História Live or Die - Início - Capítulo 12


Escrita por: ~

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Categorias Fear The Walking Dead, Resident Evil, The Walking Dead, Z Nation
Personagens Personagens Originais
Tags Apocalipse, Apocalipse Zumbi, Horror, Mortos Vivos
Visualizações 4
Palavras 3.439
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Luta, Romance e Novela, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá pessoal! Estou de volta com a minha história partindo para o segundo arco da saga. Depois do hiato a história vai voltar normalmente, podem esperar que semanalmente postarei novos e emocionantes capítulos. Espero que gostem do novo capítulo e não deixem de acompanhar. Esse arco será bem mais tenso do que o do primeiro. Espero que se divirtam e continuem torcendo pelos seus personagens preferidos e até a próxima! Boa leitura!

Capítulo 12 - ARCO SOBREVIVÊNCIA: Perdidos.


Letícia mal havia acordado e já entrara em pânico. Seu corpo estava deveras machucado. Principalmente seu estômago que estava sendo comprimido para trás no banco pelo braço de Lazaro, que ainda se encontrava desacordado bem ao seu lado. O helicóptero estava quase em sentido vertical. Estava preso entre grossos galhos de uma árvore. Removendo o braço forte de Lazaro que a cercava, Letícia se colocou praticamente de pé, com um dos pés apoiado na poltrona dianteira. Se ela ousasse desequilibrar, cairia direto pela vidraça do helicóptero que, estava rompida por um enorme buraco ensanguentado.

Foi quando olhou desesperada ao derredor. Ninna havia desaparecido do seu lado esquerdo. Não restara dúvidas de que ela transpassara a vidraça e caíra para fora do helicóptero. Os olhos de Letícia romperam em lágrimas que estavam carregados desde a invasão no forte. Mais a frente, Dayane estava desacordada por sobre o banco do copiloto que assumira na viagem. Letícia não conseguia ver a situação de Tiago, mas enxergava sangue em vários pontos ao derredor do rapaz. Não queria pensar no pior.

Sentiu seus pés arderem um pouco, como se a máquina estivesse febril. Foi quando percebeu a fumaça se expandir ao derredor. O avião estava queimando. Precisavam sair dali depressa. No entanto, os colegas de Letícia ainda permaneciam desacordados.

-Lazaro! –chamou Letícia sacudindo-o com todas as forças que restavam. Mas o mesmo não mostrava sinal de lucidez. Acordava e depois tornava a fechar os olhos. – Lazaro! -Berrou antes de bater com força no rosto do rapaz com uma das palmas. Ele acordou de súbito.

-O que aconteceu?! –exclamou Lazaro aturdido.

-Vamos logo! –chamou Letícia seguindo em direção de Dayane. Para a felicidade dela, Dayane estava recobrando os sentidos. Estava com bem mais danos que Letícia ou mesmo Lazaro.

-Ai, minha cabeça. –disse Dayane.

-Dayane, temos que sair daqui depressa! –gritou aflita.

Foi nesse momento que as chamas começaram a tomar forma. Os pés de Dayane começaram a esquentar forte. O tempo estava acabando para eles.

Dayane intentou em abrir a porta ao seu lado, entretanto um enorme galho da árvore cobria quase que completamente o lado esquerdo da máquina, impedindo que Dayane abrisse a porta ao seu lado e também que pudessem escapar pela lateral no banco dos passageiros. Estavam completamente presos ali dentro e as chamas continuavam a crescer gradativamente.

Fugir pelo buraco no vidro também estava fora de cogitação. As chamas que se formavam naquele local não permitiria ao grupo fugir por ali. Mas ainda havia uma forma de fugir dali. Na máquina havia uma saída de emergência que não estava comprometida por nada. Seria a última rota de fuga.

Rapidamente, Lazaro se apoiou em um dos bancos á sua frente e alcançou a saída. Usando quase toda a força que restara sobre si naquele momento, Lazaro conseguiu romper a saída, abrindo-a. Seus olhos se arregalaram. Mesmo que conseguissem escapar pela saída de emergência e descer para os galhos mais baixos, á distância até o chão ainda era absurda. Porém, era a única saída, a única forma de escaparem vivos daquela situação.

-Letícia venha! –ele gritou para a namorada. Com o apoio de uma das mãos do rapaz, ela pôde transpassar a saída apertada e se colocar de pé por sobre um dos galhos mais próximos. – Agora você Dayane! Rápido!

Lazaro esticou a mão para Dayane para que ela se apoiasse no mesmo, mas ela tinha o olhar em outra coisa, que mudara repentinamente seu semblante para horror. Tiago teve o crânio quase que completamente esmagado contra os controles do helicóptero por conta do peso do próprio corpo e também pelo impacto. Fora muito difícil de ver um de seus amigos de infância ter um final como aqueles. Mesmo receando, agarrou uma pistola que estava caída próxima do cadáver. Além disso, localizou e coletou sua própria arma que também estava caída sob os próprios pés. Em seguida, ergueu uma das mãos e com a ajuda de Lazaro transpassou a saída de emergência com Lazaro logo em seguida.

O trio desceu para os galhos mais baixos da árvore, afastando-se do helicóptero o máximo que conseguiram antes que o mesmo irrompesse em chamas. Uma explosão violenta fez com que os três despencassem do galho em que estavam e caíssem em terra firme com violência.

Felizmente, não fora uma queda tão brusca assim. O gramado e os capins ao derredor da árvore amorteceram o impacto da queda. Mas, algumas pequenas lesões eram inevitáveis.

-Vocês estão bem? –perguntou Lazaro ajudando ambas as garotas a se colocar de pé.

-Não muito. –respondeu Letícia segurando o braço dolorido.

Foi nesse momento que um morto-vivo irrompeu a frente do grupo inesperadamente saltando por sobre Lazaro. A criatura se debatia sobre o rapaz com voracidade. Os dentes quase de encontro com o rosto de Lazaro que lutava para afasta-lo de si mesmo. As forças de Lazaro estavam acabando aos poucos, e seus braços estavam cedendo. Mas, um projetil transpassou as duas orelhas da criatura que cedeu imóvel sobre os braços de Lazaro.

-Temos de sair daqui. –disse Dayane. – As chamas vão atrair muitos mais em nossa direção.

-Mas ainda temos de procurar por Ninna! –exclamou Letícia depois de ajudar Lazaro a remover o corpo que ainda estava sobre ele. – No impacto ela transpassou o vidro do helicóptero. Ela deve estar em algum lugar por aqui.

-Ela deve estar morta! –indagou Dayane.

-Não podemos abandona-la aqui! –repeliu Letícia revoltada com a atitude de Dayane.

Mas Dayane estava certa. Uma manada de mortos já se espreitava pelos bosques próximos de onde estavam.

-Vamos. –concordou Lazaro com um olhar de pânico.

Letícia de forma alguma queria fazer tal coisa. Não com a pessoa que salvou a vida de todos eles. Se não fosse por Ninna, nunca Letícia teria a coragem de sair daquele quarto no campus. Se não fosse pela amiga estaria morta há muito tempo. Não era justo abandona-la ali em meio a todos esses mortos-vivos. Se ela ainda estivesse viva, com toda a certeza não seria capaz de se defender sozinha contra todas aquelas criaturas.

-Não podemos fazer nada, Letícia. –continuou Dayane. – Se continuarmos aqui para procura-la, poderemos morrer. Precisamos escapar.

Letícia se recusava em acreditar no que Dayane estava falando. Ninna nunca abandonaria nenhum deles para morte. Lazaro sabia que Letícia ainda relutaria.

-Letícia olhe para mim. –disse se colocando na frente da moça atônita. – Nós não temos outra escolha! Precisamos sair vivos dessa! Nos encontrar com Felipe e Max e dar o fora dessa maldita floresta! Precisa acreditar em Dayane! Não há outro jeito!

Lazaro dizia todas essas palavras, mas seu coração também se desmanchava por dentro. Era de Ninna que ele estava falando em abandonar ali. A única pessoa que teve coragem de segui-lo em meio ao caos de mortos quando ele enlouqueceu. A única que teve coragem de enfrentar os próprios medos quando uma pessoa que a detestava estava em apuros e ele estava amarelando, escondido dentro de um quartinho.

Mesmo assim, manteve a expressão firme, e por sorte conseguiu convencer Letícia a fugir dali. Seguiram freneticamente por um dos lados em que não se ouvia os gemidos dos mortos-vivos. Não sabia se corriam pelo norte ou sul. Apenas queriam escapar daquele inferno.

 

O interior de uma floresta completamente fechada não é um local muito seguro de estar, principalmente em meio a um apocalipse zumbi. O trio descobriu isso da pior forma. Correram até suas pernas cederem e não poderem dar mais nenhum passo. Muitas vezes tiveram de parar afim de se esconder de algum morto que vagava desnorteado pela floresta. Alguns eram inevitáveis de se esconderem de súbito, os mortos surgiam quando o trio menos esperava. As vezes sós outras em pequenos grupos. Dayane estava ficando sem opções em se tratando de munição. Ambas as armas estavam quase descarregadas.

Foi quando pararam. Letícia imediatamente cedeu. Todos estavam exaustos. Dayane sentou de costas para uma árvore próxima e começou a contar o número de balas que restavam. As gargantas deles estavam totalmente secas. Não beberam água desde que saíram do forte. Estavam desidratando aos poucos. Lazaro percebeu uma grande diferença em sua força. Mal podia levantar os braços de tão fraco. A fome também era um problema.

-Não consigo mais me mover. –revelou Lazaro. – Estou muito exausto!

-Acho melhor acamparmos por aqui hoje á noite. –disse Dayane movendo o tambor da arma que continha apenas três balas. A outra arma só continha duas restantes. Sua expressão facial foi desanimadora. Não tinham poder de fogo para se defender por muito mais tempo. E não tinham mais nenhuma arma restante para usar senão elas. Logo estariam desarmados.

-Não podemos ficar aqui. –falou Lazaro. – Estaremos completamente indefesos.

-Não temos escolha. Já passamos por isso antes. Podemos sobreviver a isso novamente.

-A diferença é que da última vez tínhamos muito mais armas e pessoas para nos proteger.

-Podemos descansar em uma dessas árvores durante a noite. –interrompeu Letícia. – Com isso nós não precisamos nos preocupar com os mortos que surgem na escuridão porque eles não nos encontrarão, nem mesmo conseguirão nos alcançar lá em cima.

-Essa é uma ótima ideia. –concordou Dayane com um sorriso. – Teremos vantagem em visão e proteção.

-Ainda não me sinto muito confortável com isso, mas acho que pode ser nossa única alternativa para sobreviver dentro dessa floresta.

Com o apoio físico de Lazaro, Letícia conseguiu escalar em uma grande árvore próxima de onde estavam. Os galhos dessa árvore estavam a um quatro metros de distancia do solo. Lá estariam completamente a salvos das ameaças que perambulam pela floresta durante a noite.

-Quero que vocês permaneçam aí até eu voltar. –indagou Dayane depois que Lazaro conseguiu se achegar ao lado de Letícia no galho.

-Do que você está falando? Onde pensa que está indo? –exclamou Lazaro.

-Vou seguir em busca de algum alimento pelas proximidades antes que escureça de vez. Procurar por alguns frutos. Temos de comer algo pelo menos.

-Deixe que pelo menos eu vá com você. –disse Lazaro. – Uma pessoa andar sozinha pela floresta pode ser arriscado demais.

-Não se preocupe comigo. Trate de proteger Letícia. Tenho munição o suficiente para correr esse risco. –continuou Dayane armando se com uma das pistolas que carregara. A outra permanecia presa no cinto da própria calça.

Lazaro baixou a cabeça frustrado. Suas ações não eram das melhores. Dayane era quem estava correndo o maior risco por eles. Sentou-se de costas para o caule da árvore permitindo que Letícia se aconchegasse em seu peito. Ambos realmente bastante exaustos. Dayane enfim respirou fundo, levantou a arma na altura dos ombros e saiu lentamente pela floresta.

 

Letícia não conseguia descansar. Por mais que Lazaro dissesse para ela adormecer, a cabeça da mesma estava muito turbulenta para fazer tal coisa. O medo era constante para Letícia. Estava em um local superlotado de mortos-vivos que ansiavam por devora-la. Estava desarmada e não tinha nada para se defender dos mesmos. Nada a não ser por Lazaro que a protegeria com sua vida. Mas, mesmo assim, aquilo não a estava tranquilizando. Até por que mesmo Lazaro também estava assustado. Sentia seu coração pulsar eloquentemente por sob o próprio peito cada vez que ouvia um ruído suspeito nas redondezas.

Alguns mortos passavam vagantes pelas proximidades de onde estavam. Porém, não conseguiam perceber o casal adolescente escondido a alguns metros acima deles. Ambos prendiam até mesmo a respiração por um tempo na hora em que um dos vagantes se aproximara. Horas se passaram desde que Dayane partira em busca de alimentos pela floresta e não retornara. O sol continuava a baixar ao longe fazendo a floresta ficar ainda mais sombria do que era. O tempo estava correndo e Lázaro temia por Dayane.

 

Letícia tremia de frio nos braços de Lazaro. Á noite e a escuridão finalmente havia chegado.  Se não fosse pelo brilho intenso do luar no céu, a visibilidade cairia instantaneamente para zero. Lazaro ainda conseguia ver as silhuetas de árvores e plantas ao derredor, e nada além. O silêncio também era assustador. Um mínimo ruído estranho na escuridão fazia o coração do rapaz acelerar de imediato. Mesmo estando a salvo por sobre o galho.

Letícia finalmente conseguira descansar por sobre os braços do namorado atônito. Lazaro deslizava os dedos pelo extenso e liso cabelo da namorada afim de acalmar a si mesmo. Sentiu que ela estava congelando. O frio aquela noite estava realmente intenso.

Por um momento conseguiu fazer com que sua mente voltasse á alguns meses no passado. Lembrou que em momentos como esse, sempre usava o conforto de seu casaco para proteger Letícia da friagem. Ele era realmente um cavalheiro. Mas agora, tudo o que podia fazer era abraça-la, com o intuito de esquenta-la com o calor do próprio corpo.

Entretanto, ele mesmo também começou a sentir calafrios por conta da friagem noturna. Sua garganta ardia de sede, mas rezava para que não chovesse de forma alguma. Já tinham problemas demais para no fim morrerem congelados daquele jeito. Para sua sorte, aquela noite não estava nublada. As estrelas podiam ser vistas radiantes no vasto céu.

Dayane ainda não dera notícias. Lázaro não detectou sequer um único disparo da arma desde o entardecer. Não cessava de imaginar o que poderia ter acontecido com ela. Se ela estava viva ou morta. Se conseguira escapar de alguma forma. Poderia estar passando a noite escondida em uma árvore assim como ele e Letícia.

Os vultos negros voltaram a aparecer por sob o galho onde eles estavam escondidos. Os mortos vagavam cegos durante a noite. Tropicando em pedras e raízes no solo, e até mesmo esbarrando em árvores. Certa hora, um deles se chocou contra a árvore, onde estavam escondidos, de uma forma tão violenta que Lazaro pensou que estavam sendo atacados. Felizmente, o inimigo não os avistara.

 Lazaro tentou de certa forma relaxar um pouco. Seus olhos começaram a pesar. Mas a paz não durou muito tempo. Letícia o acordou com um olhar preocupado. Ela não precisou falar nada para que Lázaro soubesse do que ela estava assustada.

Uma mulher de meia-idade estava se debatendo contra a árvore com força e fazendo gemidos horripilantes. Era morena e tinha longos e belos cabelos cacheados. Mas, parte do seu rosto estava rasgado, seus olhos estavam vermelhos como sangue e metade de seu braço esquerdo estava faltando. Ela havia os avistado de alguma forma.

Letícia tremia cada vez que a mulher gemia. Gemidos mais altos que o normal. Aquilo poderia ser um grande problema e Lázaro sabia que tinha de resolver o quanto antes.

-Droga. –repeliu enquanto tentava se colocar de pé por sobre o galho. Letícia o agarrou pelo braço de súbito.

-O que pensa que vai fazer? –questionou Letícia.

-Preciso mata-la. Os gemidos dela vão atrair cada vez mais mortos. Se isso acontecer ficaremos presos e não poderemos mais escapar.

Letícia continuou a segura-lo com força. Estava com receio de deixa-lo se arriscar daquele jeito. Lázaro poderia estar caindo em uma cilada horrível, e não possuía arma nenhuma para se defender ou mesmo para matar aquela criatura. Um simples erro e poderia ser o fim para os dois. Entretanto, aquilo precisava ser feito de um jeito ou de outro. Ela cedeu e o soltou.

O morto continuava a gemer alto, tão alto quanto qualquer outro morto-vivo já gemera antes. Talvez o som estava amplificado por conta do absurdo silêncio da noite. Por conta disso, Lázaro precisava se apressar. Desceu para um galho mais embaixo e depois saltou para o solo um pouco distante da criatura que já se aproximava.

Lázaro não conseguia vê-la por completo por conta da escuridão. Mas parte da silhueta do inimigo estava visível e Lazaro devia investir primeiro. Tirou vantagem do membro esquerdo da criatura estar faltando e a golpeou com força com uma das pernas, fazendo-a cambalear. Ela não sentiu dor. Tão veloz quanto á criatura pôde reagir Lázaro a agarrou pelo lado e a jogou contra a árvore fazendo a bater e depois cair ao chão.

Antes que a mesma conseguisse pôr-se em pé novamente, o rapaz pisoteou a lateral da sua cabeça com força várias vezes, até que ela não mais se movesse. Para a sorte de Lázaro ele não conseguiu enxergar o estrago que conseguira fazer com a cabeça da criatura. Seu tênis ficou empapado de sangue e miolos.

Lazaro sorriu triunfante. Mas aquela jogada rápida acabou o desgastando muito. Ele não poderia ficar ali por mais tempo. O risco de ser avistado por outro morto-vivo era muito grande e Lázaro poderia não ter tanta sorte novamente. Aproximou-se da árvore e se preparou para escala-la. Mas um farfalhar de folhas ás suas costas diziam que isso poderia ser tarde demais. Lázaro virou-se velozmente afim de ver seu novo oponente.

Novamente as sombras esconderam grande parte do corpo do desconhecido. Mas Lázaro pode examiná-lo pela silhueta corporal. Tratava-se de outra mulher. Mais alta e aparentemente mais jovem que a anterior. Quase tão alta que Lázaro. Também era muito magra. As roupas estavam banhadas por sangue. Provavelmente o dela mesma. E gemia fracamente. Lázaro se arrepiou por completo ao deduzir quem seria essa pessoa e paralisou. Do alto da árvore Letícia não tinha uma visão melhor do que a de Lazaro naquele momento, mas até mesmo ela deduziu de quem se tratava.

-Dayane? –Lazaro chamou baixinho. A garganta completamente seca quase falhou a palavra.

O ser continuou a se aproximar cada vez mais até que estivesse completamente no campo de visão de Lázaro. Mas não era Dayane.

Lázaro segurou ambos os ombros da mulher zumbificada com as duas mãos, impedindo-a de se aproximar ainda mais. Antes que Lázaro pudesse pensar em fazer qualquer coisa, um outro zumbi surgiu pelo mesmo caminho que a anterior e seguiu em direção dos dois. Era um homem de uns quarenta anos e bem rechonchudo. Seu peitoral cabeludo estava aberto deixando alguns órgãos á vista.

Ele acabou colidindo de frente com a mulher que ainda estava sendo empurrada por Lázaro que agora tinha de suportar o peso dos dois mortos de uma vez. O peso era tanto por sobre os seus braços que ele foi recuando aos poucos até ficar de costas para a árvore em que Letícia estava a observar aflita.

Os braços de Lázaro foram cedendo. O peso era absurdo e ele nada podia fazer para evitar ser morto naquele momento. Suas forças foram se esgotando. Os gritos de Letícia foram se perdendo junto com os sons dos gemidos dos mortos a sua frente. Até mesmo sua visão começou a ficar turva por conta das lágrimas que desciam sem sua permissão. Pensou em seu pai. Pensou em sua mãe. Pensou em Letícia. E se rendeu.

Mas o homem caiu morto pela esquerda e não mais se moveu. Havia um pequeno buraco próximo á orelha direita que sangrava abundantemente.

Foi um tiro.

Os sentidos de Lázaro retornaram novamente junto com sua força de vontade. De alguma forma ele chutou a mulher bem no estômago da mesma, fazendo-a cair alguns centímetros de distância. Dayane surgiu bem na frente do corpo da mulher e disparou contra seu rosto. O disparo foi certeiro e ela, assim como o homem, não tornou a levantar.

Lázaro cedeu sentado ainda de costas para a árvore. Ambos os braços do rapaz latejavam.

-Você está bem? –perguntou Dayane preocupada ao se aproximar.

No entanto Lázaro não conseguiu responder. Ainda estava em choque com tudo aquilo. Havia se entregado a morte.

Bem devagar, Dayane ajudou-o a se levantar novamente. Lázaro aos poucos conseguiu recuperar o fôlego e a própria consciência que havia perdido.

-Desculpe o atraso. –pediu Dayane depois de olhar o estado do casal. Principalmente de Lázaro. – Tive de ser muito cuidadosa para não ser vista e acabei me atrasando muito.

-Sem problemas. –disse Lázaro por fim. – Estávamos muito preocupados com você. Pensávamos que estava morta.

-Não precisei gastar nenhuma munição. Pelo menos não até agora. Consegui me esconder a tempo das manadas e dos vagantes. Algumas vezes precisei ficar escondida por um tempo considerável até que eles fossem embora. Por isso demorei tanto.

-Mas eu acho que a viagem valeu a pena. –continuou Dayane revelando uma jaqueta como um embrulho cheio de frutas. Lázaro sorriu contente.

Sem perda de tempo, os dois começaram a escalar novamente a árvore e se posicionar assentados em seus respectivos galhos. Lázaro sentou-se novamente ao lado de Letícia que o abraçou com força assim que o rapaz se achegou junto a ela. Dayane sentou em outro galho um pouco mais acima. Assim como ela fez com Ninna da última vez.

-Toma. –bradou Dayane ao jogar um objeto circular e avermelhado para Lázaro e outro para Letícia. –Comam. Precisam recuperar suas energias. Teremos um longo dia amanhã. –disse por fim antes de efetuar uma grande mordida na própria maçã.

 


Notas Finais


Até a próxima.


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