História Love By Chance - Second Season - Capítulo 56


Escrita por: ~

Postado
Categorias Pollo
Personagens Adriel de Menezes, DJ Kalfani
Tags Drogas, Obsessão, Pollo, Pollover, Prazer, Romance, Violencia
Visualizações 15
Palavras 4.052
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 56 - Encanto e desencanto


Fanfic / Fanfiction Love By Chance - Second Season - Capítulo 56 - Encanto e desencanto

 

P.O.V. Luna

A primeira coisa que fiz ao chegar em casa foi preparar uma massa de bolo. Tinha que fazer isso antes do Mattias chegar, por isso voltei mais cedo do trabalho.
Enquanto o bolo assava no forno, resolvi tomar um banho. Era para ser rápido, mas decidi lavar o cabelo, então demorou um pouco mais. 
Quando saí, vesti roupas íntimas, uma camisola preta, hidratei minha pele e escovei meu cabelo.
Voltei para a cozinha, limpei a bagunça que estava na pia e tirei o bolo do forno. Fiz a cobertura com calda de chocolate, e estava quase acabando de decorar quando ele chegou.

   — Luna? — Ele gritou da sala.

   — Oi, tô na cozinha.

Ouvi ele fechar a porta e depois vir até cozinha. Quando ia me virar, ele passou a mão esquerda pela minha cintura, pousou em minha barriga e me beijou no pescoço. Eu sorri.

   — Você fugiu de mim hoje. 

   — Foi por um bom motivo.

   — Pra fazer bolo? — Assenti e olhei para ele.

   — Esse é especial.

   — Por que?

   — Logo você vai saber. 

   — Ta bom. Tenho uma coisa para você. — Me virei de frente para ele.

   — O que? — Ele moveu o braço direito de trás das costas e revelou um buquê de margaridas. — Não acredito que você lembrou das minhas flores preferidas!

   — Claro que lembrei. Quando vi só pensei em você. — Eu sorri, passei a mão pelo seu pescoço e nos abraçamos. — Não vai pegar? — Ele disse depois do abraço e eu peguei.

   — Obrigada meu amor.

   — De nada, coisa linda. — Ele me beijou, e meu coração disparou.

   — Já que você tinha uma coisa para mim, também tenho uma para você.

   — Será que é melhor que minhas flores?

   — Muito melhor!

   — Fala. — Seus olhos cor de jabuticaba saltaram de curiosidade.

   — Hoje eu tive uma consulta com a obstetra. Ela conversou comigo sobre todas as possibilidades que podem acontecer na gestação, e como você já sabe, não vai ser nada fácil.

   — Mas vai dar tudo certo. — Eu dei um sorriso enorme. — O que foi?

   — Eu já sei o sexo do nosso neném.

   — Sabe? — Ele ergueu as sobrancelhas e eu assenti. — Conta amor!

   — Come um pedaço de bolo.

   — Eu não quero bolo, quero saber se é menino ou menina.

   — Então, sua resposta está no bolo. — Ele franziu as sobrancelhas não entendendo nada. — Só corta o bolo, Mattias.

Ele pegou a espátula e fez dois cortes. Depois tirou o pedaço de bolo, colocou num prato e de repente seus olhos ganharam um brilho que eu nunca tinha visto antes.

   — É um menino? — Ele perguntou assim que percebeu uma parte do recheio que era azul.
 
   — É o nosso menino.

   — Meu Deus. — Ele sorriu. — Não consigo nem explicar o que eu tô sentindo.

   — Não precisa, eu sei. — Ele me abraçou tão forte e sussurrou em meu ouvido:

   — Eu te amo. Te amo, te amo, te amo.

   — Eu também te amo. Muito.

   — Nossa família vai ser só amor.

   — Não tenho dúvidas disso. — Ele me beijou, e depois beijou minha barriga. Minha mandíbula já estava doendo de tanto que eu sorria.

   — Acho que agora vou comer um pedacinho desse bolo.

   — Ele deve estar com um sabor muito especial. — Matt deu risada e comeu um pedaço. — Tá bom?

   — Muito.

Ele me deu um pedaço. Estava bom mesmo. Coloquei as flores num vaso com água e nos sentamos à mesa.

   — Sabe, meu corpo tá aqui, mas minha cabeça só tá pensando nas coisas que vou poder ensinar pra ele.

   — Sabia que você queria um menino. — Ele riu e se entregou.

   — Se fosse menina ficaria feliz do mesmo jeito, mas é que quero ser pra ele tudo o que meu pai nunca foi pra mim.

   — Você vai até superar suas expectativas, acredite. — Ele fez carinho em minha mão. — A gente precisa escolher um nome. Não quero mais chamar de "bebê".

   — Posso dar umas sugestões?

   — Pode.

   — Que tal Marcos?

   — Aí vocês dois vão ter M no nome e só eu que não!? Já não basta ser só eu de mulher?

   — Para de ser chata.

   — Seria a mesma coisa chamá-lo de Luan.

   — Ok. Então que tal Christian? A gente poderia chamar ele de Chris.

   — Meu filho não vai ter esse nome! Mas nem que me paguem. 

   — Ah, eu tinha até esquecido daquele otário. Ele não mexeu mais com você depois daquele dia, né?

   — Não.

   — Se ele fizer alguma coisa, me avisa.

   — Pra você bater nele e perder seu emprego?

   — Se for necessário...

   — Vamos focar no nosso filho? 

   — Tá bom. — Ele pensou um pouco. — Nicolas?

   — Ah não. Quando eu for na reunião de pais da escola dele serei uma das últimas a ir embora. — Ele deu risada.

   — Mas você pensa em tudo.

   — Claro.

   — E que tal Davi?

   — Davi. — Testei o nome. — Davi... — Imaginei o rosto dele. — Davi é perfeito. 

   — Eu pensei a mesma coisa. 

   — Vai ser esse.

   — Sou muito bom com nomes, né? 

   — Mas você se acha. — Ele riu e me beijou. — Deixa eu te mostrar o nosso Davi. — Fui até a sala e ele veio atrás de mim. Peguei minha bolsa em cima do sofá e lhe entreguei a imagem da ultrassom.

   — Que pinguinho de gente! — Ele deu sorriso e aquilo me fez sorrir também.

Eu espero muito que ele nasça bem e saudável. Essa criança vai trazer tanta luz pra gente, vai mudar nossa vida para melhor, vai nos fortalecer, tenho tanta certeza disso como tenho que te amo, Davi.

                           .  .  . 

P.O.V. Kate

Lá na clínica a gente aprendia bastante coisa. Tinha aula de ioga, zumba, ginástica. Aula de culinária, informática, artesanato, português e matemática. Tinha a hora do lazer, que era a que eu mais gostava porque ganhava de todo mundo no jogo de cartas.
Com isso aprendi muitas receitas, e como estava sozinha na hora do almoço, preparei um escondidinho de carne, e ficou uma delícia. Deixei um pouco para o Kalfani e a Sam, só pra dar um gostinho e eles saberem do que sou capaz.
Depois que engoli meu remédio, que por sinal é horrível, meu celular tocou.

   — Alô? 

   — Oi Kate. — Era a voz do Kalfani.

   — Ah, oi. Já chegou?

   — Sim, tô aqui embaixo te esperando.

   — Já tô descendo.

   — Tá bom.

Encerrei a ligação e fui até o banheiro escovar os dentes. Joguei uma água no rosto e saí do apartamento trancando a porta.
Quando cheguei na frente da entrada do prédio, percebi que tinham muitos carros iguais, e eu não sabia qual era o dele. Estava quase pegando o celular para ligar de volta quando um deles piscou o farol duas vezes, então fui até lá.

   — Por que você tinha que ter um carro igual ao de todo mundo? — Perguntei assim que fechei a porta.

   — Na verdade todo mundo é que tem o carro igual ao meu. — Eu ri e ele deu partida.

   — Ah tá. — Debochei.

   — Você almoçou?

   — Sim. Fiz um escondidinho de carne e deixei um pouco lá só pra vocês saberem que eu cozinho melhor que todo mundo.

   — Você não se acha nem um pouquinho, né? — Eu dei risada. — Vou pra um lugar que não tem muito carro e lá a gente troca de lugar.

   — Beleza. 

Eu já tinha uma ideia de como era dirigir, porque já tive umas aulas antes. Mas mesmo assim eu estava com medo. E se eu batesse o carro dele? Ele vai me xingar pro resto da vida, tenho certeza.
Espero que o Kalfani não fique gritando comigo, porque senão vou acabar ficando nervosa e batendo o bendito carro.

Ele dirigiu até uma rua vazia. Só tinha alguns carros estacionados, então eu estava segura.
Assim que ele estacionou, nós trocamos de lugar. Depois de afivelar o cinto, minha mão começou a suar.

   — Não fique nervosa.

   — Fácil pra você falar. 

   — Você já não fez isso antes?

   — Mesmo assim, não tem como não ficar nervosa.

   — Fala um cantor que você gosta. 

   — Pode ser banda?

   — Pode.

   — Twenty One Pilots. — Ele digitou alguma coisa no celular, depois conectou no carro e aí começou a tocar a música Ride. 

   — Vamos lá. Você sabe qual pedal é qual?

   — Sei.

   — Fala pra mim. — Respirei fundo e coloquei o pé no primeiro pedal, o da esquerda.

   — Embreagem. — Coloquei no segundo. — Freio. — E no terceiro. — Acelerador. 

   — Não vai esquecer disso. — Assenti. — Pisa na embreagem. — Foi o que eu fiz. — Coloca o câmbio em ponto morto.

   — Eu tenho dificuldade em mexer no câmbio. Nunca sei qual é qual.

   — Então eu fico com o câmbio por enquanto. — Ele colocou no ponto morto. — Agora liga o carro, tira o pé da embreagem e puxa o freio de mão quando estiver preparada.

Fechei os olhos e fiz uma oração mentalmente. Não vai bater esse carro, Katherine.
Puxei o freio de mão e o carro começou a andar devagar, porque a rua era um pouco inclinada. 

   — Não tira as mãos do volante.

   — Eu sei né.

   — Pisa na embreagem. — Eu pisei e ele mudou de marcha. — Agora você vai soltar a embreagem devagar e ao mesmo tempo pisar no acelerador. — Fiz o que ele mandou. — Você foi bem, o carro nem morreu.
 
   — Não me desconcentra! — Ele riu.

Conforme o carro ia pegando aceleração, eu pisava na embreagem e ele ia mudando de marcha.
Na hora de virar, e me surpreendi comigo mesma, não saí da rua e nem bati em nada.
Então continuei dirigindo pela rua, até ele dizer uma coisa que me deixou apavorada:

   — Você vai dirigir até a academia.

   — Não Kalfani, vai ter outros carros.

   — Você consegue Kate. Você tá indo bem.

Fiz de tudo para ele trocar de lugar comigo, mas não tive sucesso.
Acabei entrando na rua principal, e embora estivesse com medo, conseguir chegar sã e salva até a academia. Nunca tinha dirigido esse tanto antes.

   — Graças à Deus ainda tô vivo! 

   — Engraçadinho.

   — Kate você sabe dirigir, só precisa treinar um pouco mais a troca de marcha e também a estacionar.

   — Deixa pra outro dia.

Eu soltei o cinto e saí do carro. Ele passou para o banco do motorista e estacionou o carro.
Depois de tudo pronto, atravessamos a rua e entramos na academia.
O pai da Sam estava no balcão, e ele ficou bem surpreso ao me ver, depois de cumprimentar o Kalfani. 

   — Essa é a Kate.

   — Oi Kate.

   — Oi, pai da Sam. — Eles riram.

   — Pode me chamar de John.

   — Tá bom.

   — A Sam tá lá em cima.

   — Vamos Kate.

Kalfani subiu a escada e eu fui logo atrás. Fomos parar numa quadra bem grande, com direito a arquibancada e vestiário.
Assim que entramos, a Sam veio até nós. Ela vestia uma calça de moletom preta, e um cropped também preto. Aquela barriga dela me deu uma baita inveja. 

   — Oi gente.

   — Oi amor. — Eles se beijaram. — Adivinha quem veio dirigindo até aqui? — Fiz cara de paisagem.

   — Nossa Kate, você já pode ser minha motorista particular.

   — Que exagero. — Ela deu risada e me abraçou.

   — Oi cunhadinho! — Clara chegou e deu um abraço no Kalfani.

   — Oi, como você tá?

   — Tô ótima. 

   — Clara fala com a Kate. — Sam disse e ela me olhou com desdém.

   — Oi.

   — Oi Clara. — Ela não gosta de mim, e com razão. Mas não posso fazer nada. 

   — Kalf eu preciso conversar com você. É bem importante.

   — Ta bom. Já volto meninas. — Os dois saíram e só ficamos a Sam e eu.

   — Não liga pra ela. A Clara é desconfiada com todo mundo.

   — Tudo bem. E então, o que vocês vão dançar hoje?

   — É uma apresentação. A gente tem ensaiado a coreografia a semana toda. Acho que você vai gostar.

   — Quem sabe eu não começo a dançar também, pra ter uma barriga igual a sua.

   — Ah para, você é linda. Mas adoraria te ter como parceira aqui.

   — Vou pensar no assunto. — Ela sorriu.

   — Kate a gente tem que marcar um dia pra falar com sua tia.

   — Vou ligar pra ela amanhã e marcar um encontro. Ela só vai acreditar vendo.

P.O.V. Leonardo

Desde que a Clara e eu conversamos sobre a possibilidade de a Allyson não estar dando prioridade à mim, não tenho pensado em outra coisa.
Tentei conversar por ligação, mas toda hora ela dizia que estava ocupada, então resolvi fazer uma surpresa e apareci na academia sem avisar.
Encontrei o John lá embaixo. Ele me disse para subir e foi o que fiz. Procurei por ela mas não a encontrei. Achei a Clara, mas ela estava conversando com o Kalfani, provavelmente sobre a nossa ideia de trazê-lo para uma apresentação na pizzaria. Também vi a Sam, mas ela estava conversando com uma garota ruiva; pela cara dela parecia ser bem sério, então não quis atrapalhar. Decidi sentar na arquibancada a esperar por ela.

   — Você é aluno novo? — Um cara falou ao meu lado. Ele estava amarrando o cadarço.

   — Não, só vim ver minha namorada, mas acho que ela ainda não chegou.

   — Que tal ligar pra ela? — Ele disse com um tom de evidência.

   — É uma surpresa.

   — Ah! Bom, a aula só começa daqui meia hora, então pode ser que ela demore um pouco.

   — É, pode ser. — Ele meio que me encarou e fiquei desconfortável com isso. — Que foi cara?

   — Eu te conheço de algum lugar? 

   — Você deve conhecer a Clara, eu canto com ela.

   — Ah, claro! Me chamo Isac. — Ele estendeu a mão e eu apertei.

   — O famoso Isac.

   — Ah então você já sabe sobre mim.

   — Sei o bastante.

   — Você deve me achar um babaca.

   — E você é?

   — Não. Quer dizer, já fui, como você deve saber. Mas aprendi minha lição.

   — Leo? — A Allyson apareceu na minha frente. — Tá fazendo o que aqui?

   — Vim te ver. — Dei um selinho nela.

   — Ah fala sério! — O Isac disse atrás da gente. — Você tinha que namorar logo ela!? — Franzi as sobrancelhas e ele saiu andando.

   — Achei que você não tinha problemas com ele.

   — Eu não tenho, mas acho que ele sim. A gente já tinha parado de ficar quando eu beijei ele pra provocar a Clara.

   — Ele te culpa pelo o que aconteceu na festa dele?

   — Acho que sim.

   — Que otário! — Ela deu de ombros. — A gente precisa conversar.

   — Agora?

   — Sim.

   — Não dá, eu tenho que me trocar pra apresentação.

   — Então depois da apresentação.

   — Você vai ficar pra me ver?

   — Vou. — Ela sorriu. 

   — Você nem imagina com quem eu vou dançar.

   — Com quem?

   — Você vai ver. Vou me trocar.

Ela saiu e me deixou sozinho. Um tempo depois a Clara veio até mim.

   — Você não desgruda mais de mim, né? — Ela disse me dando um abraço.

   — Não consigo ficar um segundo longe de você. — Ela riu.

   — Veio falar com a Allyson?

   — Sim, vamos conversar depois das apresentações.

   — Você vai pedir ela em namoro?

   — Ainda não sei.

   — Boa sorte.

   — Valeu.

Logo depois o Kalfani e a garota ruiva que me apresentaram como Kate se juntaram à nós, e quando as apresentações começaram, o John pediu para que a gente fizesse uma roda na quadra, e o pessoal ia dançar no meio dela. Então nos sentamos no chão.
Depois de algumas apresentações, eu percebi que em apenas na primeira parte da música a coreografia era a mesma, e no resto cada dupla tinha uma diferente. Achei isso muito legal, porque eu nunca sabia o que esperar de cada dança.
A Allyson foi a última a dançar, e ela estava com a Sam. Na minha opinião, o John deixou o melhor para o final.
Nunca tinha visto a Sam dançar antes, só em vídeos no instagram, e posso dizer que pessoalmente ela arrasa ainda mais. E a Allyson? Não tenho nem o que dizer. Ela é incrível! 
Ela fez questão de me olhar enquanto dançava, e não tenho nem palavras para descrever o que eu senti.

Depois de esperar a aula acabar definitivamente, nós fomos para o loft dela.

   — Quer beber alguma coisa? — Ela disse depois de jogar a mochila no sofá e abrir a geladeira.

   — Não, obrigada. — Ela pegou uma jarra de suco, encheu um copo e bebeu. — Você dança muito bem.

   — Você gostou?

   — Adorei.

   — Eu rebolei daquele jeito toda, e inteiramente para você. — Ela moveu as sobrancelhas e bebeu o suco.

   — Ah é? — Ela assentiu e deu a volta no balcão, passou as mãos pelo meu pescoço e me beijou. — Não, a gente tem que conversar.

   — Depois Leo, depois.

Ela voltou a me beijar, e conforme o beijo foi ganhando intensidade, eu esqueci completamente da conversa que queria ter.
Nós fomos para o quarto dela, e acabou rolando. Foi sensacional.

Ficamos um de frente para o outro, enrolados no lençol. Ela estava passando a mão pela minha barba rala, e eu me perdi em seus olhos castanhos.
A Allyson é linda, não tem como negar. Ela tem a pele morena, olhos grandes, sobrancelhas grossas e marcantes, o cabelo comprido, e um corpo de tirar o fôlego. Ela tem uma pinta perto da boca, e eu amo ficar olhando para ela.

   — A gente ainda não decidiu o que nós somos. — Falei.

   — E precisa decidir?

   — Eu conversei com a Clara, e ela me fez enxergar uma coisa.

   — O que?

   — Você é única pra mim. — Ela sorriu. — Mas eu não sei se sou único pra você.

   — Você tá dizendo que eu sou uma piranha? — Ela tirou a mão da minha barba.

   — O quê? Não! 

   — A Clara tá fazendo a sua cabeça.

   — Ela está cheia de razão. De que adianta eu criar expectativas com você, fazer planos, se no final você for me deixar?

   — Pra isso dar certo, a gente precisa ir devagar, Leo.

   — Eu sei disso. Mas Ally, assim não. Você precisa me dar certeza do que tá acontecendo entre a gente.

   — Por que a gente não deixa do jeito que tá? Tá tão bom assim.

   — Porque eu tô apaixonado por você, e quero um relacionamento. — A boca dela formou um perfeito O.

   — Apaixonado? — Ela perguntou surpresa.

   — O que? Parece que falei algum palavrão.

   — Me desculpa Leo, eu sinto muito.

   — Por você não estar apaixonada por mim?

   — Por eu não ser o que você merece. A Clara tá certa. — Ela se apoiou nos cotovelos e me olhou. — Eu gosto de você, gosto muito. Mas não o suficiente, não o tanto que você precisa.

   — Por que você tá dizendo isso só agora?

   — Você me fez enxergar que eu estava te usando pra tampar as minhas feridas. E você não nasceu pra ficar colando os pedaços do outros. Você merece alguém por inteira.

   — Você ama outra pessoa? — Ela assentiu devagar.

   — Eu queria muito que fosse você.

   — Ally eu não quero acabar com tudo.

   — Nem eu, mas... — Eu não podia perdê-la. 

   — Esquece o que eu disse. — Me sentei na cama, de frente para ela. — A gente pode tentar de novo. Uma hora você vai gostar de mim, eu acho. Eu faço de tudo pra você esquecer dele.

   — Não, para Leo, não faz isso. — Ela segurou meu rosto com as duas mãos. — Escuta: nunca, em hipótese alguma, aceite ser a segunda opção de alguém. Você não merece ter que ficar com as migalhas, tá? Nunca mais fale isso, pra ninguém. De jeito nenhum.

   — Se eu soubesse que ia dar nisso... — Ela me interrompeu.

   — Você fez muito bem em me colocar contra a parede. Eu tava te usando Leo. E você é tão bom, é tão legal. Eu sinto muito que tenha dado nisso. É melhor a gente parar por aqui, antes que você se machuque, se é que é possível. Um dia, quando eu estiver desprendida, aí sim, se você ainda quiser, a gente pode tentar de novo. E dessa vez vai ser de verdade, vai ser de coração. — Uma lágrima caiu do olho dela. — Me desculpa te fazer passar por isso.

   — Obrigado pela sinceridade. — Eu levantei da cama e me vesti.

   — Não fica bravo comigo, me desculpa, de verdade. Eu sei que devia ter sido franca desde o início, mas eu nem percebi o que estava fazendo. 

   — Não importa. Eu teria me apaixonado de qualquer jeito. — Vesti a camisa. — Tenho que parar de me envolver tão rápido assim, ser menos trouxa e tal.

   — Não fala isso. Você tem um jeito único e encantador.

   — Mas não foi o suficiente.

   — Não é culpa sua. O problema sou eu.

   — Tchau, Allyson. — Deixei ela sozinha no quarto e saí do loft.

Uma das piores coisas é você se entregar, ser inteiro, querer alguém do lado, e achar que essa pessoa te quer como você quer ela, que tem a mesma sensação ao estar do seu lado, e no final estar enganado. 
Eu já devia saber, essa coisa de amor nunca dá certo pra mim. E é por isso que vou parar de ser tão otário. A partir de hoje tudo vai ser diferente, e ninguém nunca mais vai brincar comigo.

P.O.V. Kate

A Sam e o Kalfani me arrastaram para meu primeiro rolê desde que saí da reabilitação. Eu não queria ir, mas eles insistiram tanto que não aguentava mais ouvir eles falando em meu ouvido.
Acabou que chegamos no camarim do show deles, e fiquei segurando vela para todo mundo. Parecia que o mundo inteiro tinha um companheiro, e só eu que não.
Se eu briguei com a Sam por isso? O tempo todo! Até ela me deixar falando sozinha no sofá, alegando que eu tinha que me enturmar com a galera.
Eu já tinha cansado de bufar, quando um anjo caiu do céu: a Sofia. Lembro dela quando nos conhecemos no aniversário da Sam. Foi uma coisa bem inusitada até, a gente conversou como se nos conhecêssemos à séculos. 

   — Tem um tempão que não te vejo. — Ela disse depois que nos cumprimentamos. — Então você resolveu vir pra cá de vez? — Franzi as sobrancelhas. — O Kalfani disse que você estava pensando em sair do interior e vir pra São Paulo.

   — Ah! É, decidi morar aqui agora. Aliás, tô passando um tempo na casa dele até arranjar um apartamento.

   — Que legal.

   — E você, o que tem feito?

   — Fiz uma reforma no meu estúdio de tattoo e agora tá bombando.

   — Que da hora! E sua ex? 

   — Sumiu, ainda bem. Tô bem melhor sem ela.

   — Quando aquela pessoa tóxica vai embora, tudo começa a dar certo.

   — Agora que você disse isso... — Ela refletiu um pouco. — Realmente, as coisas começaram a dar certo depois que terminamos. Acho que ela era um atraso em minha vida. — Concordei com a cabeça.

   — Escuta, se você deixou suas coisas pra ir morar com ela, o que você fazia para viver?

   — Vendia desenhos.

   — Você desenha?

   — Sim, um pouco. Eu sempre quis ser tatuadora, então tive que aprender a desenhar com o tempo pra conseguir realizar meu sonho.

   — E depois você largou tudo por causa dela? — Ela assentiu.

   — É uma idiotice né? Eu sei.

   — Quem vê de fora pensa que é mesmo. Mas acho que você gostava muito dela, e isso é raro. Se fosse eu, teria feito a mesma coisa. — Ela deu de ombros. 

   — Vou pegar uma cerveja. Você quer?

   — Não, valeu, eu não bebo.

   — Ok. — E então ela saiu.

Era a primeira vez que eu dizia para alguém que não bebo e me senti tão feliz em não falar só da boca para fora. Eu realmente não queria beber.
Logo em seguida ela voltou com a cerveja e continuamos conversando.

   — O que você faz além de tatuar e desenhar?

   — Faço pinturas, às vezes. Também faço grafite.

   — Você é uma artista completa. — Ela riu.

   — Também faço fotografias.

   — Sério!? — Perguntei animada.

   — Sim, às vezes.

   — A Sam e eu estávamos mesmo procurando um fotógrafo. É que antes de acontecer algumas coisas, eu era modelo, e agora quero voltar, mas preciso de um book. Você não quer ser a fotógrafa?

   — Eu adoraria. Tem bastante tempo que não fotografo, mas acho que ainda tenho jeito. — Eu sorri.

   — Sam, vem aqui. — Chamei por ela, que estava com a irmã.

   — Oi. — Ela se sentou entre a gente. — Tá se enturmando? — Revirei os olhos.

   — A Sofia é fotógrafa, ela pode fazer o book.

   — Sério? — Ela virou a cabeça para a Sofia. — Você é boa?

   — Acho que sou.

   — Ela é muito boa! — Caíque falou vindo até nós.  — E não tô dizendo só porque é minha prima não, hein? Ela fez o álbum de casamento do Cauê, e ficou da hora.

   — Então achamos nossa fotógrafa. — Sam disse e a Sofia sorriu um pouco tímida.

   — Eu posso fazer um bom preço, mas não tenho um estúdio.

   — Ah não se preocupe com isso! A A Kate é uma modelo despojada, vai ficar mais a cara dela se for ao ar livre.

   — Podia ser no Ibirapuera. — Sugeri.

   — É o lugar perfeito! — Nós três sorrimos. — Então amanhã eu te ligo pra gente conversar melhor, pode ser?

   — Claro Sam, vou ficar esperando.

   — Beleza.

 

 

 

 



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