História Lost Boys - Capítulo 9


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Categorias Originais
Visualizações 3
Palavras 886
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Fantasia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - Meninos Perdidos


Fanfic / Fanfiction Lost Boys - Capítulo 9 - Meninos Perdidos

Allan me motivava cada vez mais e aos poucos eu percebia que realmente tinha poder. Todas as vezes que treinávamos conseguia machucá-lo mais do que da vez anterior. As horas que eu passava com ele me faziam perceber o quão fechado ele era. Ele apenas falava o necessário e quando eu o causava dor ele apenas fechava os olhos, como se não quisesse reclamar ou mostrar que estava ferido, às vezes eu até achava que ele queria ser machucado. Quando não estávamos treinando ele estava na janela, fumando com um olhar pensativo, segurando seu colar de cruz.

Ryan era o mais próximo de mim. Ele passava horas pintando nas telas que a Allan trouxera para ele. Seus desenhos eram sempre em preto e branco, mas eu conseguia ver a habilidade que ele tinha em cada pincelada. Nas horas livres íamos para o lago próximo ao galpão. Ficávamos lá horas com o vento em nossos rostos, a areia entre nossos dedos e o cheiro salgado da água. Brendon era reservado, mas sempre se juntava a mim e a Ryan quando podia. E eu não podia deixar de notar os olhares que Ryan dava para Brendon.

- Porque não diz que gosta dele?- perguntei a Ryan em um de nossos passeios enquanto Brendon havia saído para comprar um sorvete.

- O que?- ele perguntou espantado.

- Ah, eu percebi, os olhares que você tem para ele. - pisquei. - Porque não diz que gosta dele. Particularmente acho que ele também gosta de você.

Ele abaixou a cabeça.

- Nos conhecemos desde crianças. Estragaria o que temos agora. - ele disse enquanto encarava o infinito do mar.

- Mas porque estragaria? Pelo o que eu percebo esses olhares não são de agora. Acho que a pior coisa é guardar um sentimento forte como esse. Acho que a vida é muito curta para guardamos nossos desejos.

Ryan baixou a cabeça e ficou pensativo. Imaginei se aquilo já tinha passado em sua cabeça várias vezes, mas ele nunca tivera a coragem.

Zach normalmente andava para cima e para baixo com um violão. Algumas noites íamos para a praia e o ouvíamos tocar. A fumaça do cigarro de Allan se misturava com a luz da lua que iluminava cada um daqueles meninos sem família que escolheram um ao outro para preencher o vazio de perder o que mais amavam e que agora estavam cuidando de mim. O céu era uma tela negra com brilhos mortos. Aquilo nos fazia esquecer um pouco de que estávamos fugindo, de que estávamos nos escondendo e querendo ou não, escondia o medo de sermos pegos.

 

Em uma noite na praia, Zach, Ryan, Brendon e até mesmo meu avô se permitiram beber até começarem a falar alto e rirem bastante. Olhei para Ryan e Brendon que estavam sentados lado a lado. Eles conversavam alegremente. Para quem olhava parecia uma conversa comum, mas eu podia ver o olhar profundo e cheio de significado que um lançava ao outro. Os observei por um tempo até que alguém sentou ao meu lado.

- Você também percebeu, não é?- disse Allan olhando para Ryan e Brendon.

- Quem não perceberia.

Ficamos em silêncio por um tempo. Zach cantava e tocava alto junto a meu avô. As ondas quebravam ao longe tranquilamente e o mundo estava em silêncio. Era como se a única coisa que existisse fossem eu, meu avô e aqueles quatro meninos perdidos.

- Allan. - eu disse.

Ele se virou para mim.

- Porque eu as vezes tenho a impressão de que você gosta que eu machuque você? Você sabe que poderia revezar com os meninos, mas você insiste em receber toda a carga. - eu olhava para as minhas mãos enquanto falava. Não sabia a reação dele a minha pergunta, ele poderia simplesmente se levantar e não responder. Mas para a minha surpresa ele respondeu.

Seu olhar estava baixo. Os cabelos pretos caindo sobre os olhos azuis. A luz da lua sua pele era ainda mais pálida.

- Nós quatro perdemos muita coisa, seu avô também. Em uma noite, eu estava com minha mãe em casa. Eu tinha 6 anos. Ela passava horas pintando até a mão cansar, assim como Ryan. Gostava de observá-la. Mas de repente ela parou de pintar e me mandou ir para dentro de um buraco na parede que ela havia feito para que eu me escondesse. Eu entrei e ela o fechou na mesma hora que o pai de Kevin entrou na casa. Ele estava com uma faca apontada para o coração dela. Ele queria saber onde eu estava, mas ela não disse e eu estava preso naquele buraco… eu vi tudo. Vi quando ele a esfaqueou, várias vezes e deixou seu corpo sangrar no chão e não fiz nada.

- Você não podia fazer nada. Não foi culpa sua.- disse eu.

Ele balançou a cabeça de um lado para o outro violentamente.

- Você não sabe como é se sentir impotente ao ver sua mãe morrer na sua frente. - ele disse lentamente. - Eu fui um inútil, mas eu não posso ser agora, tenho que lutar por eles, tenho que ser forte como não fui e vou ser.

Allan se levantou e foi em direção a água. Vi um menino de 6 anos magro e com medo. Agora eu entendia sua solidão.


Notas Finais


Espero que estejam gostando!

Vou viajar e ficarei sem internet durante 3 semanas :(

Assim que voltar postarei mais capítulos!!!


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