História Love in a bottle - Capítulo 5


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, Personagens Originais, Suga, V
Tags Kooktae, Kookv, Momo, No Lemon Squad, Taeguk, Taekook, Vkook, Xkookv, Yoongi
Exibições 361
Palavras 4.667
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Não tenho muito o que dizer além de: perdão pelos dois meses de demora em atualizar.
Muito obrigada pelos quase 200 favoritos e pelos comentários até aqui.
Aproveitem o capítulo^^

Capítulo 5 - Superações


Fanfic / Fanfiction Love in a bottle - Capítulo 5 - Superações

Taehyung já estava meio sem criatividade para fazer presentes diferentes para o cinco de abril deles, mas curiosamente algo veio a sua mente naquele ano. Era o último período deles na faculdade – precisaram pegar o começo do ano em que deveriam já estar formados para entregar alguns trabalhos atrasados –, o mais complicado e o mais cansativo; estavam enfrentando a dificuldade de ter entrega de projetos e formatura, trabalho e a falta de tempo para conversarem um com o outro.

Contudo, isso não impedia suas conversas com o Jeon, mesmo que fossem mínimas ou durante as madrugadas após algum estudo extremamente exaustivo. Nada importava quando você tinha vontade de conversar com alguém como era o caso dos dois.

Suspirou. Olhou para a caixa de madeira que havia feito com os ensinamentos de seu pai. Cobriu a mesma com várias fotos dele, do Jeon, dos dois, de suas famílias, paisagens de sua cidade natal, juntando-as como uma colagem especial e passando uma leve camada de cola para que firmasse mais. Estava lindo e faltava apenas encaixar o recorte da frase na tampa da caixa.

Lírios representam o amor eterno e a pureza.

Gostava de lírios e estava pesquisando sobre a flor para o seu livro. Era algo encantador e também simples, natural. Flores por si só deveriam ser sempre apreciadas.

Seria o primeiro que faria e publicaria na editora em que estava trabalhando, apenas porque confiavam em seu trabalho, na sua escrita. Não fora fácil conseguir essa oportunidade, e se Yoongi não tivesse persuadido o editor, talvez ainda estivesse trabalhando apenas com revisões de livros alheios. Entretanto, ao mostrar o rascunho de algumas páginas, o chefe de ambos se interessou e pediu para que ele desse continuidade, desde que não parasse com seu trabalho atual.

Conclusão: ele estava exausto pelo trabalho em dobro, sem contar a faculdade e os médicos de sua avó. Porém, estava satisfeito em como as coisas estavam caminhando tanto para si, quanto para Jeongguk, que atualmente viajava constantemente para fotografar em outras cidades e paisagens variadas.

Se tudo desse certo, talvez eles não passassem cada um em um país no próximo cinco de abril – depois desse, é claro. Era um pensamento distante, mas não impossível.

Terminou de colar a frase e depositou a caixa em cima de sua mesa, deixando posicionada para que secasse e nada borrasse. Usaria aquilo para o Jeon guardar as incontáveis cartas que ele enviou nos últimos anos, sem contar esta última que ele enviaria junto com algumas aleatoriedades. Esperava apenas não lotar o quarto do moreno com tantos presentes.

Seu celular vibrou em cima da mesa e ele viu que era uma mensagem de Yoongi. Arregalou os olhos assim que reparou no horário.

Estava muito atrasado.

Trocou-se rapidamente, colocou o celular no bolso e saiu correndo. Se existia algo que o Min detestava, esse algo era esperar. Todavia, o Kim tinha a desculpa de estar imerso no presente do Jeon e não ter reparado no horário – o que não era nenhuma mentira.

Chegou rapidamente até a esquina onde Yoongi o esperava pacientemente tomando um café e olhando a paisagem. Estava sentado em uma das mesinhas para duas pessoas do lado externo, não prestando muita atenção a sua volta e focado em algum ponto que o Kim não soube identificar qual era.

“Desculpa, hyung!” O mais novo pediu, curvando-se na direção do amigo antes de sentar.

“Eu achei que você tinha morrido naquele apartamento, soterrado pela sua própria bagunça!” falou com um sorriso travesso.

“Desculpe…” O Kim suspirou e apoiou os cotovelos na mesa, recuperando o fôlego após ter corrido tão rápido. “Eu perdi a noção do tempo enquanto fazia o presente do Jeongguk.”

“É sobre isso que eu quero conversar.”

“Sobre o Jeongguk?” ergueu uma sobrancelha.

“Não sobre ele, mas sobre a data especial de vocês dois.” O Min, então, deu um gole longo em seu café, como se o gesto fosse adiar o que ele precisava dizer.

“O que tem a nossa data, Yoongi?” O mais novo inclinou-se, olhando nos olhos do amigo e esperando a bomba que viria.

Atualmente ele esperava por qualquer notícia ruim a qualquer hora do dia, afinal, sua avó estava internada no hospital sem muita perspectiva de receber alta. Na verdade, seu celular e o telefone de casa estavam sempre por perto, com um aperto no peito toda vez que ele tocava em horários inusitados. Estava preparado para o pior, mas sabia que quando soubesse da notícia, a situação seria diferente.

E Jeongguk não estaria lá, infelizmente.

“Eu consegui agendar nossa viagem pra Normandia em março, mas…” Ele suspirou e depositou a xícara no pires a sua frente. “O retorno é depois do dia cinco de abril, pois muito provável que a gente precise viajar para outro país para assistir uma palestra. De qualquer forma, não teria como voltar para a Coreia para o dia, entende? Ficaria muito caro e fora de mão.”

Taehyung abriu e fechou a boca algumas vezes, desviando o olhar para o outro lado da rua. Aquela viagem era algo que ele estava esperando há muito tempo e não achava que fosse conseguir tão cedo. A notícia era mais do que ótima, afinal, era pesquisa para o seu livro e uma forma de férias para si; contudo, o mínimo pensamento de não ir para Daegu no dia cinco o deixava frustrado.

Pior, o local para onde iam era afastado de tudo, uma cidade extremamente pequena e de sinal de celular bem fraco. Seria semelhante às viagens que Jeongguk fazia por todo o Japão, indo para cidades tão afastadas que chegava a ficar incomunicável por dias, às vezes até semanas. Isso por si só já era desanimador, mas era uma oportunidade única e que ele não poderia desistir agora.

“Eu… Eu vou falar com o Jeongguk” murmurou.

“Ele vai entender, Tae.” O Min esticou a mão até o braço do amigo, dando um leve aperto e tentando passar um pouco de conforto a ele. “Sei que é uma promessa, mas você não está quebrando por um motivo qualquer…”

Taehyung crispou os lábios e pousou sua mão em cima da de Yoongi, apertando-a. Não perderia tempo explicando para o mais velho o quanto era uma quebra de promessa não ir até lá, pois sabia que ele entendia isso, embora usasse aquelas palavras apenas para confortá-lo. O Kim tinha esperanças de que esse fosse o último cinco de abril que eles passariam separados, mas pelo visto seria mais complicado do que isso e ele não tinha certeza se conseguia lidar com todas aquelas emoções.

Precisava ser forte.

“Sei que ele vai…” suspirou.

Yoongi franziu o cenho, mas nada disse. Sorveu outro gole de seu café e reparou apenas nas ações do Kim a sua frente. Ele mexia nas próprias mãos, um pouco impaciente demais se comparado com segundos atrás. Parecia pensar e pensar, mas seus lábios não se mexiam, não havia som.

“O que foi?” Ele, então, cortou o silêncio entre os dois.

“Não sei… Talvez seja só coisa da minha cabeça, mas eu estou com um pressentimento ruim.”

“Em relação ao Jeongguk?” O mais velho inclinou-se na mesa, como se o gesto o permitisse ouvir melhor os pequenos murmúrios emitidos pelo amigo.

Taehyung bagunçou as madeixas recém pintadas em um tom vermelho adorável, suspirando outra vez. Seu olhar estava focado em algum ponto do outro lado da rua, querendo evitar a quantidade absurda de pensamentos que rondavam a sua cabeça no momento. Estava tão focado no presente de Jeongguk que, por alguns minutos – horas talvez –, ele se esqueceu completamente de que sua vida não estava assim tão certinha.

Jeongguk havia viajado naquela tarde e o local para onde iria não tinha sinal muito bom – se possuísse, pois não era a primeira vez que isso acontecia. Talvez ele demorasse um ou dois dias, talvez demorasse mais.

“Não é nada, hyung.” Ele voltou a olhar para Yoongi e abriu um sorriso fraco, mas que indicava que ele não queria mais tocar no assunto. “Pode deixar tudo preparado para o mês que vem, eu vou falar com ele.”

Yoongi assentiu. “Já deixe tudo preparado, já que março está logo aí…”

“Vou deixar.” O Kim, então, levantou-se e Yoongi fez o mesmo. Ambos se despediram sem muita demora, afinal, cada um tinha outros afazeres depois dali.

O Min observou no momento em que o ruivo caminhou rapidamente até retornar ao seu apartamento. Sabia que não deveria deixá-lo sozinho em momentos como esse, pois ele costumava ficar sensível e pensando coisas demais; contudo, também conhecia o amigo bem o suficiente para ter certeza de que ele não queria sua companhia naquele momento, e que muito provavelmente daria total foco ao namorado agora.

Suspirou. Era frustrante demais não poder ajudar Taehyung mais do que já fazia. Nutriam uma amizade especial desde o começo da faculdade e, embora acompanhasse a vida do atual ruivo nos mínimos detalhes desde o início, sabia que a felicidade alheia se resumia a apenas uma pessoa. Esta, infelizmente, distante dele há alguns anos.

 

- B -

 

“Aish!” Jeongguk resmungou e jogou-se no banco mais próximo do parque em que estavam. Não aguentava mais andar por horas sem parar atrás da noiva, tirando foto atrás de foto para todas não saírem exatamente como ela queria – não por incompetência sua, mas porque o local não era adequado ou qualquer coisa do tipo. A cada local de foto que eles iam, mais indecisa ela parecia ficar e nada a agradava; até mesmo o noivo parecia irritado. “Até quando ela fará isso?”

“Bom, ela quer o álbum mais lindo, afinal, será único.” Momo explicou sentando-se ao seu lado e arrumando gentilmente os fios de cabelo desalinhados por causa do suor em sua testa.

“Se ela me fizer andar mais uma vez, eu desisto de tirar as fotos e ela que procure outro fotógrafo!” bufou.

Momo riu baixo. “Pare de reclamar, Jeon.”

“Você fala isso porque adora sessões de álbum de casamento” revirou os olhos.

“E você só está emburrado porque não fala com Taehyung há cinco dias.” Ela rebateu e no mesmo instante Jeongguk a olhou com uma expressão triste, ainda mais do que no dia anterior. “Viu?”

“Esse lugar não tem sinal…” murmurou, revelando a frustração evidente do moreno.

“Então vamos terminar essa sessão logo e voltar para casa, sim?” Momo levantou-se rapidamente, puxando-o pelos pulsos com muito esforço, afinal Jeongguk não fazia a mínima questão de levantar, disparando caretas e resmungos desconexos. “Sem corpo mole!”

“Então peça para ela escolher um maldito lugar onde eu possa tirar as fotos, por favor!” pediu com a voz suplicante e a face adquirindo uma expressão cansada.

“Certo, certo.” Ela soltou o corpo do moreno, o fazendo retornar ao banco outra vez. Procurou a noiva, vendo-a discutindo com o noivo, provavelmente pelo mesmo motivo: o maldito local das fotos. Daria seu jeito de encerrar aquela discussão e fazer Jeongguk voltar para um local com sinal o suficiente para que pudesse desfazer aquela cara emburrada. “Espere aqui.”

Jeongguk acompanhou enquanto Momo seguia na direção do casal. Agradecia mentalmente por ter arranjado a melhor amiga e a melhor assistente que aquela faculdade pode lhe oferecer.

Sorriu com a lembrança do dia que ele apresentou Momo para Taehyung.

A face do Kim foi um misto de surpresa e ciúmes evidente, crente de que ele perderia todas as suas chances com o Jeon ao lado de uma mulher tão bonita. Contudo, por mais que Jeongguk tivesse sua preferência sexual bem definida e gostasse de homens e mulheres, era mais do que óbvio que não amava e nem amaria mais ninguém além de Taehyung.

E foram essas as exatas palavras de Momo ao ver o rosto surpreso do Kim do outro lado da tela, automaticamente se transformando em algo que beirava ao alívio e, inclusive, lhe permitindo apresentar Yoongi. O que gerou uma discussão de ciúmes bem grande por parte de Jeongguk, mas que foi resolvida por Momo e seus vários tapas no amigo para que colocasse a cabeça no lugar e parasse de ser um completo idiota. No fim, acabou que com os quatro rindo da situação.

Não era possível separá-los, nem mesmo distantes daquele jeito.

O Jeon esfregou os olhos e retirou o celular do bolso; olhou para a tela com a foto dos dois na esperança de que um mísero risco de sinal aparecesse, mas nada aconteceu. Tinha a impressão que Taehyung precisava falar consigo, mas precisaria chegar a sua casa para descobrir.

“Jeon!” viu Momo gritando e o chamando para que viesse até onde estavam, indicando positivamente que tudo tinha dado certo.

Ele suspirou e levantou-se. Precisava apenas encerrar aquela sessão de fotos e poderia voltar para casa, poderia falar com Taehyung outra vez e relaxar um pouco, apenas olhando a face distante de quem tanto amava.

 

- B -

 

“Filho!” A senhora Kim chamou Taehyung pela décima vez, mas não obtinha resposta. O ruivo estava deitado em seu quarto escuro, encolhido na cama com as cobertas até a sua cabeça, impossibilitando-o de ver qualquer coisa. “Vamos levantar, por favor.”

“Não quero” fungou.

“Mas filho-” Seu pai tentou chamá-lo, mas foi interrompido pela voz embargada.

“Por favor, me deixem em paz!” pediu, fungando outra vez.

Sua mãe suspirou e retirou-se do quarto, seguido do pai, que fechou a porta atrás de si. Ambos se olharam e caminharam até a sala, sentando-se no sofá de capa florida de dois lugares do apartamento em Seul.

“Até quando ele ficará assim?”

“Ele era muito apegado a sua mãe, meu amor.” A mão da senhora Kim foi de encontro a do marido, acariciando gentilmente e tentando passar algum conforto.

“Eu sei, mas ele não pode se recusar a sair do quarto dessa forma.” O senhor Kim suspirou e pressionou o meio de sua testa, cansado da situação de seu filho, sentindo-se inútil por não poder fazer nada. “Sete dias já se passaram e ele sequer tem se alimentado direito!”

“Eu tentei ligar para o Jeongguk, mas só cai na caixa postal…”

“Vou ligar para o Yoongi e ver se ele pode nos ajudar.” O progenitor levantou-se do sofá e caminhou até sua mochila, pegando o celular que usava apenas para se comunicar com Taehyung.

“Ele não irá falar com o Yoongi, meu amor. Você sabe que só o Jeongguk faria ele sair dessa cama…” Ela sorriu fraco, lembrando da vez que o Jeon perdeu a avó, quando eles eram mais novos, e quem tirou o garoto da cama após dias chorando, foi Taehyung.

Era uma inversão clara de papéis, exceto que Jeongguk não estava na Coreia do Sul para concretizar aquele plano.

“Mas ele não atende o celular e tampouco está aqui, portanto eu vou recorrer a alguém que está sempre presente.” Assim, o senhor Kim discou o número de Yoongi e balbuciou algumas palavras rápidas, ciente de que o amigo de seu filho jamais diria não a um pedido como aquele. “Pronto, ele está vindo.”

A senhora Kim suspirou. “Vou preparar algo para quando ele chegar.”

O marido apenas assentiu, sentando-se novamente no sofá e focando em uma foto ao lado da televisão. Era sua mãe e Taehyung, sorrindo como se não houvesse um amanhã para se preocupar, exatamente como ela havia lhe ensinado desde pequeno e como ele passava para o seu filho desde que este passou a entender as coisas da vida.

Não queria vê-lo sofrendo e tampouco desperdiçando seu tempo daquela forma. Era doloroso perder alguém, claro, ainda mais quando o apego era grande e você cuidou da pessoa daquela forma. Contudo, para quem fica, resta apenas entender que ela estava em um lugar melhor e que havia parado de sofrer. O tratamento era desgastante e, embora ela estivesse sempre sorrindo, todo mundo sabia o quão difícil era.

Inclusive, todos sabiam o quanto era grata pelo modo como Taehyung cuidou dela em todos aqueles anos. Era um neto incrível, seria um marido e pai maravilhoso se quisesse; não havia motivos para se preocupar com a pessoa com quem seu filho havia se tornado.

“Droga, Jeongguk-ssi! Por que você não está aqui agora?” resmungou, deixando uma lágrima escorrer por sua bochecha, lembrando-se do quanto aquele garoto simples e de feições infantis representava o mundo inteiro de seu filho.

 

- B -

 

Não demorou mais do que meia hora e Yoongi já estava dentro do costumeiro apartamento. Vinha ali praticamente todos os dias, sentava naquele sofá com bastante frequência, e quase sempre sentia o cheiro de biscoitos recém assados saindo do forno.

Não era a realidade de agora.

Apenas o cheiro forte de café preenchia o ambiente, misturado com um clima um tanto triste por conta dos recentes acontecimentos. A dor da perda e o luto eram algo complicado e, mesmo que não fosse parente sua, a avó de Taehyung era como uma avó para si também; sempre fora tratado como muito esmero pela senhora de cabelos finos e esbranquiçados, olhar gentil e uma língua afiada. Falava tudo o que queria, sem medo.

“Desculpe chamá-lo em cima da hora.”

“Não tem problema…” O Min aceitou a xícara de café oferecida pela senhora Kim, sorvendo um pequeno gole apenas para não fazer desfeita. “Ele ainda está no quarto?”

“Não sai de lá por nada nesse mundo…” A progenitora sentou-se ao lado de Yoongi, fazendo com que o garoto colocasse a xícara na mesinha de centro para que ela pegasse suas mãos e o olhasse nos olhos. “Eu não consegui falar com o Jeongguk, existe outro número que você possa tentar?”

Yoongi via o olhar intenso e convincente da mulher e, no mesmo instante soube de onde Taehyung havia puxado sua habilidade de conquistar os outros. Era impossível dizer não a pessoa que estava a sua frente, do mesmo modo que era extremamente difícil negar algo ao Kim, até quando era algo que não estava ao seu alcance.

“Eu acho que tenho o telefone do dormitório dele e o celular da Momo…” balbuciou.

“Por favor, tente ligar para ele.” Então, ela apertou gentilmente as mãos de Yoongi e sorriu fraco, desviando o olhar para o marido sentado ao lado do Min. “Ele é o único que pode ajudá-lo a sair de lá.”

O progenitor suspirou. “Acho que só de ouvir a voz do Jeon já irá ajudá-lo.”

“Eu… Eu vou tentar…” Yoongi retribuiu o sorriso e levantou-se, pedindo licença e afastando-se da sala. Caminhou até o quarto do Kim, olhando para o amigo na mesma posição dos dias anteriores, sem vontade alguma de falar algo ou sair da cama.

Não ia tentar, pelo que ele considerava ser a milésima vez – exageradamente falando –, tirá-lo daquele ninho que o ruivo havia criado. Os pais do Kim tinham razão quando diziam que apenas o Jeon poderia fazer Taehyung sair daquela situação patética. Afinal, parte dos motivos dele estar daquele jeito era o fato de Jeongguk estar longe, incomunicável e sem saber do que estava ocorrendo.

Nessas horas ele amaldiçoava o fato do garoto morar no Japão.

Então, afastou-se até o banheiro, querendo privacidade para ligar para o Jeon sem ser interrompido. Não sabia que o mais novo estava viajando até o Kim gritar consigo em um dos dias que ele tentou tirá-lo da cama.

E isso também significava que Taehyung não tinha tido a oportunidade de contar sobre a viagem, o que só trazia mais certeza ao Min de que várias coisas se passavam na cabeça do amigo – mesmo que com uma frequência menor devido ao luto pela morte de sua avó.

Respirou fundo e discou o número de Jeongguk, mas assim que ele colocou o celular na orelha, a ligação caiu direto na caixa postal. Tentou, então, o número de Momo, mas a mesma coisa aconteceu com o dela. Restava apenas o número de seu dormitório e, torcia mentalmente para que o Jeon já tivesse retornado de viagem, pois do contrário não saberia mais como procurá-lo.

Deixou que chamasse até a quinta vez e estava prestes a desligar e tentar outra vez, mas alguém atendeu rapidamente antes.

“A-alô?” Uma voz feminina e esbaforida atendeu a ligação e ele supôs que era Momo, apesar da dificuldade visível em falar.

“Momo?”

“S-sim. Quem é?” Ela respirava forte do outro lado da linha e parecia estar se acalmando um pouco mais.

“É o Yoongi. Aconteceu alguma coisa?” indagou preocupado.

“Yoongi-ah.” Sua voz parecia mais aliviada e visivelmente mais calma. “Não, acabamos de chegar de viagem e eu vim correndo atender ao telefone, tropecei e quase bati a cabeça na parede.”

“Céus! Tome mais cuidado, Momo!” O Min suspirou e encostou a cabeça na parede, deixando o alívio percorrer seu corpo ao ouvir a voz do Jeon ao fundo. “Eu tentei ligar no celular de vocês, mas caiu na caixa postal.”

“Acabou a bateria dos dois, por isso vim atender correndo enquanto Jeongguk subia com as malas. Pensamos que pudesse ser o Taehyung ou qualquer coisa importante” balbuciou.

“Bom, é quase isso” riu fraco.

“Aconteceu alguma coisa?”

“Coloque no viva-voz e eu explico aos dois de uma vez só a situação” pediu.

Então, Momo colocou a ligação no viva-voz, fazendo Jeongguk dar sinal de vida. Assim, a explicação foi breve, mas com os detalhes necessários para deixá-los a par da situação atual e, inclusive, da viagem que ele e o Kim fariam. Mesmo com a distância, os quatro haviam se tornado amigos extremamente unidos e que compartilhavam tudo um com o outro, portanto não havia motivos para esconder nada. Na verdade, era até mais fácil de arranjar soluções para qualquer tipo de problema que possuíssem.

“Yoongi, eu preciso que me faça um favor.”

“O que você precisa, Jeongguk?”

“Ligue o computador do Tae, conecte o Skype e faça uma ligação para mim. Depois disso eu me viro com ele, não se preocupe.”

“Certo.” Yoongi caminhou até o quarto de Taehyung, olhando de soslaio para o amigo na mesma posição, mas visivelmente acordado, pois era possível ouvir algumas fungadas. Então, ligou o computador do Kim e esperou o Skype entrar. No momento em que a tela azul deu sinal de vida, ele logo procurou pelo contato do Jeon e completou a ligação; esperou apenas o mais novo aparecer na tela antes de sair do quarto. “Boa sorte, Jeon.”

Jeongguk suspirou e fitou a figura encolhida em meio às cobertas. Sabia exatamente como Taehyung estava se sentindo e o quanto era difícil lidar com aquela dor incômoda em seu peito. Não havia um modo correto de confortá-lo e muito menos palavras que fossem espantar toda a dor e saudades que ele carregaria. Seria ele próprio, do mesmo modo que o Kim foi consigo quando era ele ali, em meio às cobertas, chorando pela perda de alguém muito importante.

“Pedir desculpas por não estar com você neste momento não é o melhor modo de começar, certo?” Sua voz ecoou por todo o quarto, e no instante em que atingiu os tímpanos do Kim, ele se remexeu em sua cama, mas não retirou as cobertas de seu rosto.

“Ótimo…” O Kim resmungou, mas o silêncio do quarto e o seu tamanho – pequeno o suficiente para que tudo ficasse extremamente perto –, fizeram com que o Jeon o escutasse perfeitamente. “Já estou delirando a ponto de ouvir a voz dele.”

“Você não está delirando, eu estou falando com você, TaeTae!” riu baixo.

Então, Taehyung levantou-se de súbito, sentando-se rapidamente na cama com os olhos arregalados. Estava com o cabelo todo bagunçado, a cara totalmente inchada e vermelha, um verdadeiro desastre após dias de choro e confinamento.

Mas por incrível que pareça, Jeongguk ainda o achava lindo daquela forma.

Estar apaixonado tornava as pessoas um tanto patéticas.

“O que-”

“Você continua lindo mesmo nesse estado horroroso.” O moreno aproximou-se mais da câmera de seu computador, como se o gesto o permitisse ver melhor o namorado, e só então reparando na sua nova cor de cabelo. “Vermelho? É minha cor favorita.”

“Por que acha que pintei assim?” murmurou envergonhado.

“Queria tocar no seu cabelo…” balbuciou.

Taehyung esfregou os olhos e aproximou-se mais para a beirada da cama, puxando a cadeira que estava afastada de sua mesa para poder se sentar. Retornou para mais perto do computador, colocando a mão na tela e suspirando pesado quando a realidade lhe atingiu outra vez.

“É, mas não dá.”

“Ei…” Jeongguk sorriu fraco, a culpa lhe dominando um pouco por dentro. “Sei que você está passando por um momento insuportavelmente difícil e que eu não posso sequer confortá-lo do jeito certo, mas…”

O Kim umedeceu os lábios e desviou o olhar. “Eu sinto sua falta…”

“Eu também sinto, TaeTae…” O Jeon passou a mão em suas madeixas, bagunçando-as e mordiscando o lábio inferior. “Eu tenho uma coisa para te dizer, mas antes eu preciso que você faça uma coisa por mim.”

O tom e as palavras ditas prenderam a atenção de Taehyung. “O que é?”

“Olha para mim” pediu em um tom carinhoso.

O Kim levantou o olhar e pendeu a cabeça para o lado, demonstrando um pouco de ansiedade e curiosidade para o que quer que fosse ser dito. “Fala logo!”

“Por mais que você fique lindo todo amassado desse jeito, eu quero que você levante dessa cama e volte a sua rotina normal.”

“Não!” bufou.

“Taehyung!” O moreno falou um pouco mais alto, repreendendo-o. “Eu sei que é difícil, que não passará assim tão fácil, mas de que adianta ficar deitado nessa cama vendo sua vida passar? Seus pais estão preocupados, Yoongi também, e aposto que seu trabalho idem!”

“Eu não tenho vontade.”

“Arranje-a!”

“Se você estivesse aqui seria mais fácil, não acha?” exaltou-se, logo deixando sua expressão suavizar e arrependendo-se do pequeno descontrole. “Desculpa…”

“Posso não estar aí, mas estou aqui falando contigo e não gosto de te ver dessa forma. Não precisa enfrentar tudo isso sozinho, Tae.”

O Kim puxou os próprios cabelos, bagunçando-os ainda mais. “E o que você espera que eu faça? Levante daqui, volte a trabalhar e-”

“E viaje para o local que você precisa para completar a pesquisa do seu livro e assistir a palestra que mandaram. Qual o problema?”

“Eu vou perder o dia cinco…”

Jeongguk riu baixo e o Kim o olhou, sem entender. “Meu amor, você só vai perder o dia em Daegu uma vez, não tem motivo para se martirizar por isso.”

“Mas a promessa-”

“Não será quebrada, não se preocupe com isso. E além disso, você poderá me compensar depois.”

“Como assim?” Taehyung ergueu uma sobrancelha e aproximou-se mais da tela.

“Eu não queria dizer antes para não criar expectativas, mas…” O Jeon mordiscou o lábio inferior e deixou um sorriso estampar-se em suas feições.

“Jeongguk!” O ruivo segurou a tela do computador com as mãos, como se ele pudesse esganar o namorado por enrolar tanto. “Fala logo!”

“Primeiro prometa que você vai levantar dessa cama e voltar as suas atividades normais ou nada feito!” Então, ele cruzou os braços feito uma criança mimada e deixou um bico fofo adornar seus lábios.

“Certo, certo. Eu prometo.” Taehyung afastou-se e encostou na cadeira novamente. Percorreu seu quarto com os olhos e levantou-se, caminhando até a janela. Abriu as cortinas e os vidros, deixando o ar fresco daquele dia comum adentrar no local. Voltou para frente do computador, deixando que o Jeon notasse a claridade que invadia o ambiente. “Incrível como você sempre consegue o que quer!”

“Se você não fosse tão desesperado pelo meu amor, isso não aconteceria” riu.

“Eu sou o único desesperado aqui?” retrucou e apontou para o próprio peito.

Jeongguk umedeceu os lábios e olhou para baixo. Tinha essa mania de, sem sequer notar, pegar o colar por entre os seus dedos e começar a mexer no mesmo. Era uma forma de lembrar-se de Taehyung o tempo todo, quase como se pudesse tocá-lo outra vez.

“É a única coisa que faz eu me sentir perto de você…” murmurou.

O Kim sorriu. “Eu sei. Mas ande, fale logo o que é, pois estou curioso!”

“Não se empolgue demais, ok? Pois ainda não é garantido.”

“Difícil, mas vou tentar. O que é?”

O Jeon respirou fundo. “Eu acho que poderemos nos ver dentro de alguns meses.”


Notas Finais


A fanfic não está betada e pode conter erros absurdos, pois revisei bem por cima e acabei de encerrá-la.

Qualquer coisa estou no twitter @xkookv ^^

Comentários e favoritos fazem essa autora mais feliz! =)
Obrigada por acompanhar Love in a bottle!


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