História Lola - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias One Direction
Exibições 5
Palavras 5.886
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Esporte, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Talvez o Louis perca um dente. Ou dois.

Capítulo 4 - Shippada


Fanfic / Fanfiction Lola - Capítulo 4 - Shippada

Depois de tanto tempo, foi estranho estar beijando alguém que não fosse o Artur. Talvez estranho não seja a palavra, algo mais pra surpreendente. Tudo bem que eu já havia ficado com outros caras antes dele, mas nunca antes alguém com tanta... Confiança.

Zayn me beijava e demonstrava que sabia o que estava fazendo, que não era só um menino em um surto da puberdade e sim um homem que tinha a certeza que teria o beijo correspondido.

Me assustei quando fui colocada sentada na bancada gelada da cozinha e separei nossos rostos, fazendo Zayn rir por um momento e tirar uma mecha do meu cabelo que insistia em se soltar do coque.

Entrelacei os braços por volta do seu pescoço, nos juntando e pedindo por mais. Por sorte ele entendeu o recado silencioso e voltou a me beijar; até que alguém que começa com L e termina em um bumbum grande gritou:

-ZAYN!

Ele se afastou devagar, como se nada tivesse acontecido e ainda mantendo uma mão na minha cintura, como protegendo o território dele ou algo assim.

-Louis?

-Quer dizer – ele baixou o tom e engoliu em seco – O Niall podia ter visto, ok? Acho que ninguém aqui quer poluir a mente dele.

Zayn riu descontraído e disse:

-Claro Tommo.

Só que a criança não entendeu o recado e ficou ali plantado esperando que saíssemos.

Pensei que o cara na minha frente não se deixaria levar pela ordem de um Louis, mas parece que até Deus se rebaixava a uma ordem Tomlinson.

-Espera – perguntei enquanto era puxada para a porta pela mão – Onde tais me levando?

-Pra minha casa – Zayn anunciou como se já não fosse óbvio.

Eita. Tá, eu já tinha ido pra casa do Artur, mas ele tinha 18 anos e a maior coisa que podia acontecer era uma mão boba. Mas lá eu ia saber o que um cara lindão e maduro daqueles ia querer comigo sozinho na casa dele.

Só que ao invés de dizer isso pra ele, me perdi em pensamentos e quando dei por mim estava na mansão Malik. Tinha a mesma estrutura das outras casas, mas tinha uma cara mais... Zayn.

Os cantos escuros eram compensados com móveis de cores vibrantes e um abuso de lustres dos mais variados tipos. Era tudo muito prático, cheiroso e organizado pra ser uma casa de homem, o que dava a entender que eles praticamente viviam na casa do Harry ou que Zayn tinha algum complexo com arrumação e limpeza.

-Onde a gente parou mesmo?

Em 16 anos assistindo comédias românticas, nunca pensei que realmente fosse ouvir aquela frase antes da cena clichê do beijo recomeçar, mas parece que eu não conhecia mais minha vida direito. Não que eu esteja reclamando, tá ótimo, deixa assim confuso mesmo.

E a cena se repetiu quase do mesmo jeito, fui colocada sentada na bancada gelada da cozinha, sentia suas mãos firmes na minha cintura e tinha os braços entrelaçados em seu pescoço. Talvez se eu fechasse os olhos pudesse me ver na casa do Harry com a geladeira aberta ao fundo.

Quando Zayn resolveu beijar meu pescoço, não soube direito onde colocar as mãos e nem o que fazer com elas, então comecei a dobrar a barra da camiseta dele, onde, na minha inocente interpretação, não queria dizer nada, só que aquele cara me beijando não tinha uma interpretação de 16 aninhos e entendeu uma mensagem subliminar que eu não havia deixado: “tire sua camisa”.

Ele era lindo e acabei perdida naquelas tatuagens, algo do tipo “preciso tocá-las pra ter certeza de que são reais”. Durante minha distração, ele já tinha as mãos debaixo da minha camisa (que era dele), e dali para ter ela jogada no chão e meu rosto queimando de vergonha, não demorou muito. Apesar de Zayn me passar segurança, daria um rim para que, de alguma forma, ele não pudesse me ver. E parece que a força superior me escutou, porque a luz acabou.

Nós nos assustamos e rimos com as próprias reações antes de começar a tatear no escuro atrás do rosto um do outro. Quando os beijos recomeçaram, entrelacei as pernas na cintura dele e, no momento em que ele grudou nossos corpos no intuito de me levar até o quarto, ouvimos um grito:

-AH MEU DEUS! LOUIS!

Como se tivesse levado um choque, me soltei de Zayn ofegante e não era a única com uma descarga de adrenalina. No caminho correndo e escuro até a porta, ele me jogou sua camisa que estava no chão e segurou minha mão pra ter certeza que eu não fosse me perder, o que era bem provável visto o tamanho da residência.

Chegando na casa do Harry e esperando uma cena catastrófica envolvendo talvez uma escada, sangue e um corpo estirado, só vi quatro pessoas iluminadas por lanternas de celulares gritando pra um buraco no teto.

-Mas que merda é essa? – perguntei para Liam, Harry, Niall e Bella.

-ISSO FOI A LOLA? – Louis gritou do... Buraco?

-O que merdas o Louis ta fazendo aí?

-Eu tava tentando arrumar essa porra de fiação quando o idiota do Liam juntou os fios errados!

Respirei fundo e quase cai sobre Zayn de alívio.

-Ah, é só isso!

-SÓ ISSO? EU PODIA TER MORRIDO LOLA!

Suspirei e revirei os olhos massageando os ouvidos machucados com aquele tom Louis enquanto Liam se desculpava e tinha rugas na testa sem entender o que havia feito de errado. Segundo ele, tinha passado os fios certos na hora certa e que provavelmente era Louis que tinha mudado alguma ordem. Do jeito que fosse, o mais velho não conseguia sair de lá porque não enxergava a saída e ninguém jogaria seu celular naquela altura pra que ele pudesse enxergar algo. E quem é que era a única pessoa ali presente que conseguiria ser levantada e entrar no buraco no teto? A LOLA!

Com um iPhone na boca, fiquei no meio de uma roda de gente discutindo sobre o que eu deveria usar para subir lá, até que simplesmente peguei impulso e pulei, me segurando com os braços e agradecendo aos céus pelos treinos sangrentos de futebol que melhoraram meus bíceps.

Louis percebeu minha presença ali e me puxou pra cima. Era um lugar fedido, quente e apertado e ele suava igual um porco.

-Bem-vinda! – disse e tentou um sorriso e eu ri da cara molhada dele.

-O que exatamente eu preciso fazer aqui?

-Eu ilumino pra você enfiar a mão ali – ele apontou pra uma caixa de controle xexelenta cheia de fios dos mais variados tipos e cores – e tirar os nós.

Olhei bem séria pra cara dele, que parecia não estar brincando em relação a isso.

-O teu cu que eu vou colocar minha mão ali, coloca tu!

-Ah claro, até porque a minha mão cabe ali dentro, mesmo!

Parece que lá de baixo a conversa estava tendo plateia, porque Zayn gritou:

-O que tá acontecendo aí?

Me agachei em direção ao buraco e olhei pra ele para afirmar, com o melhor sorriso possível:

-Só o Louis sendo um pau no cu.

Todos ainda riam quando eu voltei para o cubículo apertado e quente.

-Hora de colocar a patinha na caixa. Vai com tudo. – Louis incentivou iluminando o local.

Se antes eu já suava de calor, agora tinha a blusa colada no corpo pelo medo de colocar um fio no lugar errado e explodir a casa.

E como se nada pudesse piorar, Louis, que já estava cafungando meu cangote, resolveu sussurrar:

-Cuidado com os vermelhos.

Eu acho que nunca vou conseguir soltar um grito de susto daqueles.

-CARALHO LOUIS! – dei tapas no ombro dele – VAI TOMAR NO TEU CU, SEU BOSTA!

Ele ria tanto que não tinha como eu ficar verdadeiramente chateada com aquele sorrisão, de modo que acabei rindo da minha própria cara junto.

E o pessoal lá de baixo, incluindo Zayn, não entendendo nada.

-Sério – apontei com o dedo na cara dele e parei de rir – Não faz mais isso.

Sequei a testa na barra da camiseta e coloquei a mão de volta lá, mas dessa vez conseguindo fazer o serviço e, assim que a luz voltou, nós dois caímos cansados e soados no chão do lugar apertado e xexelento, e com a luz eu pude perceber o quão nojento era.

-Esse negócio de "caralho" – Louis começou e eu ri outra vez com sua péssima pronúncia em português – é um palavrão, não é?

-É sim, por quê?

-Porque você vive falando isso.

Pela enésima vez naquele dia gargalhei junto com aquele homem.

-Beleza, achei a escada, podem descer. – Liam anunciou lá de baixo.

Garantindo que minha camiseta estava tampando o suficiente meu bumbum, desci com ajuda de Bella.

-Acho que você precisa de mais um banho, mocinha.

Assenti agradecendo o copo d'Água oferecido por Zayn.

-Ah não! – Louis gritou tirando a camisa – Nem vem que o banheirão do Harry é meu. – e jogou a camisa pesada de suor em cima de mim.

Eu respirei fundo e peguei aquela nojeira com a ponta dos dedos.

-Não, não fizesse isso...

Com aquele sorriso maroto de sempre, ele disse:

-Parece que eu fiz, Lols.

E foi nesse instante que eu saí correndo usando a camisa soada como chicote e só parei após deixar uma marca vermelha em suas costas e gritar para a porta do banheiro que abrigava um Louis gargalhante:

-QUE ISSO SIRVA DE LIÇÃO, TOMMO!

O banho dele demorou muito, tipo muito mesmo assim, mais que banho de mulher no dia de noiva; mas apesar de ter que ficar esperando de pé pra não lambuzar o sofá, cheguei a uma conclusão: ou Zayn era louco por mim, ou tinha algum problema na cabeça, porque apesar da minha situação repugnante ele continuava me abraçando descontraidamente.

No final das contas, eram quatro da manhã quando todos fecharam os olhos nos colchões e cobertores espalhados pela sala. Eu usava um pijama de ursinho da Bella, outra cueca do Liam (novinha, cheirosinha e limpinha) e tinha um Niall usando minha barriga como travesseiro enquanto eu fazia o mesmo em Zayn.

-Boa noite Lols. – ele desejou enquanto acariciava meus cabelos, de modo que, mesmo emocionalmente devastada, sentindo meu pé debaixo do bumbum do Harry e com medo de voltar pra casa, dormi e sonhei com arco-íris e fadas. Quer dizer, fadas usando cuecas.

***

Acordei com um despertador irlandês pedindo sorridente por um café da manhã brasileiro. O problema era que eu não sabia direito onde estava e muito menos que hora era. Olhei ao redor e vi que Bella continuava quieta, com o olhar longe, Harry sempre ao lado dela, Liam no celular e Louis comendo uma... Cenoura?

Me assustei quando Zayn apareceu aparentemente do além beijando meu pescoço em um "bom dia baby" sussurrado.

-Espera... – Niall disse sentando entre nós dois e nos olhando como alguém assistindo a um jogo de tênis. – Vocês estão juntos?

Aquilo fez com que todos na residência Styles nos olhassem esperando a resposta e minha visão periférica dizia que Zayn tinha só um sorriso brincalhão nos lábios, quase como uma provocação do tipo: fala pra eles, Lola.

O problema é que eu não sou o tipo de pessoa que tem a vida definida em definições, e sim em ações. Em outras palavras, eu não sabia se estava ficando, namorando, enrolada ou numa amizade colorida com Zayn, não perguntaria pra ele e nem queria saber. O que importava pra mim é que nós estávamos felizes e eu fiz o que tinha vontade de fazer, sendo aquilo errado (e meio ousado pra minha idade) ou não.

Fuja da pergunta, Lola.

-Sem questionamentos filosóficos antes das sete, Niall.

Ele riu, mas continuou:

-Mas são nove horas, Lolinha.

-QUÊ?!

Levantei em um pulo que estralou minhas costas em direção ao meu celular na mesa da cozinha, só pra confirmar que eram mesmo 9 horas e que tinham umas 170 ligações da Laura.

-Ah, uma tal de Laura ligou – Louis disse, pela primeira vez naquele dia – e ficou bem histérica quando eu atendi.

-Porra Louis, tu também não colabora né?

-Ah, eu ia lá saber, devia me agradecer por ter atendido.

Fiz sinal com a mão pra ele baixar a bola enquanto retornava as ligações.

-LOLA!

Afastei o telefone com o grito depois do primeiro toque.

-Laura, querida, como vai?

-POSSO SABER PORQUE LOUIS TOMLINSON ATENDEU QUANDO EU LIGUEI ANTES?

Tentei ser sucinta e explicar em menos de dois dias de duração o porquê daquela situação histérica.

-Ah, então Zola é real mesmo?

-Zola? Que porra é essa Laura, marca de macarrão?

Zayn riu e foi acompanhado por Bella e Harry.

-É o shipper entre você e o Zayn.

E pela segunda vez no dia tive que dizer que não sabia e nem queria saber.

-Mas você vai ter que voltar pra casa mais dia menos dia, e quando esse momento chegar quero saber até os mínimos detalhes.

A coitada não ia saber nenhum detalhe.

-Por falar em voltar pra casa, meu pai tá aí?

-Sim e o clima tá péssimo. Mas Lola, você não vai viver aí pra sempre, certo?

-Não Laura, eu acabaria matando o Louis. – mesmo sem entender ele me mandou um beijo debochado e eu ri – Mas eu não vou conseguir encarar isso agora. Depois da escola eu vou, ok? – não esperei a resposta, mandei beijos e desliguei.

Acho que aquela era a primeira e única vez que eu não queria que as aulas daquele dia acabassem nunca.

-TÁ AMIGOS! – gritei chamando atenção de todo mundo – Por que diabos vocês não tão tudo correndo pra se arrumar?

-Porque ninguém tá animado pra ir... – Harry disse como se não fosse óbvio e levou um tapa de Bella.

-Mas eu preciso fazer uma moral com a treinadora, que, se as antas não sabem, é a professora de educação física que é a próxima aula. Então vamos agilizar a cenoura aí Tommo.

Subi pra ir no banheiro e na saída tinha um Louis segurando uma camiseta e um short de futebol, que provavelmente era curto pra ele.

-Treinadora adora gente que usa a camisa do time como uniforme. Ela diz que é orgulho da profissão. – ele usou aspas com as mãos e riu.

Eu agradeci com um sorriso singelo e entrei outra vez no banheiro para colocar a roupa e me deparar com um possível problema: tinha um "Tomlinson 17" estampado nas minhas costas. Mas acho que Zayn entenderia. Ou não?

Ah, foda-se.

Desci as escadas e por mais incrível que possa parecer, a família toda já tava prontinha e Zayn só me deu um beijo na bochecha e me alcançou meias de futebol.

As pessoas daquela casa tiram tanta coisa da onde? Do além? Do chão?

Em quinze minutos e um Liam dirigindo muito cautelosamente, enfim chegamos e eu saí literalmente correndo e amarrando minhas chuteiras do dia anterior quando o sinal da aula de educação física bateu.

Antes que a treinadora começasse, fui até ela e pedi desculpas pelo ataque do outro dia com uma história envolvendo um término traumatizante com um namorado no Brasil, lágrimas e muita saudades de casa. Pela graça da força superior que protege os loucos e apaixonados, consegui convencê-la e até ganhei um abraço de consolo antes do jogo enfim começar.

Como capitão do time do colégio e por ter me escolhido, eu e Louis escolheríamos os times. Enquanto todos se posicionavam um ao lado do outro pra vermos as opções, olhei de relance pro Louis e percebi que, além de usarmos roupas totalmente iguais com exceção das chuteiras, estávamos em posições idênticas: o peso apoiado no pé esquerdo e uma mão protegendo os olhos da forte claridade do sol das 9:30; e acabamos rindo quando ele também se deu conta da coincidência quando começamos a escolher os componentes.

De pessoas que realmente importam pra essa história e em ordem de escolha, meu time ficou com Zayn no gol, Bella e Liam e o time Tommo ficou com Harry, Niall no gol e Hardy (um cara também loiro, quase da minha altura que era atacante do time do colégio); os outros membros foram escolhidos por ordem de utilidade/mínima afinidade, mas não vêm ao caso. Ganhei no par ou ímpar colocando um zero e dando um tapa vitorioso no bumbum do Louis quando passei por ele segurando, vitoriosa, a bola para dar início à partida.

Sendo pertinente ou não, preciso citar que Bella tem medo de quebrar a unha com o atrito com outros jogadores, Zayn é super dedicado (ele tenta gente, ele tenta) e Liam é a pessoa mais anti faltas e agressão física do universo, servindo mais pra juiz do que pra atacante propriamente dito; já do outro lado tínhamos um Louis com sangue nos olhos, um Harry de coração partido por não estar no mesmo time que a amada e um Niall com um dilema: jogar ou rir de todo e qualquer movimento e frase do Louis? Eis a questão.

O combate já começou com uma puxada de camiseta à moda Tomlinson, que fingi não ver porque sabia da magnitude da possessão de Zayn, então melhor deixar passar. Mas só dessa vez, Tommo, só dessa vez. Como se escutando meus pensamentos, quando o segundo puxão de camiseta aconteceu, Louis foi tirar satisfações com Hardy, e eu que tive que ir separar o bate-boca pré intervalo.

Sentei, entenda-se me joguei, no meio do campo e esvaziei uma garrafa d'Água nas pernas durante os  intermináveis 5 minutos entre um tempo e outro da partida, que continuava no zero a zero. Zayn apareceu do meu lado e se inclinou pra me dar um selinho singelo.

-Tudo bem?

Não sabia exatamente ao que ele se referia, mas respondi que sim com um sorriso e levantei com sua ajuda, chegando ao segundo round da matança naquela manhã que mais parecia uma fornalha.

-Com vontade de desistir, Lols?

Olhei pra cara daquele Louis mais molhado que eu e ri alto e debochadamente. Aparentemente aquele era o jeito dele de saber se eu estava bem.

-Só desisto quando rolar sangue, meu bem.

Causei o efeito comum: risadas nos dois lados do campo, mas não deveria ter falado aquilo. Faltando cinco minutos pra acabar a aula e, consequentemente, a partida, já conseguia me ver sendo zoada eternamente por ter empatado pro Louis, ou seja, precisava dar um jeito naquela situação e acabei fazendo uma jogada arriscada: com um chute alto mandar a bola pra Zayn rebater e, enquanto o time adversário corria pro meu gol, correr pro gol desprotegido deles e abrir o placar. Com uma convicção em mente e acreditando no potencial das minhas pernas, eu agi.

Colabora força superior, nunca te pedi nada.

Chutei.

Em uma parabólica errada, a bola acabou a poucos metros de um Tomlinson livre e com fome, sede e tesão de marcar alguma coisa. Desesperada, corri escorregando nas chuteiras molhadas pela garrafa de água do intervalo e foi então que eu vi o passe mais estupidamente maravilhoso da minha vida: uma bicicleta que, pra quem vive debaixo de uma pedra ou algo assim, é um lance em que o jogador, inclinando-se pra trás, coloca a perna pro alto e chuta a bola com o peito do pé, como se estivesse pedalando no ar. Cara, é lindo. O problema foi que eu vi de perto demais e tudo clareou e ficou girando, turbulentamente rápido.

Apenas com o fim de um súbito choque de dor tive coragem de abrir os olhos e perceber que estava com a cabeça no peito de um Louis pedindo perdão, desesperado.

-Me desculpa, Lols, eu juro que não te vi chegando, me desculpa. – repetia incessante mantendo uma mão enterrada no meu cabelo, como se segurando tudo ali intacto.

-O quê? – perguntei sem entender nada, tentando sutilmente me afastar dele quando Zayn chegou correndo.

-Parabéns, Louis! – ele ainda batia palmas de reprovação quando se ajoelhou na minha frente.

-Não começa, Zayn.

A frase que o moreno havia começado foi cortada por uma suspirada dramática.

-Parece que quem começou alguma coisa aqui foi você, amigo.

-Ah claro, até porque eu fiz de propósito! – Louis gesticulou.

-Lola, querida, fique parada, tudo bem? – percebi a treinadora segurando meu rosto nas mãos e Bella ao seu lado com um sorriso encorajador.

O que porras estava acontecendo?

Minha cabeça não estava funcionando muito bem, como se eu tivesse acabado de acordar ou coisa assim, mas eu só tinha a certeza que precisava fazer uma bicicleta igual àquela.

Enquanto o acúmulo humano ao meu redor aumentava, a briga Zouis continuava a mil.

-Meio infantil da sua parte não aceitar perder.

-Ah, cala essa boca, vai.

-Se não o quê? – Zayn perguntou enquanto levantava – Vai bater em mim também?

-Amiga, onde dói? – Bella perguntou me tirando o foco da briga.

-Não dói nada, me larga. – falei super confiante e levantei meio tonta.

-Olha aqui, Zayn, tais começando a me irritar – Louis, mesmo sendo mais baixo que o outro, segurou sua camiseta com a mão e o puxou pra cima.

Ninguém ali tinha a coragem de separar nada, boquiabertos.

-Engraçado que você não disse isso pra Lola antes de...

Segurei a mão fechada em punho do Louis antes que ela atingisse o maxilar do Zayn.

-CALA A BOCA VOCÊS DOIS, PORRA!

Quando eu falei isso, eles pararam e Louis finalmente virou pra mim, mostrando o lugar onde meu rosto estava momentos atrás em sua camiseta. Havia sangue ali.

Inconsequentemente, levei minhas mãos ao meu rosto e vi que meu nariz estava sangrando e o choque de dor voltou.

-Lols, me desculpa...

Então quer dizer que eu tinha atrapalhado o que seria um gol lindo? Burra, burra, burra.

-Você precisa me ensinar a fazer isso.

-Ela está em choque. – Liam anunciou.

-Não estou, não. – falei com um dedo na cara dele. – É serio, como você fez isso?

Eu provavelmente estava em choque mesmo, mas só precisava conseguir fazer a mesma coisa que Louis havia feito.

-Linda, vem comigo.

Zayn pegou minha mão e foi me levando pra algum lugar.

-EU QUERO QUE VOCÊ ME ENSINE DEPOIS! – gritei e Louis riu sem entender direito.

-Mantenha o rosto pra cima, Lolinha.

-Eu to bem Horan.

-Não tá não. – Harry sussurrou.

-Eu escutei isso Styles. Você viu o que seu namoradinho disse, né Bella? Era bom ter uma conversinha com ele.

Bella ficou mais do que vermelha e riu envergonhada.

-Amiga, você parece uma pessoa bêbada agora.

Como se fosse castigo, tropecei e caí, fazendo novamente pessoas surgirem aparentemente do chão pra me ajudar.

-Eu levo ela pra enfermaria, já que a culpa foi minha e pra ninguém perder aula. – Louis anunciou e eu senti a fagulha da briga reascender.

-Ah, é claro que você vai levar ela pra algum lugar, só se for pro necrotério.

-Ooooh! Vamos começar a praticar o deboísmo aqui nesse recinto? – perguntei e Niall riu alto, mas tentou se controlar – Já sou uma mocinha, posso ir sozinha pros lugares.

E simplesmente saí andando em direção a bendita salinha da enfermeira Betty, parando apenas no meio do caminho pra gritar um:

-CARA, VOCÊS JÁ PODEM SAIR DESSAS POSIÇÕES, OK?

-Mantenha a cabeça pra cima, amor!

Levantei a cabeça e mandei-lhe um beijo ensanguentado. Deve ter sido a maior visão do inferno, mas o que vale é a intenção, afinal.

Como sempre acontece, só fui sentir a verdadeira essência da dor quando Betty resolveu uns antissépticos dentro do meu nariz com a promessa de "não vai arder", mas mano, vai tomar no cu, esses farmacêuticos colocam o que dentro desses frascos inocentes? Veneno de cobra? Componentes derivados de petróleo? Eis a questão. O pior de tudo é que essa não foi a única questão filosófica durante a sessão "vamos ver se seu nariz não esta quebrado". Entre outras coisas, na minha cabeça repassava como um filme aquele passe lindo, a imprevisível quase agressão Zouis e uma dúvida que tive de me repreender por cogitar aquela possibilidade: "será que Zayn tinha razão e Louis me deu a bolada de propósito?".

Não, caso fosse realmente isso ele não teria até brigado com Hardy por ter puxado minha camisa. Ou não tem nada a ver?

Umas meninas do time do colégio passaram pela enfermaria e, ao me virem ali, riram e comemoraram. Até aí tudo certo, já que todas elas me odiavam porque eu estava com o Zayn, O Desejado; mas então simplesmente todas elas passaram em bando. O que diabos era aquilo? Tava rolando comida grátis? Show da One Direction no intervalo?

Como se querendo responder minha pergunta, alguma entidade superior mandou duas garotas, a capitã do time (única que ia com a minha cara) e uma aleatória que eu nunca tinha visto mais feia; e as duas estavam com o rosto arranhado, os cabelos péssimos e algumas escoriações nos braços e pernas, como se estivessem passeando com o tiranossauro rex em um jardim de urtiga.

-Acho que a treinadora quer falar com você também. – disse a menina que veio junto com a capitã, fazendo a última bufar.

Recebi um olhar de aprovação de Betty e voltei ao campo, passando pela minha sala e deixando todos com uma pulga atrás da orelha do tipo "essa mina tem algum problema na cabeça que tá voltando pro lugar em que foi espancada pela bola?".

Sim, a treinadora estava lá e queria falar comigo, que em resumo era:

-Lola, a Ashley está fora do próximo jogo, e te assumo que quero muito você usando aquela braçadeira de capitã – eu também, querida, eu também – só que para fins oficiais meus desejos não são atendidos, então precisarei fazer um teste com todas as garotas.

-Ah ótimo.

Já ganhei essa merdinha.

-Mas – ela continuou com aquele sotaque alemão e eu tive vontade de jogar minha meia soada na boca dela pra que ela não começasse com esses "mas" – O teste é hoje após o intervalo.

Ah, que bela bosta.

Voltei pra sala derrotada e andando sem vontade de viver. Aquela braçadeira era o sonho da minha vida, e eu não ia consegui-la pelo simples, só que não, fato de ter uma dor da porra no nariz que não me deixava pensar em nada que não envolvesse querer estar morta.

Mas espera aí... Só se...

-Mas gostas mesmo de falar sozinha né? – Louis disse quando me sentei no meu lugar na sala.

-Escuta, eu preciso que você me ensine como fez aquilo.

-O quê? Te dar uma bolada na fuça? Nem é tão difícil se contar com o fator loira e...

-Não, idiota – o cortei rindo – Aquela bicicleta putamente fucking maravilhosa.

Ele riu olhando pra frente pra disfarçar nossa conversa e não pararmos na coordenação pela segunda vez na semana.

Quando a bruxa parou de nos olhar, retornei ao assunto e expliquei do teste e que sabia que ganharia a linda braçadeira se fizesse aquilo.

-Acho que seu namoradinho não vai gostar.

O tom que ele usou para denominar o Zayn foi tão sarcástico que doeu e eu olhei por impulso para o lugar que ele ocupava na sala apenas para vê-lo vazio.

-Espera... O que...

Louis tirou o celular do bolso e mostrou uma foto nossa. Era um clique muito nítido do exato momento em que, vestidos de maneiras iguais, nos olhamos e rimos, dando motivos ao mundo de que Loula (mas que nome merda, sociedade) fosse real e sim, aquela foto estava dominando a internet, me acusando de "fácil" e "qualquer uma".

Não, eu não sou essa pessoa. Ok, eu posso não ser a pessoa mais educada do mundo, nem a mais receptiva ou querida, mas eu sou fiel aos meus amigos, meus princípios e, principalmente, aos meus relacionamentos, por mais conturbados e indefinidos que sejam. Não, eu não devia nada pra ninguém e nem me importava com o que as pessoas falavam, mas naquele momento eu precisava achar Zayn, explicar aquilo e colocar na cabeça dele que meu sonho de ser a capitã do time era maior do que àquelas fofocas idiotas, e foi o que eu fiz. Não me perguntem como eu saí da sala sem a professora perceber.

Ele estava no estacionamento encostado no carro de Liam com o olhar longe.

-Se você veio pedir desculpas...

-Eu não vim pedir desculpas porque quem pede desculpas fez algo de errado, e eu não fiz. – o cortei, colocando-me na sua frente.

Ele olhou pra mim e colocou as mãos na minha cintura, me puxando pra mais perto.

-Vai ter um teste pra capitã do time.

Zayn sorriu e disse algo como "ótimo".

-Mas eu preciso da ajuda do Louis pra treinar.

Ele ia se opor mas o interrompi outra vez.

-Não vim aqui pedir autorização, eu só to avisando. – a expressão facial que recebi não foi das melhores, mas dane-se, puxei seu queixo para ter seus olhos nos meus – Escuta, eu to com você, ok? A gente ficou ontem e foi incrível, você sabe. E não importa o que o mundo diz, importa o que a gente sente, seja lá o que for.

Zayn me olhou por um instante e deu aquele sorriso que eu adorava antes de me beijar, o primeiro beijo decente do dia, sem pressa.

-Vai lá e mostra pra elas quem manda.

-Mas você...

-Eu estarei lá – ele prometeu entre uma piscada e um meio sorriso, metade da metade do que eu tinha no momento em que saí correndo em direção ao campo, onde Louis já estava.

-Escuta aqui – eu disse chamando sua atenção – Tá tudo certo com meu namoradinho, só não força a barra porque ninguém é de ferro, valeu?

-Sim senhora. Agora fecha essa boca e vai fazer uns polichinelo.

-É sério isso Louis?

-E eu lá tenho cara de quem tá brincando?

Rindo, obedeci até que o sinal do intervalo tocou, significando que tava tudo fodido porque a gente só tinha vinte minutos.

A galera toda apareceu na arquibancada, assistindo, e Hardy veio para o campo a pedido do meu mais novo e chato treinador.

-O negócio é o seguinte: você pega impulso pra fazer um mortal pra trás só que levanta uma perna e chuta. Fechou?

Assenti, o que o fez continuar.

-Na realidade, a questão é sorte de uma das meninas do time jogar uma bola num ângulo que dê pra fazer uma bicicleta e que você não pule alto demais ou baixo demais. Hardy, querido, já sabe né?

Hardy assentiu com os olhos brilhando e chutou a bola antes do Louis fazer o processo todo parecer fácil demais.

-É isso.

Olhei pra cara dele com um olhar do tipo "nossa, muito obrigada isso esclareceu muita coisa", mas com a convicção que eu estava, me joguei pra trás e caí de costas no chão, escutando todas as vértebras possíveis esticando.

Só Hardy me ofereceu a mão pra levantar, mas só de pirraça neguei ao ver aquela cara de "vamo logo com isso querida" do Louis. Então era isso? Ele tava duvidando de mim? Ah coitado...

Tentei mais doze vezes, todas falhas, até que Zayn resolve aparecer ali e falar que era muito perigoso.

-Ah, nem sabes nada sobre treinamento profissional, fica na tua, ela não vão morrer não.

-Cala essa boca, Louis, não tá vendo que ela vai se machucar?

Naquele momento eles já tavam a ponto de se socar e eu tive que intervir pela segunda vez no dia, que parecia não ser a última.

-Mas que porra, mano, vocês têm algum problema com a minha cara? Vai sentar, Zayn, tá tudo bem. E tu também – apontei pro Louis – fica na tua e para de me olhar com essa cara de superior, seu merda.

Por sorte eles obedeceram e pedi ao último para dizer enfim o que eu estava errando.

-É só pular sem medo de cair.

-Ah tá, e eu to pulando como?

-Porra Lola, to aqui numa boa te ajudando, merda. Faz essa porra aí de novo que eu vou filmar e te fazer ver as merda que tais fazendo. – anunciou vermelho de raiva e tirou o celular do bolso.

Naquela hora meu ódio era tanto que se Zayn e Louis fossem brigar de novo eu dava um soco no meio na cara de cada um, mas antes eu fiz, pela décima quarta vez aquela bicicleta, que nem fazia mais tanta questão assim; e só soube que tinha enfim conseguido com a exclamação da plateia, palmas pausadas de alguém próximo e uma frase com linguajar bem  chulo do Louis:

-Caralho, eu sou muito foda.

Não gente, o foco não é no ser humano com uma bundona, é no ser humano batendo palmas pausadas quase ao meu lado, que era a treinadora, que levantou meu braço e colocou uma linda braçadeira nele.

-É toda sua.

E foi simples assim que eu, Lolinha a Fodinha Martinê, consegui subir àquele patamar. Segundo fontes, a treinadora estava ali olhando desde o início do treino e não me elegeu capitã por ter conseguido fazer a bicicleta, foi pela persistência e determinação. Não que eu quisesse saber os porquês, estava ocupada demais rodando nos braços do Zayn e criando paranoias na cabeça envolvendo “quem diabos trouxe a treinadora para o campo, até porque ela não é igual à casa do Harry em que as coisas surgem do chão”. Mas eu é que não ia perder meu tempo criando noia na cabeça, até porque tinha um Louis pra agradecer, fãs pra prestigiar, um “namoradinho” pra curtir e, segundo a treinadora, um nariz pra cuidar, e por isso pude ir pra casa junto com Louis. Ah, não...

-Sabe treinadora, será que a senhora podia dispensar o Zayn no lugar do Louis? É que sabe né... – gesticulei pra não ter que explicar tudo.

-Ah, eu pensei que vocês estivessem...

Fiz a minha cara de “não termina a frase querida, não tem necessidade, já ta tudo suficientemente fodido” e ela se tocou e, em cinco minutos, pulei no Louis pra agradecer sem ligar pra quem diabos fosse bater uma foto, garanti que Bella teria um teto praquele dia (sim, ela ficaria na casa do Harry por um tempo, quem sabe pra sempre, com três filhos e um cachorro) e liguei pro meu motorista Johnny com cara de Bob nos buscar e ele, sempre muito eficiente, nos levou até em casa em menos tempo do que o meu nariz voltou a sangrar.

Quando toquei a campainha, fui totalmente ignorada pela Laura, mesmo com o nariz naquele estado de espírito, e pra piorar o Zayn falou com ela, a directioner que tinha pôsters no quarto inteiro. Sim, ela quase surtou, mas quando aquilo passou e as milhares de fotos de sempre foram batidas, a maluca se acalmou e nos deixou entrar, mostrando uma casa sozinha.

-Cadê todo mundo? – perguntei ainda de mãos dadas com um Zayn boquiaberto com o tamanho da residência.

-Quando eu cheguei já não tinha ninguém em casa. – disse subindo as escadas atrás de alguma coisa pra colocar no meu nariz.

-Parece que não vai ser hoje que você vai conhecer o ilustríssimo senhor Gustavo, Zed.

-Zed? – ele perguntou rindo.

-É, seu mais novo apelidinho gay.

Ele ainda gargalhava alto quando meu celular vibrou no meu bolso. Peguei-o e congelei. Era uma marcação do Louis no Instagram daquele vídeo em câmera lenta que ele fizera da minha bicicleta com a legenda “Parabéns para a pequena grande capitã !!”.

-O que foi? – Zayn perguntou. E foi assim que eu tentei de todas as maneiras entretê-lo antes que Louis perdesse um dente. Ou talvez dois.



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