História Lost my Way - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Lu Han, Sehun, Xiumin
Tags Baekyeol, Chanbaek, Drama(tragédia), Ficção, Mamacumbafics, Yin Yang
Exibições 17
Palavras 4.305
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


OLÁ PESSOAS
AQUI ESTOU EU DE NOVO

Por que eu demorei duas semanas a mais que o esperado?
Porque além de um puta bloqueio pra finalizar o cap, quando me agendei pra postar fiquei compromissada até o talo do cu e depois perdi a coragem de digitar
Quando tomei coragem o pc bugou e as 2.000 palavras foram pro ralo :')

Mas aqui estou eu, com um cap bem lindo com uns ChanBaek -spoilers-

Capítulo 2 - Que seu dia se torne mais colorido


Fanfic / Fanfiction Lost my Way - Capítulo 2 - Que seu dia se torne mais colorido

O sol estava nascendo e Chanyeol já estava acordado. Na verdade ele não havia dormido.

Uma semana havia se passado desde o julgamento e Chanyeol ainda estava tentando superar aquele julgamento.

Ele se martirizava por remoer as cenas daquele julgamento por horas a fio. Martirizava-se  por não querer que os dois tivessem morrido, apesar de terem cometido um crime grave.

Porém se martirizava acima de tudo, por estar pensando demais em Baekhyun.

Ele sabia que era errado, mas não conseguia parar de pensar naqueles lábios cheinhos, nas feições delicadas e nos olhos bem delineados.

Virou-se na cama e fechou os olhos. A imagem do pequeno Byun apareceu novamente em sua mente.

Abriu os olhos e chacoalhou a cabeça levemente. Resolveu levantar de uma vez, ocupar sua cabeça com algo para tirar Baekhyun de sua mente.

Levantou da cama e foi ao banheiro. Fez suas higienes matinais e trocou suas roupas, colocando uma roupa branca, como sempre.

Saiu de seu quarto e foi até a saída do palácio, onde encontrou Jongdae o esperando.

- Bom dia, vossa majestade.

- Bom dia, Jongdae.

- Está pronto para começar o dia? – Jongdae perguntou com um sorriso.

Chanyeol abriu um sorriso amarelo.

- Sim. – disse não muito convicto de suas palavras.

Suspirou cansado, andando do lado de Jongdae, o acompanhando pelo reino.

- O que faremos hoje? – Chanyeol perguntou.

- Iremos ver a família senhora Kim.

- O que aconteceu com a senhora Kim? – o mais alto perguntou preocupado.

- Ela quer sua permissão para falar com o criador. Parece que seu neto está doente.

O rei achou compreensível. Qualquer tipo de doença era um infortúnio do reino Yang. Se a doença agravasse, em alguns casos, a pessoa poderia até mudar de reino.

Andaram mais alguns quarteirões sem dizer uma palavra. Depois de pouco tempo avistaram a casa dos Kim.

Jongdae bateu na porta duas vezes e foi atendido. Uma senhora de idade, com cabelos brancos e algumas rugas no rosto. A preocupação em sua face era palpável.

- Bom dia, vossa majestade. – reverenciou o mais alto dos dois.

- Bom dia, senhora Kim. – o mesmo respondeu com uma reverência.

- Entrem, por favor. – a mulher disse mostrando a porta para as figuras à sua frente.

Chanyeol entrou primeiro, sendo seguido por Jongdae e logo assim a senhora Kim adentrou a casa.

- Sentem-se. Trarei um chá. – a senhora disse se retirando do cômodo.

- Não tem necessidade, senhora. – o rei disse.

- Não, eu insisto. – a mulher disse se retirando.

Os dois a viram desaparecer pela porta. Chanyeol começou a batucar os dedos no sofá. De repente viu um pequeno vulto atravessar a porta e viu pequenos olhinhos o observarem através do batente da porta.

Abriu um sorriso para aquela criança, que depois de ver o ato do rei, simplesmente sumiu.

O sorriso de Chanyeol morreu. Ficou observando a porta, esperando por algum sinal da criança que estava lá, o observando a alguns segundos atrás.

- Vossa majestade, eu só tinha chá de camomila, espero que goste. – foi interrompido de seus devaneios pela senhora Kim.

- Não, sem problemas. Eu gosto de chá de camomila. – respondeu pegando uma xícara.

Voltou a olhar para a porta e viu que aqueles olhinhos o observavam novamente. Abriu outro sorriso e a criança revelou sua face. Era um menino com a pele mais escura. O menino abriu um sorriso. Um sorriso radiante sem os dois dentes da frente.

- Cadê o Jongin? – a senhora perguntou – Kim Jongin! Venha aqui agora! – ordenou.

O menino saiu de perto da porta e foi para o lado de sua avó.

- Majestade, esse é o Jongin. – disse mostrando a pequena criança para Chanyeol – Cumprimente o rei, querido.

Jongin começou a observar a figura a sua frente. O sorriso daquele que fora denominado “o rei” não tinha morrido.

- Olá! – disse acenando freneticamente para o rei.

O sorriso de Chanyeol se alargou e ele segurou as mãos do menino.

- Olá! Bom dia, minha criança. – respondeu logo depois dando um leve aceno.

O menino voltou a sorrir.

- Vá se sentar, Jongin. – a senhora Kim ordenou.

A criança foi andando lentamente até outro sofá. Quando se sentou, teve uma crise de tosse.

- JONGIN! – a mulher exclamou desesperada andando em direção ao neto.

O rei se levantou e foi para o lado da criança, que tossia sem parar. Depois de alguns segundos, que pareciam horas, a criança parou de tossir.

- Você viu isso, majestade? Essas crises vêm ocorrendo frequentemente fazem semanas.

Chanyeol olhou novamente para o menino. Seus olhos lacrimejavam e ele ofegava buscando por ar. Passou a mão pelos seus cabelos, sentindo a textura macia dos fios.

Jongin ignorou todas as lágrimas, a ardência no peito e a falta de ar e sorriu. O maior sorriso que conseguiu abrir. Gostava daquele homem desconhecido. Gostava de como ele sorria para si, gostava de como ele acariciava seus cabelos.

Chanyeol olhou para a criança, um olhar cheio de ternura.

- À tarde Jongdae irá ao palácio do Criador com você.

A senhora suspirou aliviada.

- Muito obrigada, vossa majestade. – disse se ajoelhando.

- Não tem necessidade disso, senhora Kim.

A mulher se levantou, arrumando o vestido branco com as mãos, dando leves batidinhas.

- Bom, agora que resolvemos isso, precisamos ir. Temos mais problemas para resolver. – Jongdae disse.

O rei caminhou até a porta juntamente a Jongdae.

- Obrigada novamente, majestade. – a mulher disse abrindo a porta.

- Não foi por nada. Espero que ele melhore. – o mais alto disse.

A criança chegou na porta com um semblante triste.

- Você já vai? – o menino perguntou choroso.

O rei se ajoelhou no chão e colocou o polegar em suas bochechas.

- Sim, eu preciso ir, mas eu prometo que um dia volto. Pode ser?

O menino assentiu um pouco mais feliz que antes.

- Pode ser. Vou te esperar então.

Chanyeol abriu um sorriso e se levantou. Saiu pela porta acenando um tchau para Jongin. O menino correspondeu com um leve aceno.

O rei e seu assistente saíram andando pelas ruas sem cores, sem graça. Várias pessoas ocupadas caminhando pelas ruas apressadamente, crianças brincando de pega-pega nas praças e um som de nada. Sem sons de passarinhos ou de folhas batendo umas nas outras por causa do vento. Somente as pessoas produziam barulhos. Sem natureza, sem graça.

Chanyeol caminhou pelas ruas sem cor pensando no que estaria acontecendo no reino Yang.

    “Como será o reino Yang?”

O rei fazia essa pergunta para si mesmo algumas vezes, mas agora se perguntava cada vez mais, com sua curiosidade o consumindo por dentro.

    “Será que Baekhyun é um bom rei?”

Chanyeol se perguntava isso algumas -muitas- vezes ao dia.

    “Será que Baekhyun precisa de ajuda?”

Daí o rei teve uma ideia: ajudar Baekhyun. Não virar seu assistente, só... auxiliá-lo em algumas coisas que seu assistente não o ajudou, ou não se importou em ajudar.

- Vossa majestade, foco. Não pode se destrair facilmente. Tem um tempo que você vem se distraindo com frequência. Isso não pode acontecer. – Jongdae disse.

- Desculpe-me. Tentarei evitar isso. – Chanyeol disse sem graça.

Continuaram andando e o rei ignorou toda a conversa de alguns segundos atrás: ele pensava novamente em Baekhyun e o reino Yang.

Seus pensamentos se desvirtuaram para outro mais proibido, mais perigoso: como ele iria para outro reino sem seu assistente ficar sabendo.

No fundo, ele sabia que era errado, mas não conseguia parar de pensar nessa hipótese.

    “Por que estou pensando em burlar a lei?”

Chanyeol pensava isso envergonhado de si mesmo.

    “Eu sou o rei, devia ser um exemplo.”

    “Então por que quero tanto fazer isso?”

Essas perguntas ecoavam em sua cabeça sem parar.

E novamente aquela voz extremamente conhecida o interrompeu de seus pensamentos.

- Vossa majestade, você ignorou completamente tudo o que conversamos à alguns segundos atrás. – Jongdae disse levemente alterado. – Acho melhor você ir descansar um pouco. Passaremos no palácio e irei à casa da senhora Kim. Descanse e fique preparado para o trabalho em dobro que teremos amanhã.

Chanyeol olhou para seu assistente boquiaberto. Isso nunca tinha acontecido antes.

Caminharam de volta ao palácio em silêncio. Jongdae ficava repetindo a mesma pergunta mentalmente: “O que teria acontecido ao rei?”

Em todos os seus anos como rei ele foi impecavelmente disciplinado. Governava o reino com maestria e punho forte, mas depois daquele julgamento algo havia mudado.

O rei não parecia ser ele mesmo.

Quando chegaram ao gigantesco palácio, o rei foi para seu quarto sem dizer nada nem explicar-se.

Trancou a porta e se jogou na cama, encarando o teto, pensando no que faria para chegar ao reino vizinho.

Pensou em várias possibilidades, mas todas pareciam falhas.

Levantou-se rapidamente e começou a caminhar em círculos pelo quarto, bufando e puxando os cabelos toda vez que avaliava seus planos minuciosamente e encontrava falhas.

Novamente aquela perguntou soou em sua cabeça.

    “Por que estou fazendo isso?”

Ouviu batidas na porta.

- Vossa majestade. – uma empregada disse – Aceita alguma coisa?

- Não, obrigado.

Quando a empregada assentiu e deu um passo para trás, o rei mudou de idéia.

- Espere! – Chanyeol gritou.

A empregada voltou rapidamente.

- Eu quero que prepare uma carruagem. – o rei disse.

- Falarei com o cocheiro. – a mulher disse saindo dali.

O rei observou a mulher se retirar e se jogou na cama de novo, esperando avisarem que a carruagem estava pronta.

    “O que falar?”

    “O que fazer?”

Eram as principais perguntas que fazia para si mesmo.

- Vossa majestade, sua carruagem está pronta. – uma voz feminina disse por detrás da porta.

- Já estou indo. – o rei respondeu se levantando da cama.

Deu leves batidas em seu terno para desamassá-lo. Caminhou lentamente até a porta e abriu-a. Atravessou o palácio e chegou ao jardim branco, com as flores e galhos brancos, com o banco e chão brancos, do jeito que sempre foi.

Desviou seu olhar e encontrou a roseira. Ele sempre amou aquelas rosas, porém havia algo em uma delas que lhe chamava a atenção. Talvez fossem suas pétalas, que eram mais brilhantes que a das outras rosas. Talvez fossem as folhas que eram mais arrebitadas. Talvez fosse porque ela não possuía espinhos, ou talvez simplesmente fosse porque ela estava lá desde sempre. Todas as suas companheiras morriam, mas ela estava lá, sempre intacta, em sua falta de espinhos e com suas pétalas que formavam um botão perfeito.

Desviou o olhar e continuou andando. Atravessou os portões do palácio e avistou uma carruagem branca o esperando.

- Bom dia, vossa majestade. – o cocheiro disse.

- Bom dia. – o rei respondeu com um sorriso de canto.

- Para onde iremos?

O rei engoliu em seco.

- Para o reino Yang.

O cocheiro o olhou com espanto, mas não disse nada, afinal era proibido questionar assuntos do reino.

- Bom, vossa majestade, temos um problema. Eu não sei como chegar ao reino Yang.

Chanyeol bufou irritado.

- Então me deixe no palácio do Criador.

O cocheiro assentiu com a cabeça. Balançou as rédeas e Chanyeol ouviu os cavalos relincharem. Os cascos dos cavalos batiam com força no chão iniciando um galope rápido.

O rei começou a brincar com suas mãos, tentado de uma maneira falha acabar com seu nervosismo. Olhou para a janela e viu ali a paisagem de seu reino.

Um reino branco. Sem cor, sem graça, monótono. Era assim que podia descrever o lugar onde vivia.

O rei Yin pensou mais do que nunca de que havia algo errado ali. Algo que ele não sabia e que, provavelmente, jamais iria saber.

- Vossa majestade, chegamos. – o cocheiro disse.

O rei respirou fundo e desceu da carruagem. Agradeceu ao homem e saiu andando sem nem ao menos olhar para trás.

- O que farei agora? – perguntou baixo para si mesmo.

Deu uma volta pelo palácio e avistou uma carruagem preta. Cogitou a ideia de usá-la, mas pensou no que aconteceria.

Bom, ele era um rei e o cocheiro era apenas um cocheiro, teria que obedecer às ordens de um rei, não importando de qual reino fosse.

Com isso ele sentiu uma pequena parte de seu cérebro gritando “isso é errado”.

Por um momento ele sentiu como se estivesse abusando do poder. Sentiu-se... corrompido.

Entretanto, outra parte de seu cérebro gritava com todas as forças “vá e faça o possível para conseguir o que deseja”.

Por um momento ficou dividido. A divisão perfeita entre o certo e o “errado”.

Depois de minutos, decidiu-se.

 

Decidiu que iria.

 

Decidiu que iria fazer o errado.

 

À passos firmes ele caminhou até a carruagem. Suava frio e suas mãos tremiam levemente. Ele sabia que era errado.

 

Mas então ele ainda persistia na ideia?

 

Caminhou até a carruagem procurando pela resposta da pergunta.

 

    Ele simplesmente não sabia.

 

Quando chegou perto o suficiente, acenou para o cocheiro de vestes pretas que o olhou torto.

- O que você quer? – perguntou rudemente.

Chanyeol o olhou indignado.

- Como ousa tratar um rei de forma tão rude?

O homem de vestes escuras o olhou com deboche.

- Sim, sim. Claro. Continue falando como se eu me importasse.

O rei continuou indignado.

- Ignorando a sua grosseria, você poderia, por favor, me levar até o reino Yang?

- Ser educado comigo não vai diminuir minha “grosseria”. Entre logo. – o cocheiro disse apontando para a porta.

O rei entrou. Desconfiado, porém entrou. O cocheiro tomou as rédeas e sacudiu-as. Os cavalos relincharam e começaram a andar. O barulho dos cascos batendo no chão era audível e chegava a ser incômodo.

Chanyeol começou a observar as cores que passaram de verde para cinza, depois para um cinza mais escuro para finalmente virar preto.

Observou o reino escuro. O exato oposto do seu. Ao observar esse contraste, lembrou-se que ali não era o seu lugar. Lembrou-se de que não deveria estar ali nem em seu pior pesadelo.

Respirou fundo ao ver a carruagem adentrar ruas escuras e sujas. A carruagem caminhou mais um pouco e Chanyeol podia ver as casas aos pedaços, latas de lixo derrubadas, pessoas vestindo apenas farrapos, drogados por substâncias não conhecidas pelo rei. O cheiro ruim de enxofre era facilmente sentido por qualquer um. O rei tossiu, incomodado pela essência que penetrava suas narinas.

- Incomodado pelo cheiro? – o cocheiro perguntou.

- Muito. Como vocês respiram esse ar?

- Consideramos que já nascemos aqui, é natural.

O rei assentiu com a cabeça fazendo uma careta por causa do cheiro ruim.

Passaram por mais algumas ruas sujas com mendigos drogados, arruaceiros e valentões arrumando intrigas com algum bêbado qualquer.

Quando finalmente chegaram, Chanyeol desceu da carruagem tapando as narinas com os dedos. Virou-se na direção da carruagem.

- Muito obrigado. – disse sabendo que seria tratado de maneira rude novamente.

O cocheiro abriu um sorriso debochado e olhou para frente, sacudindo as rédeas de pano. Chanyeol revirou os olhos se virando em direção ao palácio. Tinha sido ignorado pela primeira vez na vida.

Caminhou em direção à porta, mas foi interrompido por uma fala.

- Tome cuidado na hora de entrar. Roupas brancas tem muito destaque no fundo preto.

Chanyeol girou os calcanhares ficando de frente para o homem de vestes pretas.

- Qual o seu nome? – perguntou.

O cocheiro fez uma cara pensativa, decidindo se devia contar ou não.

- Yixing. Zhang Yixing.

- Muito prazer, Yixing e muito obrigado novamente. – o rei respondeu com um sorriso de canto.

- Não é por nada. Boa sorte na hora de fazer o que for que você quiser fazer lá dentro. Tome cuidado.

Chanyeol deu uma leve risada.

- O cocheiro debochado preocupado com o rei.

Yixing revirou os olhos.

- Só tome cuidado. Não quero que dê merda para você, porque se não a culpa virá para mim também. – Yixing disse disfarçando.

Por algum motivo que ele não sabia, ele gostava daquele homem pomposo.

Chanyeol abriu um sorriso largo.

- Com certeza. – disse irônico – Mas de qualquer jeito, muito obrigado.

Um silêncio constrangedor tomou conta.

- Enfim, preciso ir, tenho mais o que fazer. Tchau. – disse balançando as rédeas, fazendo os cavalos começarem a andar.

O rei viu o cocheiro se afastar lentamente com um sorriso no rosto. Assim que a carruagem não podia mais ser vista por causa da distância, Chanyeol virou-se e caminhou até o palácio negro. Foi bater na porta, mas parou no meio do caminho.

O que deveria fazer? Só bater na porta e fingir que nada ia acontecer?

Colocou as mãos quadril e respirou fundo. Encarou a porta e pensando no que fazer.

    Novamente ficou dividido.

Uma parte de seu cérebro dizia para parar e voltar para seu reino, porém uma parte enorme gritava para ir.

Chegou uma hora que ele simplesmente já estava cansado disso e só bateu na porta. Ninguém respondeu. Bateu novamente. Sem resposta.

Impaciente, bateu de novo. Ouviu uma voz gritar.

“Entre logo, porra!”

O rei constrangido e incomodado abriu a porta com delicadeza, indignado. Avistou um jardim preto, com as flores murchas e mortas.

Novamente uma sensação estranha invadiu seu corpo. Uma sensação conhecida e desconhecida ao mesmo tempo.

    Aonde ele havia sentido isso?

Pôs sua cabeça para pensar para pensar. Buscou em todas as suas memórias qualquer vestígio dessa sensação estranha que lhe corroía por dentro.

Até que se lembrou.

 

O julgamento.

Assim que ficou próximo ao rei Yang, essa sensação estranha tomou conta de seu corpo.

 

Estava acontecendo de novo.

 

- Ei! – Chanyeol ouviu alguém gritar.

Virou sua cabeça procurando quem havia gritado. Após ver um sujeito alto escorado em uma das paredes do jardim, perguntou com os lábios “eu?” e foi respondido de maneira agressiva:

- Sim, você mesmo. Tire essa cara de palerma, pare de gracinhas e tire essa roupa branca. Vai acabar preso desse jeito.

O rei sentiu seu interior borbulhar em adrenalina inigualável. Fechou os punhos com força, cerrou os dentes e gritou com todas as forças:

- VAI SE FODER!

Logo após ter feito isso, sentiu os níveis de adrenalina diminuírem e seu coração bater mais lentamente. Quando se deu conta do que tinha acabado de fazer, tapou a boca com as mão e arregalou os olhos.

Ele havia xingado

Ele teve um ataque de raiva.

 

Raiva é um sentimento do reino Yang.

 

Assustado, caminhou em direção à porta de madeira preta, a alguns metros de distância. Bateu nela duas vezes e esperou. Foi atendido rudemente por um funcionário.

Entrou com as mãos tremendo e suando frio. Caminhou rapidamente pelas beiradas do salão, observando o movimento das pessoas no local. Ninguém percebia que estava lá, ninguém notava sua existência. A ignorância havia os cegado.

Continuou caminhando como se nada estivesse acontecendo, até encontrar um corredor com uma porta escura no final. Caminhou até esse corredor lentamente, receoso do que poderia aparecer. Quando ia adentrar o longo corredor, foi barrado.

- Quem é você? – um homem relativamente baixo, com lábios carnudos e olhos grandes perguntou. – Não, não pode ser você.

Kyungsoo não acreditava que realmente era o rei Yin.

- E-eu queria falar com Byun Baekhyun.

O assistente Yang arregalou os olhos.

- O quê? – perguntou incrédulo.

Kyungsoo não conseguia acreditar no que estava ouvindo.

- Isso mesmo que você ouviu, eu quero ver o rei Yang.

O assistente engasgou com a própria saliva.

- Você sabe que está contra a maior lei do Criador certo? – Kyungsoo perguntou o olhando torto.

- Não se o criador tiver me dado permissão. – Chanyeol disse.

Assim que disse isso, seus olhos se arregalaram. Ele ficou sem ação, sem fala, sem reação.

Havia mentido

Mentir é uma ação do reino Yang.

 

Ele havia começado a ser equilibrado.

 

- Ok, ok. Pode entrar então. – Kyungsoo disse desconfiado.

Deu passagem para o rei, que caminhou ressentido.

Chanyeol olhou para a porta que dava acesso a sala do rei e respirou fundo, procurando coragem para batê-la.

Fechou os olhos, fechou a mão e bateu duas vezes na porta. Nenhuma resposta. Suspirou aliviado e decepcionado ao mesmo tempo, pensando que era sua segunda chance de não fazer nada errado.

Virou-se de costas e deu um passo. Ouviu a porta se abrir. Baekhyun olhou através da porta a figura de uma pessoa alta vestida de branco.

“O que uma pessoa do reino Yin está fazendo aqui, ainda mais no palácio do rei?” Baekhyun perguntou para si mesmo.

- Quem é você? – perguntou.

Chanyeol respirou fundo.

- Você me conhece. – ao ouvir aquelas Baekhyun arrepiou por inteiro – Eu sou Park Chanyeol, o rei Yin.

Baekhyun não conseguia acreditar. Puxou o braço do rei de branco e o trouxe para dentro de sua sala.

- Seu louco! Se alguém te ver estamos ferrados! O que você está fazendo aqui? Você não tem juízo, não?

- Acalme-se Baekhyun, eu estou aqui para te auxiliar.

- Mas eu tenho meu auxiliar para quê?

- Se ele é um auxiliar tão bom, me diga algo realmente útil que ele já te ensinou.

O rei Yang abriu a boca para falar algo, mas acabou fechando-a logo depois.

- Viu? Você precisa de ajuda.

O pequeno Byun cruzou os braços e encarou o rei Yin. Novamente aquela sensação aconchegante.

- Você pode me ajudar? Pode tirar minhas dúvidas?

- Sim. Só me contar e tentarei responder.

- Por que eu me sinto estranho perto de você?

Chanyeol abriu a boca para responder, logo depois a fechou. Encarou Baekhyun que esperava pela resposta.

- Sinceramente? Eu não sei, Baekhyun.

- Então você não é útil. Saia daqui antes que eu acabe que nem aqueles idiotas do julgamento. – o rei Yang disse apontando para o rei Yin

Chanyeol se encheu de raiva. Pegou a mão de Baekhyun e apertou-a com força.

- Jamais fale assim de Lu Han novamente. Ele era uma pessoa boa.

- Então me prove que é útil.

Baekhyun não queria demonstrar isso, mas queria muito manter contato com aquele homem alto de vestes brancas, porém o medo de serem pegos era maior.

O rei Yin respirou fundo.

- Vou te ajudar nas relações com o meu reino, o que normalmente os reis Yang nunca sabem lidar com esse ponto.

- Está que dizendo que meu reino é um bando de idiotas?

- Não coloque palavras na minha boca, Byun Baekhyun. Basta ver o reinado de todos os reis que vieram antes de você, nenhum soube lidar bem com essa situação.

O rei Yang suspirou derrotado.

- Comece essa aula logo.

Chanyeol abriu um sorriso, orgulhoso de si mesmo.

 

                                                   ~~~~~~~

 

- Então aqui temos, pelo menos para mim, a parte mais triste. – Chanyeol disse.

- O que é? – Baekhyun disse de um modo que soou como uma criança.

O rei Yin abriu um sorriso por causa do modo que Baekhyun falou aquilo.

- Bom... quando uma pessoa do reino Yin passa para o reino Yang.

Baekhyun o olhou.

- Mas por que isso é triste? – perguntou inocentemente.

Chanyeol respirou fundo.

- Porque eles saem do conforto do reino Yin e vão para o reino Yang, onde só tem maldade.

O rei Yang o encarou desapontado.

- Mas por que você não gosta do reino Yang?

O rei Yin engoliu em seco.

- De acordo com as lendas do reino Yin, deveríamos agradecer por ter nascido lá, porque todas as atrocidades acontecem aqui. – respondeu envergonhado.

- Então você não gosta de mim?

Chanyeol engasgou com a própria saliva.

- Não, bem... eu não sei. Sinto afeição por você, mas não deveria. Eu... simplesmente não sei, mas sei que não te odeio. Jamais pense isso.

Por algum motivo desconhecido, Chanyeol não gostava da ideia de Baekhyun pensar que o rei Yin não gostasse dele. Sentia-se incomodado em pensar algo do tipo. Só esperava que o rei Yang não pensasse que o odiasse por ser do reino Yang.

Baekhyun assentiu levemente com a cabeça. Chanyeol olhou para a janela e viu que o céu estava para se pôr.

- Céus! Jongdae pode chegar no palácio à qualquer minuto! Baekhyun, me perdoe, mas não posso ficar aqui por muito tempo. – o rei Yin disse se levantando.

Quando estava se retirando da sala real, virou-se para o rei Yang que o observava.

- Então vejo você... não! Não, não, não, não vejo você. Desculpe-me, mas não podemos. Passar bem.

Uma grande parcela do sentimento bom que Baekhyun sentia desapareceu.

- Hum... ok. Até... nunca mais? – perguntou inseguro.

Chanyeol abriu um sorriso de lado.

- Acho que nunca mais é um termo muito forte.

Piscou um olho para o menor e se virou. Saiu andando à passos firmes. Quando o rei Yang se deu conta de que o Yin estava indo embora, começou a correr atrás do outro.

- EI! ESPERE! – gritou para que o mais alto ouvisse.

O rei Yin girou os calcanhares, ficando de frente para o rei Yang.

- Então quer dizer que isso não é um adeus definitivo? – o menor perguntou esperançoso.

Chanyeol fez uma cara pensativa.

- Talvez. – respondeu com um pequeno sorriso.

Os olhos de Baekhyun brilharam.

- Bem... se é assim, adeus Park Chanyeol.

O rei Yin se virou sem dizer uma palavra. Com um sorriso de canto. Caminhou até o portão do castelo, onde Yixing o esperava.

- Para aonde vamos? – o cocheiro perguntou irônico.

- Para aonde você acha? – Chanyeol respondeu entrando na carruagem.

Sentou-se no banco e agora era tudo diferente. Chanyeol estava mais feliz, e o cheiro de enxofre não o incomodava mais.

Assim que chegou no palácio do Criador, se despediu de Yixing e foi para sua carruagem branca de sempre, que ia te levar para o lugar de sempre, passando pelos caminhos de sempre, onde faria as coisas de sempre.

Assim que chegou em seu palácio e olhou para jardim da entrada. Estava tudo normal até olhar para a roseira.

E estava lá, algo que não deveria estar.

 

Sua rosa, sua rosa favorita, a rosa que se destacava das demais, ela não era mais branca.

 

Ela era vermelha.


Notas Finais


Eu queria deixar bem claro nesse cap que os reinos funcionam como o céu e o inferno: todos almejam o céu e desprezam o inferno, tanto é que só existem almas ruins no inferno
Nem preciso dizer qual é o céu e qual é o inferno, né?
Tudo o que tem de ruim é descartado para o reino Yang, como lixo: você se incomoda com aquilo, coloca na lata de lixo mais próxima e aquilo já não é mais um problema seu.

Nem sei o que comentar sobre a cor

E não se esqueçam do Kai
Só não vou dizer porque
~aquelas autoras bem filhas da puta~

Até o próximo capítulo

BEIJOS DE NUTELLA PRA VOCÊS


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