História Love Bite G!p - Capítulo 9


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Camren, Camren G!p, Lauren G!p, Norminah, Vercy
Exibições 587
Palavras 4.675
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hello my kids.

Como estão?
Vamos de mais um com um pouco mais de paz?
Capitulo sem flash, mas no próximo estoy de volta.
Bem, eu gostaria de verdade de agradecer a todos por todo amor, carinho e companheirismo.
Vocês têm me deixado imensamente feliz e realizada.
Obrigada, obrigada e obrigada por tudo.
All the Love.

Capítulo 9 - Mutt


9 – Mutt

 

 

 

Sitting in an empty room

Trying to forget the past

This was never meant to last

I wish it wasn't so

 

Sentando em um quarto vazio

Tentando esquecer o passado

Isso nunca foi feito para durar

Eu queria que não fosse assim

 

 

 

Lauren Jauregui

 

        Eu sempre soube que na primeira vez que eu encontrasse o amor ou que ele me encontrasse em determinado momento da minha vida, o mesmo estaria de uma forma ou de outra, fadado ao fracasso ou que no mínimo passaria por um turbilhão de derrocadas e turbulências. Não que eu tenha entrado em um relacionamento pensando no pior ou esperando pelo seu fim bem antes de ter começado. A verdade é que tudo isso acontece pelo tipo de pessoa que eu sou, era ou serei. Eu sempre soube que nem todo mundo teria peito de ferro para suportar uma Lauren perdida na vida e com um caminhão de fantasmas.

       Eu tenho muita bagagem para ser suportada e um turbilhão de mentiras para serem contadas e isso incluía meu lado animal. A primeira coisa que eu ouvi de meu pai quando me transformei foi que toda nossa existência depende de mentirmos para os humanos e, às vezes precisamos esconder coisas de nós mesmos para que assim pudéssemos nem que seja por um momento na vida ter paz de espírito. Seria ingênuo de minha parte chegar a crer que seria aceita ou compreendida contendo diversas facetas.

       Não, em nenhum momento eu menti ou forjei meus sentimentos para com Camila. Nunca, nem por um milésimo de segundo ou uma sequer vez. Do começo ao fim foi verdadeiro, uno, puro e tudo para mim. Eu me doei cem por cento e a amei com toda a minha vida e forças existentes como nunca fui capaz de amar outro alguém. Camila sempre foi tudo para mim, a única que transformou-me em um ser melhor e a que trouxe toda paz de espirito que eu sempre busquei até chegarmos ao fim. Eu juro que planejei e pleiteei um para sempre para nós e quis tê-la em meus braços até o fim das nossas vidas, mas o destino me derrubou.

        Eu aprendi que o amor às vezes não é bastante e se você amar de uma forma torta, cheia de buracos ou estradas sem saídas. O amor às vezes não é o bastante quando você erra, quando você cai ou constrói paraísos duvidosos em cima de ruínas. Eu aprendi que não existe nada no mundo que consiga diminuir a bola de neve de uma mentira mal contada, de verdade omitida e o fim premeditado.

           Meu problema sempre foi achar que eu poderia me apaixonar por alguém e isso se tornar algo bom ou que eu tenho o direito de ser feliz. Eu sou uma pessoa quebrada, sem conserto ou direitos. Eu venho de um universo muito diferente onde dois e dois são quatro e nada mais que isso. É raro uma concessão ou quebra de sigilo. Às vezes me encontro pensando sobre se eu pudesse voltar no tempo o que eu faria com tantas questões mal resolvidas, mas é aquele ditado cheio de e se e falta do poder de voltar ao tempo.

        Um dia eu assisti a um filme com Camila que me fez refleti sobre a vida e nossas escolhas. Lembro-me que o nome do filme era About Time e contava a história de Tim um garoto do interior da Inglaterra, pronto para se aventurar em Londres, quando seu pai o comunica que eles têm o poder de viajar no tempo. Muito sábio, o pai o orienta a não usar sua habilidade para ganhar dinheiro, e nem para fazer grandes reviravoltas, e sim apenas encarar como uma oportunidade de fazer de cada dia sua segunda chance.

       Lembro-me também que eu comecei a grifar algumas coisas em minha mente por que eram tão importantes no dia a dia que me fez enxergar tais coisas com outros olhos. As lições que eu aprendi foram: 1- Nenhuma viagem no tempo faz alguém amar você. 2- Correr atrás do que realmente quer. 3- Algumas coisas simplesmente não são para acontecer. 4- Algumas pessoas aprendem apenas com os próprios erros. 5- A dor da perda não deve controlar-nos. 6- Viver intensamente cada dia como se fosse o último. 7- Não podemos mudar o passado, mas podemos semear um futuro melhor. O último e não mesmo importante: 8- A vida é feita escolhas.

       Sim meus caros a vida é feita de escolhas, certo ou errado, bem ou mau, ir ou não, se arriscar ou não, direita ou esquerda e por ai vai um infinito de opções. Eu tenho pensado muito sobre isso ultimamente, não sei se é a velhice ou os últimos acontecimentos, eu só sei que tenho visto e sentido que cada escolha certa ou errada minha e das pessoas a minha volta geraram consequências de proporções incalculáveis. Na verdade isso sempre gerou e aconteceu só que eu costumava a viver em minha cave sem enxergar o mundo.

       E se eu tivesse contado a verdade? E se eu não a tivesse mordido? E se ela tivesse aceitado? E se eu pudesse ter um gostinho de tê-la para mim novamente?

       E se, e se, e se. Nunca saberei por que infelizmente não podemos voltar no tempo ou prever o futuro, então só nos resta lamentar e arcar com as consequências dos nossos atos e escolhas. Sabe qual é o melhor da mentira? É tem perna curta e sabe o que é o melhor sobre a verdade? Uma hora ela sempre aparece. Não importa se for nua e crua o que importa é que ela sempre aparece e eu não tive como retardá-la ou escondê-la embaixo de um tapete.

- Eu não gosto quando você me olha assim. – ditou Camila arrombando as portas dos meus pensamentos.

- Assim como? – perguntei de cenho franzino sem tampouco entender ou me situar.

- Como se tentasse me ler, me invadir, me sugar a alma ou como se estivesse pensando em nós do mesmo jeito que costumava fazer quando estávamos juntas. Você sempre trocava de olhar quando pensava em nós. Às vezes tinha o orgulhoso, o amoroso, o temeroso, o nostálgico e esse brilhoso que indica um filme do começo ao fim do nosso relacionamento. – sua voz pela primeira vez não estava irritada ou crua. Ela parecia um tanto quanto incomodada ou tocada. Eu me perguntava como uma única mulher conseguia me sacudir completamente. Ela tinha um poder sobre mim como se eu fosse uma criança e ela a dona do mundo.

- Desculpe-me, não tive a intenção. – desviei os olhos das suas avelãs e voltei toda minha atenção para as pessoas a nossa frente tentando a todo custo excluí-la por um momento dos meus pensamentos.

        Com uma xícara de café preto e quase sem açúcar em mãos, eu observava toda movimentação do restaurante minuciosamente enquanto Camila comia um enorme sanduíche de frango e queijo quente ao meu lado feito uma condena que passou anos com fome. Eu tentava não rir daquela cena cômica e frustrante onde ela tentava com muito custo pegar todo pão e levar a boca de uma só vez com suas mãos pequeninas. Quando suas tentativas se tornavam falhas, por vezes ela resmungava e utilizava os talheres como uma dama.

         Lembro-me tanto das vezes que ela me podava como se eu fosse uma erva daninha para que não agisse como uma selvagem sem educação e neste exato momento agia perfeitamente como tal. Que bela Lady. Ri internamente.

       O café/restaurante onde estávamos era um dos mais agitados relativamente da pequena Bary Valley e isso nos dava um tanto de facilidade e precisão no ato de procura de informações e boatos que rondavam. Cidade pequena era boa por isso, todos sempre comentavam as mesmas coisas e o assunto demorava mais de desaparecer.

- Sua audição parece ser bem mais aguçada que a minha. – elogiei ao vê-la parar de mastigar e se concentrar para ouvir a conversa de um grupo de garotas que entravam no estabelecimento entre murmúrios incrédulos e preocupações.

- Tudo meu é melhor que o seu, isso você tem que admitir. – se gabou fazendo-me franzir o cenho. Que chata. Ela deveria me agradecer, pelo menos herdou muita coisa boa de mim. – Agora cala a boca, eu preciso ouvir o que tanto cochicham.

- De nada, alteza. – revirei os olhos acionando minha audição disfarçadamente tentando não dar na telha que estávamos bisbilhotando a conversa alheia.

- É difícil acreditar que esses garotos estão mortos por um lobo furioso. – uma morena na faixa dos seus vinte anos ou mais comentou enquanto sentava-se a mesa onde uma já aguardava. – É tão aleatório e surreal. Como se fosse algum tipo de boato ou conto inventado daquelas cidades de fim do mundo. Oh, eu esqueço. Estamos no fim do mundo mesmo.

- Eles eram da nossa idade. – uma das amigas informou e abriu o cardápio rolando os olhos preguiçosos pelas opções.

- Um deles estudou em Buffalo com meu primo John. – deslizou os dedos pelos cabelos ajeitando a franja olhando-se na tela do celular. – Era drogado e vivia em raves. John contou-me que neste dia qual teve o ataque na balada ele foi convidado para ir, mas desistiu de última hora ao ver quão fubango era o local. Graças a Deus ele não foi ou neste momento eu estaria gastando minha beleza em um enterro com parentes que nunca vi. – negaram com a cabeça.

- Essa coisa toda é tão deprimente. Tenho até medo de andar pela cidade sozinha à noite e acabar sendo atacada por um lobisomem ou vampiro. Só espero que sejam gatos e quentes o bastante para me darem uma bela noite de sexo. – riram escandalosamente atraindo atenção das pessoas presentes. – Mas falando sério agora, este é problema de quase morar no interior. Essas coisas tendem a acontecer como se fosse algo normal. 

- Não vejo a hora de sair daqui. – tamborinou a mesa com os dedos enquanto as outras concordavam veementes.

- A mulher de olhos verdes que está sentada no balcão é tão gostosa. – mudaram de assunto repentinamente assim que seus olhos caíram sobre mim e Camila bufou impaciente.

       Tão ciumenta e livro aberto que demonstrava seus desgostos como o ato de respirar.

- Eu a conheço de algum lugar. – a que até então não tinha se pronunciado comentou.

- Sempre esqueço que você é bi. – debochou. – Mas acho que ela é casada com a de traços latinos. – apontou discretamente para Camila que revirou os olhos.

- Ela está usando aliança sim, mas a outra não. – pontuou. – Então a probabilidade de serem casadas é quase nula, mas do jeito que estão afastadas pode indicar um lance. Aprendam a ler expressões corporais. O máximo que pode estar acontecendo, é estarem fodendo loucamente.

- Eu daria para ela sem problema algum. – senti seus olhos me queimarem e um sorriso discreto surgiu em meus lábios.

- Ela é tão sexy e madura. Deve fazer loucuras na cama. – senti meu ego inflar. – Deus, eu sinto até um calor anormal me consumir.

- Contenha-se. – uma terceira que se mantinha calada se manifestou e eu ri levemente.

- Agora eu sei por que você sempre ria quando passávamos por um grupo de garotas tanto na rua quanto na faculdade. – Camila me encarou severamente. – Você podia ouvir tudo o que elas falavam, todas as putarias e se fazia de santa. Santa puta. eu tenho tanto ódio de você.

- Eu ria das loucuras que ouvia. – tentei justificar. – Por que estamos falando disso mesmo? Eu também ouvia tudo o que falavam sobre você, então não comece.

- Idiota. - resmungou.

- Doutora Jauregui. Isso soa tão sexy. – uma voz conhecida por mim desviou atenção e eu me deparei com uma antiga conhecida da época de faculdade. Era quarta ou quinta vez que eu encontrava Shay Mitchell naquela semana e eu já estava sem graça pela situação. Todas às vezes eu recebi propostas indecentes de sexo através de mensagens enigmáticas e distorcidas e tive que fingir não estar entendendo bulhufas. Por isso que Dinah dizia que as mulheres estavam loucas para me dar e eu raramente captava os recados. – A que devo a honra da sua ilustríssima e honorável presença em meu café?

- Shay. – ri sem mostrar os dentes e ela me encarou de cima a baixo quando levantei-me para cumprimentá-la. Incrivelmente aquela mulher me intimidava de um jeito vergonhoso talvez por consequência de suas investidas descaradas e diretas.

- Que bom te ver aqui. – me abraçou apertado.

- Como está? – desvencilhei-me de seus braços.

- Bem melhor agora. – cocei a nuca desconfortável. De um lado eu a tinha me olhando sem filtros ou pudor e do outro eu tinha Camila que praticamente me olhava como se fosse me arrancar à garganta a qualquer momento. – Esta é Camila Cabello. – apresentei. – Camila, esta é Shay Mitchell uma conhecida da época de faculdade.

- Prazer Camila. – a mulher sorriu amigável, mas foi ignorada. – Lauren, você se importa de ir um momento comigo em meu escritório? Preciso falar com você. – olhei para Camila que não tinha expressão alguma, nem me deixava decifrar seus sentimentos quanto aquilo. Nós não tínhamos mais nada, mas a princípio eu estava na sua companhia e seria indelicadeza da minha parte deixá-la sozinha.

- À vontade, Jauregui. – soou com rispidez e eu segui os passos de Shay para onde quer que ela fosse. – Tão seu estilo, Lauren. Você ama uma morena peituda. Ela está tão louca para te dar como uma vadia a procura de um pau quase virgem. Cuidado para não gozar antes da hora. – sua voz sussurrada e irônica soou em meu cérebro quando peguei distância. – Que piranha. – tentei manter-me quieta enquanto ela parecia entrar ou gritar em meu juízo. Camila só poderia estar com um perturbado no coro. – O decote dela está tão V que bate no V de vagina. – me engasguei com ar quase sufocando.  

- Meu Deus, Lauren. Está tudo bem? – Shay me encarou preocupada. – Você está vermelha.

- Tudo bem sim. Eu só me engasguei com o ar. – dei meu melhor sorriso. – Você disse que precisava de mim. Houve algo?

- Nada com que deva se preocupar. – encheu o copo de uísque oferecendo-me, mas eu neguei e ela bebericou. – Sabe, eu estava pensando em você essa semana toda. – franzi o cenho e cruzei os braços. – Muita coincidência não acha? Temos nos encontrando quase o tempo todo e isso é maravilhoso. – assenti ainda sem entender. – Ouvi boatos que você está solteira.

- Ah sim. – tentei dar uma de desentendida.

- Ash e eu vivemos pensando em você lembrando a época da faculdade. – se aproximou sussurrando. Até onde eu lembro Shay e Ashley tinham um rolo mal resolvido que acabou em um namoro mais mal resolvido ainda. – Você continua a mesma Lauren de sempre. Sexy, linda, astuta, selvagem, forte e gostosa. Tão gostosa que me dá água na boca. – deslizou o dedo sobre meu rosto fazendo-me engolir a seco. – Quem sabe não marcarmos algo, só a gente, como nos velhos tempos? – os velhos tempos significavam um ménage à trois com Buttahbenzo. Uma bela de uma trepada com Buttahbenzo. Na época da faculdade surgiu Buttahbenzo, a junção dos nomes de Shay e Ashley. As mais belas, populares e delirantes garotas quais faziam homens e mulheres se arrastarem aos seus pés. – Lembro-me do quão gostoso era. Do quão gostoso você fazia. – meu pau tentou dar sinal de vida, mas eu o controlei. Tenho que dizer que quando eu era mais nova aprontei muito e muito mesmo, principalmente quando isso envolvia sexo sem compromisso. Participar de um ménage estava no topo minha lista de coisas que eu gostaria de fazer na vida e isso se realizou graças a Shay. A experiência de ver duas mulheres se chupando na minha frente não tinha preço e quando se tratava de duas mulheres gostosas me chupando ai que não tinha preço mesmo. Se eu não sou a filha da mãe mais sortuda do mundo, eu não sei quem eu sou.

- Quem sabe numa próxima. – resgatei forças do além para negar aquilo e com dor no coração o fiz. – Eu meio que tenho estado ocupada com alguns problemas familiares. – arregona. Praguejei-me mentalmente. – Tanto que já estou atrasada para ir embora. – ela mordeu severamente o lábio inferior.

- Que pena, bebê. – sussurrou em meu ouvido. – Caso mude de ideia é só me procurar ou me ligar que iremos ao seu encontro. – depositou o cartão dentro da minha calça logo onde um senhor alguém queria sair para brincar. – Foi muito bom te ver, Lolo. – beijou o canto da minha boca e seguiu em direção à porta para abri-la.

- Foi bom te ver também, Shay. – passei por ela com o coração na mão indo de volta ao balcão onde uma Camila carrancuda me esperava.

- Você deveria me deixar e ir participar do seu ménage a três vagabundas. – debochou ao que eu me aproximei.

- Que feio ouvir as conversas dos outros, Cabello. – sentei-me ao seu lado.

- Não me testa, Lauren. – cerrou as mãos em punho. – Eu não estou brincando.

- Ou o que? Até onde eu lembro não temos mais nada. Você está com ciúmes? – ela minuciosamente olhou ao redor e deixou as unhas de loba de fora para fincá-las contra minha coxa enquanto me sorria perversa como se nada estivesse acontecendo.

- Eu posso arrancar a garganta dela no dente se você ousar duvidar de mim. – cravou mais as unhas. – Você não sabe do que eu sou capaz quando alguma vadia quer se aparecer mais que eu.

- Camila.... – murmurei quase sem ar.  – Camila. – rosnei pela dor infernal.

- Você já acabou com seu café? Não estamos conseguindo nada aqui e eu odiei esse lugar. – sussurrou retirando as unhas e eu fechei os olhos com força.

- Você é o diabo. – alisei o local dolorido.

- Pensei que você sempre soubesse disso, Darling. Provoque-me de novo e a próxima será as suas bolas, aí eu quero ver você ter pau duro para participar do ménage. – trincou a mandíbula. – Combine suas putarias longe de mim. – eu ia retrucar, mas minha fala foi interrompida por a entrada de uma pessoa conhecida.

- Meninos. – era um dos caçadores que apareceram no dia que o garoto foi encontrado em nossa propriedade. Ele parecia preocupado com algo quando se sentou ao lado de outros dois. – Nenhuma notícia do Braxton ainda. Já rodei a cidade toda e nada. – se queixou.

- Provavelmente ainda está bêbado. – um de touca laranja comentou debochadamente. – Ali bebe feito um condenado. Deve ter entrado em coma alcoólico.

- Não, ele disse que ia a mansão dos Jauregui, procurar seu cachorro e lidar com a primogênita. Eles que discutiram no dia que achamos o  garoto. Braxton meio que ficou enraivado por isso. Tem alguma coisa errada ai. – balançou a cabeça. Era só que me faltava. Já não bastava todo caos agora eu ainda tenho que suportar este infeliz espalhando por aí que tem contas a acertar comigo.

- Ela está bem ali, por que não vai perguntar e tirar satisfações? – apontou com a cabeça em nossa direção e eu fiz sinal para Camila indicando que deixássemos o local e evitar alguma possível confusão.

- Acho que vou. – caminhou para onde estávamos e nos interceptou.

- Vamos embora. – ditei assim que ele se pôs a minha frente

- Lembra-se do meu amigo Michael Braxton? – cruzou os braços. – Aquele que você acertou com o cabo da arma há alguns dias?

- O homem que não controla sua arma, nem sue cachorro. O que tem ele? – imitei sua postura.

- Ele está desaparecido. Pensei que soubesse de alguma coisa. – ri sem humor. – Eu contei alguma piada? Você está achando isso engraçado?

- Por que saberíamos de algo sobre o seu amigo? – Camila se envolveu.

- Não sei. Na noite passada ele disse que iria a sua casa resolver algumas coisas e até agora não apareceu. – trocou o olhar entre a gente.

- Então você está dizendo que ele foi para mansão resolver não sei que infernos e o que? – perguntou intimidante.

- Eu não sei por isso estamos perguntando. – trocou o peso do joelho.

- Eu não o vi, mas quando ele aparecer avise que ficarei feliz em resolver as coisas que ele tanto diz que temos pendente. – aproximei-me. – Eu não sei por que ele anda espalhando coisas por ai, mas acho bom parar. – avisei.

- Lauren, vamos. – Camila me puxou.

- Não, não terminamos ainda. – ia me segurar, mas bati em sua mão com força para que ele não me tocasse com aquela mão imunda.

- Terminamos sim. – bati o ombro no seu antes de sair do local.

- Temos uma cidade cheia de pessoas com raiva e suspeitas sobre nos e agora Braxton está desaparecido. – comentou enquanto caminhávamos.  – Isso simplesmente fará com que as coisas peguem  fogo por aqui. O desgarrado bagunçou muita coisa por aqui e não é pouco.

- Mais uma razão para encontrá-lo e acabar com isso.  

- E cuidado como você age. A última coisa que precisamos é de você entrando em uma briga com moradores  por causa de boatos. – me advertiu em seu tom mandão.

- Posso lidar com isso sem bater em ninguém. – retruquei. Bem, que eu sou problemática e a maioria das coisas eu faço questão de resolver na porrada, mas estávamos lidando com uma outra situação ali.

- É bom sabe que você cresceu desde que fui embora. – bateu em meu ombro.

- Tão engraçada. – rolei os olhos e ela parou por um instante como se estivesse farejando algo. – Conseguiu algo?

- Está fraco. – olhou ao redor certificando-se. Era fato, Camila é de longe a melhor rastreadora da matilha. – Por aqui. – apontou a sua esquerda. – Ele está  em um desses motéis.

 

****

 

- Ele estava por aqui. – informou assim chegamos ao térreo de um dos motéis da cidade. – Se for inteligente vai preferir o térreo, mas estou contando com a burrice.

- Então segundo andar. – lhe dei cobertura e subimos as escadas. – Aqui? – perguntei chegando ao quarto onde o cheiro exalava.

- Sim. – disfarçadamente rodei a fechadura usando um pouco de força para quebrá-la.

        Enquanto Camila fuçava as gavetas de roupas,  eu mexia nas bolsas de utensílios no banheiro. Qualquer coisa que encontrássemos já serviria de algo ou pista.

- Este cara não é nem um pouco esperto. – peguei o desodorante na prateleira.  – Desodorante acaba com os sensores olfativos. Erro estupido de desgarrado.

- Achei algo. – juntei-me a ela assim que retirou um álbum debaixo da cama.  – Aqui está outro erro estupido.

- Ele mantém um álbum e ainda o deixa a toa. – começou a folhear as páginas repletas recortes de jornais estilo noticiário e relatos de mortes e recordações.

- Uma mulher em Dayton, o assassino nunca fora encontrado. – paginou  pacientemente. – Uma enfermeira em Miller. Uma estudante em Cleveland. São mulheres, todas torturadas e mortas. – entramos em uma troca de olhar significativa. Estávamos lidando com algo muito além do que chegamos  a imaginar. – Olha isso. – mostrou-me um colar.

- Troféu de caçador. – informei.

- Primeiro o desgarrado da festa agora isso. – respirou fundo. – Alguém está transformando psicopatas em lobisomens, Lauren.

- E deixando-os soltos entre nós. – um ruído de carro desgovernado chamou nossa atenção e levantamos para olhar pela janela. Havia um homem de óculos de grau e blusa xadrez próximo ao veículo como se estivesse sendo encurralado.

- Zachary Cain. – Camila murmurou incrédula. Quando o homem bem conhecido por nós saiu do carro e começou a falar com o outro.

- Algo não está certo. – me distanciei. – Ele não é esperto para fazer um plano sozinho, mesmo algo distorcido assim.

- O de óculos deve ser o desgarrado que matou Zayn. – retirou o celular do bolso para tirar foto dos dois. – As coisas ficaram mais complicadas. –  me aproximei. – Karl Marsten. – franziu o cenho e me olhou. – Desde quando os desgarrados trabalham juntos?

- Desde nunca. – eles pareciam discutir algo enquanto caminhavam para as escadas. – Temos que ir eles estão vindo para cá. – avisei e arrombei a porta que fazia divisão entre um quarto e outro.

- Tenho que pegar o álbum. - voltou para pegá-lo e borrifou o desodorante pelo quarto tentando eliminar nosso cheiro.  – Vem. – me chamou para nos escondermos e no segundo seguinte a porta do outro quarto foi batida.

- Droga. Esse é seu desodorante? – ouvimos a voz de Karl. – Imbecil. Tão principiante.

- Imbecil. – Zachary replicou como um papagaio de pirata.

- Lauren Jauregui e.... Karl respirou fundo como se tentasse sentir nosso cheiro eliminando aroma do desodorante. – Camila Cabello. – murmurou pasmo. – Intoxicante e único esse cheiro. Eu pensei que ela tinha deixado à matilha. Que ingênuo da minha parte. – fiz sinal para Camila e deixamos o quarto sorrateiramente pulando para o térreo. – Veja se as encontra, Cain. – ordenou.

- Eu não consigo sentir outro cheiro além desse desodorante fedido. – Zachary reclamou  abrindo porta e andando pela varando talvez tentando farejar algo.

- Você é um idiota por pegar um quarto aqui. – Marsten ditou raivoso.  – Foi dito para juntar-se a nós no armazém. Qual a dificuldade de compreensão?

- Eu preciso do meu espaço. – o desgarrado rebateu.

- Coitadinho, ele precisa de espaço. – caçoou. – Deixe-me ser bastante claro, Thomas Leblanc. – foi possível sentir Cain pegá-lo pelo pescoço. – Nós te criamos. Você nos pertence. Você faz o que nós mandamos. Ou você deseja se juntar aos outros mortos?

- Lógico que não. – seu corpo caiu contra o chão assim que Cain o soltou.

- Então encontre-nos no galpão dois até o amanhecer. Não queira pagar para ver.

 

 

****

 

- Achei isso na casa do desgarrado morto. – Chris jogou um par de sapatos azul em cima da mesa. – Modelo de prisão. – estávamos eu, Chris, Camila e meu pai no porão reunindo todas as informações das últimas buscas e montando um mapa.

- Como sabe? – perguntei.

- Está estampado dentro "Instituição Hixson" – explicou.

- É um modelo de prisão um tanto quanto sofisticada. – meu pai informou.

- O que indica que ele fugiu da prisão. – Camila falou.

- Foi isso que eu descobri.

- Por que manter os sapatos? – perguntei mais uma vez.

- Ele é um colecionador. – meu pai deu a volta na mesa enquanto espalhava as evidências. – Os sapatos são troféus de sua escapada. Seu triunfo sobre o sistema penal. – organizou três fotos. – Esses são os três homens que fugiram de Hixson três meses atrás.

- É ele, o cara da festa. – Camila pegou uma das fotos indicando.

- Scott Brandon. Estava em prisão perpétua por séries de estupros e assassinatos em 2009. – abriu a tela do computador.

- Marsten e Cain estão transformando psicopatas em lobisomens. – Chris ditou. – Isso não faz sentido. Cain não é esperto o suficiente para fazer sua matilha e Marsten é muito solitário.

- Talvez era, mas ele não está mais sozinho. – organizei as fotos dos três.

- Marsten dizia algo sobre um armazém, o que significa que estão planejando algo. – Camila pegou o mapa.

- Primeiro convertem novos desgarrados, depois chamam atenção para nós para restringir nossos movimentos em seguida nos ataca diretamente assassinando o Zayn. – Meu pai listou num quadro.

- Não estamos lidando com desgarrados normais aqui, esses são assassinos frios. Se nos destruírem será o caos. Fazer um exército de lobisomens já é ruim, mas recrutar Seriais Killers. Eles estão vindo com tudo. – avisei enquanto prendia os cabelos em um coque frouxo. – Sem a gente para reforçar as leis, vão fazer o que quiserem.

- Depois disso seriamos revelado ao mundo e os homens fariam o que fazem de melhor: Guerra. – Michael tamborinou a mesa. – E não pararia até que um lado ou outro estivesse completamente dizimado.

- Não podemos permitir isso. – Camila falou. – Com a frequência que desovam os corpos aqui não devem estar longe. Devemos procurar entre aqui e Syracure.

- Só há uma maneira de acabar com eles. Matando eles.  Está pronta para isso? – perguntei a Camila.

- Se realmente for preciso. – olhou dentro dos meus olhos.

- Precisamos ser estratégicos. – assentimos. – Ally me ligou. Daniel Santos foi atrás dela em seu consultório e deseja falar conosco. 



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