História Longe demais - ADAPTAÇÃO- - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias The 100
Personagens Clarke Griffin, Lexa
Tags Clexa
Exibições 121
Palavras 3.192
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - 9


Lexa me deixou dirigir! Levou quatro noites, mas ela me deixou dirigir!

Bem, apenas por alguns minutos. E apenas por alguns metros, mas não a viatura.

Uma tempestade de março caiu, molhando a fria noite. Um carro derrapou na estrada escorregadia no cruzamento de Birmingham e ficou preso no acostamento enlameado. Enquanto o motorista acelerava o carro, Lexa jogava seu peso sobre o para-choque traseiro. Os pneus giravam, mas o carro não se movia. Saí da viatura para ajudar, apesar da chuva. Não que eu esperasse poder ajudar, mas era melhor do que ficar sentada esperando Lexa e preparando em minha cabeça um bolo de frutas imaginaria para ela. Ela sinalizou para o motorista, e nós duas empurramos o carro. Pelo menos foi o que pensei. Empurrei o máximo que pude, fazendo os pneus girarem. Depois olhei para Lexa. Ela estava de pé, olhando meu traseiro. Agora que ela tinha chamado minha atenção, percebi que realmente havia sentido um vento em minhas costas, justamente onde minha jaqueta havia levantado quando me inclinei. Ela estava olhando fixamente para minha tatuagem na parte inferior das minhas costas: um pássaro escapando de uma gaiola. Essa tatuagem me havia custado meses de gorjetas. O artista me cobrou um extra, pois fazer tatuagem em menor de 18 anos sem consentimento dos pais era ilegal.

Levantei e cobri as costas com a mão. Esperava que Lexa não estivesse considerando a possibilidade de uma investigação policial camuflada em um estúdio de tatuagem em Birmingham, pois estava fora de sua jurisdição. Não... ela estava pensando na quinta-feira as 6h01 da manhã. Fixou o olhar em minha mão, que cobria a tatuagem que ela havia visto alguns segundos antes. Lentamente passeou os olhos por meu corpo até encontrar meus olhos. Piscou por causa da chuva e lembrou-se de que estava trabalhando. Depois olhou para o motorista.

— Isso é muita distração. Troque de lugar com o motorista, afinal o carro é dele.

Sentei-me no banco de motorista e obervei pelo espelho retrovisor, esperando o sinal de Lexa. Quando ela apontou para mim, acelerei o carro. Os pneus giraram, fazendo o carro disparar. Verifiquei o espelho novamente. O motorista estava molhando por causa da chuva, mas nada demais. Lexa, com lama até os olhos, tentava limpar o rosto coma manga do uniforme. O motorista escorregava, feliz. De volta à viatura, Lexa assou a lama do nariz com um lenço que retirou do porta-malas.

— Odeio ter de ir para casa trocar de roupa faltando menos de suas horas para terminar o turno. O que você acha? — ela espirrou.

— Se eu fosse uma criminosa — e não sou —, te acharia bastante intimidante agora. Na verdade te acharia assustadora.

— Já basta.

Seu apartamento ficava em um daqueles complexos com 20 edifícios, todos iguais, que haviam brotado ao longo da interestadual. Ali moravam as pessoas que trabalhavam na fabrica de carros aqui na cidade, mas que não queriam vir de Birmingham todos os dias. Ou seja, pessoas sem vida própria. Do cruzamento de Birmingham levava apenas um minuto. Por isso, de seu apartamento Lexa provavelmente podia escutar as batidas de carro. E certamente podia escutar o ruído de carros na interestadual. Eu escutei assim que estacionamos e ela desligou o motor. Durante uns dez segundos ficamos lá sentadas, em silencio, exceto pelo zumbido distinto dos caminhões.

— Será que você deveria entrar? — ela perguntou.

— Por que não? Não quer que eu conheça seu apartamento?

— Não é isso. É que não me parece apropriado.

— De qualquer forma, vou conhecê-lo às 6h01 da manhã na quinta-feira. A menos que você queira transar atrás dos depósitos.

Sob as luzes discretas do estacionamento, não cosegui ver seu rosto ruborizado, mas pude escutá-la, pois sua respiração acelerou.

— Sim — ela disse —, mas isso só acontecerá daqui a 24 horas.

Olhei meu relógio.

— Vinte e cinco.

Lexa puxou meu pulso para ver meu relógio ela mesma, causando arrepios por todo o meu braço, já que  poderia ter olhado seu próprio relógio, mas preferiu me tocar.

— E 47 minutos — ela disse, tão perto do meu ombro que senti sua voz vibrar por todo meu corpo. — Mas, se você ficar no carro, terei de deixar as chaves para que você possa ligar o aquecedor. E agora que já deixei você sob o volante uma vez esta noite, tenho medo de que saia para passear.

Sorri e pisquei para Lexa.

— Vamos entrar.

Eu esperava que seu apartamento tivesse paredes, carpete e azulejos de cozinha da cor de fita adesiva, tão virgem como no dia em que ela se mudou. Ou pequenos toques caseiros, cortinas de rendas e velas com cheiro de biscoito, deixadas pela esposa fantasma que cozinhava bolos de frutas. Mas não foi isso que encontrei. A sala de estar era uma galeria. Desenhos arrojados lotavam as paredes, alguns emoldurados, a maioria pregadas com tachas. Minha primeira reação foi de choque pelo bom gosto que ela tinha. Depois imaginei como podia pagar por desenhos de verdade feitos por artistas de verdade. Por último. Suspeitei de que os desenhos foras todos feitos pelo mesmo artista. Eles tinham um estilo semelhante, algo entre realismo fotográfico e mangá. Eram semelhantes aos pequenos esboços nas margens do dever de casa de espanhol de Lexa Woods, perro, sombrero, corazón.

— Você sabe desenhar! — exclamei.

— Sim — sua voz ecoou de dentro da cozinha.

— Quero dizer desenhar mesmo, como uma profissional. Como podemos dizer que demos uma trégua, e ser amigas, e fazer planos para a quinta-feira às 6h01 da manhã, quando você está escondendo de mim esse seu outro lado?

— Eu te disse que me formaria em arte, hipoteticamente.

— Sim, mas pensei que aquelas besteiras que você me contou sobre elevar o espírito humano eram uma compensação por não saber desenhar.

Ela riu. Dei mais alguns passos para poder ver suas covinhas através da porta da cozinha.

— O que você usa? Isso é giz?

— Pastel e lápis de cor.

— Em vez de tinta?

— Mais controle — ela havia tirado as botas enlameadas e estava parada, de meias, perto da pia, suspendeu uma das pernas das calças, retirou a arma do coldre e colocou-a sobre a mesa da cozinha.

Depois, com a mão tirou a lama das calças e jogou-a na lata de lixo.

— Não adianta ser cuidadosa — eu disse —, de qualquer jeito você vai fazer uma bagunça e terá de limpar tudo depois.

— Hum... — ela disse, retirando mais lama.

Comecei meu percurso ao lado da cozinha e caminhei pela sala, analisando cada desenho. Cada um era um tesouro de cores e pinceladas. Eu poderia observar cada um deles por horas, mas senti que deveria me apressar para poder ver todos. Na verdade, eu estaria de volta amanhã às 6h01 da manhã, mas nesse momento faria outra coisa. E, depois disso, nunca mais voltaria.

Os desenhos eram como um mapa de sua viagem pela Europa. Havia uma pirâmide no Louvre, a montanha Matterhorn nos Alpes suíços, e praias e mais praias maravilhosas, que poderiam ser qualquer lugar do Mediterrâneo. Algumas pessoas estavam no próprio plano, de costas, admirando a vista. Pessoas, acentuadas com um ocasional alienígena verde, ou um elefante com um chapéu. Estranho que tudo isso estava escondido naquele uniforme azul-escuro. Dentro dela, ou atrás dela.

Fiz todo o circuito da sala até a cozinha novamente e parei em frente ao meu desenho favorito até agora: Veneza, a julgar pelos barcos no canal e pelos prédios coloridos. Um garoto e uma garota, distantes demais para ver detalhes, estavam parados no meio de uma ponte sobre o canal. Mas ao lado deles o desenho se dissolvia num fundo branco.

— Este é um de meus favoritos — Lexa disse, da cozinha. — Odeio não ter podido terminá-lo. A rua inundou na maré alta, e tive de ir embora.

Balancei a cabeça, como se soubesse tudo sobre ruas inundadas na maré alta em Veneza quando ela estava tentando terminar seu desenho. A última moldura na sala, ao lado da porta da frente, não era um desenho, mas uma enorme foto de uma família formada por quatro pessoas, com roupas e cabelos que devem ter sido moderno no fim dos anos 1990. Impressa em preto e branco, daquela forma que as pessoas exibiam fotos que eram realmente especiais. Mão loira, pai moreno. A menina morena com olhos verdes era Lexa . O adolescente com cabelos mais compridos e loiro devia ser irmão. Ele se parecia mais com Lexa do que a própria Lexa.

— Seu irmão mora aqui, nesta cidade? — perguntei.

Ouvir o barulho de água correndo na cozinha. Lexa estava lavando as mãos. Secou-as em uma toalha e olhou para elas.

— Lexa?

Lavou as mãos novamente.

Usei minha melhor voz de assassina com sentimento de culpa.

— Fora, mancha maldita! Fora, digo!

— Macbeth. Primeiro ano do ensino médio — ela secou as mãos.

— Seu irmão mora aqui, nesta cidade? — repeti.

— Não, ele foi embora — desafivelou o cinto que continha a arma e colocou-a sobre a mesa da cozinha, ao lado do coldre de tornozelo.

— Posso tocá-la — atravessei a sala, entrei na cozinha e espiei as armas em seus coldres. — Acha que eu vou atirar em você?

Ela me observa com um sorriso descontraído.

— Na verdade, eu estava pensado em te ensinar algumas coisas básicas, como parte de seu treinamento está semana. Ou caso seja nocauteada nas próximas 25 horas e você seja abandonada no veiculo com uma policial inconsciente e uma arma carregada.

Eu não esperava que Lexa concordasse.

— Todo cuidado é pouco com armas — recordei-lhe.

Mesmo assim ela pegou uma pistola e me mostrou algumas coisas básicas. Como retirar o pente de balas e como verificar se havia balas na câmara. Ela parecia estar concentrada na arma, mas duvido que não tenha percebido minhas mãos tremeram sobre a mesa enquanto ela realizava esse movimento tão familiar para ela. Eu não queria que Lexa me desse um olhar de compaixão do tipo que se dá a uma garota assustada. Eu me odiava por estar assustada. Ela me ofereceu a arma, como o cano apontado em sua direção.

— Sem balas — ela disse. — É seguro.

Tentei controlar minha mão trêmula, enquanto ela colocava a arma na palma de minha mão.

— É pesada — eu disse. Diferente. Estranha segurá-la em minha mão.

Estava quente por causa de seu corpo.Segurei-a o máximo que pude aguentar, depois a devolvi  com o cano apontado para a porta, não para mim.

— Bom, para mim já deu.

— Tão rápido? — ela gentilmente recebeu a arma. Click, click, pop, e estava pronta outra vez.

— Estou com muito medo.

— De uma arma? — Lexa inclinou a cabeça para um lado, me observando. Sua voz saiu doce quando adivinhou.  — Da quinta-feira às 6h01 da manhã.

Eu nunca tive medo de sexo. O que me aterrorizava era o que poderia acontecer depois, as ataduras que me prenderiam aqui. Tremi. Ela tocou meu ombro.

— Nossa, aqui estou eu, preocupada com a forma como os suspeitos me verão, e você toda ensopada também. Venha comigo.

Eu a segui pela sala de estar até seu quarto. Mais desenhos cobriam as paredes. Em sua mesa de cabeceira havia um rádio de polícia zunindo, ocasionalmente estalando com a voz de Lois.

Lexa desapareceu dentro do closet e trouxe uma camiseta de mangas longas decorada com as palavras Para Proteger e Servir. Retirei-a de suas mãos.

— Nossa, subi de nível.

Ela desapareceu novamente e trouxe outra jaqueta policial de couro. Peguei-a.

— Isso quer dizer que estamos namorando firme?

Ela sorriu, mostrando uma covinha, antes de olhar outra vez para o closet, buscando um uniforme limpo em um cabide.

— Já volto — entrou no banheiro e fechou a porta.

Eu poderia ter entrado no closet para me trocar, mas como sou diferente, tirei minha jaqueta e camiseta molhada lá mesmo em seu quarto. Esperei apenas alguns momentos na esperança de que ela (ops!) me visse de sutiã. Mas, ainda que isso acontecesse, é tudo o que aconteceria, porque ainda não era quinta-feira às 6h01 da manhã, e Lexa obedecia as regras. Vesti sua camiseta e sua jaqueta, que estavam quentes e secas.

Iniciei meu passeio por esta nova sala da galeria de arte. Um dos desenhos que vi foi o da fonte do Diabo em Fiver Points, com várias das estátuas de animais ganhado vida e usando chapéus. Depois, mais ângulos de seção artística de Birmingham, mansões decoradas ao lado de prédios dilapidados. E, depois, do outro lado de sua cama, bem no primeiro lugar que Lexa via quando acordava todas as manhãs (ou tardes), estava um grande desenho da ponte. Sem alienígenas verdes e sem animais usando chapéus. Sem pessoas. Apenas a ponte. Uma forma lúgubre contrastando com o céu azul.

Ela saiu repentinamente do banheiro. Pelo menos foi o que pareceu, pois me assustei. Enquanto ela calçava botas limpas, fui até a cômoda, como quem não quer nada, destampei um frasco de perfume e cheirei-o. Não era esse. Peguei outro. Também não. Se o cheiro de seu perfume fosse, na verdade, sabonete ou desodorante, eu ficaria decepcionada. Ela passou em minha frente, pegou o último frasco e me entregou.

— É este.

Retirei a tampa e coloquei um pouco em meu dedo. Pensei que Lexa me colocaria para fora de seu apartamento, para nunca mais voltar, nem na quinta-feira às 6h01 da manhã, por causa do que fiz depois. Mas fiz assim mesmo. Levantei a mão para tocar seu pescoço. Deslizando minha mão por seu colarinho escuro, passei meu dedo por seu pescoço. Ela olhou para mim e colocou sua mão grande e quente sobre a minha. O rádio zuniu com a voz de Lois. Lexa não se moveu, mas aquelas rugas de preocupação apareceram entre as sobrancelhas.

— Não entendo o código que Lois usa — sussurrei. — O que aconteceu?

Ela soltou minha mão e se afastou de mim. Recolhendo minhas roupas ensopadas do chão. A segui até a sala, onde ela já estava colocando seu cinto com a arma.

— Uma fatalidade no cruzamento de Birmingham — ela disse. Inclinou-se para fixar a outra arma em sua perna. — Era o que estávamos esperando.

Eu seguir o rastro de seu perfume para fora do apartamento, depois sob a neblina que havia substituído a chuva. Descemos as escadas e chegamos até o carro. Lexa respondeu a Lois, dizendo que estávamos perto e que ela poderia atender a chamada, o que não importava muito, já que todas as sirenes na cidade já estavam tocado.

Passei o cinto de segurança sobre o peito e afivelei, como uma boa menina. Nas últimas noites eu havia acostumado a usá-lo. Quase nem tinha vontade de desmaiar. Mas agora a sensação de pânico voltou. Eu sabia que Lexa quis dizer quando falou que já estávamos esperando por esse acidente. Finalmente, depois de atender a vários chamados de pequenos acidentes no perigoso cruzamento, o pessoal da emergência se deparou com uma fatalidade que tanto temia. E era uma tragédia. Lexa queria que eu, e Raven e Bellamy observássemos tudo. Eu estava assustada. E cansada de ficar assustada. Enquanto ela verificava as duas vias para garantir que não havia trafego e entrava na estrada principal, eu disse:

— Meu desenho preferido não foi o de Veneza. Foi o da ponte. Sua ponte. —  Ela respirou fundo e suspirou pelo nariz: Aqui vamos nós outra vez. — Mas o que você deveria desenhar não é a ponte — continuei. — É a visão de alguém que está na ponte.

Sua mandíbula enrijeceu.

— Isso é ilegal, como já sabemos.

— À vezes quebrar uma regra vale a pena. Você é tão obcecada com essa ponte. Nunca quis ver a vista do outro lado?

Lexa fez uma última curva e pudemos ver as luzes vermelha e azuis piscando ao longo do asfalto molhado.

— Por que está fazendo isso? — ela perguntou, tão baixinho que mal pude ouvi-la por causa do barulho das sirenes.

— Por causa do que você está prestes a fazer comigo.

Havia apenas um carro envolvido no acidente. Um círculo de viaturas, carros de bombeiros e ambulância cercava o carro, que havia colidido contra um pilar redondo sobre a interestadual.

— Como uma batida dessa é possível? — perguntei.

— Bêbado. Sem juízo — ela abriu a porta. — Vamos.

Normalmente eu teria adorado a oportunidade de sair da viatura com Lexa em uma chamada. Bellamy e Raven já estavam lá. Estavam parados, um de cada lado do carro destroçado, longe um do outro, ambos com os braços cruzados. Apoiei-me sobre o capô da viatura, tentando controlar o pânico. Lexa atravessou a cena do acidente e conversou com alguns bombeiros em seus casacos longos, com os capacetes e protetores faciais abaixados. Ela deslizou um motor embutido em uma estrutura de metal em formato de cubo para fora do carro de bombeiros e colocou-o perto do acidente. Os bombeiros anexaram algumas mangueiras ao motor e conectaram a outra extremidade das mangueiras ao que parecia um enorme conjunto de alicates. Quando Jaha, o paramédico, passou por mim, chamei-o.

— Aquelas são as ferramentas de resgate para salvar vidas?

— Sim, só que é um pouco tarde demais para salvar alguma vida. Como você pode ver, ninguém está com pressa — e seguiu calmamente seu caminho.

O motor de resgate iniciou com uma barulheira, e os bombeiros começaram a trabalhar, abrindo uma parte destroçada que antes havia sido a porta dianteira do carro. Vidros quebrados e pedaços de metal voaram, batendo no capô do carro e caindo no asfalto. Meu coração acelerou as pontas dos dedos formigavam. Luzes vermelhas piscavam atrás de meus olhos. Mas eu tinha de fazer o que Lexa mandava, caso contrario, ela poderia me colocar de novo na cadeia, com ou sem 6h01 da manhã. Avencei alguns passos. Bellamy se colocou em meu caminho, balançando a cabeça.

— Clarke, você não precisa ver isso.

Atrás de Bellamy, Lexa ainda acenava para mim dizendo.

— Venha.

Bellamy caminhou até Lexa.

— Não a obrigue a vir aqui — e colocou a mão em seu ombro para impedi-la.

Lexa recuou.

— Não me toque quando estou de uniforme! — gritou.

Bellamy saiu do caminho.

Lexa caminhou até mim, agarrou meu pulso e me puxou. Neste momento meu rosto parecia uma máscara; o sangue não chegava até minha pele. Eu sabia que deveria estar preparada, mas sentia que estava perdendo minhas forças. Segui hesitando em direção ao acidente.

O barulho dos equipamentos de resgate era tão alto que eu não entendia como os bombeiros ou qualquer outra pessoa aguentava ficar lá. Vibrava tão alto que doía, como uma motocicleta duas vezes maior do que o silenciador. Senti a concussão de cada pulsação em meu peito, descontrolado o ritmo do batimento cardíaco. Enquanto a cena se desfazia na visão de um túnel, a pulsação do motor se fundia em um longo grito. As luzes da interestadual resplandeceram nos protetores faciais dos bombeiros, de forma que não pude ver suas expressões. Eles pareciam alienígenas em ternos espaciais. Quando Lexa fez sinal, eles se afastaram para nos deixar ver o interior do carro. A mulher estava contorcida de uma forma que o corpo humano não se contorce, em um espaço muito, muito pequeno. Para que eu a escutasse por sobre o ruído dos equipamentos, Lexa deve ter gritado, mas em minha cabeça sua voz soou suave, vazia e sinistra, como um medico em meu quarto de hospital depois de eu ter sido sedada.

— Isso era o que eu queria que você visse.

 


Notas Finais


Lexa foi um pouco mazinha... tsc tsc...


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