História Lost Star - Capítulo 40


Escrita por: ~

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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Camren, Fifth Harmony
Visualizações 298
Palavras 3.426
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Ooolá! Bom, esse capítulo é pra evidenciar o estado psicológico da Camila e quero que tenham um pouco de noção de como ela está absorvendo tudo isso e lidando também. Isso tudo vai refletir diretamente no FUTURO da história e na forma como ela vai lidar com alguns RELACIONAMENTOS.

Me perdoem a demora, porém sabem como é fim de semestre... Seminário, provas, trabalhos, apresentações. Me perdoem, de verdade. E infelizmente, eu não posso dizer, com certeza, quando a próxima atualização vem, porque minhas provas finais começam hoje e eu preciso me sair bem nelas, sabem como é.

E por último, mas não menos importante, o pedido de vocês é uma ordem: se querem que eu continue colocando os trechos dos capítulos anteriores, eu irei!

Uma ótima leitura.

Capítulo 40 - Yellow


Eu digo que vou sossegar      

Construa suas esperanças se como uma torre        

Estou lhe dando o que percorrem        

Eu sou apenas um garoto perdido        

Que não está pronto para ser encontrado        

(Lost Boy - Troye Sivan)  

   

        

[ANTERIORMENTE]  

LAUREN POV        

Me levanto aos tropeços, um pouco tonta. Rio de mim mesma antes de me dirigir até o banheiro, na intenção de preparar um banho para clarear a mente. Faziam três dias que estávamos em Paris e eu nem mesmo tive tempo de aproveitar a banheira no quarto, então decidi enchê-la com água quente... com direito à sais de banho e tudo mais.         

Depois de vários minutos e um quase cochilo, a banheira estava pronta. Não me preocupei em fechar as portas duplas que dividiam o espaço do quarto, as deixei abertas, permitindo que a luz do pôr do sol invadisse o banheiro. Joguei minhas roupas de qualquer jeito em um canto e entrei na banheira, fazendo um coque frouxo para que meu cabelo não molhasse.         

Enquanto a água quente levava embora um pouco da embriaguez e ajudava meus músculos a relaxarem depois desse longo tempo, me preocupo apenas em fechar os olhos e pensar na única pessoa que poderia trazer de volta a minha paz naquele momento. Passei todo esse tempo tentando não pensar nela, para não me sentir tentada a ligar, mas talvez por isso — ou pela bebida —, naquele momento eu não conseguia tirar meus pensamentos dela e saber que nos veríamos novamente em poucos dias, da mesma forma que havia me deixado imensamente feliz, me deixou apreensiva.         

Eu havia bebido na intenção de afastá-la, mas quanto mais eu bebia, mais vontade de Camila eu tinha.         

O sol estava quase totalmente fora do meu campo de visão naquele momento. Apenas alguns poucos raios e eu sorri, cantarolando baixo.         

— What time you coming down? We started losing light, I'll never make it right if you don't want me around.         

(Que horas você virá? Estamos começando a perder a luz, eu nunca vou fazer isso direito, se você não me quiser por perto).        

        

        Camila Cabello Point Of View

Todos temos decepções, não é mesmo? Enquanto criança, adolescente, adulto, idoso... Seja em qualquer época da vida, nenhum de nós estamos imunes à uma boa e velha decepção. Não controlamos a intensidade do sentimento, muito menos quem será a pessoa a provocá-lo. Mas posso dizer com certeza que dói e dói muito.        

Eu me sentia no meio de um fogo cruzado onde os atiradores eram a minha razão e minha emoção. E a causadora de tudo isso era Lauren. Sei que mal fazia 24hrs que ela havia ido, porém ela não havia se despedido, apenas mandado uma mensagem e ligado para Dinah, eu não estava satisfeita com isso, porém não podia fazer nada, se não ser bombardeada por esse conflito interno no qual eu vivia constantemente nos últimos dias. Mas eu não poderia reclamar, uma vez que fui eu quem se trancou em si mesma e não permitiu que ela se aproximasse.        

Era um assunto delicado demais pra que eu pensasse ainda de cabeça quente.     

Ally, quando soube que Lauren viajaria, logo tratou de buscar Sofia e eu para passarmos um tempo consigo, com a desculpa que nunca havíamos ido visitá-la, mas eu via em seus olhos que Brooke compreendia o motivo do meu silencio e me queria tirar do olho do furacão, então eu não me opus.     

A viagem de ônibus foi rápida, Sofia ficou encantada com o ônibus vermelho de dois andares e não ficou quieta um minuto sequer em seu assento. Eu deixei que minha amiga tomasse conta de minha irmã mais nova enquanto me sentava no fundo do ônibus, na parte aberta, onde o vento corria livre e bagunçava meus cabelos como bem entendia. Permaneço de olhos fechados, apenas aproveitando a brisa fresca, enquanto bloqueava Lauren dos meus pensamentos por, pelo menos, nas próximas horas.     

Logo Sofia se junta à mim e eu sorrio enormemente, a protegendo do vento.     

— Onde você mora? — pergunto, apenas para puxar assunto.     

— 221B, Baker Street.     

Encaro Allyson com uma careta e minha amiga gargalha. Me permito rir junto dela, relaxando ao som de sua risada.     

— Okay, Sherlock Holmes, onde está o Watson?     

Recebo um tapa no braço e sinto o ônibus parando gradativamente, a paisagem à nossa volta passando com cada vez menos velocidade, até que noto que estávamos em um bairro familiar e pouco verticalizado da cidade, chamado Waltham Forest. Ally se levanta e eu a sigo, segurando a mão de Sofia, mantendo-a perto.     

Duas ruas à frente e depois de ter comprado um bolinho para Sofia, entramos em um prédio de dois andares e tijolos expostos. Entramos e Sofia corre na frente, subindo a escada com um gás sobre-humano. Encaro os degraus com certa relutância, sem deixar de pensar no quanto Lauren ficaria brava comigo se soubesse dessa pequena aventura. Quando me dou conta do pensamento, aperto o passo atrás das duas, subindo a escada com passos determinados.    

Já dentro do apartamento, quase perco o fôlego ao olhar em volta. O papel de parede era branco, liso, o chão de madeira clara e as vigas do teto expostas, na mesma cor das paredes. Os móveis eram todos em tons claros e pastéis, quadros e mais quadros enfeitavam as paredes, dando um colorido único ao lugar. A cozinha era integrada à sala e apenas uma bancada dividia os espaços. À frente, uma janela dominava toda a parede da sala, permitindo a iluminação natural colorir ainda mais o ambiente.    

— Você é uma ótima decoradora, pequena.    

— Obrigada, Mila. Julian e eu temos gostos parecidos, o que ajudou bastante.    

Ally me guia até o sofá abarrotado de almofadas e eu me jogo entre elas, enquanto observo a paisagem. Era tão... incomum, para mim, ver Allyson falando de uma forma tão apaixonada. Quero dizer, eu me lembrava de escondê-la de Troy e ela me esconder daquele amigo dele, Shawn, me lembrava de ter que aguentar ela mau humorada uma tarde inteira por conta dele, mas isso.... Era como estar diante de outra pessoa.    

— O que me lembra: você não me falou dele ainda! — lanço uma almofada em sua direção, pegando-a de surpresa.    

— Não vamos falar disso agora. Você vai fazer perguntas indiscretas e sua irmã é muito jovem pra saber dessas coisas.    

Retruca apontando para Sofia, e jogando a almofada de volta direto em meu rosto.    

— Que tipo de pessoa você pensa que sou, Allyson Brooke Hernandez?!    

Me finjo de irritada e sinto Ally pulando para o sofá onde eu estava, me envolvendo em um abraço de urso desajeitado.    

— Alguém que eu senti falta.    

Sua resposta me faz calar na mesma hora e eu relaxo em seu abraço, aproveitando para abraçá-la de volta e matar a saudade que eu sentia do cafuné que só ela sabia fazer.    

Eu sentia falta da minha proximidade com ela, do seu abraço, dos conselhos... de tudo. Mas ela tinha uma vida com Julian, havia se formado, tinha um ótimo emprego, eu compreendia totalmente suas necessidades. A vida adulta chegaria — até mesmo para a infantil da Dinah — para todas nós, então melhor que eu me acostumasse logo.    

Dinah me contou sobre as discussões quase constantes entre Lauren e minha amiga, no quanto Lauren teve que mudar e sua dificuldade em fazer com que Allyson enxergasse isso. Eu a entendia... Brooke sempre foi protetora demais, principalmente comigo, porém eu sentia um certo incômodo com toda aquela história. Queria poder ter conseguido, de alguma forma, opinar ou dizer 'não, eu estou bem, apenas me deixem aqui', seria mais simples, menos doloroso para todos. E seria mais justo para Lauren.    

Você está pensando nela novamente!?    

— BOLA DE CANHÃO!   

Antes que eu pudesse processador o que acontecia, minha irmã se jogou de forma desengonçada em cima de Ally e eu e a baixinha gritou alto. Arfo, perdendo o ar, minha irmã estava bem maior e mais pesada do que eu me lembrava.   

— Sofi, acho que você me esmagou. — fiz minha melhor careta de dor, fingindo realmente ter me machucado — 'Tá doendo.   

Minha irmã logo se levantou de cima de mim e se colocou em pé ao meu lado, a testa franzida e um olhar preocupado.   

— Dói? — perguntou. As mãozinhas paradas em cima de onde eu pressionava — Kaki, não fica com dor! Lolo uma vez me disse que quando a gente se machuca é só dar um beijinho que passa. Quer que eu peça a ela pra te dar um beijinho?   

A cor das minhas bochechas, naquele momento, deveria ultrapassar as escalas mais vivas de vermelho, tamanha a vergonha que eu senti. A expressão maliciosa de Allyson contribuía para a minha vergonha, enquanto Sofia permanecia me encarando com aqueles olhinhos inocentes.   

— N-não. A dor já passou!

 

Depois de algumas horas de conversa, Brooke insistiu que ficássemos para dormir, já que Julian estaria fora. Recebi uma mensagem de Lauren e, com o coração batendo alto no peito, apenas repassei a mensagem à minha irmã e digitei o que ela pediu que eu dissesse, mas no fundo eu sabia que deseja o mesmo. Em seguida liguei para Dinah, avisando que dormiria por ali e minha amiga avisou que passaria a noite fora, mas não me disse com quem.   

Dinah estava aprontando algo.   

Mudando de assunto, uma das coisas que não saíram da minha cabeça naquele dia era a tal apresentação que Lauren havia me falado sobre. Eu queria muito ter minha chance de voltar a tocar, mas eu havia passado tanto tempo sem tocar que agora não sentia a mesma confiança e possuía a mesma maestria.   

— Tiger? — chamei e Ally levantou os olhos dos ingredientes do jantar para me encarar brevemente por trás dos óculos.   

— Sim?   

Respirei fundo, insegura se poderia pedir ajuda à ela ou não.   

— Lauren me contou sobre o concerto de verão da Royal e, segundo ela, ela havia conversado com o reitor da universidade e ele me concedeu uma nova chance. Contando que eu me apresentasse e que os jurados me aprovassem. — Ally sorriu brevemente e largou o jantar, vindo se sentar na bancada, ao meu lado. — Eu quero muito voltar, mas... — olhei para as minhas mãos entrelaçadas na bancada e fechei os olhos — Eu não sei se consigo sozinha. Preciso de ajuda, preciso de um mentor.   

— Eu posso lhe indicar uma amiga, ela é uma das melhores da cidade e....   

Ponho uma mão sob a sua e ela para de falar. Com um sorriso tímido, nego com a cabeça e ela finalmente parece entender aonde eu queria chegar e sorri, os olhos brilhando.   

— Eu quero que você seja minha mentora, Ally.   

— Seria uma honra, Mila. Temos tanta coisa à discutir! — bateu palmas, quase saltando do banquinho onde estava — O instrumento, a música... Seu vestido! O seu vestido tem que ser o mais lindo de todos, Normani irá adorar ajudar a escolher.   

Ally, com toda aquela animação, havia acabado por também me contagiar, de forma que foi impossível não sorrir ao vê-la toda saltitante.  

— Ally, se acalme. Ainda falta bastante tempo.  

— Shiu! Não diga isso, todo tempo do mundo é pouco quando se trata de se preparar para algo grande assim. — ela revira os olhos para mim. — Seus instrumentos estão na casa de Lauren?  

Meu coração aperta. Eu não queria voltar lá tão cedo, mas se eu queria ajuda de Ally, teria que ir buscar. Por mais que Ally fosse quase um *metrônomo humano, seu foco principal era com instrumentos de sopro e tecla, então eu duvidava que ela teria algum violino por ali — mesmo que ela tivesse muita, mas muita coisa escondida por ali.  

— Sim.  

— Vamos buscar!  

      

*(N/A) metrônomo: um tipo de ‘relógio’ que mede o tempo e andamento musical.

 

Narrador Point Of View  

A pequena garota possuía pouco mais de oito anos quando, por algum acaso muito bem tramado, ouviu o som de um violino pela primeira vez. A escola onde estudava era bem perto de casa e ela adorava ir e vir de bicicleta, então o pai sempre a acompanhava, mesmo aos protestos da mãe. Naquele fim de tarde em questão, pai e filha haviam parado em uma praça, algumas quadras mais longe, para tomar sorvete.  

Camila nem precisou olhar os sabores para escolher o que queria: chocolate. Então, enquanto esperava que o senhor de chapéu engraçado lhe servisse a guloseima a garota ouviu um som totalmente diferente de tudo o que ela já havia escutado.   

Era profundo, leve e um pouco tristonho... A fez querer chorar. Assustada, se virou para trás, fazendo uma concha com a pequena mão e tapando os olhos do sol forte, a garota deu um giro completo, procurando a origem do som. Quando notou a figura vestida de branco, tocando no último degrau do coreto ali perto, não pensou duas vezes antes de largar a mão do homem e sair correndo em direção ao som. Alejandro gritou o nome da garota, mas Camila não ouvia. Ela queria ver quem estava produzindo aquele som tão incrível.   

Mesmo que fosse apenas uma criança. Camila notou cada nuance e cada mudança de expressão no rosto da jovem, enquanto seus dedos se moviam com agilidade e o arco em sua mão deslizava pelo instrumento, como se fosse por mágica. A mulher olhou para ela e sorriu, mudando rapidamente o ritmo de suas notas.   

A música então passou a ser alegre e dançante. Se Camila pudesse classificar músicas com cores, aquela música emanava tons de amarelo, como o sol e rosa, que era a cor do laço em seu cabelo. A garota quis subir os degraus e dançar, segurar a barra de seu vestido rodado e girar e girar e girar até que ela mesma emanasse todas aquelas cores, como aquela música. Mas ela não o fez, por timidez ou seja lá qual fosse o motivo.   

Quando Alejandro a alcançou, Camila já tinha as palavras na ponta da língua:   

— Eu quero ser colorida como ela!   

A pequena apontou para a mulher, que se virou e foi até ao centro do coreto, se concentrando mais uma vez na música. O pai, contrariado com a atitude da garota, sacudiu a cabeça e lhe estendeu a mão.   

— Camila, deixe a garota em paz. Vamos pegar o seu sorvete.   

Ela não relutou em descer, mas não aceitou a mão que lhe era estendida. Cruzou os braços e fez bico, fazendo o mais velho rir.   

— Papa, não quero sorvete. Quero ser igual ela!   

O pai ficou calado, apenas balançou a cabeça e lhe entregou seu sorvete, guiando a garota até um banco embaixo de uma sombra. As palavras da filha o deixaram intrigado, ele admitia, mas... colorida? O que ela quis dizer com aquilo? O que ela havia visto? Mesmo sendo um pai de primeira viagem e que não negasse nada à sua pequena, Alejandro procurava entender as vontades e a mente que a filha tinha, além de ser um pai melhor e saber lidar com o gênio da filha.   

Intrigado, cruzou a perna e se pôs de frente a filha. O comportamento da garota foi um tanto quanto surpreendente, Camila era uma garota tímida e educada, ela jamais desobedecia nenhum dos pais daquela forma, porém havia corrido para o coreto sem pensar duas vezes.   

— Pode me dizer o motivo de ter saído correndo daquela forma?  

— Eu gostei da música. — encolheu os ombros. — E... Eu queria saber como ela ‘tava tocando daquela forma, então eu fui. Haviam tantas cores, tantos sons... Quando eu crescer quero ser como ela!  

Alejandro encarou a garota com uma ruga de preocupação no rosto. Camila estava dizendo que queria aprender a tocar violino?  

— Você quer um instrumento como aquele?  

Camila ficou tão animada com a pergunta do pai que se esqueceu completamente da casquinha em sua mão, acabando por deixar a imensa bola de sorvete cair quando saltou para fora do banco, tamanha era a animação que sentia.  

— SIM!  

Com uma gargalhada alta pela cara de tristeza da garota quando percebeu o que havia feito, o homem se levantou e pegou as bicicletas. Era hora de ir para casa.  

Durante os meses seguintes, o homem procurou por uma professora que estivesse disposta a ensinar a pequena, mas quase sempre era a mesma coisa: Camila era muito nova. Bobagem! Haviam tantas outras crianças que aprendiam instrumentos mais difíceis, com menos idade ainda. O verão veio e se foi, então o natal e um novo ano se iniciou, mas Alejandro ainda não havia lhe conseguido um professor. Mas então, em uma ensolarada tarde de março, poucos dias após o aniversário de nove anos de Camila, Alejandro encontrou uma universitária americana que estava por ali de férias.  

Ele lhe convenceu a dar uma chance ao talento não descoberto da filha e penhorou seu violão em troca de um violino.  

A família Cabello era uma amante nata da música. O pai até mesmo se arriscava a cantar algumas músicas em reuniões de família, porém nunca ninguém havia demonstrado tamanho interesse em música clássica. E foi isso o que despertou o interesse dele e de sua mulher, o interesse em comum que Camila demonstrou e a forma como ela parecia enxergar esse novo lado da música.  

Os primeiros dias foram horríveis. Camila não tinha a destreza necessária, mas isso jamais a impediu de passar a maior parte do seu dia, trancada no quarto praticando. E ela jamais se cansava. Durante aquele mês, gastaram tanto com a professora, quanto com remédio para as dores de cabeça da mãe. Depois que a universitária voltou para seu país de origem, Camila e Alejandro ficaram por conta própria. O homem auxiliava Camila a repetir os exercícios passados pela antiga professora e lhe incentivava a melhorar.  

E assim nasceu a paixão imensurável que a garota possuía pelo instrumento. Em menos de seis meses depois, Camila tocava como se tivesse nascido com o arco em mãos. 

 

Sentada no banco do carro de Allyson, encarando a cidade se pondo, junto com o sol, Camila revivia os detalhes de seus primeiros contatos com o instrumento que agora parecia ser parte de si. Quem diria que ela chegaria tão longe? Às vezes, para se alcançar o que deseja, devemos abrir mão de algumas coisas e fazer certos sacrifícios, mas será que sua nova vida fazia valer todos os sacrifícios aos quais haviam lhe acontecido? Ela duvidava. Por várias razões, Camila não se sentia mais da mesma forma para com o instrumento... era como uma música triste ecoando pelo instrumento e passando para dentro de si e se instalando por ali, lenta e dolorosamente.  

Mas se ela estava ali, foi porque passou por tudo aquilo e ainda estava “inteira”.  

— Chegamooos! — ouviu a voz de sua irmã mais nova.  

Desceu do carro, o olhar indo direto para a casa totalmente escura, apenas as luzes do jardim ligadas. Notando o desconforto da amiga, Brooke passou o braço em volta de sua cintura e a manteve por perto enquanto caminhavam em direção à porta da frente.  

— Imagina se Dinah está lá em cima com alguém e entramos assim, de supetão. — disse baixo, para que Sofia não ouvisse.  

Ally gargalha alto e Camila tenta disfarçar, mas no fundo queria passar uma vergonha na amiga. Felizmente — ou infelizmente, como queira — a casa estava vazia. Camila foi pegar o instrumento na sala de música enquanto Allyson fazia uma pequena mala para ela e Sofia.  

Enquanto passeava pela sala de música, sua irmã batucava nas teclas do piano, reproduzindo um som baixo e tão suave que parecia mais como uma canção de ninar. Por um momento, visualizou um possível “mundo alternativo” onde a pessoa ali ao seu lado, batendo nas teclas de um piano — comprado por ela —, poderia ter sido o seu pai. Então as palavras saem por seus lábios naturalmente, mais como uma pergunta retórica do que para a irmã 

— Com qual instrumento acha que devo tocar? 

Sofia levanta o olhar para Camila, então os espertos olhos castanhos voam pela sala e param no violino nas mãos da irmã. 

— Esse! O papai adorava ouvir você tocando. E ele é o mais bonito. 

Camila vacilou breve, quase deixando o instrumento cair no chão ao ouvir o comentário da irmã, mas ela apenas sorriu e se ajoelhou no chão, abraçando a irmã com todas as forças que tinha, mesmo que a pequena não entendesse o motivo. 

— Sim... Ele é o mais bonito, meu amor. 

Ao pensar sobre o crescimento da garota e então sobre Lauren tê-la guiado através desse caminho, mesmo com todas as coisas que ela não poderia explicar, pois Sofia não entenderia. Agradeceu por Sofia jamais ter sido uma criança tímida e por ela ter confiado em Lauren. 

E lá estava ela, mais uma vez, pensando em Lauren. 

   


Notas Finais


E então? Gostaram? Eu sinceramente tenho um amor incondicional pelos flashbacks da Camila.
Comentem, divulguem, a opinião de vocês é essencial para mim.
Perdoem qualquer erro, eu não tive tempo de revisar!
Amo vocês, até o próximo capítulo.
@alaskabeyo


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