História Little Red Riding Hood - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jungkook, Suga
Tags Lobisomem, Menção Hopekook, Menção Yoonmin, Yoonseok
Visualizações 384
Palavras 10.229
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


PRESTEM ATENÇÃO NAS DATAS e nos vemos nas notas finais!

Boa leitura <3

Capítulo 3 - Ametista


Fanfic / Fanfiction Little Red Riding Hood - Capítulo 3 - Ametista

MIN YOONGI

Corredor, escola.

24 de setembro, 7:09 a.m.

Yoonie: Onde você está??

Yoonie: Está tudo bem com você?!

Yoonie: Vai vir pra escola?

Yoonie: Pelo amor de Deus, Hoseok! Me responda ou atenda alguma de minhas ligações, seu maldito!

Respirei pesadamente, pegando meu livro de química e fechando com força meu armário.

– Não está num bom dia? – Uma voz aveludada me fez levar um leve susto. Levantei minha cabeça para ver um garoto de feições bonitas e madeixas loiras. Mas o que mais me chamava atenção eram seus olhos, completamente violetas, como Ametista. Eram hipnotizantes.

– Dias, na verdade. – Dei de ombros, voltando a digitar no celular.

Yoonie: Jung Hoseok, faz tempo que você não dá sinal de vida! Pela misericórdia divina, ao menos me diga que está vivo!

Yoonie: Pra que assim, quando eu te ver, eu mesmo poder te matar com minhas próprias mãos por não me dar notícias, imbecil!

– Problemas no relacionamento? – Voltou a perguntar, fechando seu armário que ficava ao lado direito do meu.

– Ahm... Digamos que sim. – Crispei meus lábios enquanto o encarava descaradamente. – Seus olhos, eles... São lentes?

– Não... – Deu um sorriso desconfortável, quase como se tivesse vergonha pela cor maravilhosa que aquela duas bolinhas brilhantes tinham.

– São maravilhosos, de qualquer forma. – De fato, eu devia estar hipnotizado ou algo do gênero para falar algo do tipo, sem vergonha alguma. – Ahm, quer dizer... – Cocei minha nuca, desconfortável ao cair em mim. – Você... Você é novo aqui ou...?

– Não. É que... Bem, tive que ficar um pouco distante da escola, só isso. – Falou rapidamente, com um pouco de nervosismo no tom de sua voz. – E eu fazia parte da turma F. Você é da B, certo? – Assenti, ignorando o pensamento de o fato de ele saber de qual sala eu era um tanto quanto estranho. – Parece que seremos colegas agora, então. – Sorriu contido, com seus grossos lábios fechados.

– Por que mudou agora, quando estamos basicamente no final do ano, prestes a nos formar? – Franzi levemente meu cenho.

– Como eu disse antes, precisei ficar um tempo longe daqui, então, como sua sala está mais atrasada na matéria, o diretor decidiu que seria melhor que eu me mudasse para sua turma. – Balancei a cabeça, assentindo. – Agora você tem aula de química, né?

– Sim, infelizmente... – Comecei a caminhar em direção ao laboratório, com o garoto ao meu lado.

– Vocês já devem ter seus parceiros, certo? – Abri a porta da sala, deixando que ele entrasse primeiro. – Parece que vou ter que ficar sozinho, então.

– Meu parceiro não deu sinal de vida e imagino que ele não vá vir, se quiser ser meu parceiro... – Dei de ombros, me sentando na banqueta atrás do balcão de madeira com tampo de granito.

– Obrigado! – Sorriu novamente, salientando as maçãs de seu rosto. Ele era inegavelmente lindo.

– A propósito, nós não nos apresentamos. – Falei. – Min Yoongi! – Sorri numa tentativa de parecer simpático.

– Park Jimin. – Sorriu abertamente, fazendo seus olhos violetas brilharem.

Uma rua qualquer.

24 de setembro, 3:34 p.m.

Embora eu tenha passado todo o período de aulas conversando com Jimin e me distraindo do que me atormentava, assim que o sinal bateu, me despedi do mesmo, negando seu convite para fazermos algo, e corri em direção à casa de Hobi.

Vi que a porta da ferraria do senhor Jung estava aberta, com uma sombra de chama bruxuleando na parede de pedra. Corri apressado para lá, chamando a atenção do ferreiro assim que adentrei o local, o fazendo parar e desligar o maçarico.

– Olá, Yoongi! – Sorriu contido assim que levantou sua máscara. – Está tudo bem?

– Ahm... Sim. – Respondi nervosamente, ainda que fosse uma mentira. – E o senhor?

– Também. Posso lhe ajudar em algo?

– O Hoseok... Ele está? – Indaguei esperançoso.

– Hoseok?! – Franziu o cenho. – Ele não estava na escola com você?

Merda!

Onde diabos Hoseok estava metido?!

– S-Sim... É que, bem... – Engoli em seco, numa tentativa em vão de engolir junto ao menos um pouco de meu nervosismo. – Ele saiu antes de mim, então acabei o perdendo de vista. Queria saber se ele veio pra cá porque... Porque ele esqueceu o livro dele de química. – Suspirei aliviado por ter pensado rápido. – É, isso. Ele esqueceu o livro dele.

O pai de Hoseok tirou as luvas, limpando as mãos no avental marrom claro de tecido grosso enquanto sua expressão se fechava, me fazendo ter calafrios.

Será que ele não tinha acreditado em mim?

– Hoseok só não esquece a cabeça porque está grudada no pescoço, não é mesmo? – Soltou uma risada, me fazendo rir junto em puro nervosismo. – Se quiser, pode subir e deixar o livro no quarto dele e espera-lo para almoçar.

– Vou aceitar deixar o livro, mas infelizmente terei que rejeitar o almoço. Minha mãe está me esperando em casa. O senhor sabe que é raro almoçarmos juntos por causa do trabalho dela e tudo o mais... – Sorri amarelo, seguindo para a porta dos fundos que dava acesso para a casa.

– Sim, entendo. – Balançou a cabeça de modo compreensivo. – E ela, como está? Salvando muitas vidas?

– Imagino que sim. – Dei uma risada fraca, abrindo a porta. – Com licença, senhor Jung.

– À vontade, Yoongi. – Sorriu e se virou de costas para mim, voltando a ficar compenetrado em suas ferramentas e afins.

Assim que fechei a porta, a casa foi tomada pelo silêncio.

Subi as escadas sem muita pressa, logo entrando no quarto de Hobi. Estava uma bagunça não costumeira, afinal, Hoseok era o senhor organização e limpeza; vivia brigando comigo pelo fato de eu largar minhas roupas no chão e amontoar as coisas em minha escrivaninha.

Observei as roupas que estavam amontoadas num canto. Assim que me agachei para pega-las, notei estarem sujas de sangue já seco. Aquilo só fez intensificar meu cenho franzido.

O que diabos Jung Hoseok estava aprontando?

Comecei a procurar por algo além das roupas que me soasse suspeito, mas já estava desistindo até que decidi olhar o único lugar que me faltava: debaixo de sua cama.

Apoiei meus joelhos no chão, encostando a lateral de minha cabeça no carpete bege, e encontrando o saco de dormir que normalmente eu usava quando dormia aqui, ou então quando Hobi ia acampar com o pai, mas ambas as coisas já fazia um bocado de tempo desde que acontecera pela última vez para que o objeto estivesse desenrolado e amassado, como se alguém o tivesse usado horas atrás.

Ao pé do saco de dormir tinha uma mochila grande e preta, daquelas semelhantes as de caminhada. A puxei com um pouco de dificuldade, abrindo o zíper principal e encontrando livros e mais livros, de diferentes espessuras, já manchados e amarelados pelo tempo que os volumes deviam ter. Não pareciam meros livros que se poderia encontrar na biblioteca municipal ou da escola; eram edições que parecia que tinham um lugar específico para serem encontrados.

As capas variavam de cores entre vermelho, verde, azul, amarelo e preto. Os títulos “Caça às Bruxas”, “A Obra Completa das Moças do Limbo”, “Treine e Controle o Lobo Dentro de Si”, “Criaturas do Submundo” e “O Acordo Entre As Bruxas de Salém e os Homens-Lobos” estavam escritos com letra cursiva e dourada, fechando com chave de ouro o estilo antigo que os livros possuíam.

Um tipo de alerta parecia piscar em vermelho vivo dentro de minha cabeça, como se dissesse que não eram meros livros de contos fictícios, algo que Hoseok leria apenas para passar o tempo. Tinha algo muito errado e eu trataria de descobrir.

Tratei de fechar a mochila, pensando em como faria para leva-los comigo sem que o Sr. Jung visse. Olhei para a janela fechada do quarto e, sem pensar muito, a abri e joguei a mochila do segundo andar, verificando antes se ninguém estava embaixo. Fechando a janela depressa, correndo escada abaixo, logo me despedindo apressadamente do ferreiro e correndo para pegar a mochila pesada onde eu havia a jogado, andando o mais rápido que conseguia até em casa.

Meu quarto.

28 de setembro, 11:57 p.m.

O restante da semana Hoseok não deu sinal de vida. Não mandou mensagens, tampouco apareceu na escola. Com isso, acabei passando mais tempo com Jimin, descobrindo ser um garoto cativante e de fácil amizade.

Assim que chegava da escola, por todos os dias que se passara, eu dei uma breve lida em cada um daqueles livros, recolhendo o que achei ser informação suficiente para que o medo se instalasse dentro de mim. Mas não um medo por mim, e sim por Hoseok e onde quer que ele tenha se metido sem, aparentemente, até mesmo o consentimento de seu pai.

No livro de capa verde, denominado “A Obra Completa das Moças do Limbo”, contava um pouco sobre como as Bruxas de Salém surgiram, o quão submissas à Lilith elas são e do tamanho do poder que possuem – o que não era pouco. Já no livro de capa azul, “Treine e Controle o Lobo Dentro de Si”, eram passos, ou até mesmo pequenas dicas, sobre como auxiliar aquele que acabara de se transformar e não tinha controle nenhum sobre sua transformação ou ira. Isso me fez questionar se Hoseok tinha perdido o domínio da fera dentro de si, mas não me entrava na cabeça tal hipótese, me deixando mais irritado ainda por não conseguir entender o que estava acontecendo. Na edição de capa amarela, “Criaturas do Submundo”, pude ter conhecimento de outros seres que normalmente conhecemos de contos que nos contam quando crianças. Vampiros, demônios dos mais diversificados tipos, bruxos e bruxas, lobisomens, caçadores de sombras e, por último e o que mais me chamou a atenção, gumiho, a raposa de nove caudas. O único conhecimento que eu tinha disso era do Pokémon Ninetales, mas tive certeza absoluta de que não tinha nada a ver com isso quando li sua descrição.

Gumiho: a famosa raposa de nove caudas que toma a forma humana para enganar as pessoas.

Diferente das lendas, passadas de boca em boca, de que conquista um homem para comer seu fígado, um Gumiho é um guardião fiel, amigo e, até mesmo, amante.

Tem como objetivo de vida, em sua maioria, encontrar seu Ponto. Quando o encontra, o observa até achar o momento certo de entrar em sua vida; a partir desse momento, os poderes de um Gumiho tem seus dias contados, evitando que seu Ponto se apaixone por si apenas pelo seu grande poder de possessão e sim de modo natural.

O Ponto, como é chamado popularmente, é o modo curto do que denominamos como “Ponto de Salvação”. Um Ponto de Salvação é a pessoa que tem metade da alma de um Gumiho. Um humano comum, que transformará a raposa de nove caudas em um mero mundano assim que suas almas se encontrarem e forem unidas. É chamado como Ponto de Salvação pelo simples motivo de quebrar a imortalidade de anos e mais anos vivendo solitariamente. O ser humano que salva o ser do submundo de sua cruel eternidade, vagando por aí, sem rumo.

O Ponto de Salvação pode ter seu tão almejado “amor da vida”, mas são poucos aqueles que possuem não só isso, mas também a “alma gêmea”, afinal, nem sempre o amor de sua vida será sua alma gêmea e vice-versa. Poucos têm a oportunidade de ter duas chances de ser feliz no amor, por isso o Ponto é escolhido a dedo antes de um Gumiho ser denominado como seu fiel guardião.

Os poderes comuns de um Gumiho são possessão, conseguir gerar fogo através de suas nove caudas e de suas mãos, além do poder de aparecer em sonhos e de criar ilusões. Tais poderes tem a duração de apenas seis dias a partir do momento que tem o primeiro contato com seu Ponto.

Embora a transformação de uma raposa para um humano ser perfeita, um Gumiho, na forma de humano, permanece com os olhos de cor peculiar, o diferenciando dos demais para que, assim, os outros seres do submundo saibam que ele não é apenas mais um mundano, desde que não possui um cheiro próprio, como os cheiros provindos dos seres místicos do submundo, que normalmente servem como identificação. Em sua maioria, um Gumiho tem olhos no tom de uma pedra Ametista. Um violeta cintilante.”

Quando as últimas palavras foram lidas por mim, minha mente foi inevitavelmente a mil, e aqueles olhos fascinantes de manhã me vieram à cabeça naquele mesmo instante.

Quem diabos era Park Jimin, afinal?

Quais as chances de eu ser o seu Ponto de Salvação?!

Era uma merda me sentir como uma peça de quebra cabeça que se encaixa com uma peça ou outra, mas que parece não se enquadrar na paisagem. Me sentia completamente sem rumo...

Quando deixei aquele livro de lado, ignorando a edição “O Acordo Entre As Bruxas de Salém e os Homens-Lobos”, desde que Hoseok já havia me contado sobre tal, peguei o volume de capa vermelha, denominado “Caça às Bruxas”. Quando abri o livro com cheiro de mofo, um papel caiu de seu interior. Era um pedaço novo de papel, não condizendo nem um pouco com a antiguidade da edição, indicando ser um bilhete escrito recentemente. Assim que o peguei do chão, numa caligrafia muito bem escrita, os dizerem “Esperaremos vocês na sede na primeira noite de Lua Cheia” foram escritos com uma caneta preta tinteiro.

Apenas com essas informações, matutando ainda a quem o “vocês” se referia, eu me encontrava agora, parado em meu quarto, empunhando uma lanterna metálica na mão direita enquanto vestia um casaco grosso vermelho vivo, encapuzado e esperando a coragem correr pelo meu sangue para pular a janela e me enfiar na floresta escura.

Hoseok já tinha me contado um pouco sobre essa tal sede, mas sem muitos detalhes, como onde se localizava ou para que especificamente servia. Apenas sabia que ficava em algum lugar daquela floresta, e eu estava determinado a encontra-lo.

Algo dentro de mim dizia que alguma coisa estava prestes a dar errado e, como estava sem notícias do garoto-lobo e com toda certeza do mundo não conseguiria dormir, decidi enfrentar o vento gelado lá fora.

Sem pensar muito mais, pulei a janela com cuidado, quase caindo de bunda no chão quando fiquei pendurado entre o primeiro andar e o segundo, mas conseguindo aterrissar com certa delicadeza no chão, correndo para perto do limite entre a cidade e a floresta, ligando a lanterna, adentrando a escuridão por entre as árvores de aparência como as de algum filme dirigido pelo Tim Burton.

Minha mão direita apertava o alumínio gelado da lanterna, fazendo minhas juntas e pontas de dedos esbranquiçarem. A cada passo que eu dava, revezava entre rezar e pedir que, pela misericórdia divina, nada de ruim me ocorresse e que achasse logo aquela maldita sede. Era quase um mantra.

Ouvindo apenas minha respiração ofegante e o som das folhas e galhos se quebrando abaixo de meu pé, me assustei a ponto de sentir todo meu sangue ir parar no pé quando uma voz atrás de mim indagou nada simpática:

– O que pensa que está fazendo aqui?

Merda! Mil vezes merda!

Meu quarto.

Um ano atrás.

– Mas às vezes realmente dá vontade de socar a cara dela, fala a verdade! – Falei entre risos, fazendo Hoseok me acompanhar.

– Mas por quê?! Só porque, como qualquer mocinha, muitas vezes ela está no lugar errado e na hora errada e acaba ferrando com todo o esquema de alguma briga? – Arrumou seu corpo na cama, se deitando de lado e ficando de frente para mim.

– Sim! – Respondi num tom como se fosse óbvio. – A teimosia dela faz com que o cara tenha que não apenas tentar salvar a situação, como também tentar proteger ela. Olha que bosta!

– Não sei o que você está falando, Min Yoongi. – Deu uma risada anasalada. – Você é tão teimoso quanto. – Passou o braço esquerdo sobre mim, enganchando na base de minhas costas, me puxando para mais perto de si.

– Ah, qual é, Hoseok! Admita logo que às vezes dá vontade de socar a cara da Clary sim!

– Certo, certo. Mas é um mal necessário, sei lá. Ou não teria aquela emoção e aquela prova de que ela ama o Jace a ponto de querer o proteger de alguma forma. – Sua mão em minhas costas adentrou minha camiseta, alisando minhas costas com seu polegar. – Porém, acho que concordamos que o melhor personagem é Magnus Bane e que, doa a quem doer, Malec é o shipp de toda a saga. Supera até mesmo Clace!

– Aliás, nada contra o ator atual, mas, realmente, quando li o livro, imaginava o Magnus do filme, e não o do seriado. Queria que tivesse mantido apenas ele, o resto está bom pra mim... Não acha?

– Acho que manteria a Izzy do filme também. – Respondeu. – Ela era tão...

– Tão o quê, Jung Hoseok?! – Fechei a cara instantaneamente, ficando mais irritado quando ouvi sua risadinha.

– Deixa de ser bobo, Yoonie. – Aproximou mais seu rosto do meu, fazendo nossas respirações se mesclarem e a minha descompassar conforme seu olhar analisava meu rosto inteiro até parar em meus olhos, daquele modo que fazia com que eu me sentisse entregue. – Você é como uma bala de prata em meu coração...

– E isso não é ruim? – Perguntei num tom baixo, como se nossa conversa fosse um segredo que ninguém mais poderia ouvir.

– Depende da perspectiva, eu acho. – Fez uma breve pausa. – Sinto como se fosse uma bala de prata porque, quando se trata de você, parece que meu coração falha algumas batidas... Que meus ossos podem fraquejar a qualquer momento. – Se aproximou mais, a ponto de nossos narizes se resvalarem. – É como se você me desarmasse.

– Por que eu sinto que isso não é lá algo bom? – Fechei meus olhos, apenas aproveitando o tom sussurrado e rouco de sua voz, e sua boca se mexendo contra a minha enquanto falava.

– Porque talvez não seja. – Falou por fim. – Mas não é como se eu me importasse. – Abri meus olhos ao mesmo tempo em que abriu os seus, os fitando como se disséssemos coisas através deles. – Talvez eu possa vir a não ser sua alma gêmea, Min Yoongi... Mas tenho certeza de que você é o amor da minha vida. – Finalizou, me fazendo sorrir.

O fiz se deitar de costas, ficando por cima de si enquanto o beijava sem pressa alguma e meus dedos finos se embrenhavam em seus cabelos pretos lisos. Era bom beijar, morder e chupar seus lábios. Sentir o gosto de chocolate amargo e café que sua língua tinha e que acabara por se tornar meu sabor favorito até então.

Passei a beijar com devoção seu maxilar, descendo por seu pescoço enquanto sentia seu aperto de mãos quentes em minhas costas me incendiar, assim como quando um fósforo acende um pavio.

Enquanto arfares e pequenos gemidos eram ouvidos, nossas roupas enfeitavam meu carpete e mais toques e beijos eram trocados entre nós dois.

Eu não sentia aquela vontade de cessar o meu tesão, ou então aliviar aquele tão famigerado aperto em minha boxer. Eu sentia vontade de amar Jung Hoseok mais que qualquer coisa. Se as palavras não me pareciam mais suficientes, à altura do que eu sentia, tentaria ao menos mostras através de beijos espalhados por todo seu colo, peito, barriga definida e coxas bem torneadas e levemente amorenadas, quase como um caramelo, além de lamber seus mamilos entumecidos enquanto sentia seu puxar firme em meus cabelos esverdeados, apenas incentivando que eu continuasse. Em resposta, via sua pele se arrepiar e suas costas se arquearem, sua cabeça se jogar para trás enquanto um som, bonito aos meus ouvidos, rompia por sua garganta enquanto as marcas dos apertos de meus dedos em suas coxas começavam a aparecer e suas curtas unhas desenhavam linhas desconexas em minhas costas antes imaculada. Que me julgassem como certo tipo de masoquista, mas era gostoso aquele ardor. Era gostoso porque significava que meu objetivo vinha sendo bem sucedido: dar prazer àquele que amo e, com isso, ter meu prazer próprio. Afinal, o núcleo do prazer não eram os toque em si, pelo menos não para mim, mas sim no prazer que você proporciona ao outro.

Levando sua perna direita até meu ombro, a pendurando ali, tomando todo cuidado de lubrifica-lo como deveria assim que peguei o tubo branco na gaveta de meu criado mudo, então, assim, entrei de modo rápido em Hoseok, o ouvindo quase rugir e um lampejo amarelo Âmbar invadir seus olhos escuros enquanto suas unhas fincavam agora em meus ombros.

Enquanto sentia minha própria pele se arrepiar com seus beijos ávidos em meu pescoço caucasiano, me fazendo investir mais em si, ouvindo meu quarto ser preenchido por gemidos mais altos e o bater da cabeceira de minha cama na parede à frente, vendo as cobertas abaixo de Hoseok se embolarem conforme ele procurava apertar com força os panos, em busca de alívio para o prazer que lhe consumia.

Não foi necessário que eu tocasse seu membro; bastou apenas encostar minha testa suada contra a sua, olhando profundamente eu seus olhos enquanto um sorriso, que era um misto de safadeza com alívio prazeroso, despontava tanto em meu rosto quanto no seu.

Jung Hoseok podia não ser minha alma gêmea, mas definitivamente era o amor da minha vida... E, com toda certeza que me apossava, eu seria a mocinha irritante e teimosa das histórias que o defenderia com unhas e dentes, ainda que não fosse necessário. Pois eu o amava e, independente de qualquer coisa, o meu eu desses dias em que ele vem estando do meu lado, sempre irá amá-lo.”

JUNG HOSEOK

Meu quarto.

23 de setembro, 2:41 a.m.

– O-Obrigado... – O garoto falou em tom baixo, olhando os próprios pés descalços enquanto eu pegava meu saco de dormir em cima do armário. – Se você não tivesse me tirado de lá, provavelmente-

– Você teria feito uma chacina. – Falei em tom de brincadeira, o interrompendo, rindo anasalado. – Era o mínimo que eu podia fazer. Afinal, já estive no seu lugar.

– Já se sentiu descontrolado assim? – Ergueu o olhar, deixando que a franja molhada, pelo banho rápido que tomou, caísse sobre seus olhos grandes e redondos.

– Todo lobisomem se sente descontrolado... – Falei enquanto estendia o saco de dormir. – E devo dizer que sozinho você não conseguirá o devido controle sob si.

– E o que exatamente eu devia fazer? – Se levantou de minha cama, se deitando sobre o tecido fino e se cobrindo com a coberta que lhe joguei.

– Olha, em outros tempos, pediria que meu pai lhe auxiliasse, mas como estamos numa situação complicada, eu poderia te ajudar. – Fiz uma breve pausa. – Se você quiser, é claro.

– Parece que estou me aproveitando demais da sua bondade.

– Não é se aproveitar se eu estiver lhe oferecendo. – Rebati ao me deitar em minha cama. – Mas quero algo em troca.

– O quê? – Questionou meio cauteloso.

– Minha ajuda – Me virei na cama para que pudesse lhe encarar no chão. – em troca da sua história. – Sorri ao ver sua expressão de surpresa e um pouco de confusão. – Me conte quem é você e como veio parar aqui, jovem gafanhoto.

– Ahm... – Engoliu em seco. – Meu nome é Jeon Jungkook, mas isso eu já lhe contei enquanto vínhamos pra cá.

– Sim. – O incentivei a prosseguir.

– Eu morava na província vizinha. Tinha uma vida normal como qualquer garoto da minha idade, até que um dia... Tudo mudou e... – Contava, mas parecia estar revivendo tais dias em sua cabeça.

– Você se transformou e perdeu o controle de si mesmo. – Completei para ele.

– É... – Seu olhar dançava pelo meu teto de gesso. – Meus pais, eles... – Engoliu novamente em seco, tentando tomar coragem. – Eles me chamaram de monstro e, acredite, Hoseok, – Riu sem humor, finalmente trazendo o olhar até mim. – isso foi um elogio perto das outras coisas que me dirigiram.

– Então, nenhum dos seus pais faz parte do submundo?

– Não. – Fez uma breve pausa. – Eu vi meu próprio pai apontar uma arma para o meu rosto. – Pude notar seus olhos marejarem. – Foi... Horrível. Eu não podia continuar lá, entende? – Assenti minimamente. – Eu não tinha mais nada lá, então simplesmente fugi, sem rumo nenhum.

– E sem controle nenhum, também. – Deixei um sorriso reconfortante despontar em meus lábios. – Se sente, Jungkook.

– Huh? – Suas sobrancelhas arquearam em confusão enquanto eu me levantava de minha cama, caminhando rapidamente até minha escrivaninha, em busca de uma escova de cabelo.

– Apenas se sente. – Falei simplista, me sentando atrás do outro assim que fez o que eu havia lhe pedido. Comecei a passar a escova em seus cabelos escuros e molhados, com a maior calma que eu conseguia. – Uma vez, num filme, uma senhora dizia que um dos maiores prazeres da vida era alguém pentear seu cabelo. – Trouxe sua franja para trás no movimento da escova, vendo no espelho à nossa frente Jungkook fechar os olhos, apreciando aquilo. – Vai ficar tudo bem, okay? Vai tudo dar certo se tiver que dar.

– Você é sempre bom assim com todos, ou...? – Abriu rapidamente os olhos, me olhando pelo reflexo do espelho.

– Honestamente? Não sei... – Falei sincero. – Só que tudo dentro de mim diz que eu devia te ajudar.

– E se você acabar se metendo em problemas também? – Havia uma pontada de medo e angustia em sua voz.

– Eu sei mais do problema em que você se meteu do que você mesmo, Jungkook. – Soltei um pequeno riso anasalado, parando de pentear seus cabelos.

– E esse problema é muito grande? – Questionou receoso, se virando para mim.

– Ahm... – A principio, queria dizer que o problema era do tamanho de, literalmente, uma guerra, mas decidi não fazer isso. Aquele garoto vinha tendo tantos problemas por algo que ele não escolheu ser. Havia uma tempestade turbulenta em seus olhos quase negros. – Vá dormir, Jungkook. – Lhe lancei um sorriso, me levantando e voltando para minha cama. – Descanse que, a partir de amanhã, nós vamos correr contra o tempo para lhe ajudar e resolver tudo isso.

Ficando em silêncio, o garoto voltou a se deitar, parecendo perdido no meio de milhares e milhares de pensamentos.

Eu esperava do fundo de meu coração que conseguíssemos parar as Bruxas e, de bônus, Jungkook conseguisse ter controle do lobo dentro de si.

Embora eu estivesse cansado, não conseguia pregar os olhos uma vez sequer.  Me virei na cama, me permitindo olhar para baixo, vendo que o sono havia vencido o outro. Era bom e, de certa forma, tranquilizante ver que ele dormia pacificamente. Me perguntava quanto tempo fazia que ele não dormia assim, sentindo a vontade inevitável de protege-lo crescer dentro de mim.

Voltei a me deitar de costas no colchão macio, encarando as estrelinhas fluorescentes grudadas em meu teto, me lembrando do garoto de madeixas verdes que as havia colado no gesso, com muita dificuldade, uns anos atrás.

Meu coração doía ao pensar em Yoongi. Ao pensar no quanto eu o amava.

Sempre questionei a mim mesmo se isso era de fato uma coisa boa. Esse negócio de amar tanto que até mesmo dói. Quer dizer, eu idealizava meu futuro com Yoongi nele, mas... Deveria doer tanto assim amar alguém, sendo correspondido? Embora muitos achem isso como algo natural, uma prova de que você ama alguém muito e de maneira forte, sempre foi algo que me incomodava. E sabia que Yoongi compartilhava do mesmo pensamento que eu.

A sensação que eu tinha agora era de como se uma saga de livros estivesse terminando e outra estivesse começando a partir dessa, com novos personagens, tendo meras participações dos antigos e contendo pequenos acontecimentos passados entre os mesmos contidos nas entrelinhas. Apesar de tudo, não vinha uma sensação ruim com isso. Era uma mescla de ansiedade, pelo que estava por vir, e de medo, por você não saber se irá gostar da nova saga como gostou da antiga.

Só que a vida era assim. Uma saga de livros, com capítulos diferentes – uns mais interessantes que outros –, mas tendo sempre que seguir leitura, ganhando personagens e cenários novos para que, aí sim, você chegue ao tão almejado final de livro. Ou então na página de agradecimentos, onde você acaba por enxergar e agradecer por certas coisas terem acontecido em sua vida, caso contrário, outras definitivamente não teriam acontecido.

Os dias que se seguiram foram repletos de treinamento.

Eu vinha recebendo mensagens e ligações de Yoongi, que foram ficando escassas depois de uns dois dias. Me sentia mal por ignora-lo, mas era um mal necessário.

Dentre esses dias que se passaram, entrei em contato com alguém que possuía contato direto com as Bruxas de Salém, facilitando que eu conseguisse fazer o pedido de vê-las o mais breve possível, não demorando em receber um bilhete da parte delas como resposta, marcando um encontro.

Não demoraria muito até que a Lua Cheia chegasse, me fazendo perceber que os dias contados que pensei ter eram mais curtos que o imaginado.

A principio, Jungkook ficou tremendamente assustado quando lhe contei sobre o Acordo entre nós lobos e as bruxas, mas isso apenas pareceu tê-lo incentivado a trabalhar duro para conseguir consertar aquilo que nem imaginava a imensidão. Meu intuito era lhe fazer ler os livros que peguei na biblioteca da sede, para aprender um pouco sobre o mundo que ele não conhecia, mas deixei de lado, contando eu mesmo por cima enquanto focávamos em mantê-lo um lobo com domínio total sobre si. Ele estava indo bem; era um garoto muito esperto que aprendia rápido as coisas e se empenhava muito.

Eu só esperava que nada de ruim acontecesse assim que fôssemos nos encontrar com as bruxas. Seja essa coisa ruim uma guerra, seja a sentença de morte de Jungkook, e eu estava mais que empenhado em não deixar que ambas as coisas acontecessem. Custasse o que fosse.

Uma rua qualquer.

28 de setembro, 3:21 p.m.

Eu caminhava escondido pela rua, vez ou outra me escondendo atrás de algum poste quando necessário.

Não sabia se eu estaria vivo no final da noite, então resolvi ver como Yoongi estava. Mas à distância. Queria evitar perguntas as quais eu não queria responder, ou até mesmo não saberia responder.

Eu sentia muita falta de seus toques e cheiro, mas não queria ir até ele antes de me certificar que estava tudo bem, que nada de ruim poderia vir a acontecer com ele caso uma guerra fosse declarada.

O ver sorrir e rir para outro garoto, o qual eu não conhecia, fez o ciúme me consumir, mas o controle sobre mim que eu havia adquirido com esses anos, acabaram por servir em algo útil, como não deixar as emoções me cegarem e me fazerem agir de modo desnecessário.

Comecei a avaliar o garoto de madeixas loiras bem descoloridas e de feições delicadas. Era um garoto genuinamente bonito. Mas, apesar dos lábios grossos, o que mais me chamavam a atenção eram seus olhos violetas. Um Gumiho.

Então era isso? O fato de eu não sentir que a metade da alma de Yoongi estava junto a mim era porque outra pessoa a tinha?

A felicidade de Min Yoongi não era só por minha causa mais...?

Afastei tal pensamento torturante de minha cabeça, engolindo o bolo que começava a se formar em minha garganta e dando uma última olhada no garoto que era dono das batidas descompassadas e falhas de meu coração. Eu o amo tanto que... Até dói.

Dei meia volta, puxando o capuz de meu moletom e segui de volta para casa. Tinha uma longa noite pela frente, junto à Jungkook.

Meu quarto.

28 de setembro, 11:03 p.m.

– Se lembra de tudo que irá precisar falar? – Indaguei ao outro, que terminava de vestir o moletom preto.

– Sim. – Assentiu com uma expressão séria. Me aproximei de si, colocando a mão em seu ombro, apertando forte, e lhe dando um sorriso reconfortante, vendo sua expressão dura se desfazer. – Hyung... – Ergueu a cabeça, me olhando nos olhos. – E se não der certo? E se eu... Não conseguir ter controle e tornar as coisas piores do que já estão?

– Vai ficar tudo bem, Jungkook. – Tirei a mão de seu ombro, respirando fundo enquanto me virava para minha janela aberta, encarando as nuvens negras que começavam a se mover, revelando a Lua aos poucos. – É só fazermos tudo que combinamos e sairá tudo do jeito que precisa sair. Eu confio em você.

– Hyung...

– Huh? – Virei minha cabeça para lhe encarar.

– Você devia ao menos mandar uma mensagem para ele. – Falou, me fazendo abaixar a cabeça e suspirar pesadamente. – Nós não sabemos o que vai acontecer depois que sairmos por essa janela.

Engoli em seco, pensando arduamente em suas palavras.

– Mas o que eu iria dizer pra ele? – Ergui novamente minha cabeça, encarando seus olhos escuros que brilhavam pela luz natural que provinha da noite agora nem tão escura, o vendo dar de ombros e pressionar seus lábios em duas linhas finas, fazendo uma covinha aparecer momentaneamente em sua bochecha esquerda.

– Apenas diga tudo que você precisa e quer dizer pra ele. – Colocou as mãos nos bolsos da frente de sua calça jeans de lavagem escura. – Tenho certeza de que muita coisa se passou pela sua cabeça durante esses dias que ficaram longe um do outro. Apenas diga o que tem que ser dito e que, talvez, depois você não possa vir a dizer.

Respirei audivelmente, assentindo a cabeça algumas vezes de modo lento, como se tentasse convencer a mim mesmo de que era o que deveria ser feito.

Me afastei da janela, procurando por meu celular perdido entre as cobertas da cama, o achando e logo abrindo a aba de mensagens com Yoongi.

O que eu precisava dizer à Yoongi, afinal de contas? Que eu o amo com todas as minhas forças? Que eu quero que ele se afaste do garoto-gumiho mesmo eu sabendo que este era seu guardião? Que eu poderia não voltar a lhe ver novamente e que lamentava muito não ter me despedido?

O que diabos eu diria ao amor da minha vida?

Frente da sede, floresta.

28 de setembro, 12:14 a.m.

Por fora, a sede não passava de um mero casebre com madeiras detonadas e se despregando, mas, quando se entrava, era de deixar qualquer um boquiaberto.

Um salão imenso com piso de granito claro e pilares que combinavam com todo o ambiente cheio do estilo rococó. Era chique com seus detalhes dourados em meio ao branco, mas sem ser exagerado.

– Está pronto? – Indaguei enquanto me virava para Jungkook, segurando seu pulso para que ainda não adentrasse a sala onde as reuniões ocorriam.

– Se eu falar que não, nós iremos voltar pra casa e tudo ficará bem? – Soltou um riso nervoso, me fazendo lhe acompanhar com um riso anasalado.

– Devo dizer que é uma proposta tentadora, mas precisamos enfrentar isso já que chegamos até aqui. – Me virei novamente para a enorme porta de madeira de demolição, cheia de adornamentos. – Vamos lá. Quanto mais rápido entrarmos, mais rápido saímos.

– Hyung! – Segurou abruptamente meu antebraço, me fazendo arquear as sobrancelhas quando lhe encarei. – Obrigado. – Deu um pequeno e breve sorriso. – Por absolutamente tudo. Desde ajudar uma pessoa perdida que você nem mesmo conhece, até a ser capaz de colocar em risco sua própria vida pelo mesmo. – Me abraçou forte, me fazendo ficar surpreso momentaneamente, mas logo o retribuindo. Era estranho como aquilo parecia ser algo tão certo.

– Vamos nessa, garoto-lobo! – Sorri abertamente para ele. – Ainda tenho muita esperança de que sairemos inteiros dessa e poderemos ir nos divertir como colegiais comuns.

– E você poderá me apresentar seu pai e seu namorado. – Falou sorrindo, me fazendo devolver o ato, mas de um modo mais nostálgico.

– Sim... Você poderá conhecer meu pai e meu Yoongi. – Dei dois leves tapas em seu ombro. – Agora vamos. – Coloquei ambas as minhas mãos na maçaneta dourada, não tendo certeza se tinha me arrepiado por ela estar gelada, ou se por quem nos esperava lá dentro.

Uma mesa de madeira maciça e envernizada ficava bem ao meio do ambiente, com cadeiras de estofado vinho ao seu redor. As bruxas estavam sentadas ao extremo da mesa, apenas esperando que adentrássemos essa parte do salão, abrindo um sorriso assim que colocaram seus olhos em nós dois, como se estivessem ali para um chá da tarde, e não para conversarmos sobre um assunto sério.

– Olha, mas vejam só se não é o pequeno e indefeso Jung. – Abigail se levantou de seu assento cativo, como a perfeita anfitriã que era, tendo sua ação imitada pelas outras duas bruxas que estavam uma em cada lado, que ocupavam também uma cadeira.

– Mas ele não parece ser mais aquele filhotinho de lobo de antigamente, não é mesmo, Abby? – A mulher de cabelos bem cacheados e ruivos disse, me encarando enquanto sorria de modo afiado, fazendo meu estômago se revirar.

– Tem razão, Betty. – A respondeu sem tirar os olhos de nós. – Por favor, garotos, sintam-se à vontade para se sentarem. – Indicou com a mão as cadeiras a nossa frente. – Sarah, querida, sirva-lhes algo para beberem. Imagino que tenha sido um longo caminho até aqui, não? – Pediu à outra bruxa, que possuía cabelos acima do ombro, completamente negros, e com uma franja reta lhe tampando as sobrancelhas.

– Não será necessário, senhorita Williams. – Falei assim que me aproximei alguns passos, mas mantendo uma boa distância delas, ignorando seu convite para que sentássemos. – Queremos ser breves.

Um riso que fez um arrepio subir minha espinha pôde ser ouvido ecoar pelo salão.

– Vamos com calma, Jung. – Sua expressão se fechou instantaneamente. – Primeiro nos apresente seu amiguinho. – Disse com um ar falsamente curioso e um tanto debochado, deslizando seu olhar e parando em Jungkook, que estava atrás de mim.

– A senhorita sabe melhor do que eu quem ele é, Srta. Williams. – Falei sem medir as palavras. – Acredito que possamos pular as apresentações, não?

– Quer que eu corte a língua dele, Abby? – Betty perguntou, se sentindo afrontada.

– Não. – Um sorriso de puro escárnio foi direcionado a mim. – Gosto assim, sem rodeios. – Pigarreou, lambendo o lábio inferior, que estava pintado de batom vinho. – E já que estamos aqui para irmos direto ao ponto, vamos executar seu querido lobinho. – Ergueu a mão de unhas pretas e pontiagudas na direção de Jungkook, me fazendo arregalar os olhos quando vi que ela usava seus poderes para sufocar o garoto.

– NÃO, ESPERE! – Gritei desesperado. – Vamos conversar primeiro, por favor!

– Conversar? – Abigail desviou o olhar de Jungkook e me olhou nos olhos. – Mas achei que você queria ir direto ao ponto, Jung Hoseok. Não foi pra isso que vocês vieram aqui? Para que o incontrolável e assassino, Jeon Jungkook, recebesse a punição que lhe cabe por ter quebrado nosso acordo?!

– Mas ele não tinha controle sobre si mesmo! – Falei num tom puramente desesperado, sem saber o que fazer.

– E daí? No acordo não falava nada sobre exceções para com aqueles que não consigam controlar esse animal nojento e selvagem que habita dentro de vocês! – Falou entre dentes. – Vocês mesmos deviam se responsabilizar e cuidar desses novatos.

– Tudo bem, eu me responsabilizo! – Embora eu não tenha feito nenhum esforço físico, minha respiração estava acelerada. – O deixe em paz e vamos resolver isso eu e você!

Abigail começou a me encarar, como se quisesse ter certeza de que não encontraria um sinal de que eu estava falando aquilo apenas para que parasse de tentar enforcar o outro garoto.

Com os olhos semicerrados, a bruxa fez um movimento com a mão, fazendo o corpo de Jungkook se chocar contra a parede, o prendendo ali enquanto o mesmo tentava recuperar o ar que havia perdido.

– Está dizendo que quer morrer por ele, Jung Hoseok? – Sua cabeça se inclinou levemente para o lado, sorrindo ladino.

– Você tem que me conceder um pedido. – Falei. – Segundo o Acordo, eu tenho direito a um pedido.

– Vai gastar seu pedido para poupar a vida de um lobo que você mal conhece? – Arqueou uma sobrancelha, sem desfazer seu sorriso.

– Nós viemos aqui pra isso. Para que você conceda meu pedido. – Fiz uma breve pausa, engolindo em seco quando as atenções das três bruxas estavam totalmente em mim. – Eu desejo que você, Abigail Williams, poupe a vida de Jeon Jungkook, com a minha promessa de que ele manterá o controle do lobo dentro de si e não atacará mais ninguém. – Finalizei, recebendo um silêncio pesado como resposta.

Abigail soltou um pequeno riso, sendo seguida pelas outras bruxas.

– Tem certeza de que quer descartar seu único desejo com esse, praticamente, desconhecido? – Ergueu seu queixo enquanto franzia seu cenho, como se não estivesse acreditando totalmente naquilo. Como se eu fosse um completo louco.

– Sim. – Lambi meus lábios secos pela tensão. – Quero que poupe a vida de Jeon Jungkook.

– Tudo bem... – Recolheu a mão, fazendo Jungkook cair de joelhos no chão. Corri em sua direção para ampara-lo. – Sabe, Jung. – Olhei em sua direção. – Você acaba de, talvez, cometer o maior erro de sua vida. – Sorriu maliciosa. – Me diga, meu querido, o que seu namoradinho acharia de você ter escolhido a vida de outro no lugar da dele? – Seu sorriso ficou maior.

– C-Como? – Indaguei confuso.

– Acho que devíamos perguntar para ele pessoalmente, você não acha? – Fez uma expressão de falsa inocência. – Sarah, faça as honras.

A bruxa de cabelos chanel fez um movimento com a mão, fazendo as portas de madeira se abrirem e revelarem a última pessoa que eu esperava ver ali.

Merda! Mil vezes merda!

MIN YOONGI

Floresta.

28 de setembro, 12:16 a.m.

– O que pensa que está fazendo aqui?

Respirei fundo, tirando coragem de Deus sabe onde, me virando para encarar aqueles olhos que agora me pareciam intimidantes.

– Jesus Cristo! – Soltei o ar pela boca. – Achei que era o Voldemort em busca de sangue de unicórnio por aí.

– Não sabia que você era tão religioso... – Soltou um pequeno riso anasalado. – E que era esquisito, também.

– Esquisito? – Arqueei minhas sobrancelhas. – Você é um Gumiho e eu é que sou esquisito?! – Agora foi a vez de Jimin arquear as suas. – É, eu descobri.

O vi engolir em seco, desviando o olhar momentaneamente para qualquer lugar que não fosse meu rosto.

– Se acha que em algum momento eu usei meus poderes para fazer com que você se aproximasse de mim, está totalmente enganado. – Voltou a olhar em meus olhos, fazendo um arrepio passar pelo meu corpo de tão intenso o modo que seu olhar era. – Aliás, eles só têm mais algumas poucas horas para finalmente se esvaírem e eu virar um completo mundano.

– Então por que você aparece em meus sonhos, Park Jimin? – Indaguei confuso, franzindo meu cenho. – Por que eu me pego pensando às vezes em você quando estou no meio da aula?! – A angustia começava a se alastrar por mim, deixando minha voz com um toque embargado. – Por que... Por que quando eu não estou feliz, desejo que estivesse perto de mim? – Finalizei, vendo um pequeno sorriso despontar de seus lábios grossos.

– Acredite em mim, Min Yoongi, – Seus olhos cintilavam com a luz da Lua. – eu jamais interferiria numa coisa tão particular como seus pensamentos e sentimentos.  – Soltou um suspiro curto e alto. – Embora você seja minha alma gêmea, eu não nasço apaixonado por você, assim como você não nasceu apaixonado por mim, ou então como você não nasceu apaixonado pelo amor de sua vida. Não é assim que as coisas funcionam.

Eu me sentia errado. Queria culpar os poderes do Gumiho, mas eu não podia fazer isso...

Talvez fosse a carência misturada à saudade e tristeza de ter Hoseok longe de mim por tanto tempo. Eu não saberia responder.

– Assim como você, estou te conhecendo e me apaixonando aos poucos, como qualquer pessoa comum. Embora seja um mundo que você considera místico, esse sentimento é algo que nem a magia mais poderosa do mundo pode controlar. Tudo acontece se tiver que acontecer e quando tiver que acontecer.

Respirei fundo, engolindo o bolo que aumentava em minha garganta, pigarreando.

– Você não me disse o que está fazendo aqui. – Falei.

– Você também não me disse. – Sorriu de lado. – Estou aqui porque zelo pelo seu bem. Sou seu guardião acima de qualquer coisa. Por favor, não ache que eu já te amo e apenas o segui aqui como um típico garoto bobo e apaixonado de um filme. – Disse debochado, dando uma pequena risada, me fazendo revirar os olhos.

– Você sabe muito bem porque estou aqui. – Respondi sem paciência.

– Você veio dar uma de mocinha teimosa e corajosa, huh? – Deu um sorriso aberto. – Eu não posso te deixar ir até lá, Yoongi. É muito perigoso.

– É exatamente por isso que eu preciso ir até lá! E se alguma coisa acontecer com Hoseok?!

– Nada vai acontecer com ele, não se preocupe. – Disse simplista. – Ele não está sozinho. Além do mais, ele sabe exatamente o que tem que fazer.

– Como assim não está sozinho?! – Franzi meu cenho.

– Ora, Yoongi. Não se finja de surpreso quando eu sei que você pensou inúmeras vezes sobre a possibilidade de Hoseok não estar só. – Falou, me fazendo engolir em seco. – Mas não se preocupe. Embora o garoto possa vir a ser a alma gêmea dele, nada aconteceu. O garoto só estava metido em problemas. – Meus olhos se arregalaram levemente. – O quê? Achou que só você é quem tinha a possibilidade de ter dois amores verdadeiros?

Aquilo era coisa demais para que eu conseguisse digerir aos poucos minutos que se passaram. Minha cabeça estava um caos.

– Olha, eu realmente não me importo se o que o destino me reserva é uma vida feliz ao lado de Hoseok ou não, embora eu o ame muito e não me veja sendo feliz ao lado de qualquer outra pessoa, até mesmo você. Eu quero apenas me certificar de que ele está bem e que aquelas bruxas não o machuque!

– É admirável e até mesmo invejável o jeito que vocês dois se amam e pensam de modo tão igual. – Sorriu de lábios fechados. – Sei que nada do que eu disser vai fazer com que você mude de ideia, mas eu precisava tentar, certo?

– Sabe onde fica a sede? – O vi assentir. – Então me leve até lá!

– Yoongi...

– Eu sei, Jimin! – Fiz uma breve pausa. – Eu sei que ir lá pode somente o atrapalhar e, quem sabe, criar mais problemas, mas eu realmente preciso ir! Se não for... Acho que vou surtar. – Minha voz finalizou num sussurro. – Por favor...

– Certo. – Disse por fim. – Mas quero que me prometa uma coisa.

– O quê?

– Que você vai sempre manter em mente que tudo que acontecer lá, é porque tinha que ter acontecido. E que nada do que você fizesse ou dissesse, seria capaz de mudar o destino que está por vir.

Fiquei o que pareceram ser bons minutos pensando naquilo, temendo o futuro próximo.

– Eu prometo...

– Então vamos lá, Tessa Gray. – Se aproximou de mim, passando o braço por cima de meus ombros. – Você precisa tentar salvar o seu Will Herondale.

Ouvir aquilo me deixou minimamente mais tranquilo. Mas eu ainda temia pelo meu futuro e o de Hobi.

Salão de Reuniões, Sede.

28 de setembro, 12:31 a.m.

Numa hora eu estava de frente a uma porta de madeira, na outra ela estava sendo aberta, revelando as bruxas, Hoseok e mais um garoto que eu não conhecia.

– Seja muito bem-vindo à nossa reunião particular, Sr. Min! – A bruxa de cabelos longos e platinados pronunciou. – E Sr. Park, não sabia que teríamos a sua ilustre presença hoje. Honestamente, estávamos fazendo apostas em Salém para ver se você teria coragem ou não de entrar na vida de Min Yoongi e dar uma bagunçada inevitável em seus sentimentos e relacionamento com o Sr. Jung. – Soltou um riso perverso.

– Sempre bem-humorada, Srta. Williams. – Jimin pronunciou atrás de mim, logo tomando minha frente. – Presumo que tenha perdido uma boa quantia em dinheiro. Ou assim espero.

– Acredite ou não, meu querido Park, eu apostei a seu favor. – Seus lábios finos sorriram. – Mas, bem, vamos pular todo esse blá-blá-blá. – Seu olhar voltou em minha direção. – Você vem pra mim! – Maneou a mão, me trazendo com seus poderes para si, até que estivesse apertando meu rosto e suas unhas roçando em minha bochecha.

– NÃO TOQUE NELE! – Ouvi Hoseok gritar.

– Sarah, querida, dê um jeito no Sr. Jung. – A mulher à minha frente pronunciou. – Deixe a boquinha dele bem caladinha para que não atrapalhe minha conversa com o Sr. Min. – Voltou a me olhar nos olhos. – Agora meu papo é totalmente com você, Chapeuzinho. – Sorriu ladino.

– Não o machuque, por favor. – Falei com dificuldade, pelo aperto em minhas bochechas. – É a única coisa que eu lhe peço.

– Não é engraçado, Yoongi? – Ela falou. – O único pedido que você me fez, também foi o único pedido que pude conceder ao seu namoradinho. – Seu sorriso de dentes perfeitamente brancos se abriu, me fazendo lembrar instantaneamente do Gato de Alice. – Só que a parte engraçada é que ele não pediu para que sua vida fosse poupada, mas sim a do outro garoto-lobo.

Pelo olhar periférico, pude ver Hoseok vir em nossa direção, mas a bruxa de cabelos ruivos foi rápida na ação de encurrala-lo contra a parede por seus poderes.

– Obrigada, Betty. – Agradeceu a outra em seu lado direito. – Quando a noite se iniciou, apenas achei que mataríamos um lobisomem nojento, mas veja que rumo tudo isso tomou, não é mesmo?! – Riu. – Tudo se tornou tão mais divertido.

– Você não pode machuca-lo! – A voz de Jimin reverberou o salão, chamando a atenção de Abigail. – Se você fizer isso, Lilith não gostará nem um pouco.

– Tem certeza disso, Sr. Park? – Arqueou uma sobrancelha. – Segundo o artigo noventa e oito do Código de Defesa das Bruxas de Salém, quando alguém invade uma reunião privada, as donas de todo o poder do submundo tem o total direito sobre a vida daquele ser; seja ele mundano, seja sobrenatural.

– Mas ele não invadiu, foi você que o chamou! – Retrucou. – Seus poderes interviram na vontade dele.

– Falou o garoto-raposa de nove caudas... Justo você quer vir falar sobre poderes que intervém na vontade alheia?! – Riu em escárnio. – Me poupe, Park Jimin.

– Eu posso usá-los contra você!

– Jura? – Sua expressão continuava carregada de divertimento. – Quanto tempo mais você tem com esse seus poderes? Horas? Minutos?

– Tempo suficiente para te fazer se arrepender de tê-lo tocado, Abigail Williams! – Então, num lampejo rápido, senti um calor próximo ao meu rosto, logo sendo jogado no chão e ouvindo a bruxa gritar.

– Esse maldito verme do submundo me queimou! – Falou entredentes. Me apoiei em meus cotovelos, olhando para Jimin, vendo a chama alaranjada em sua mão, como se estivesse pronto para atacar novamente se fosse preciso. – Sarah, deixe o Jung de lado! – Ordenou para a mulher de cabelos curtos, que agora deixava Hoseok de lado e mantinha a atenção em mim, sorrindo ladino enquanto se preparava para fazer sabe-se lá o que comigo. – Faça o que tenha que fazer. – Finalizou.

– ESPERE! – Hoseok tornou a gritar, se aproximando de mim enquanto Sarah me erguia uma boa distância do chão com seus poderes. – O seu problema é conosco, ele não tem nada a ver com isso!

– Uma pena, não é mesmo?! – Abigail sorriu enquanto segurava o braço machucado. – Mais cedo eu lhe disse que você pode ter cometido o maior erro de sua vida. Então eu lhe pergunto, Jung, valeu mesmo a pena ter gasto seu único desejo com aquele que apareceu em sua vida agora, ao invés de com quem você ama?

– Você é tão suja e baixa, Abigail! – Jimin disse. – Não me admira que você talvez tenha previsto que isso poderia acontecer.

– Vocês às vezes subestimam demais nosso modo de pensar. Tsc, tsc, tsc... Que erro de amador, não é mesmo? – Questionou retoricamente. – Mas vamos lá, Park, continue jogando esse seu poder. Vamos, estou aguardando. – Olhei para onde Jimin estava, o vendo ficar confuso quando não conseguiu mais lançar seus poderes. – Opa... Parece que o poder de alguém chegou ao fim logo agora. – Fez um bico em falsa tristeza, logo o desmanchando e se virando para Sarah. – Vamos lá, querida. Faça o que quiser com o garotinho tolo.

– Não! – Agora foi a vez da voz desconhecida por mim reverberar pelo salão. – Eu ainda tenho um desejo!

– Você realmente acha que tem o direito de me fazer um pedido depois de quase ter feito uma chacina, Jeon Jungkook?! – Abigail rebateu.

– É um direito meu! Não há nada no contrato que anule isso. – Finalizou, fazendo a bruxa ranger os dentes.

– O que vai fazer? Pedir pra que eu poupe a vida do namoradinho daquele que pode vir a ser sua fonte de felicidade futuramente? – Indagou amarga. – Sinto lhe informar que não poderá fazer isso porq-

– Não. – O garoto a interrompeu. – Não é isso que eu vou pedir. – Seu olhar foi para Hoseok, como se pedisse aprovação por algo, vendo o outro assentir lentamente, com os olhos brilhando de modo que parecia ter lágrimas brigando para saírem.

– Não me diga que você irá desejar que Jung Hoseok e Min Yoongi não tenham se conhecido antes. – Abigail disse, rindo sem humor. – Vocês são completamente clichês e chatos! – Revirou os olhos escuros.

– O quê?! – Indaguei chocado, olhando rapidamente de modo desesperado para Hoseok, que sorria de modo triste em minha direção, movimentando os lábios ao dizer que me amava e que era para eu nunca me esquecer disso sem pronunciar as palavras em voz alta.

– Eu desejo... – Jungkook começou, fazendo meu estômago se revirar.

Então tudo terminaria assim? Todo conhecimento, aprendizagem e sentimentos que adquiri com todos esses anos tendo Hoseok ao meu lado, me transformando no meu eu de hoje, não existiria mais? Se eu não seria mais essa pessoa de hoje, quem eu seria? Uma pessoa medrosa e que nunca provara do amor verdadeiro até então? Achando que eu poderia amar apenas uma pessoa de modo intenso e diferente na vida?

< mensagem do dia 28 de setembro às 11:34 p.m. >

Hobie: Sempre apreciei o modo que pensamos de jeitos semelhantes. Muitas pessoas poderiam considerar isso algo ruim, mas é como funcionamos, certo?

Se lembra de quando fomos ao antiquário comprar algum presente para o aniversário de sua avó, e então você ficou encantado pela Matrioska, a boneca-russa, dizendo que elas eram como nós. Que somos preenchidos por diversas versões menores de nós mesmos, representando cada fase de nossa vida; como se cada uma fosse uma camada necessária para que nos tornemos mais resistentes com o decorrer do tempo e, assim, nossa personalidade e modo de pensar se modifique também. Afinal, o seu eu de anos atrás vai sempre se lembrar de ter amado, ou odiado, muito algo, mas o seu eu de hoje apenas se lembra disso com certa nostalgia, se lembrando de como era amar ou então odiar aquilo, mas hoje amando e detestando outra coisa. É inevitável, certo?

Naquele dia, confesso que não havia entendido lá muito bem o que você quis dizer, mas nesses dias em que ficamos distantes, me pus a pensar e refletir sobre isso.

O meu eu de hoje, e o eu de todas as camadas anteriores até o momento em que eu te conheci, irá te amar para sempre, Min Yoongi. E, se no futuro, por algum motivo doido nosso destino houver decidido que nosso amor chegou ao ponto que tinha que chegar e não estarmos mais juntos, terei o maior prazer do mundo ao lembrar com um sorriso nostálgico no rosto dos momentos que passamos juntos e do quão bom foi te amar.

Sei que você deseja tanto quanto eu que nosso futuro seja o mesmo, mas, como você costuma me dizer muito, tudo acontece por algum motivo maior, nós gostando desses acontecimentos ou não. Pois futuramente iremos olhar para trás e pensar “poxa, se tal coisa não tivesse acontecido, hoje eu não estaria vivendo isso”.

Amar não deveria doer, não concorda?

Você sempre será o amor da minha vida, Min Yoongi. Nada nem ninguém irá mudar isso. Mas acontece que o final feliz que consideramos e almejamos, talvez não seja o único final feliz que podemos ter na vida, ou então venha a não ser o final feliz que nos cabe, como imaginávamos.

Nós teremos nosso final feliz, acredito eu. Mas nada impede que você, ou eu, venha a ter outro final feliz depois disso; onde encontraremos também o “e foram felizes para sempre”.

Eu te amo e te amarei eternamente, Min Yoongi. Nunca se esqueça disso!

O meu eu desses anos todos que nos conhecemos sempre te amará com todas as forças que lhe cabe. Tanto que prezo para que você tenha o seu tão merecido” felizes para sempre”. Aconteça o que acontecer depois da noite de hoje, sempre prezarei pela sua felicidade infinita, assim como também sei que você preza pela minha.

Então, com dor e amor no coração, eu lhe digo:

Min Yoongi e Jung Hoseok tiveram seu final feliz.

Minha casa.

14 de fevereiro, 6:03 p.m.

Cinco anos depois.

– O que está fazendo, Sr. Min Yoongie? – Indagou entre pequenos risinhos, me fazendo rir anasalado enquanto virava minha cabeça para poder olha-lo se aproximar de mim e me abraçar por trás, apoiando o queixo em meu ombro.

– Só olhando... – Voltei a encarar a paisagem verde através da janela, tomando um gole do café fumegante em minha mão, sentindo o cheiro do líquido se misturar com o de terra molhada, já que chovia lá fora. – E pensando.

– Pensando no quê? Posso saber?

– Em tudo que passamos. E como as consequências de nossas escolhas no passado resultaram. – Me virei para olha-lo melhor. – Você imaginava que terminaríamos assim depois de tudo que foi dito e feito no dia em que fomos até a sede?

– Definitivamente não. – Soltou um pequeno riso. – Honestamente, não imaginava que você seria capaz de me amar um dia, tão intensamente como ama, tendo Jung Hoseok invadindo sua mente inevitável e constantemente. – Sorriu com um pouco de tristeza.

– Você é alguém muito fácil de amar, Park Jimin. – Sorri abertamente para ele, passando meu braço livre em seu pescoço, o trazendo para deitar sua cabeça em meu peito. – Não seria necessária nenhuma magia para que eu me apaixonasse por você. Sendo persuasão, ou sendo esquecimento.

Salão de Reuniões, Sede.

28 de setembro, 12:53 a.m.

Cinco anos atrás.

– Eu desejo... – Jungkook falou cauteloso, como se estivesse escolhendo bem as palavras. – Que Min Yoongi tenha o seu “felizes para sempre”.

– O quê? – Abigail questionou confusa.

– Foi isso mesmo que você entendeu, Srta. Williams. – A mandíbula do garoto tencionou, desviando o olhar da bruxa e me olhando nos olhos. – Eu desejo que Yoongi tenha o “felizes para sempre” que a vida lhe concedeu. – Voltou a encarar a bruxa. – Não quero que Hoseok e ele se esqueçam um do outro e das mudanças que os dois adquiriram com todos esses anos juntos. Eles precisam se lembrar das diferenças que um causou no outro, de como se amam.

Os olhos de Abigail semicerraram.

– E se o final que você acha que ele terá não for o que imaginam? – Perguntou, olhando para Hoseok. – Como pode ter tanta certeza?!

– Você às vezes subestima muito nosso modo de pensar, Srta. Williams. – Hobi repetiu a fala de Abigail de minutos antes, abrindo um sorriso contido. – Eu conheço Min Yoongi melhor do que ninguém. Tendo noção do quão teimoso ele é, – se virou para me encarar. – e sabendo que ele viria atrás de mim. Se tornando um problema a mais para que eu cuidasse. – Riu anasalado. – Eu sendo o “felizes para sempre” dele ou não, a vida é quem deverá dizer, e nos restará aceitar. Mas se este aqui for o momento em que colocaremos o nosso final feliz, tudo bem. Se nosso destino for amarmos outras pessoas, que seja. – Seus olhos marejaram. – Tenho consciência de que amei Min Yoongi de modo maravilhoso, assim como senti seu amor único. Não irei me lembrar dos dias de hoje com um sorriso triste, mas sim feliz por ter tido a oportunidade de amar e ser amado por alguém tão brilhante quanto esse garoto de capuz vermelho.

– Eu te amo como nunca amei ninguém até aqui, Jung Hoseok. – Falei num tom baixo, sorrindo inevitavelmente de modo triste.

Eu queria muito que ele fosse o meu “felizes para sempre”, mas nós dois já sentíamos dentro de nós que talvez não viesse a ser assim.”

– Foram tempos difíceis aqueles que se seguiram. – Jimin falou pesaroso, levantando a cabeça para me encarar. – Você está feliz? Por eu ser o seu “felizes para sempre”?

Comecei a ponderar sobre aquilo, sorrindo quando concluí meu pensamento.

– Uma vez, alguém me disse que o nosso final feliz, o nosso “felizes para sempre”, pode não vir a ser aquele que imaginamos. Que a vida pode ter outro final feliz para nós, o que não significa que seremos menos felizes do que com aquilo imaginávamos antes. – Beijei sua testa. – Eu sou muito feliz por ter você aqui comigo, Park Jimin. E se tudo aquilo tinha que ter acontecido, se Hoseok não tinha que ficar comigo, que fosse você a ser aquele alguém que faria com que eu me sentisse vivo novamente e despertasse meu amor tão intenso, mas de modo completamente diferente.

Olhei em seus olhinhos brilhantes da cor que se tornara minha favorita no mundo.

Nós somos feitos de fases. Feitos de finais felizes diferentes.

O meu eu de cinco anos atrás sempre estará presente dentro de mim, amando infinitamente Hoseok, mas o meu eu de hoje... O meu eu de hoje era completamente apaixonado pelo dono dos olhos violeta.

O abracei forte, olhando para a noite que caía lá fora, vendo, ao longe, dois pares de olhos surgirem por entre as árvores da floresta que ficava em frente à nossa casa. Âmbar e Rubi brilhavam no escuro, me fazendo sorrir e lembrar que ambas as cores ficavam bem juntas, assim como Ametista ficava bem aos meus olhos quando eu os via ao acordar todas as manhãs.


Notas Finais


Fazia muito tempo que eu não me sentia genuinamente feliz escrevendo algo. Sendo bem sincera, desde a primeira fic da minha primeira conta nesse site.

Espero que eu tenha conseguido fazer com que enxergassem nas entrelinhas, principalmente desse capítulo, coisas que façam vocês pensarem, refletirem.

Peço desculpas pelos comentários não respondidos nos cap anteriores, mas quem me acompanha sabe o quão corrido é meu tempo. Prometo me esforçar para responder os desse capítulo, caso vocês o façam!

Obrigada pelos comentários, favoritos e, principalmente, aos que me acompanharam até aqui.
Ainda tenho uma fanfic de presente para ser postada, e outras três a serem finalizadas, mas, com o amor que me resta no coração, aqui eu deixo o nosso final feliz ;) Obrigada por terem feito parte da minha "pequena" trajetória como killercypher.
#killerendiscoming 1/4

Meu twitter 🐦: https://twitter.com/severusmin


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