História Love Bite G!p - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren, Camren G!p, Lauren G!p, Norminah, Vercy
Exibições 665
Palavras 4.903
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hello Kids.

Como estão?

Eu tenho que dizer que vocês são os melhores leitores do universo e eu me sinto muito sortuda e grata por tê-los. Sério galera, o feedback é fora do normal.
Eu amo essa troca de informações e saber que vocês se importam ao ponto de comentar e criar teorias.
Obrigada, obrigada e obrigada de verdade.
Eu quero saber de todas as teorias de verdade. Isso me deixou curiosa ao extremo.

Sobre Camila, eu sei que é ela é uma personagem complexa e que por vezes insiste em algo, mas eu preciso que vocês tenham paciência com ela. Prestem atenção no flashback e nas coisas que acontecem e ai perceberam que não foi fácil para ela. Ponham -se também no lugar do personagem. Se vocês amassem alguém e se alguém fizesse algo.....
Prometo minimizar toda esta carga.

Tenho algumas coisas para falar.
Flashback: Continuação do capitulo passado que foi a briga na balada.
Eu acho que ainda tem uns 4 ou 5 flash e ai nos posicionamos nos dias atuais.
Acho que só isso.
Ha: Sigam-me os bons no twitter caso queiram conversar @Rafaonce
E postei a história no Wattpad caso vocês tenham preferência. Aquele troço é difícil de mexer, mas um dia eu chego lá. Deixarei Link nas notas finais.
Falo como a porra.
Amo muitão vocês e obrigada de verdade.
All The Love Guys.

Capítulo 8 - Pain


8 – Pain

 

 

 

Camila Cabello

 

       Vestes escuras, feições tristes, entes inconsoláveis, pessoas inconformadas, praguejo entres céus e terras, maremoto de indispor e o clichê dia chuvoso coberto por uma manta de dor, assim a morte parece ter suas próprias características frias e cortantes.

        Quando eu era mais nova sempre pensava sobre a morte e me julgava fraca o bastante para não poder suportá-la ou aceitá-la. Meu medo era tanto a ponto de que nem me permitir pensar por muito tempo sobre esse assunto ou evitar me envolver em rodas quais tivesse este como pauta principal. Lembro-me de dizer várias vezes que preferia como todas as forças em mim que eu fosse embora para qualquer lugar que a morte nos levasse antes de seus pais e familiares por que assim talvez eu não sentisse tamanha dor dilacerante ou desolação. Eu nunca quis encarar a perda, nunca gostei do luto, cemitérios, choros copiosos ou qualquer outra coisa relacionada ao fim de um ciclo vital. Quando cheguei à adolescência e a fase adulta percebi quão ludibriada eu fui por minha doce e ingênua criança interior e descobri que não temos o controle de nada nesta vida, nem na próxima, se existir e para morrer basta-nos estarmos vivos. Nada mais que isso e ponto final. Este não é um tema com muita extensão para ser discutido.

       Zayn poderia ter muitos defeitos, porém não posso negar ele foi um bom amigo para mim, apesar dos pesares de sempre querer causar a discórdia entre Lauren e eu e nunca fazer questão de esconder isso. Em um determinado momento quando eu precisei ele esteve lá por mim. Com toda paciência treinou-me, me cuidou e ensinou quando estive em meus momentos revoltos de não confiar em quase ninguém da matilha. Seu sangue não corria em minhas veias, mas sua morte não será em vão, isso eu tenho certeza. Eu farei o assassino não só por tê-lo matado, mas também por ousar desestrutura matilha. É muita afronta um desgarrado se achar maior que a matilha nobre e sair matando nossos membros somente para provocar-nos.

- Pela tradição dos nossos antepassados e dos nossos sucessores nos reunimos para nos despedir de um de nós. – Michael respirou fundo antes de continuar. – Zayn sempre foi muito fechado. Sempre na dele, discreto e calado, mas possuía um bom coração. – uma risadinha repleta de sarcasmo de Dinah e Lauren soou ao meu lado ao. Posso assim dizer que Michael exagerava em seu discurso e este não estava do agrado de muitos. – Fomos abençoados por ter sido sua família. – estendeu o copo com uísque. – Lembro-me de quando seu pai o trouxe para mim. Ele tinha quinze anos, rebelde e descrente. Olhou-me soberbo de cima a baixo com seus olhos âmbar por um instante e riu debochadamente. – riu. – Fiel à característica forte do lobo aras. O único pertence da nossa matilha. – sorriu orgulhoso. – Eu o tinha como um filho, ele está enraizado em meu coração. – olhou para urna onde as cinzas de Zayn estavam e levou o copo a boca.

        Algo dentro de mim estremeceu e se contraiu como um vendaval de emoções ruins. Sorrateiramente eu olhei para Lauren que segurava com força o copo de uísque. Estávamos mais uma vez compartilhando sentimentos e os seus sobre aquela situação não eram uns dos melhores, ela não estava sentida pela perda e sim pelo discurso bajulador de Michael sobre alguém que ela odiava e aquilo me deixou temerosa. Lauren é bipolar e sazonal e para derrubar a casa por estar insatisfeita era daqui para ali.

- Que emocionante seu discurso, papai. – Chris sorriu cinicamente enquanto falava, mas foi cortado por um uivo firme que ecoou por toda casa nos deixando em alerta.

- Aposto que é o desgarrado que matou Zayn. – Dinah proferiu. – O filho da puta está nos provocando.

- Chris, Dinah, Ally e Mani, vão pelo leste e nós vamos para o oeste. – Michael ordenou retirando a jaqueta e nós corremos em direção à mata de onde o cheiro do desgarrado vinha.

- Onde ele está? – Lauren perguntou assim que eu parei de correr. – Camila. – chamou minha atenção. – Consegue sentir o cheiro?

- Estava bem aqui. – olhei ao redor e deparei-me com uma jaqueta estendida em um galho.

- É a Jaqueta do Zayn. – indicou Michael. – Ele está nos atraindo. – eu não sei exatamente como estava o corpo de Zayn quando foi encontrado, mas pelo o que Dinah me falou, ele estava sem os olhos, o dedo anelar da mão direita e a jaqueta.

- Perdemos o cheiro, ele se foi. – Ally se aproximou com os outros em seu encalço.

- Ainda podemos encontrá-lo. – tentei me adiantar, mas fui impedida por Dinah.

- Até nos transformarmos, ele já estará longe. – pontuou.

- Dinah está certa. Esta noite honraremos Zayn, mas amanhã caçaremos. – Michael decretou por fim.

 

****

 

- Ouvi você vindo. – Dinah me estendeu uma xícara de chocolate quente assim que apontei na cozinha. – Preparei seu chocolate favorito com caramelo. Você sempre foi a mais sentimental, sei que está uma bagunça e precisa de algo quente.

- Obrigada, Chee. Você é a melhor. – sentei-me a mesa de frente para ela. – Eu estava precisando disso.

- Você dormiu? – bebericou o café. Todos nós estávamos tão exaustos que era  visível.

- Não, nem um pouco. – mantive-me de cabeça baixa enquanto brincava com alça da xícara.

- Quer conversar sobre isso? Eu sei que você está preocupada. Deixe-me entrar.

- Acho que não se tem muito que conversar. Um desgarrado o matou e só. – passei a mão no rosto. – Só é....

- Difícil, eu sei. – completou minha frase. Diferente de mim Dinah assim como Lauren não tinha tanta afinidade com Zayn e eu não julgava. Eles apenas não bicavam desde sempre, mas não havia possibilidade de não se abalar com o acontecido. Eles cresceram juntos como uma família, um laço se estende em volta do grupo.

- Sei que este mundo é regido por regras diferentes, mas eu não entendo, por que ele? O que exatamente está acontecendo?

- Acho que ele estava no lugar errado, na hora errada ou estava marcado. Temos que concordar que Zayn não era uma das melhores pessoas do mundo e que tinha inimigos. De qualquer jeito isso passa uma mensagem. – explicou calmamente.

- Qual? Que estamos vulneráveis? – falei como se fosse óbvio.

- Não cabeça, que a soberania e as regras da matilha estão sendo desafiadas. – bateu em minha testa. – Há muita coisa que não sabemos, Chan. Quanto antes descobrirmos melhor.

- Eu fico pensando se fosse uma de nós. – senti meu peito apertar. – Se fosse Lion....eu não. – Dinah me encarou incrédula e logo eu tratei de refazer a frase para não falar demais ou demonstrar toda minha preocupação com Lauren. – Se fosse você, Mani, Ally ou eu. Eu não saberia o que fazer, isto parece estar fora do nosso alcance.

- Hey. – chamou minha atenção. – Nada vai nos acontecer, somos melhores quando estamos unidades. – apertou minha mão. – Quanto a Lauren, ela sabe se cuidar e pare de pensar nisso, ok?

- Impossível. – prendi os cabelos em um coque frouxo. – Você viu Mike?

- Sim, está lá fora.  – levantei. – Sabe que eu estou aqui se precisar não é? Eu te amo, Chan. Prometo te proteger.  

- Eu sei que sim, Chee. Obrigada. – beijei sua testa. – Eu te amo. – afastei-me abrindo a  porta do fundo e fui para o quintal onde logo pude ver Michael com a urna de Zayn em mãos. Eu não sabia explicar todo este apego dele com o britânico-paquistanês, mas isso causava um pouco de revolta tanto em Chris quanto em Lauren. Acho que eles se sentiam excluídos por ter um pai que demonstra amor por todos menos por eles.

- Ele amava aqui fora. – falou sôfrego assim que me aproximei. – Pegue. – me estendeu o pequeno pote.

- Uma vida reduzida a um punhado de cinzas. Não somos nada nessa vida. – abracei o objeto. – Eu odeio essa sensação do luto. – minha voz saiu quase que em fio de tão baixa. – Isso me faz pensar sobre a minha família. Eu não quero nem pensar na possibilidade de perdê-los sem que não estejamos zerados de toda mágoa ou rancor.

- Venha cá. – se aproximou de mim e beijou minha testa. – Nunca substituiremos sua família biológica, mas sempre, você sempre terá pessoas que te amam aqui e que querem te cuidar.

- Aqui não é meu lugar. – o entreguei a caixa de volta. – Nós sempre soubemos disso.

- Você é uma parte importante do que temos aqui. – me olhou cabisbaixo. – Queira você ou não.

- Tudo o que temos é violência e morte. – constatei.

- Junto com amor e família. Nós nos amamos de um jeito torto e por muitas vezes não demonstramos, mas nos amamos. – se aproximou. – A vida está encontrando este equilíbrio e nem sempre é fácil acha o seu lugar entre dois mundos.

- Eu não quero estar presa entre os dois mundos. Eu só quero uma vida normal Michael, sem todo este medo de receber uma ligação e saber que um de vocês foi assassinado brutalmente. Eu estava em paz, com minha vida plana, sem medos ou fracassos e todo meu passado está sendo posto na mesa agora. Parece que eu estou me afogando. – tentei controlar meu tom. – Eu não nasci para viver assim.

- Entendo sua raiva. – manteve o tom ameno.

- Claro que estou com raiva. – olhei severamente para ele. – Como pode ficar tão calmo e complacente diante de tanto caos. E se fosse eu naquela urna? Você se sentiria da mesma forma e reagiria com tanta pacificidade?

- Está me perguntando se eu iria sofrer por você? Se eu estaria de luto pela sua perda? – abri a boca e a fechei logo em seguida. – Você é como se fosse minha filha.

- E quanto a vingar minha morte? Como devia estar fazendo agora pela de Zayn? – abri os braços.

- Ser consumida pela sede de sangue não faz parte da sua natureza, Camila. Ter toda esta revolta também não.

- E eu odeio isso por que faz parte de algo que sua filha me deu. – esmurrei a árvore. – Odeio tudo o que aconteceu desde que você me pediu para voltar.

 

****

 

        Após minha breve discussão ou monólogo por assim dizer com Michael, eu fui para o meu antigo quarto e me enfurnei lá por um tempo tentando pensar claramente e colocar toda minha frustração na pintura. Este era um hobby que eu tinha adquirido ao longo do tempo e o amava com esplendor, embora eu não o fizesse mais com frequência. Lá no fundo eu não tinha esperanças ou imaginava que Lauren manteria todas minhas ferramentas e obras intactas, mas ela os manteve exatamente do mesmo jeito e no mesmo lugar como eu deixei. Internamente eu agradeci por isso.

       Um tempo depois Chris apareceu em meu quarto enchendo-me de cócegas e cantadas fajutas assim dissipando juntamente com a pintura toda minha tensão. Ally logo após juntou-se a nós apenas para avisar que Michael desejava nos ver na sala de reuniões para passar as próximas coordenadas da caçada e cá estávamos quase todos esperando seu pronunciamento.

- Primeiro plantaram um corpo em nossa propriedade, mataram o Zayn e além de um temos dois desgarrados. Precisamos descobrir o porquê e por que agora estão nos atacando livremente. – começou a explicar. – A última vez que a matilha teve esse tipo de problema, eu estava com a idade de Christopher e meu pai ainda era alfa. Lembro-me nitidamente que nos últimos dias os desgarrados começaram a se impor e achar que tinham mais forças que a matilha nobre, mas pagaram feio em uma carnificina. Nós começávamos a caça-los do fundo da cadeia alimentar até chegar ao topo enquadrando-os um a um até que eles respeitassem as regras da matilha nobre.

- Então o plano é uma caçada aos desgarrados? – Chris perguntou.

- Chris, tem uma parte de mim que adoraria massacrar cada um deles sem dó ou piedade. – cerrou as mãos em punho com os olhos em chama de tanto ódio. – Podíamos ter evitado a morte de Zayn e isso só aconteceu por que eu fiquei tranquilo e isso não acontecerá mais.

- Pai, você não teve culpa. – justificou.

- Eu sou o alfa, é meu dever manter meu bando em segurança com toda minha proteção e dedicação. – praticamente rosnou.

- Nós perdemos um irmão por que subestimamos a ameaça. – Ally tentou acalmá-lo. – Todos nós pensamos que era qualquer coisa. Agora parece que estamos lidando com algo maior, mas não vamos deixar nosso sofrimento e o nosso desejo de vingança cegar a situação. A alcateia somos nós. – apontou para cada um ali. – E sim, você é o alfa, nosso líder, mas estamos nisso juntos.

- Ok. – respirou fundo.

- Como você quer executar? Começamos atacando todos os desgarrados? – perguntei.

- Ainda não, não conhecemos todos e não podemos arriscar outra perda. Pode não ser inteligente de nossa parte atacar às cegas. – explicou. – Eu enviei Mani e Dinah para cuidarem da perda de Zayn e falar com outras alcateias. Se essa atividade do desgarrado é somente direcionada ao meu bando, designa-se a me derrubar.

- Se for estaremos prontos para lidar com isso. – Ally complementou.

- Enquanto isso, nós temos que lidar com dois desgarrados. Primeiro precisamos identificar o da festa e descobrir quem o criou. Chris, você e Ally vão à pensão onde ele morava. Revirem tudo de cabeça para baixo e limpem tudo quando terminarem. – ordenou.

- Entendi.

- Eu devia discursar em uma conferência de psicologia hoje e amanhã. – Ally avisou.

- Consigo fazer isso sozinho. – Chris assentiu.

- Certo, mas seja cuidadoso. Todos vocês. – assentimos. – Pensávamos que a ameaça havia acabado quando o primeiro desgarrado morreu e Zayn pagou pelo nosso erro. – se aproximou. – Sabemos mais agora. – sentou na ponta da mesa. – Lauren, eu quero que você e Camila vão à cidade. Vejam como as pessoas estão e o que falam. Mais importante, vejam se sentem o odor do novo matador.

- Se ele estiver na cidade, nós o encontraremos. – avisei.

- E o quero vivo. Estamos entendidos? – assenti, mas não houve resposta de Lauren. – Lauren? – chamou rudemente atenção da mulher que parecia aérea. – Estamos entendidos?

- Ok. – disse finalmente.

- O que você tem? – tentei saber quando todos deixaram a sala. Ela estava estranha, completamente calada e aérea. Isso em partes me deixava preocupada. Lauren diferente de qualquer outra pessoa guarda todas suas frustrações o que desencadeava um desastre natural.

- Nada. – respondeu por fim.

- Quer conversar? – ela negou.

- Nunca fomos boas em conversar. – ajeitou a jaqueta.

- Talvez conversar seja a palavra errada. Lembro-me de trabalharmos nossas turbulências emocionais ficando na cama todo fim de semana quase que em silêncio apenas nos olhando. – mordi o canto do lábio inferior insegura sobre se deveria proceder com aquela conversa. Era tanta coisa entre nós que me sufocava. Ao mesmo tempo em que eu a queria longe meu coração ditava outra coisa.

- Isso era antes. – me olhou. – Agora tudo mudou. É o que você sempre faz questão de ditar.

- Lauren....

- O que você quer de mim? – manteve o tom frio. – Quer eu chore pelos cantos como você faz feito uma viúva desolada? Esse papel não me cabe.

- Não é isso que você está pensando. Ouça-me pelo menos. – tentei explicar.

- Sinceramente, Camila. Se eu pudesse nem estaria nessa caçada. Não que eu não tenha amor a minha matilha, mas sim por que eu não sou hipócrita. Zayn nunca gostou de mim e a recíproca sempre foi mais que verdadeira. – respirei fundo. – Eu vejo você e meu pai falando como se ele fosse à pessoa mais doce, honesta e maravilhosa do mundo, como se ele fosse seu namorado e filho perfeito que meu pai nunca teve. – falou pausadamente atingindo-me em cheio. – Eu nunca sequer tive tamanha compaixão da parte de Michael quem dirás Christopher e dou minha cara tapa que se fosse eu naquela emboscada você estaria feliz por ter se livrado de um problema. – riu sem humor. Eu tentei contestar, mas ela não permitiu. Lauren estava completamente enganada sobre tudo. – Não se engane Darling, eu não estou com ciúmes de um morto, essa é apenas uma constatação de que às vezes a morte é melhor que a agonia da vida. Eu não tenho sangue de barata para isso, Camila. Quantas e quantas vezes ele aprontou comigo deixando meu pai contra mim apenas para o seu bel prazer. Quantas e quantas vezes ele deixou claro o quanto queria o meu lugar, o meu titulo de alfa e o quanto queria você. Seria hipocrisia de minha parte dizer que eu sinto a perda dele por que eu não sinto nenhum pouco. Você o conhecia há três anos enquanto eu o conhecia de uma vida. Quando você chegou, ele já estava aqui me infernizando e me sufocando. Pare de chorar pelos cantos ou me ridicularizar desta forma e manter a sua revolta por que alguém matou seu querido e santinho Zayn – riu amargamente. – Estarei te esperando no carro, Cabello. – levantou-se. – Há já ia esquecendo, eu não o matei por que infelizmente não tive a oportunidade e sou apegada as regras da matilha, mas se você nunca acreditou em mim, então seria tolice da minha parte achar que acreditaria logo agora. – neguei veemente. – Meus pêsames viúva.

 

Três anos antes

 

I'm not tryna start a fire with this flame

But I'm worried that your heart might feel the same

And I have to be honest with you baby

Tell me if I'm wrong, and this is crazy

But I got you this rose

And I need to know

Will you let it die or let it grow?

 

Eu não estou tentando iniciar um incêndio com esta chama

Mas eu estou preocupado que o seu coração possa sentir o mesmo

E eu tenho que ser honesto com você, querida

Diga-me se eu estiver errado, e se isso é loucura

Mas eu tenho para você esta rosa

E eu preciso saber

Você vai deixá-la morrer ou deixá-la crescer?

 

        Eu nunca me senti tão angustiada ou temorosa em toda minha vida quanto naquele momento. Presenciar aquela cena onde minha namorada saiu às tapas, socos e chutes com um completo desconhecido ligou todos os meus alertas de perigo que soavam feitos loucos dentro do meu juízo. Eu temi ferozmente não por sua vida, mas também pela possível besteira e fatalidade que ela viria a cometer. Lauren agiu feito uma louca, descontrolada, impulsiva e lutadora de MMA completamente cega de ódio e eu nem quero pensar no pior ou no estado que ela deixou o homem. Para piorar toda situação assim que pisamos em meu apartamento eu surtei feito uma desequilibrada com Lauren, brigamos severamente e eu num impulso infantil acabei colocando-a para fora de casa o que me rendeu uma noite de choro copioso, lamúrias e em claro. Eu estava um caco sentimentalmente falando e se tentassem me juntar não daria um mosaico. Na verdade eu estava errada, muito errada mesmo e isso me causava um dor da consciência em escala mundial, fora que eu me arrependia amargamente por tudo aquilo, mas eu simplesmente não consegui me conter diante de toda carga e por ouvi-la murmurar diversas vezes seguidas que era capaz de matá-lo. Eu fiquei assustada ao vê-la tão diferente, tão fora de si e com sede de sangue.

- O que Lauren está fazendo sentada na porta do nosso apartamento feito uma mendigata? – Ariana depositou as chaves em cima do balcão e abriu a geladeira.

- Como? – perguntei um pouco atônita como se tivesse levado um soco na boca do estômago. Eu odiava quando brigávamos independente do que fosse. Parecia que minha dependência de Lauren era fora do comum deixando-me devastada.

- O que Lauren está fazendo sentada no chão próxima a porta do nosso apartamento feito uma neurótica com a cara quebrada? – arregalei os olhos ao que a ficha me caiu. – Foi você que fez aquele estrago? Eu a chamei para entrar ela disse que ia respeitar sua decisão e que te daria tempo. O que aconteceu? Eu não entendi bulhufas.

- Nós brigamos. – tentei conter a vontade de chorar que me atingiu.

- Conte-me uma novidade, isso é o que mais acontece. – minha amiga revirou os olhos. – Qual o motivo da vez?

- Nós fomos para uma balada e ela saiu na porrada com um homem desconhecido. – respirei fundo. – Ele tentou me agarrar à força e ela viu bem na hora. Daí os dois começaram a se atracar feito dois selvagens entre socos e pontapés que para separar deu trabalho. – enxuguei uma lágrima que rolou por meu rosto. – Quando chegamos aqui discutimos, por que ela insistiu em dizer que estava certa ao se arriscar daquela forma. Ele poderia estar armado e feri-la ou matá-la e ainda assim ela continuou na teimosia. Eu simplesmente perdi qualquer tipo de noção ou sanidade quando isso passou por minha cabeça e explodi. O pior de tudo é que ela ia matá-lo.

- Deixe-me ver se eu entendi. – parou o que estava fazendo e me encarou. – Lauren brigou com um homem por você e você a colocou para fora de casa ferida. – pela forma que ela falou soou como se eu fosse uma idiota e a pior megera do mundo. – Está faltando um segundo para eu perguntar qual é seu maldito problema. – respirou. – Qual é seu maldito problema, Karla? – gritou e eu me encolhi contra a cadeira recomeçando o choro.

- Ela ia matá-lo.

- Camila, você conhece muito bem o quão temperamental é sua namorada e isso nem me surpreende, mas matar alguém, assim eu não creio que ela seja capaz de fazer. – pegou uma xicara de café.

- Você não viu o que eu vi. Parecia que ela o conhecia e tinha sede de vingança. – expliquei. – Ela me deu medo, Ariana. Eu só...fiquei com medo.

- Eu acho que às vezes você é muito dura com Lauren. – neguei. – O tempo todo você quer puni-la ou policiá-la. Você não é mãe dela, Camila.

- Eu não estou punindo-a, Ariana, mas foi errado que ela fez.

- Errado para você, Camila. Para ela que viu a namorada sendo beijada a força, não. Você precisa começar a se colocar no lugar dela. – sentou-se a minha frente.

- Você não sabe de nada. – a cortei.

- Nem você. – riu sem humor. – Lauren sempre teve que ficar atrás de você desde o primeiro momento. Cuidado, uma hora ela cansa.

- Você está bêbada?

- Sim, enquanto você está sendo uma vadia.

- Ariana, pelo amor de Deus, me deixa em paz. – supliquei. – Eu não preciso de você para infernizar ainda mais meu juízo, ok?

- Para cima de mim, Camila? Sério? Eu te conheço, você é uma controladora nata. – se aproximou. – Sempre acha que a culpa é de todo mundo menos sua e se faz de vitima, mas nem sempre você é a certa, ok? – segurou em cada lado do meu rosto. – Você precisa perceber isso antes que seja tarde. Nem sempre você é o centro das atenções, wife e precisa ceder um pouco. Lauren errou, mas fez apenas para te proteger.

- Ok, você conseguiu o que queria. Eu estou me sentindo uma péssima pessoa e uma vadia. – enxuguei o rosto banhado em lágrimas.

- Essa era a intenção. – beijou minha testa. – Vá cuidar dela antes que alguma vizinha se sensibilize e o faça. – me empurrou e eu caminhei em direção à porta com o coração na mão.

       Eu me sentia uma das piores pessoas do mundo por nem sequer ter imaginado que ela ficaria na minha porta por quase a noite toda. Eu não merecia Lauren e aquilo me corroía por dentro. Que tipo de namorada miserável eu sou a ponto de fazê-la sofrer enquanto ela tentava a todo custo me proteger.

       Com uma lentidão insuportável eu abri a porta e não me contive quanto ao choro ao vê-la ali. Ela é uma mulher de trinta anos que sofre como uma adolescente e eu não percebia isso como uma tola.

       Seus olhos cansados denunciavam sua noite perdida e total desespero fazendo meu coração se despedaçar.

       Calmamente me abaixei e sentei-me ao seu lado.

- O que você faz aqui, hum? – alisei seu rosto. – Por que, meu amor?

- Eu não queria correr o risco de você fugir de mim. – beijou minha mão.

- Deus, Lauren. Eu não irei a lugar algum se não for contigo. – sentei-me em seu colo e ela abraçou meu corpo. – Você me assustou.

- Eu sei que sim, me desculpe. Eu não queria te assustar, eu só o odiei com todas as forças existentes em mim por querer te forçar a algo que você não queria. Vê-lo te pegando daquela forma me tirou o raciocínio.

- O que você tem na cabeça, hum? – apoiei a cabeça na sua. – Você está louca para sair aos socos com um homem desconhecido. Ele poderia estar armado ou qualquer outra coisa....- solucei. – Ele poderia ter te ferido ou matado, Lauren. Eu não posso te perder. Eu não posso te perder, Lion. Perdoa-me por ter brigado com você e te colocado para fora. Eu só não te reconheci. Aquela não era minha Lauren e sim uma pessoa totalmente desconhecida para mim. – beijei sua testa. – Seus olhos que são os meus preferidos em todo mundo não estavam tão amáveis ou puros e eu fiquei com medo. Eu precisava tirar esse sentimento ruim daqui de dentro. – apontei para meu coração.

- Eu sei, amor. Eu sei. – afagou minhas costas.

- Me perdoa. – pedi suplicante. – Eu amo você.

- Eu também te amo. – colou nossas testas. – Você não precisa me pedir perdão. – me deu um sorriso quebrado. – Eu sei quão mal você está se sentindo por tudo isso.

- Eu deixei você dormir aqui, Lauren. – voltei a chorar. – Eu não sabia que você ficaria aqui ou eu não deixaria. Eu juro, amor. Eu juro.

- Shii...está tudo bem. Eu prometo, minha pequena Jasmine. – beijou meus lábios. – Pare de chorar. Está me matando por dentro.

- Vamos entrar. – levantei de seu colo e a puxei pela mão. – Deixa-me cuidar de você. – abri a porta do apartamento e caminhamos para meu quarto. – Eu vou te dar banho e depois vamos dormir. Você está com os olhos fundos e cansados e eu odeio te ver assim. – liguei a banheira enquanto a despia por completo. – Quente? – perguntei enquanto retirava meu baby doll e ela sorriu de lado safada.

- Quente, amor. Muito quente. – me beijou.

- Tarada.

- Sua tarada. – me carregou.

- Minha tarada. – abracei seu pescoço e entramos na banheira. – Eu amo você. – afaguei seus cabelos negros em uma carícia terna enquanto ela alisava minhas costas e me apertava com possessão. – Que o mundo congele, mas eu amo você.

- Quando minha mãe faleceu. – começou a desabafar, mas parou por um instante como se tentasse controlar suas emoções ou buscar força para conseguir. – Quando minha mãe faleceu eu tinha apenas dez anos e Chris tinha cinco. Nós não fazíamos ideia do que estava acontecendo e eu tentava me convencer toda noite de que uma manhã eu acordaria e ela estaria lá, viva, doce e amável como eu costumava sentir, mas isso nunca aconteceu. – engoliu o choro.

- Babe...- colei nossas testas. – Eu estou aqui. Eu amo muito você. – Lauren tinha toda uma dificuldade para falar sobre seus sentimentos principalmente quando isso envolvia e se tratava de sua falecida mãe e sua relação conturbada com o pai.

- Depois do acontecido meu pai se afastou de nós completamente e simplesmente foi embora sem pensar duas vezes. – deixou uma lágrima cair e eu a enxuguei. – Nós éramos crianças e ele nos deixou para trás, ficou fora por dois anos ou talvez três importando-se apenas com sua própria dor e nada mais que isso.​ Lembro que Chris chorava tanto e não podia fazer nada por meu irmão a não ser cantar suas músicas favoritas. – sorri. – Mas aí meu pai voltou para me dar uma notícia que me deixou devastada e tudo piorou. Ele tinha a crença de que eu deveria ser alguém grande como ele e assim vieram as cobranças e eu preferia que não tivesse voltado, por que em seu retorno ele estava mais ausente e frio do que era. Infelizmente nós descobrimos que meu pai pode ser um bom pai para qualquer outra pessoa menos para mim e Chris e que os pecados do pai são os pecados do filho. Ás vezes as pessoas que mais queremos que estejam lá não estão.

- Eu sinto muito por tudo isso. Por tudo que você passou. Eu queria poder curar suas feridas. – beijei sua têmpora.

- Eu não posso te perder, Camila. Você é o melhor de mim e tudo que eu tenho de bom. Desculpe-me se não sei conter ou controlar minhas emoções. Desculpe-me se às vezes eu te arrebato por um vendaval de sensações, modos, confusões e loucuras. Eu sei que acabo te arrastando com todo meu caos, mas eu nunca vivi algo tão forte quanto isso, tão meu quanto isso e tão esplendoroso quanto isso. Eu estou de joelhos e permanecerei assim até que você não me queira mais. Cada pedaço do nosso relacionamento é tudo de melhor que eu tenho e eu não deixarei ninguém ou nada me tirar você. Eu te amo, meu amor, só não me deixa. Eu não sei se resistirei voltar para o inferno.

- Eu te amo por todas as suas formas, cores, curvas e sons.


Notas Finais




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