História Llorando por dentro. - Capítulo 11


Escrita por: ~

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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 11 - Sequestro.


Fanfic / Fanfiction Llorando por dentro. - Capítulo 11 - Sequestro.

 

O final do expediente já havia chegado, e Letícia não deu um sinal de vida. A empresa, aos poucos, se esvaziava, e eu me sentia cada vez pior. Eu gostaria de sair e procurar por ela, mas eu não fazia ideia de onde ela havia se enfiado. O medo, preocupação e nervosismo, já me consumiam vivo.

Liguei pro seu celular mais uma vez, sem aguentar mais continuar sem notícias, saí da sala. A impaciência não me permitiu esperar pelo elevador, e como um furacão, desci as escadas. Yasmin, que ainda estava na recepção, me olhou assustada, mas eu não fiz questão de tentar me explicar.

Ao sair da empresa, corri em direção do estacionamento, mas um carro em especial que estava sendo estacionado, me chamou a atenção. Era o carro de Letícia. Senti um misto de alivio, felicidade e aflição ao mesmo tempo, e inevitavelmente senti meus olhos marejados só pelas coisas que passaram por minha mente no tempo em que ela esteve “desaparecida”.

Ela abriu a porta do carro, e quase em desespero, a puxei para um abraço apertado, antes mesmo que ela fechasse a porta. Meu coração estava batendo feito um louco, e eu senti que a qualquer momento ele sairia pela minha boca. Uma sensação que incontrolável me tomou, e em meio ao abraço, antes que Letícia dissesse qualquer coisa, eu a puxei para um beijo.

Senti uma carga de preocupações se esvaírem do meu corpo, e a medida que eu beijava Letícia, sentia uma tranquilidade e paz inimaginável. Eu não me importei se haviam pessoas ao redor, o que diriam ou pensariam. Mas o medo de perder Letícia, me fez ver que eu não poderia mais esperar. Aos poucos a intensidade dos beijos foi diminuindo, e ofegantes, paramos o beijo com selinhos demorados.

- O que aconteceu? – Disse ofegante, com a testa colada a sua. – Eu estava tão preocupado.

- Uau, eu preciso sumir mais vezes. – Sorriu divertida. – Eu tive algo muito sério para resolver, e eu ainda não posso te contar. – Disse tocando meu rosto.

- Ai, Dona Lety, eu pensei em tanta coisa. – Me afastei do abraço, e segurei suas mãos. – Eu não sei o que eu faria se eu te perdesse. Eu me senti tão angustiado.

Ela sorriu terna, e eu notei que seus olhos estavam marejados.

- Eu tentei te ligar, mas a senhora nunca atendia. – Beijei sua mão. – Eu pensei que morreria de tanta preocupação.

- O senhor é tão lindo. – Sorriu terna. – Mas eu estou bem. Eu tive que resolver umas coisas, e acabei deixando o celular dentro do carro.

-Que coisas? – Perguntei curioso.

- Eu não posso dizer. – Ela sorriu marota, me puxando pelo braço.

- Para onde está me levando? – Perguntei, sendo arrastado por ela.

- Eu vou... Te sequestrar. – Sussurrou as duas ultimas palavras.  – Vamos, entre. Não me obrigue a usar a força. – Disse abrindo a porta do seu carro, me empurrando para dentro dele.

- Mas e o meu carro? – Disse olhando para o meu carro, através do vidro da janela.

- Seu Fernando, isso é um sequestro. – Disse entrando no carro. – O senhor deveria estar preocupado com a sua vida. Eu posso matá-lo. – Sorriu maliciosa. – O carro é o de menos.

O olhei divertido, colocando o cinto de segurança.

- Tome, precisa usar isso. – Disse me entregando um lenço.

Olhei para o lenço em minhas mãos, e com as sobrancelhas erguidas, voltei a olhá-la.

- Cubra os olhos. – Disse sem me olhar, colocando o cinto. – Não quero que o senhor veja o caminho do seu cárcere. O senhor pode contatar a polícia, e não é isso que queremos. – Sorriu colocando seus óculos escuros.

- Por que a senhora está com óculos escuros, se são quase seis e meia? – A olhei. – O sol já se foi.

- Não quero que me reconheçam. – Me olhou, tomando o lenço de minhas mãos.

- Claro, porque ninguém vai te reconhecer com esse óculos. – Disse irônico.

- Seu Fernando, o senhor está me dando muito trabalho com esse sequestro. – Disse cobrindo meus olhos com o lenço. – Eu terei que sedá-lo a qualquer momento. – Amarrou o lenço na parte detrás da minha cabeça, apertando o nó com força. – Assim está ótimo.

Eu cruzei os braços, virando o rosto para a direção em que ela estava sentada.

- Está vendo alguma coisa? – Perguntou.

- A senhora quase cravou esse pano dentro do meu globo ocular, é impossível ver qualquer coisa. – Respondi irritado.

- Assim está ótimo! – Ela parecia estar sorrindo.

- Eu tenho direito a uma ligação? – Perguntei.

- Não. – Disse dando partida no carro. – Nesse sequestro, não há resgate que o liberte de mim. – Arrancou.

 

Durante todo o caminho, eu pensei em algum lugar onde Letícia poderia me levar, mas nada me vinha à mente. Nós conversávamos durante todo o caminho, e ela se negou a me dizer onde esteve toda a tarde todas as vezes em que perguntei.

Ela parecia animada com o tal “sequestro”, e isso acabou me contagiando. Mesmo sem saber para onde iríamos ou o que faríamos, a sensação de saber que Letícia planejou passar uma sexta feira ao meu lado, me deixava feliz.

Já estávamos há uns quarenta minutos dentro do carro, e eu já começava a sentir fome. A preocupação me tirou o apetite, mas a fome veio com toda a força, enquanto ainda estávamos dentro daquele carro, indo sabe-se lá Deus para onde.

- Já estamos chegando? – Perguntei. – Estou morrendo de fome!

- Em trinta minutos. – Letícia respondeu.

- Se eu ficar mais trinta minutos sem comer, a senhora vai sequestrar apenas o meu cadáver. – Disse passando a mão no estomago. – Não está escutando meu estomago rogando por um pouco de comida?

- Não seja exagerado. – Ela disse rindo. – Mas eu acho que tenho uma barra de cereal dentro da bolsa, serve?

Suspirei irritado, cruzando os braços. Letícia parou o carro, e eu ouvi o barulho do zíper da sua bolsa se abrir.

- Toma. – Colocou a barrinha em minha mão. – É de chocolate.

Com muita dificuldade, consegui abrir a embalagem, e eu podia ouvir o seu riso enquanto eu tentava abrir. Quase em desespero, coloquei a barrinha dentro da boca, sentindo uma sensação maravilhosa. Eu nunca fui do tipo de pessoa que sentia muita fome, mas quando isso acontecia, era pra valer. Letícia arrancou mais uma vez, seguindo rumo ao meu cárcere.

Os minutos foram se passado, e eu e Letícia conversávamos sobre todos os tipos de assuntos possíveis. Era como se sempre estivéssemos juntos, como se nada houvesse nos separado.  Era incrível como nossa cumplicidade permanecia intacta, e dia-a-dia, ela se solidifica ainda mais.

Estávamos entretidos no assunto, quando senti a velocidade do carro perdendo a força.

- O que foi? – Perguntei curioso. – O carro quebrou no meio do caminho?

- Não! – Ela disse meio a um riso. – Apenas chegamos.

- Graças a Deus! – Disse tirando o cinto. – Eu já posso tirar isso? – Me referi ao lenço.

- Não, ainda não. – Respondeu rapidamente. – Apenas saia do carro, e espere que eu diga quando pode tirar o lenço.

Bufei irritado, abrindo a porta do carro.

Depois de alguns segundos, senti Letícia se aproximar, e seguindo minha intuição, virei meu rosto para o lugar onde eu supus que ela estava.

- Eu já posso tirar? – Perguntei.

- Eu estou aqui. – Disse virando meu rosto para o outro lado. – E aguarde só mais alguns segundos. Não seja tão impaciente.

Suspirei irritado.

- Venha. – Ela entrelaçou sua mão a minha.

Guiado por Letícia, segui por um caminho que eu não fazia a mínima ideia para onde me levaria. Estávamos em silêncio durante todo o percurso, quando ela soltou minha mão, me fazendo parar.

- O senhor pode se abaixar um pouco, para que eu possa desatar o nó? – Perguntou.

Sorri com sua pergunta, e me abaixei um pouco. Ela colocou suas mãos na minha nuca, e passando sua unha por ela, começou a desatar o nó. Obviamente, senti meu corpo protestar em arrepio, com seu toque. Aos poucos, fui sentindo o tecido em meus olhos ficando cada vez mais frouxo. Não sei por qual motivo, mas continuei com os olhos fechados.

- E aqui é o seu cárcere. – Disse Letícia, tirando o tecido por completo dos meus olhos.

Aos poucos, fui abrindo meus olhos, e ao me dar conta de onde eu estava, senti meus olhos marejar. Olhei para ela com a boca semiaberta, e ela sorriu terna. Milhões de lembranças correram por minha mente, e oficialmente, sento que estava vivendo um recomeço ao lado de Letícia.

 

 

 

•••

 

Letícia

 

Ele não esboçou qualquer reação, o que me deixou mais nervosa. Seus olhos percorriam cada milímetro do local, enquanto sua respiração ficava cada vez mais pesada. Eu não sabia ao certo o que se passava em sua cabeça, e seu silêncio se tornou atormentador.

- Aqui é a...

- ... A serra. – Respondi sorrindo, entrelaçando sua mão a minha. – Estamos recomeçando, e nada mais justo que recomeçarmos aqui.

Me virei para ele, ficando rente ao seu corpo.

- Aqui onde eu senti coisas que nunca imaginei ser capaz de sentir. – Sorri emocionada. – Aqui eu senti que liguei a minha alma a sua. Eu senti que éramos um.

Ele continuou olhando ao redor, atônito. Suas expressões não me permitiam saber se ele havia ou não gostado da surpresa que preparei. Comecei a ficar preocupada, e achar que trazê-lo não havia sido uma boa ideia.

- Não vai dizer nada? – Indaguei ansiosa. – O senh... Você gostou?

- Se eu gostei? Você me trouxe para a serra onde nós nos amamos com a alma. Onde nós nos amamos sem precisar nos tocar. – Seus olhos lacrimejaram. – Aqui nós nos refugiamos de tudo e de todos. Aqui o mundo foi só nosso, e apenas um existia pro outro. Aqui nós entendemos finalmente o que é amor. – Disse dando uns passos à frente, e eu o acompanhei. – Aqui também sonhamos o mesmo sonho. Sonho esse que nós vamos realizar. – Disse abraçando-me por trás.

Sorri contente e aliviada.

Eu estava completamente envolvida em seus braços, e aquilo me trazia paz. Enquanto os funcionários da serra se encarregaram das malas, nós continuamos ali. Continuamos contemplando o show que a lua juntamente com as estrelas nos proporcionava. Ficamos ali por vários minutos, e quando finalmente cansamos de ficar de pé, nos deitamos na grama do jardim. Seus braços me envolviam num abraço terno, na intenção de me proteger do frio, e enquanto o via tão sereno e calmo ao meu lado, comecei a imaginar o quanto eu sou sortuda por saber que ele é só meu.

Por alguns segundos, apenas agradeci a Deus pela dádiva que me foi concedida ao me apaixonar por ele. Agradeci por saber que seu coração era meu. Agradeci por ser tão amada, e cada caricia sua me fazia sentir isso.

E não exagero ao dizer “a cada caricia”, pois, cada demonstração de carinho vindo dele me provava a imensidão do seu amor. Cada olhar, cada toque, cada abraço ou forma de afeto, era uma nova evidência de que sou amada por ele. E quando finalmente agradeci me peguei perguntando se eu era merecedora, e então, emocionada, o olhei.

- Fernando, vai soar muito clichê o que eu vou dizer agora, mas... – Sorri envergonhada

- O quê?  – Ele me devolveu o riso.

- Vai soar muito ridículo. – Disse ainda sorrindo

- Me diz, por favor. – Ele pediu juntando as palmas das mãos.

- Então, lá vamos nós. – Respirei fundo e iniciando minha fala. – Nem essa imensidão de céu, nem a inúmera quantidade de estrelas que o estampa, conseguem alcançar o tamanho do meu amor por você. – Sorri, o que me fez parecer ainda mais boba.

Eu sei! Pareceu brega. Mas o que poderia fazer? Estava diante do amor da minha vida, estava amando de uma maneira que jamais imaginei poder amar. Mas a verdade é que por mais ridículo e estúpido que parecesse, eu ficaria até os últimos instantes da minha vida me declarando, e admirando o brilho de seus belos olhos castanhos, ao ouvir minhas palavras.

- Que lindo, Dona Lety. – Ele disse emocionado. – E isso não te faz boba, te faz ainda mais doce e...

- Calma, eu ainda não terminei. – Disse fazendo-o se calar. – Eu te amo demais, Fernando, mais do que um dia pensei que seria capaz de amar.

- Eu te amo muito, Letícia. Você não sabe o quanto. – Sua voz embargou por alguns segundos. – E como prova do meu amor, eu juro que vou te amar pra sempre, e independente do que haja, prometo que nada será capaz de nos afastar de novo. Eu prometo lutar contra tudo e todos que se opuser ao nosso amor.

Eu não sabia ao certo o que fazer, nunca havia escutado algo tão lindo e sincero. Meus olhos se encheram de lagrimas de forma automática.

- Nosso amor é pra sempre, Fernando. – Toquei seu rosto.

- Pra sempre é tão pouco para mim. Nosso amor é eterno. É imortal! E ainda que ele morra, assim como a Fênix, ele renascerá das cinzas. – Seus olhos escuros se converteram em faróis luminosos, enquanto as lágrimas o inundavam.

Suas palavras e juras de amor me silenciaram, sempre faziam isso. Suas palavras sempre me deixavam sem respostas, sem argumentos, sem saída. Com o Aldo, eu sentia que bastava um jantar romântico, ou elogiá-lo por algo, e eu havia feito o suficiente. Mas com o Fernando é algo anormal. Eu sento a necessidade e carência de provar o meu amor de forma repetitiva, constante e contínua.

Então, na tentativa de retribuir a felicidade que suas palavras me proporcionavam, envolvi meus braços em seu pescoço, o puxando para um beijo.

A noite, a amante e confidente dos apaixonados, foi a testemunha do nosso amor. E a lua conspirando ao nosso favor, eternizou aquele momento.
Entre o beijo, sorrimos. Parecíamos dois adolescentes que namoravam pela primeira vez.
Interrompemos o nosso beijo finalizando-o com um selinho, e ficamos nos olhando por minutos. Eu sorria de forma abobada, podia jurar que parecia uma deficiente mental. Já ele... ele sorria de maneira terna e sincera. Me perdi de forma hipnótica em seu sorriso, e fui despertado do transe pela sua voz.

- Vamos subir? – Pediu.

- Vamos! – Sorri entrelaçando sua mão a minha.

Finalmente, deixamos o jardim, e caminhamos em direção ao nosso quarto.

 

 

 

•••

 

 

Resolvi escolher o mesmo quarto que ficamos da ultima vez, e ele não havia mudado em nada. Fernando estava escorado a janela, olhando através dela. Ele parecia perdido em seus próprios pensamentos, quando eu me aproximei, abraçando-o por trás.

- Em que está pensando? – Perguntei, olhando-o.

- No quanto eu estou feliz. – Ele virou-se para mim, segurando meu rosto entre as mãos. – No quanto você me faz feliz, Lety.

Ao ouvir a ultima palavra, que por sinal era meu apelido, senti meu coração a um passo de sair da boca. Ele havia me chamado como antes, antes de tudo. Não houve o “dona” antes, foi simplesmente o meu nome. Mesmo sendo algo bobo, aquilo fez meu coração arder em alegria.

- O senhor me chamou de... Lety. – Sorri. – Eu senti tanta saudade de ouvir isso.

- E eu senti saudades de dizer. – Acariciou seu rosto. – Nós não podemos mais nos tratar por “senhor” ou “senhora”. O seu divórcio está prestes a sair, e...

- Fernando, eu concordo com você que não devemos mais nos tratar com tanta formalidade, mas... – Mordi levemente o lábio inferior, tensa. – O meu divórcio não está prestes a sair.

Seu semblante mudou de repente, e toda a alegria que estava estampada em seu rosto pareceu se esvair.

- Como assim, o seu divórcio não está prestes a sair? – Perguntou nervoso. – Eu pensei que já estava quase tudo pronto. O que houve?

Eu o olhei triste, e me afastando dele, segui em direção a minha bolsa. Ele permaneceu parado, provavelmente irritado por eu tê-lo deixado ali plantado. Ele estava de braços cruzados quando eu voltei, segurando um papel em minhas mãos.

- O que é isso? – Apontou para o papel.

- O meu divórcio não está prestes a sair... – Disse abrindo um largo sorriso. – O meu divórcio já saiu, Fernando! – Disse animada. – Eu já estou livre para o senhor, eu já estou livre para nós dois.

Eu não pensei que seria tão libertador dizer isso, mas foi. Era como se eu estivesse presa, e finalmente tivesse conseguido minha liberdade. Olhei sorrindo para Fernando, notei que seus olhos se embaçarem com as lágrimas. Nunca em toda a minha vida, pensei que poderia estar mais feliz. Nunca uma noticia foi capaz de causar o que eu sentia naquele exato momento.

Movido pela felicidade e alegria do momento, ele seus braços em minha cintura, e abraçando-me forte, me tirei do chão. Eu gargalhei alto, tombando a cabeça para trás. As lágrimas rolaram por seus olhos, e colocando-me no chão, me puxou para um beijo apaixonado. Enquanto nos beijávamos, tentei expressar tudo o que eu sentia através daquele beijo. A felicidade que sentia, era tanta a ponto de tornar-se incomoda. Ainda nos beijávamos com fervor e urgência, e ao parar o beijo, ele me olhou com os olhos marejados.

- Eu te amo, Letícia! – Disse ofegante. – Só Deus sabe o quanto.

- Eu também te amo, Fernando. –Meus olhos estavam embaçados. – Mais do que qualquer outra coisa.

Voltamos a nos beijar, dessa vez com mais urgência e fervor. Ele envolveu suas mãos em minha cintura, e eu coloquei minhas mãos em volta de sua nuca, pressionando ainda mais seus lábios aos meus. Rapidamente, deslizei minhas mãos por seu braço, e colocando minha mão por dentro do seu paletó, o tirei, fazendo-o deslizar pelos braços de Fernando.

Sem quebrarmos o beijo, ele me guiou até a cama, deitando-se sobre ela. Eu me deitei sobre seu corpo, ainda o beijando. Ele se levantou rapidamente, indo em direção ao banheiro. Ele segurava um preservativo, e colocando em cima do criado-mudo ao lado da cama, voltou a se deitar. Seus beijos voltaram a tomar meus lábios, com ainda mais desejo. De repente, o ambiente começou a perder seu espaço, e tudo parecia mais quente. Em um impulso, levei minhas mãos ao seu peito, desabotoando os botões de sua camisa. Na proporção em que eu desatava os botões, espalhei beijos por seu peitoral e abdômen. Ele suspirou alto, e eu sorri vitoriosa. Com os pés, ele tirou seus sapatos, e aquilo era sinal de que eu estava autorizada a tirar sua calça.

Me sentei em seu colo, ainda o beijando, e levando minha mão ao cós de sua calça, desatei o cinto. Aproveitando as posições, Fernando tirou minha blusa com delicadeza, jogando-a para qualquer canto no quarto. Ele parou o beijo, e olhou para meu busto. Seus olhos evidenciavam o desejo que sentia, e eu sorri vitoriosa.

Suas mãos passearam pelo colo dos meus seios, deslizando por minha cintura logo depois. Suas mãos foram ao zíper que ficava na parte detrás da minha sala, puxando o zíper para baixo. Mordi o lábio inferior, e o encarando, fiquei de pé, tirando a saia por completo. Voltei a sentar em seu colo, e ele tornou a me beijar com fervor.

Todo meu corpo clamava pelo seu. Eu estava sedenta dos seus beijos e toques. Estava sedenta de senti-lo meu. Há muito tempo eu sentia falta das caricias de Fernando, e mesmo tendo-o ali, eu sentia que a qualquer momento poderia despertar de um sonho.

Sem fôlego, paramos o beijo, e foi o momento propicio para tirar sua calça. Logo, estávamos apenas com nossos trajes interiores. Suas mãos vieram de encontro ao fecho do sutiã. Ele levou suas mãos a minha nuca, me puxando mais uma vez para um beijo. Senti meus seios entrarem em contato com seu peitoral.

Fernando me beijava com paixão, e estava cada vez mais difícil de saber quem estava mais desejoso para o outro. Seus beijos foram transferidos para meu pescoço, e a cada beijo, ele depositava uma leve mordida, que fazia todo o meu corpo se arrepiar em protesto. Tombei minha cabeça para o lado, a fim de dar-lhe mais liberdade naquela região. Ele estava abraçado a mim, enquanto suas mão, que estava nas minhas costas,  prensava meu corpo contra o seu, fazendo meus seios tocarem seu peitoral.

Minha boca estava semiaberta, liberando suspiros constantes pelo momento que estávamos vivenciando. Do pescoço, seus beijos trilharam em direção aos meus ombros.

Afaguei minha cabeça em seus ombros, fazendo-o ouvir meus gemidos os suspiros.

- Eu te amo. – Sussurrei em seu ouvido.

Ele não me respondeu, mas fez questão de demonstrar. Com cuidado, ele virou-se, fazendo-me ficar por baixo do seu corpo. Ele me olhou nos olhos, e eu mordi meu lábio inferior. Ainda fitando meus olhos, ele fez uma rota de beijos por minha barriga, que se contorcia a cada vez que sentia o contado dos seus lábios. Ainda beijando minha barriga, suas mãos invadiram a lateral da minha ultima peça, deslizando-a para baixo.

Suspirei em satisfação, arranhando suas costas logo em seguida. Ele voltou a me beijar, e afastando-se do beijo, esticou seu braço, pegando o preservativo que estava ao lado.

Eu já estava prestes a explodir de tanto desejo, e Fernando parecia estar da mesma maneira que eu. Ao colocar o preservativo, ele voltou a deitar-se sobre o meu corpo, me beijando. Envolvi meus braços na extensão de sãs costas, arranhando-as levemente. Ele me olhou, e eu mordi o lábio, induzindo-o a se iniciar os movimentos.

Com cuidado, ele se posicionou, e me penetrando, iniciou os movimentos. Suspirei em satisfação, cravando minhas unhas em seus ombros. Com a boca entreaberta, ele liberava gemidos enquanto se movimentava em cima de mim. Eu fitava o fundo de seus olhos, enquanto o sentia. Mordendo a lábio inferior, liberei um gemido abafado, e não se contendo, ele liberou um gemido rouco.

Seus movimentos se intensificaram na medida em que nossos gemidos se misturavam dentro daquele quarto. A pressão de seus movimentos ganhava cada vez mais velocidade, e eu já estava a um passo de chegar ao ápice.

Minhas mãos estavam cravadas em seu pescoço, mas pegando-as, Fernando as levou a cima da minha cabeça, entrelaçando sua mão a minha. Ergui minha cabeça quase de forma imperceptível, tomando-a para trás. Precisava extravar todo o prazer que sentia.

Fernando gemia rouco e parecia que iria chegar ao auge a qualquer momento. Eu fechei meus olhos, sentindo um calor tomar meu corpo. Fernando aumentou a velocidade dos movimentos, e soltando um ultimo gemido, chegou ao auge. Meu corpo foi tomado por uma moleza, e de repente, tudo pareceu escurecer, e então, eu cheguei ao clímax do prazer.

Fernando caiu cansado ao meu lado, soltando um alto suspiro logo depois. Nossas respirações estavam ofegantes, e nós mirávamos o teto, sem dizer uma palavra. O suor escorria por nosso corpo, e fastando meu corpo, deitei minha cabeça no peito de Fernando. Ele envolveu seus braços em torno do meu corpo, e beijando o topo da minha cabeça, suspirou alto.

- Foi maravilhoso! – Disse erguendo minha cabeça para olhá-lo. – Você é maravilhoso.

- Foi sim. – Ele sorriu. – Você me deixou completamente sem fôlego. – Me olhou divertido. – Você é mais do que maravilhosa. E você não imagina o quanto senti falta de estar assim com você.

- Eu imagino sim, pois também estava morrendo de saudade. – Sorri.

- Eu te amo, Letícia. – Ele disse fitando o fundo dos meus olhos.

- Eu também te amo, Fernando.

Continuamos deitados a cama, desfrutando a presença um do outro. E depois de uma segunda dose, tomamos um banho relaxante, nos rendo ao sono logo em seguida.

 

 

 

•••

 

 

Acordei com uma forte luz batendo em meu rosto, e ao virar para o lado da cama, notei que ela estava vazia. Me sentei rapidamente a cama, olhando para os fatos, quando Fernando entrou no quarto, segurando uma bandeja.

- Bom dia, meu amor! – Disse sorrindo.

- Bom dia! – Sorri, olhando para a bandeja. – Isso tudo é para todos os hospedes da serra?

- Claro que não, engraçadinha. – Disse se sentando ao meu lado. – Mas eu acho que depois da noite de ontem, você precisa de um café da manhã reforçado. – Sorriu malicioso.

Senti meu rosto corar.

- Agora coma. – Disse servindo uma xícara com café. – O sol está maravilhoso, e precisamos aproveitar essa piscina.

- E você, não vai comer? – Peguei uma torrada, mordendo-a.

- Eu belisquei umas coisinhas enquanto preparava o café. – Sorriu. – Não estou com fome.

Eu sorri sem mostrar os dentes, agradecida.

 

 

•••

 

Fernando

 

Estava sentado na cama, esperando Letícia sair do banheiro. Ela já estava lá há um tempo, colocando seu traje de banho. Por sorte, dentro da própria serra, tinham umas lojas de roupas que vendiam peças propícias para o ambiente, já que eu não levei nenhuma roupa além da que eu estava vestido.

Eu já estava começando a ficar preocupado e impaciente com a demora de Letícia, e eu juro que me perguntei qual a dificuldade em colocar um traje de banho. Me levantei, seguindo até a porta do banheiro, e quando estava prestes a bater, Letícia saiu do banheiro, parecendo envergonhada.

Ela estava com um vestido branco e de tecido fino, que cobria a sua roupa de baixo, mas isso não fazia dela menos bonita, ao contrário. Eu a olhava petrificado, feito bobo, e esse deve ter sido o motivo dela ter ficado tão envergonhada. Eu limpei a garganta, tentando disfarçar meus desejos em pleno sábado de manhã.

- Pronta? – Sorri, oferecendo meu braço.

- Eu acho que sim. – Ela sorriu, entrelaçando seu braço ao meu.

Descemos ao primeiro andar, e eu notei vários olhares para Letícia. Ela não havia notado, mas eu sim, e a minha vontade era arrancar os olhos de todos os que olhavam como se ela fosse um pedaço de carne.

Nos sentamos em umas cadeiras próximas à piscina, e ela apertou sua mão ao tecido do vestido. Parecia com medo do vestido se soltar de seu corpo, e sair voando, desgovernado e sem destino.

O sol estava a um passo de me fazer desmaiar, e tirando a camisa, olhei para Letícia.

- Vamos dar um mergulho? – Perguntei, me levantando.

- Oh, não. Eu estou bem aqui. – Ela sorriu tensa. – O senhor pode ir, e eu vejo tudo daqui.

- Com essa história de novo, Letícia? – Perguntei cruzando os braços. – A piscina não é funda.

- Não é funda para você, que tem mais de um e noventa de altura. – Retrucou.

- Letícia, pessoas menores que você, entram nessa piscina. – Disse levemente impaciente. – Não tem condições de você se afogar.

- Não é isso, é que... – Suspirou. – Eu não quero expor meu corpo para todas essas pessoas. – Sussurrou, olhando para os lados.

- Letícia, todos estão vestidos da mesma maneira. – Olhei ao redor.

- Eu sei, mas eu não quero. – Ela sorriu triste.

- Lety... – Me sentei ao seu lado. – Você não precisa e nem deve se sentir insegura com seu corpo ou sua aparência. Você é uma mulher linda, e fará qualquer inveja a qualquer mulher aqui.

Ela me olhou pensativa, com um breve sorriso nos lábios.

- Por favor. – Juntei as palmas das mãos. – Vamos!

Ela sorriu, e parecendo convencida, se levantou.

Sorri animado, a puxando para um rápido beijo. Ainda tensa, ela tirou seu vestido, revelando seu maiô branco. O decote não era grande a ponto de deixá-la vulgar, mas era grande o suficiente a ponto de levar um homem à loucura. O maiô delineava perfeitamente suas curvas e silhuetas, e eu não pude deixar de me sentir o homem mais sortudo do mundo.

- Você não está me ajudando me olhando dessa maneira. – Disse meio a um riso.

Balancei a cabeça, e só então notei que estava com a boca aberta, a olhando.

- Desculpe. – Disse ainda olhando para o seu corpo. – É que você é tão linda!

Ela sorriu terna.

Caminhamos em direção à piscina, e juntos, pulamos. Letícia soltou um grito ao sentir a temperatura da água, mas logo relaxou. Mergulhei fundo, e fiquei lá por alguns segundos. Subi a superfície, e passando  mão no rosto, deslizei por ela da minha testa até os meus cabelos.

- A água está maravilhosa, não está? – Perguntei.

- Para mim ela está fria. – Letícia respondeu batendo os dentes entre si.

- Está com frio? – Perguntei me aproximando.

- Um pouco. – Disse com as mãos e a voz tremulas. – Mas, eu vou ficar mais um pouco.

Sorri vitorioso.

Como prometeu, Letícia ficou mais um pouco na piscina, mas não aguentando, saiu. Eu continuei nadando. Há muito tempo não tomava um banho de piscina, e embora a água estivesse realmente fria, o sol ajudava a equilibrar a temperatura da água. Letícia me olhava de longe e sorria para mim. Mergulhei na piscina, e nadando até o outro lado, me levantei, mas ao olhar para Letícia, vi que ela não estava só.

Um homem sentou na minha cadeira, ao lado de Letícia. Ela parecia desconfortável, mas o homem não parecia se importar com isso. Senti meu sangue ferver, e saindo da piscina, caminhei em direção à eles. Letícia me olhou aliviada e sorriu para mim, mas meu ciúme não me permitiu retribuir o riso.

- Meu amor! – Ela enfatizou essas duas palavras. – Que bom que voltou!

- É, cansei de nadar. – Disse encarando o homem.

O homem parecia não se importar com a minha presença, e não parou de secar Letícia um segundo sequer. Ela já estava com seu vestido, mas o maiô acabou o deixando transparente.

- E você, quem é? – Perguntei para o homem, e nem fiz questão de esconder que estava incomodado com sua presença.

- Ah, perdão. – Ele sorriu, se levantando. – Meu nome é Raúl. Raúl Saldaña. – Estendeu sua mão.

Encarei sua mão por alguns instantes, e hesitei em apertá-la, mas após um olhar ameaçador de Letícia, a apertei.

- Vocês se conhecem? – Cruzei os braços, alternando meu olhar entre ele e Letícia.

- Não. Eu acho que não. – Ele sorriu. – Mas eu estava dizendo à Lety...

- Lety? – Perguntei irônico. – Vocês são tão íntimos assim, a ponto de chamá-la de Lety?

- Não, é que eu achei que ela iria preferir ser tratada pelo apelido. Ela disse que seu nome é Letícia, e eu deduzi que “Lety” seria seu apelido. – Disse calmamente. – Bom, como eu ia dizendo, a Lety me lembra muito uma pessoa.

- Ah é? – Olhei para Letícia. – Quem seria essa pessoa?

- Aurora Mayer De Salinas. – Respondeu com um largo sorriso nos lábios. – Simplesmente a mulher mais linda que já vi em toda a minha vida.

Letícia começou a tossir desordenadamente, e eu a olhei irritado. Não era culpa dela, obvio. Mas eu não conseguiria suportar um homem elogiando-a daquela forma na minha presença.

- Mas como você pode ver, ela não é a Aurora. – Disse rispidamente. – Ela é Letícia Padilla Solis, e em breve, será conhecida como Senhora Mendiola. – Bati com força em seus ombros. – E você sabe quem é o Senhor Mendiola?

Ela balançou a cabeça negativamente.

- Sou eu! – Ri irônico. – E sabe o que eu sou, além de um Mendiola? – Disse ainda rindo.

Mais uma vez ele negou, parecendo assustado.

- Eu sou o maior ciumento, neurótico e descabeçado que você já deve ter conhecido. – Disse sério. – E se você não deixar a Letícia em paz, você vai ver que eu não estou mentindo.

- Fernando! – Letícia disse em repreensão.

Assustado, o homem balançou a cabeça, e saiu desordenado, indo na direção contraria a qual Letícia e eu estávamos.

- Você não precisava tratá-lo daquela forma. – Letícia disse me olhando. – Ele apenas disse que eu parecia comigo mesma.

- Mas ele disse que você é a mulher mais linda que ele já viu. – Disse entre os dentes. – Ele não mentiu, é claro. Mas eu não gosto de ver outras pessoas falando assim de você, Lety. Você me conhece.

Letícia riu, balançando a cabeça negativamente.

- Do que está rindo? – Perguntei cruzando os braços.

- Você não mudou nada. – Ela sorriu, pegando o frasco de protetor solar.

Eu a olhei irritado, mas ao vê-la espalhar o protetor por suas pernas, senti toda a minha irritação se esvair. Letícia é uma mulher lindíssima, e agora, isso era notável para quem quisesse ver.

Ela não era a mesma Lety de antes. Não usava mais trança, aparelho, óculos e vestidos maiores que o próprio corpo. Ela estava cada dia mais linda e sensual, e qualquer homem ficaria hipnotizado com sua beleza. Mas essa beleza pertence só a mim. Letícia pertence só a mim. Letícia é minha, inteiramente minha. 


Notas Finais


Espero que tenham gostado!


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