História Lost Star - Capítulo 34


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Fifth Harmony
Exibições 148
Palavras 3.589
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Estão com os coletes? Espero que sim.

Boa leitura, chickens.

Capítulo 34 - Kiss


Você me tem nas mãos

Nem sabe o tamanho do seu poder

Eu estou a cem pés

Mas eu caio quando estou perto de você

Você me mostra uma porta aberta

Depois fecha ela na minha cara

Eu não aguento mais

Estou pedindo, amor

(Mercy – Shawn Mendes

 

 

Lauren POV

Adoraria ficar ali mais alguns minutos, admirar Camila por mais alguns minutos ou me iludir, mas eu tinha que ir antes que algum segurança venha até aqui me perguntar sobre o pequeno show.

Lhe dou um último beijo, me arriscando um pouco. Saindo do quarto logo em seguida, com um enorme sorriso no rosto.

(Flashback Cpt. Vinte e Sete / How's my heart supposed to beat)

 

[ANTERIORMENTE]

A preocupação refletida nos olhos de Lauren naquela dolorosa memória era quase a mesma que refletia naquele momento, no presente. Tantas coisas, tantos sentimentos e pedidos diferentes em um espaço de tempo tão pequeno. Parecia que o tempo havia parado e que somente elas sentiam o peso daquele momento, o que aquela memória significava.

Parecia como na primeira vez em que trocaram aquele contato de olhares por tanto tempo: Camila vulnerável e Lauren disposta a sacrificar a própria felicidade para lhe dar. Louco, não? Um pouco, eu diria. Camila não entendia o que estava sentindo, ia além de qualquer desejo, de qualquer cobiça ou sentimento carnal, era uma sensação de segurança, proteção. Eram como duas peças de um só quebra-cabeças e apenas juntas, se encaixavam às demais. Porém nenhuma delas compreendia a profundidade daquele sentimento.

Ah, Sofia, eu queria que ficasse. Camila pensou, melancolicamente.

 

Suco natural, bolo sem lactose, frutas no lugar dos docinhos. Tudo milimetricamente organizado para que a latina tirasse o máximo de proveito possível, sem ser privada de comer ou beber nada. Aquela era uma experiência um tanto nova para eles, uma festa de aniversário onde a bebida era suco de frutas tropicais e os docinhos, frutas doces. Aquela seria uma noite memorável e inesquecível.     

A música foi cantada e Camila — com a ajuda de Sofia — soprou as velas e como manda a tradição, fez um pedido. [N/A: o que vocês iriam querer que fosse esse pedido?]. Corando extremamente quando notou os olhares sob si.     

Ela se viu sorrindo e se divertindo como se o fato de ela ainda não confiar nas próprias pernas para andar, fosse um mero detalhe. Camila se sentiu mais uma vez integrada ao mundo.     

— Com quem será? Com quem será? Com quem será que a Camila vai casar? Vai depender, vai depender se a Jaurega...       

— Cala essa boca, Dinah! — Lauren, Allyson e Normani dizem ao mesmo tempo, arrancando Camila de seu pequeno momento introspectivo.       

Camila não entendeu a brincadeira de Dinah, franzindo a testa em direção às amigas, que apenas sacudiram a cabeça, totalmente sem graças. Julian riu e tranquilizou a latina de que era apenas uma piada sem graça para irritar Lauren. Em seguida, levantou-se e caminhou em direção á mesa, onde pegou um instrumento para cortar bolo.      

— Agora, aniversariante. Para quem vai o primeiro pedaço?     

Todos a olhavam com expectativa. Porém Camila não conseguia pensar em nada além do par de esmeraldas brilhantes lhe encarando e lhe acalentando na lembrança fatídica. Porém aquela lembrança não justificava as ações dela, não explicava o turbilhão confuso que os sentimentos e ações de Lauren era.     

Confusão. Dor. Aqueles não deveriam ser sentimentos para uma data importante como aquela, não é? Não, não deveriam. Foi por isso que o olhar intenso foi quebrado e Lauren voltou a fotografar seus amigos e — Principalmente —, as brincadeiras entre Sofia e sua irmã. Camila não merecia passar por aquilo hoje — na verdade ela não merecia passar por nada, nunca.     

— Acho que é totalmente justo que Camila fique com o primeiro pedaço — interveio a namorada de Normani.     

— Nada disso. Ela tem que dar o primeiro pedaço à mim! — foi a vez de Dinah interromper.     

Camila revirou os olhos para a discussão que se iniciou. Rindo das duas, percebeu que aquela parecia uma cena comum entre eles, já que Normani nem parecia notar, entretida em organizar os pratinhos para que colocasse os pedaços do bolo.     

Ela estava feliz. Mesmo com o peso do olhar de Lauren e das memórias que ainda lhe assombravam, Camila estava feliz por aquela ser sua família, por aqueles serem seus amigos e estarem ali por ela.     

Foi por isso que tomou uma respiração longa, antes de pegar Sofia e seu inseparável chapéu de unicórnio e a colocar em seu colo.     

— Vocês podem ao menos fingir que estão prestando atenção em mim? — Disse com a voz um pouco tímida — Obrigada. Bem... Eu realmente não fazia ideia de que dia é hoje e nem mesmo que vocês lembrariam.  Porém sinto que o maior presente que ganhei hoje foi abrir os olhos e enxergar o quanto eu sou sortuda em ter as amigas que tenho. — Seus olhos se demoraram sobre os de Lauren, inconscientemente. — Sei que esse tempo deve ter sido um pé no saco, mas... As coisas vão melhorar, tenho fé nisso. Ally, não deve ter sido nada fácil e me perdoe por isso. Dinah, você cresceu tanto nesse tempo, sinto que sumi por décadas. Normani... Nós nunca nem fomos formalmente apresentadas mas você já é praticamente da família. Julian e Hill... vocês estão aprovados, espero que não tenham se assustado com a loucura. E — engoliu saliva acumulada, incerta se continuaria ou não — Lauren e Taylor, muito obrigada por, mesmo não tendo motivos, terem insistido comigo, foi uma atitude muito nobre, Lauren. Obrigada à todas por terem cuidado do meu bem mais precioso. — Abraçou forte a irmã — e é por isso que o primeiro pedaço é meu!     

Gritos animados e murmúrios baixos foram ouvidos, juntamente com um choro alegre por conta das belas palavras de Camila. Tais palavras que, para si, haviam sido como a libertação de algo que estava preso em sua garganta.     

Mesmo que tivesse ocultado seus temores, medos e dúvidas, tudo aconteceria em seu devido tempo. Ou era o que ela acreditava.     

Cortou o primeiro pedaço, sob olhares atentos. Mordeu. Por mais que não fosse bolo, bolo, era melhor do que comida de hospital e seu corpo sabia quanto tempo fazia desde a última vez em que comeu algo diferente. Ou algo que gostasse — como doce. Dessa forma, não pode evitar soltar um gemido de aprovação e todos ali comemoraram.     

 

[...]

Camila Cabello Point Of View     

Jamais posso reclamar das amigas que tenho. Nossa noite estava sendo perfeita, inesquecível. Não podíamos fazer muito barulho, afinal estávamos nos fundos de um hospital, porém todos conversavam e era nítido em seus sorrisos o quanto estavam se divertindo. Naquele momento estávamos nos bancos ao ar livre ao lado do quiosque, Dinah, Lauren e Taylor Jauregui — com Sofia em seu colo — estavam à minha esquerda e os casais à minha direita, enquanto eu permanecia na cadeira.     

Dinah não deixava Ally quieta nem mesmo por um segundo, atormentando a baixinha, lhe perguntando sobre a aliança prateada que carregava em seu anelar direito. Brooke parecia um tomate vermelho e Dinah tinha um sorriso perverso nos lábios, mas eu conheço Dinah, sabia que ela estava feliz por ela.     

— Okay, Dinah, você já encheu saco da Allyson o suficiente, mas fale de você: quando iremos conhecer seu pretendente?     

Lauren provocou, fazendo Normani e Allyson caírem na risada. Jane arregalou os olhos e xingou baixo. Minha atenção é novamente roubada por Lauren mais uma vez, por sua risada infantil e o fechar dos olhos, enquanto gargalha alto.     

— E a sua, hein?     

Não sei ao certo por qual motivo, mas nossos olhares se encontraram e eu corei forte, sentindo minhas bochechas queimarem. Lauren olhou para mim, um sorriso sem graça no canto da boca.     

— Touché..     

Em seguida, o foco do assunto foi roubado por Normani, porém não prestei muita atenção. Meus olhos só conseguiam se focar em uma coisa: a mulher ao meu lado. Lauren pegou a câmera e começou a mexer em alguns botões. Ela ria baixo, sorria ternamente, fazia careta quando não gostava da foto, todas as pequenas expressões faciais sendo capturadas por meu olhar quase hipnotizado.     

Começo então a ouvir uma música baixa de fundo, como uma música chiclete que você ouve e não sai mais da sua cabeça. Porém eu não conhecia aquela melodia, nem a voz. Fechei meus olhos, tentando me concentrar, meu corpo suando frio por baixo do moletom. Mas parecia que quanto mais perto eu chegava, mais a memória se afastava. Sim, eu sabia que era nada mais do que uma memória, quando me senti um pouco fora de mim mesma, como se tivesse distante.     

A voz era parecida com a de Lauren, no entanto era difícil me concentrar, já que parecia que meus ouvidos estavam submersos em água.     

Abro os olhos, desistindo.     

Decido observar melhor Lauren. Analisar sua personalidade e suas ações, como um todo. Devo dizer que aquela memória havia lhe dado um crédito, pois era impossível esquecer a preocupação verdadeira em seu olhar, a forma como ela cuidou de mim e de Sofia, mesmo estando machucada. Mas ainda assim, aquele fato não transformava Lauren na heroína da história.     

Mesmo que agora eu tenha começado a repensar sobre meu julgamento.   

Encaro os olhos verdes, a luz do visor da câmera refletia em seus olhos e me impedia de ver sua verdadeira cor, o nariz e o piercing que lhe dava um ar rebelde, e, por fim, os lábios. Engulo em seco. Camila, você não deveria se sentir tão tentada a olhar para ela, digo à mim mesma, surtindo pouco efeito.  

Só noto que Ally, Normani e Dinah haviam desaparecido do meu campo de visão, quando a pequena reaparece ao meu lado, plantando um beijo rápido em minha bochecha. Um sorrisinho de quem iria aprontar algo em seus lábios, porém eu já havia desistido de tentar prever o que elas fariam naquela noite.  

— Bom... Acho que já está na hora de levar nossa querida aniversariante para dentro. Está ficando frio e a Jauregui, com certeza, quer o casaco dela de volta.   

Espera.... O QUE? O casaco era de Lauren? Olho para ela, sentindo minhas bochechas esquentarem no mesmo instante ao ver que ela era a única com os braços descobertos ali — para não dizer me dei conta que durante todo aquele tempo eu estava vestindo uma peça dela, respirando seu cheiro.  

— Relaxe, Camila. A idiota da Dinah esqueceu de lhe trazer seu casaco, eu ofereci o meu. — sorri, porém é nítido que os pelos dos seus braços estavam eriçados por conta do frio.  

Eu deveria ter feito alguma objeção. Eu deveria ter pedido que Dinah ou qualquer outra pessoa buscasse um cobertor para mim. Mas eu não me senti no direito de fazer qualquer coisa contra ela, não quando havia visto Lauren sendo tão cuidadosa e atenciosa com todos ali, assim como a felicidade estampada no sorriso fácil.  

— ESPERA! — Sofia apareceu vinda de algum lugar ao qual não consegui identificar. — Kaki não pode ir sem abrir os presentes!  

— Eu ia avisar à cada uma, sem fazer alarde, mas conhecem o pequeno furacão Sofia Cabello. — Dinah diz, colocando a mão sob meus ombros e apertando suavemente. — Vem, Mila... Antes que a Jauregão congele.  

Sou levada de volta para o interior do quiosque, onde há mais luzes acesas, permitindo que o local fique mais bem iluminado. A mesa havia sido limpa e agora diversas caixas haviam sido postas em cima dela. Meus presentes de aniversário... Quão infantil seria eu se dissesse que aquele estava sendo um dos melhores aniversários da minha vida?  

— Vocês não precisavam ter comprado nada... — Tento argumentar, recebendo um tapa fraco na nuca. Vindo de quem? Dinah, obviamente.  

— Olha aqui, você fique calada e só aproveita. Hoje é seu dia e você merece muito mais.  

— Não bate nela! — me surpreendo ao ver Sofia e Lauren quase rosnando para Dinah, simultaneamente.  

Desde quando elas são tão parecidas?  

Desviando o foco — mais uma vez, entre tantas naquela noite — de Lauren, vou até o centro da mesa, tendo todos os meus convidados do outro lado, me encarando com tanta expectativa que eu me senti corando o tempo todo.  

Haviam muitas embalagens diferentes. Uma sacola preta com o inconfundível símbolo da Christian Dior estava bem em minha frente e meus olhos quase saltaram de suas órbitas quando vi aquele embrulho. Todas as outras embalagens eram de lojas famosas e bastante conhecidas em todo mundo e eu me senti pequena. Qual é, eu jamais permitiria que eles gastassem tanto comigo.  

— Abre logo, Camila! — Normani quase dava pequenos saltos no lugar, tamanha era sua ansiedade.  

Resolvo abrir primeiro a sacola à minha frente, respirando fundo antes de fazê-lo.  

— Bom... — Taylor Hill começou a falar, quando notou o primeiro presente que eu abriria. — Antes que queira nos matar por comprar algo assim, Normani e eu pensamos em algo que seria funcional para você, porém que ao mesmo tempo não fosse, de alguma forma, prejudicar algo. Então pensei: só porque ela está no hospital, não quer dizer que ela seja obrigada a sentir cheiro de álcool em gel o tempo todo, muito menos que não pode ficar cheirosa!  

— Oh, sim. Eu quero matar vocês! — aspiro a fragrância do perfume e quase reviro os olhos. — Eu adorei, muito obrigada!  

Todos comemoram e eu passo para o segundo embrulho. Encontrei nada mais, nada menos que o emblema da Foyles estampada no próximo embrulho. Foyles era uma das minhas livrarias favoritas em todo o mundo.  

— Foyles? Bom, deixa eu adivinhar... Esse é o da Ally.  

— Merda, eu sou tão previsível assim?! — responde, estendendo os braços, fazendo com que todos rissem. — Espero que goste, Mila.  

Sim, me chame de nerd ou como quiser, porém livros — além da música, claro — eram uma das minhas maiores obsessões. Então pode-se imaginar a minha felicidade ao ganhar livros de presente.  

— O Retrato de Dorian Grey e O Grande Gatsby??? Allyson Brooke, não brinca comigo! Eu adorei, meu Deus!  

O sorriso que rasgou minhas bochechas poderia ser visto de quilômetros de distância.  

— Acho que serão uma boa distração para você.  

O presente de Dinah foi um par novo de pantufas, já que, segundo ela, não suportava mais as minhas antigas. O de Sofia foi um desenho incrivelmente rico em detalhes de uma garota em cima de um palco enquanto tocava violino — com direito à notas musicais saindo do instrumento e luzes especiais. O de Taylor foi um cachecol de lã vermelho e eu simplesmente adorei — aquele hospital era bastante frio às vezes.  

Aqueles haviam sido os melhores presentes que eu já havia ganhado!    

Quando perguntaram Lauren sobre o seu presente, ela apenas balançou a cabeça e disse que esqueceu.   

— Eu sei que não esqueceu, eu vi a caixa. — Lauren corou extremamente e ameaçou jogar bolo em Ally, mas sua irmã não permitiu.   

Logo depois ousei me levantar da cadeira e abracei e agradeci à todos ali. Eu me sentia tão feliz que meu peito era capaz de explodir em mil pedaços e eu nem mesmo sentiria, continuaria sorrindo e abraçando à todos ali. Eles sabiam a importância que aquele momento tinha, até mesmo a irmã mais nova de Lauren sentia, eu via isso nítido em cada olhar e cada abraço apertado. Aquele era um claro sinal de que eu podia contar com cada um deles sempre que eu pudesse.   

Quando cheguei em Lauren, que por acaso seria a última a ser abraçada, sorri, abertamente para si antes de abraçá-la e dizer baixo:   

— Eu sei que não esqueceu e que está com vergonha... Se quiser entregar depois, por mim tudo bem.   

— Sério? — pergunta, com as sobrancelhas grossas juntas e um olhar surpreso.  

Eu não deveria estar tão nervosa por estar prestes a abraçá-la, deveria? Não responda.  

— Claro, Lauren. Sem problemas.   

Seus braços envolvem meus ombros, enquanto os meus se prendem em sua cintura, meu rosto fica na altura de seu colo e é lá que eu repouso minha cabeça, sentindo o perfume doce em seu pescoço. Fecho os olhos, respirando fundo e apertando meus braços ao seu redor, inconscientemente. Lauren ri baixo, fazendo cafuné em meu cabelo suavemente.  

Eu juro que poderia morar naquele abraço.  

Quando me dou conta do pensamento, me afasto quase bruscamente dela, já me preparando para ter que me explicar, porém tudo o que encontro é um sorriso bobo e minhas pernas fraquejam.  

— Prometo deixar o presente em seu quarto o quanto antes.  

É tudo o que diz antes de me dar um beijo na bochecha e sair, chamando sua irmã para ajudá-la a organizar a bagunça que havíamos feito.  

  

[...]  

Depois que Lauren foi embora, Dinah me levou para o quarto, me obrigando a dormir, porque, segundo ela, havia sido uma noite cheia. Porém eu estava muito bem acordada. A felicidade que corria por minhas veias, me impedia de tentar qualquer coisa, sem que um enorme sorriso rasgasse meu rosto. 

Dormi vestindo o moletom, já que, além do tempo frio, queria permanecer com o cheiro de Lauren ao meu redor. 

No outro dia de manhã, quando acordei, havia um bilhete na cômoda ao lado de minha cama, junto de um buque com tantas espécies de flores diferentes que perdi a conta. Não precisava pegá-lo para saber que era de Lauren. Eu queria ter sido paciente e ter feito minha higiene matinal primeiro, porém minha curiosidade era maior que minha fome, então me ergui. O movimento foi feito com tanta pressa que acabo tonteada, caindo de volta no travesseiro, rindo como uma idiota.  

Estico o braço e pego o bilhete, havia um celular embaixo dele. Desdobro o papel e vejo uma letra um pouco torta, como se ela estivesse com pressa quando o escreveu.  

 

Camila,  

Me perdoe por não esperar que acordasse, porém sei que você não é o tipo que acorda cedo e eu estava atrasada para o trabalho. O celular que estava embaixo desse bilhete é seu — antes que queira me bater, foi um presente em conjunto; temo que terá que bater em nós quatro —, Dinah cuidou de transferir todos os seus arquivos para ele e eu tomei a liberdade de transferir todas as fotos que tirei ontem, para que se lembre sempre.  

Agora vamos ao seu presente...  

 

Corro os olhos por todo o quatro, a procura desse tal presente, encontrando a case xadrez vermelha de meu violino, apoiada contra o encosto da poltrona. Me levanto às pressas, sem me preocupar se eu não podia fazer esforço ou não. Me jogo desajeitadamente na poltrona, colocando a case em meu colo e abrindo.  

Meus olhos se enchem de lágrimas enquanto observo o violino envernizado e cheio de marcas de tombos e arranhados. O arco cuidadosamente afinado ao seu lado e um outro instrumento ao qual não pude identificar de início.  

Havia outro bilhete preso às cordas.  

 

Bem, este pequeno instrumento se chama Abafador e como o próprio nome cita, ele abafa os sons... Ou seja, você pode tocar o quanto quiser que ninguém fora do quarto poderá ouvir.  Não é algo que possa competir contra um livro de F. Scott Fitzgerald, porém espero que goste e use.  

Um grande beijo,  

                  Lauren.  

 

Eu havia adorado. Deus, que saudade eu estava de tocar! Corro os dedos pelas cortas, sentindo falta dos calos que protegiam meus dedos de se machucarem muito. Respiro fundo o cheiro de madeira vindo do instrumento, em seguida aliso o arco, como se tivesse reconhecendo sua superfície. E de certa forma, eu estava... Para mim poderia não parecer, mas eu havia passado um ano sem praticar. Eu deveria muito fora de forma.  

Bom, pelo menos agora eu poderia voltar a praticar... Graças à Lauren.  

— Obrigada, Lauren. — digo, um sorriso rasgando meu rosto, de orelha à orelha.  

Corro de volta para a cama, dessa vez tendo o cuidado para não fazer nada brusco demais. A case sendo carregada como se fosse o objeto de maior valor do mundo, e para mim era.   

Encaixo o abafador em seu devido lugar e coloco o instrumento no ombro, respiro fundo — como um ritual, para me livrar de todos os pensamentos que atrapalhassem minha concentração, enquanto eu tocava — e fecho os olhos, encaixando o arco contra as cordas e o movendo devagar.  

Faço uma careta quando o som sai abafado e baixo, fragmentado. Porém continuo, erguendo o braço e então acariciando as cordas mais uma vez com o arco, me esforço para me concentrar, fecho os olhos os mantenho fechados, agradecendo por Lauren ter trazido a única coisa que me devolvia a paz que o mundo tirava: a música.  

Pare de pensar nela. Me obrigo a dispersar os pensamentos.  

Sou guiada por uma melodia lenta, melancólica e, eu diria que um pouco apaixonada. Sigo o som que retumbava em minha mente, repetindo no violino. De onde aquilo vinha? Eu não sei. Apenas permitia que a música fluísse de mim, como e não fosse eu quem controlasse à mim mesma e sim, a própria música.  

O rosto de Lauen não saía de minha mente em nenhum momento, maldita! Aperto os olhos, aplicando mais violência nos movimentos, como consequência, aumentando a quantidade de sentimentos imposta naquelas notas.  

Quando acaba, nada além do silêncio em minha mente. 

Fecho os olhos mais uma vez, permitindo que meu corpo caísse contra o colchão. Com a respiração ofegante, me entrego mais uma vez à escuridão turva que era a minha mente. 

E foi então que eu me deixei ser levada pela lembrança dos lábios quentes e macios tocando os meus suavemente, em um leve roçar. Me sintia em choque, um arrepio poderoso passando por todo meu corpo, enquanto meus lábios formigavam e espalhavam chamas por meu rosto, me fazendo corar. 

Ai meu santinho. 

— Por que você me beijou,  Lauren? 


Notas Finais


Não se esqueçam que eu amo muito cada um de vocês!

A música que a Camila toca é uma lembrança inconsciente da música que a Lauren tocou pra ela antes de ela acordar, se lembram?

VOCÊS ESTAVAM CERTAS! Lolo beijou a Camzii, e agora?!


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