História Love Affair. - Capítulo 22


Escrita por: ~ e ~NickSanchez

Postado
Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Lesbicas, Prostituição, Romance, Submissão
Visualizações 437
Palavras 2.083
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Ecchi, Escolar, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 22 - Princesinha do pó.


**

Peguei o celular e olhei as horas. Oito e trinta e três da manhã. Fui até a conversa dela e enviei uma mensagem, bem desaforada e cheia de duplo sentido. Guardei o celular de volta no bolso e fui andando mesmo pra casa. O percurso era um pouco grande, mas me daria tempo o suficiente pra me acalmar e colocar os pensamentos em ordem.

Durante todo o caminho, senti meu celular vibrando várias vezes no bolso de trás da calça, mas nem fiz menção de pegar o mesmo pra ver quem era. Com certeza era Reagan dando uma de arrependida. Eu já tinha deixado avisado com o Mark que tinha um cliente pro dia inteiro hoje, então nem ele e nem o Lucca tentariam me ligar. Mais essa agora. Eu fui devolver a porra do dinheiro da Meredith e agora vou ter que pagar o Mark do meu próprio bolso. Que ódio que eu sentia.

Quase uma hora depois de tanto caminhar, cheguei em casa. Fui direto tomar um banho gelado pra ver se me fazia esquecer tudo o que eu tinha presenciado uma hora atrás. Aquele beijo... Reagan beijando aquela garota. A mão de Carter na bunda dela. Isso não podia estar acontecendo. Alguma coisa dentro de mim não queria acreditar que Reagan tinha sido uma filha da puta mentirosa. Ela parecia ter sido tão sincera ontem à noite... Não, Bessie! Pessoas mentem. E não seria a primeira vez que isso me acontecia. Só mais uma decepção pra conta.

Saí do banho e vesti a primeira coisa que eu enxerguei no guarda-roupa. Uma blusa de moletom e uma calça jeans. Amarrei meu cabelo em um coque improvisado e me joguei na cama, ainda perdida nos meus pensamentos. O dia todo foi desse mesmo jeito. Em alguns momentos eu até me permiti chorar. Mas era a última vez que isso acontecia. Eu nunca mais iria chorar. Nem por Reagan e nem por ninguém. Eu fui só uma noite pra ela, não era? Duas, no caso. Talvez três se contar a noite passada que a gente só dormiu. Mas não passou disso. Eu servi só pra matar a curiosidade que ela tinha, não foi? Então ela também tinha que ser apenas uma cliente pra mim também. Esse é o meu jogo, Reagan. Você não vai ganhar de mim tão fácil assim.

Levantei da cama e fui até a cozinha, procurando qualquer coisa pra beber. Encontrei uma garrafa de whisky que Lucca trouxe pra mim da última viagem que ele fez. Acho que isso serviria pra me apagar pelo menos por hora. Abri a garrafa e dei um longo gole. A bebida era amarga, ruim, forte. Perfeito.

Em pouco tempo, já havia tomado mais de metade da garrafa, mas ainda assim nada tinha acontecido. Eu não conseguia apagar aquela imagem da minha cabeça. Reagan e Carter... Eu precisava tomar alguma atitude e rápido. Eu preciso esquecer tudo o que me aconteceu desde que essa abusada chegou aqui. Eu preciso de... Não, Bessie! Isso não.

 Fechei os olhos e apertei os mesmos por alguns segundos até que a ideia desaparecesse da minha cabeça. Eu não preciso fazer isso. Eu não preciso fazer isso. Eu não preciso... Estava funcionando. Ótimo. Foi assim que Nadia me ensinou, a mentalizar qualquer coisa que fizesse eu me distrair da ideia de usar drogas novamente todas as vezes que eu pensasse em usar.

Nadia... Ah, minha Nadia. Ela era uma pessoa tão doce, tão pura. A gente tinha tantos planos juntas. Ela não podia ter partido daquele jeito. E era tudo culpa minha. Eu matei Nadia. Fui eu que a expulsei da minha casa depois dela me dizer que não largaria o Aaron pra ficar comigo. Mas alguma coisa me dizia que isso não era verdade. Nadia amava a mim e não a Aaron. Ela mesma me disse isso no dia em que morreu. Suas palavras ainda ecoavam em minha mente: “Não se esqueça nunca de que você sempre foi e sempre será o amor da minha vida, Bessie.” Essas foram suas últimas palavras antes de sair daqui direto pra morte. O que será que Aaron fez ou falou pra ela? Como uma pessoa diz que me ama, mas ao mesmo tempo diz que não pode ficar comigo porque Aaron era o melhor pra vida dela? Será que ele a ameaçou de alguma forma? Eu nunca vou saber...

Nadia era uma pessoa tão boa que em nada parecia com essa abusada da Reagan. Reagan... Aquela filha de uma puta beijou outra na minha frente. Minha vontade era arrancar ela de lá, arrastar ela até minha casa e dar umas boas palmadas nela. Mas eu não podia fazer isso. Eu não posso me permitir sentir qualquer coisa por aquela vagabunda. Olha só o que ela fez. Disse que gostava de mim, mas menos de um dia depois já estava com a língua enfiada na garganta de outra. Vadia!

Se acalma, Bessie!”, meu subconsciente implorava. “Não vá fazer nenhuma besteira.”

Calma porra nenhuma. Aquela garota abusada me traiu. Ela me traiu e ainda me iludiu. Ela disse que gostava de mim. Como pode?

Atirei a garrafa de whisky contra a parede, fazendo-a espatifar segundos depois. Peguei meu celular, dinheiro, as chaves de casa e saí. Eu não podia mais voltar atrás. Minha mente já tinha registrado a informação do que aconteceria a seguir e era exatamente disso que eu precisava.

Fui caminhando pelas ruas escuras de Oregon. Já eram mais de seis horas, então tudo ficaria ainda mais fácil pra mim. Cheguei a um beco escuro e um pouco afastado do centro da cidade. No final dele, entrei em um outro beco que me levaria onde eu queria ir. O lugar era sujo e fedia a urina, mas eu já estava acostumada. Passei anos vindo aqui. Os caras ainda me conheciam.

— Ora, ora... Quem é vivo sempre aparece né? Vejam se não é a nossa princesinha do pó. – Dante, o chefe deles, gritou assim que me viu.

— Tá sumida hein, gostosa! Veio matar a saudade da gente, foi? — outro cara comentou.

Revirei os olhos.

— Sabem muito bem o que eu vim fazer aqui não foi? — retirei alguns dólares do bolso de trás da calça.

— Vai querer o de sempre, princesa? — Dante perguntou já remexendo a caixa onde ficavam os embrulhos.

— Não... Hoje eu quero tudo o que vocês tiverem aí. — joguei o dinheiro sobre a bancada que utilizavam.

Um deles me olhou assustado, sem entender o motivo pra uma pessoa querer comprar tanta droga assim. Um ou dois pacotinhos sempre me foram suficiente, mas não hoje. Eu precisava de mais. Eu queria mais.

— Bessie, é muita coisa...

— Não é pra mim, tá legal? — menti. — É pra levar pro bar. Alguns clientes estão querendo... — outra mentira.

— Sendo assim, ótimo. Espero que tenha feito ótimas recomendações da gente.

— Ah... – abri um meio sorriso. — Pode ter certeza que eu fiz, Dan.

Dante me entregou um total de vinte saquinhos com cocaína dentro. Insisti que queria tudo, mas ele disse que não podia ficar sem mercadoria no local, então acabei aceitando só os vinte mesmo. Forcei um sorriso pra ele quando peguei a droga e guardei dentro do bolso do casaco.

— Vê se não demora a aparecer de novo, princesa. — gritou assim que virei as costas e saí andando.

Fiz o caminho todo de volta pra casa travando uma batalha interna comigo mesma. Usar ou não usar a droga? Mas já não tinha muito que fazer. Quando uma pessoa experimenta drogas na vida, não importa quantos anos se passem sem que ela use. No dia em que ela segurar, tocar, sentir o cheiro ou só olhar a maldita, ela vai se deixar levar de novo e vai cair mais uma vez. É assim que sempre aconteceu comigo.

 Entrei em casa já tirando os saquinhos de dentro do casaco e joguei todos na mesinha de centro da sala. Abri dois deles e arrumei em cinco carreirinhas. Algo dentro de mim me mandava parar a todo momento, mas infelizmente, minha mente não me deixava parar. Procurei uma folha qualquer pela sala e como não encontrei, usei o dinheiro mesmo. Peguei uma nota de dólar e enrolei o mais depressa possível. Meu corpo todo já estava ansiando pela droga.

— E lá vamos nós outra vez... — abri um sorriso irônico e me permiti ser levada pelo vício da cocaína outra vez.

Pouco tempo depois e eu já tinha acabado com sete pacotinhos dos vinte que eu trouxe. Eu preciso ir mais devagar. De repente, meu telefone tocou. Olhei no visor e adivinha quem era? Exatamente. Ela mesma. A vagabunda que me iludiu dizendo que gostava de mim. Joguei o celular pro canto e me levantei. Novamente, fui procurar por qualquer coisa que tivesse álcool na cozinha. Voltei com uma garrafa de vodka em baixo do braço. Nem me importei em pegar copos. Essa noite seria toda minha.

Sentei no chão da sala novamente e voltei a arrumar as carreirinhas. Assim foi minha noite: bebendo e me drogando, como há muito tempo eu não fazia. Não lembro muito bem quanto tempo havia se passado, sei que quando dei por mim, já tinha secado duas garrafas de vodka e esvaziado quase todos os saquinhos de cocaína. Só tinha sobrado uns dois ou três. Eu me sentia tão animada, tão eufórica, que nem percebi o tempo passando. Decidi que precisava ir pra rua. Precisava ver gente, falar com as pessoas. Ah, essa felicidade que eu estava sentindo, precisava compartilhar com todo mundo.

Catei o celular e saí de casa. Não fazia ideia de que horas deveriam ser, só sei que eu estava muito animada e queria sair gritando pra todo mundo isso. Fui andando pelas ruas sem um destino certo. Não tinha ninguém na rua, o que me fez pensar que deveria ser bem tarde.

— Mas cadê a porra do pessoal? — gritei no meio da rua, mas não obtive resposta. Continuei andando e mais um pouco a frente, passei pela casa onde Nadia morava e eu não sei porque, mas bateu uma bad, sabe? A animação toda sumiu, meus olhos encheram de água e tudo o que eu queria era sentar e chorar. Andei até a entrada da casa e dei outro grito. — AMOR, CADÊ VOCÊ? APARECE, NADIA! EU VIM AQUI PRA TE BUSCAR, MEU AMOR!

Eu ia gritando as coisas assim meio sem sentido mesmo. Ninguém respondia. Alguns carros que passavam pela rua buzinavam e me chamavam de louca, mas eu não dava ouvidos. Sentei na porta da casa, abracei meu próprio corpo e deixei que as lágrimas rolassem livremente pelo meu rosto.

 Várias coisas vagavam pela minha mente. Nadia, Reagan, meus pais... Todo mundo foi embora da minha vida, de uma forma ou de outra. Até o Padre Anthony, que era a única referência que eu tinha de família, morreu e me deixou aqui sozinha.

Por que, Deus? Por que você não deixa ninguém ficar na minha vida? Por que o Senhor não me leva logo então? Eu não quero mais viver desse jeito. Eu não quero mais isso pra minha vida.

Sequei meu rosto e tentei, em vão, me levantar. Acabei tropeçando nos meus próprios pés e caí de cara no chão. Era só o que faltava pra mim mesmo. Com muito custo, consegui levantar. Sem olhar pros lados, comecei a atravessar a rua e segundos depois vi um clarão vindo pra cima de mim. Eu não conseguia raciocinar no que estava acontecendo. Forcei um pouco a vista pra tentar enxergar o que era e senti um frio na espinha quando o carro passou de raspão pelo meu corpo. O motorista chegou a colocar a cabeça pra fora e me xingou de todos os nomes possíveis.

Ainda sem reação, permaneci alguns segundos parada ali no meio da rua. Minha cabeça latejava de dor e um zumbido muito forte ecoava nos meus ouvidos. Era como se eu estivesse sentindo todas as forças do meu corpo irem embora de uma vez. Minha visão começou a ficar embaralhada. O que estava acontecendo comigo?

— Bessie! — ouvi uma voz feminina gritar do outro lado da rua.

De onde mesmo eu conhecia essa voz? Eu não fazia a mínima ideia. As coisas passavam como um borrão na minha frente. Por mais que eu tentasse forçar meus olhos, não conseguia distinguir nada do que estava acontecendo. A voz que me chamou segundos atrás continuava gritando meu nome, mas eu ainda não conseguia identificar quem era. E ia ficando cada vez mais perto, mais perto, mais... E foi então que eu apaguei nos braços da pessoa que me chamava.


Notas Finais


É, parece que o tal do amor pode ser mesmo uma droga, ein?


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