História Lotto - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Tags Exo, Lotto, Máfia, Uchihalover
Exibições 10
Palavras 4.333
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


GUESS WHO'S BACK, BACK AGAIN

OI LINDXS

Mil perdões pela demora, mas foi necessário ;-; eu precisava fazer um capítulo bom, por isso demorou. Eu ia postar ontem mas a minha internet acabou (modem ¬¬)

esse capítulo tem diálogos pesados, então né, não me matem.

mas enfim, cá estou com um capítulo quentinho pra vocês. O capítulo quatro já está sendo produzido aaaa ninguém me segura u_u

bem, boa leitura

Capítulo 3 - O passado que vem assombrar


Fanfic / Fanfiction Lotto - Capítulo 3 - O passado que vem assombrar


A manhã havia chegado, e eu ainda estava na delegacia. Minseok havia chegado de madrugada também, mas uma hora depois de eu ter chegado. Interroguei Yifan até onde o meu psicológico aguentou, e isso levou quase a madrugada toda.


Nesse momento eu estou na minha sala, esparramado na poltrona e encarando a tela do computador. Não faço ideia de como recomeçar o relatório do assassinato do Suho, e isso está começando a me irritar. Se Yifan não colaborar não vou conseguir concluir o inquérito.


-Luhan - Minseok bateu na porta após falar - Posso entrar?
-Pode.


Minseok entrou. Eu dei um longo suspiro e encarei o teto.


-Como está?
-Sinceramente?
-Sinceramente.
-Eu estou acabado! - Me levantei - Eu quero logo encerrar o caso do Suho pra conseguir viver em paz comigo mesmo e com a Naeun!
-O que houve com a Naeun?
-Ela finge que está tudo bem, mas eu sei que não está. Ela chora a noite toda, está matando aula e...
-E...?
-Eu acho que ela anda reclusa demais. Isso não é normal.
-Tenho uma tia que é psicóloga... posso pegar o número dela depois e te dar.


Uma faísca de esperança brotou em meu peito.


-Obrigado Min!


Envolvi seu pescoço com meus braços por impulso. Depois de dois segundos eu me dei conta do que fiz, mas já era tarde demais: Minseok já estava me abraçando. Eu estava meio abobado com aquele contato, e o meu coração estava martelando no meu peito.


-Min... - Me afastei suavemente, mas as mãos dele ficaram na minha cintura.
-Hm? - Ele me encarava com aqueles grandes olhos. Lindo.
-De-desculpe, e-eu se-sei que você não go-gosta de abraçar as pessoas...
-Tudo bem.
-Por que?
-Eu abro uma exceção pra você.


No momento seguinte, tudo pareceu acontecer em um flash: Minseok se aproximou lentamente e selou nossos lábios.


Correspondi.


--


Kai


Acordei apressado.


Sentei rapidamente na cama onde estava deitado. Minha visão estava meio embaçada, e comecei a tatear o colchão procurando meu celular. Em vez de tocar o aparelho, toquei a mão de Sehun.


-Bom dia, Kai - Sorriu.
-Sério que eu dormi aqui?
-Sim... conversamos por mais algum tempo, aí você apagou.
-Entendo... - Observei o quarto, e meu olhar pousou na outra cama. Um garoto dormia lá, completamente esparramado - Quem é ele?
-Esse é o Baekhyun... meu colega de quarto e de profissão.
-Ele está aqui a muito tempo?
-Chegou um pouco depois de mim e da Krystal...
-Ele aparenta ser novo...
-Só aparenta. Ele é mais velho que eu, mas é frágil como uma criança. O Zhang usa e abusa dele...
-Como...?


Sehun apenas me encarou, com as sombrancelhas erguidas.


-Ah...
-Mas mudando de assunto: acho melhor você ir pra evitar encontros desagradáveis.
-Ah sim... - Me levantei. Notei que Sehun me observava, completamente inexpressivo - O que foi?
-Me dá seu telefone? - Se levantou e veio até mim - Pra conversarmos sobre a minha irmã e tudo mais.
-Claro - O encarei - Pra conversar sobre a Krystal e tudo mais... anota aí.

Sehun me ajudou a sair pela porta dos fundos. Saí de lá rapidinho, e me dirigi ao Cassino mais rapidinho ainda. No caminho me peguei pensando sobre algumas coisas, mas por incrível que pareça Krystal não estava nos meus pensamentos... Sehun estava neles. Eu estava pasmo com tudo o que ele havia contado, e deixei minha mente lembrar de uma coisa estranha que aconteceu semanas antes da morte da Krystal.


.
.
.


-Não! Me solta!
Despertei com a Krystal gritando. Ela estava se debatendo na cama, com o lençol cobrindo o rosto.
-Ei, Krystal! - Pus os braços em volta dela - Ei, é so um pesadelo... - Relaxei quando ela se aquietou.
-Jo-Jongin...?
-Estou aqui - A coloquei de frente pra mim - Está tudo bem... era só um pesadelo.
-E-ele vai vi-vir me ma-matar! E-ele nu-nunca vai me deixar viver em paz!
-Ele quem?
-Ninguém - Ficou séria e se levantou - Acho que vou voltar pro Flor de Lótus... nos vemos depois.


.
.
.


Krystal realmente andava estranha. O que mais me deixa com raiva é que ela não quis me contar o que estava acontecendo. A ideia de que alguém estava a perseguindo nunca saiu da minha cabeça, e agora começo a achar que isso pode ser verdade.
Entrei no Cassino pela porta da frente, e senti um clima estranho. Havia sinais de luta perto da mesa central, e uns salpicados de sangue no chão. Estava tudo silencioso, exceto por sons de passos que pareciam se aproximar.


-Posso saber onde você estava, Kim Jongin?
-Oh - Me virei - Bo-bom dia Kyungsoo...


--


Sehun


Após Kai sair, acabei por ir acordar Baekhyun.


Mas antes que eu pudesse arrancar as cobertas dele, ouvi um barulho alto no corredor, como se alguém estivesse se batendo nas paredes. No mesmo instante Baekhyun deu um salto e caiu no chão.


-Mas que porra é essa? - Falou, se levantando - E por que as meninas estão gritando?
-Eu não sei - Abri a porta - Fica aqui.
-Mas Hunnie... - Fez bico.
-Não quero que se machque - Lancei um leve sorriso - Melhor ficar aqui.


Abri a porta rapidamente, e me deparei com Zhang Yixing batendo nas portas dos quartos com uma mão. A outra segurava uma garrafa de vinho.


-E-eu quero que todas vocês, suas putas sujas, saiam daqui! - Berrou - Se não saírem eu coloco cada uma em uma jaula no quarto vermelho! Vou fazer vocês implorarem pelas suas vidas...! - E desabou no chão.


Suspirei e caminhei a passos lentos até ele. Fiquei alguns instantes observando aquela cena lamentável, e em seguida me abaixei para pegá-lo.


-Me solta seu pirralho...
-Ah, cala a boca seu bêbado de merda.


Ele me encarou com uma expressão infantil e suspirou. Reuni todas as minhas forças para subir a escada que levam ao terceiro e último andar da casa, queria chegar logo em seu quarto e jogá-lo embaixo do chuveiro frio.


-Sehun...
-O que é? - Comecei a arrastá-lo para o início da escada.
-Eu sou uma pessoa ruim?
-Mas que porra de pergunta é essa? - Falei, enquanto ele se libertava dos meus braços e sentava no primeiro degrau.
-E-eu provavelmente vou esquecer tudo o que vamos falar aqui... então... me diz se eu sou um cara mau - Me encarou - Eu fiz muita coisa errada nessa vida... mas a maioria delas foi por amor.
-Amor? - Me sentei ao seu lado.
-Eu matei pessoas pra proteger a minha irmã... se a Krystal estivesse viva, você não faria de tudo pra protegê-la?
-Sim, faria... - Pisquei algumas vezes.
-Eu reconheço meus erros e me arrependo de cada um deles, mas eu não suporto que falem de mim sem saber das coisas... mas me responde. Eu sou um cara ruim?
-Muito não. Eu já conheci piores que você... mas você é ruim sim.
-Fala isso por causa daquela noite não é?
-Também.
-Em quarenta anos nessa vida miserável eu não consegui me redimir com ninguém e continuei um merda...


Quarenta anos? Como assim?


Encarei seu rosto por uns segundos. Ele não aparentava ter tanta idade. Seu rosto era liso, sem marcas e nem rugas. Eu daria no máximo uns 28 ou 29.


-O que foi? Se surpreendeu ao saber que eu sou um velho?
-Ma-mais ou menos.
-Não tiro sua razão...
-Posso te fazer uma pergunta?
-Faz.
-Po-por que você e o Park Chanyeol vivem em pé de guerra?
-Porque ele deixou a minha irmã morrer.
-Ah... e... como tudo chegou a esse ponto?
-Quando tínhamos mais ou menos uns dezenove anos... éramos os revolucionários revoltados de Seul. Vivíamos depredando carros de pessoas ricas e pixando muros com dizeres de revolução... teve uma época em que era perigoso expor opinião... e é aí que a minha irmã entra.
-Ela se meteu em problemas? - Peguei a garrafa e dei um pequeno gole. E que se foda que são dez da manhã.
-Mais ou menos... mas isso não é relevante agora...
-Você disse que... que o Park deixou a sua irmã morrer...
-Sim. Eles se envolveram... - Riu com amargura - É uma merda seu melhor amigo comer a sua irmã, fica um clima estranho.


"Eles começaram a ficar pelas minhas coisas, pois eu era protetor com a Haneul... eu fui adotado, sabe? Perdi minha família por causa de conflitos entre uns traficantes na China... acabaram me mandando pra cá sabe-se lá Deus o porque, e aí fui adotado. Desde o primeiro momento em que eu vi meus pais adotivos e a Haneul eu desenvolvi sentimentos muito fortes por eles... especialmente por ela. Finalmente eu poderia ter uma família depois do que me aconteceu... eu a protegia, mas fingia não ver que ela estava ficando sufocada. Então ela começou a se relacionar com o Chanyeol às escondidas..."


-E depois? - O encarei. É impressão minha ou ele está chorando?
-Depois ela engravidou. O Chanyeol sumiu por um tempo e depois voltou... só que ele não sabia que o filho da Haneul era dele. Naquela época nós tínhamos uma inimizade com o pai do Huang ZiTao e... ele queria matar o Chanyeol... só que o covarde viu o pai do ZiTao com a arma na mão e fugiu... e aí minha irmã morreu, deixando o filho dela sozinho.  Só que eu pensei que o garoto havia morrido também. Ele esteve aqui por muito tempo e eu não sabia de nada.
-E quem é o filho dela...?
-Um garoto que está no Cassino. O Chanyeol tirou ele daqui a força quando descobriu que era pai dele... - Suspirou - Ele era só uma criança de 14 anos...


Eu abri a boca para perguntar o nome do garoto, mas logo senti a cabeça dele tocar o meu ombro. Yixing havia adormecido, e claro que não acordaria tão cedo. Dei um longo suspiro e me coloquei a arrastá-lo escada acima.


Quando chegamos, eu não o joguei no chuveiro. Apenas tirei seus sapatos e a calça justa e o acomodei na sua king size. Em seguida me ajoelhei no chão e o encarei por alguns minutos. Nem parecia aquele homem que me bateu incontáveis vezes... toquei os seus cabelos e deixei um beijo em sua testa.


Saí do quarto e fechei a porta. Enquanto eu descia as escadas, encontrei Luna me esperando.


-Que é?
-O que aconteceu?
-Ele bebeu.
-Mas por que? Faz tempo que ele não fica de porre.
-Acho que alguns fantasmas do passado dele vieram assombrá-lo.
-Como o que?
-Nada de importante - Mudei de assunto - Agora é melhor limparmos a bagunça de ontem, não é? Amanhã é a noite do Baekhyun, e temos muito o que fazer...
-Mas... - A interrompi:
-Não vale a pena discutir o passado de um miserável.


Segui para o quarto, e entrei no banheiro. Me despi rapidamente e me enfiei debaixo da ducha gelada.


--


ZiTao


Oh merda, prenderam o Kris.


Fodeu, fodeu muito. E não foi do jeito prazeroso.


Estou literalmente correndo para a delegacia, antes que aquele china cheio de si diga alguma merda e nos denuncie. Afinal, não era desse jeito que eu queria ter a atenção dele.


-Bom dia, moça - Tentei ser o mais simpático possível - Eu... eu queria falar com o Xiao Luhan. Ele está?
-Está sim, mas não pode atendê-lo no momento.
-Por favor, me ajuda aí! É urgente!
-Eu já disse que ele não pode lhe atender, está ocupado cuidando de um criminoso - Ela me encarou - Preciso chamar os seguranças?
-Olha só - Pousei as mãos abertas no balcão da recepção - Eu vou falar com ele sim. Diga que é sobre Wu Yifan.


-Como é? - Aquela voz irritante e conhecida soou.
-Minseok - Falei, me virando - Bom ver você.
-O que você quer? - Tomou um gole de café.
-Falar com o Luhan.
-Sobre?
-Yifan.
-Ah... - Me encarou - Me siga.


Ele se virou e começou a caminhar. Virei o rosto para a recepcionista nojenta e mostrei a língua. Em seguida, caminhei rápido até chegar atrás dele.


Caminhamos por uns dois minutos por um corredor, até pararmos em uma porta.


Xiao Luhan
Delegado substituto


 Então o pirralho agora é delegado? Hm.


-Lu? - Minseok bateu na porta.


Lu? Eles são íntimos?


-Pode entrar.


Minseok abriu a porta e sinalizou para que eu entrasse. Entrei em silêncio. Meus músculos estavam tensos.


-O que quer Min... - Levantou a cabeça e me encarou - O que você faz aqui?
-Eu não queria ter vindo aqui nesse ambiente hostil e negativo, mas eu preciso falar com você sobre Wu Yifan - Suspirei - À sós.
-Pode sair, Min.


Minseok acenou com a cabeça e saiu.


-Posso sentar?
-À vontade - Entrelaçou os dedos sobre a mesa - O que você quer falar?
-Primeiramente, não seja rude comigo. Eu nunca fiz nada pra você.
-Vou fingir que acredito. Mas chega de enrolar, Huang. O que você quer falar sobre Wu Yifan?


Suspirei. Agora eu vou soltar uma bomba.


-Não foi ele que matou Kim Junmyeon.
-Bem, e quem foi? Foi você?
-Claro que não - Fiz bico.
-Então quem foi.
-Só direi se me deixar falar com o Kris.
-Não.
-Então não vai saber quem foi.
-Mas como você é manhoso - Reclamou, massageando as têmporas.
-Vai fazer isso por mim ou não?
-Ok, vou levar você até nosso conterrâneo. Mas se não cumprir o que prometeu, vai se arrepender.
-Ain, adoro esse semblante mau - Falei, com malícia.
-Vamos logo, Tao! - Me pegou pelo braço.


--


Kyungsoo


-Te fiz uma pergunta, não vai responder? Onde passou a noite?
-E-em nenhum lugar relevante...!
-Kim Jongin - Me aproximei calmamente, sem quebrar o contato visual - Você não é bom em mentir, portanto desista.
-Mas por que quer saber, Soo?
-Porque eu quero.
-Ok, ok... - Suspirou - Mas eu posso tomar banho antes?
-Não.
-Soo, por favor - Me encarou com aquele olhar de cachorro pidão. Bem, tecnicamente ele é um cachorro.
-Não.
-Estou fedendo, caminhei bastante.
-Você fede sim, mas a perfume de prostituta. EU JÁ IMAGINO ONDE VOCÊ PASSOU A NOITE!
-Eu posso explicar!
-Não quero saber! - Lhe dei as costas.
-O CHANYEOL ME MANDOU LÁ.
-Como é que é?


-Isso mesmo - A voz do Chanyeol soou, e logo ele se juntou a nós.
-E pra que você mandou o Jongin naquele lugar?
-Porque eu quis, isso não é da sua conta - Encarou Kai - Viu o Yixing por lá?
-Não - Murmurou.
-É, ele não estava pois estava aqui te socando, seu imbecil! - Gritei.
-Como é? - Kai se exaltou - Channie, o que aconteceu enquanto eu estava fora?


Channie?


-Channie?
-Vai implicar com isso agora, DO Kyungsoo? - Chanyeol me encarou.
-Que seja - Bufei - Vou sair.
-E vai aonde?
-Não te interessa, Kim Jongin.
-Soo!


Não dei ouvidos a Jongin. Caminhei rapidamente até a porta e saí, a fechando com força. Respirei fundo o ar um pouco frio da manhã, e consegui esvaziar a mente.


Ou quase.


Comecei a pensar em uma pessoa que eu não vejo a muito tempo, e cheguei a conlusão de que não posso mais adiar esse encontro.
Caminhei até a garagem e entrei no primeiro carro que vi.

~~~~~~~~~~~~


Ainda não acredito que me prestei a vir aqui nesse sanatório asqueroso. Como qualquer outra pessoa, eu tenho nojo desse lugar (não sou um anjo, mas pelo menos nunca fui preso, pelo menos até agora. E que Deus me proteja, amém). Relutei vir por semanas, meses e anos, sempre adiando o encontro com Jongdae desde que o mesmo começou a me mandar cartas pedindo para que eu fosse visitá-lo. Mas eu não fui, por mais que existisse uma vontade de ver meu primo distante. É, eu queria ver aquele safado, aquele sádico. Que pessoa em sã consciência iria querer ver o psicopata que matou os seus pais? Bem, eu não sou normal e isso não é novidade.


Transei com Jongin duas horas após matar a vadia da Krystal, como se nada tivessse acontecido.


Mas agora chega de enrolação.


Desci do carro com pressa, e caminhei até o portão do sanatório.


-Bom dia, o que deseja? - Um segurança me barrou.
-Hoje é dia de visitas? Me corrija se eu estiver errado...
-Sim, é. Vai até o meio dia - Me encarou, carrancudo - Pode passar. Quando entrar na recepção será submetido a uma revista minuciosa.
-Claro, sem problema.


Ele abriu o portão e eu entrei sem pestanejar. Quanto mais rápido eu falar com Jongdae mais rápido vou sair daquele lugar.


Cheguei na recepção mais rápido do que eu imaginava.


-Bom dia - Um moça sorriu - O que deseja?
-Visitar um paciente...
-Oh, sim... preencha esta ficha com seus dados por favor.
-Claro - Peguei o papel e uma caneta e comecei a escrever.
-Quem veio visitar?
-K-Kim Jongdae.
-Com é? - Me encarou - Tem certeza?
-Sim, hã... somos parentes.
-Ok. Já preencheu a ficha?
-Sim - Lhe dei o papel - E agora?
-Se dirija para aquela sala ali - Apontou - Um segurança vai lhe revistar. Depois ele o acompanhará até a sala de visitas, basta mostrar essa autorização aqui - Me deu um cartão - E dizer quem quer ver.
-Ok.


O segurança do portão realmente estava falando sério. A revista foi mesmo minuciosa, me deixaram de cueca e meias e inspecionaram minhas roupas. Foi constrangedor, mas é o procedimento padrão e não posso contestar.


Fui liberado depois de deixar meus pertences em uma caixa de acrílico. O segurança que me revistou me acompanhou até a entrada da ala psiquiátrica e acabei por ter a companhia de um enfermeiro. Ele aparentava ter uns setenta anos... enquanto caminhávamos, iniciamos uma conversa.


-Quem veio visitar?
-Kim Jongdae.
-Ah - Me encarou - O Psicopata da Banheira de Sangue... coragem a sua.
-Por que?
-Não é óbvio? Ele é perigoso.
-Mas é meu primo - Falei, deixando clara a minha irritação.
-Você é a primeira pessoa da família que vem visitá-lo em todos estes anos...
-Está aqui desde que ele chegou?
-Sim. Eu o dopei e o limpei quando chegou aqui. Tirei todo aquele sangue de seu corpo... - Fungou - Até hoje penso na dor que o filho daquele casal deve ter sentido, sabe? Queria poder falar com ele um dia.
-O senhor já está falando com ele...
-Oh, é você? -Me encarou - Perdoe-me pela minha frieza.
-Tudo bem, o senhor não sabia. Mas enfim... ele vai estar meio grogue por conta dos medicamentos?
-Tem uma chance de ele estar um pouco sonolento, mas acho que não vai ser o caso.
-Por que?
-Ele anda se comportando bem ultimamente. Toma os remédios sem protestar, e não está sendo preciso lhe dar cedativos.
-Isso é bom, não é?
-É ótimo - Sorriu - Uma pena que não possa mais viver em sociedade...


Ficamos em silêncio por uns momentos, até que chegamos a uma porta larga.


-Aqui está, a sala de visitas íntimas. Entre e se acomode, daqui uns minutos irão trazer seu primo.
-Ok. Obrigado.


Ele esperou que eu entrasse na sala, e foi embora assim que o fiz. Lá dentro só havia uma mesa e duas cadeiras, e a luz fluorescente fazia meus olhos arderem.


Me sentei em uma das cadeiras e comecei a pensar o que me deu na cabeça para vir até aqui, ver quem fodeu a minha vida. Em todos os sentidos possíveis.


Parei de respirar quando vi Jongdae entrar, contido por uma camisa de força. Ele não havia mudado muito (os cabelos continuavam castanhos, os olhos continuavam flamejantes), só estava um pouco abatido por conta dos remédios, creio eu. O segurança o acomodou de frente para mim e saiu.


Estávamos "sozinhos". Minha tensão era evidente, já Chen estava indiferente.


-Oi - Coloquei as mãos sobre a mesa - Chen?
-O que você quer? - Me encarou - Me ignorou por todos estes anos! Você é um merda, Kyungsoo!
-Dá pra parar com isso? Vim em paz!
-Não se faça de inocente, você é tão podre quanto eu.
-Chen...
-Você sorriu quando viu seus pais esquartejados, se sujou no sangue deles! Me pediu para que eu os matasse!
-Sim, eu queria eles mortos! Mas não vim aqui falar sobre isso...
-Veio pra que então?
-E-eu recebi as suas cartas por to-todo esse tempo, mas não tive coragem de abrir.
-Covarde. Você age arrependido assim só agora, mas amou ser fodido naquela banheira cheia de sangue!
-Não mude de assunto - Suspirei - Eu me arrependi de uma coisa sim, mas foi de ter te deixado aqui. Por isso vim...
-Depois de tantos anos...
-Uma hora eu teria que ter empatia, não é mesmo? - Bati os punhos na mesa - Você sempre reclamou da minha frieza!
-Foi muito bom eu ter parado de reclamar sobre isso.
-Por que?
-Porque você é igual a mim - Riu - Um psicopata. Frio. Calculista. Cruel.
-Não sei do que está falando.
-Não sabe do que estou falando mas sabe quem é Jung Soojung... a pobre moça que você matou... - Me encarou.
-Era uma prostituta suja que ousou se meter com o homem que eu amo!
-Ama? - Riu - Você não ama nada e nem ninguém além de si mesmo.
-Não sabe de nada sobre mim! E por falar nisso, como sabe sobre a Soojung?
-Um passarinho pousou no meu ombro e me cantou uma bela melodia em mandarim...
-Zhang?
-Wu. O herdeiro do império de entorpecentes.
-Co-como ele soube disso?
-E eu lá vou saber! Ao contrário de você, sempre escondi meus crimes.
-Eu estava entorpecido pela raiva.
-Dela?
-Sim.
-Por que?
-Eu já disse! Ela estava transando com o meu homem! Se estivesse no meu lugar, o que faria?
-Nada, porque eu tenho a sorte de não sentir amor. E sabe, você é assim também. O que sente por esse cara não é amor, é obcessão.
-Não venha dar uma de psiquiatra pra cima de mim.
-Kyungsoo, eu era psiquiatra... mas contra fatos não há argumentos. Não se mata por amor, mas por obcessão.
-Olha quem fala, você foi obcecado por mim durante toda a minha adolescência!
-Sim, fui. Você era a minha fantasia mais intensa... - Lambeu os lábios - E no final, você se rendeu a mim.
-Você é nojento.
-Mas você quis. Ah, qual é? Seu cérebro bloqueou tudo o que aconteceu naquela noite? Não se lembra de nada?
-Depende do que você está falando.
-Quero saber se lembra que me ajudou a decapitar a sua mãe.
-Lembro.
-Seu pai?
-Sim.
-Lembra que eu drenei o sangue dos dois?
-Sim.
-Que eu coloquei na banheira?
-Não.
-Não?
-Não.
-Ok... - Fez bico - Do que mais se lembra?
-De muito sangue... e você... atrás de mim... beijando minha nuca.
-Aquele foi o melhor momento da minha vida... você era tão inocente...
-Tá, eu sei que você me comeu. Só não lembro de muitos detalhes. E não quero lembrar.
-Por que? Foi tão legal.
-Chen, eu não vim aqui pra relembrar da morte dos meus pais.
-Então veio pra que?
-Vim porque preciso de ajuda.
-Você precisa da minha ajuda?
-Sim.
-E eu posso saber pra que?
-Você queria se vingar do Chanyeol, pelo menos antes de ser preso...
-Eu ainda quero. Mas o que isso tem a ver?
-Vou dar um jeito de tirar você daqui.
-Só agora? É sério?
-Chen, não complica... me deixa explicar.
-Ok. Se explique.


Suspirei 


-Já que você sempre quis se vingar do Chanyeol, eu quero te fazer uma proposta: te ajudo a fugir, você mata o desgraçado e todos vivemos felizes para sempre.
-O Chanyeol não é seu melhor amigo?
-Ele deixou de ser desde que me trocou pela vadia da Haneul.
-Hm, sinto cheiro de ressentimento...
-Esse não é o caso. Posso continuar?
-Pode.
-Ainda tenho que pensar em como te tirar daqui, mas isso é depois. Agora quero saber se topa.
-Claro que topo, quero ver aquele otário sofrer. Mas o ponto principal é: por que exatamente você quer que ele morra?
-Eu já disse o motivo.
-Não pode ser só por isso. Uma simples garota não pode acabar com uma amizade.
-Pode sim, porque eu amava o Chanyeol. Mas você me pegou, não é só por isso.
-Então é por que?
-Chanyeol é um dos homens mais ricos de Seul. Preciso dizer mais?
-Não, não precisa... mas realmente isso tudo também tem  a ver com essa tal de Haneul?
-Sim.
-Como nossa avó dizia: isso é dor de cotovelo.
-Não é.
-É sim, tem inveja da garota por ter roubado o Chanyeol de você e por ele ser rico.
-Não.
-Então o que é?
-Ódio.
-Ok, ok.
-Kim Jongdae, chega de rodeios.
-Já disse que topo, porra.
-Ótimo - Sorri. Em seguida, peguei um pequeno papel que havia escondido na meia - Pega.
-O que é?
-Meu número pessoal. Continue sendo bonzinho que lhe deixarão fazer uma ligação por mês.
-Como...?
-Vou extorquir o diretor desse buraco. Sou tão manipulador quanto você, portanto, relaxe.
-Eu sei - Sorriu.


Nesse momento, um enfermeiro entrou.


-O horário de visistas acabou.
-Já terminamos nossa conversa, fique tranquilo - Sorri para o homem - Até semana que vem, Chen.


Ele me encarou, e seus olhos me seguiram até o momento em que deixei a sala.


Caminhei calmamente pelo corredor, até que aquele velho enfermeiro que me trouxe se aproximou.


-Vai me acompanhar na saída?
-Sim, procedimento de segurança. Tem vezes que alguns pacientes ficam vagando por aí e... não é seguro para alguém de fora.
-Entendo.
-Como ele está?
-Lúcido.
-Que bom - Sorriu.


A conversa morreu quando cheguei na recepção. Ele me deixou só, e eu fui pegar meus pertences. Em seguida, caminhei a passos rápidos para fora daquele lugar, satisfeito com o meu progresso.


Encarar os fantasmas que me assombram são necessários.


E finalmente aquele merda do Chanyeol vai ter o que merece.


Notas Finais


AAAAAAAAAAAAAAA QUANTA TRETA NÉ?

Gostaram? uahuhuhauahe eu amei esse cap, mdssss

bom, nos vemos no próximo capítulo que vai fazer alguns derramarem lágrimas aehauheuahe

beejo <3


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