiaberto com a minha presença.

- Mitchel?

Paro diante da porta, faço minha cara mais feia e grito: - Qual é seu problema? 


Notas Finais


Agora pessoal, é com vcs! Comentem e favoritem, adoro ver vcs interagindo.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...