História Looking For a Home - Capítulo 81


Escrita por: ~

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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 81 - Mansion


 

Já no meio do convés, Emma pôde ver terra firme e imediatamente reconheceu aquele delineado no horizonte. Maldito lugar, ela queria tanto estar longe daquilo tudo. Seu maior desejo agora era voltar para Boiling Sands e deitar na cama de seu quarto na sua pequena casa. Tanto tempo em terra firme a tinha desacostumado e como no início, ela sentia tonturas e enjoos.

Dava pra ver dali a sombra do castelo lá longe, e saber que Hook intencionava mandá-la de volta pra lá, praquele lugar de onde ele tentou fugir a vida toda e que foi cenário de quase todos os momentos de sofrimento em suas vidas. Que agora era controlado pelo irmão alucinado e tirano dele.

Só podia ser piada, mas ela se lembrava do dia em que se conheceram e de quando o traiu, deixando que o capturassem e prendessem naquelas masmorras, do quanto foi difícil pra ele superar tudo aquilo depois. Agora, Killian sequer se lembrava de que isso um dia aconteceu.

Toda sua história fora apagada. Quem era ele agora? Ela não ficaria para saber, não estava a fim de conversar, até porque conversar era a última coisa que fariam e ela acabaria nas mãos de Liam outra vez, sem contar a bagunça que poderia acontecer quando Killian chegasse lá e o irmão o reconhecesse.

Emma balançou a cabeça e pulou a amurada, mas antes que escorregasse pela corda, uma mão agarrou seu pulso. Sobressaltada, ela acabou soltando da beira e não teve tempo de alcançar a corda pela qual escorregaria. Terminou dependurada, com seu peso sustentado apenas pela mão do capitão.

Ela olhou para cima. Ele olhou em seus olhos. Emma pensou que Hook fosse deixá-la cair, mas o capitão continuava se esforçando ao máximo para suportar o peso, como se realmente importasse se ela caísse.

Lógico que importava, ele ainda pretendia receber o prêmio.

Emma tentou tirar a mão dele de seu pulso, olhando para baixo. A queda era alta até a água, mas ela sabia cair muito bem. Ele riu forçado, parecia meio difícil fazer qualquer coisa estando segurando-a com uma mão só, e quando Emma percebeu, ele tinha puxado de algum jeito e estava de novo debruçada na amurada sobre o capitão.

A lembrança do dia em que escalaram os paredões tomou sua mente. Foi há tantos anos, mas ela tinha certeza que o desespero naqueles olhos cor de mar era o mesmo daquele dia, enquanto a olhava, com seus corpos tão próximos, os batimentos acelerados e os sentimentos embaçando sua consciência.

Quando voltou a si, Emma se afastou dele e simulou outra tentativa de fuga, mas era meio inútil. Hook só segurou mais forte em seu pulso, que não tinha largado em momento algum, e a puxou contra ele. Sua expressão agora era indecifrável, não era como nada de que ela se lembrasse.

Emma só sentiu necessidade de se afastar quando algo gelado tocou o seu peito e notou que de alguma forma ele tinha reavido o gancho que ela tinha certeza de ter colocado na bolsa dependurada em sua cintura. Ele pressionava a parte ovalada do objeto, por sua clavícula.

Num movimento rápido, a capitã se afastou e desembainhou a espada que trazia consigo, enquanto o via encaixar o gancho de volta em seu lugar, na extremidade de seu braço esquerdo. Ele sorriu, ah que saudade daquele sorriso cafajeste, e também desembainhou uma lâmina que ela não sabia de onde aparecera.

Antes que qualquer um deles se desse conta, estavam no meio do convés, cruzando suas espadas com fúria. Até o humor do capitão parecia ter dado espaço, e ele a golpeava como se dependesse somente disso.

Desviando de outra investida, Emma aproveitou para acertar em suas costas com uma joelhada e o assistiu cambalear para frente. Dois segundos depois, com um olhar quase fumegante ele se virou para trás e a fuzilou. Hook atacou tão rápido que ela se viu prensada contra a amurada do outro lado do navio, com as duas lâminas há centímetros do seu pescoço.

Eles passaram um tempo afrontando um ao outro, só trocando olhares de ódio e ira, um empurrando as espadas cruzadas na direção do outro. Emma se lembrava de todos os momentos e via embaçado sobre o rosto em fúria dele, os sorrisos, as risadas, até o choro. Sua força física não parecia suficiente quando a emocional era inexistente.

Sua oportunidade de se deslocar para o lado a salvou, e ela só ouviu o barulho da espada dele atingir a madeira, se afastando para longe. Já tinha esquecido-se dele, por que tudo tinha voltar logo agora? Ela só queria fugir e se afastar, era o mais seguro.

Mas suas pernas a traíram quando notou que ele já estava ao seu lado outra vez, ela já nem sentia por estar parecendo uma garotinha agindo assim, nem importava mais. Ao contrário do esperado, o capitão não tentou atacá-la outra vez, apenas a encarou por tanto tempo, com aquela expressão que ela não sabia identificar, com aquela mescla de confusão, dor e arrependimento. Arrependimento do que?

Ele olhou-a nos olhos e se aproximou mais, entreabrindo os lábios.

 – Quem era o pai do seu filho?

A pergunta a pegou tão desprevenida. Emma cambaleou para trás e deu com as costas no corrimão da escada. Estava trombando com muitas coisas, ela percebeu.

Não respondeu. Apenas olhou para ele e sabia que ele tinha ouvido o que ela disse naquela manhã, Hook sabia muito bem a resposta.

Ele parecia tão perdido, como não estaria depois de ouvir que alguém não podia matá-lo por amá-lo demais? Chegava a ser assustador. Seu coração pulava no peito tão rápido, em sua cabeça faltavam partes das lembranças, ele agora sabia que devia reconhecê-la, sabia que devia haver algo lá que o fizesse lembrar-se dos olhos verdes e que estariam salvos em sua memória todos os dias bons e os sorrisos.

Mas não tinha nada. Ela era uma completa estranha pra ele. Só alguém de quem ouviu falar e nem sabia o primeiro nome ou o dia do aniversário. Páginas de um livro que foram apagadas à faca e só sobravam as sombras ilegíveis das palavras.

Emma teria passado todo o tempo do mundo ali olhando para ele, podendo ver aquele rosto novamente, se não fosse desconfortável de tão próximo e se aquele sentimento em seus olhos não a incomodasse de tão enigmático.

Num arranque, ela se afastou assim que encontrou a oportunidade novamente, tentou correr para longe, mas sentiu o objeto gelado e metálico envolver seu braço, a impedindo de se afastar. Ela se virou para o capitão outra vez e desejou que ele não parecesse tão abalado.

– O que foi que eu fiz?

Emma olhou em seus olhos. Aquele tom suplicante, ele parecia realmente tão culpado e ela pôde imaginar a bagunça que Hook tinha dentro de sua cabeça, sabia que agora ele sentia falta de seu passado desaparecido, ela via em seus olhos que ele tentava se lembrar, mas não conseguia.

A única ideia que tinha era duvidosa.

Mas e dai.

Ela puxou a lapela da jaqueta dele e juntou seus lábios com ímpeto. Demasiada saudade e esperança, Emma ansiou tanto por poder fazer aquilo de novo. Puxava sua mão cada vez mais, trazendo-o para mais perto, até precisar da outra também.

Sentia a mão dele apertando em sua nuca enquanto seu gancho fora apoiado em sua cintura. Por quanto tempo estiveram ali naquela química, compartilhando seus sentimentos mais íntimos e lutando? Ela não saberia dizer.

Só sabia que no momento em que os separou, olhou nos olhos dele no aguardo, esperava receber um sorriso e pedidos de desculpas, ser beijada de novo e saber que tinha seu marido de verdade de volta. Mas é óbvio que nada disso aconteceu. Os olhos dele só se mostravam mais confusos agora, ele respirava devagar, a encarando sem reação, sem entender. O tumulto na cabeça dele.

Covardemente, Emma apenas balançou a cabeça e recuou, embainhando a espada novamente e correndo assim que conseguiu pular para o trapiche lá embaixo. Sem olhar para trás, ela fugiu de tudo aquilo, abraçando o próprio peito e aguentando o máximo para não chorar.

------- Na manhã do dia anterior --------

James não prestou atenção em muitas outras palavras que lhe disseram durante todo o dia, só sabia que estavam indo para algum lugar que Noah conhecia, depois de terem procurado por toda a praia e a vila.

Não se sentiu mal por não ter sentido falta da irmã. Não se sentiu mal realmente por ter sido Noah a notar sua ausência. James sabia que mesmo depois de tudo esclarecido, sua relação com Amy ainda não era a mesma.

Um pouco tarde, Sam deu um jeito de parar Noah e olhou em seus olhos, tentando abaixar seus ânimos. – Eu sei onde ela está.

James só encarou seu companheiro, sem entender nada, mas curioso e ansioso como de costume, mesmo que nem fosse mais uma surpresa quando alguém sumisse. – Onde? – Ele perguntou.

Sem olhar diretamente para ele, Sam se virou e focou em algo atrás de James. – Lá. – O mulato disse, apontando a silhueta do castelo na paisagem.

Respirando fundo, James tentou se acalmar. Por que tudo sempre se voltava àquele castelo maldito? Ele se pegou pensando e não encontrou nenhuma lembrança boa de lá.

– Mas por que ela voltou pra lá? Por que sempre temos que envolver aquele lugar? – Ele praguejou, meio falando sozinho. – Tem certeza disso?

Sam dessa vez olhou em seus olhos, James não sabia se sentia-se bem ou mal em encará-lo de novo. – Eu a vi olhando o castelo e depois sumindo numa fumacinha, como eles sempre fazem.

O loiro não ficou nem surpreso por Sam não ter contado antes, sabia bem que sempre havia um motivo. Mesmo assim, Sam se explicou.

– Ela está desesperada. Nós dois bem sabemos como é passar cinco anos afastado de quem deveria estar ao nosso lado. E eu bem sei como é tentar, mas nunca receber em troca o que queria. – Sam continuou olhando nos olhos de James seriamente.

O loiro queria sair correndo.

– Vamos logo então buscá-la, é perigoso até pra ela ficar lá com aquele maluco, e ainda mais tão alterada. – Noah os salvou daquele momento desconfortável. James sentia que ele podia ler suas mentes, não haveria outra explicação para o amigo sempre saber o que se passa entre eles.

Ou simplesmente fosse forte demais para Sam e James conterem, e assim ficava explícito o que sentiam o tempo todo. Ele acatou a segunda hipótese.

Foi mais difícil entrar no maldito castelo dessa vez. Estava claro que Liam estava investindo mais em segurança agora, mas quando já estavam do lado de dentro, encontraram o corredor vazio, a não ser por um guarda ou outro que ele logo derrotou sem muitos problemas.

Já na porta do quarto, que Noah sabia qual era por já ter trabalhado lá antes, James simplesmente entrou e se preparou para uma defesa, mas levou um susto tão grande que não teve outra reação, a não ser ficar parado lá.

Liam estava deitado na cama, isso seria comum, se ele não tivesse veias negras e grossas cobrindo todo o corpo, tantas que era possível vê-las por baixo de sua camisa branca. Era assustador como dava pra ver algo correr por elas, e todas pareciam procurar o caminho para os eu peito. O único lugar que elas não tomaram era o seu rosto.

Tão assustadora era a cena, que ele só notou depois que sua irmã estava ajoelhada ao lado da cama, segurando a mão do marido, com a cabeça debruçada no braço, chorando tanto que dava pra ouvir de longe os seus soluços.

Noah passou correndo por ele e foi amparar Amy. Dessa vez James se sentiu horrível por não ter sido capaz de fazer isso antes, ela era a sua irmã! Apesar do que tinha acontecido, ele devia ter ido ajudar. Mas não conseguiu, só ficou lá na porta, olhando com pavor para Liam e observando enquanto Noah a trazia de volta.

Sam parou também lá na porta para observar, perto o bastante para que James o tocasse se esticasse o braço, mas tão longe emocionalmente nada parecia capaz de alcançá-lo. James sabia que ele também se sentia mal por não ir lá ajudar.

Depois disso, ninguém disse nada durante todo o caminho. Noah ia na frente, com Amy ao seu lado. James desejou que eles não o tivessem deixado sozinho com Sam, mas de qualquer jeito não fez diferença, pois o moreno permaneceu quieto e afastado todo o trajeto.

Era perceptível que ele mancava levemente. Aquilo era muito para ele andar usando aquela perna falsa, James nem se lembrava de qual foi a última vez que o viu tirando-a e imaginava o quanto doía.

– Quer parar para descansar? – Ele perguntou, se aproximando. Sam levou um bom susto e se afastou mais.

Ele balançou a cabeça em negação, só seguindo em frente.

James não tentou qualquer comunicação depois disso. Sua mente vagava nas mais variadas coisas que poderia, ele pensava em onde Emma estaria e pra onde Noah os estava levando, mas também imaginava um bolo bem grande com glacê cor-de-rosa.

Não poderia ficar mais surpreso quando pararam numa bifurcação na estrada e Noah se aproximou dum portão enorme e acinzentado, cheio de videiras enroscadas por sua extensão.

– Chegamos! – Disse o rapaz, sorrindo e se virando para o portão. Não dava pra ver nada do lado de lá, por causa da trepadeira.

James não pôde deixar de rir. – É brincadeira? O que a gente tá fazendo aqui, Noah?

O rapaz olhou para ele e arregalou os olhos, como se James tivesse dito uma tremenda besteira. – A gente não pode sair por ai resgatando pessoas sem nem parar para descansar. Aqui poderemos recarregar.

Sam olhou de soslaio para James, os dois pareciam bem desconfiados. Amy nem olhara direito para o portão, esteve o tempo todo abraçando os próprios braços e chorando de cabeça baixa.

Noah riu cuspindo. – Parem, vai. Vamos entrar.

Ele se virou para o portão e tirou dos bolsos um molho de chaves. Com a maior delas, abriu a fechadura e empurrou o portão sem esforço, parecia leve mesmo que fosse gigantesco.

Do lado de dentro, nem dava pra acreditar, havia uma casa enorme de paredes alaranjadas e um telhado cinza como o portão. Era tão grande que poderia ser confundida com um castelo e eles se perguntaram como não tinham a visto antes.

– Tanaaam! – Disse Noah, abrindo os braços.

– Uau. – Sam murmurou, com a boca num formato de “o”perfeito. – O que é isso?

– É eu sei. Eu disse que laranja era uma péssima cor, ignore. – Noah balançou a mão.

Sam estava atônito. – Não, eu quero dizer. Noah, o que estamos fazendo aqui?

Ele revirou os olhos. – De novo essa pergunta? Só vamos passar um tempinho na minha casa!

James riria, mas tudo já estava tão surreal que nem conseguiu. Quando notou, Noah já estava com Amy na porta da frente, abrindo-a com uma das chaves.

Quando entraram, o lado de dentro era ainda mais impressionante. Um lustre gigantesco pendia do teto, as paredes do lado de dentro não eram laranja como lá fora, eram azuis. A sala principal tinha imensas janelas, que estavam abertas iluminando o ambiente, as janelas dum tom lindo de azul escuro estavam decorando, como uma moldura para quadros.

As janelas realmente pareciam quadros com a paisagem que se podia ver lá fora. Noah só sorriu, abriu os braços e se jogou de cara no enorme sofá, permanecendo lá deitado em silêncio.

– Noah? – Sam chamou. O homem levantou a mão, gesticulando para que ele continuasse, ainda com a cara no sofá. – Pode nos explicar o que está acontecendo?

O moreno levantou a cara do sofá e se sentou com pressa, levantando e murmurando coisas inaudíveis. – AH me desculpem. Sentem, sentem. Eu vou mandar trazerem o café, ou chá, vocês que sabem. Sente. – Ele repetiu, quase empurrando Sam ao lado de James no sofá.

O loiro o amparou antes que o mulato caísse em cima dele, e Sam automaticamente se afastou quase um metro para o lado, se sentindo mais seguro para finalmente respirar fundo e relaxar.

– Bom, esta é a minha casa! – Noah abriu os braços de novo, rodando ao redor. – Claro, não é só esse cômodo, depois eu mostro lá dentro pra vocês.

– Eu pensei que você não tivesse onde cair morto. – James disse, acabou não segurando as palavras na boca. – Você não passou quase metade da vida trabalhando no palácio?

O rapaz balançou a mão. – AH, daquela vez meus pais me expulsaram de casa. Mas tá tudo bem, eles não estão aqui agora, se mudaram pra longe desde o noivado do príncipe eu lembro. – Ele colocou o dedo na boca e olhou para o alto. Amy se encolheu mais no sofá. – Agora eu acho que vou ter a sorte de nunca mais vê-los na vida, e fiquei com a casa!

Ninguém o respondeu, todo mundo parecia bobo demais para isso.

Noah se sentou ao lado de Sam e olhou para Amy, que estava abatida na poltrona em sua frente. – Agora diga, Amy, o que aconteceu lá?

Ele olhou para Noah com tristeza e respirou fundo para não chorar. James queria se aproximar e a abraçar, mas não fez nada. – Eu voltei porque não aguentava mais ficar longe e senti que tinha algo de errado acontecendo.

Ela se explicou com tanto pesar, parecia se sentir culpada por ter os deixado. – Cheguei lá e Liam me abraçou, me beijou, disse que sentia muito e que queria voltar a ser como era, mas não podia.

James engoliu em seco, não sabia por que, mas olhou para Sam e encontrou os olhos dele nos seus. Ambos desviaram logo.

Amy continuou. – Ele me pediu para matá-lo. – Ela enrolou as palavras, começando a chorar de novo. – Colocou o punhal em minhas mãos e do nada teve um surto, voltando a ser o Liam psicótico e sem sentimentos. Eu não encontrei outra opção, tentei de tudo durante o tempo que passei lá, cinco anos atrás.

“Minha última tentativa era o veneno dos espinhos da rosa. – Amy engoliu em seco. – Então eu rasguei o braço dele e só pude assistir meu marido se contorcer enquanto aquela coisa tomava conta dele. Não vai matá-lo, mas pode tanto curar, como acabar com tudo. Agora pode não ter mais cura alguma.”

Os três ficaram apenas olhando para ela, observando-a chorar. Até Noah sabia que agora não havia nada que poderiam dizer.

James pensou, pensou tanto que achava que seu cérebro poderia estar derretendo, mas conseguiu descobrir porque aquela cena de Liam coberto por veias negras parecia tão familiar.

Ele abriu sua bolsa com pressa e assim que tirou o livro de lá de dentro, atraiu as atenções dos três. Sam principalmente, ele abriu a boca, ensaiando falar algo, mas ficou calado por muito tempo.

– Quando foi que você o recuperou? – Sam soltou, atordoado.

James sorriu fraco, com tristeza. – No dia em que enterramos o bebê.

O silêncio seguido era pesado. Nesse momento, James percebeu que Noah já sabia dessa história, mas Amy nunca tinha perguntado pelo sobrinho, nem tocado no assunto. Ele notou pelo olhar vago dela que, de algum jeito, sua irmã sempre soube do que aconteceria, isso não o admirava.

– O que importa é que as coisas estão se confirmando, cada vez mais paralelos aparecem. – Ele abriu o livro e percorreu as páginas com pressa, já conhecia tudo aquilo de cor e sabia exatamente onde devia procurar. – Dessa vez foi Liam.

– Não estou entendendo. – Disse Amy. Noah concordou com a cabeça. – Que livro é esse?

James respirou fundo, como explicaria? – Eu não lembro muito bem há quanto tempo ele é meu, só sei que desde que aprendi a ler eu o tenho em segredo. – Com cuidado, ele alisou uma das páginas. – A história contada aqui é curiosa. Parece uma realidade alternativa num mundo sem magia e cheio de coisas chamadas de “tecnologia”, é confuso.

“Mas o que importa são os personagens. – Ele fez uma pausa e mostrou uma página qualquer. – Nessa história, é como se pessoas conhecidas por mim tivessem uma outra vida num outro espaço de tempo. Por exemplo, aqui a Emma tem um filho de dez anos com o filho do Senhor das Trevas, e eles por acaso se conheceram no mundo sem magia em que os súditos dos reinos estavam presos por uma maldição.”

Todos olharam pra ele com uma cara enorme de interrogação. – Ah, esquece, é complicado demais pra explicar. Só quero que entendam que as coisas que estão escritas aqui as vezes acontecem de verdade. Como o fato de Emma e Killian se encontrarem amarrados em árvores, ou aquele dia em que Sam e eu os vimos conversando e eles disseram exatamente o que os personagens dizem no livro, antes de se beijarem.

Sam confirmou com a cabeça. Um enorme silêncio se instalou, até Noah levantar a mão, pedindo permissão para falar.

– Eu sou um personagem muito foda? Você e Sam ficam juntos no fim!?

James engasgou com a própria saliva. Ele nem olhou para Sam ou Amy, mas sabia que o pirata estava tendo a mesma reação surpresa e sua irmã olhava para o lado. – N-não, Noah. Nós quatro – Ele apontou para todos no espaço. – não estamos na história.

– Aaaaah. – Noah estava meio decepcionado. – Estava ficando interessante.

– O que você ia dizer sobre um paralelo com Liam? – Amy interrompeu, se inclinando para frente. A esperança pulando dentro dela. James desejou que a notícia não fosse ruim, mas não podia mudar isso.

Ele respirou fundo antes de falar. – Na história, Liam e Killian eram marinheiros num navio real e receberam uma missão numa ilha misteriosa, chegaram lá e tudo parecia estar dando certo, até Liam se ferir com o espinho de uma planta venenosa que ele pensava que era curativa.

Interrompendo, James esperou que ela deduzisse o resto, não queria dizer.

– E o que aconteceu depois? – Amy insistiu.

O loiro pôde ver o olhar triste de Sam pousado nele, que quase o fez perder totalmente a concentração.

– Depois ele morreu em alto mar. – Fez uma pausa. – Aqui na imagem podemos ver que as veias negras eram exatamente... – Ele virou mais uma página e ergueu o livro, mostrando a gravura que ilustrava Liam caído no chão de uma cabine de navio, enquanto Killian chorava ao seu lado. – as veias negras são iguais.

Ninguém disse nada. Ele pôde ver que Amy voltara a chorar e se arrependeu de ter dito, mas era melhor dizer do que guardar isso para si mesmo.

Como se o momento não estivesse estranho o suficiente, do nada Amy se levantou e parecia preenchida de uma fúria que era impossível caber dentro ela, seu rosto continha a expressão de alguém que poderia quebrar tudo que estivesse em sua frente. Mas do nada ela se acalmou e um sorrisinho fraco surgiu em seus lábios.

– Não precisaremos mais procurá-la, ela está aqui.

Noah olhou para Sam e James com a testa franzida. Estava claro que ele não entendia nada desde que a conversa começara. – Quem está aqui?

– Emma. – Amy sorriu maior. – Ela está aqui.

Do nada, a moça saiu correndo pela porta da frente e tudo que puderam fazer foi segui-la, e James teria feito, se Sam não tivesse segurado seu braço antes de cair no chão ao seu lado.

O loiro se ajoelhou quase sobre ele, a preocupação sempre era insuportável quando se tratava dele, mesmo que fosse a coisa mais idiota possível. Antes mesmo que ele perguntasse, Sam já estava tentando se levantar, dizendo que estava tudo bem.

Mas acabou caindo de novo.

– Não, você não está bem. – James segurou-o pela cintura, lhe ajudando a mancar até o sofá novamente. – Eu sabia que essa caminhada toda ia te fazer muito mal. – Eles ficaram em silêncio. – Posso...?

– Quem são vocês?

E antes que James terminasse de perguntar, uma voz os alarmou. Quando ele se virou para trás, imediatamente a reconheceu e não acreditou que realmente estava olhando para ela.

A mulher parecia igualmente espantada. – James?

 


Notas Finais


Oláaaaa!

Pessoas, eu estou muito feliz, a sua e nossa fic atingiu os 200 favoritos!
Estou surtando, realmente louca aqui, gostaria de agradecer a todos vocês que me acompanham aqui, muito obrigada mesmo! Muuuuito obrigada <3

Cada um de vocês é parte importante nessa história, sem vocês não fossem os leitores, não existiriam fanfics

Muitos beijinhos com morangos e nutella <3


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