História Love and Death - Capítulo 26


Escrita por: ~

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Categorias 2NE1
Tags 2ne1, Bomzy, Chaera
Exibições 81
Palavras 4.107
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Luta, Mistério, Orange, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yuri
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


E DEPOIS DE SÉCULOS..........
olá pessoal!

em primeiro lugar: obrigada aos que ainda estão acompanhando a fic, e aos que responderam que ela continuasse. isso me deu muita força! vocês são DEMAIS!
obrigada também aos que estão favoritando e começando a acompanhar agora.

eu já expliquei em várias notas o quanto sou inconstante e como escrevo minhas histórias. diferente da maioria, eu não tenho um "corpo pronto" para elas. eu tenho apenas a ideia, e entro nessa ideia de cabeça e vou seguindo conforme essas ideias vão se juntando na minha cabeça. isso quer dizer que eu (acreditem) não tenho a menor ideia de como essa fic vai acabar!

gotta be you foi escrita da mesma maneira. não funciono com coisas "pré-estabelecidas", o que me vem na cabeça eu escrevo, e eu sabia que seria muito mais difícil em love and death pela complexidade do assunto.
mas garanto a vocês que apesar dessa minha maneira de escrever, não deixo minhas histórias "virarem bagunça" porque todas as coisas se entrelaçam na minha mente no momento em que escrevo o capítulo - ou seja todas as linhas serão amarradas, e todas as mensagens subliminares que eu deixei nos caps anteriores (espero que tenham pegado toda porque foram muitas hehe) vão aparecer...

não posso dizer se estou no meio ou no fim da fic, nem a quantidade de caps por esse mesmo motivo. eu nunca sei o que vêm nessa minha cabeça maluca e cheia de ar.

queria deixar claro também que esse hiatus não teve nada a ver com o fato da mz ter saído do grupo porque como eu já disse, bomzy real (que não é real) é uma coisa e bomzy das fics é outra, e não misturo ambas.

ALIÁS COMO EXCELENTE ( A MELHOR NA VERDADE) ESCRITORA DE BOMZY, ACHO ESSE COUPLE MUUUITO MAS SEXY QUE CHAERA - desculpe gente, é a verdade e é por isso que elas aparecem mais e blá blá blá sou uma escritora de bomzy como todxs sabem.

então, apesar de curto espero que o cap possa valer a pena.
>>>>> lembrando que CL e dara ainda estão se aproximando <<<<<, enquanto bom e minzy já se pegaram umas 3 vezes.
então quem quer pegação/orange chaera vai se decepcionar por um booom tempo... vamos ver se as leitoras chaera shippers aguentam.
enfim, obrigada a todxs!!!

Capítulo 26 - Capítulo Vinte e Um


Fanfic / Fanfiction Love and Death - Capítulo 26 - Capítulo Vinte e Um

O homem encontrava-se diante do prédio onde morava. A rua estava escura e deserta, e ele fixou o olhar nas escadas á frente; o táxi ás suas costas partiu chiando os pneus. Oscilando, o homem fez uma tentativa inútil para acender um cigarro; o isqueiro caiu a seus pés, e após outras duas tentativas, conseguiu. O gosto de tabaco invadiu sua garganta e seu pulmão, fazendo-o tossir.

Aquele gosto só não era pior que o do arrependimento.

Fazia anos que park Jihun não fumava nem bebia; na verdade, décadas. Assim que assumira seu lugar no alto escalão da empresa de seu pai, aos vinte anos, o rapaz abandonara os vícios desnecessários de adolescente rebelde, trocara as roupas negras e deixara sua guitarra de lado para estudar e se transformar no futuro presidente da empresa que fizera o nome de sua família.

Mesmo descontente no início, a “nova vida” rendera boas lembranças, e Jihun de repente sentiu que poderia desempenhar bem aquele papel. Recebera muitos prêmios na faculdade, encontrara uma boa esposa, tornara-se um homem.

Resmungando consigo mesmo, ele atravessou a rua e conseguiu chegar ao meio-fio oposto. Trôpego, subiu os degraus e passou pela porta. O cigarro apoiado molemente em seus lábios caiu, e ele entrou sem olhar para o porteiro.

- Senhor Park! – murmurou o homem assustado, saindo de trás de sua guarita – Precisa de alguma coisa?

O empresário dispensou-o com a mão, apoiando-se na parede, e o porteiro se afastou, ainda olhando-o intrigado. Não parecia o mesmo homem que passava por ele todo dia, com um sorriso. “É isso que o dinheiro faz com as pessoas”, falou para si mesmo, penalizado. Jihun equilibrou-se e socou o botão do elevador, sentindo que iria vomitar a qualquer momento.

Assim que as portas se abriram, ele se jogou para dentro do elevador e a muito custo, apertou o botão com o número cinco, e o equipamento subiu rápido. Jihun saiu do elevador; a luz do corredor imediatamente se acendeu, cegando-o por alguns segundos. Ainda cambaleante, o empresário dirigiu-se até a última porta á esquerda. Apalpando os bolsos, descobriu sua chave e após várias tentativas, mergulhou no apartamento ás escuras.

- Hyejin! – chamou.

Ninguém respondeu. Ele tentou novamente acender o isqueiro; a chama queimou seus dedos e ele o deixou cair com um palavrão.

Rindo tolamente, Jihun encontrou o interruptor. Tropeçou na mesinha logo em frente e quase a derrubou; inclinou-se sobre ela e pediu desculpas ao móvel.

- Sandara! – gritou mais uma vez sem obter resposta.

Caminhou por algo que parecia um corredor, derrubando esculturas ao passar, e deteve-se diante da primeira porta que viu. Jihun forçou a maçaneta e mergulhou no aposento; apalpou a parede a procura do interruptor, esbarrou numa cadeira e caiu no chão junto com ela. Em seguida, conseguiu ficar de joelhos e pôs-se a engatinhar, batendo a cabeça na escrivaninha. Apoiando-se no tampo do móvel, caminhou novamente ás escuras e bateu os joelhos em algo que parecia uma cama. Sacudindo a cabeça para tentar livrar-se da tontura alcoólica, Jihun se atirou nela e desmaiou.

Ele caminhava por uma estrada vazia, á luz fria e azulada do amanhecer. Muito abaixo, envolta em névoa, havia uma casa. Ela estaria lá?

- Pai, acorde!

Jihun abriu os olhos. O sol ainda não tinha nascido e o quarto estava na penumbra; apenas a silhueta de Sandara era visível, seu rosto pálido e assustado. O homem ergueu a cabeça para se levantar, mas a dor em sua cabeça era grande demais, e ele baixou-a novamente. Não se lembrava de como havia ido parar naquela cama, e nem porque ainda usava paletó e sapatos. Jihun não se lembrava nem mesmo como chegara em casa – suas únicas lembranças era a de ter saído mais cedo do escritório, parado em um bar para tomar um pouco de whisky... e do sonho do qual Sandara o acordara.

- Pai, o senhor está bem? – ele não respondeu; sentia um gosto de vômito subir por sua garganta.

- O senhor... o senhor... bebeu? – perguntou a jovem, e a voz doce da filha cortou o coração de Jihun. – Mas por quê? O que aconteceu?

O empresário sentiu-se um lixo, e desejou morrer naquele minuto; talvez morrer fosse melhor... ou seria egoísmo? Talvez assim encontrasse as duas pessoas que buscava. Logo depois sentiu que a filha abria-lhe o paletó e desamarrava sua gravata delicadamente.

- Morrer? - disse a voz em sua mente. - Abandonar Sandara como fez com elas? Você é mesmo um covarde! Você não merece cuidado. Não merece Sandara. Não merece nem mesmo morrer. Você matou uma mulher e um bebê inocente...

- Dara, eu... – gaguejou antes de respirar fundo e fechar os olhos, sentindo uma pontada na cabeça – e outra no coração.

Jihun não queria a mão delicada da filha afagando seu rosto e seus cabelos, não queria ouvir sua voz preocupada, fazendo com que lágrimas quentes invadissem seus olhos. A dor em sua cabeça aumentou com aquilo e ele desejou que Sandara gritasse com ele, que dissesse que ele era um péssimo pai, que o odiava. Qualquer coisa que fizesse com que ele se sentisse melhor.

Quem sabe assim aquela dor passasse... não a dor em sua cabeça, mas a dor em seu interior, a que nunca cessava, a dor da vergonha . Odiava ter que mentir, odiava ter que fingir. E mais que isso, odiava a si mesmo.

Sandara disse ao pai que não se preocupasse e saiu do quarto, murmurando que faria um chá e que ligaria para a empresa dizendo que ele não iria ao trabalho naquele dia, e as lágrimas finalmente correram pelo rosto dele.

Erros são como fantasmas, Jihun. Você precisa dar a eles o que querem, precisa encontrar uma maneira de se desfazer deles, dar a eles um fim digno. Você precisa encontrar um jeito e reparar seu erro... não foi isso que prometeu a si mesmo?

Algumas verdades sobre nós são tão dolorosas que apenas a vergonha pode nos ajudar a viver com elas.

.....

Eram quase quatro horas da tarde e Chaerin estava deitada preguiçosamente no sofá, lendo um livro e comendo uma maçã; após fazer um trabalho de faculdade pela manhã, ela passara o início da tarde “desarrumando” parte do apartamento e agora lia para passar o tempo. Como dissera a Sandara e seus amigos que estava preocupada a respeito de uma suposta arrumação e a garota se oferecera para ajuda-la no dia anterior, Chaerin fora obrigada a aceitar. Quanto mais rápido extraísse as informações a respeito do pai de Sandara e sobre ela, mais rápido terminaria seu trabalho.

A primeira semana de aulas fora difícil para Chaerin; não por causa das matérias, mas por causa de Sandara. Em menos de quinze dias, a turma inteira simplesmente se apaixonara pela garota. Todo mundo queria falar com Sandara Park depois das aulas, trocar livros e até mesmo andar pelos corredores com Sandara Park “como crianças em idade escolar”, segundo Chaerin. Todos queriam ser amigos de Sandara Park, mas por sorte, ou mais precisamente por sua experiência na área, Chaerin estava fazendo com que Sandara se aproximasse muito mais dela do que de qualquer outro.

Ela imaginara que seria fácil se aproximar de Sandara, mas se enganara. Apesar de seu jeito fanfarrão e extrovertido, a jovem era extremamente fechada em relação á amizades, e Chaerin sabia que grande parte das pessoas como ela utiliza um jeito exageradamente feliz e de bem com a vida apenas como fachada. Além do mais, Sandara sempre lhe parecera meio maluca, e melhor ainda, o tipo de pessoa perfeito para ser enganado: os fracos que acreditam na bondade dos demais, que acham que “todo mundo no fundo é bom e merece perdão” e outras baboseiras que Chaerin desprezava. Ela sabia que conseguiria trazer a garota para perto dela. É minha especialidade.

A loira ergueu os olhos do livro por um momento, momentaneamente pensativa; lembrara que Sang Woo se negara a dar qualquer dica sobre os motivos daquela missão. Ela perguntou a si mesma como estaria sua Minzy, que fora enviada sem saber nem mesmo o local para onde iria e pior, estava literalmente presa em uma casa sem provavelmente fazer nada.

Na concepção dela, Ryo não parecia exatamente em perigo mortal, já que provavelmente valia muito mais viva do que morta, tanto em dinheiro quanto em prestígio; além do mais, qual a razão de uma pessoa como ela estar precisando de proteção, alguém que vivera todo esse tempo sozinha e a salvo de qualquer organização criminosa? Para Charin,  aquilo não fazia sentido nenhum.

E além disso. por que Sang Woo escolheu Minzy para aquela missão? Por que enviar uma garota explosiva e instável como ela para um trabalho como aquele, que envolvia uma das pessoas mais temidas e procuradas no mundo do crime?

Chaerin remoeu essa pergunta por alguns dias até entender a real ideia de Sang Woo. Minzy era sim instável ás vezes, mas muito séria no que fazia; além das armas de fogo, a garota manuseava katanas como ninguém, talvez perdendo apenas para o próprio Sang Woo. Minzy preenchia muito mais que ela os requisitos.

Mas os requisitos para aquela missão.

Como não entendera antes? Era mais do que óbvio o motivo da aparente predileção de Sang Woo por Minzy.

Aquela missão não era para alguém como CL. Era sem graça, simples e nada divertida. Sem uso de conhecimento, sem necessidade de persuadir ninguém, nada que realmente precisasse de alguém como ela. Mesmo sendo interessante, ficar presa em uma casa não era um serviço á altura dela.

A Garota de Vermelho era conhecida por sua facilidade em persuasão e seu total desinteresse por qualquer coisa relacionada a algo que não fosse ela mesma; qualquer pessoa pensaria que isso atrapalhasse suas missões, mas acontecia exatamente o contrário. Quando era necessário o contato com outras pessoas, CL sentia-se estimulada de uma forma doentia. Lidar com gente era divertido – rir das piadas idiotas, comer e beber ao lado delas, fingir interesse em velhos babões – principalmente quando sabia que ela seria a pessoa que daria fim ás suas vidas inúteis.

Sim, CL sentia prazer em saber que os sorrisos que recebia logo se transformariam em pedidos de piedade quando ela os retribuísse da sua maneira favorita – o momento em que apontava sua arma e atirava. O único momento em que seu sorriso era verdadeiro.

E Chaerin sentira falta desse sorriso naquelas primeiras semanas em Seul.

A jovem, ao contrário de Minzy, não estava necessariamente presa; podia sair quando quisesse, coisa que ela fazia quase que diariamente – bibliotecas, livrarias e coisas do gênero. A única coisa que não podia fazer era o que mais gostava. Desde o incidente com a garota da pizzaria, Sang Woo dera um ultimato por mensagem de texto.

Nada de mortes. Arranje outra maneira de se distrair, minha querida.

Ela era como uma criança sem seu brinquedo favorito.  Assim, pegava seu carro e partia para a escuridão da cidade tentando se distrair.

Em suas caminhadas pela cidade madrugada adentro, Chaerin se encontrava invariavelmente sozinha, e podia finalmente voltar a ser CL, mesmo que por algumas horas. As pessoas temiam os ladrões, mas ela os procurava. As pessoas evitavam os seres da noite, mas CL os encontrava. As ruas eram sua propriedade, e CL vistoriava seus silêncios frios, observando aqui e ali, divertindo-se aqui e ali.

Ela não temia a cidade, assim como não temia ninguém. CL se sentia bem nas ruas, onde podia satisfazer boa parte de suas vontades. Em algum outro lugar isso poderia ser visto como estranho e conturbado, mas não para ela. Sua vida era abraçada pela cidade como milhões de outras, e fazia com que mesmo contra sua vontade, CL pertencesse àquele lugar.

Chaerin sentou-se, arrumando os cabelos enquanto dava uma rápida passada pela sala com os olhos, registrando as mudanças que fizera. Faltavam quadros nas paredes, as poucas esculturas estavam novamente encaixotadas e os sofás em uma angulação estranha. Chaerin também havia passado em uma loja e comprado algumas almofadas e um tapete; aquilo seria suficiente para entreter Sandara por uma ou duas horas e usar toda a sua tática para tentar sugar informações valiosas.

A loira deu um sorriso de satisfação e levantou-se; pegou o cinzeiro que estava na mesinha e jogou o que havia nele no lixo da cozinha juntamente com o miolo da maçã. Voltou á sala, colocou o objeto de volta no lugar e dirigiu-se até seu quarto.

Passara um bom tempo pensando sobre o que iria fazer com o cômodo caso Sandara resolvesse dar uma olhada. A loira contava que a garota não iria pedir para ver seu quarto, mas por precaução resolveu apenas trocar a escrivaninha de lugar, colocando-a na parte mais escura do quarto.

Depois de levar mais um tempo guardando tudo que pudesse ser considerado “suspeito” no apartamento e principalmente em seu quarto, Chaerin tomou um banho demorado. Enrolada na toalha, parou em frente ao guarda-roupa.

- Ok. O que vestir em uma ocasião como essa? Quem sabe uma camiseta do Mickey ou uma blusa da Barbie...?

Rindo, a loira abriu as gavetas e começou a mexer nas roupas; nunca tivera roupas do Mickey e nunca sequer tocara em uma boneca Barbie; tudo que teve quando criança eram alguns livros e um uniforme cinzento.

Chaerin vestiu uma calça jeans clara e uma blusa preta de mangas compridas. Observou-se no espelho e deu uma piscada para si mesma.

Depois de conferir novamente o apartamento, ela foi até a janela tomar um pouco de sol enquanto o vento secava seus cabelos. Após um tempo sentou-se novamente no sofá e ligou a televisão. Pulou os canais até chegar a um filme qualquer e consultou o horário no aparelho: quatro e vinte da tarde. Sandara havia dito que chegaria ás quatro e meia; os alunos de Direito não teriam aulas naquela terça-feira.

Alguns minutos depois, a campainha tocou e Chaerin foi atendê-la. Sandara Park, com um sorriso genuíno no rosto, adentrou o apartamento equilibrando seus tênis e um pacote quadrado nas mãos.

- Boa tarde! – falou enquanto se curvava solenemente e com cuidado, a mochila roxa escorregando nas costas. A loira retribuiu o gesto. – Me atrasei alguns minutos, me desculpe.

- Ah, não tem problema – disse Chaerin. – Que é isso? - perguntou, apontando para o pacote que a outra segurava.

- Comida – respondeu Sandara imediatamente. – Se puder me ajudar...

O pacote estava quase caindo de suas mãos, e Chaerin pegou-o no momento em que Sandara derrubou seus tênis. Pedindo desculpas, ela deixou-os ao lado da porta e, de meias, seguiu a loira até a cozinha. A loira largou o pacote no balcão.

- Espero que não se importe. Esse horário realmente não é o melhor para receber visitas, então tomei a liberdade de comprar algumas coisas. Tive um monte de compromissos pela manhã, e passei por um probleminha. Sem falar que preciso refazer o trabalho que o a Sra. Jung pediu semana passada... ainda acho que faltam algumas coisas, não sei se dez folhas de resumo serão suficientes. – disse Sandara sem tirar o sorriso do rosto.

Chaerin deu á ela um sorriso inexpressivo, e sem demonstrar o menor interesse na conversa, abriu uma gaveta logo á frente e pegou dois conjuntos de talheres; Sandara sentiu-se um pouco constrangida com aquele silêncio e fingiu observar a cozinha, balançando-se nos pés. A loira continuou em silêncio, de costas, aparentemente á procura de pratos em um balcão em cima da pia.

- Está incomodada? – perguntou finalmente.

- Não, não – Chaerin sacudiu a cabeça e virou-se.  – É que normalmente faço refeições sozinha.

Sua tática de fingir desinteresse sempre funcionava. Ela colocou a louça sobre o balcão e fitou Sandara.

- Podemos comer agora. - falou daquele jeito inexpressivo.

Sandara assentiu e se adiantou para abrir os pacotes. Havia arroz, carne, legumes e sopa. As duas serviram seus pratos e Chaerin puxou a cadeira.

- Podemos sentar no sofá? – perguntou Sandara, espiando a televisão por cima do ombro.

- Claro.

Sandara foi até o sofá e sentou-se. Chaerin respirou fundo e foi até a geladeira á procura de alguma bebida. Apesar de Sandara ser inconveniente á beça, ela não podia negar que aquela comida viera em boa hora – além de ter comido apenas um sanduíche e algumas frutas naquele dia, seu desastre com o frango no microondas não seria facilmente esquecido.

- Você gosta de filmes de gângster? – perguntou Sandara da sala. Chaerin, servindo em dois copos um refrigerante quente que encontrou na despensa, respondeu apenas com um “uhum”.

- Essas roupas. Não consigo entender!

- Roupas? – A loira ergueu os olhos; Sandara apontava para a televisão. Ela voltou o rosto para o filme no momento em que um homem de terno sacava uma arma.

- As roupas. Chapéus, sobretudos e sapatos. Quem é que se arruma para fazer esse tipo de coisa? – comentou Sandara com a boca cheia.

Chaerin, sem tirar os olhos do filme, deu um sorrisinho antes de responder. Você não tem ideia do quanto certas roupas fazem diferença em alguns momentos, menina.

- Eram tempos em que os assassinos tinham algum estilo. – disse.

- Estilo? – Sandara virou o rosto para ela no momento em que o mafioso dava três tiros em um homem. Havia um brilho estranho nos olhos da garota em pé na cozinha.

- Sim.

Sandara olhava para ela com uma expressão intrigada; acomodou o prato entre as pernas dobradas.

- Você está dizendo que eles pensavam nisso antes de matar alguém? Quer dizer, eles se arrumavam?

- Quase isso – continuou Chaerin, sentando-se na outra ponta do sofá. – Já que era preciso viver como marginal, roubar e atirar em pessoas para ganhar a vida, eles achavam que tinham a responsabilidade de se vestir com alguma elegância.

- Elegância? – Sandara arregalou os olhos e virou o corpo na direção dela.

- Sim, elegância – continuou Chaerin. – Mas agora é diferente: as pessoas têm mais atitude do que estilo.

- Você concorda com isso? – Sandara quase se afogou com a sopa. – Você acha que eles estavam certos?

- Eu não estou dizendo isso. Mas não há como negar: é a marca da época em que vivemos.

- Marca da época em que vivemos? - Sandara parecia horrorizada.

- Sim. O estilo se transformou em atitude, em vez de a atitude se transformar em estilo. Com algumas exceções, claro. Algumas pessoas conseguem unir essas duas coisas.  – concluiu Chaerin, pensando em suas vestes vermelhas.

- Espera aí, ainda estamos falando de assassinos...? – perguntou Sandara.

- Claro que não. - mentiu Chaerin. – Me refiro ao geral.

- Você gosta dessas coisas de assassinos e... gente do mal? Parece saber disso. - Sandara ainda estava desconfiada.

- Gosto de ler sobre “gente do mal”. – respondeu Chaerin com um olhar solene, encerrando o assunto.

Sandara continuou fitando-a por alguns segundos com um olhar intrigado, porém entendeu a deixa e não fez mais perguntas. Terminou de comer em silêncio e com toda a educação, perguntou á Chaerin se poderia dar uma olhada no apartamento.

Enquanto a loira levava a louça até a pia para lavar, Sandara andou pela sala com a mão no queixo, observando. Quando Chaerin estava se acostumando com o silêncio, a garota e começou a tagarelar a respeito da decoração do lugar. Encostada no balcão da cozinha, Chaerin respondia apenas com “uhum” e “tem razão”. Aquilo era um tédio, aquela missão era um tédio... mas ela tinha que fazer.

Algum tempo depois, Sandara parou próxima á uma das caixas de papelão que a garota usara para guardar esculturas e quadros.

- Essas peças são muito bonitas! – comentou erguendo uma estátua. – Você tem bom gosto. E também são... hm... – ela hesitou. – bastante caras.

Chaerin se aproximou e observou a peça na mão da garota. Sang Woo adquirira aquela escultura em um leilão, dois anos depois de tirar a garota do orfanato; ela o acompanhara até o local. Naquele mesmo dia, ele mostrou á ela pela primeira vez como segurar uma arma. Fazia tanto tempo assim? E por que estava lembrando daquilo naquele momento? Já vira aquela peça milhões de vezes.

- Chaerin? – ela ouviu a voz doce de Sandara. – Está sorrindo...?

- Meu pai. – respondeu a loira. – Ele me deu essa como presente.

- O que os seus pais fazem? – indagou Sandara com o rosto cheio de curiosidade. – Eles ainda estão no Japão?

- Eles são professores. – Chaerin já estava preparada para aquela pergunta; achara até que Sandara a faria assim que começassem as aulas, mas não aconteceu; provavelmente ela esperara até um momento mais íntimo. Seria um bom momento para agir ou devia esperar mais um pouco? Ela resolveu arriscar. – E os seus?

- Meu pai é dono de uma empresa alimentícia muito famosa. – respondeu a garota com um sorriso de orelha a orelha, que logo desapareceu. – Minha mãe morreu quando eu era pequena.

- Sinto muito. – disse Chaerin, sem sentir absolutamente nada.

- Você tinha muitos amigos lá no Japão? – Sandara já tinha recuperado a expressão sorridente. – Deixei uma dezena de amigos nas Filipinas.

- Não. – respondeu Chaerin com um ar bastante impessoal, fazendo Sandara fitá-la com um olhar profundo; o sorriso em seu rosto diminuiu.

Seria Chaerin uma daquelas garotas malvadas da escola, do tipo que intimida as outras como nos filmes norte-americanos? Ou quem sabe o contrário, uma ex-nerd? Não havia como saber... ela parecia sempre tão cheia de si...

Talvez existisse uma maneira de saber...

Ela anotou algumas ideias em um papel e entregou-o para Chaerin, que deu uma rápida olhada.

- Acho que isso dará mais vida ao seu apartamento. Isso aqui é tão... morto. – disse Sandara se levantando.

- Morto? – Chaerin franziu a testa.

- Sem cor – a garota apontou as paredes. – Sem vida.

E quem disse que eu me importo com vidas, garota? 

- É mesmo? – perguntou Chaerin com uma risadinha. – Não está sugerindo que eu deixe meu quarto assim, está? – ela apontou para os tênis rosa-berrante ao lado da porta; Sandara fechou o rosto.

- Você tem algo contra coisas coloridas? – rebateu ela.

- Não exatamente. Só contra coisas coloridas e ridículas. – riu Chaerin. – Mas tirando isso, você até que tem bom gosto!

- Ha ha ha. – falou Sandara revirando os olhos. – É melhor eu ir embora.

- Como vai chegar em casa?

- O motorista está me esperando lá embaixo desde que cheguei.

Chaerin fez cara de espanto, mas Sandara estava olhando para baixo e não notou. Colocou a mochila nas costas e foi até a porta para calçar seus tênis, seguida por Chaerin, que esperou com as mãos nos bolsos, olhando o teto. 

- O que é amizade para você, Chaerin? – perguntou Sandara de repente.

A loira observou-a por alguns segundos; havia algo diferente naquela pergunta e no olhar da garota. Fechou os olhos e ponderou antes de responder.

- Acho que o melhor que posso dizer é que um amigo é qualquer pessoa que você não despreza.

Sandara arqueou as sobrancelhas ao ouvir aquela resposta. Chaerin demonstrava cada vez mais ser aquele tipo de pessoa que não se deixa afetar muito por qualquer coisa que não se refira diretamente a ela mesma. Mas havia algo mais naquela garota, ou seria apenas egoísmo?

A jovem girou a maçaneta. Chaerin ainda mantinha as mãos nos bolsos.

- Isso foi um tipo de teste? – perguntou a loira em tom de desdém.

- Vamos dizer que sim.

- E eu passei? – continuou no mesmo tom.

Chaerin sabia que Sandara estava muito atenta á ela, e que era esperta o suficiente para perceber que ela estava contra atacando com aquela pergunta. Sandara podia ser ingênua, mas não era boba.

A jovem não respondeu, mas continuou fitando Chaerin.

- Você tem alguma coisa diferente – disse ela, assim que saiu pela porta. – E se quer saber, acho que esse seu ar distante não passa de uma pose.

Chaerin encarou aquelas palavras com um olhar surpreso e divertido.

- Acho que isso foi um sim. – disse. – Obrigada pela comida, Srta. Park.

Sandara lançou á ela um olhar rápido e acenou, indo na direção do elevador.

Chaerin fechou a porta, desligou a televisão e caminhou devagar até seu quarto. Abriu a mochila e descobriu apenas um cigarro em sua carteira; precisava realmente de um cigarro depois daquela tarde. Não havia sido nada proveitoso em relação á missão em si, mas servira para mostrar a Chaerin que Sandara era, apesar de ingênua, esperta. Mas não a ponto de me perfilar... isso ninguém consegue. Nem mesmo Sang Woo conseguira entender realmente quem ela era.

Ficou então encostada á janela do quarto. Lá embaixo, um pontinho roxo na calçada entrou em um carro cinza. Escurecia e em breve as luzes da rua se acenderiam; a garota sorriu ao perceber que a noite logo iria chegar.


Notas Finais


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