História Losers - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Mesut Özil
Personagens Personagens Originais
Tags Bastian Schweinsteiger, Mats Hummels, Thomas Muller
Exibições 86
Palavras 4.253
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oláááááá, finalmente eu voltei. Nunca mais coloco data em postagem, eu acabo ficando decepcionada comigo mesma afe. Enfim, o capítulo tá grandinho a meu ver e eu queria ter postado ele ontem por ser niver do Mozil, mas não deu, i'm sorry gente.
ESpero que gostem!

Boa leitura!

Capítulo 5 - E então tudo começou a virar merda.


Pov. Tayla

 

Sinto dor nas costas ao me mexer e resmungo. Há algo me incomodando, eu tento empurrar para me livrar e percebo que é um pé.

Um pé?

Abro os olhos e vejo que estou deitada com a cabeça encima dos pés de Franny. Me levanto com cuidado para não acordar ela e os outros. Lembro-me de como acabamos assim vagamente e sorri, esses sabem aproveitar.

Caminho para a cozinha, abro a geladeira e pego uma garrafa de água, coloco um pouco em um copo e bebo num gole. Volto até a sala, calço os saltos e pego o casaco. Verifico se estou com meu celular e abro a porta para sair, todos ainda dormem e não pretendo acordar ninguém, mando um beijo e fecho a porta.

Ótimo, quando eu chegar em casa Antony vai encher o saco de novo. Parece até que se importa.

Ligo meu celular e vejo que não há mais notificações de chamada, pelo visto Mesut ligou uma única vez e mais nada. Antony também não mandou nada e isso é estranho. Saio do prédio de Kira e sigo caminhando até chegar a uma esquina, consigo pegar um táxi que estava deixando uma moça.

Digo o local a ele e o moço volta a dirigir.

Olhando para meu celular me pergunto o que Mesut poderia querer. Já era tarde quando ele ligou, na verdade, bem tarde. Fico tentada a ligar para ele, mas bloqueio o celular e sigo o resto da viagem quieta.

Pago o taxista e desço do carro. Entro no prédio, atravesso o saguão e entro no elevador.

— Bom dia. – Cumprimento a vizinha do andar de cima e ela responde.

Alguns segundos e o elevador chega a meu andar. Ando rápido até a porta, abro sem muito alarde e quando entro dou de cara com Antony. Respiro fundo.

— Vai dormir com ele todo dia agora?

Seu tom de voz é contido, parece não querer se exaltar ainda. Ainda.

— Com ele?

— Não se faça de tonta.

— Tonta? Eu? Mas eu dormi no apartamento da Kira, meu amor.

Caminho para as escadas e ouço seus passos atrás de mim. Odeio quando ele me segue desse jeito.

— Tayla você precisa entender que eu não nasci ontem, mesmo que não tenha dormido na casa dele, passou tempo demais fora e eu o vi abrir seu perfil ontem várias vezes.

— Viu é? Andou vigiando Mesut só porque passei uma noite com ele? Que tio protetor você é, um exemplo a ser seguido.

Chegamos à porta do meu quarto e eu paro antes de entrar.

— Pare com essa ironia, Tayla.

— Pare de se meter na minha vida, Antony. – Abro a porta para entrar e ele segura meu braço.

— Eu te disse uma vez e vou reforçar, você me deve Tayla, e eu posso muito bem te despachar de volta para o Brasil.

— Jogue esse seu discurso no lixo, sou maior de idade e tenho a porra do visto para estar aqui, ok? Se me quiser fora do seu apartamento é só dizer, amor. Só isso.

Vejo o rosto de Antony se retorcer e isso me assusta um pouco. Puxo meu braço que ainda estava sob seu aperto, entro no quarto e fecho a porta. Ainda vou enlouquecer se continuar nesse lugar, preciso conseguir um lugar e se não conseguir preciso que ao menos Kira me abrigue. Estou farta!

Pego o controle da TV e a ligo, o pen drive está plugado, eu o escolho e coloco minha lista de músicas para tocar, tudo bem brasileiro.

Tiro minha roupa a caminho do banheiro e me jogo embaixo do chuveiro. Tomo um banho demorado, cantando as músicas que tocam, aproveito pra dar uma relaxada e ao sair continuo a cantar.

— Você tirando o meu batom, é bom, bom, bom, bom, bom, bom.

Deixo a toalha pendurada no encosto da cadeira e abro o guarda-roupa, escolho um conjunto de lingerie e começo a vestir.

E então tudo começou a virar merda.

Sou puxada pelo cabelo e minhas costas batem no peito de alguém. Solto um grito de susto e tento me soltar, mas o aperto e reforçado e logo minhas duas mãos estão presas em meio a um abraço.

— Tayla, Tayla. Você sabe muito bem o porquê de eu querer que seus pais te mandassem pra cá, sabe por que eu ofereci o quarto. Sabe muito bem.

Todo meu corpo gela. A voz de Antony soa próximo ao meu ouvido e eu sinto meus pelos se arrepiarem com o medo repentino.

— Que diabos você pensa que está fazendo, Antony? Me solta. – Me debato e ele me solta só para logo em seguida segurar meus dois pulsos.

Antony me empurra devagar e logo eu sinto a cama atrás de mim.

— Ah não, vai se foder seu velho safado, me solta! – Tento o chutar, mas ele é mais rápido e eu caio na cama.

Levanto pronta para desferir inúmeros socos nele, porém Antony com certo trabalho segura meus braços e consegue manter minhas pernas presas pelas suas. Se esse filho de uma égua não fosse tão alto seria mais fácil sair daqui.

— Vamos lá, Tayla. Deixe-me descobrir porque você era tão cara e porque Mesut não quis descartá-la.

Em sua fala percebo uma raiva que antes não estava ali. Olho em seus olhos e percebo que ele não está em si. O que esse idiota andou usando?

— Saia de cima de mim, Antony! Seja lá o que você queria de mim quando me trouxe, fique sabendo que não vai ter!

Torno a tentar me soltar, fazendo força para soltar minhas mãos e isso deixa Antony agitado. Ele aperta minhas pernas com as suas e solta uma de minhas mãos para bater em meu rosto.

— Você me deve muito, Tayla, não vou deixá-la sair fácil assim!

— Puta que pariu, você é louco. Eu não te devo porra nenhuma!

Faço esforço para levantar de encontro a ele e mordo seu pescoço. Antony puxa minha cabeça pelos cabelos e ao colocar sua mão no pescoço eu acabo por ficar com as duas livres. Bato em sua cabeça e dou um murro na altura de seu pau.

Antony urra com raiva e eu aproveito seu desconforto para empurrá-lo e pular da cama. Pego meu celular que ficou jogado no chão e corro para fora do quarto.

Estou apenas de calcinha e isso é muito desesperador dado ao fato de que eu tenho que sair dessa merda de apartamento. Ao chegar à sala pego um dos meus casacos que ficou pendurado na entrada e saio dali o mais rápido que posso.

— Tayla! – Ouço ao fundo e me apresso.

O elevador parece não chegar nunca. Vou para as escadas e começo a descer. Visto o casaco e o fecho, pelo menos ninguém vai ver meus peitos. Enquanto desço procuro em meu celular o número de Kira, mas desisto de ligar para ela, afinal eu não posso meter Kira nessa merda toda hoje, ela deve estar se esbaldando com os gêmeos.

Procuro pelo número de Mason e ponho para chamar. Olho para o lado e vejo que já estou no segundo andar, sendo que o apartamento fica no quinto. Paro para respirar e ouço a mulher ao telefone informar que o celular para o qual estou ligando está desligado.

Respiro fundo algumas vezes e resolvo ligar para a única pessoa que me resta.

Chama algumas vezes e ele atende.

— Mesut Özil.

— Mesut, onde você está? Pode me ajudar? Antony enlouqueceu de vez!

— Ei, espera aí. Como assim enlouqueceu? Onde você está?

— Estou nas escadas do prédio. Antony me atacou quando eu saí do banho, aquele idiota, promíscuo, filho de uma puta!

— Calma aí, caralho ele te atacou? E você ainda tá aí por quê? Está louca também?

— Não posso sair andando na rua usando calcinha e um casaco, é por isso que não saí daqui ainda!

Pelo que ouço sei que ele está dentro de um carro agora. Obrigada Deus, por me apresentar Mesut Özil.

— Estou saindo de casa agora, mando mensagem quando chegar aí, ok?

— Ok, venha rápido, estou morrendo de frio caramba.

A ligação é encerrada e eu me sento nos degraus, pedindo a tudo que há de mais sagrado para que Antony não me procure aqui.

[...]

Vinte minutos, mais lentos que lesma com preguiça, se passam. Já perdi a conta de quantas vezes olhei para a tela de meu celular, esperando pela mensagem de Mesut. Sem contar com a ansiedade por estar ainda tão perto de Antony, não estou desesperada nem nada, pelas tantas vezes que já me atacaram no Rio eu me acostumei a ter que me defender desse tipo de babaca. Mas lá eu sempre tive alguém que ficava na minha cola pra que nenhum filho da mãe viesse com gracinha. Aqui é diferente, eu só tenho a mim e nem estou mais trabalhando com aquilo, então o desespero é bem-vindo e Mesut Özil mais ainda.

O celular toca e eu pulo do degrau já começando a descer as escadas.

“Estou aqui, venha logo.” 11h04min.

Chego à porta das escadas e abro uma pequena fresta, somente o porteiro está no saguão, graças a Deus por isso. Saio de onde estou e literalmente corro em direção à porta.

— Tayla! – Olho para trás e vejo Antony saindo do elevador.

— Ai caramba. – Falo para mim mesma.

Abro a porta e saio, as pessoas na calçada me olham e franzem o cenho, eu ignoro, desço as escadas e corro até o carro de Mesut.

— Tayla, volte aqui!

Paro ao lado da porta do carro e vejo que Antony parou no final dos degraus, eu levanto o dedo do meio para ele e logo depois entro no carro. Mesut volta para a avenida e aumenta a velocidade.

— Dá pra você explicar o que aconteceu? – Ele pergunta ao pararmos em um semáforo.

Respiro fundo.

— Aquele idiota simplesmente veio me agarrar depois que eu saí do banho. Eu sei lá o que ele tinha, mas com certeza não estava em si. Ficou dizendo que eu devia a ele e queria ver porque eu era tão cara.

Mesut olha para mim por um instante, calado.

— E o que você fez?

— Ah cara, preguiça de explicar, o que importa é que eu saí de lá. – Encosto minha testa na janela e fecho os olhos.

Mesut não pergunta mais nada, apenas continua o caminho. Eu agradeço por isso. Minha cabeça já começa a doer, pode até ser que eu tenha me acostumado a me defender de todos aqueles homens no Brasil, mas vindo de alguém que é da família te faz questionar qual o problema de certos seres humanos. E agora? Pra onde eu vou? Pedir um favor a Mesut? Me abrigar com a Kira? Voltar pra vida? Fala sério, alguém troca de vida comigo, por favor.

Durante todo percurso permaneci de olhos fechados e Mesut teve de me cutucar quando chegamos a casa dele. Eu desço do carro, caminho perto dele e quando entro na casa sou recebida por uma senhora de idade. Ela se assusta quando me vê e eu me assusto ao ver que ela está limpando cacos de vidro e recolhendo algumas fotos do chão. O que aconteceu aqui?

Olho para Mesut e ele está subindo as escadas, corro um pouco e subo também.

— Ei, o que aconteceu? – Pergunto e não recebo uma resposta.

Mesut abre a porta de um quarto e fica ao lado dela.

— Fique aqui, vou buscar algo pra você vestir e pedir para Mary te preparar alguma coisa pra comer.

— Não precisa, ela parece estar bem ocupada limpando o chão da sala. – Cruzo os braços e ele fecha os olhos.

— Agora não, Tayla. Apenas entre e me espere, ok?

Resolvo não insistir e entro. Ele fecha a porta, me deixando sozinha num puta quarto. O dele é maravilhoso, ok, mas eu esperava que um de hospedes fosse mais simples. Aproveito que estou sozinha, tiro o casaco e pulo encima da cama king size. Sinto meu corpo ser abraçado de tão macio que os lençóis são, e agora também sinto as dores da noite mal dormida. Puxo os cobertores da cama e entro de baixo deles, me afundo entre as almofadas e travesseiros. Fecho os olhos e relaxo.

[...]

— Tayla, acorde. Tayla!

Acordo num sobressalto e sento na cama. Olho para os lados e encaro Mesut que está olhando... Para os meus seios. Cubro-me e deito de novo na cama.

— Que é? Antony está aí?

— Não. Mas já são mais de três horas e eu tenho compromisso.

— E eu com isso? – Questiono sem paciência, pois ainda estou com sono.

Ele não responde. De novo. Caramba, ele tem que parar com isso, é irritante!

— Mary comprou umas roupas pra você, se vista e desça, por favor.

— Mary o que? – Sento na cama de novo, não creio que escutei o que ele disse.

— Ande logo Tayla, estou esperando você na cozinha.

Ele sai do quarto e me deixa olhando para a porta. Levanto da cama, vou até o banheiro e lavo o rosto, uso uma escova que achei dentro de uma gaveta e logo depois penteio meus cabelos. Visto a roupa que ele trouxe, calço os sapatos e saio do quarto.

Desço as escadas rapidamente e caminho para o corredor, pois acho que a cozinha deve ficar para lá. Tento ouvir qualquer coisa que me indique pra onde estou indo e ouço o bater de talheres, me apresso um pouco e chego à bendita cozinha.

— Boa tarde, senhorita.

Olho para o lado e Mary sorri ao me cumprimentar. Mas, senhorita? Sério?

— Boa tarde. – Abro um sorriso em resposta e caminho até onde Mesut está. — Vai me dizer o que aconteceu e qual o seu compromisso?

Sento ao lado dele, Mesut limpa a boca com um lenço e olha para mim. Ele não parece nada bem hoje, parece cansado e com raiva de algo.

— Por agora eu só quero que você coma, pode ser? – Pergunta.

Mary me serve um prato e se afasta. Me viro para Mesut e fecho a expressão.

— Não, não pode ser. Sei que liguei pra você e que você foi lá de bom grado me ajudar, sei que eu deveria meio que respeitar a cara de assassino cansado que você tá sustentando hoje, mas eu me preocupo fácil de mais e meio que levo a sério os tratos que faço. Então, hoje não vamos praticar o falar e ouvir?

Mesut me encara incrédulo e após um tempo olhando para meu rosto ele se levanta.

— Tem razão, você deveria meio que respeitar a minha cara de assassino cansado.

Ele sai da cozinha e me deixa sozinha pela terceira vez hoje. Reprimo um grito de raiva e respiro fundo. Começo a comer por estar com muita fome e enquanto faço isso tenho pensamentos psicóticos com Mesut.

— Ele brigou com a mãe ontem.

Levanto o olhar e Mary está encostada na pia, olhando para mim.

— Por isso os porta-retratos quebrados e o mal humor.

Fico sem ter muito que falar depois disso.

— Eu não sabia que ele não se dava bem com a mãe. – Digo apenas.

— Não só com ela. Você não conhece a história nem dos sites de fofoca?

— Não, eu não sou daqui e conheço a banda há pouco tempo.

— Ah. Eu nunca tinha visto você por aqui mesmo, por isso estranhei quando você chegou e ainda mais daquele jeito. – Mary é direta, ai que linda, já gostei.

— Peço desculpa, mas não tive tempo de me vestir quando estava fugindo do meu tio. E a proposito, você vê muitas por aqui? – Pergunto, pois sou muito curiosa.

Mary sorri.

— Não. Ele não gosta de se expor com mulheres nem para os amigos, muito menos pra mim. Você disse que estava fugindo de seu tio, mas por quê?

— Ele tentou... Tentou não, ele me agarrou. Parece que estava louco, ficou dizendo umas coisas e queria ter o que não pode ter e nem vai ter. – Respondi Mary e ela pareceu entender.

— Bom, eu tenho que ir, Thomas também precisa de mim hoje.

— Você trabalha pra todos eles? – Pergunto e coloco uma colher na boca.

— Sim, desde o começo. Foi bom conhecer você, Tayla. Até mais.

Aceno para ela e Mary sai da cozinha. Passo mais alguns minutos ali e quando termino lavo meu prato e deixo na secadora.

Procuro por Mesut pela casa e acabo por encontrá-lo na biblioteca da casa, ele está sentado num sofá de veludo vermelho e fala ao celular. Observo o local e já me apaixono, todas as paredes são cobertas por prateleiras, menos a do fundo que tem uma lareira. O chão é de madeira e reluz de tão limpo, os moveis parecem antigos e confortáveis. Meu Deus, quero morar aqui!

— Pelo visto você gostou.

— Esse lugar é perfeito, caramba!

Me sento ao lado dele no sofá e ainda olho para as prateleiras, me sinto hipnotizada.

— E aí, qual seu compromisso? – Pergunto mesmo presa no quanto os livros são bem organizados.

— Estava falando com Thomas, ele me disse que seu tio está surtado e cancelou a nossa última entrevista.

Agora eu olho para ele.

— Cancelou? E agora?

— E agora que não tem entrevista e eu estou dando graças por isso.

— Por quê? Era a última cara, tenho certeza que muita gente estava esperando por ela.

— Claro que estavam, mas eu não tenho saco pra entrevista, depois faço um vídeo pequeno pedindo desculpa e posto. – Mesut suspira, descansa seu pescoço no encosto do sofá e fecha os olhos.

Estou começando a querer deixar ele em paz, parece mesmo cansado, mas eu não posso me segurar, sou muito curiosa e ansiosa.

— Mary me falou da sua mãe.

Espero que ele diga algo, mas pelo visto Mesut não está disposto. Respiro fundo e fico a olhar para uma das prateleiras fixamente. Não há nada para fazer, Mesut não parece querer me dizer o que vai fazer e estou sentindo algo estranho, algo como... Sei lá, acho que impotência, falta de controle. Respiro fundo mais uma vez e deito minha cabeça no encosto do sofá, como Mesut.

Fecho os olhos.

 

Ei Tayla, não vem hoje? – Bruna pergunta sorrindo e apontando para fora da lanchonete.

Não, pode ir amiga. – Mando um beijo no ar e ela devolve, saindo em seguida.

Termino de fechar o caixa, fecho todas as portas, apago as luzes e saio da lanchonete. Caminho pela calçada e ao dobrar em um pequeno beco aproveito para tirar meu uniforme e guardar dentro de minha bolsa. Mais alguns passos e trombo com Igor.

Tayla! Que bom que já chegou, tem um cara e uma mulher te procurando aí, são novos. – Ele avisa e eu entrego a bolsa para ele guardar.

Vou até onde Igor disse que o homem e tal mulher estariam e ao chegar perto eu gelo.

Não pode ser.

Cogito dar meia volta e sair correndo, mas antes que eu possa agir a mulher se vira e me encara. Ela leva as duas mãos a boca e começa a chorar. Eu dou dois passos para trás, me sinto tonta de repente. Quem contou a ela?

Vamos lá, Tayla. Deixe-me descobrir porque você era tão cara e porque Mesut não quis descartá-la.

Você me deve muito, Tayla, não vou deixá-la sair fácil assim!

A mulher se desequilibra o senhor que está com ela a segura, eu corro em sua direção assustada e quando me ajoelho vejo que está desmaiada.

Deixe-nos Tayla, vou levar ela para casa. – Ele diz e me olha com desprezo, como se nada e eu fossemos a mesma coisa.

Eu vou com vocês, espere eu pegar minha bolsa.

Não, com certeza Thais não vai querer ver você quando acordar.

Ela é minha mãe!

Ele me olha calado por um segundo, e então murmura:

Pensasse nisso antes de se tornar o que é.

Sou empurrada contra um carro e Antony agarra meu queixo.

Se não fosse por mim, você ainda estaria naquela lanchonete em Meyer! Vai comigo, sim!

Sinto a pressão contra meu queixo aumentar. Mas então estou sendo puxada por alguém e ouço a voz de Antony mais alta do que o normal gritar comigo.

Você só se livrou agora, Tayla! Se dava no Rio, vai dá aqui também, bonitinha!

 

Abro os olhos e puxo todo o ar que consigo. Paro com a cabeça a baixada e respirando descompassadamente. Lembro do rosto de minha mãe, das palavras que ela me falou e sinto meu peito apertar. Posso até não ter vergonha de tudo que já fiz em minha vida, mas ainda dói saber que ela não quer me ver nem pintada de ouro.

— Tayla, está tudo bem?

Olho para o rosto de Mesut e não o respondo, apenas me levanto e caminho para a porta.

— Ei! O que aconteceu? – Ele segura meu braço e eu empurro.

— Me deixe! Hoje não vamos brincar de falar e ouvir lembra? Então me deixe em paz.

Tento sair da sala, mas Mesut é mais rápido do que eu e chega à porta antes de mim. Ele a fecha e eu respiro fundo.

— Saia da frente, por favor. Eu estou pedindo.

— Eu estou ouvindo. Mas não vou atender seu pedido.

Fecho os olhos soltando um suspiro e ao abri-los de novo Mesut está quase colado em mim.

— Desculpe por hoje. Eu só, não estou acostumado a ter alguém me perguntando a todo segundo o que está acontecendo quando eu estou de mau humor, geralmente os rapazes se afastam e Mary também. Fico feliz que você se importe, que leve a sério o que lhe propus.

Oi? É sério isso?

— Fale Tayla, o que aconteceu?

Seus olhos fixam os meus e eu consigo enxergar seu interesse, sua preocupação.

— Você vai me dizer o que aconteceu ontem?

— Vou.

Dou as costas para ele e volto ao sofá, Mesut vem até mim e se senta. Encaro seu rosto por um tempo e então decido: viro-me no sofá e apoiando minhas em seus ombros eu sento em seu colo. Mesut pousa suas mãos em minha cintura.

— Sonhei com minha mãe e Antony. Foi uma coisa meio misturada. Eu estava no Rio, saía da lanchonete onde eu trabalhava e quando chegava ao meu ponto de trabalho Igor me dizia que tinha um homem e uma mulher me esperando. Eram minha mãe e um senhor vizinho nosso muito amigo dela. No meio disso Antony apareceu algumas vezes. Enfim, eu acordei daquele jeito porque, ainda dói lembrar esse dia e do olhar que minha mãe sustentou quando me viu.

— Quando passou a noite aqui você disse que não se arrepende de nada. Mas ainda dói?

— Dói. Eu amo minha mãe, amo demais. E naquele dia eu a perdi totalmente, não posso voltar a casa dela nem fodendo, fui banida, sabe?

Ele acena, leva suas mãos ao meu rosto e o acaricia, eu fechos os olhos por dois segundo e logo depois torno a olhar para ele.

— E a sua mãe? Qual o problema com ela?

Mesut suspira. Ele não gosta mesmo de falar sobre isso.

— Ontem à noite eu liguei para minha irmã, Bastian tinha falado da briga que tenho com minha família e eu me senti impulsionado a falar com ela. Minha mãe descobriu, ligou para mim pelo celular de Dugyu e disse que se eu não queria ir até eles que não falasse com nenhum, nem mesmo com minha irmã. Nós brigamos feio e eu fiquei com tanta raiva que acabei bebendo e fazendo aquele estrago com as fotos.

— Porque vocês estão brigados?

— Qual o seu problema com a internet? – Ele sorri de lado.

— Nenhum, não é como se eu tivesse motivo para pesquisar seu nome e achar essa tal briga.

— Foram muitos os motivos, é complicado. Me acusaram de roubo, eu retruquei, me chamaram de falso, eu retruquei, quiseram me tomar muita coisa e eu não deixei. Minha mãe diz que sou o pior filho dela, meu pai diz que sou sua maior decepção.

— Ué, mas o que aconteceu mesmo?

Mesut passou sua mão esquerda pelo cabelo e suspirou.

— A verdade mesmo é que ninguém se preocupou em saber quem havia desviado o dinheiro todo que sumiu e acusaram a mim. Nem mesmo eu me preocupei. Agora já faz tanto e eu não ligo pra saber quem foi, não vai mudar o fato da minha família não ter confiado em mim e simplesmente ter jogado tudo pra cima do jovem e influenciável Mesut Özil.

Meu Deus. O que nós somos juntos? Uma garota que perdeu a única família que tinha e um cara que briga com sua família cada vez que fala com eles? Estamos tão quebrados, machucados, sozinhos.

 Deixo um selinho nos lábios de Mesut e acaricio seu rosto e cabelos com minhas mãos. Ele aperta minha cintura e olha em meus olhos, é quase como se perguntasse “Que dia enorme nós tivemos, não?”. Torno a lhe dar um selinho e desta vez me prolongo e puxo seus lábios com os meus. Mesut me deita no sofá e fica por cima de mim, ele tira meus cabelos de meu rosto e sussurra:

— Fala um lugar pra onde você gostaria de ir.

— Agora?

— É, agora.

— Não sei. Você não tinha um compromisso?

— Era a entrevista, eu disse que seu tio cancelou.

— Ah.

Penso um pouco, beijos os lábios de Mesut e então uma série de lugares me vem à mente.

— Cartagena, na Colombia. Fernando de Noronha, no Brasil. Paris, na França. Nova Iorque, nos Estados Unidos. Se eu pudesse ia pra todos eles porque se não tem praia, tem lugar suficiente pra gastar todo dinheiro da minha conta bancária.

Mesut sorri.

— Sabe, eu estava mesmo querendo viajar.


Notas Finais


É isso, um beijo proceis, a gente se vê! <3


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