História Llorando por dentro. - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi, amores. Perdão por não ter postado ontem, mas a internet me abandonou. Espero que gostem do capitulo de hoje. Beijinhos e boa leitura!

Capítulo 13 - Um tempo.


 

Mesmo depois de passar um final de semana inteiro ao lado de Letícia, eu sentia uma saudade inimaginável dela. Por mais tempo que eu passasse com Lety, eu não conseguia evitar em sentir falta dela. É como se vinte e quatro horas não fossem suficientes para estar com ela.

Como todos os dias da semana, acordei cedo e após alguns minutos enfrentando aquele trânsito horrível, finalmente, eu poderia ver a minha Lety.

- Bom dia! – Sorri, entrando em sua sala.

- Bom dia! – Ela sorriu terna. – Senti saudades!

- Acredite ou não, você não foi a única. – Me inclinei sobre a mesa, olhando-a. – Você está cada dia mais linda.

Ela sorriu terna, sentando-se em cima da mesa, colando seu rosto ao meu.

-E você está cada dia mais sedutor. – Sussurrou, olhando para os meus lábios. – Devo me preocupar com isso? – Sorriu, ainda fitando os meus lábios. – Acredito que eu não sou a única mulher que notou isso.

- Não, não precisa. – Disse meio a um riso. – Eu não me importo com as outras mulheres. – Olhei para seus lábios. – Porque a mulher que eu quero, está bem aqui em minha frente. – Olhei em seus olhos.

Letícia sorriu, aproximando-se ainda mais do meu rosto, e quando já não existia nenhum espaço entre nós, nos beijamos. Uma de suas mãos se perdeu em meio aos meus cabelos, e a minha mão segurou em sua nuca com precisão. Nos beijávamos com paixão e calor, e isso já estava começando a causar um efeito lá em baixo. Aos poucos, paramos um beijo, respirando ofegantes logo depois.

- Você precisa controlar os seus poderes sobre mim. – Sorri com a testa colada a sua. – Qualquer dia desses, eu não sei se vou resistir.

- Digo o mesmo de você, Fernando Mendiola. – Passou a mão no canto da minha boca, onde provavelmente estava borrada de batom. – A minha sorte é que não fica tão claro quanto em você, mas você causa muita coisa em mim. – Levantou-se da mesa, ajeitando sua blusa. – Posso agarrá-lo qualquer dia desses, e fazê-lo meu bem aqui... – Correu com a ponta de seu dedo sobre a madeira da mesa.

- Eu adoraria! – Sorri malicioso.

- Fernando Mendiola, controle-se. – Riu, batendo em meu ombro. – Estamos em ambiente de trabalho. – Sentou-se em sua cadeira, cruzando as pernas logo depois. – Acho melhor que você vá para sua sala para evitarmos cometer uma loucura.

Eu ainda olhava para suas pernas cruzadas de forma tão sedutora. Por mais que não percebesse, Letícia fazia coisas que me deixavam louco. Ela conseguia me seduzir nos mínimos detalhes, e por mais que eu tentasse, era impossível disfarçar.

- Fernando? – Me olhou curiosa.

- Oi? – Disse balançando a cabeça, despertando do transe.

Ela riu manuseando a cabeça negativamente, provavelmente pela cara de bobo que fiz enquanto a olhava hipnotizado. Essa era a consequência de ter uma mulher tão linda.

 

 

•••

 

Letícia

 

- Você já pode nos contar o que aconteceu! – Luigi disse puxando uma cadeira para que eu sentasse. – Você sumiu durante toda a sexta-feira, e não nos deu sinal de vida. Ficamos preocupadíssimas com você.

- Isso é verdade, Lety. – Carol concordou. – Fernando ficou feito um louco, procurando por você por todos os lugares possíveis. Chegou a achar que o Aldo poderia ter feito algo com você.

- O bofe deu a louca, mona. – Luigi ajeitou a franja. – O que a mocinha andou aprontando?

Eu fitava o cardápio enquanto prendia o riso com todo o interrogatório. Quando decidi preparar a surpresa para Fernando, não comentei com ninguém, nem mesmo á Carol e Luigi. Eles também não sabiam que o divórcio já havia saído. Não que eu não quisesse contá-los, mas eu não tive tempo e oportunidade para isso.

- Letícia, você pode me contar o que aconteceu? – Luigi disse puxado o cardápio das minhas mãos.  – Estamos curiosíssimas!

- Para de tanto mistério, Lety. – Carol disse. – Afinal, somos suas melhores amigas.

- Isso mesmo. – Luigi concordou.

- Está bem! – Suspirei meio a um riso. – O que querem que eu conte?

- Tudo, oras. – Luigi respondeu indignado. – A começar pelo motivo que a fez sumir em pleno expediente.

- Bom, o motivo é muito justificável. – Sorri. – A advogada havia me ligado para avisar que o divórcio havia finalmente saído, e eu não conseguiria esperar o final do dia para ir assinar aqueles benditos papeis.

- O QUE? – Disseram em uníssono.

- Isso mesmo. – Cruzei os braços, olhando-os vitoriosa. – Eu já sou uma mulher livre.

- Olha, que danadinha. – Luigi disse divertido. – E não nos contou nada.

- Eu não tive tempo. – Me defendi.

- Mas e o final de semana? – Carol inclinou-se a mesa, olhando-me desconfiada. – Fui até a sua casa, e você não estava lá.

Senti meu rosto corar, e eu os olhei com um sorriso envergonhado.

- Não me diga que passou o fim de semana com a Chiquinha? – Luigi perguntou abismado, e o meu sorriso largo apenas confirmou sua suspeita. – Pelo amor de Britney Spears, me conta tudo.

As reações do Luigi sempre eram melhores que os acontecimentos em si, e isso fazia eu me senti ainda mais a vontade em lhe contar tudo o que eu quisesse. Minha relação com Lugi e Carol ficou ainda mais estreita depois que assumi a presidência, e nós nos tornamos confidentes um do outro. Dividíamos e compartilhávamos todos os nossos segredos, por mais bobos e absurdos que fossem.

- Depois que peguei os papeis do divórcio, eu fui preparar uma surpresa para Fernando. – Disse sorrindo, lembrando-me de tudo. – Foi bem difícil conseguir organizar uma surpresa em apenas cinco horas, mas eu me saí bem.

- Que surpresa? – Carol perguntou curiosa.

- Lembram que eu contei a vocês que uma vez o Fernando havia me lavado para um final de semana em Cuernavaca? – Perguntei.

- Como eu não lembraria, mona? – Luigi disse meio a um suspiro. – Eu daria a minha vida para passar um final de semana naquela serra com um homem como Fernando Mendiola. – Soltou um gemido malicioso, mordendo o dedo indicador.

- Luigi, contenha-se. – Carol o repreendeu. – Lety, continue.

- Enfim... – Suspirei prendendo o riso. – Eu o sequestrei, e o levei para lá.

Eles continuaram me olhando atentos, esperando que eu continuasse.

- E nós passamos o melhor final de semana das nossas vidas. – Sorri abobada.

- E só? – Luigi perguntou parecendo frustrado. – E os detalhes sórdidos?

- Luigi! – Carol exclamou indignada. – Esse tipo de coisa só diz respeito a eles. O que nos CBIA saber, nós já sabemos.

Eu achava engraçada a maneira como Carol se indignava com a maneira que o Luigi se portava. Ela sempre o repreendia, como uma irmã mais velha que ficava responsável em cuidar do irmão caçula. Mas, para ser sincera, eu não me surpreendia com nada vindo do Luigi. Eu já estava acostumada com o seu jeito, e até gostava dele.

- Não que isso seja da sua conta, Senhor Lombardi. – Disse batendo o dedo na ponta de seu nariz. – Mas se quer saber se nós... Bom... Você sabe. Sim, aconteceu.

Luigi soltou um grito agudo, chamando a atenção de todos em volta, dando uma salva de palmas em seguida.

- Luigi, por favor. – Sussurrei, olhando ao redor.

- Desculpe, Lety, mas... Finalmente! – Disse animado. – Eu achei que você havia feito um pacto de castidade. Se eu não aguentava mais esse chove e não molha, imagina o pobre do Fernando.

- Acontece que estávamos dando um passo de cada vez. – Respondi indiferente.

- E qual será o próximo passo? – Carol perguntou.

- Como assim? – Perguntei confusa.

- Como “como assim”, Letícia? – Luigi perguntou incrédulo. – Você não se divorciou para ficar com o Fernando?

- Sim, - Respondi rapidamente.

- E então, quando pretendem juntar suas escovinhas de dentes? – Luigi perguntou colocando o braço sobre a mesa, apoiando sua cabeça em sua mão.

- Não pensamos nisso.

- Você não pensou, bonitinha. – Luigi retrucou. – Se eu bem conheço o Fernando, ele está nesse exato momento pesquisando os lugares mais românticos para passar uma lua de mel.

Suspirei, olhando-o.

- Lety, se você está disposta a reconquistar o Fernando, é você quem deve lutar por ele. – Continuou, tirando o braço de cima da mesa. – O Fernando lutou horrores por você, e eu lembro bem como esse bofe sofre. Se ele ainda não tomou um passo a frente com você, é porque está esperando você fazer isso.

As palavras de Luigi me acertaram em cheio, trazendo um peso enorme em minha consciência. Eu nunca havia pensado na possibilidade do Fernando esperar alguma atitude vinda da minha parte, afinal de contas, ele nunca havia falado nada sobre isso. Ele nunca escondeu que seu sonho era formar uma família ao meu lado, mas desde tudo o que passamos, ele não voltou a tocar no assunto.

- Mas ele não falou nada comigo sobre isso. – Disse levando a ponta da unha do meu dedo mindinho à boca.

- Não disse porque não quer de pressionar, Lety. – Carol disse meio a um suspiro impaciente. – Depois de tudo o que você passou, a última coisa que o Fernando quer é pressioná-la ou forçá-la a algo.

- Então cabe a você tomar uma atitude, minha rainha. – Luigi tocou meu queixo. – Não sabemos por quanto tempo o macho reprodutor vai aguentar segurar a marimba, não é? – Disse sarcástico.

Não disse mais nada, e apenas olhei para um ponto qualquer, pensando no que eles haviam me dito. Sim, eu queria formar uma família com Fernando, mas tudo parecia muito recente. Eu não quero que façamos tudo às pressas, e algo acabe estragando a nossa relação. Por isso, eu esperaria o tempo perfeito para darmos um passo a frente em nossa relação.

 

 

•••

 

Fernando

 

- Eu estou dizendo, Omar. – Disse animado. – A Lety finalmente está divorciada!

- Parabéns, irmãozinho. – Sorriu animado, dando leves tampinhas em minhas costas. – Isso merece um brinde! – Disse erguendo seu copo de cerveja.

- Um brinde! – Ergui meu copo, brindando ao seu. – Eu acho que eu não poderia estar mais feliz, Omar. – Disse sincero.

- Isso é notável, Fernandinho. – Disse sorrindo. – Mas e então, quando sai o casório.

Senti toda a minha animação se esvair, e imediatamente, meu sorriso desapareceu dos meus lábios.

- Que cara é essa, irmão? – Riu, enquanto bebia um gole de sua cerveja. – Ainda tem pavor a casamento?

- Não seja idiota, Carvajal! – Respondi irritado.

- E por que ficou assim de repente?

- Porque eu acho que... – Suspirei desanimado. – Eu acho que a Lety não quer assumir um relacionamento comigo ainda.

- E por que acha isso? – Omar inclinou-se sobre a mesa, me ouvindo com atenção.

- Eu não sei, Omar. Mas seu divórcio já saiu, e ela nem ao menos falou de formamos uma vida juntos. – Olhei para um ponto fixo qualquer.

- E por que você não fala sobre isso?

- Porque não quero que ela se sinta pressionada, Omar. – O olhei. – Ela acabou de passar por um processo de divórcio.

- Mas ela se divorciou justamente por isso, Mendiolinha. – Disse meio a um riso. – Ela se divorciou para ficar com você, irmão.

- Mas ela não falou nada sobre isso, Omar. – Disse um pouco alterado. – Se ela quisesse tornar a nossa relação ainda mais séria, teria comentado alguma coisa, ou ao menos citado algo a respeito. – Cocei a cabeça, nervoso. – Nós nem nos assumimos em público para todos da empresa, se quer saber, e não por falta de vontade da minha parte.

- E por que vocês não assumem? – Perguntou.

- Porque ela acha que está tudo muito recente, Omar. – Suspirei, passando a mão no rosto. – Nós agimos como se nós fossemos apenas bons colegas de trabalho na frente dos funcionários. Por que você acha que estou almoçando com você, e não com a Letícia? Porque ela não quer que os funcionários da empresa “desconfiem”. – Fiz aspas com os dedos.

- Nossa! Muito obrigado por me usar como segunda opção e fazer questão de me dizer isso. – Disse fingindo estar ofendido.

- Não foi isso que eu quis dizer. – Disse nervoso.

- Eu sei, irmão. – Respondeu rindo. – Mas eu não entendo esse posicionamento da Letícia. – Bebeu um pouco de sua cerveja. – Se ela desistiu de dois anos de casamento por você, por que esse medo agora?

- Eu adoraria saber. – Virei o copo de cerveja de vez na boca, ingerindo todo o liquido.

Omar me olhou perplexo, rindo logo depois.

- Eu te aconselho a conversar com ela, irmão. – Ergueu seu corpo que estava inclinado sobre a mesa. – Ela precisa saber como você se sente com tudo isso.

- E o que eu digo, Omar?

- A verdade, oras. – Respondeu impaciente. – Que você quer um relacionamento sério, e que não quer esconder isso de mais ninguém.

Suspirei, ouvindo-o.

- Se a Letícia realmente se divorciou por você, ela vai ficar feliz com o fato de você querer oficializar, finalmente, sua relação com ela. – Sorriu.

Por mais que eu soubesse que assim como eu, Letícia queria formar uma família, eu estava nervoso. No fundo eu temo sua reação, e temo ainda mais o fato de ela não querer se casar novamente. Mesmo que ela tenha se divorciado por mim, existe uma grande probabilidade de ela não querer carregar uma aliança no dedo outra vez, e isso era o que eu mais temia.

 

 

 

•••

 

 

Voltamos para a empresa, e mesmo depois dos minutos que passaram, a conversa que tive com Omar martelava repetidamente em minha cabeça. Mesmo que conversar com ele tenha me feito bem, ao mesmo tempo me causou uma preocupação. Um medo absurdo de que as possibilidades negativas sejam as reais, e que Letícia realmente não se sinta pronta para um relacionamento.

Estava em minha sala, com a cabeça em qualquer lugar que não fosse o trabalho, perdido em meus próprios pensamentos.

- Fernando? – Letícia perguntou, e o susto me fez dar um breve pulo na cadeira.

- Ah, oi... – Suspirei, colocando a mão no peito.

- Está tudo bem? – Me olhou estranhamente.

- Tudo! – Forcei um riso.

Ela ainda me olhava curiosa e com os olhos brevemente fechados, e eu já estava sentindo um leve constrangimento pela maneira que ela me olhava.

- Você precisa de alguma coisa? – Perguntei organizando uns papeis que estavam sobre a mesa.

- Sim. – Respondeu. – Preciso do orçamento do próximo comercial. Preciso entregá-lo ao Luigi, porque senão, ele extrapola nos gastos.

- Eu conheço bem o Luigi. – Disse sem olhá-la, procurando pelo orçamento. – É esse aqui? – Entreguei o orçamento à ela.

Ela ficou um tempo em silêncio, olhando os papeis em sua mão.

- Sim, são esses. – Sorriu. – Obrigada!

- É o meu dever. – Respondi simplesmente.

Ela me olhou por um tempo, e colocando os papeis sobre a mesa, cruzou os braços, ainda me olhando.

- Está tudo realmente bem? – Disse sentando-se na beirada da mesa. – Não há nada que está o incomodando?

Letícia me conhecia como a palma de sua mão, e por mais que eu tentasse, eu não conseguiria esconder nada dela. Ela sabia que tinha algo errado comigo, e nada mais justo que ela saber o motivo. E talvez, esse seja o momento perfeito para conversarmos sobre isso.

- Lety, eu... – Suspirei, ficando de pé, em sua frente. – Para ser sincero, tem uma coisa que está me deixando um pouco nervoso e preocupado.

- Que coisa seria essa? – Perguntou me olhando com atenção.

- É que desde que você pegou os papeis do divórcio, você não mencionou nada em relação a nós dois, quero dizer... – Andei de um lado a outro, nervoso. – Eu sei que os papeis do seu divórcio saiu há pouco tempo, mas você já está separada do Aldo muito antes disso, se é que me entende.

Ela continuou me olhando com seriedade.

- Eu gostaria que assumíssemos logo o nosso relacionamento, Lety. – Disse sincero. – Não somos mais adolescentes para namorarmos às escondidas, e a única coisa que nos impedia de estarmos juntos, já não existe mais.

Ela mexeu-se inquieta na cadeira.

- Por mim, nós casaríamos amanhã mesmo. – Toquei seu rosto. – E você, o que me diz?

Ela pulou da mesa, parecendo tensa. Sua feição não negava que ela estava surpresa e desconfortável com a conversa, mas eu precisava ser sincero com ela. Eu não pretendo passar o resto da minha vida namorando às escondidas, quando não há motivos para isso. Letícia e eu somos livres, desimpedidos e maiores de idade, e a única coisa que impede de estarmos realmente namorando, é ela mesma.

- Fernando, eu... – Suspirou. – Eu acho que está tudo muito recente. O meu divórcio saiu há menos de uma semana. Imagina o que vão dizer se eu aparecer com você em tão pouco tempo? Imagina o que os meus pais vão dizer?

Senti meu sangue ferver e uma raiva fora do normal tomar meu corpo. Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Eu não podia acreditar que Letícia não queria assumir o nosso relacionamento por medo do que iriam dizer ou pensar.

- Eu espero que você entenda e...

- Não, Letícia, eu não entendo! – Disse irritado. – Eu não consigo entender como a opinião dos outros pode ser mais importante e mais forte do que sentimos.

- Fernando, por favor. – Pediu. – Eu só preciso de um tempo.

- Mais, Letícia? – Esbravejei. – Quanto tempo você acha que eu devo te dar, além dos que já dediquei pra você? – Perguntei nervoso. – Você não acha que eu já esperei o suficiente?

Letícia manteve-se em silêncio, e imediatamente seus olhos marejaram.

- Eu não me arrependo de haver esperado por você, e faria tudo de novo se fosse preciso. E sabe por quê? – Perguntei calmamente. – Por que eu te amo, e eu sacrificaria qualquer coisa por você. – Dei ênfase a ultima palavra. – Mas e você? Estaria disposta a sacrificar alguma coisa por mim?

- Fernando, eu só preciso de um tempo, até que a poeira se abaixe. – Disse em meio às lágrimas. – Não é tão fácil assim para mim.

- E você acha que é fácil para mim? – Perguntei irritado. – Letícia, eu tenho enfrentado muitas coisas por você, e não me arrependo de nenhuma delas. Eu só quero que você seja capaz de enfrentar seus medos por mim também.

As lágrimas rolavam em seu rosto, e por mais que me doesse, eu precisava dizer tudo o que deveria ser dito.

- Nós já pagamos muito caro por escondermos o que sentimos e o que vivemos uma vez, e eu não quero pagar de novo. – Senti meus olhos embaçarem pelas lágrimas.

- Fernando, nós não vamos esconder nada. – Disse tocando meu rosto. – Só vamos esperar o momento certo para que todos saibam.

- E para quê esperar mais, se já está mais do que claro que nos amamos? – Perguntei pacientemente, tentando conter as lágrimas. – Letícia, se nos amamos, não devemos nos importar com mais ninguém.

- E não vamos.

- Então para quê esperar?

- PORQUE EU QUERO QUE TUDO SAIA PERFEITO PARA NÓS DOIS. – Gritou em meio ás lágrimas. – Eu não quero que nada nos atrapalhe dessa vez. – Disse com a voz mais baixa, enquanto as lágrimas molhavam seu rosto.

- E a opinião dos outros é tão importante a ponto de atrapalhar o que sentimos um pelo outro? – Perguntei indignado.

Ela manteve-se em silêncio, e não me restou alternativa ao não ser tomar aquele silêncio como um sim.

- Ok... – Disse com a voz embargada. – Se a opinião dos outros é tão importante para você, eu vou esperar mais uma vez. – Suspirei. – Eu vou esperar o dia em que o nosso amor será mais importante que a opinião dos outros e os outros, só não demore muito. Eu não sei por quanto tempo estou disposto a esperar.

O meu peito queimava a medida que eu falava, e eu sentia que poderia explodir a qualquer momento. Eu não queria, não devia e não me permitia chorar na presença de Letícia, e para evitar que isso acontecesse, abri a porta da sala, saindo imediatamente.

- Fernando! – Letícia gritou. – Fernando!

Eu não parei, não a ouvi. Eu precisava ficar sozinho e pensar. Eu precisava digerir o fato de que Letícia acreditava que a opinião dos outros era mais forte e mais importante do que o nosso amor. Mas quanto mais eu tentava, mais difícil ficava de se acreditar.

Depois de tudo o que passamos. Depois de tudo o que vivemos. A opinião alheia era ainda mais forte do que o que sentimos? O nosso amor era tão frágil a ponto de ser abalado por uma opinião ou outra? Eu esperava que Letícia ao menos diria que estava com medo, mas que lutaria ao meu lado por nós dois, mas seu medo, mais uma vez, foi maior.

 

 

•••

 

Letícia

 

As minhas vistas se embaçavam à medida que eu dirigia. As palavras de Fernando me cortavam por dentro, e o pior de tudo é que eu sei que ele tem razão. Mais uma vez eu fui fraca, e não lutei por nós dois. Mais uma vez, eu deixei que um medo e insegurança qualquer se colocasse em nossa frente.

Mas, eu não fiz por mal. Eu quero realmente que façamos tudo da melhor forma possível, para que não sofremos com nada depois. Somos realmente muito apegados a todos os que nos rodeiam, e por mais que Fernando queira me convencer do contrario, sabemos bem o quanto a aprovação de todos é importante para nós.

A minha cabeça pesava, e eu precisava desabafar, e eu sabia bem com quem eu deveria conversar. Mudando totalmente o trajeto, segui em direção à casa dos meus pais, e parando a porta, suspirei nostálgica. Rapidamente, desci do carro, e tocando campainha, esperei. Demorou um pouco para que alguém abrisse, mas assim que a porta foi aberta, eu fui recebida da melhor maneira possível.

- Filhinha! – Mamãe exclamou animada, enquanto me abraçava.

- Ai, como eu senti falta desse abraço! – Disse apertando ao abraço.

- O que aconteceu, minha vida? – Mamãe perguntou, separando-se do abraço, e me olhando assustada.

- Eu posso entrar? – Sorri. – Eu acho que seria melhor se conversássemos com a senhora acariciando meu cabelo, enquanto eu estou deitada em seu colo.

- Vem, meu amor! – Ela sorriu, pegando em minha mão, me puxando para dentro. – Há quanto tempo você não vem nos fazer uma visita. – Disse fechando a porta, seguindo em direção ao sofá.

Sorri animada, e mamãe sentou-se ao sofá. Acomodei-me ao sofá, e deitando minha cabeça em seu colo, estiquei meu corpo no sofá.

- Eu sei, mamãe, e não me orgulho disso. – Disse sincera. – Para falar a verdade, eu tenho sido uma filha muito ingrata.

- Claro que não, minha vida. – Ela disse rapidamente. – Sabemos bem o que você passou nesses últimos dias, e o seu pai e eu sabemos o quanto foi difícil para você.

- Falando no papai, onde ele está?

- No quarto. – Respondeu, ainda acariciando meu cabelo. – O remédio o deixa um pouco sonolento.

Suspirei, fechando os olhos.

- Mas me diga, meu amor. – Disse, e eu abri os olhos para olhá-la. – Está tudo bem?

Imediatamente senti meus olhos sendo inundados por um mar de lágrimas, que de repente romperam o limite. Eu não havia planejado chorar na frente da minha mãe, mas eu não conseguia. Era mais forte do que eu.

- O que aconteceu, minha vida? – Tocou meu rosto, olhando-me preocupada.

- Eu e o Fernando brigamos, mamãe. – Disse chorosa. – E eu não posso culpá-lo por ter se chateado comigo. – Me levantei de seu colo, sentando-me.

- O que houve, meu amor? – Limpou meu rosto, que estava sendo banhado pelas lágrimas.

- Nós...

E então, eu desabafei tudo para minha mãe. Não omiti uma só palavra. Expliquei meu lado, e também expus o pensamento de Fernando. E à medida que eu falava, eu me sentia ainda mais estúpida por deixar que uma besteira dessa fosse motivo de brigas. Fernando já me provou inúmeras vezes o quanto me ama, e tudo o que ele pediu, foi uma prova também.

Minha mãe me ouvia com atenção, como se pudesse assistir o que eu e Fernando vivenciamos na salinha. Ela não disse uma só palavra enquanto me ouvia, e eu me senti ainda mais livre para dizer tudo o que deveria ser dito. Algumas lágrimas interromperam minhas falas, mas eu não me permiti parar antes de dizer tudo. Ela limpava cada uma delas, e eu podia ver em seus olhos o quanto ela estava triste por me ver daquela maneira.

- Foi isso. – Suspirei, limpando as lágrimas.

- Ai, minha vida! – Me puxou para um abraço, fazendo-me deitar a cabeça em seu colo mais uma vez. – Eu sinto muito por isso!

Suspirei fundo, tentando conter as lágrimas.

- O que você acha, mamãe? – Perguntei com os olhos marejados. – A senhora me entende, não é?

Ela sorriu, acariciando meu rosto.

- É claro que entendo, meu amor. – Ela sorriu, acariciando meus cabelos. – Mas se quer a minha sinceridade...

- Por favor! – Respondi rapidamente, olhando-a.

- Você não deveria se importar tanto com a opinião dos outros, Lety. – Ela disse calmamente. – Se você ama o Seu Fernando, não tem porquê colocar a opinião dos outros como barreiras.

- Mamãe, eu só quero que tudo dê certo.

- E o que faz você acreditar que o fato de alguém não ser a favor, vai fazer com o que o seu amor com o Seu Fernando dê errado? – Perguntou com um meio sorriso nos lábios. – Meu amor, não é possível agradar a todos, e se você basear sua felicidade nisso, você vai ser infeliz pelo resto de sua vida.

A olhei pensativa.

- Nem todos vão ser a favor do seu amor com o Seu Fernando, mas se você o ama de verdade, vai lutar contra tudo e todos que se opor a isso. – Tocou meu rosto. – Ele já lutou por você uma vez, meu amor. Mostre que também é capaz de lutar por ele. – Sorriu.

Esses eram um dos milhões de motivos pelos quais eu adorava conversar com minha mãe. Ela sempre sabia as palavras certas para me dizer, e por mais duras que fossem, ela dizia de maneira branda. A sabedoria da minha mãe sempre me acalmava por simplesmente resolver todos os meus problemas e esclarecer todas as minhas dúvidas.

Me aconcheguei em seu colo, e abraçando-a, me senti ainda mais calma e decidida.

- Obrigada, mamãe! – Sorri, enquanto a abraçava.

- Não há de quê, meu amor. – Beijou o topo da minha cabeça. – Eu sempre vou estar aqui para você, meu amor.

- Então eu posso pedir mais uma coisinha? – Perguntei me afastando do abraço.

- O que quiser! – Sorriu.

- Posso dormir com a senhora e o papai? – Supliquei, juntando as palmas das mãos.

- Mas é claro, meu amor. – Disse rindo. – Você sempre será nossa menininha.

Animada, pulei do sofá, e me sentindo uma criança, corri para meu antigo quarto. Olhei encantada, revivendo todos os momentos que passei ali, e sorri inevitavelmente. Abri meu guarda-roupa, que ainda tinha umas roupas antigas minhas, e avistei o meu antigo pijama. Uma calça e uma blusa rosa. Vesti meu pijama, e ainda sorrindo, caminhei em direção ao quarto dos meus pais. Com cuidado, me acomodei a cama, e minha mãe me recebeu com um sorriso, fastando seu corpo para o lado para deixar um espaço para mim. Quando estava acomodando-me, meu pai mexeu-se inquieto a cama, e abrindo os olhos, sorriu ao me ver. Ele fastou seu corpo para o lado, dando ainda mais espaço para que eu pudesse deitar. Sorri com seu ato, dando-lhe um beijo em sua testa, que foi retribuído com carinho.

Há muito tempo eu não dormia com os meus pais, e para ser sincera, nem me lembro da última vez que havia dormido com eles. Sorri inevitavelmente, me sentindo protegida, e com ainda mais coragem para fazer o que eu farei no dia seguinte. Fazer o que eu deveria ter feito há muito tempo. 


Notas Finais


E então?


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