História Longe demais - ADAPTAÇÃO- - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias The 100
Personagens Clarke Griffin, Lexa
Tags Clexa
Exibições 110
Palavras 3.640
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Último capitulo!!!!
Gostaria de agradecer a todas que comentaram, favoritaram e leram escondidinhas a historia, fiquei muito feliz em fazer essa adaptação.
Agora aproveitem o cap e se despeçam da nossas maluquinhas. rs

PS: Link para a nova adaptação nas notas finais.

Capítulo 17 - 17


Para conseguir uma vaga, Raven teve que estacionar na fonte do Diabo em Five Points. Caminhamos pelas fachadas dos anos 1920 em nossos sapatos de salto alto e vestidos chiques como se fossemos adultas. As árvores ao longo da calçada mostravam a flores de primavera à noite fresca. A cada passo, eu sentia um frio na barriga. Esperava que Lexa estivesse na festa. Esperava mais ainda que ela gostasse de meu novo visual. Quando viramos a esquina e vimos a caminhonete, bem, quem diria que eu gostava tanto de Ford. Eu queria subir correndo os degraus até o apartamento de Linconl. O que seria definitivamente sem noção. Notícia ruim da noite: depois da caminhonete de Lexa, estava a BMW de Finn.

Linconl nos recebeu e nos deu as boas vindas à sua casa. Cumprimentou Raven cordialmente. Levantou as sobrancelhas quando viu meu cabelo e me disse que sempre teve uma queda pelas loiras. Atrás dele a festa tinha uma atmosfera universitária: pôsteres enormes de Jimi Hendrix cobriam as paredes; cortinas adornadas estavam penduradas nas portas; luzes de Natal enfeitavam as janelas; o som tocava Kanye West, casais se beijavam nos cantos, e muitas pessoas riam e tomavam cerveja.

Enquanto eu caminhava pela multidão, conduzindo Raven e procurando Lexa, reconheci algumas pessoas que estudaram em minha escola. Se antes elas vestiam jeans muito curtos, agora que estavam na universidade tinham se dado conta do comprimento apropriado. Se antes elas arrumavam os cabelos para ir à igreja, a vida na cidade grande lhes ensinou a se arrumarem para ir a festas. Se fosse uma festa em nossa cidade, elas estariam conversando sobre a caça de cervos ou a liquidação de delineadores na Target. Agora, entre as batidas da música, consegui ouvir alguns fragmentos de conversas sobre Harper Lee e Condoleezza Rice, que haviam crescido em Birmingham, e o ex-governador do Alabama, que entrava e saía da prisão (acontecia nas melhores famílias). Filosofia universitária. Era tão legal. Eu esperava que Lexa não perdesse isso.

Raven e eu entramos na cozinha. Me preparei para que Lexa aparecesse quando a porta da geladeira se fechasse, mas era Will, segurando uma jarra.

— Raven Reyes! — gritou.

— Will Billingsley! — ela inclinou a cabeça daquela forma que me irritava quando fazia com Lexa. Agora era fofo.

Will mostrou a jarra.

— Eu estava colocando um pouco de chá gelado para mim. Quer um pouco?

Ela franziu o nariz.

— Tem bebida alcoólica?

Ele olhou para a jarra.

— Só chá. Não vou beber esta noite. Tenho dois trabalhos para entregar na segunda-feira. Dever de casa nas férias. Acredita nisso?

— Não! — ela exclamou, aproximando-se dele. Eu faço meu dever de casa era claramente um grito de acasalamento para a espécie dos dois. — Sim, quero um pouco de chá.

Ele me olhou.

— Desculpa, e sua amiga... — quando nossos olhos se encontraram, eles e surpreendeu. — Clarke! Não te reconheci — franziu as sobrancelhas e afastou a jarra de mim. — Sem chá para você. Como pôde fazer aquilo com Lexa? Cheguei da praia às 4 horas da manhã e ela apareceu em meu apartamento às 8 horas, aturdida, armada e balançando seu cassetete!

Raven colocou as duas mãos sobre a boca. Depois as retirou para dizer Ai meu Deus, e tapou a boca novamente.

— Eu não sabia que o irmão dela tinha morrido — eu disse, diminuindo o tom de voz caso Lexa estivesse por perto. — Por que você não me contou?

— Você sabia sim que o irmão dela estava morto! — Will insistiu. — Nós conversamos sobre isso na praia. Você comparou Lexa a Mulder em busca de sua irmã perdida. Eu me lembro bem. Não estava tão bêbado.

— Eu estava falando sobre a série Arquivo X! Era uma analogia, uma analogia bastante distante!

— Ah — ele disse, relaxando os ombros. — Bem, esta manhã eu a convenci do contrário. Também a fiz acreditar que você é uma vadia manipuladora. Desculpe.

Eu estava me preparando para dizer a Will o que pensava dele quando fui atacada por trás. Finn me levantou, me colocou sobre o balcão e colocou seus quadris entre minhas pernas, o que era ainda mais ofensivo, porque meu vestido era curto. Olhando para mim com os olhos vermelhos, inclinou-se e sussurrou em meu ouvido:

— Seu passeio com Lexa já terminou?

Ele ia me perguntar se eu precisava de um novo passeio. Se ele me perguntasse isso, eu daria um tapa em sua cara.

— Você precisa de um novo...

Levantei a mão.

Ele agarrou meus pulsos e apertou-os. Com força. Inclinei-me sobre ele.

— Raven — eu disse, tentando não parecer desesperada. — Lembra por que eu te trouxe aqui?

— Solte-a, seu idiota — Will gritou.

Olhando para Will, Finn soltou meus pulsos e recuou.

— Meu passeio com Lexa não necessariamente acabou — eu disse a ele, com arrogância.

Finn fez uma careta.

— Quer dizer que você está transando com a policial?

— Ainda não, mas me pergunte outra hora — como ele estava praticamente entre minhas pernas, decidi que este seria um bom momento para perguntar algo que estava me incomodando nas últimas horas. Se eu fosse gentil o suficiente e ele estivesse bêbado o suficiente, talvez eu conseguisse uma resposta direta. — Você sabia que o irmão de Lexa era o garoto que morreu na ponte?

Finn encolheu os ombros.

— Claro. Todo o mundo sabe disso. Aconteceu quando estávamos na terceira ou quarta série.

— E quando você sugeriu que fôssemos para a ponte, foi porque você sabia que Lexa nos encontraria e surtaria?

— Não na primeira vez — ele disse. — Eu não sabia que ela patrulhava naquele lugar, mas quando você e eu estacionamos lá, sim — ele me encarou, sem nenhuma vergonha.

Senti frio na cozinha minúscula, e a batida da música na sala ao lado parecia mais alta. Eu não podia acreditar que algum dia pensei que Finn e eu éramos parecidos.

— Isso é maldade — eu disse.

— Você ainda não viu maldade.

Pense que ele colocaria a mão em minha virilha, ou algo assim, por isso saltei do balcão para evitar uma situação tão desafortunada. Mas ele não tentou. Simplesmente saiu da cozinha.

— Clarke, quando você quer procurar nosso apartamento? — Raven perguntou. — Sei que você sempre diz que vai embora assim que puder em junho, na noite da formatura, mas Will acha que seria mais fácil conseguir alugar um apartamento no começo de julho.

Eles estavam bem próximos um do outro. A jarra de chá estava sobre o balcão, esquecida.

Caminhei até eles, balançando a cabeça.

— Pode ser. Posso aguentar ficar mais algumas semanas na cidade. Talvez tente aproveitar meus últimos meses de colégio. Posso até ir à festa de formatura, se tiver um par.

Os olhos de Raven brilharam para Will, como se ela soubesse quem seria seu par para a festa de formatura, se conseguisse convencer um estudante universitário a levá-la.

Will se escorou nos armários, sorrindo para ela.

— Inglês ou o curso preparatório para medicina.

— Inglês ou o curso preparatório para medicina — ele meditou. — São áreas bem diferentes. Vou te dar uma dica. No próximo outono, não saia dizendo para as pessoas que está estudando inglês ou o curso preparatório para medicina. Você vai parecer uma caloura.

— Ah, é? — perguntei. — E o que você estudando?

— Química — ele disse, na defensiva. — Ou dança moderna — piscou para Raven.

Ela sorriu.

— Eu queria estudar inglês — explicou —, mas passei por uma experiência que mudou a minha vida e me fez pensar que talvez queira estudar medicina. Passei a semana toda ajudando o pessoal da emergência em uma ambulância.

Will se inclinou para frente e perguntou, conspirativamente:

— Você é um dos travessos da ponte? —Ela sorriu secretamente. — Você não parece travessa — Will disse. Depois fez um gesto para mim. — Esta aqui eu posso entender, mas você? Qual é sua média de notas?

— É 9,0 — ela disse.

— Você é a melhor aluna da sala? — ele exclamou.

Ela só riu.

— Qual é sua média de notas?

— Agora é 8,5, mas estou tentando chegar a 8,8 este semestre — ele balançou a cabeça, tristemente. — As matérias difíceis do primeiro ano realmente acabaram comigo. Só consegui tirar 8,0 no semestre passado em cálculo...

— Vou ter de interromper vocês dois para dizer o quando me desagradam — eu disse. — Vocês são terrivelmente bem ajustados. Por que não pulam esta parte e conseguem um fundo de aposentadoria conjunto?

Os dois arregalaram os olhos. Depois Raven disse que talvez não quisesse morar comigo, ao mesmo tempo em que Will resmungava:

— Ela só está chateada por causa de Lexa — ele colocou seu braço em volta de mim e me abraçou — Queria poder dizer que vai ficar tudo bem com vocês, mas você foi responsável por tudo isso, antes de eu ser envolvido nessa história hoje de manhã. Parece que você viu o outro lado do temperamento de Lexa.

— Que temperamento? — perguntei sem pensar.

A Lexa com quem eu patrulhei por uma semana era muito equilibrada, com um alto nível de paciência para os suspeitos que a maltratavam, ou para as delinquentes de Cabelos rosa que acionavam sua sirene. Depois me lembrei de sua expressão quando gritou com Bellamy e Finn na ponte. Lembrei-me de como suas articulações tinham ficado brancas na viatura quando ela me disse Se eu mesmo tivesse tirado Finn do carro, tenho medo do que teria feito com ele.

— Não faça isso, Lexa — a voz estridente de Costia ecoou na sala ao lado. — Finn só está implicando com você.

Lexa estava na porta da cozinha. Engraçado, eu até esperava vê-la em seu uniforme de policial, mas ela estava vestindo jeans desbotados e uma camiseta verde apertada. Talvez fosse o reflexo da camiseta, ou seus olhos realmente estivessem mais verdes, e eu não tinha percebido isso quando ela usava o uniforme azul-escuro. Costia se agarrou a ela por trás, tentando inutilmente contê-la.

Ela me viu de relance e depois olhou de novo para mim, mas não se deleitou com meu novo visual nem metade do que deveria. Quase imediatamente, seu olhar passou para Will e se transformou naquele olhar perigoso e inexpressivo. Me vi através de seus olhos: cabelos loiros, vestido curto, com o braço de Will em volta de mim.

— Ah, aquele temperamento — eu disse.

Will olhou para Lexa, afastou-se de mim e de Raven e recuou um passo.

— Linconl! — gritou.

Olhou para trás, mas só havia parede. Ele não tinha para onde correr.

Lexa estava do outro lado da cozinha, mais alta do que Will. Raven e eu colocamos as mãos entre eles antes de poder pensar sobre aquele movimento desacertado. Pelo menos temporariamente conseguimos evitar que Lexa batesse em Will. Lexa apenas agarrou a camisa de Will, levantando-o do chão, e depois o soltou, fazendo com que ele caísse.

— Me deixe em paz, Woods — Will urrou, com o rosto vermelho. — Você está fora de controle. Linconl!

Não havia espaço suficiente na minúscula cozinha para todos mas de alguma forma Linconl se espremeu para entrar e disse Calma, garotona, enquanto puxava um dos braços de Lexa. Skip agarrou o outro cotovelo de Lexa e disse com a voz de Schwarzenegger:

— Você será desativada.

Lexa pareceu se acalmar e deixou que o afastassem de Will, mas então ela se livrou deles e foi atrás de Will novamente. Eles mergulharam atrás dela, se amontoando no chão da cozinha.

Finalmente Raven bateu o pé e gritou:

— Lexa, ele nem estava dando em cima da Clarke. Ele estava dando em cima de mim! Não foi, Will?

— Sim! — a voz agonizante de Will veio do fundo da pilha.

— Mas Finn disse... — a voz abafada de Lexa se esgotou.

Ela surgiu do meio da pilha, me olhou de relance e saiu da cozinha, empurrando Finn, que estava atrás de Costia perto da ponta da cozinha.

— Ainda está procurando briga? — Finn gritou. — Você é bem covarde sem todos aqueles policiais atrás de você.

— Cale a boca, Finn — a voz de Lexa ecoou.

A porta bateu mais forte do que a batida de Kanye West.

Saí empurrando todo o mundo, sem sequer prestar atenção em quem eu empurrava, mas ouvi Will respirando com dificuldade atrás de mim.

— O que vamos fazer? — Raven ofegava enquanto saíamos pela porta do apartamento de Linconl e descíamos as escadas até sair do lado de fora, sob a noite fresca.

—Vamos persegui-la em meu carro?

— Nunca a pegaremos se ela não quiser ser pega — Will parou repentinamente no fim da escada. — A caminhonete dela ainda está aqui.

— Aonde ela poderia ter ido? — gritei, olhando para os dois lados da rua.

— Ela gosta da fonte que fica em Five Points — Will disse.

Todos corremos até a esquina e paramos novamente.

A fonte estava bem à nossa frente. Atrás de uma parede baixa circular, coelhos e sapos escutavam o carneiro ler histórias diabólicas. Não pude ver o rosto de Lexa no cruzamento, mas reconheci a camiseta verde. Ela estava bem no meio da fonte, sentada no colo do Diabo.

— Ela realmente gosta desta fonte — Will disse.

Até Raven perguntou:

— O que diabos?

— Ótimo — eu disse. — Finalmente começo a agir como uma pessoa normal e Lexa enlouquece — olhei para Will. — Ela não é uma daquelas policiais arrogantes que carregam algemas escondidas quando não está de plantão, é? Não vi nenhuma algema com ela na quinta-feira à noite.

— Não — disse Will —, mas irei com você se estiver com medo dela.

Olhei para Lexa, sentanda imóvel na fonte.

— Não, obrigada — atravessei a rua, dizendo por sobre meu ombro: — Tenho tanto medo dela quanto ela tem de mim.

Lexa me observou enquanto eu me aproximava. Parei perto da parede em volta da fonte. Ela me encarou, sentada no colo do carneiro, com os braços cruzados. Sua calça estava molhada por causa das estátuas de sapos que cuspiam nela. Um cigarro apagado pendia de seus lábios.

Coloquei as mãos na boca como um megafone.

— Afaste-se do Diabo e venha em direção à minha voz.

Sua expressão não mudou. O cigarro estremeceu no canto de sua boca quando ela disse:

— Estou tentando pensar como você.

Ri.

— Se você estivesse tentando pensar como eu, estaria virada para o outro lado, cavalgando o Diabo.

— Ou Will — ela disse — Ou Finn.

Minha barriga se contraiu novamente quando pensei em Finn e eu. Certamente Lexa não acreditava que eu sentia atração por Finn ou por Will, mas obviamente acreditava que Finn e eu éramos parecidos. Assim como eu mesma lhe disse.

— Eu não sabia sobre seu irmão.

Ela recuou. Eu odiava machucá-la. Novamente. Mas pelo menos seu olhar enfurecido havia desaparecido. Ela retirou o cigano da boca e inclinou-se para frente com as mãos sobre os joelhos.

— Mesmo que não soubesse, Clarke, como pôde fazer aquilo comigo?

Foi minha vez de recuar. Afastei-me da parede da fonte com a força do golpe.

— Não posso ficar naquela cidade, Lexa — eu disse, de forma não muito convincente. — Mas eu te amo e não posso deixar você lá — me aproximei da parede novamente. — Juro que não sabia sobre seu irmão. Se eu soubesse, teria pensado em outra coisa. Teria dinamitado a ponte.

— Mmph — ela disse. — Sei que você não sabia. Will me disse que você sabia...

— Ele estava errado — eu disse, rapidamente. — Ele sente muito, e não tarda por esperar.

— Depois jantei com Kane — Lexa prosseguiu — e ele me disse que você não sabia. Por isso fui até a casa de Linconl, na esperança de te encontrar, e passei as últimas horas fazendo grandes planos para nós duas. Depois Finn me disse que você estava com Will — ela balançou a cabeça. —Finn tenta me pregar peça há anos. Finalmente conseguiu.

Caminhei até o lado da fonte mais perto do coelho, onde poderia estar o mais perto possível de Lexa sem atravessar o fosso entre nós.

— Que tipo de planos?

Ela fechou os olhos, depois balançou a cabeça e abriu aqueles olhos verdes novamente, me observando.

— Fico feliz que tudo isso tenha acontecido. Quero dizer, queria que não tivesse acontecido exatamente desta forma, mas algo tinha de acontecer para abrir meus olhos. Eu achava que estava protegendo as pessoas, mas, quando te algemei, percebi que deixei a ponte me transformar em um monstro. Pode me fazer bem sair daquela cidade.

Encarei-a boquiaberta por alguns segundos, sinceramente sem acreditar a princípio que a ouvi dizer isso. Depois ri. Dei gargalhadas.

— Não! — eu disse, sarcasticamente.

Lexa sorriu.

— Estou planejando perguntar a Will se posso morar com ele neste verão. E vou entrar no time de trilha da universidade. Estava pensando que talvez você quisesse também.

Respirei ofegante, horrorizada:

— Entrar? Em um time?

— Você está correndo oito quilômetros por dia — ela disse. — Poderia muito bem entrar no time de trilha e conseguir mais dinheiro para a bolsa de estudos.

— Isso, na verdade, parece — engoli em seco — divertido.

— Sei que precisamos de dinheiro para o aluguel e outras coisas, mas, se conseguirmos juntar o suficiente, neste verão ou no próximo talvez possamos ir à Europa. Eu poderia te mostrar o que fiz, e poderíamos descobri novos lugares juntas.

— Espero que você esteja dizendo isso com o sentido mais sujo possível — eu já tinha chorado o bastante para um dia, portanto fechei os olhos e afastei as lágrimas.

Será que eu havia caído no universo paralelo que Will mencionou na praia? Olhei em volta para a majestosa igreja atrás da fonte, com a fachada boêmia, Raven e Will conversando sob uma árvore florida. O céu azul-escuro acima de mim parecia infinito.

Lexa se sentou, respirou fundo e suspirou.

— Então, você gostou dos planos?

— Sim, gostei dos planos — eu disse. — Gosto de ter planos com você.Agora desça do Diabo. É ilegal.

 Ela pulou do carneiro para o coelho, parou para equilibrar o cigarro na boca de uma tartaruga, pisou em um sapo que cuspia, chegou até a parede em frente a mim e saltou ao meu lado. Depois escutei um zumbido baixo. Olhei em volta, desesperadamente.

Quando as luzes azuis e a sirene surgiram, a viatura já estava perto da gente no cruzamento.

— Deixe que eu resolvo isso — gritei para Lexa. — Sei lidar com policiais.

— Sim, você sabe — ela murmurou, enquanto a viatura passava por nós e seguia seu caminho, subindo a ladeira. — Eles não estavam atrás de mim. Não usamos a sirene para estudantes universitários na fonte. De qualquer forma, obrigada por me proteger — ela passou um braço em volta de minha cintura, me puxou para perto dela e passou os dedos por uma mecha de meu cabelo. — Você é a pessoa mais corajosa que já conheci — seus olhos verdes me olharam com amor. O olhar que eu tanto ansiei.

Tremi com um calafrio que passou da minha cabeça por meu corpo até os dedos dos pés.

— Você ainda não disse o que achou de meu cabelo.

Ela escolheu outra mecha e a enrolou em volta de seu dedo.

— Eu gostava mais do fucsia.

— Sério? Então foi um desperdício de US$ 6,99.

— Não, na verdade não — ela riu. —Está brincando? Agora todos podem ver o que eu vi desde o começo.

Ela me abraçou ainda mais apertado e me inclinou. Cheirei seu perfume. Seus lábios quentes e delicados encontraram os meus.

E vivemos felizes para sempre.

Na noite seguinte, Lexa veio até o restaurante por volta das 22 horas. Ao vê-la estacionar a viatura, tentei parecer desencanada e indiferente atrás do balcão, mas, considerando o que fizemos depois da festa de Linconl, não tinha como. Sorri como uma idiota quando ela pendurou a jaqueta policial de couro no suporte. Quando Lexa se virou, retribuiu o sorriso, mostrando as covinhas. Esta policial era minha namorada. Estranho!

Ela se espremeu entre dois bancos do bar e veio direto até o balcão. Fiquei na ponta dos pés e me inclinei para beijá-la. Seus lábios tocaram os meus, intensamente. A ponta de sua língua tocou meus lábios, tão lentamente. Tremi. Apesar de Octavia estar nos fundos marcando sua saída e de haver apenas dois clientes sentados à mesa da Princesa Diana, não podíamos nos empolgar muito aqui no restaurante, com Lexa de uniforme. Mas eu nunca quis tanto alguém, e podia ver que ela sentia o mesmo. Ela interrompeu o beijo, tocou minha testa com a sua por um momento e finalmente recuou.

— Você não trabalhou durante toda a manhã? Receava que não estivesse aqui agora.

— Achei que você poderia vir no começo de seu turno. Não queria perder a oportunidade.

Seus lábios se fecharam levemente. Ela se apoiou sobre o balcão para tirar meus cabelos do meu rosto. Ri nervosamente. Meu Deus!

— Você me conquistou de tal forma que não consigo pensar em nada sarcástico para dizer.

— Isso me faz sentir poderosa. Não se preocupe. Tenho certeza de que você pensará em algo — ela olhou para o quadro negro na parede dos fundos. — Qual é o Especial Clarke do dia?

— Bolo de frutas — mostrei para ela uma das mesas. — Sente-se para que possamos conversar enquanto eu cozinho.

Já se dirigindo até a mesa de Elvis, ela sacudiu o dedo por sobre o ombro.

— Desculpe. Não posso ficar de costas para a janela

— Eu te desafio.

Lexa levantou as sobrancelhas para mim.

— Você me desafia, é? — mordendo o lábio, sentou-se no banco.

— Eu posso ver através da janela — lhe garanti — Vou ficar atenta se aparecer algum criminoso — para fazer jus à minha promessa, inclinei-me para um lado para observar o estacionamento por sobre seu ombro.

Um carro estacionou no espaço ao lado da viatura.

Ela me observou com atenção.

— Não consigo suportar. Quem chegou? Algum criminoso? — virou-se para olhar.

— Meus pais — eles estacionaram aqui em vez de casa porque o suspense os estava matando.

Precisavam ter certeza de que eu não havia incendiado o restaurante enquanto estavam fora. Obrigada pelo voto de confiança. Mostrei os polegares em sinal de positivo para meu pai. Ele me encarou. Minha mãe olhou para ele no carro, perguntando O que foi? O que aconteceu? Ele continuou me encarando. Meus cabelos loiros foram um choque ainda maior para ele do que eu esperava. Sorri e acenei para ele, gritando:

— Bem-vindos de volta.

Ele colocou a mão nos olhos. Sabia que eu estava finalmente curada.

 


Notas Finais


E é o fim!!!
Me digam o que acharam desse último cap... <3
PS: Nova adapatação... Espero que gostem! https://spiritfanfics.com/historia/perfect-chemistry--adaptacao-7194857


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...