História Lollipop - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Ação, Aventura, Drama, Fantasia, Romance
Visualizações 6
Palavras 1.301
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Colegial, Escolar, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Olhos prateados


Fanfic / Fanfiction Lollipop - Capítulo 2 - Olhos prateados

Por que ela não tira o capuz quando fala com as pessoas? Eu me sentia desconfortável com a franja cobrindo seus olhos, e o capuz escondendo seu cabelo, minha curiosidade só aumentava. E como ela sabia meu nome? Ela estava me seguindo? Seja lá o que ela queria, eu estava com medo, não sabia o que responder.

– Posso te beijar, Enno?

– O.… o quê? – Eu perguntei gaguejando.

Eu mal conseguia ver seus lábios. Por alguma razão eu me sentia atraído por ela, mesmo sem ver seu rosto.

Ela olhou para o pirulito, tirou a embalagem e jogou no chão, depois encostou o pirulito rosado em seus lábios escuros. Talvez ela só estivesse me provocando, ou queria chamar atenção.

– É assim que você se enturma com as pessoas, querendo beija-las? – Perguntei.

– Não Enno, você não entendeu – Ela tirou o pirulito da boca – Eu quero te beijar porque as pessoas são diferentes de você. E além disso, você tem tudo para me beijar.

– Por que você quer tanto me beijar? – Perguntei desviando o olhar para o chão.

Ela colocou o pirulito na altura de meus olhos. Apontou para ele, com o dedo indicador direito, e perguntou:

– O que você vê?

– Um... doce... num palito?

– Você errou, o que só prova o quanto as pessoas são diferentes de você. A terra é a ponta do pirulito, e o palito é o caminho que nós iremos percorrer.

– Nós dois? Andando juntos? Você é doida, fica longe de mim!

Eu passei por ela, e continuei meu caminho de volta para casa.

– Enno! Cuidado com o caminhão! – Ela gritou.

Eu virei para trás e olhei para ela, quando olhei para frente, vi um caminhão passar por mim, quase que me atropelando. Eu coloquei a mão esquerda no coração, assustado, olhei novamente para trás. Ela não estava mais lá, havia desaparecido.

Eu estava me sentindo tão chapado que me belisquei duas vezes para ter a certeza de que não estava dormindo.

Após andar por alguns minutos pensando no que ela havia falando, cheguei em casa. Eu morava com meus pais na quarta casa do subúrbio da cidade, num bairro tranquilo, com vizinhos humildes e educados.

Entrei em casa, e o silêncio desconfortável me obrigou a ligar o rádio. Meus pais estavam viajando a quase duas semanas, e pretendem voltar somente ano que vem. Larguei a mochila no chão da sala e fui até meu quarto, abri a porta e vi a bagunça que estava. Eu não fazia uma faxina a mais de um ano, haviam roupas, livros, bolinhas de papel, tudo estava espalhado pelo chão, sem falar nos lençóis que eu não trocava a meses. Tudo estava bagunçando, com exceção da minha escrivaninha. Me sentei na cadeira, liguei meu notebook e criei uma pasta com o nome “Lollipop” Seria esse o código que usaria para desvendar os segredos da garota misteriosa.

Foi a partir da... foi a partir desse momento que comecei a me intrometer em algo que não deveria nem sequer pensado em fazer, mas o que seria de uma história, sem alguma burrada do protagonista?

– Qual será o nome dela? – Pensei em voz alta.

– É Ayla! – Ela respondeu sentada em minha cama enquanto lambia o pirulito.

O susto foi tão grande, que peguei o primeiro objeto a direita para assusta-la. Infelizmente o objeto era uma régua de metal.

– Como você entrou aqui? As janelas estão trancadas, e quando entrei não vi você aí!

– Enno, há muitas coisas que você não compreende, nem você, nem a maioria das pessoas. – Ela se levantou, deu dois passos e perguntou novamente – Posso te beijar?

– NÃO! – Eu gritei – Eu não quero que você me beije, então dá o fora do meu quarto agora antes que eu chame a polícia!

– Faça o que tiver em mente! – Ela respondeu colocando o pirulito em sua boca.

Eu peguei o telefone, digitei o número da polícia e nada aconteceu... digitei novamente e nada aconteceu...

– Quer ligar para a polícia com uma banana? – Ela perguntou.

O telefone havia se transformado numa banana.

– Como você fez isso? – Perguntei apontando a régua para ela.

– Não fui eu que fiz isso, foi o seu medo! Enno eu não sou louca, você só está enxergando uma realidade diferente da minha!

– Enxergar? Não sou que estou usando um capuz que cobre metade do rosto! – Respondi dando alguns passos para trás.

Ela deu mais três passos, eu novamente dei dois passos para trás, até ela me encurralar na parede. Eu tremia, ela segurou meu braço, tirou a régua da minha mão e jogou no chão.

– Só há uma maneira de você entender o que está acontecendo – Ela disse.

– E se eu não quiser entender nada? – Respondei enquanto sentia o cheiro de seu perfume.

– Você quer... estou vendo isso dentro de você.

– Voc-

Era tarde... Ela havia me beijado. Não sei o que houve ali, de repente tudo escureceu e eu caí no chão, não sei quanto tempo apaguei, mas sei que, quando acordei, tudo mudou...

Senti o frio percorrer por todo meu corpo, o chão era frio e gelatinoso. Abri os olhos, tudo estava embaçado, eu só enxergava uma cor: Vermelho. Eu me sentei e esfreguei os olhos. Lentamente tudo foi ganhando nitidez, pisquei os olhos algumas vezes, estava em algo que parecia ser uma toca. O teto era como uma cúpula, havia alguns desenhos e um lustre gigante de cor amarelo reflorescente, no centro da toca, um puff circular nas cores azuis e brancas. Não haviam portas, janelas, ou mais cômodos.

– Ayla? Você está aí? – Perguntei tentando caminhar no chão.

– Enno? Você acordou! – Ela disse deitada no enorme puff – Finalmente! Eu estava escutando músicas enquanto você não chegava. Já escutou o novo álbum dos Gelatine Bears?

– Eu acho que nunca ouvi falar nessa banda...

– Ah claro, ás vezes esqueço que estamos na Dimension.

– Dimension? O que é isso?

– Ah! Espere, já ia me esquecendo! – Ela pulou e se sentou, no ar...

Ela abriu o moletom, e tirou seu capuz. Seu enorme cabelo negro com mechas vermelhas brilhou em meus olhos. Ela jogou a franja para trás então vi seus olhos de cor azul? Rosa? Verde? Amarelo? Era impossível definir qual a verdadeira cor, pois estava sempre mudando.

– Você está babando? – Ela perguntou.

Para meu constrangimento sim, eu estava.

– Por que me trouxe aqui? Que lugar é esse?

– Esse, é o meu quarto – Ela se aproximou de mim, ainda sentada no ar – Eu te trouxe aqui porque o Dimension precisa de mais pessoas como você.

– Como eu? – Dei uma ligeira risada – Mais eu sou só mais um joãozinho123, não tenho amigos e passo o dia inteiro sozinho, além de eu ser péssimo em matemática.

– Por isso que você é perfeito para estar na Dimension! Todos temos liberdade para nos divertirmos do jeito que quisermos, desde que você não cause conflitos.

– Espera aí, o que é o Dimension?

– Segure a minha mão!

Meio desconfiado, segurei em sua mão. O teto se abriu e ambos voamos para cima de seu quarto. O céu era roxo, haviam árvores de todas as cores ao nosso redor, estávamos em um tipo de bairro com centenas de tocas semelhantes a de Ayla, e no fundo, no fim do horizonte, uma cidade, com enormes arranhas céus e balões.

– O que... é isso?

– Chega de perguntas por hoje Enno!

Ela me deu um tapa e eu desmaiei.

Quando acordei, estava deitado no chão do meu quarto, com o rosto numa poça de baba. Eu me levantei assustado e corri ao computador. Era impossível tudo isso ser realidade, tudo o que vi, tudo o que senti, eu parecia ter saído de um clipe do Tame Impala. Fui ao desktop do computador e vi a pasta que havia criado... “Lollipop”. Abri a pasta, havia um arquivo com o nome de Leiame.txt. Abri, havia uma mensagem:

Agora é só você e eu, Enno



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