História Lost Lovers - NamJin - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Jin, Lemon, Namjin, Namjoon, Yaoi
Exibições 87
Palavras 5.132
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Self Inserction, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi, povo bonito o/

Eu não ia postar essa semana não, maaaaasss resolvi vir de última hora :P

Essa semana foi corrida pra tia aqui, blz? Tive fucking 5 provas e 3 trabalhos pra fazer... Então nada de jogar pedras na minha pessoa ;-;

É isso ai

Boa leitura o/

Capítulo 9 - Passado


Fanfic / Fanfiction Lost Lovers - NamJin - Capítulo 9 - Passado

 

- Namjoon... Eu... Eu tenho namorado. - disse abaixando o rosto enquanto lágrimas escorriam suas bochechas.

Que?

- Você o que? - repeti a pergunta que havia me feito mentalmente só que dessa vez em voz alta. - Você tem namorado? - estava incrédulo. - Por que não me contou?!

Ele não disse nada.

- Seokjin, me responde! - falei um tanto quanto alto demais.

- Não achei que fosse relevante! - disse surpreendentemente irritado. - Por isso não disse nada!

- Mas era muito relevante! - me exaltei um pouco. - Sabe, eu deveria ter feito como planejei. - falei mais baixo a última parte.

- Como assim? - perguntou confuso.

- Eu deveria ter suprimido meus sentimentos até eles se destruírem. Sabe, Seokjin, quando eu pus os olhos em você pela primeira vez eu senti algo muito forte no meu peito, muito forte mesmo. - ele me olhou desesperado. - Mas parece que foi só eu.

- N-Namjoon, não é assim também... Espera... - segurou meu braço ao ver que eu estava indo embora.

- Me solta. - pedi seco sem olhar pra ele.

- Namjo...

- Já mandei me soltar! - falei alto o interrompendo.

Na mesma hora ele me soltou e eu o olhei. Ele deu alguns passos para trás com um semblante de medo no rosto e depois saiu correndo, com o choro intensificado. Tirei o óculos e passei a mão no rosto com força. Estava totalmente sem clima para continuar naquela festa, então saí sem ao menos me despedir dos meninos (até porque eu havia perdido todos de vista).

Chamei um táxi, que chegou bem rápido, e fui para casa. Hora ou outra o motorista puxava papo, mas depois de um tempo ele sempre acabava morrendo, visto que eu não estava com cabeça pra conversar no momento. Chegamos até que rápido na minha casa, provavelmente porque mal havia transito.

Paguei o homem e agradeci-o, saindo do carro logo em seguida. Caminhei a passos lentos até minha casa, e notei que umas luzes ainda estavam acessas, ou seja, minha mãe estava acordada. Entrei silenciosamente dentro de casa e fui rumo à cozinha para beber um copo d'água.

Assim que bebi a água e me virei para sair do recinto vi minha mãe parada no batente da porta me observando.

- Porra, que susto! - dei um pulo e pus a mão no coração.

- Olha a boca, moleque. - me repreendeu. - Chegou cedo. Achei que só fosse voltar de madrugada.

- Eu fiquei sem clima pra ficar lá, mãe.

- Aconteceu alguma coisa? Quer me contar?

- Não... Tá tudo bem. - sorri falso sem mostrar os dentes.

- Vou fingir que acredito, tá? - se aproximou e fez carinho no meu cabelo. - Sabe, filho, você pode me contar tudo, ok?

Sorri sem mostrar os dentes, dessa vez de verdade.

- Obrigado, mãe. - ela ficou nas pontas dos pés e deu um beijo na minha testa.

- Agora vai dormir, já está tarde.

- Achei que ainda era cedo. - ri da sua pequena contradição.

- É cedo pra chegar de festa, mas já é tarde pra dormir. Agora ande logo, e durma bem. - sorriu.

Subi as escadas e fui até o meu quarto, trancando a porta logo em seguida. Me encostei na porta e tirei a armação do óculos com uma mão, e a outra levei até minha testa. Escorreguei até o chão e comecei a chorar. Chorei por vários motivos.

Chorei por ter beijado Jin, chorei por ter feito ele chorar, chorei por ter gritado com ele, chorei por ter feito ele sentir medo de mim, chorei por ter me confessado, chorei por ele ter namorado.

Será que algum dia ele vai me perdoar?

Aish...

Mas se ele tinha namorado, por que ele saiu comigo aquele dia no parque? E por que diabos ele pediu minha foto? Por que ele ficava nervoso perto de mim em alguns momentos? Por que, segundo os meninos, ele ficava me encarando quando eu não estava olhando? Não faz sentido.

Assim que me recuperei da choradeira e dos infinitos questionamentos que cruzavam minha mente, catei um moletom qualquer no meu guarda-roupa e o vesti, e fui até o banheiro jogar uma água no rosto. Encarei meu reflexo no espelho, meu rosto estava inchado e meus olhos estavam vermelhos. Passei os dedos em meus lábios relembrando nosso beijo e uma lágrima isolada escorreu bochecha abaixo.

Ao sair do banheiro, retornei ao quarto e me joguei na cama. Comecei a pensar que poderia ter sido pior, afinal se eu já estava me sentindo mal apenas pelo leve selo de nossos lábios imagina se o beijo tivesse sido aprofundado? Ele nunca mais falaria comigo - e eu tinha medo disso. Antes de dormir eu peguei meu celular para ver se eu tinha alguma mensagem nova. E tinha.

 

~ Mensagem on ~

 

Jin (23:39): Namjoon... Me perdoa por não ter te falado antes... Meu namoro não está num período muito bom, então realmente não achei que fosse relevante. Depois da nossa apresentação do trabalho eu vou pedir para o professor me trocar de dupla. Sei que está com raiva de mim, então você vai apenas me ver nas aulas. Foi muito bom ser seu amigo...

 

~ Mensagem off ~

 

Uma lágrima isolada desceu pela minha face. Eu não estava com raiva dele, apenas decepcionado por ele não ter me contado. O Jin é uma pessoa muito boa mesmo... Mesmo eu tendo gritado com ele, ele foi o primeiro à se desculpar. Não quero perder sua amizade, não mesmo.

 

~ Mensagem on ~

 

Eu (00:13): Jin, eu que deveria pedir desculpas, fui eu quem gritou e ficou bravo, você não tem culpa de nada. Eu entendo seus motivos, de verdade. Não quero que você se afaste, por favor... Espero que possa me perdoar algum dia.

 

~ Mensagem off ~

 

Antes que eu recebesse alguma resposta dele, eu desliguei o celular e fui dormir. Aquela noite havia deixado meu emocional abalado.

 

~

 

No domingo só fui acordar ao meio dia, porque a anta aqui desligou o celular com o despertador na noite passada. Fui ao banheiro fazer minha higiene pessoal, depois desci as escadas e encontrei minha mãe fazendo o almoço, um almoço bem cheiroso por sinal.

- Bom dia. - cumprimentei-a. - O que está fazendo? - perguntei chegando perto do fogão.

- Boa tarde né, Namjoon? - me corrigiu e riu. - Estou fazendo arroz, bife e purê de batata. Eu vi que ontem você estava meio tristonho, então resolvi te agradar um bocadinho. - disse e apertou minhas bochechas em seguida.

- Obrigado, mãe. - a abracei.

- Está melhor agora?

- Estou sim. - sorri de lado.

- Quando se sentir confortável pode conversar comigo.

- Tudo bem. Eu vou lá pro meu quarto.

- Mas você acabou de sair de lá.

- É que eu preciso checar as mensagens. Daqui a pouco eu desço.

Saí da cozinha antes que ela protestasse novamente, e subi correndo para o meu quarto. Liguei o celular e esperei enquanto arrumava a cama. Assim que o aparelho ligou vi que tinha uma mensagem de Jin me respondendo.

 

~ Mensagem on ~

 

Jin (09:27): Eu te perdoo se me perdoar também.

Eu (12:16): Então tá perdoado!

Jin (12:17): Nossa, achei que nem ia responder.

Eu (12:17): Foi mal, eu acordei agora...

Jin (12:18): Eu estava de ressaca até umas horas atrás, então te entendo.

Eu (12:19): Jin... Me desculpe por ontem.

Jin (12:19): Mas eu já desculpei, Namjoon.

Eu (12:20): Não é isso... Me desculpe por ter te beijado tão de repente...

Jin (12:21): Ah, isso... Tá tudo bem... Na verdade eu até que gostei...

Eu (12:21): Jura? Mas se você quiser podemos fingir que ele nunca aconteceu...

Jin (12:22): Você se arrependeu tanto assim de me beijar?

Eu (12:22): Não! Não é isso! Eu também gostei, gostei bastante. É que isso pode dar um problema pra você, sabe? Com relação ao seu namorado...

Jin (12:23): Como eu já disse, estamos num momento difícil há um tempo, nem sei o quanto mais esse relacionamento vai durar.

Eu (12:23): Por que você não termina com ele então?

Jin (12:24): Não é tão simples, Namjoon. Ah... Ele é meio complicado. Eu te explico a situação outro dia pessoalmente, pode ser?

Eu (12:24): Pode. Minha mãe tá me chamando, Jin. Daqui a pouco eu volto.

Jin (12:25): Vai lá.

 

~ Mensagem off ~

 

Acho que minha "relação" com o Jin voltou ao normal, fico feliz com isso. Óbvio que eu também fiquei feliz quando ele disse que seu namoro não vai bem, isso me dá uma chance, não dá? Mas uma coisa me deixou com uma pulga atrás da orelha. O que será que ele quis dizer com "ele é meio complicado"?

Será que ele é um doido que mantém o Jin no relacionamento a força? Será que ele é um chantagista? Ai meu Zeus, não quero nem pensar nisso!

 

~

 

Depois do almoço voltei para o quarto e mandei uma mensagem para o Jin, mas ele não respondeu. Lógico que eu achei estranho, ele não é de demorar muito para responder. Quando eram duas e meia mais ou menos eu já estava ficando meio angustiado com sua demora, então resolvi ir para a sala ver um filme para me distrair.

Minha mãe resolveu juntar-se a mim na maratona de filmes e levou a pipoca pra gente. Durante seis horas eu esqueci completamente da existência do meu celular, o que foi bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque eu relaxei das minhas preocupações. Ruim porque se Jin havia me respondido faz tempo e eu não vi ainda, ele deveria estar puto.

Achei bom passar um tempo com a minha mãe, faziam muitos anos que não víamos um filme juntos. Não sabia se eu contava alguma coisa com relação ao Jin pra ela ou não, se bem que ela poderia me dar alguns conselhos. Ela não ficaria brava nem nada até porque ela sabe que eu sou bissexual.

Me lembro até hoje de como ela ficou quando contei pra ela sobre a minha sexualidade. Eu tinha quatorze anos e ela pensou que eu não sabia direito o que eu estava falando pelo fato de ser muito novo. Ela ficou chocada, mas nada que o tempo não ajudasse. Hoje em dia ela nem liga mais, desde que eu esteja feliz ela estará feliz, pelo menos é o que ela diz.

Quando eram por volta de nove da noite resolvi tomar um banho e deitar logo em seguida, eu precisava descansar para a apresentação de amanhã. Resolvi checar minha conversa com Jin, e nada dele responder. Fiquei preocupado, muito preocupado, afinal ele nem sequer visualizou a mensagem que eu mandei pra ele depois do almoço!

Por precaução coloquei minha cópia do trabalho na mochila, para o caso de Jin faltar ou esquecer de levar o trabalho. Torci para que nada tivesse acontecido com ele, e fui dormir - depois de muito me remexer na cama.

 

~

 

O dia amanheceu quente como o inferno. Geralmente fazia esse calorão no período da tarde, mas não de manhã. Tomei um banho para poder me refrescar um pouco e vesti o uniforme. Temos duas opções de camisa, uma de manga curta e outra de manga comprida. Como estava um calor horroroso vesti a de manga curta e nem perdi tempo vestindo o blazer.

Como sempre minha mãe já havia saído de casa e deixado o café pronto. Hoje ela fez um misto quente e salada de frutas, e deixou o pó de café já na cafeteira para eu usar. Após o desjejum eu subi para o meu banheiro, escovei os dentes, peguei minha mochila e saí de casa.

Nas ruas não se via uma única pessoa de blusa comprida ou jaqueta, também né, quem usar isso hoje é louco. Na escola o cenário se repetia, e pelo menos os ares-condicionados estavam ligados nos corredores.

- Namjoon! Onde se meteu sábado à noite? - Hoseok me perguntou brotando do além.

- Onde eu me meti? Onde vocês se meteram? Não achei vocês em lugar nenhum.

- Ué? Estávamos dançando, óbvio.

- A dança do acasalamento só se for. - ironizei.

- Hahaha. - riu sem humor. - Palhaço.

- Mas é sério agora, eu procurei por vocês antes de ir embora, mas não encontrei ninguém. Sinceramente achei que estavam todos se comendo pelos cantos.

- Mas o que será que aconteceu para O Grande Namjoon nos abandonar em uma festa?

- Não quero falar sobre isso. - desviei o olhar.

- Aigo... Tudo bem, você quem sabe. - deu de ombros. - Tem aula do que agora?

- Química. - respondi brevemente. - E ainda por cima tenho que apresentar um trabalho. - bufei.

- Misericórdia. A única química que eu curto é a minha química com o Jimin.

- Ah, Hoseok... - ri anasalado e balancei a cabeça acenando negativamente. - Só você mesmo.

Estalou a língua antes de me responder.

- Pelo menos eu sou feliz, viado.

- Vai se fuder, Hoseok.

- Ixi filho. Eu sou o ativo, eu hein.

- Ativo? Sei. - debochei. - Só se for o cu ativo, né?

- Vem cá, tu não tem aula não? - me cortou bufando alto.

- Você adora desviar o assunto, né? - ri. - Tô indo, já vi que minha companhia não é bem-vinda. - fingi tristeza, mas sorri logo em seguida. Como resposta ele me mostrou a língua e se afastou.

Segui pelos corredores rumo à minha sala, me preparando mentalmente para a apresentação do trabalho, e para encarar o Jin depois daquela nossa discussão. Ao chegar lá, vi algumas das duplas fazendo um último ensaio antes de falarem na frente da classe toda, outras simplesmente conversavam, e alguns alunos dormiam. Mas nenhum sinal de Jin.

Se eu achei estranho? Óbvio, Jin não é de se atrasar nas aulas - pelo menos não o vejo se atrasar nas aulas que fazemos juntos. Nos corredores temos ares-condicionados, nas salas, ventiladores. Por quê? Queria muito saber. Eu, particularmente, não acho que ventiladores ajudam, eles simplesmente jogam o ar quente e abafado na sua cara.

Enquanto esperava por Jin naquele forno, eu passava o olho rapidamente pelas folhas do nosso trabalho para ter certeza que eu vou falar tudo direitinho. Acabou que nessa minha leitura de última hora eu me distraí e não notei quando uma mochila fora posta na mesa.

Desviei o olhar e dei de cara com um Jin todo encapado no uniforme. Ele estava de blazer! Como ele podia estar de blazer nesse calor infernal?! Acho que ele deve ter batido com a cabeça em algum lugar, porque não é possível...

- Jin?! Tira esse casaco, você vai passar mal! - disse preocupado.

- Eu to bem, só estou com um pouco de frio. - fechou os olhos e claramente forçou um sorriso sem mostrar os dentes.

- Frio?! - arregalei os olhos. - Seokjin, tá fazendo trinta graus Celsius lá fora!

- Que seja. - respondeu curto e grosso, virando seu corpo para frente.

- Ji...

- Bom dia, turma! - exclamou o professor mais animado que o normal, me interrompendo. - Ansiosos para a apresentação?

A sala proferiu um "Ah..." em bom som.

- Deixem de frescura, pessoal. Vocês tiveram tempo o suficiente para preparar o trabalho. - fez uma pausa pequena antes de continuar. - Quem quer começar?

Silêncio.

- Ninguém? - olhou os alunos. - Então vou escolher. Hm... Momo e Mina, podem vir.

As gêmeas japonesas fizeram uma cara de "Ai, que saco" e foram até a frente da classe. A apresentação delas foi boa, mas achei que o trabalho estava meio incompleto, sei lá. Mas pelo nota oito dada pelo sr Kwon eu diria que ele discorda de mim nessa questão. As duas voltaram para a mesa, e digamos que Mina estava nervosa - pelo menos era o que a leve tremedeira indicava.

- Muito bem, meninas. Agora deixe-me ver... RiAe e Jisoo.

As mesmas foram lá, apresentaram, e até que se saíram bem. E diferente do primeiro, eu achei esse um pouco mais completo. Não querendo me gabar nem nada, mas o nosso com certeza estava melhor - bem melhor que o de todos provavelmente, na minha opinião. O professor deu um oito e meio maroto para as meninas, só elas não ficaram nada satisfeitas com a nota, e foram conversar rapidamente com o sr Kwon.

Olhei para Jin e dava para ver umas gotas de suor escorrendo pelo seu rosto. Notei também que ele respirava com a boca aberta, como se estivesse tentando puxar ar, só que disfarçadamente para não chamar atenção. Seus olhos piscavam rápido em alguns momentos, e em outros as piscadas eram fortes e demoradas.

Se fiquei preocupado? Lógico.

- Jin. - sussurrei. - Você está bem?

- Eu to legal. - disse hesitando um pouco.

- Tire o blazer, você vai passar mal. - repeti a minha fala. - Eu to falando sério, você está me preocupando.

- Eu já disse que estou bem, Namjoon. - disse baixo, mas infelizmente seu tom foi alto para o professor, que olhou em nossa direção.

- Namjoon, Seokjin, sinto muito interromper a conversa dos dois, mas o que acham de virem até aqui apresentarem agora?

Suspirei, olhei para Jin e murmurei um "Vamos" antes de levantar com o trabalho em mãos, entregando-o para o professor ao chegar na frente da classe. Jin se levantou em sequência, e quando ele ia saindo do seu lugar ele bateu o quadril na quina da mesa. É, definitivamente ele não estava bem. Quando ele chegou perto de mim eu o olhei preocupado e ele me lançou um olhar do tipo "Eu to bem".

Apresentamos todo o nosso trabalho lindo, brilhante e maravilhoso em cerca de dez minutos. Jin se manteve firme o tempo todo, mas ele havia empalidecido muito. Pra falar a verdade, fui eu quem falou a maior parte do tempo, mas isso foi quase irrelevante para o sr Kwon - felizmente! O homem nos deu um nove por conta do Jin ter falado pouco, mas eu não o culpo.

Jin foi para a mesa primeiro e eu o segui. De repente ele teve um colapso e quase caiu com tudo no chão - só não caiu porque eu o segurei rápido. Algumas meninas que estavam perto deram uns gritinhos de susto.

- Jin?! Hey, Jin... - tentei chamá-lo, mas não obtive resposta.

- Namjoon, leve Seokjin para a enfermaria. - ordenou o professor.

Acenei positivo com a cabeça e pensei num jeito de levá-lo até lá. Cogitei carregá-lo de cavalinho nas costas, mas como seu corpo estava na minha frente, achei que não daria certo. Nenhum ser vivo se levantou para me ajudar, então o peguei no colo como uma princesa, até porque era o jeito disponível no momento para levá-lo à enfermaria.

Saí da sala com ele em meus braços e me surpreendi por sua leveza. Ok, ele não era tão leve assim, mas também não era pesado nem nada. Atravessei os corredores vazios e cheguei à enfermaria em poucos minutos, encontrando-a vazia - ótimo.

Me aproximei de uma das macas - ou camas, foda-se - e depositei seu corpo desmaiado nela com cuidado. Ele estava suando muito, também né, com essas roupas. Sua pressão deve ter baixado e por isso ele apagou. Mas que coisa, Seokjin, eu te disse para tirar o casaco, merda. Agora você está ai... Aish..!

Sentei seu corpo molenga na maca e retirei seu casaco, depositando-o numa cadeira ao lado da cama. Assim que deitei-o novamente eu pude ver o porquê dele não querer tirar aquela peça de roupa nesse calor. Hematomas. Seus braços estavam cobertos de marcas roxas, provavelmente resultados de uma surra.

Passei os dedos suavemente pelo seu braço, sentindo uma raiva arder em meu peito. Se eu achar quem fez isso com ele eu juro que eu mato.

Me afastei um momento para procurar uma toalha, e quando a achei, molhei-a um pouco e posicionei-a na testa de Seokjin. Quando me aproximei de seu rosto pude notar maquiagem debaixo de seu olho esquerdo. Mais uma marca, que ele tentou esconder com corretivo.

Como alguém pode fazer isso com ele?

Por que alguém faria isso com ele?

 

~

 

Depois de mais ou menos vinte minutos vi Jin tentar se sentar, e conseguiu com certa dificuldade.

- Jin, deite. Você ainda não está bom. - falei mas ele não me obedeceu.

- O-O que houve? - perguntou confuso pondo a mão na cabeça.

- Sua pressão caiu e você desmaiou.

- Como isso aconteceu?

- Aconteceu por conta do casaco, Jin.

- Casaco? - olhou para seus braços e arregalou os olhos ao notar que estava com a pele exposta.

- Quem fez isso? - perguntei.

- E-Eu cai. - respondeu gaguejando um pouco.

- Caiu? Muito bem, e seu olho? Caiu numa pedra?

- B-Bati de cara na porta.

- Seokjin. - chamei-o e ele olhou para mim receoso. - Não minta pra mim.

- Não estou men...

- Quem fez isso com você? - o interrompi e repeti a pergunta já sentindo o sangue esquentar.

- Eu já disse que...

- Foi ele, não foi? - o encarei e seu olhar se desviou.

Ele não disse nada e suspirei.

- Jin... - falei mais manso. - Por favor, eu quero te ajudar. Então me fale a verda...

- Namjoon, chega! Tá legal?! - falou mais alto, me interrompendo. - Foi ele sim, mas o que você vai fazer, hein?! - seus olhos começaram a lacrimejar. - Foi por sua causa que ele fez isso comigo!

- Minha?! - arregalei os olhos, indignado. - Mas o que eu fiz?!

- Me beijou! - falou nervoso, deixando as lágrimas rolarem. - Ele tinha um amigo na festa, e ele viu a gente se beijando... Depois ele contou para o meu namorado, que fez isso comigo no domingo!

- Mas o que você disse pra ele?

- Nada, ele nem sequer me ouviu! Ele simplesmente chegou no meu apartamento já me batendo!

Quando seu choro se intensificou ele inclinou a cabeça para baixo. Eu não aguentei e me levantei da cadeira, indo ao seu encontro. Envolvi seu corpo de lado num abraço e posicionei meu queixo no topo de sua cabeça, seu cabelo cheirava a óleo de argan. Passei minha mão direita pelo seus braço direito fazendo um carinho suave.

- Por que não termina com ele? - disse baixo depois de um tempo de silêncio.

- Não é tão simples, Namjoon... - falou mais calmo.

- Por que não? - mantive o mesmo tom de voz.

- Você... - hesitou. - Você não entenderia...

- Mas eu quero entender.

Ele se afastou um pouco e me olhou.

- Ok... - respirou fundo, eu soltei seu corpo e me dirigi à beirada na cama, me sentando de frente pra ele. - Lembra que eu te contei que eu tenho problemas com minha família? Então... Basicamente é tudo por causa dele.

- Então se você terminar com ele você faz as pazes com sua família. - concluí.

- Mais ou menos. - suspirou. - Eu sempre fui uma criança diferente da outras, eu sempre gostei de rosa, preferia brincar com minha primas ao invés dos meus primos... Meu pai sempre se fez de cego, sabe? Já minha mãe não, ela tinha uma intuição. Quando eu fiz quinze anos minha mãe disse que me apoiaria sempre, e eu fiquei muito feliz, sabe? - deu um sorriso de canto. - Nessa época eu passei a sair com o Kidoh, meu namorado, mas meus pais não sabiam de nada.

Kidoh... Foi ele quem bateu no Jin... Se eu achar esse cara eu acabo com ele.

- Ele era diferente antes, não me batia nem nada. Mas teve um dia que ele me deixou em casa depois de um encontro e me beijou. Acontece que meu pai nos flagrou, me agarrou e me levou pra dentro de casa, e me jogou com tudo no chão. - seus olhos lacrimejaram de novo. - Ele me bateu e disse coisas horríveis pra mim. E onde estava minha mãe? Aquela que disse que me apoiaria não importasse o motivo? Ela estava atrás do meu pai, olhando. Ela não fez nada, não falou nada, apenas observava. - uma lágrima escorreu pelo seu rosto.

- Jin... Se não quiser continuar tudo bem, eu entendo.

- Não, eu to bem. - passou a mão em seu rosto, enxugando as lágrimas. - Além do mais eu quero te contar. Chega de segredos. - sorriu sem mostrar os dentes. - Continuando, depois que meu pai me detonou, Kidoh disse para eu me emancipar, e eu adotei a ideia. Meu pai simplesmente assinou os papéis, porque ele não queria nem saber de mim mais. Minha mãe relutou um pouco, mas assinou também. Eles bancam metade dos meus gastos aqui em Seoul, porque foi determinado pelo juiz. A outra metade eu mesmo arco com a ajuda de um trabalho que Kidoh me ofereceu...

- Que tipo de trabalho?

- Ah... Esqueci de mencionar que minha mãe nunca foi com a cara do Kidoh desde o momento em que ele pisou lá em casa como meu amigo dois anos antes de começarmos a sair, romanticamente falando. Ela sempre pediu para eu me afastar, mas eu sempre a ignorei, agora sei que eu devia tê-la ouvido. Acontece que Kidoh é traficante de drogas, Namjoon, e eu não sabia disso até ele me trazer pra Seoul quando me emancipei.

- Traficante?! - exclamei pasmo.

- Fala baixo, caralho. - deu um tapa na minha coxa. - É, traficante. - suspirou. - Ele me arrumou um trabalho nesse ramo, e não me orgulho disse nem um pouco. Mas eu preciso desse dinheiro pelo menos até eu me formar no ensino médio, depois eu arrumo um emprego e me sustento sem o tráfico e sem meus pais.

- Nossa, mas você não tem cara de traficante.

- É porque eu não sou um.

- Me explica direito, porque eu estou confuso.

- Eu sou o cara que vicia as pessoas, Namjoon. Nas festas eu dou "balinhas" para as pessoas, e quando elas se viciam, elas procuram por Kidoh e por outros caras para comprar mais. Entendeu agora? - desviou o olhar. - Sabe... Eu não gosto de fazer o que faço, mas eu não tenho escolha.

- Sempre há uma escolha.

Ele riu e balançou a cabeça negativamente.

- Não nesse caso. Eu já disse pra Kidoh que a partir do ano que vem eu não quero me envolver mais nisso, e ele só aceitou essa minha decisão depois de muito custo. Eu tenho medo do que ele pode fazer comigo caso eu largue o "trabalho" ou caso eu termine com ele... E além do mais ele disse que vai dar um jeito na minha família caso eu faça alguma "bobagem", como ele fala.

- Jin. - chamei-o. - Eu não gosto de você trabalhando pra esse cara, não gosto de você envolvido com esse cara. - o olhei nos olhos. - Deixe tudo isso pra lá.

- Eu não posso, Namjoon... Não posso... Eu preciso do dinheiro.

- Para?

- Como assim? O que a pessoas fazem com dinheiro, Namjoon? Eu preciso compra comida, pagar o aluguel, pagar a luz, pagar a água... Eu só não pago a escola, porque isso ai é a despesa dos meus pais.

- Você pode morar lá em casa, ai não teria esses gastos a mais.

- Não dá.

- Por que não, Jin? Por que nada dá?

- Por que o Kidoh vai me achar, sempre acha. - falou mais baixo a última parte. - Eu já tentei fugir dele uma vez, mas ele me achou e me deu a pior surra que eu já tomei. Foi tão ruim que eu não pude ir para minha antiga escola por uma semana, porque eu não conseguia nem andar. Mas eu não ligo para o que ele faça comigo, eu tenho medo dele ir atrás de você ou dos meninos.

- Deixe ele vir que eu acabo com ele.

Ele riu anasalado.

- É muito mais fácil você simplesmente se afastar de mim... Vai te livrar de futuros problemas. - abaixou a cabeça.

- Eu não vou te deixar sozinho nessa.

- Por que não? - perguntou ao levantar a cabeça.

- Eu já te disse o porquê. - me olhou confuso. - Porque eu gosto de você.

- Namjoo...

- Não, Jin. Me escuta. - o interrompi. - Olha, o que eu disse na boate e nas mensagens é sério. Quando eu te vi eu senti algo muito forte, muito forte mesmo. Sabe quando você é hipnotizado? Ou quando você sente que conhece alguém de algum lugar, mas não lembra de onde? Foi o que eu senti quando pus meus olhos nos seus. Mesmo que nós dois tenhamos nos conhecido há apenas duas semana, eu sinto como se fossem anos. Sabe por que eu não vou te deixar sozinho? Porque eu confio em você e confio nas suas palavras. Se você diz que se arrepende do que faz e que pretende largar esse ramo ano que vem, eu acredito em você e sei que fala sério.

- Como pode acreditar em alguém tão facilmente? - perguntou baixo, sem me olhar.

- Não acredito facilmente em alguém, eu acredito em você facilmente. – ele me encarou com os olhos chorosos.

- Como uma pessoa como você pode ser real?

- Isso é uma ofensa ou um elogio? - ele riu.

- É um elogio, Namjoon.

- Como é melhor ver seu sorriso ao invés de suas lágrimas. - sorri pra ele e ele sorriu sem graça. - Não desperdice suas lágrimas com aquele idiota, Jin. - estiquei a mão para tocar sua bochecha. - Me prometa que nunca mais irá chorar por ele.

- Não estou chorando por ele, Namjoon. - pôs a mão em cima da minha que estava em seu rosto. - Estava chorando porque estava nervoso. - sorriu sem mostrar os dentes. - Mas eu prometo.

Me aproximei de seu corpo e o abracei com cuidado. Era como se ele fosse feito de porcelana, podendo se quebrar com o mínimo toque. Seus braços rodearam o meu tronco e retribuíram o abraço. Eu podia sentir o cheiro do seu cabelo, o cheiro de seu pescoço, o cheiro de seu perfume. Tudo que eu mais queria era permanecer naquele aconchego pelo resto dos meus dias. Sua respiração batia no meu ombro e me arrepiava, suas mãos agarraram firmemente meu uniforme, e pude sentir algumas lágrimas umedecerem minha camiseta.

- Por que eu não te conheci antes? - sussurrou.

 

 

 


Notas Finais


Vamos fazer um mutirão pra dar um trato no Kidoh?

Gostaram?

Até o próximo cap o/

Bjs de luz *3*


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