História Loba - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Lobisomem, Romance, Vingança, Yuri
Visualizações 7
Palavras 3.771
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Adultério, Estupro, Homossexualidade, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


LEIAM AS NOTAS FINAIS

Capítulo 4 - Escolha seu Destino


 Padre Michael andava pelos corredores estreitos das salas sobe a igreja, hora ou outra se certificando que não estava sendo seguido, caminhou assim por algum tempo até se deparar com a grande parede de pedra, como lhe foi orientado as contou, da esquerda para a direita a sexta pedra saliente da quarta coluna, forçou a mesma e diante de seus olhos a passagem se abriu, cauteloso verificou o caminho uma ultima vez antes de passar por ela, logo a passagem se fechou atrás de si, no escuro corredor se pôs a caminhar novamente até avistar a luz vindo em sua direção, o Padre então parou esperando pelo encontro.

 

  -Vossa bença Padre.

 

  O velho Padre assentiu em resposta a voz fraca, mesmo que oculta por um capuz pode ver sob ele o rosto cansado, como sempre não pode conter o tremor de estar diante dela.

 

  -Controlai-te Padre! Lembre-se que ninguém deve saber…

 

  O religioso então segurou ambas as mãos em uma tentativa falha de conter seus tremores.

 

  -Não se preocupe minha filha. A muito tenho esperado por isto, só posso desejar que Deus tenha pena de minha alma.

  -Que ele vos perdoe Padre, mas pense nas almas puras que há de salvar.

 

  Padre Michael assentiu, em toda sua vida religiosa nunca imaginou que passaria por tal provação, e que ele mesmo aceitaria ir contra os dizeres de Deus, decerto que não seria o carrasco, mas a culpa por compactuar com tal atrocidade lhe corroia o juízo, nunca pensara que chegaria o dia que aceitaria a justiça feita por uma mulher, ao invés da de Deus, mas cá estava ele, compactuando, puxou de um de seus bolsos um pequeno saco de couro, cheio de escudos, estes juntados ao longo dos anos deveriam ser gastos com a reforma da igreja, agora dariam a oportunidade para um novo começo.

 

  -Que Cristo lhe proteja, para que enfim encontre a paz.

  -Só quando Luis Riquelme não estiver nesse mundo, arderei com prazer no fogo do inferno se ele também estiver lá, que seja morto por aquela que ele mesmo gerou, mas quem sabe Padre, com sua morte eu não possa ser a mãe que essa criança sempre esperou.

 

  Padre Michael desviou seus olhos horrorizado, seu coração partido, se culpava por deixar que seu ódio por Luis Riquelme atingisse tal proporção. A muito o Padre desconfiava de seu senhor, o sumiço das crianças a morte de todos os investigadores que ele contratava escondido, tinha absoluta certeza que o senhor Feudal estava por trás, na certa os segredos dele estariam trancados naquela maldita torre, mas como o acusaria formalmente, todos que poderiam conter provas estavam mortos, e com o casamento de Louis com Amelia o senhor de Volois ganhará ainda mais poder, a esposa tinha parentes ligados diretamente a corte do rei, a palavra de um simples padre de nada valeria, relutou em aceitar o plano proposto, mas se de fato livrasse as terras de Volois daquele homem, aceitaria seu pecado sem pestanejar.

  Olhou novamente para mulher a sua frente, os anos haviam lhe roubado um tanto da beleza, lembrava de como aquele olhar ja fora feliz, hoje beirava a loucura animal, não havia o que ser feito, bastava esperar para saber qual seria o desfecho final, seja qual fosse ele Padre Michael prometeu naquele instante que estaria lá, para cuidar tanto da mãe quanto da filha.

 

  -Apresse-se, uma carroça partira logo ao amanhecer, do mosteiro, estarão esperando por ti, quando chegar a Paris procure Padre Castro, ele é amigo de longa data, cuidará de ti.

 

  O Padre então se afastou, refazendo o caminho até a parede de acesso ao porão da igreja, deixando para trás a figura encapuzada.

 

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  Melisa apagou a tocha que carregava pouco antes de abrir a passagem que a levaria ao mosteiro, ainda oculta pelo capuz passou despercebida por alguns velhos aldeões que trabalhavam entretidos na reconstrução de algumas vigas, não foi difícil localizar a carroça mencionada por Padre Michael, o condutor um velho senhor de aparência cansada lhe fez um breve cumprimento e a acomodou em meio a carga que transportaria, Melisa se sentia inquieta temia ser descoberta, tantos anos vivendo às escondidas e agora correr tal risco, seu coração estava aos pulos, nunca pensou que voltaria ter a liberdade que os anos de foragida lhe tirou, mas a medida que a carroça se pôs a andar e os muros de Volois entraram no seu campo de visão sentia a tensão de seu corpo se dissipar e uma alegria tomar conta de si.

  Conforme o tempo passava e Volois ficava ainda mais para trás, Melisa se deixou relaxar caindo em um sono leve, acordou assustada tempo depois, demorou alguns segundos até se dar conta que fora apenas mais um de seus pesadelos, sobrevivera ao pior dia de sua vida, mas as cicatrizes que ele lhe deixara nunca foram apagadas, viveu junto aos lobos, foi acolhida por eles, por meses ruminou seu plano de vingança contra Louis Riquelme, estava disposta a morrer por isso, até que sua avó se deu conta dos sinais que surgiam em seu corpo, estava gravida, e isso mudou tudo.

  Por quinze anos viu crescer a filha do demonio, a menina era um espelho seu, a lembrando dia após dia tudo aquilo que Louis lhe tomara, e conforme ela crescia viu sua coragem se esvair, com o falecimento da avó chegou a perder as esperanças, passou a ruminar sua dor, alimentar seu ódio por ele e por sua própria falta de coragem, perdeu completamente a vontade de viver, no muito apenas passou a seguir os passos da avó em realizar pequenos experimentos a fim de encontrar a cura para a transformação da irmã, mas assim como a matriarca não obtivera sucesso, seus estudos a levaram a descobrir outra coisa, vira Aimé se mudar a partir dos anos, perder a inocência o olhar amoroso, assim como assistiu sua filha Desire se tornar uma bela moça, a cópia do que fora um dia, chegou a pensar em tirar a própria vida, estava prestes a desistir desse mundo, e então veio a tempestade e junto com ela sua chance.

  Aimé viera a seu encontro logo depois que a tempestade dera uma trégua, trazia a informação de que Louis Riquelme voltaria ao castelo das masmorras, e então tudo lhe pareceu tão simples, a irmã já havia planejado tudo, arquitetado cada passo do plano que seguiram, logo o senhor de Volois estaria morto, mas antes ele iria sofrer.

  Aimé sabendo que ela não teria estomago para crumprir aquilo que era nescessario, lhe convenceu que deveria seguir em frente, livre, alguns dias depois Melisa estava morta, shancar seu lobo protetor a ajudara com a farsa, podia seguir então tendo a certeza que Louis pagaria por seus pecados, seu destino era Paris, iria recomeçar, com a alma vingada e os pensamentos livres, deixaria tudo para trás.

 

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  Amelia se olhava frente ao espelho enquanto era vestida pela camareira, se sentia tão feliz que chegava a cantarolar baixinho, seus olhos brilhavam de felicidade, assim como seu sorriso, hora ou outra resplandecia, depois da estranha conversa com Aimé a mulher vinha aos poucos se aproximando de si, a conversa entre ambas antes das escassa agora vinha sendo mais frequente, a jovem senhora podia sentir que a outra aos poucos se abria, embora nada fosse tão invasivo como a outra conversa, Amelia não duvidava que logo estariam trocando confidencia tanto como trocavam olhares compreensivos.

  Juan era outro que se mostrava presente, o administrador passou a lhe dedicar mais atenção, chegou até mesmo a sugerir que aproveitasse a reforma do outro castelo para fazer algumas mudanças antes da chegada do bebê, fatos que atrasaram as obras e permitiria que trabalhassem um pouco nas vilas, o homem chegava a ser carinhoso a ponto de aquecer o coração da senhora a fazendo imaginar coisas imorais, Amelia se julgava uma mulher de princípios, mas a cada dia percebia que seria mais difícil os manter, seja pela aproximação de Aimé ou a atenção de Juan.  

  Outra coisa que se tornava ainda mais evidente para si era o descaso com seu marido, a dias notava as olheiras profundas que este trazia no rosto, de certo dás noite de certo das noites em claro que passava afundado entre seus tão amados livros de alquimia, em outrora teria se preocupado, agora no entanto a aparência desgastada dele não lhe importava, mesmo assim ali estava ela para o prestigiar, Juan a procurara pela manhã, enfim tinha um plano, pediu que o ajudasse a convencer o esposo.

  O administrador usará de toda sua lábia para convencer Louis Riquelme a comparecer ao treino com espadas, treino este que Amelia assistia.

  Alguns homens de arma se reuniam em um pequeno círculo no pátio de pedra descoberto, e revezavam entre si em realizar pequenas batalhas amistosas, naquele momento Louis e Juan duelavam, o administrador dava trabalho a seu marido, mesmo Louis sendo um excelente espadachim, o outro esquivava habilidosamente de seus golpes.  

  Amelia aplaudiu entusiasmada uma pela esquiva de Juan que o levara a acertar Louis desprevenido, a mulher não tinha dúvidas de que aquele homem a agradava.

  Diante dos aplausos da mulher e de sua desenvoltura nada gloriosa Louis tratou de dispensar os guardas antes de caminhar até ela com seu olhar sombrio.

 

  -Posso saber o que traz minha nobre esposa até aqui? -inquiriu Louis irritadiço, notando que ela tinha toda a atenção no administrador, este um pouco afastado secava o suor com um trapo velho.

 

  Amelia se esforçou a tirar seus olhos de Juan, ignorou a arrogância do fidalgo sorrindo carinhosa para ele.

 

  -Há tão pouco o que se fazer aqui, perdoe-me se o aborreço meu esposo, mas não posso deixar de elogiar toda sua desenvoltura.

 

  Louis pareceu engolir o que diria, não estava acostumado a receber elogios da esposa, por certo sentiu-se desconcertado, atrás de si Juan usava o trapo polir a espada indiferente ao casal de fidalgos, isto tranquilizou as ideias de Louis quanto as intenções da esposa e inflamou seu ego perante a admiração da mesma.

 

  -Pois bem minha esposa, porque não aproveitamos que o tempo parece ter abrandado e caminhamos pelo bosque, na certa minha esposa há de me prestigiar enquanto caço.

  -Adoraria meu senhor, no entanto creio que em virtude a posição que me encontro , não seria bom para o bebê que realize esforços desnecessários. -Amelia procurou a melhor forma de continuar, não poderia soar estranha ao marido. -Sei que meu marido é um dos melhores caçadores das terras, porque não organiza uma caçada? Na certa será o melhor entre os homens, eu ficaria em nosso castelo repousando e aguardaria seu regresso, o qual tenho certeza será o melhor entre todos, adoraria ver sua volta triunfante.

 

  Louis Riquelme pareceu ponderar, Amelia andava muito mais agradável nos últimos dias, na certa tentava uma aproximação, insegura pensou, pensou ele, já que outra estava a desempenhar seu papel no leito nupcial, julgou que ela tentava se manter presente para que ninguém viesse a ocupar suas funções no futuro, sorriu internamente.

 

  -Juan! -o administrador que se mostrava estar longe em seus pensamentos logo se aproximou. -Prepare as coisas, pois teremos uma caçada.

 

  o administrador não pode deixar de sorrir, o plano estava dando certo, caberia a ele agora dar o segmento.

 

  -Temo meu senhor que não será possível, nossas melhores armas e armadilhas ficaram em sua outra residência.

 

  Amelia então tratou de mostrar todo o seu desapontamento ao marido, seguindo a risca o combinado, vendo tal insatisfação da esposa Louis tratou por se decidir.

 

  -Pois prepare uma condução, hoje mesmo iremos buscá-las, não negarei a minha esposa o prazer de ver um de meus dotes. -convencido, pensou Amelia, bem sabia o tamanho do ego que ele tinha, queria mesmo era aparecer perante os outro.

  -Então eu o acompanharei a nosso outro castelo meu marido, quero falar com os contrutores sobre as reformas que desejo fazer, para que nosso filho tenha mais conforto. -mulheres, pensou Louis, elas e suas decorações desnecessárias.

  -Pois bem, arrume tudo Juan, logo mais partimos.

  -Como for de sua vontade meu senhor.

 

  O administrador o saudou em uma leve reverencia vendo-os se afastar, quando deu por si, seus olhos acompanhavam o suave balançar das ancas de Amelia, desviou o olhar inquieto e tratou de ir atrás de suas tarefas, viu ao longe que Aimé o fitava de forma estranha, sentiu-se constrangido como uma criança pega em flagra, logo depois se tranquilizou acenando para ela, tudo o que fazia era por Aimé, o resto era bobagem.

 

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  Desire chorava baixo enquanto cortava um punhado de raízes, se sentia tão só, tudo lhe parecia um enorme vazio desde que sua mae morera, até mesmo aquela pequena caverna que em outrora a garota tivera tantos momentos felizes, agora parecia apenas um buraco escuro.

  Misturou as raízes cortadas junto ao monte de sementes que colhera mais cedo, quando adicionou água viu se formar a papa já conhecida, aquela era sua comida desde que nascera, juntamente com frutas e pequenos animais, retirou a pele de lobo que lhe aquecia os ombros a pondo de lado, uma das poucas vestes que restara de sua mãe, a pele tinha um odor reconfortante que a acalmava, fazia se lembrar dela, mas Melisa não estava mais viva e Desire sabia que mesmo triste teria que continuar. Mais continuar o que? Sua tia Aimé sempre lhe dizia que devia isto a memória da mãe. Que restava a ela se vingar por seus familiares perseguidos, que assim teria por fim uma vida normal e decente, mas Desire não compreendia o que significava ter uma vida normal e decente.

  Sua vida sempre fora ali, no coração da Floresta de Volois, nas cavernas que cercavam o riacho, entre os lobos, cercada pelas matas, e até então havia sido feliz, mas agora estando sozinha ali, desire conhecia apenas a solidão, então pensando em um modo de se sentir menos só passou a imaginar as histórias que sua mãe contava, seu avô cuidando da terra, e como deveria ser as festas antes das colheitas, onde o povo se arrumava e dançava até o amanhecer, de como seria ver sua tia feliz, na certa muito diferente do que era hoje, de sua bisavó Luercia que a muito partira, está sempre carinhosa contigo, começou a imaginar como seria este mundo do qual só podia imaginar, sua mãe lhe falara sobre as festas, sobre as pessoas, sobre sua família e sobre Angelo, pobre Angelo, tão alegre, tão amoroso…

  Lembrava-se de um dia em especial, ainda era uma criança e ouvia pela primeira vez sua mãe falando sobre Angelo, se perguntou quem seria este, afinal Angelo não era de sua família, mas a mãe falava com tanto amor que percebeu que ele também não era uma pessoa qualquer, ao botar em palavras tais pensamentos sua mãe lhe olhou friamente antes de responder “-Ele é quem deveria ser teu pai!”.

  Desire não ousou perguntar então quem era seu pai, já que não era Angelo, sua mãe a assustará naquele momento, antes disso porém nunca havia se dado conta do fato, se tinha uma mãe de certo havia de ter um pai, mas não soubera também como é que ela tinha vindo ao mundo ou melhor como se nascia

  Até que um dia presenciou a mãe em um de seus rituais, quando a lua estava cheia no céu, e shancar o lobo dela ganhou a forma humana, Melisa se deitou com ele, e ela assistiu a tudo escondida entre a mata alta.

  Algumas semanas depois sua mãe pusera para fora aquilo que parecia um gnomo malformado, o corpo morto foi colocado então em um frasco junto a um líquido amarelado, Melisa tinha uma verdadeira coleção desse frascos, entre partes do corpo humano e pequenos animais, tudo que sabia é que faziam parte do trabalho da mãe assim como os livros que Aimé trazia.

  Por anos via a mãe pesquisando sem saber sobre o que eram, até que no último ano Melisa começou a lhe ensinar tudo que sabia, Desire não fazia diferença certas coisas, não entendia sobre o bem e o mal, crescera ali, entre aquela cultura, com as histórias da mãe e os lobos, sua bisavó, o Padre que algumas vezes as visitavam e a tia.

  Nada daquilo lhe parecia estranho, viver na floresta, pertencer a matilha, não entendia o que tanto sua mãe pesquisava, até o dia da tempestade, enquanto agonizava de dor, Melisa enfim lhe contara o motivo. “-Foi Louis Riquelme de Volois que nos perseguiu, foi ele quem ordenou a morte de teu avô, que mandou que enforca-se Angelo, meu noivo. Louis Riquelme é um monstro Desire. Ele me violou, me torturou, é por medo dele que nos exila-mos, aquele homem roubou nossas vidas, principalmente a tua, você é o fruto de tudo isso, tu és filha dele.”

  Não muito tempo depois sua mãe morrera em agonia, deixando para trás uma filha transtornada  pela confissão, Aimé apareceu horas depois quando o sol já nascia, vendo o estado da sobrinha lhe convenceu a deixar que enterra-se a irmã só, quando voltou encontrou a jovem ainda muito abalada, sem dizer nada pegou em sua mão a levando por uma trilha perigosa até o pé da montanha de volois, onde de longe se viam as masmorras, ali tendo aquela visão como fundo Aimé terminou a confissão da irmã. “-Louis Riquelme é teu pai Desire, no entanto ele a mataria se soubesse de sua existência, foi por ti, para preservar a tua vida que Melisa se isolou na floresta. Você deve isso a ela Desire, minha irmã jurou vingança a ele, hoje Louis Riquelme volta ao castelo das masmorras, as passagens levam a todos os quartos de lá, e cabe a ti fazer com que ele pague por todos os seus crimes. Usando isto aqui.”

  Aimé dera-lhe então o frasquinho que Desire vira tantas vezes com sua mãe, a jovem entendeu então no que a mãe tanto trabalhava, moldando e aperfeiçoando, melhorando ano após ano, um veneno mortal, sem cheiro, sem cor, indetectavel, capaz de matar aos poucos, causando uma dor absoluta em quem o tomasse.

  Afastando todas aquelas memórias de sua cabeça, Desire se pôs a comer a papa, forçando-a a descer por sua garganta sufocada de tristeza, estava cansada de ficar só, nem mesmo a lua cheia que se aproximava não conseguia abrandar aquele sentimento, mesmo sabendo que Sanchar fosse se tornar homem e viria lhe fazer companhia, nada diminuia aquela sensação, foi então que lhe ocorreu, ela não precisava ser só, Desire era uma mulher e poderia ter um filho.

  A garota estava imersa em seus mais novos pensamentos quando Aimé surgiu na entrada da caverna, fez sinal para que ela a seguisse, levou-a novamente para o pé da montanha, mas dessa fez a tia lhe mostrou a pedra que abria a entrada, a anos Desire sabia sobre a existência do labirinto abaixo das terras de Volois, mas sua mãe lhe proibira de o explorar, no entanto a levou por pequenas passagens para que aprendesse a evitar os perigos que tais passagens continham, seguiu a tia por um longo caminho cheio de curvas e passagens estreitas.

 

  -Olhe bem para este caminho Desire, quero que você o decore.

 

  A jovem assim fez, prestou muita atenção em cada canto que entravam, até se deparar com uma muralha de pedra, feita de muitas outras empilhadas, Aimé empurrou uma das pedras salientes até que esta se movesse revelando um grande aposento, de súbito a jovem viu a cama, só então seus olhos percorreram todo o lugar.

  A tia caminhou até a janela, ocultando seu corpo entre as dobras da pesada cortina, seus olhos então ficaram fixos em algum ponto lá fora.

 

  -Venha aqui Desire!   

 

  A garota se aproximou, seguindo o exemplo da tia em se ocultar sob os panos, lá embaixo, no que lhe parecia um grande pátio de pedra, um homem bufava de impaciência, soberano em cima de seu cavalo, era bonito, mas seu tom de voz rude e agressivo lhe causava medo.

  Algo se contraiu dentro de si, não saberia explicar o que de fato sentiu, mas soube imediatamente quem ele era, Aimé parecia ter lido seus pensamentos, pois lhe confirmou num baixo sussurrar.

 

  -Sim, é teu pai Desire, tu não estás enganada, aquele é Louis Riquelme de Volois.

  -Pai… meu pai…

 

  Aimé puxou a sobrinha para longe da janela, seu olhar frio demonstrava todo o ódio contido por anos, era chegado a hora da verdade, a garota teria que escolher.

 

  -Aquele é teu pai… E também é o homem que condenou tua mãe, espero que tenha olhado bem para ele menina, hoje tu terás que escolher se quer seguir com tua vida vazia, ou se quer justiça por tudo que ele te tirou.

 

  Desire baixou os olhos, sentia medo, quantas vezes não vira aqueles mesmo olhar na mãe, o ódio latente, tantas vezes quanto a vira acordar gritando por um de seus pesadelos, ver aquele homem, fez seus piores sentimentos gritarem dentro de si, desejou desesperadamente fugir, mas Aimé não a deixaria sair sem ter sua resposta.

 

  -Olha bem pra esta cama Desire, olha bem pra este quarto, foi num lugar como este que aquele homem torturou sua mãe, ele a espancou, ele a violou de todas as formas possíveis, foi ele quem matou aquele que deveria ser teu pai, Angelo, e obrigou sua mãe a assistir a morte dele enquanto a violava, no meio da floresta, na frente de todos, foi nesse chão que ele esquartejou o cadáver de teu avô, só pelo prazer de ver o sofrimento de Melisa, pensa bem no que vais escolher, aquele homem tirou tudo que tua família tinha, ele te tirou a chance de ser feliz… Mas se tu for fraca para seguir adiante pode se contentar em ser apenas a bastarda do senhor, mas se um dia ele descobrir sobre você, estará morta.

 

  Desire caminhou novamente até a janela, seus olhos fixos no homem agora ardiam pelas lágrimas de ódio, pelo peso que aquelas palavras lhe trouxeram, então percebeu, para si não havia outro destino, nunca poderia ser feliz tendo aquele homem como pai, não reconheceu a própria voz quando falou.

 

  -Apenas me diga o que tenho que fazer…

  -Por hora, guarde em sua memória o caminho que fizemos, nos próximos dias eu te ensinarei todas as passagens de Volois. -a garota olhou novamente para o pátio.

  -Quem é aquela ao lado dele?

 

  Aimé vislumbrou a figura que a sobrinha apontava.

  -Amelia, a esposa de teu pai

  -Eu terei que…

  -Não! Dela cuidarei eu...

 

  Desire olhou uma última vez pela janela, sua decisão havia sido tomada, Louis Riquelme de Volois iria morrer, e ela seria seu carrasco.


Notas Finais


Por favor, quem puder ajude.

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A campanha está sendo realizada para arrecadar fundos para comprar um aparelho celular para nossa querida Lila (LilaKiss - calanguinha) autora no site Lettera.
Nossa meta é conseguir a quantia de R$ 400,00 para adquirir um smartphone galaxy J1. (Se alguém conhecer um aparelho semelhante, com um melhor custo-benefício, favor contactar alguma organizadora)
Para isso, faremos uma rifa com 3 premios no valor de 5,00 reais cada numero comprado;
* 3º prêmio: VIRAR PERSONAGEM NA HISTÓRIA LOBA, DA AUTORA AMS

* 2º prêmio: BLUSA PERSONALIZADA DO GRUPO VARANDA DO LETTERA

* 1º prêmio: PDF do LIVRO DUALIDADE de Drikka Silva.

A campanha seguirá até o dia 15/11/2017.
*Para efetuar a compra, é preciso comprovar o depósito*
Conta: 9405-3
Agência: 1961
Operação: 023
Nom: KARINA MARA ALVES FERREIRA
Caixa Econômica Federal
Obs 1: em caso de arrecadação superior a meta ou de R$ 400,00, o execende será doado ao Lettera, e em caso de arrecadação inferior, será também destinado ao Lettera .
Obs 2. Você pode comprovar a compra da rifa mandando uma foto para o Whatssap Telefone Removido ou por inbox na pag do facebook do Varanda do lettera.
Obs3. Você pode doar qualquer valor não necessariamente o da rifa.
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