História Longe demais - ADAPTAÇÃO- - Capítulo 16


Escrita por: ~

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Categorias The 100
Personagens Clarke Griffin, Lexa
Tags Clexa
Exibições 129
Palavras 2.630
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Penúltimo cap!!!!
Vamos entender pq Lexa é obcecada com a ponte...
Volto amanhã com o último cap da historia.

Capítulo 16 - 16


Eu era um esqueleto. Inclinei-me sobre a cama de hospital de Clarke , aquela Clarke que existiu. Ela dormia. Retirei o cabelo rosa de seu rosto. Uma mecha de cabelo se soltou, e os fios escorregaram por meus dedos.

— Woods? — disse Lois.

— Lexa! — disse Lois.

Da segunda vez, despertei o suficiente para perceber que Lois estava chamando Lexa pelo rádio preso em sua camisa. Lexa tinha me colocado sobre seu ombro, que apertava minha barriga a cada passo que ela dava. Com o nariz em suas costas, cheirei seu suor. Estranho eu reconhecer seu cheiro tão rápido, mas não havia perfume misturado. Ela se transformou em outra pessoa.

— Posso ver você pela câmera, Lexa — Lois disse — Vi o que você fez.

Lentamente percebi que estava no banco de trás da viatura, de barriga para baixo, com o rosto colado ao couro sintético. Alguns homens murmuravam do lado de fora. A conversa ficou mais alta quando a porta se abriu atrás de mim.

— Por isso ela desmaiou — reconheci a voz de Jaha, meu amigo paramédico. — Você poderia retirar as algemas?

Senti as algemas deslizarem por meus pulsos, mais ainda não conseguia me mover.

— Por que ela faz isso? — o policial Kane perguntou.

— Ataques de pânico — senti Jaha inclinar-se sobre mim. — Venha comigo, sua encrenqueira.

Meu rosto desgrudou do couro sintético. Jaha me puxou para trás no banco e me pegou no colo. Agarrei-o pela camisa, como se ele fosse meu pai.

— Você tem de superar isso, querida — ele murmurou. — É totalmente psicossomático. Você esteve doente há quatro anos — ele me colocou no para choque traseiro da ambulância e me segurou com uma mão enquanto tentava alcançar algo.

— Não os sais... — os sais aromáticos entraram em meu nariz e em meu cérebro.

Pelo menos eu podia ver claramente de novo: Jaha parado em minha frente, com o rosto envelhecido pelas rugas de preocupação, e o policial Kane atrás dele.

— Onde está Lexa? — perguntei.

— Onde está Lexa — o policial Kane murmurou, balançando o dedo para mim. — Lexa está tendo seu próprio ataque de pânico. Foi uma façanha e tanto essa que você armou, senhorita. Você sabe que o irmão dela morreu naquela ponte.

Tentei respirar. Mas não consegui.

— O irmão dela? — perguntei.

Jaha me pegou, enquanto eu começava de novo. Sobre seu ombro, ele disse ao policial Kane.

 — Você poderia ter esperado para contar isso a ela mais tarde.

— Lexa disse que era uma garota que morava em seu bairro — gemi.

— Certo — disse o policial Kane. — Era a namorada do irmão dela.

— Meu Deus — tentei me levantar, mas Jaha me conteve.

— Calma.

— E isso fica entre nós. — o policial Kane  insistiu. — A maioria de nossos colegas policiais não sabem, ou não entendem que foi por isso que Woods virou policial. Se o chefe descobrisse, poderia expulsá-la. Essa é a vida dela e, você insiste em tratar como se isso fosse uma brincadeira? — O policial Kane se aproximou de mim, como se quisesse me estrangular.

Quando Jaha levantou as mãos, dizendo para o policial Kane recuar, ele levantou a voz e gritou comigo.

— Não vá até lá, não cutuque a onça com vara curta Se você tentar se aproximar dela novamente, eu mesmo vou te algemar.

Agora tudo fazia sentido: o pai tinha se mudado para o Colorado; a mãe tinha se mudado para a Virgínia porque não podiam mais aguentar; o retrato de família de dez anos atrás, com um irmão que também tinha ido embora da cidade, exceto pelo fato de que Lexa não deixou claro exatamente para onde seu irmão tinha ido; uma marca de mão preta no muro colorido no parque quando Lexa tinha 9 anos.

Eu tinha me acostumado tanto a escutar esse som na semana que passou que nem percebi o zumbido baixo até que o trem tocou sua buzina ensurdecedora. Todos nos viramos para olhar. Lexa estava parada de costas para nós no trilho em frente à ponte. Sua cabeça estava abaixada. Ela não levantou a cabeça para ver o trem. Nem tapou os ouvidos. O zumbido baixo que eu pensei ter ouvido nas últimas duas semanas tinha sido o trem na cabeça de Lexa o tempo todo.

Cruzei os braços e me abracei, mas não adiantou.

— O que fizemos uma com a outra? — sussurrei.

Fiz uma coisa que não fazia desde meu segundo ano, quando o médico me disse que eu estava em recuperação. Chorei. Chorei tanto que Jaha não quis me deixar ir de moto até o Cafextra! Cafextra! De jeito nenhum eu entraria na ambulância daquele jeito, muito menos em uma viatura. Ele finalmente me deixou ir de moto e me seguiu na ambulância, com o policial Kane atrás dele. Deixamos Lexa na Ponte.

Chorei enquanto passava pela porta de casa e guardava a jaqueta de policial de Lexa e a camiseta "Para proteger e servir"' que tinha começado a queimar minha pele. Obviamente, eu tinha que vestir alguma coisa para trabalhar, mas lavar roupa não estava no topo da lista de prioridades na última semana. A primeira camiseta que encontrei em meu guarda-roupa foi a camiseta do Come-Come. Sempre adorei o Come-Come da Vila Sésamo, um glutão desinibido que vivia como se estivesse morrendo. Eu tinha deixado de usar essa camiseta quando pintei meu cabelo de rosa, porque o Come-Come e eu não combinávamos muito bem. Mas eu não tinha tempo de procurar outra coisa nesta manhã.

Quint já tinha ficado quase uma hora a mais para mim. Chorei quando passei pela porta do Cafextra! Cafextra!, com os ombros tensos por causa da grande discussão que eu teria com Quint e que faria metade dos clientes sair correndo do restaurante lotado. Mas quando Quint e Corey me viram, os dois deixaram a comida queimando na chapa e vieram correndo, perguntando o que tinha acontecido. Chorei mais ainda. Eu poderia ter lidado com sua raiva, mas não sabia o que fazer com sua compaixão.

— Estou bem. Está tudo bem — eu disse. — É só uma ansiedade de adolescente. Nada importante.

Corey voltou correndo para a chapa para virar o presunto, depois relutantemente jogou o no lixo. Quint ainda estava comigo. Olhando para o chão, murmurou.

— Tire mais uma hora de folga. Eu posso ficar aqui.

— Não, trabalhar vai me fazer bem. E você já ficou muito tempo — limpei as lágrimas sob meus olhos. — Quer que eu te ensine a ler? — Ele parecia tão chocado quanto eu, quando me ouvi. — Não sei ensinar ninguém a ler, mas existem livros de exercícios e materiais que posso pegar emprestado na biblioteca da escola. Você está no turno diurno na semana que vem?— Ele balançou a cabeça. — Podemos fazer isso depois da escola, no período mais calmo antes de chegar a multidão do jantar.

Ele levantou o punho. Eu não sabia bem o que fazer, mas toquei seu punho com o meu. Parecia a coisa certa a fazer, porque ele retirou seu avental e saiu pela porta da frente. Imaginei que tinha aceitado minha oferta com um agradecimento. Era difícil dizer, já que só agora nos tornamos amigos.

Tentei secar as lágrimas enquanto Corey e eu preparávamos o café da manhã para a multidão de pessoas da fábrica de carros que saía do trabalho às 7 horas da manhã e para os viajantes que iam para casa depois das férias de primavera. Mas, cada vez que eu via o reflexo de minha camiseta na torradeira, queria arrancar os cabelos.

Mais tarde, quase no fim do turno, depois que a multidão do almoço tinha diminuído, liguei para Raven. Mais uma vez, eu não sabia quem estava mais chocada: Raben, por eu estar ligando para ela, ou eu, por estar ligando para ela. Logo ela entrou no restaurante e se sentou em um banco em frente ao balcão. Preparei uma xícara de café para ela.

— Desculpe te fazer vir até aqui em seu último fim de semana de férias.

— Não tem problema. Nem tenho namorado para passar o tempo nem nada. Só durmo desde quinta-feira— ela olhou para o café. Passei o creme e o açúcar. Ela colocou um pouco dos dois de forma desajeitada, como se fosse virgem nesse assunto. Depois me olhou, mostrando preocupação. — Meu Deus, Clarke, o que aconteceu?

O que não tinha acontecido? Contei que Lexa me levou até a praia, que quase transamos, que induzi seu colapso nervoso acidentalmente e ela me fez ter um ataque de pânico de propósito.

Quando terminei, ela ficou sentada, piscando para mim Por alguns segundos. Depois exclamou.

— Você transou com Lexa Woods?

Olhei para os fregueses que tentavam não nos encarar

— Eu te disse, não transamos. Mas eu a vi nua.

Ela olhou bem dentro de meus olhos sem piscar.

— Ela beija bem?

Encarei-a.

— Lexa faz tudo bem — então vi que minha mão passeava distraidamente pelo balcão. — Queria esclarecer algo que te disse ao telefone na quarta-feira. Ainda acho que não é uma boa ideia você transar com Bellamy só para voltar com ele, mas, como você me procurou para te aconselhar sobre esse assunto, quero rever o que te falei sobre o sexo não ser uma coisa boa. Com Finn, eu ficava pensando em outras coisas. Com Lexa, não havia nada mais além dela. Os lóbulos frontais paravam de funcionar, e apenas a boa e velha medula continuava operando. Não acontecia nada, apenas respiração — respirei fundo e expirei lentamente — e toque. Agora sei que o sexo pode ser realmente fantástico se for lento e carinhoso e detalhista e Obviamente se a pessoa estiver interessada em você, e se você estiver apaixonada — eu estava tão cansada de chorar que observei com uma indiferença estranha quando minhas lágrimas caíram sobre o balcão em pequenas poças circulares.

— Como você vai consegui-la de volta? — Raven perguntou.

Funguei.

— Por isso te liguei. Quero deixar meu cabelo com a cor natural. Claro que cor natural é um termo relativo. Quando eu sair do trabalho em um minuto, você pode ir comigo até a farmácia do outro lado da rua e me ajudar a escolher o tom original de meu cabelo?

— Nossa — disse Raven. — Faz tanto tempo... Não era loiro claro? E com seus olhos azuis, você vai ficar espetacular. Uau — ela tomou um gole do café e fez uma careta. — Você acha que pintar o cabelo vai trazer Lexa de volta?

Vi meu reflexo na torradeira.

— Acho que vai ajudar a me conectar com ela. Você sabe, Lexa vai ficar nesta cidade para sempre. E não há nada que eu quero menos na vida. Mas estou quase a ponto de querer morar em um apartamento triplo e assar bolos de frutas para ela e ouvir o rádio da polícia enquanto ela está trabalhando.

Raven engasgou com o café.

— Você quer isso?

— Não, definitivamente não. Quase. Nunca chegarei a esse ponto realmente. Tenho muito medo de ser como meus pais, mas sinto uma conexão Com Lexa. Quero ir à universidade. Quero morar em Key West. Quero ver o mundo, mas acho que, se as coisas continuarem assim, vou ver o mundo sozinha. Vou me mudar para Key West sozinha e morar lá sozinha e ir embora de novo sozinha. Nunca tinha percebido que era isso que eu estava fazendo. Quero dizer, veja meus cabelos. Eu me dou bem aqui porque as pessoas sempre me conheceram. Ninguém na universidade me conhece. E se você vê alguém que você não conhece de cabelo rosa, por aqui, onde a estética estilo mangá é raramente a norma, o que pensa? Cabelo rosa significa fique longe de mim — passei os dedos em uma mecha e segurei-a diante dos olhos para analisá-la — Mas você acha que se eu pintar meu cabelo de loiro, logo depois de tudo o que aconteceu com Lexa, vai parecer que estou desesperada para consegui-la de volta?

— Não — ela disse, lentamente. — Não agora que você explicou. Acho que vai parecer que você finalmente decidiu que não está morrendo de leucemia.

Ah...

Meus pais ficariam felizes ao saber disso. Como eles estavam voltando de Graceland, pedi que meu pai me trouxesse um sanduiche de pasta de  amendoim e  banana frita. Ele me disse que eles não me trariam porcaria nenhuma. De qualquer forma, minha mãe provavelmente tentaria disfarçadamente comprar um ursinho de pelúcia com camiseta de Elvis ou alguma outra coisa igualmente fofa. Mas, quando eles voltassem amanhã à noite e vissem meus cabelos loiros, aí sim. Desejariam ter me trazido aquela jaqueta jeans com a mansão de Graceland impressa nas costas, eu tinha certeza. E depois eu me sentaria com eles e teria uma conversa de coração aberto, e pediria desculpas. Por tudo.

Raven deixou seu café de lado.

— Quando você acha que verá Lexa novamente? Está planejando roubar um banco?

— Engraçadinha. Talvez ela vá a uma festa universitária em Birmingham hoje à noite. Esse foi o outro motivo pelo qual te liguei. Preciso que você vá comigo.

— De jeito nenhum — ela disse. — Não quero beber.

— Acredite em mim, não quero que você beba. Nunca mais. Você não precisa beber. Uma festa universitária não é lá essas coisas. É bem parecida com uma festa de colégio. Os garotos ainda são estúpidos. Só são mais altos e sabem aguentar a bebida melhor.

— Por que tenho de ir com você? — ela choramingou.

— Não tenho certeza de que Lexa estará lá. Ela pode se manter distante para evitar me ver. E Finn pode estar lá. Você sabe que ele estará muito bêbado. Ajudaria se eu fosse com alguém para me proteger.

— Clarke, se você acha que Lexa não estará lá e que Finn sim, roubar um banco parece uma ideia melhor para chamar a atenção de Lexa.

Balancei a cabeça. Fios rosa caíram sobre os olhos. Retirei-os do rosto, incomodada.

— Will Billingsley estará lá. Preciso falar com ele. Já tivemos algumas conversas sobre Lexa e a ponte, e ele nunca me alertou sobre o irmão de Lexa.

— Will Billingsley? — ela se animou e inclinou-se para frente. — Eu era apaixonada por ele. Participamos do time de debate juntos.

Pisque os olhos.

— Juro, Reyes, que se meu traseiro tirasse boas notas, você gostaria de sair com ele.

— Ei! — ela bateu a mão no balcão. — Você tem uma atração pela cadeia. Namora garotos que vão para a cadeia e garotas que colocam garotos na cadeia. Eu tenho uma atração por boas notas. O que é mais saudável?

— Caso encerrado — eu disse. — Esta noite vamos caçar juntas. Talvez essa saída termine melhor do que nossa última saída.

— Minha primeira festa universitária — ela colocou a mão no queixo e me analisou. — Você vai procurar um apartamento perto da universidade no verão? Já tem uma colega de quarto? Eu ainda não tenho.

Passei a mão sobre um nó de tensão em minha nuca.

— Você quer dizer que gostaria de alugar um apartamento comigo?

— Pense em como nos divertiremos! — Raven se empolgou. — Vamos fazer compras. Vamos sair para dançar. Vamos rir sobre nossos gostos diferentes. Você vai me meter em encrenca. Eu vou te manter longe de encrenca. Será perfeito!

— Não sou muito boa com planos. Tentei esta manhã. Planejei curar Lexa da obsessão pela ponte, e você sabe como essa história terminou.

— Mas foi a primeira vez. A primeira vez não é tão boa.

Suspirei.

— Um dia de primeiras vezes para você. Você acabou de fazer sua primeira brincadeira sobre sexo. Parabéns — levantei a mão.

Ela apertou-a.

— Colegas de quarto.

Parte de mim queria tirar minha mão em repulsa, mas não seria educado. E uma grande parte de mim estava gostando de ter uma... amiga.

— Colegas de quarto, talvez. Tá bom, pode ser, colegas de quarto.

— Eba! — ela soltou minha mão e levantou os dois braços para sinalizar um gol. — Agora se você e Lexa pudessem reatar na festa hoje à noite, não seriam férias de primavera tão ruins no fim das contas.

— Duvido que ela esteja lá — eu disse. — Mas, caso esteja, não quero deixá-la esperando.

 


Notas Finais


E ai???
Ansiosa pelo último cap amanhã. rs


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