História Love And Crown - Capítulo 6


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Categorias Originais
Tags Aventura, Magia
Exibições 2
Palavras 2.744
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Violência
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - O segredo do muro


Fanfic / Fanfiction Love And Crown - Capítulo 6 - O segredo do muro

Arco 1: Sinis

Capítulo 6

 

Aurum diz às meninas que não há o que mostrar no nível dois, então eles descem logo para o três usando a mesma técnica de puxar ou soltar cabos para que carros deslizem por uma ladeira. Eles possuem cercas de ferro em volta para segurar a carga, sejam pessoas ou caixas de comida. Enquanto descem, veem subindo vários carros com as colheitas.

No fim da ladeira, uma porta na cerca se abre e eles descem do carro. Acima deles, um arco esculpido no muro como portão e, do lado mais acima, a ponte que eles não atravessaram.

— Olha, só. Que bonito — Malika está impressionada de novo.

As plantações são bem organizadas e há vários tipos diferentes de comida, desde cereais a frutas e legumes.

— É o suficiente para todos? — Roma pergunta.

— Somos capazes de produzir tudo que precisamos na quantidade certa, mas matéria-prima é uma história diferente — o príncipe explica. — Por isso, fazemos acordos com reinos maiores em troca disso — ele mostra uma pedra azul oval envolta em ouro esculpido que adorna sua roupa. — Temos uma mina cheia dessas pedras. Apesar de Sinis ser apenas entre os muros, o terreno que meu pai possui é bem maior e compreende boa parte da floresta e algumas montanhas.

— E quando as pedras acabarem?

— Vamos ter que criar coragem para sair de trás dos muros — responde ele, brincalhão.

— Sei por que os governantes de Sinis são tão proativos, — Malika ainda não entende uma coisa. — mas vocês tem certeza que precisam de tudo isso? Por que alguns quilômetros mais a frente tem um reino de “bárbaros”?

Aurum olha para ela e pensa na resposta.

— Ninguém está sofrendo por causa desses muros. Não vejo porque parar com eles.

Malika estreita os olhos com a resposta e Roma percebe.

“Isso é o que eu quero verificar. Não tem como fazer magia sem uma fonte de energia e a fonte necessária para um muro inteiro não pode vir de uma só pessoa.”, pensa a invocadora de ar.

— Então, o passeio já acabou? — Roma muda o foco da conversa.

— Infelizmente, não tenho permissão para sair de Sinis a hora que eu quero, então sim, acabou.

Roma faz uma expressão de decepção.

— Mas, vocês ainda tem que se preparar para sua viagem, não? Eu posso ajudar a conseguir um emprego para vocês no castelo.

A garota sorri.

— Seria maravilhoso.

Aurum vai à frente e Roma e Malika atrás. A invocadora de luz pisca para ela e Malika sorri, aquiescendo com a cabeça. Eles sobem até chegarem aos portões do nível dois.

— Vocês podem ir à frente — Malika inicia seu plano. — Eu vou conseguir algumas informações e quem sabe encontro alguma magia que nunca vi antes.

— Ah, claro. Mas, você consegue se virar sozinha?

— Sim, príncipe. Não tem como eu me perder. É só subir que eu chego ao castelo, não?

— Verdade.

— Ah, será que vocês podem levar Zara? Eu posso demorar e andar com ele nos ombros é cansativo.

Roma se aproxima dela e estende as mãos.

— Eu o levo.

— Obrigada. Zara, — ele havia acordado pouco tempo antes. — vá com eles, pode ser?

Ela coloca-o nas mãos de Roma, que o enrola em seu pescoço como Malika faz.

— Tome cuidado — Roma está preocupada que algo possa dar errado. Todas as situações de perigo que as duas se envolveram juntas as fez ficarem próximas, mesmo que ainda não percebam.

— Está tudo bem — Aurum fala amigavelmente. — O crime em Sinis é raro. Nós somos todos muito felizes aqui.

Malika sente pena dele. Ela tem certeza que algo de muito errado ocorre debaixo dos panos por aqui e quando ela descobrir vai contar pra todo mundo.

Eles se despedem e Malika os deixa se perder na multidão antes de voltar. Retorna para o portão e diz ao guarda que esqueceu algo lá embaixo. Ele a deixa passar porque estava andando com o príncipe.

“Certo, como eu faço isso em plena luz do dia?”

#

Já cansados de andar, Aurum e Roma pegam carona em um dos carros e são puxados todo o caminho de volta.

— Que tipo de trabalho você quer? — o príncipe pergunta.

— Hm... Eu só sou boa em caçar. Alguma dica?

— Você deve saber usar um arco muito bem.

Roma dá um sorriso de lado.

— Sem querer me gabar, mas eu sou uma ótima arqueira.

— Consegue lidar com crianças?

Ela levanta as sobrancelhas e olha para ele, que está com um sorriso fofo no rosto pálido. O cabelo loiro e meio enrolado está balançando com o vento frio e suas bochechas e nariz estão levemente vermelhos, como os dela devem estar também. Roma precisa piscar algumas vezes e desviar o olhar do rosto dele para conseguir sua concentração de volta.

— O que uma coisa tem a ver com a outra?

— Você aceita ser professora de arco e flecha?

Roma é pega desprevenida. Nunca pensou em ser professora antes, mas não deve ser tão difícil já que os alunos são crianças. Pensa um pouco sobre o assunto.

— Essa é uma boa oferta? — ela está querendo saber sobre o dinheiro que é capaz de ganhar.

— São filhos de pais ricos. Eles pagam uma fortuna para que ensinem disciplina e concentração às suas crianças.

— Devem ter pessoas bem mais experientes do que eu para ensinarem eles.

— E tem. Mas, os que já tentaram, desistiram, e os que sobraram, não querem.

Roma ri nervosamente.

— E você está oferendo para mim?

— Quer um jeito de ganhar dinheiro rápido com as habilidades que tem, não?

— Quero... — ela dá de ombros. — Acho que não é uma má ideia.

— Não se preocupe, eu vou estar lá também.

— Sabe atirar com arco e flecha?

O príncipe dá um sorriso travesso.

— Não. Mas, você vai me ensinar.

#

Malika fica parada algum tempo, observando as torres dispostas à mesma distância nos muros e decide verificar de perto. Desce até o quarto nível, onde só tem um rio. Ninguém desconfia dela, estão todos ocupados fazendo seus trabalhos. A água corrente na vala feita artificialmente impede qualquer um de chegar mais perto do último muro, o que só deixa tudo mais suspeito. Se bem que ela não precisa ver com seus olhos para saber o que tem nas torres, ela pode usar outros olhos.

Abre sua bolsa e tira de dentro um frasco com um líquido transparente. O destampa e de dento sai um aroma doce que, alguns segundos depois, atrai três pássaros pequenos e de cores neutras. Ela derrama um pouco sobre a mão esquerda em formato de concha e um deles pousa em seu pulso para beber.

— Só preciso de você.

Uma rajada de vento expulsa os outros dois pássaros que vão embora de medo e ela aproxima o outro de seu rosto, olhando firmemente em seus olhos negros.

— Não sou feiticeira, mas também sei alguns truques — fala pra si mesma, ainda encarando o pássaro — Agora, sua mente é minha mente — e assopra de leve nele.

Um ar dourado sai de sua boca e o pássaro fica com os olhos amarelos, assim como ela. Como já está bem afastada das pessoas, ela tateia o ar atrás de si, em procura do muro e quando o encontra, desliza as costas nele e se senta na grama. Ela já está enxergando pelos olhos do pássaro. Ele alça voo e pousa no parapeito de uma pequena janela gradeada de uma das torres; felizmente ele consegue passar por um dos buracos.

O ambiente de dentro é escuro. A única luz é a do sol que entra pelas janelas, mas já é o suficiente para Malika ver uma cena que nunca vai esquecer.

#

Roma e Aurum chegam ao topo e vão direto para o castelo. No portão, se encontram com Merly e Tenebris, que também acabam de chegar do seu passeio.

— Onde vocês foram? — Roma pergunta curiosa.

— Para depois dos muros — Merly responde, todo animado. — Não é tão diferente de Vozdukha, mas nós apostamos corrida e acabamos chegando à fronteira das terras de Sinis.

— Tenebris! — Aurum está irritado com a irresponsabilidade de seu animus. — Você sabe que a fronteira é perigosa.

— Relaxa. Não fomos pra fronteira com Ignis — a corvo fala meio entediada. — Foi a fronteira com Crystallo. Até encontramos seu irmão.

— Solis? Ele já voltou?

— Sim. Deve chegar ao castelo daqui a pouco.

Aurum abre um sorriso de orelha a orelha. Ele gosta muito do irmão mais velho. Roma sente inveja de Solis. Ela é a mais velha e nunca suas irmãs a olharam com adoração. Deve ser algo mais difícil de acontecer entre mulheres.

Eles entram no castelo e Aurum leva Roma, Merly e Zara para o quarto onde estão hospedados. Os animus entram no quarto e Tenebris vai embora. Realmente, é uma alma bem independente. Roma e Aurum ficam sozinhos do lado de fora.

— Vou conversar com meu pai sobre você ser professora de arco e flecha.

— Certo. Obrigada.

Um silêncio cai sobre os dois.

— Você precisa de alguma coisa? — Aurum finalmente quebra o silêncio.

Roma precisa de muitas coisas, mas nenhuma delas material. Ela suspira e olha para ele de soslaio.

— Não — Mente.

Mas, Aurum percebe que tem algo errado, só que Roma não parece com vontade de compartilhar.

— Então, tudo bem. Tchau.

— Tchau.

Ela entra e fecha a porta. Senta na cama e faz careta para o vestido, que a aperta em lugares onde ela quer ser livre. Uma tristeza a consome de repente e ela se pega parada olhando para o nada.

— Roma, você está bem? — Merly se aproxima dela e coloca a cabeça em cima de suas pernas.

A invocadora de ar passa a mão na cabeça dele, perdendo os dedos em seu pelo branco.

— Não — Uma longa pausa. — Como você lida com uma situação assim?

— Se não estiver aguentando tudo sozinha, pode dividir o peso do mundo comigo.

Ela sorri para seu melhor amigo e lágrimas escapam.

— Eu não sei o que eu faria sem você, Merly.

Inclina-se e o abraça por cima, mas uma batida frenética na porta a assusta. Roma seca as bochechas, levanta da cama e abre a porta, encontrando do outro lado um Aurum ofegante. Ela se aproxima dele e põe a mão em seu braço.

— Aurum, o que aconteceu?

— Não está tudo bem, não é?

Ela paralisa. Ele voltou correndo por ela? Nenhum dos dois fala, apenas se encaram até que a respiração dele volte ao normal.

— Eu tentei entender como você está se sentindo agora e percebi que deve ser muito difícil para você tudo que aconteceu e vai acontecer.

Roma continua calada.

— Quero te ajudar. Não porque tenho segundas intenções... Quer dizer... Eu tenho, mas não é por causa delas. Não, pera — Aurum começa a se enrolar todo e fica vermelho, o que faz Roma dar uma pequena risada. — Eu só quero que você fique bem.

Pela primeira vez, Roma percebe que é menor que ele e que apesar da beleza sensível de Aurum, ele ainda é bem masculino. Ela sorri docemente e segura sua mão. Em um impulso, leva até seu rosto e acaricia sua própria bochecha com a mão dele.

— Obrigada, alteza.

Aurum é pego desprevenido e puxa a mão de volta, a pressionando contra o peito enquanto a sobrepõe pela outra mão. Ela não encara como um insulto e ri da vergonha dele.

— Se realmente estiver disposto a ouvir, eu posso te contar — Roma esclarece.

As feições dele passam de choque a felicidade.

— Será um prazer.

Ela levanta a palma da mão para ele em um sinal de “espere aqui” e entra no quarto novamente.

— Merly, eu vou sair. Volto em tempo para o jantar.

O lobo não tem objeções e apenas responde um “Certo”. Ela sai do quarto e sorri para Aurum, que já está mais calmo.

— Que tal um lugar onde possamos ver o pôr-do-sol? — ela sugeste.

— Parece uma boa ideia. Eu conheço um lugar.

Ele estende o braço para Roma, que entrelaça o seu no dele, e os dois caminham devagar pelos corredores.

No quarto onde os animus estão, uma folha entra pelo quarto se movimentando estranhamente pelo ar. Ela para na frente de Zara, que está na cama de Malika e ele vê riscos não naturais na folha. Aproxima-se para ver e encontra uma palavra escrita.

Alerta.

#

O chão da torre é bem mais embaixo, uns 20 metros de onde o pássaro está, e em cada uma das quatro paredes tem espécies de camas feitas de metal, espaçadas umas das outras por um metro. Em cima de cada cama há uma pessoa desacordada e saindo de seus pescoços e pulsos, grossos canos transparentes por onde é sugado algo roxo e brilhante.

— Força vital — Malika sussurra.

Os canos caem até o chão, centenas deles, e se dividem em dois, alguns indo pelo lado direito do muro e outros pelo esquerdo, para alimentar a magia que faz de Sinis o lugar mais seguro do mundo.

Ela corta o contato com o pássaro e volta a enxergar só o que ela mesma vê. Para sua surpresa, há um homem agachado a um metro dela, encarando-a.

— Meu deus do sol! — ela tenta se afastar, mas já está com as costas no muro e só consegue não entrar na parede.

O homem sorri, se divertindo.

— Finalmente voltou para seu corpo?

— Quem é você?

Ela o observa melhor. Tem cabelos negros e olhos azuis e se veste muito bem. As roupas dele lembram as de Aurum.

— Quando queremos saber o nome de alguém, nos apresentamos primeiro.

— Mas, não sou eu quem está escarando e assustando uma pobre garota.

Ele estreita os olhos.

— Eu não te assusto. No mínimo, devo te deixar irritada.

Ela faz um som de deboche e se levanta, sendo acompanhada por ele. O homem é da sua altura e Malika apenas cruza os braços e o encara seriamente.

— Conseguiu entender minha personalidade só olhando para mim?

— Eu preciso saber ler pessoas. É uma característica essencial para um futuro rei.

Malika quase engasga com a própria saliva.

— Quer dizer que você é...

— Príncipe Solis Galige, herdeiro de Sinis, a seu dispor — ele inclina o corpo com o braço esquerdo colado às costelas em um gesto de cumprimento.

“Porque as coisas teimam em acontecer todas de uma vez?”, Malika pensa irritada.

Ela suspira, controla uma revirada de olhos e sorri amigavelmente.

— Meu nome é Malika — não está no humor de ser formal e ele parece aceitar isso sem problemas.

— Se importa se eu perguntar o que estava fazendo sentada aqui, olhando para o nada com uma cara assustada?

— Me importo, sim.

— Você tem uma língua bem afiada para quem está falando com um príncipe.

— Claro. Desculpe-me, alteza. Vou tentar ser menos rude.

— O que? Você é a primeira pessoa que sabe que eu sou príncipe e continua rude comigo. Por favor, não pare.

Ela se afasta para Solis não ver que a fez rir.

— Você é doido.

— Talvez. Isso te incomoda?

Solis apressa o passo para andar ao lado dela. Malika não responde, apenas olha-o de soslaio e sorri sem mostrar os dentes. A aparição dele foi uma pequena distração, mas ele não se esquece do que viu pelos olhos do pássaro.

“Será que ele sabe de alguma coisa?”, pensa olhando para Solis, vendo-o cumprimentar os trabalhadores, enquanto voltam para o portão do nível três para dois. “Não tenho como saber”.

— Meu irmão me enviou uma carta informando da chegada inesperada de duas jovens invocadoras forasteiras no nosso reino — ele puxa conversa. — Se eu me lembro bem é uma garota simpática de olhos castanhos claros e cabelos curtos que não sabe usar sua magia, e por isso tem um arco e flecha, e outra garota misteriosa de cabelos volumosos e pele escura que não fala muito, mas sabe ser assustadora quando quer.

— Você tem uma boa memória.

— E você é a segunda garota. Por que ele disse que pode ser assustadora quando quer?

— Longa história. Sem paciência pra contar.

Malika passa perto de uma árvore e estica o braço, puxando uma folha. Ela coloca a folha entre as duas mãos em formato de concha e sussurra dentro algo ininteligível para Solis. Malika abre a palma das mãos e assopra na folha, fazendo-a voar bem alto e ir a uma direção específica.

— O que acabou de fazer? — Solis ficou impressionado.

— Enviei uma mensagem para um amigo.

Ele ri e cruza os braços.

— Não entendo muito de magia, mas isso não parece ser coisa de invocadora.

— Não parece, né? Vou tomar mais cuidado da próxima vez.

E avança na frente dele, deixando um príncipe intrigado para trás.



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