História Llorando por dentro. - Capítulo 10


Escrita por: ~

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Palavras 3.315
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Olá, amores. Mais uma vez agradeço pelos comentários e elogios, principalmente do ultimo capítulo. Fico realmente feliz que tenha conseguido passar uma mensagem em relação a esse assunto tão sério e delicado.
Me perdoem por não estar postando todos os dias, mas tem sido bem difícil postar assiduamente no final do semestre. Espero que entendam o meu lado, e que não desistam da fic por uns dias que fico sem postar. É realmente muito difícil conciliar a vida estudantil com a escrita da fic.
Obrigada mais uma vez por tudo! Beijinhos e boa leitura.

Capítulo 10 - Ela sumiu.


 

 

Passaram-se algumas semanas, e tudo pareceu se acalmar. Obviamente, o ocorrido com o Aldo ainda era comentado, mas não com a mesma intensidade de antes. Ele já havia recebido sua pena. Estava sentenciado a manter pelo menos duzentos e cinquenta metros de distância de mim, foi obrigado a sair de casa, foi proibido a frequentar os mesmos lugares que eu, e estava permanentemente proibido de manter qualquer tipo de contato com os meus pais. Isso foi a sentença dada pela justiça, pois além disso, Aldo teve de enfrentar o meu pai, que quase o matou. No fundo, eu sabia que Aldo seria incapaz de me fazer mal, e algumas vezes, achava tudo aquilo desnecessário.

Depois de muita insistência de Fernando (muita insistência mesmo) , decidi ter um acompanhamento psicológico, e ao menos duas vezes ao mês, eu tinha um horário marcado com a psicóloga. Mesmo não achando necessário, eu não podia negar que aquelas consultas estavam me fazendo bem. Todas as vezes, eu saía de lá mais leve. Aos poucos, eu eliminei da minha mente a ideia de que a agressão poderia se repetir ou que qualquer homem com quem eu me relacionasse – embora o único homem com quem eu quero me relacionar é Fernando – seria agressivo ou me maltrataria.

As coisas com Fernando estavam cada dia melhores, e estava praticamente impossível esconder o quanto estávamos apaixonados. Os meus pais e amigos mais íntimos sabiam que, assim que o meu divorcio saísse, eu correria para a igreja mais próxima, e me casaria com Fernando. Eu estava feliz, eu me sentia feliz, e Fernando era a maior fonte e motivo dessa felicidade.

- Bom dia! – Ele entrou sorrindo, ficando de pé em frente a minha mesa.

- Bom dia! – Respondi dando-lhe um dos meus sorrisos mais sinceros. – Como dormiu?

- Adivinha? – Ele escorou-se a mesa, aproximando ainda mais seu rosto do meu. – A senhora roubou o meu sono, e quando eu finalmente consegui dormir, sonhei com a senhora.

Sorri abobada.

- A senhora precisa parar de ser tão possessiva, Dona Lety. – Disse sentando em cima da mesa. – A senhora está por todos os lados. Na minha cabeça, coração, nos meus sonhos, pensamentos, nas minhas insônias, em minha pele. – Suspirou sorrindo. – Cada parte de mim tem algo da senhora.

Era incrível a maneira como Fernando me amava, e fazia questão de demonstrar isso. Estava a todo o tempo me mostrando o quanto estava feliz por me ter ao seu lado de novo, e o quanto estava ansioso para que retomássemos o nosso relacionamento. E comigo não era diferente. Não há um só segundo do meu dia, em que eu não esteja ansiando desesperadamente por Fernando.

- E a senhora? – Disse levantando de cima da mesa. – Como dormiu?

- Não muito diferente do senhor. – Sorri, o olhando. – Passei a noite inteira pensando no quanto eu sou feliz e grata por te amar tanto.

- Dona Lety... – Ele sorriu, tocando meu rosto.

- Seu Fernando... – Sorri, fechando os olhos.

Seu rosto se aproximava a cada instante do meu e sua respiração se misturava a minha. Estávamos a um passo de selar nossos lábios, quando ouvimos batidas nas portas.

Fernando suspirou impaciente, e ergueu seu corpo.

- Entre. – Gritei, prendendo o riso pela reação de Fernando.

Com um olhar desconfiado, Paula Maria entrou na sala.

- Bom dia! – Ela disse olhando para Fernando com o cenho franzido.

- Bom dia! – Respondi olhando para ela. – Algum problema, Paula?

- Não. – Voltou sua atenção para mim. – É que chegou isso aqui para a senhora. – Disse me entregando um envelope.

- Quem deixou isso aqui? – Perguntei virando o envelope, tentando encontrar alguma identificação.

- Não. Apenas deixaram o envelope, e disseram que era para a senhora.

- Estranho. – Disse ainda fitando o envelope. – Mas, obrigada, Paula.

- Por nada. – Sorriu.

Paula Maria saiu da sala, e eu continuei olhando para o envelope. Eu não fazia ideia do que se tratava, tampouco quem havia mandado. Fernando se aproximou, olhando para o envelope da mesma forma que eu. Quase em desespero, abri o envelope, que possuía uma carta dentro. Rapidamente, desfiz as dobras do papel, e devorei as letras, e imediatamente, as reconheci.

- É do Aldo. – Disse olhando para Fernando.

- E o que será que esse imbecil quer? – Perguntou nervoso.

- Eu não sei. – Voltei minha atenção ao papel que estava em minhas mãos.

- Leia, então; - Fernando disse curioso.

Respirei fundo, e tomando coragem, praticamente engoli as frases que ali estavam. Chamei Fernando para mais pero, para que ele pudesse ler a carta comigo. Como combinamos, não manteríamos nenhum tipo de segredo entre nós.

 

“Querida Letícia,

 

Ainda é difícil fechar os meus olhos e lembrar de tudo o que aconteceu, ainda é difícil saber que fui capaz de machucá-la. Eu queria poder dizer tudo pessoalmente, mas com certeza, eu seria proibido de me aproximar de você, e com razão. Eu fui um idiota, e não existe um só minuto em que eu não repita isso para mim mesmo.

Lety, eu sei que o que vou pedir agora é difícil, mas peço que me perdoe. Sei que é difícil acreditar em mim depois de tudo o que fiz, mas eu me arrependo, e muito. Não só da agressão, mas de tudo. De deixar nosso casamento escorrer pelos meus dedos. De não valorizar a linda mulher que eu tinha, e procurar em outros lugares o que eu encontrava em casa. Por ter dito coisas tão horríveis, que quero deixar claro que nenhuma daquelas palavras era verdade.

Você é uma mulher maravilhosa, Letícia, e quero que seja feliz. Não denunciei o Fernando pela agressão, porque sei que faria a mesma coisa se estivesse no lugar dele. Sei também o quanto você sofreria se o visse sendo prejudicado ou até mesmo preso. E eu não suportaria vê-la sofrer, não mais.

Desejo a você e ao Fernando uma felicidade inimaginável. Sei que pode parecer irônico o seu futuro ex-marido desejar isso, mas acredite, é sincero. É sincero porque sei o quanto você o ama, e nesses dois anos eu apenas confirmei isso. Eu confirmei desde que você desistiu de casar na igreja, e insistiu em não acrescentar meu sobrenome no final do seu nome. Você já tentou justificar suas escolhas, e mesmo aceitando e fingindo acreditar no que você disse, eu sabia que você não quis subir ao altar comigo, porque você desejava estar ali com ele. Eu sabia que você não quis o meu sobrenome, porque era o sobrenome do Fernando que você queria para você e os seus filhos.

Mas eu te agradeço.  Agradeço porque mesmo amando outro, você não poupou esforços para me fazer feliz nesse tempo em que estivemos juntos. Agradeço por sacrificar a sua felicidade pela minha. Agradeço por fingir que estava bem por mim, mesmo quando não estava bom para você.  Eu agradeço por tudo, Lety.

Eu voltarei para o litoral, e tentarei reconstruir a minha vida, e eu espero que você faça o mesmo. Seja feliz, Lety. Seja feliz ao lado do homem que você realmente ama. Seja feliz ao lado do homem que você sempre amou.

 

Com amor,

Aldo Domenzaín.”

 

Eu encarava o papel em minhas mãos com os olhos marejados, e sentando pesadamente em minha cadeira, suspirei alto. Eu não sabia o que pensar, nem o que dizer. Eu não sabia se poderia realmente acreditar no Aldo, eu simplesmente não consegui pensar em mais nada.

Fernando estava tão atônito e surpreso quanto eu, e eu o entendia.

- Como você se sente? – Ele perguntou, sentando-se na cadeira frente à minha mesa.

- Confusa. – Respondi sincera, soltando um alto suspiro. – Muito confusa.

Ele me olhou, induzindo que eu me explicasse.

- Eu não se sei se devo acreditar nele. – Encarei a mesa. – Se você me perguntasse se eu acreditaria nele há uns meses atrás, eu estaria convicta em dizer que sim, mas... – Deixei minha frase morrer.

- Ah, Dona Lety, não precisa se preocupar com nada. – Segurou minha mão, sorrindo pequeno. – Se o que estiver nessa carta for verdade, ótimo. Mas se não for, eu estarei aqui para de proteger de qualquer coisa que ele esteja tramando. – Beijou minha mão.

Sorri, olhando seu gesto carinhoso.

- Mas, para ser sincero, não acredito que ela esteja mentindo.

Agora foi minha vez de encará-lo, cobrando explicações.

- O que ele tem a ganhar se fazendo de bom samaritano? Nada. – Ele soltou minha mão, se levantando. – E se alguma coisa acontecer a um de nós dois, ele será o primeiro suspeito.

- É o senhor tem razão. – Suspirei.

- Mas, não se preocupe com isso, está bem? – Ele caminhou até minha cadeira, posicionando-se atrás dela. – Como eu disse, eu estarei aqui para te proteger, e eu não permitirei que nenhum mal de aconteça.

- Eu sei. – Sorri, erguendo minha cabeça completamente, olhando-o. – E te agradeço por isso.

 

 

•••

 

Fernando

 

Embora eu não tenha gostado nada, nada da carta do pasteleiro, eu me senti aliviado. Alguma coisa me diz que ele está sendo sincero, e isso me tranquiliza. Me tranquiliza saber que ele se arrependeu realmente do que fez, e que deseja que Letícia seja feliz, mesmo estando do meu lado.

Eu estava sentado de frente a sua mesa, como estávamos costumados desde há algumas semanas. Resolvemos trabalharmos na mesma sala, pelo menos quando houvesse necessidade de resolvermos ou fazermos algo juntos. Estávamos reajustando o orçamento de um dos comerciais, quando seu celular tocou dentro de sua bolsa. Ela continuou olhando para os orçamentos, como se o celular não estivesse emitindo nenhum tipo de som.

- A senhora não vai atender? – Perguntei curioso.

- Não. – Respondeu sem me olhar. – Não deve ser nada importante.

- A senhora não vai saber se não olhar. – Tomei o orçamento de suas mãos, e ela olhou para mim.

Ela suspirou, e me olhando divertida, pegou o celular da bolsa.

- Letícia Padilla Solis, falando. – Disse engrossando a voz, e sorrindo divertida, sentando-se espojada na cadeira. – Ah, oi doutora. – Seu sorriso diminuiu, e ela ergueu seu corpo. – Aconteceu alguma coisa? – Ela se manteve em silencio, ouvindo o que estavam dizendo no outro lado da linha. – Tem certeza disso? – Perguntou levemente eufórica. – Eu posso, claro que posso. Estarei indo agora mesmo. – Ela sorriu animada. – Obrigada! Muito obrigada! – Ela sorriu, colocando o celular sobre o peito.

Ela continuava olhando atônita, com um breve sorriso nos lábios. Parecia estar em outro lugar, como por exemplo, nas nuvens.

- O que foi? Quem era? O que queriam? – Perguntei extremamente curioso.

- Não posso dizer nada agora. – Ela disse se levantando e pegando sua bolsa. – Não sei à que horas volto, então, a presidência está em suas mãos. – Ela beijou minha testa. – Se cuida!

E sem esperar nenhuma resposta ou reação, ela saiu na sala como um raio. Continuei olhando a direção em que ela saiu, tentando decifrar o que a faria sair dessa forma no meio do expediente.

Suspirei confuso, e dando a volta a mesa, sentei-me na cadeira da presidência. Era engraçada a sensação nostálgica que aquele pequeno ato causou em mim. Há um tempo atrás, eu era quem estava nessa cadeira, e a Lety era quem ocupava a minúscula sala ao lado. Sorri com as lembranças, e suspirando alto, voltei minhas atenções ao trabalho.

 

 

 

•••

 

 

- Parece que as coisas estão se resolvendo entre vocês, não é? – Omar sorriu, batendo em meus ombros. – É bom ter meu amigo apaixonado de volta.

- É muito bom, Omar. – Eu sorri. – Eu estou feliz, Omar. Eu estou realmente feliz.

- Dá para ver de longe, Fernandinho. – Disse brincando com a comida em seu prato.

Ri de seu comentário, bebendo um pouco de suco.

- Ah, irmão, eu senti falta disso por dois anos. Nós dois almoçando juntos, no nosso restaurante favorito. – Ele suspirou, soltando o garfo no prato. – Mas muita coisa mudou, não é mesmo?

O olhei, esperando que ele me dissesse o que havia mudado.

- Há um tempo atrás, estaríamos olhando qual dessas mulheres convidaríamos para sair. – Ele olhou ao redor, sorrindo para uma mulher que o olhou estranhamente. – Não estaríamos bebendo suco, mas já estaríamos bebendo um belo copo de uísque para nos abastecermos para a noite.

Sorri, concordando com seu pensamento.

- Agora estamos aqui, completamente apaixonados. – Ele escorou-se em sua cadeira.

- Eu me surpreendo com você. – Disse sorrindo. – Você era quem vivia falando que o amor era para os idiotas.

- O meu passado me condena. – Ele disse rindo.

- O nosso, Omarzinho. – Cruzei os braços, olhando para ele.

- Mas, me diga. – Ele ergueu seu corpo. – Como anda o processo de divórcio? Pelo que você me contou, graças a traição e a agressão do Aldo, o divórcio será bem mais rápido.

- É o que eu achava, Omar. Mas parece que quanto mais o tempo passa, mas distante a anulação de casamento da Lety fica. – Disse desanimado. – Já se passaram oito semanas desde o pedido de divórcio, Omar. OITO SEMANAS. – Dei ênfase às duas últimas palavras.

- Isso é apenas ansiedade, irmãozinho. – Omar disse sorrindo. – Oito semanas são só... – Ele parou de sorrir, e contou algo nos dedos. – São só dois meses. – Ele voltou a sorrir, satisfeito com o seu cálculo. – Dois meses não é nada para um divórcio. Eu conheço casos que o processo de divórcio se arrasta por anos.

- Você não está me ajudando, Omar. – Disse impaciente.

- Mas não é o caso da Letícia. No caso dela, tanto ela quanto o Aldo aceitaram o divórcio. – Omar se inclinou sobre a mesa. – E no caso dela, houve adultério e traição. – Ele sussurrou.

Eu suspirei nervoso.

De fato, Omar tinha razão. Dois meses para que um processo de divórcio seja resolvido, é como se fossem duas horas. Eu deveria agradecer que em dois meses, o processo já estava avançado, e mesmo sem saber quando, eu sabia que o divórcio sairia em breve. Mas, eu não conseguia mais aguentar.

 Letícia e eu combinamos de esperar até o divórcio para nos assumirmos como um casal, e para sermos um casal. Nós não nos beijávamos com muita frequência, pois ela sentia que estava traindo o Aldo, e segundo ela, ela não queria fazer com ele o que ele fez com ela. Mas ter Letícia ao meu lado sem poder fazer nada, é extremamente insuportável. Só Deus sabe como foi difícil para mim estar na mesma cama que ela, sem poder abraçá-la, beijá-la e acariciá-la. Meu corpo tinha urgência de Letícia, e estava cada dia mais difícil controlar isso.

 

 

 

•••

 

 

Letícia não havia chegado, e para terminar de completar minha aflição, ela não atendia nenhuma das minhas ligações. Eu não conseguia mais me concentrar no trabalho, e se eu já tive unha algum dia, elas não existiam mais.

Nervoso, preocupado e angustiado, saí da minha sala, indo em direção a sala de Carolina. Meu nervosismo não me permitiu bater na porta, e antes que eu pensasse em alguma coisa, eu já estava dentro de sua sala.

- Pode entrar, Fernando. – Ela disse ironicamente.

- Desculpe, Carol. – Disse dando dois beijos em cada lado do seu rosto. – É que eu estou muito nervoso.

- Estou vendo. – Sorriu. – Mas o que aconteceu?

- A Letícia. – Disse sentando na cadeira frente a sua. – Ela saiu desde antes do horário do almoço, e não chegou até agora. Ela não atende as minhas ligações, e não disse para onde ia. – Me levantei nervoso, ficando de costas para Carol.

- Ela pode ter simplesmente ido resolver algo sobre algum comercial. – Carol disse.

Eu a olhei por um tempo, mas não aguentando mais de nervosismo, comecei a andar de um lado a outro pela sala.

- Você pode se acalmar, por favor. – Perguntou me acompanhando com o olhar. – Está me deixando zonza.

- Eu conseguiria me acalmar se ela não tivesse recebido uma carta do Aldo, e uma ligação misteriosa logo depois. – Disse irritado, parando de andar, e encarando Carolina. 

- Carta? – Carol também se levantou. – Que carta?

- O Aldo! – Exclamei com raiva. – Ele deixou uma carta bem típica dele, esbanjando doçura. Dizendo o quanto ele estava arrependido, e o quando ele queria que a Lety fosse feliz ao meu lado. – Disse o imitando de maneira debochada. – Como eu fui idiota em deixar Letícia sair sozinha depois desse maldito telefonema.

- Que telefonema, Fernando? – Carolina perguntou nervosa. – O Aldo também ligou para ela?

- Não. – Disse socando o ar três vezes. – Ele mandou uma carta cheia de bons desejos, até parecia um discurso da miss universo. E em seguida, a Lety recebeu um telefonema, e saiu desesperada, sem ao menos dizer do que se tratava a maldita ligação.

- Você acha que o Aldo pode ter... – Ela sentou pesadamente a cadeira, olhando para um ponto fixo.

- Eu não sei o que eu acho, Carol. Mas do Aldo eu não me surpreendo com mais nada. – Suspirei pela boca. – Eu preciso encontrar a Letícia.

- Você já tentou ligar para os pais dela? – Carol perguntou.

- N...Não. – Disse me sentindo o pior idiota de todos por não ter pensado nessa probabilidade.

Carol me olhou em repreensão, e discando um número em seu celular, o levou até seu ouvido.

- Alô? Senhor Erasmo? Aqui é a Carolina. – Ela sorriu. – Muito bem, e o senhor? – Ela se manteve em silencio, e me olhou como se implorasse por ajuda. – Fico feliz que o filho do seu tio Lázaro tenha se recuperado. – Ela suspirou nervosa. – Na verdade, eu liguei para saber se a Lety está ai? – Ela me olhou tensa. – Não, não aconteceu nada. Não se preocupe. – Ela sorriu. – Obrigada!

Carol suspirou pesadamente, e praticamente jogando o celular na mesa, me olhou com pesar.

- E então? – Perguntei já temendo a resposta.

- Ela não está lá.

Passei a mão pelo meu rosto, tentando conter meu nervosismo.

- Fernando, você precisa ficar calmo. – Carolina disse, se aproximando.

- Como você quer que eu fique calmo, se a Letícia simplesmente não me deu um sinal de vida desde que saiu? – Perguntei indignado. – E se não se lembra, o homem que a agrediu há umas semanas, está solto por ai.

- Mas ele não pode se aproximar dela. – Carol retrucou tentando amenizar a situação.

- Mas as pessoas não sabem disso. – Disse mais alto do que deveria. – E se ele tiver armado algo contra ela, e nesse momento ela esteja em cárcere privado, precisando de mim? – Senti meus olhos marejarem. – Eu não respondo por mim se aquele homem tocar na Lety mais uma vez.

- Fernando, se acalme. – Carol tocou meu braço, me olhando com pesar. – Você não pode sair acusando o Aldo, porque até então, não sabemos se ele está envolvido no suposto sumiço de Letícia.

- E o que quer que eu pense, Carol. – Disse soltando seu braço do meu, nervoso. – É muita coincidência a Lety receber uma carta do Aldo, e poucos minutos depois, receber uma ligação misteriosa. – Suspirei.

Carol se manteve em silencio dessa vez. Ela também estava preocupada, e por mais que tentasse negar, eu sabia que ela estava pensando e suspeitando o mesmo que eu. Letícia não tem o costume de sair sem avisar, e nunca ignora as minhas ligações. Algo está errado. Algo muito estranho está acontecendo, mas eu não faço ideia do que pode ser.

A minha cabeça pesava a cada vez que eu me esforçava para pensar em que raios Letícia poderia ter se metido. Eu não gostaria de ter os pressentimentos que tinha, e dentro de mim, eu implorava para que tudo isso seja só uma mera coincidência. Mas os pontos se ligavam, e me faziam chegar a conclusões que eu não gostaria de chegar.

Eu estou com medo. Medo do que pode ter acontecido. Medo de que isso estrague os nossos planos. Eu estou a um passo de retomar minha relação com Letícia, e eu não suportaria se algo desse errado. Eu não suportaria perdê-la de novo. Eu não suportaria ter que conviver mais uma vez com sua ausência.


Notas Finais


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