História Love By Chance - Second Season - Capítulo 45


Escrita por: ~

Postado
Categorias Pollo
Personagens Adriel de Menezes, DJ Kalfani
Tags Drogas, Obsessão, Pollo, Pollover, Prazer, Romance, Violencia
Visualizações 17
Palavras 3.566
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 45 - Amizade


Fanfic / Fanfiction Love By Chance - Second Season - Capítulo 45 - Amizade

 

P.O.V. Caíque

 

Passei a manhã toda arrumando umas coisas aqui em casa. Eu realmente estava adiando uma enorme faxina.

Na hora do almoço resolvi fazer strogonoff de frango, e decidi que ia chamar a Clara assim que ela saísse da escola, mas para minha surpresa, ela apareceu sem eu precisar chamar.

 

   — Caíque? — Ela me chamou da sala e fui até lá secando as mãos.

 

   — Oi. — Ela sorriu enquanto trancava a porta. — Eu ia te ligar.

 

   — Poupei seu tempo. — A Clara colocou a mochila no sofá e veio até mim. — Me diz que você tá fazendo comida, porque eu tô morrendo de fome.

 

   — Seu prato preferido: strogonoff de frango.

 

   — Ah meu Deus! — Ela apertou minhas bochechas e me beijou. — Você não existe. — Dai ela me beijou de novo, e ficamos assim até o Toby tentar subir na gente e eu lembrar da panela no fogo.

 

   — Acho melhor a gente parar senão não vai ter comida.

 

   — Tá bom. — Ela pegou o Toby no colo, me seguiu até a cozinha e se sentou na mesa enquanto eu terminava o strogonoff.

 

   — Como foi o dia hoje?

 

   — Foi tão cansativo... a gente tá no final do bimestre, então ultimamente só tô tendo prova, trabalho, lição e mais lição. — Olhei para ela que estava com a cabeça encostada na mesa e o cachorro tava tentando chamar a atenção dela.

 

   — Ninguém mandou repetir.

 

   — Valeu hein! — Eu dei risada. — E o seu?

 

   — Nada de importante, só fiquei limpando sua bagunça.

 

   — Minha bagunça? Que absurdo! Eu nem moro aqui.

 

   — Quem desarruma as roupas quando tá procurando uma específica é você.

 

   — E o seu lado do guarda-roupa é bem arrumadinho, né? 

 

   — Claro que é.

 

   — Olha que cara de pau! — Nós demos risadas.

 

A gente namora a menos de um mês, mas parece que já faz anos. Não sei se é porque ficamos bastante tempo nessa história de amizade colorida, ou se é a nossa afinidade mesmo. Talvez seja um pouco dos dois.

Durante o almoço ela ficou dizendo o quanto eu cozinhava bem, e eu me senti muito lisonjeado.

Depois disso, nós fomos para a sala.

 

   — Eu preciso resolver umas coisas à respeito dos próximos shows, você se importa?

 

   — Claro que não amor. — Peguei o notebook e sentei ao lado dela no sofá.

 

   — Vou aproveitar e fazer minha lição.

 

   — Tá bom. — O Toby pulou nela.

 

   — Você vai me ajudar neném? — Ela passou a mão na cabeça dele e o mesmo ficou bastante agitado.

 

A Clara abriu a mochila e pegou dois cadernos, um lápis e colocou o óculos. Ela nem imagina o quanto fica linda com ele.

 

   — O que foi? — Percebi que estava olhando muito para ela.

 

   — Nada. — Dei um beijinho nela e comecei meu trabalho.

 

Enquanto eu digitava uns e-mails, ela começou a xingar a si mesma por não conseguir entender a lição de casa.

 

   — Eu nunca vou conseguir fazer isso. Matemática não é pra mim.

 

   — Deixa eu ver. — Ela me entregou o caderno. Era um exercício sobre polinômios. — Nossa amor, isso é muito fácil.

 

   — Não é não. — Peguei o lápis da mão dela.

 

   — É só substituir o x por um número real. Olha, esse daqui tá dizendo que para x é igual a 3, então você vai colocar p(3) = 2 * (3)³ + 5 * (3)² – 6 * 3 – 10. — Escrevi no caderno com minha letra horrível. — Aí você faz a conta. É só começar pela multiplicação e depois somar os valores. Esse por exemplo vai dar 92.

 

   — Faz aí. — E então eu fiz a conta toda. — Nossa, como você é inteligente. Não quer fazer as outras também?

 

   — Que sem vergonha você hein. — Ela riu.

 

   — Ok, acho que entendi. — Ela pegou o caderno de volta.

 

   — Faz a letra b.

 

Ela conseguiu fazer com minha ajuda, e na letra d ela nem tava mais perguntando. Essa aprende rápido.

 

   — Vê se tá certo, professor.

 

   — Tá certinho. — Falei conferindo as respostas. 

 

   — Agora deixa eu tentar fazer a última.

 

   — Por que você não fez essas? — Eram questões de escrever, e não de fazer conta.

 

   — Ah, foi porque eu faltei. Tirei xerox do caderno da Sam, vê se você acha aqui. — Ela me entregou um outro caderno.

 

Folheei o mesmo e achei a xerox. Entreguei à ela e continuei folheando o caderno sem ela perceber.

Tinha umas letras de músicas escrito nele, e a maioria estava inacabada. O final do caderno parecia ser uma parte diferente. Eram textos, cada um sobre um determinado assunto. Em algumas folhas ela falava sobre saudade, outras sobre amor, amizade... a última estava escrito o meu nome no topo, e eu fiquei muito curioso pra saber o que ela tinha escrito sobre mim. 

 

   — Ei, não é pra você ver isso! — Ela puxou o caderno da minha mão.

 

   — Ah não, tá meu nome, eu quero ler.

 

   — Justamente porque tá seu nome que não é pra você ler, enxerido.

 

   — O que é isso?

 

   — Não é nada. — Ela ficou com as bochechas vermelhas.

 

   — Você tá com vergonha? Deixa eu ver vai.

 

   — Não Caíque, ninguém lê isso, é proibido.

 

   — Por favor amor? — Fiz bico e ela semicerrou os olhos. — Eu vou te encher o saco até você me deixar ver. Você me conhece e sabe que não vou esquecer disso tão cedo.

 

   — Tá bom. — Ela bufou. — Só não ri da minha cara.

 

   — Não vou rir, prometo. — Ela me entregou com a maior luta do mundo, e fui até a última página.

 

Para: Caíque;

 

Se você me perguntar o que me faz gostar de você, eu não vou saber responder. Posso até arriscar alguma coisa, elogiando o seu sorriso ou dizendo o quanto gosto desse seu jeito, mas ainda seria pouco. Eu posso continuar arriscando, dizendo que foram as suas mensagens repentinas, ou as demonstrações de carinho e cuidado que você me deu, mesmo quando eu não merecia. Posso, também, dizer que foram as madrugadas que passamos conversando, coisas importantes e outras nem tanto, e que de tanto ficarmos juntos, acabei pegando algumas manias suas. Posso dizer que foram as vezes que você me chamou para perto e disse que eu não precisava ter medo de nada; ou que foram seus elogios, sua atenção e paciência, quando tudo o que eu fiz foi falar e falar sem parar, como um desabafo. Que foram todas as vezes que você me enxergou melhor do que eu realmente sou, e me fez querer ser melhor do que eu poderia ser. Que foram todas as vezes que você insistiu e não desistiu de mim. Que me incluiu em sua vida e fez eu me sentir importante. Posso arriscar um pouco mais e dizer que foi quando você me surpreendeu e disse que estava apaixonado por mim. E, juntando tudo isso, eu tenho você; inteiro; completo; você. Que dizia que não era o suficiente, e que eu poderia ir embora quando eu quisesse, e tudo o que eu menos queria era ir. Você, que não fazia parte dos meus planos, e que agora se tornou todo ele. Você, que juntou todos os meus caquinhos e conquistou cada pedacinho de mim. Você, que ganhou meu coração e tem todo o meu amor. E me tem, amor. Você me tem hoje e vai ter amanhã, e depois de amanhã. 

 

   — Amor... — Olhei para ela. — Você não sabe o quanto isso significa pra mim.

 

   — Eu queria te dizer tudo isso, mas não sabia como, então escrevi. 

 

   — Eu fico muito feliz de saber que você se sente assim ao meu lado. Tudo o que eu quero é te amar, de todas as maneiras que você merece. 

 

   — Você com certeza merece alguém muito melhor que eu, mas Deus me deu a oportunidade de te fazer feliz, e me esforçarei a todo custo.

 

   — Não diz isso Loirinha. Você é a mulher perfeita pra mim. E espero que eu também seja para você. E nem precisa se esforçar tanto assim porque você já me faz muito feliz.

 

Ela me beijou, tão profundamente, de uma forma tão singela, e encerrou com um gostinho de quero mais. 

 

   — Posso ficar com isso? — Ela assentiu, e então eu arranquei a folha. Vou guarda-lá no fundo do meu coração. — Como você pensou que eu fosse rir?

 

   — Talvez você achasse muito gay. Mas enquanto você lia e notei como ficou encantado.

 

   — Fiquei mesmo. — Fiz carinho em sua bochecha. — O que mais tem aqui?

 

   — Hmm, tem outras coisas sobre você, de quando a gente ainda não namorava, e quando brigamos. Mas não quero que você leia, não agora.

 

   — Tudo bem.

 

   — Também tem letras de músicas.

 

   — Por que você nunca disse que escrevia?

 

   — Bom, como você mesmo disse, tem muita coisa sobre mim que você ainda não sabe. Mas de qualquer forma, elas são péssimas.

 

   — Vindo de você, tenho plena certeza de que não é.

 

   — De qualquer forma, ninguém vai ler. — Ela guardou na mochila. — Nem mesmo você.

 

   — Eu me contento com isso aqui. — Chacoalhei a folha e ela deu um sorriso. — Você é linda, canta muito bem, escreve melhor ainda, é engraçada, inteligente, você é perfeita.

 

   — Inteligente é uma coisa que não sou. Muito menos perfeita.

 

   — É sim, e eu vou te roubar pra mim.

 

   — Você não pode roubar uma coisa que já te pertence.

 

   — Ah que romântica! — Ela sorriu envergonhada e lhe dei um beijo.

 

                            .  .  . 

 

P.O.V. Samantha

 

Já devia ser a décima vez que retocavam minha maquiagem. Essa com certeza é a parte mais chata de fotografar; pra quê passar tanta coisa?

Enquanto eu fazia poses para o fotógrafo, imaginei como a Kate lidava com tudo isso. Ela sempre me disse que amava estar aqui, e não é que eu não goste, mas não sei porquê ela gostava tanto assim. É legal você vestir marcas, participar de catálogos, ganhar fãs, mas é uma coisa muito cansativa. Você tem que trocar de roupa toda hora, mudar o penteado, retocar a bendita maquiagem... quando é ao ar livre eu gosto bastante, mas em dias no estúdio - como hoje por exemplo - é bem chato.

Bom mesmo é dançar. Cada dia você aprende uma coisa nova, e nunca fica repetitivo. Lá que é o meu lugar.

De qualquer forma não vou desistir da carreira de modelo, pelo menos não agora, porque preciso ajudar a Kate.

 

Depois da sessão de fotos, entrei no elevador e, ao invés de ir para o primeiro andar, fui para o último.

Perguntei para a secretária do Jonas se ele estava disponível, e ela me deixou entrar.

 

   — Oi Sam. — Ele disse assim que fechei a porta.

 

   — Oi.

 

   — Tava fazendo fotos?

 

   — Aham, fiquei o dia todo. — Me sentei na cadeira de frente para ele.

 

   — Você tá melhorando muito.

 

   — Que bom, fico feliz. — Ele tirou os olhos dos papéis e me encarou. — Posso te fazer uma pergunta hipotética?

 

   — Pode.

 

   — Se uma modelo tivesse sido demitida por justa causa, mas ela tivesse se redimido e quisesse voltar, ela poderia? 

 

   — Depende do motivo da demissão. — Soltei um suspiro.

 

   — Ela foi pega usando droga no banheiro. — Ele juntou as sobrancelhas.

 

   — Estamos falando da Kate Lira? — Eu assenti devagar. — Você a conhece?

 

   — Conheço.

 

   — Como?

 

   — Isso não vem ao caso, Jonas. — Se eu falasse como nos conhecemos, era capaz de a coisa ficar feia para mim. — Ela tá numa clínica de reabilitação e vai sair em breve. Ela ama isso aqui, e ela gostaria muito de voltar.

 

   — Olha Sam, o que ela fez foi demais. Ela sujou a imagem da agência, porque claro, essa notícia vazou. E ela tratou tudo com o maior deboche, não se sentiu culpada nem por um segundo.

 

   — Mas agora ela está arrependida.

 

   — Sim, certo. Seria muito difícil colocá-la aqui novamente, porque não depende só de mim. Mas se ela estiver mudada, e continuar tão boa como antes, a gente poderia rever a situação. — Eu abri um sorriso. — A Kate realmente era incrível, me arrisco a dizer que era nossa melhor modelo. Ela tem uma certa peculiaridade, e eu ficaria feliz se ela voltasse a ser a mesma.

 

   — Ela vai ficar muito feliz em saber disso.

 

   — Quando ela estiver bem, podemos marcar uma hora pra eu ver o book. Mas não prometo nada.

 

   — Já é um começo.

 

   — Fiquei curioso em saber como você a conhece. Faz anos que ela saiu daqui.

 

   — Outro dia eu conto, quem sabe. Obrigada Jonas.

 

                            .  .  .

 

Cheguei no apartamento da minha prima por volta das 7 da noite, e ela me recebeu toda animada.

 

   — Saaam! — Ela me abraçou.

 

   — Oi Ana.

 

   — Você sumiu hein. — Ela me puxou para dentro e fechou a porta.

 

   — Tem muita coisa rolando.

 

Tudo estava igual, do jeitinho que eu lembrava. 

O Adriel estava no sofá brincando com a Helena no colo.

 

   — E aí. — Falei com ele.

 

   — Oi Samantita.

 

   — Dá minha neném. — Abri os braços.

 

   — Você quer dizer minha neném.

 

   — Cala a boca vai. — Peguei ela no colo.

 

   — Olha amor, se ela começar a chorar você já sabe que foi por causa dessa cara feia da Sam.

 

   — O que você disse? — Mostrei a Helena rindo para mim. — Não ouvi direito. — Ele revirou os olhos e eu ri junto com a Ana. — Como ela cresceu, meu Deus! — E sentei do lado do Adriel.

 

   — Isso que dá ficar muito tempo longe.

 

   — Ah foram só umas duas semanas, Ana.

 

   — Como foi a viagem?

 

   — Não quero falar disso.

 

   — Por que? — Ela franziu as sobrancelhas.

 

   — Ela e o Kalfani estão brigados. 

 

   — Nossa Adriel eu vou cortar fora essa sua língua! — Ele riu da minha cara e a Ana continuava sem entender.

 

   — Eu deixei ele lá e voltei sozinha. Eu precisava resolver uma coisa e voltei um dia antes do combinado.

 

   — Vacilo hein. — Adriel disse.

 

   — Eu sei. 

 

   — Você já pediu desculpas? — A Ana perguntou.

 

   — Já, mas ele tá com raiva de mim, óbvio. Tô dando um tempo pra ele.

 

   — Espero que vocês se resolvam logo, ele fica tão irritante quando essas coisas acontecem. Além disso, não vai dar pra aguentar vocês se estranhando na gravação do clipe.

 

   — Porra mano, eu esqueci completamente.

 

   — Ah não brinca Sam! Você vai né?

 

   — Agora que a gente tá nessa situação...

 

   — Nem vem Samantha! Você já tinha concordado e tava tudo certo.

 

   — Para com isso Sam. — Ana disse.

 

   — Eu nem falei com o Isac ainda.

 

   — Então trate de falar.

 

   — E a coreografia?

 

   — Vocês ainda têm uma semana inteira pra ensaiar.

 

   — Ah não sei...

 

   — Não aceito não como resposta.

 

   — Tá bom Adriel.

 

   — Assim que eu gosto. — Fiz uma cara debochada.

 

   — Ei Sam. — Ana me chamou. — Esse final de semana nós vamos pra Campo Grande.

 

   — Sério!? — Ela assentiu. — A vó vai amar conhecer a Helena.

 

   — Ela disse que está bastante ansiosa. O Mattias vai também, com a Luna. Por que você não vem?

 

   — Agora tendo que ensaiar a bendita coreografia? Nem rola. E também meu pai não ia gostar, porque tem pouco tempo que cheguei da outra viagem. 

 

   — É uma pena, seria muito bom voltar lá com você.

 

   — Espera aí! O Mattias vai?

 

   — É, a ideia foi dele na verdade.

 

   — E o Adriel também? — Ele fez uma cara feia.

 

   — Fazer o que né?

 

   — Adriel você prometeu que não ia implicar.

 

   — Não tô implicando.

 

   — Nossa, o que deu em você? — Perguntei.

 

   — Isso é só porque ele vai ser pai.

 

   — Ele vai ser pai!? — Falei surpresa.

 

   — Ah eu esqueci de te contar. — Ana disse. — A Luna tá grávida, de dois meses. 

 

   — Mas ela não tinha aquela doença?

 

   — Sim, mas aconteceu. É uma gravidez de bastante risco, mas mesmo assim eles estão muitos felizes.

 

   — Nossa, tô bem por fora dos assuntos mesmo. — A campainha tocou.

 

   — Deve ser ele. — Ana se levantou para abrir a porta e era ele mesmo.

 

O Mattias tava com um cachorrinho no colo. Ele falou com a Ana, depois com o Adriel e depois me olhou curioso.

 

   — É você mesma? — Ele ainda não tinha me visto com o cabelo natural.

 

   — Na verdade é um clone. 

 

   — Olha, se eu não conhecesse tão bem essa Sam debochada, teria acreditado. Você tá muito diferente. Tá gata hein! — Entreguei a Helena para o Adriel e ele me abraçou.

 

   — Valeu! — Dei um sorriso. — Sabe, se não fosse a Ana, talvez eu só soubesse que você vai ser pai quando a criança nascesse. — Ele se sentou do meu lado.

 

   — Desculpa, é que aconteceu tanta coisa... nem pra minha mãe eu contei.

 

   — Você vai fazer surpresa? 

 

   — Vou.

 

   — Tenho certeza de que ela vai adorar. Tanto o neto ou neta, quanto a nora.

 

   — A Luna tá muito animada.

 

   — Ela vai se dar muito bem com a Suzi, tenho certeza. — Ele deu um sorriso. — Parece que todo mundo tem uma sogra legal, né Adriel? Menos a gente.

 

   — Você não fala mal da minha mãe! — Ana jogou uma almofada em mim e eu ri.

 

   — A mãe do Kalf é legal, ela só precisa te conhecer melhor. — Adriel disse.

 

   — E esse cachorrinho? — Mudei de assunto. 

 

   — Ah, foi por isso que eu vim. Preciso que você cuide dele durante a viagem.

 

   — Ele faz muita bagunça?

 

   — Não, o Matt é bonzinho.

 

   — Matt? — Eu ri. — Você colocou seu nome no cachorro?

 

   — Foi a Luna, ela tava com raiva de mim. — Eu soltei uma gargalhada.

 

   — Essa foi boa! — Peguei ele no colo. — Fico sim Mattias.

 

   — Valeu Sam! As coisas dele estão no carro, eu vou buscar.

 

   — Na verdade eu já estava indo pra casa. Posso pegar uma carona?

 

   — Claro.

 

A Ana insistiu para nós jantarmos lá, mas eu realmente queria ir para casa. 

Mattias e eu fomos até o carro, e enquanto ele dirigia, eu brinquei com o Matt. Ele é tão fofinho.

 

   — Eu achei que você fosse demorar um pouco mais pra descobrir que ama a Luna.

 

   — Não foi muito difícil, ela é incrível.

 

   — Ela tá feliz com a gravidez?

 

   — Com certeza. Ela tá com medo, por causa do risco, mas tá tudo indo muito bem. A Ana vai ser a madrinha, ela te contou?

 

   — Não. Nossa, nem dá pra acreditar que elas se odiavam.

 

   — Eu sempre penso nisso.

 

   — Vai ser bom ter alguém pra fazer companhia pra Helena. E se for menino, quando crescerem eles vão poder namorar.

 

   — Ah cala a boca Sam! 

 

   — É sério cara, imagina o tanto de histórias que vocês vão ter pra contar.

 

   — Vamos esquecer a parte que eu gostava da Ana.

 

   — Ah mas essa é a melhor parte! — Debochei e ele riu.

 

   — Você não presta!

 

   — Eu sei.

 

   — E ai, como tá sendo morar com seu pai e sua irmã?

 

   — Ah eles são ótimos, e a gente se dá muito bem. Tá sendo muito bom mesmo.

 

   — Fico feliz por você, Sam. Você realmente precisava de uma luz no fim do túnel. O Kalfani te fez muito bem, e reencontrar sua família também. — E então uma coisa veio na minha cabeça.

 

   — Espera, você sabia que eu usava droga? — Ele assentiu.

 

   — Quando você e a Ana passaram aquele tempo lá em casa, uma vez te vi cheirando uma fileira no quarto.

 

   — E por que você não fez nada? Contou pra Ana, sei lá.

 

   — Eu queria contar, mas você já tinha passado por tanta coisa... e você começou a sair com o Kalfani e ficou tão feliz. Imaginei que ele tinha dado um jeito em você.

 

   — Mattias você não gostava de mim, e podia muito bem ter me ferrado.

 

   — Você é quem não gostava de mim.

 

   — Tanto faz. — Ele riu. — Valeu cara. A Ana teria me matado.

 

   — Eu sei. Não foi nada. Mas você parou, né?

 

   — Sim, faz tempo.

 

   — Que bom Sam. — Eu sorri.

 

Ele me protegeu mesmo quando eu só sabia falar mal dele. Isso realmente me deixou feliz.

Quando chegamos na minha casa, ele me entregou as coisas do cachorro e me agradeceu novamente por ficar com ele.

Difícil foi explicar pro meu pai. Ele não gostou muito da ideia, mas eu prometi que ele nem ia notar o Matt em casa. 

A Clara adorou. Ela já tem experiências com o Toby, o cachorrinho do Caique, então ela vai me ajudar.

Deixei o Matt com ela e fui tomar banho. Quando saí do banheiro o cachorro tava dormindo perto do pescoço dela.

 

   — Você realmente tem jeito. — Ela riu.

 

   — O Toby vai ficar com ciúmes.

 

   — Eles sentem o cheiro né?

 

   — Aham.

 

   — Você nem precisa engravidar pra ter um filho com o Caíque. Vocês já têm um! — Ela deu risada.

 

   — Você tem toda razão.

 

   — Por falar nisso, e sua menstruação?

 

   — Continua atrasada.

 

   — Por que será?

 

   — Bebê a gente já sabe que não é.

 

   — Já marcou o médico?

 

   — Sim, pra semana que vem.

 

   — Espero que não seja nada.

 

   — Eu também.

 

Algum tempo depois a gente foi dormir.

Peguei no sono bem rápido porque o dia havia sido cansativo.

 

Acordei ouvindo alguma coisa estranha. Era um grito, ou talvez um choro. Acendi a luz do abajur e percebi que o grito na verdade era um latido, do Matt, e o choro era da Clara. Ela estava se contorcendo na cama.

 

   — Mana o que foi? — Pulei de cama.

 

   — Eu tô com uma cólica forte pra porra! — Ela choramingou. — Já fui tomar remédio, mas não passa de jeito nenhum.

 

   — Fica de bruços.

 

   — Sam ta forte demais, não dá pra ficar parad... — Ela parou de falar e vomitou do lado da cama.

 

   — Isso não é nada normal, Clara. Eu vou acordar o pai e vamos pro hospital.

 

   — Não, não precisa. — Ela disse limpando a boca.

 

   — Precisa sim. — Olhei as horas no celular e vi que eram 4 da manhã. — Já venho.

 

Sai do quarto e abri a porta do quarto do meu pai. Acendi a luz e fui até ele que tinha acordado só com a claridade.

 

   — Sam?

 

   — A Clara tá passando mal. — Ouvi os gritos dela. — A gente precisa levar ela pro hospital.

 

Ele levantou correndo da cama e foi ver como ela estava.

 



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