História Love is kinda crazy - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Wanna One
Personagens Jaehwan, Jihoon, Kang Daniel, Woojin
Tags 2park, Chamwink
Visualizações 54
Palavras 3.893
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Festa, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Eu ainda to em tempo de novo!! Bom gente presente de aniversário pra minha querida @amazarashi responsável por eu ter me afundado nesse ship, eu não consigo agradecer o suficiente por ter me mostrado a luz. Obrigada também por esses 6 anos de amizade eu te amo muito muito ❤
Essa fic é baseada num tweet 2park que levou a gente a uma discussão de headcanon do Jihoon sofrendo tendo um crush no Woojin.

Capítulo 1 - Love is kinda crazy with a spooky little boy like You


– Woojin-ah, do que eu deveria ir na festa de Halloween?

– De meu namorado.

Os olhos de Jihoon saltaram ao mesmo tempo em que se engasgou com a própria saliva. Talvez seu coração houvesse parado de funcionar por alguns segundos também, ele não sabia bem já que sua cabeça estava em um blackout total.  Apenas quando conseguiu fazer tudo voltar a funcionar normalmente que sua parte racional tomou as rédeas para lhe trazer de volta a realidade: Era apenas uma brincadeira, Park Jihoon.

– Isso realmente é muito assustador – ele forçou um sorriso atrevido enquanto gritava internamente de frustração.

Felizmente atuação era o seu forte e ele conseguia esconder perfeitamente todas as suas cinquenta emoções diferentes naquele momento sem que Woojin percebesse. O outro garoto apenas continuou tomando seu suco de caixinha normalmente como se Jihoon não houvesse acabado de ter um colapso nervoso de dois segundos ao seu lado.

Estar apaixonado pelo seu colega de turma da faculdade e atualmente melhor amigo era estressante.  Estar apaixonado já era estressante o bastante e Jihoon havia prometido a si mesmo que aquilo nunca iria se repetir depois do veterano do ensino médio.  Mas é claro que o Universo o odiava e o havia feito ter uma queda do tamanho de um abismo pelo garoto que se aproximou para conversarem no primeiro dia de aula com um sorriso fofo que exibia seu dente torto. Foi irritantemente instantâneo como a flecha do cupido acertou precisamente seu coração naquele momento.

– Acho que vou chamar o Hyungseob pra festa, faz tempo que nãos nos vemos.

Ah, claro, o Universo o odiava ainda mais por tê-lo feito se apaixonar por alguém que já era apaixonado por outra pessoa. Jihoon sentia vontade de se atiçar fogo sempre que ouvia aquele nome.

Woojin era apaixonado por Hyungseob desde que estudaram juntos no ensino médio. Aquela havia sido uma das primeiras informações que havia lhe contado quando se conheceram, estrangulando cruelmente seu coração nos primeiros cinco minutos de conversa. A forma que Woojin falava de Hyungseob era como a de uma adolescente perdidamente apaixonada pelo seu namorado e a única coisa que Jihoon queria era que aquele garoto explodisse

O fato era que, qualquer pessoa com pelo menos 1% de controle próprio teria conseguido pelo menos diminuir sua paixonite impossível, mas o que acontecia com Jihoon era exatamente o contrário. Um ano já havia se passado desde que conhecera Woojin e seus sentimentos ainda tentavam sufocá-lo e levá-lo à morte com um ataque cardíaco.

– Parece bom, acho que você vai se divertir mais assim – Jihoon respondeu de forma distraída.

Ele era um idiota. Mas talvez ver Woojin com Hyungseob era o que faltava pra ele finalmente começar a superar os seus sentimentos e partir para outra. Já havia passado do tempo, afinal, ele não podia passar sua graduação inteira apaixonado por alguém que não iria retribuir. Estava decidido, ele iria esquecer Woojin naquela festa.

 

Jihoon não teve ânimo naquela semana para preparar uma fantasia, então apenas pegou emprestado uma tiara de chifres que seu colega de quarto Jaehwan havia comprado no ano passado. Jaehwan havia dito que combinava com ele e Jihoon lhe acertou um chute na canela.

Não fazia sentido preparar uma fantasia super produzida pra uma festa em que ele provavelmente iria embora meia hora depois carregado de frustração, era o que pensava.

Mas Jihoon se arrependeu de até mesmo ter vindo quando se encontrou com Woojin na entrada do dormitório que acomodava a festa. Woojin usava uma fantasia de lobo com um capuz com orelhinhas na cabeça e luvas de patas nas duas mãos. Além da pintura de focinho em seu nariz com os riscos de bigode na bochecha. Ele acharia aquilo ridículo e vergonhoso em qualquer um, mas Woojin usava aquela fantasia como se fosse feita pra ele.

– Você tá horrível – Jihoon lhe disse fazendo uma careta de nojo enquanto tentava ignorar seu coração apertado no peito com aquela imagem fofa diante de seus olhos.

– Você parece normal.

Jihoon revirou os olhos.

Hyungseob chegou alguns minutos depois e foi quando Jihoon realmente se arrependeu de ter vindo. Seu peito doeu quando Woojin se lançou sobre ele com um sorriso enorme que fazia seus olhos desaparecem completamente de vista. Ele nunca havia visto Woojin sorrir daquela forma durante todo aquele tempo que o conhecia. Precisou forçar um sorriso simpático quando o cumprimentou, embora sua maior vontade fosse de ser engolido pelo chão e nunca mais ver a luz do dia.

Jihoon disse para si mesmo que ficaria tudo bem quando finalmente entraram para a festa. Ele só precisava beber um pouco, mostrar suas habilidades de dança no meio da pista pra todos lhe aplaudirem, e então sem que percebesse ele estaria se divertindo e não precisaria mais pensar em Woojin e Hyungseob pelo resto da noite.

Tudo ficaria bem, ele pensava enquanto bebia metade do seu copo de vodka com suco.

– Jihoon-ah, acho que eu vou me declarar pro Hyungseob hoje – Woojin gritou mais alto que a música em seu ouvido assim que Hyungseob se afastou para pegar um pouco de refrigerante. Se Jihoon ainda estivesse com bebida na boca certamente teria cuspido tudo ao ouvir aquilo.

– Por que tão de repente assim?!

– Você sabe, eu estou cansado de guardar isso por tanto tempo, eu preciso tentar se quero que os meus sentimentos sejam retribuídos. E eu acho que nós podemos dar certo.

Se não fosse a falta de iluminação do local, Jihoon tinha certeza de que veria Woojin corando. Ele odiava aquilo, odiava que Woojin ficasse daquela forma com alguém que não fosse ele, que falasse de uma pessoa como se ela tivesse colocado as estralas no céu, mas que não era ele.

– Vai em frente, eu acho que ele deve gostar de você também.

Jihoon odiava a si mesmo principalmente. Jaehwan provavelmente o chamaria de masoquista com a sua sinceridade de hyung, mas Jihoon apenas não queria ser egoísta e estragar as coisas para Woojin. Mesmo que doesse um pouco vê-lo abrindo aquele sorriso adorável em resposta que ele sabia que também não era por causa dele.

Woojin se afastou após agradecer e Jihoon virou o resto da bebida do seu copo na garganta. Ele talvez precisasse de um pouco mais de álcool que o planejado para suportar aquela situação.

Era bom que Woojin se declarasse, talvez se ele e Hyungseob começassem a namorar a realidade finalmente acertasse o seu rosto e ele iria conseguir se forçar a desistir. Era o que pensava enquanto abria espaço entre as pessoas da pista de dança para conseguir alcançar o bar. O álcool já parecia fazer um pouco de efeito, o som alto não incomodava mais tanto seus ouvidos e as luzes pareciam brilhar mais, além de suas preocupações agora começarem a migrar para uma parte menos consciente da sua mente, uma parte que não iria lhe perturbar tanto naquele momento.

Jihoon gostava aquela sensação, o seu peito não doía mais tanto.

 

Jihoon não sabia mais o que estava acontecendo. Uma hora estava dançando Popping na pista de dança ouvindo várias vozes gritando por ele e no instante seguinte tinha um corpo grande e forte pressionando suas costas contra uma parede e um par de lábios no seu pescoço. Sua mente bêbada apenas pensava em como queria que fosse Woojin quem estivesse ali. No mesmo momento daquele pensamento sua parte racional pareceu acordar por um momento apenas para dizer que aquele não era Woojin.

Tentou empurrar aquele corpo estranho com os braços, mas ele era ainda mais pesado do que o esperado. Jihoon então se contorceu para escorregar pela parede com todos os seus muito debilitados reflexos e sair daquela pequena prisão. O garoto que até o momento o prendia se virou quando se deu conta da falta do corpo menor em seus braços e Jihoon viu os olhos levemente apertados de Kang Daniel, o melhor dançarino e veterano do seu curso.

– Hyung, você está bêbado, vai procurar algum dos seus amigos – disse se aproximando do seu ouvido para ser ouvido no meio do barulho.

Daniel voltou a envolver o seu corpo com os braços assim que ele se aproximou.

– Nós dois estamos, por que não quer ficar comigo?

Jihoon dessa vez colocou toda a força que tinha para empurrar o outro e se soltar do seu aperto.

– Porque eu já gosto de alguém, eu não consigo fazer isso! – Gritou sem se importar que algumas pessoas ao lado o ouvisse. – E eu sei que Woojin já gosta de outra pessoa, mas eu não consigo ficar com alguém sem pensar nele.

Daniel o observou em silêncio por alguns segundos como se precisasse se esforçar muito para pensar naquele momento.

– Então diga isso pra ele, não seja um idiota covarde.

Aquelas palavras feriam o seu orgulho de bêbado, mas também o influenciavam a acabar com aquilo de uma vez, de colocar para fora tudo o que estava sentindo para pelo menos não morrer sufocado pelos próprios sentimentos. Ele apenas queria que seu peito parasse com aquela dor indesejável sempre que olhava para Woojin ou sempre que o ouvia falar de Hyungseob. Ele tinha e prometido que nunca mais iria se apaixonar para não precisar passar por aquilo de novo, por que o Universo precisava o odiar tanto?

Algumas lágrimas haviam começado a descer pelas suas bochechas sem que percebesse. Além de idiota, covarde e masoquista ele também era chorão, ótimo.

– Não, não, não chore, Jihoon-ah – Daniel voltou a segurá-lo, dessa vez em uma forma de confortá-lo. Jihoon não sentia vontade de afastá-lo dessa vez. – Me desculpe por ter sido grosso, eu só não quero que você sofra para sempre pensando no que poderia ter feito no passado.

Daniel era uma boa pessoa mesmo quando estava bêbado, Jihoon se sentia grato por ter se encontrado com ele dentre tantas outras pessoas naquele lugar.  

– Eu quero contar pra ele – Jihoon soluçou enquanto tentava limpar suas lágrimas.

– Então eu vou te ajudar a encontrar o Woojin-ah, não se preocupe.

 

A próxima coisa que Jihoon se deu conta era que estava encarando o rosto de Woojin sob as luzes coloridas da pista de dança. Não se lembrava de como havia chegado ali, se lembrava de Daniel – e esperava que ele se esquecesse de tudo o que havia acontecido no dia seguinte –, de chorar e de Daniel lhe dizer que iria encontrar Woojin. Não tinha ideia de como ele havia realizado aquele feito, entretanto, e talvez não quisesse saber.

– Jihoon-ah, você está bem?

Woojin o segurava pelos ombros e olhava o seu rosto de diferentes ângulos para tentar enxergar sua expressão no ambiente escuro.

– Eu estou sentindo dor...

– Onde?! Você se machucou?! Brigou com alguém?!

Jihoon levou a mão até o peito.

– Aqui. O meu coração tá doendo.

Woojin fez uma careta confusa, mas não fez mais perguntas por enquanto, apenas segurou Jihoon pelo pulso e começou a arrastá-lo dali.

– Vamos pra um lugar mais tranquilo, você precisa descansar.

Jihoon não se deixou perder a consciência daquela vez, pois se manteve concentrado na sensação do calor da mão de Woojin no seu pulso e de como aquilo era bom.

Automaticamente se sentiu um pouco melhor quando se viu ao ar livre longe de todo o barulho e pode encher os pulmões de ar fresco. Woojin lhe colocou sentado sobre o meio-fio diante da rua deserta e se colocou ao seu lado com o braço ao redor dos seus ombros.

– Se sente melhor? – perguntou, podendo agora analisar seu rosto a procura de algum sinal de que estivesse passando mal. Jihoon balançou a cabeça negativamente.

– Meu coração ainda dói, Woojin-ah... – Jihoon resmungou com a língua enrolada.

– Do que você tá falando? Quantos copos você bebeu hoje?

– Meu coração dói por sua causa, Woojin-ah. Por que você tá sempre falando daquele Hyungseob? E por que você é tão fofo e estranho de um jeito fofo, mas ainda tem um sorriso bonito e tudo em você é tão lindo? Além de ser divertido e um ridículo na maior parte do tempo, mas mesmo assim eu gosto tanto de você... Tudo isso faz o meu coração doer, eu não aguento mais.

Woojin piscou completamente sem saber o que dizer. 

– Eu me apaixonei desde que te vi pela primeira vez. Eu sei que isso de amor à primeira vista é ridículo, mas eu juro que foi exatamente assim que eu me senti. E eu me odeio por não ter conseguido superar isso mesmo depois de um ano inteiro sendo sempre lembrado que você gostava de outra pessoa.

Jihoon trouxe as pernas para perto do corpo e apoiou os braços sobre os joelhos para poder afundar o rosto neles. Woojin continuava com uma expressão confusa enquanto pensava no que poderia responder quando Jihoon virou o rosto para o lado com um grunhido deixando a sua garganta. E então um som de algo molhado caindo na calçada. Woojin precisou de alguns segundos antes de perceber que ele estava vomitando e começar a dar tapinhas em suas costas.

Essa era a última coisa daquele dia que Jihoon se lembrava.

 

– Hyung, Jihoon já acordou?

– Hmm... – Jaehwan olhou para o lado na direção da cama de Jihoon onde o mais novo fazia sinais negativos desesperadamente. – Ainda não, Woojinie.

Woojin pendeu o corpo de um lado para o outro enquanto encarava o chão de forma pensativa.

– Diz pra ele responder as minhas mensagens quando acordar, por favor.

 – Claro.

Assim que a porta se fechou, Jaehwan se voltou para Jihoon com um olhar curioso.

– Vocês brigaram de novo, é?

– Quem me dera fosse isso – Jihoon grunhiu jogando o cobertor sobre o corpo todo para ficar sozinho com sua dor de cabeça e estupidez.

Jihoon inicialmente pensou que os borrões de acontecimentos da noite passada haviam sido um sonho, mas sua ressaca o trouxe de volta para a infeliz realidade. O segundo pensamento era de que teria que fugir de Woojin até que ele se esquecesse de tudo. Talvez até mesmo adotasse uma nova identidade e matasse o antigo Park Jihoon.

O plano era chegar atrasado em todas as aulas, se sentar longe de Woojin e ir embora no exato momento em que os professores acabavam  a aula. Fora isso ele se mantinha mais dentro do dormitório e pedia que Jaehwan lhe levasse uma marmita de comida ou se esgueirava para a lanchonete nos horários em que o campus estava mais vazio.

Seu celular já exibia cerca de trinta mensagens e quinze ligações perdidas de Woojin em dois dias. Quando o número de mensagens finalmente começasse a diminuir seria o indicativo de que Woojin finalmente o estava esquecendo.

Foi o que pareceu aconteceu no terceiro dia quando não recebeu nenhuma mensagem ou ligação até sete da noite. Jihoon se jogou de costas sobre a cama sentindo uma sensação ruim em seu estômago. Talvez a sensação de ser um ser humano horrível que havia acabado com sua melhor amizade em anos simplesmente por ser um idiota. O quarto vazio e escuro o fazia se sentir culpado e solitário e com vontade de poder voltar no tempo para se impedir de cometer aquele erro.

Ouviu o som da porta do dormitório se abrindo com seus olhos fechados enquanto remoía o passado e agradeceu por pelo menos Jaehwan ter voltado para levantar um pouco o seu humor com piadas sem graça.

Mas então algo menor que Jaehwan pulou em seu peito, fazendo-o perder o ar bruscamente.

– Quem você pensa que é pra me ignorar assim, Park Jihoon?! – Woojin se prendeu ao tronco de Jihoon com as coxas enquanto socava o seu ombro milhares de vezes. – Você viu quantas mensagens eu te mandei?! E quantas ligações?!

Jihoon tentou abrir a boca para responder, mas seus pulmões ainda não haviam se recuperado do ataque repentino.

– Que tipo de melhor amigo faz algo assim?!

Woojin ainda gritava coisas incompreensíveis quando o ar finalmente conseguiu entrar pela sua garganta depois de um bom ataque de tosse. Jihoon respirou profundamente antes de responder.

– Você tá tentando me matar, seu idiota?!

– Eu queria, não vou negar.

Jihoon girou o seu corpo para o lado, empurrando Woojin para fora da cama e o fazendo cair sentado no chão soltando um “ouch”.

 – Como você conseguiu entrar aqui, praga?

– Eu falei com Jaehwan hyung e pedi a chave do quarto de vocês. Ele já não aguentava mais te trazer comida, então foi fácil.

Jihoon odiava o fato de não ter Jaehwan do seu lado, ele era um inimigo poderoso.

Por algum tempo, a atmosfera do quarto se tornou silenciosa. Não era do costume deles ficar assim, geralmente no primeiro segundo sem conversa alguém traria um assunto à tona nem que fosse sobre as formigas do dormitório. Era mais do que claro que aquilo se devia aos acontecimentos da festa, Jihoon novamente voltava a se odiar por isso.

– Essa não é forma de tratar um amigo que cuidou de você depois de vomitar na rua e que te carregou desmaiado até o seu quarto.

Jihoon sentiu o sangue correr para o rosto com as lembranças embaraçosas e atirou seu travesseiro em Woojin.

– Não fala sobre isso. Nem um pio.

– Você precisa saber como foi difícil e apreciar o meu trabalho duro, Jihoonie – Woojin jogou o travesseiro de volta na cama com os dentes trincados.

– Só... esquece que aquele dia aconteceu – Jihoon suspirou.

– Eu não me declarei pro Seob.

Aquela frase automaticamente chamou a atenção de Jihoon, fazendo-o se voltar para o outro com uma expressão confusa.

– Mas você disse que ia...

– Foi como se alguma coisa no meu interior me dissesse que eu não deveria, parecia errado – Woojin continuou, seu olhar fixo em algum ponto imaginário da parede. – Eu fiquei pensando durante esses dias e percebi que eu passei esse tempo todo apaixonado pelo modo que eu me sentia com relação ao Seob no passado. Mas eu não senti nada daquilo naquela noite, nenhum frio na barriga, borboletas, coração acelerado... Nada do que eu sentia antes. Acho que foi quando você disse aquelas coisas de como se sentia com relação a mim que eu percebi que não estava mais apaixonado.

Jihoon afundou o rosto no seu travesseiro desesperadamente como se aquilo pudesse apagar a sua existência. Por que Woojin precisava mencionar aquela parte? Só pra vê-lo sofrer e zombar da sua cara, talvez.

– Eu sinto muito por você ter tido que ouvir aquilo tudo sóbrio.

– Eu fiquei um pouco preocupado no começo. Daniel hyung me disse que você tinha chorado – Daniel era uma boa pessoa que às vezes falava demais, Jihoon precisava manter aquilo em mente. – Mas eu fiquei mais tranquilo depois que você se declarou. Um pouco confuso, na verdade, mas enquanto eu te trazia pro dormitório foi quando caiu a ficha e “uau, meu melhor amigo é apaixonado por mim”, esse tipo de coisa.

– E agora é a hora que você diz que isso não vai estragar a nossa amizade, que você vai continuar sendo meu amigo mesmo eu sendo apaixonado por você.

– Eu não viria aqui e te mandaria cinquenta mensagens se fosse só isso.

Jihoon se voltou para ele com os olhos arregalados. Woojin agora olhava para o chão com as bochechas levemente coradas e uma expressão envergonhada no rosto. Jihoon não queria se precipitar, talvez Woojin estivesse apenas fazendo uma brincadeira de mau gosto, mas aquela reação fofa fazia seu coração disparar.

– O que você quer dizer?

– Eu pensei bastante enquanto cuidava de você naquela noite e... Acho que não seria ruim, sabe? Eu e você em um... encontro.

Jihoon piscou. A palavra “encontro” não parecia querer ser processada pela sua cabeça.

– Eu não quero te dar esperanças falsas e te magoar depois, mas eu acho que poderia acontecer, sabe... de eu conseguir gostar de você mais do que como um amigo.

– Você... tem certeza disso? Eu não quero que você se sinta pressionado a fazer isso, não precisa tentar retribuir os meus sentimentos se não quiser.

– Jihoonie – Woojin se colocou mais perto da beirada da cama e, para sua surpresa, segurou suas mãos. – Eu te garanto que é isso que eu quero. Não se preocupe.

– Então vamos começar hoje – Jihoon saltou da cama, antes que Woojin pudesse ouvir seu coração quase saindo do peito, e pegou os controles de Wii na estante. – Eu vou chutar a sua bunda no Mario Kart.

– Eu pensei que você era uma adolescente apaixonada que queria o seu primeiro encontro em um jantar à luz de velas – Woojin riu.

– Olha só quem você tá chamando de adolescente apaixonada, Sr. Hyungseob-tem-olhos-que-parecem-diamantes.

Woojin fechou a cara com a ponta das orelhas avermelhadas como pimentões.

 – E você tem olhos que parecem galáxias com várias estrelas dentro, mas eu nunca te disse isso.

O corpo de Jihoon congelou por um momento com uma expressão quase em choque.

– Isso foi bem romântico...

– Ótimo, eu já sei como ganhar dessa vez – Woojin sorriu exibindo seu dente torto e se levantando para tomar o controle de Player 1 da mão de Jihoon. De acordo com ele, o Player 1 sempre tinha vantagem.

– Você é ridículo, Park Woojin – Jihoon suspirou, tentando controlar um pouco do seu ritmo cardíaco desnecessariamente acelerado.

 

– Se eu soubesse que vocês iam ficar no meu quarto sendo grudentos todo dia eu nunca teria ajudado nisso – Jaehwan resmungou abrindo o frigobar para pegar uma cerveja. – Os dormitórios dessa Universidade são horríveis, eu não posso nem ter a minha cama sozinha entre quatro paredes e sou obrigado a ver as duas crianças se beijando o tempo todo.

– Hyung, por que você não desencalha com o Minhyun hyung logo para dormir fora algumas vezes? Você atrapalha os outros planos que eu tenho pra fazer com o Jihoonie.

O rosto de Jaehwan tomou uma coloração enrubescida por completo – talvez pela citação de Minhyun, talvez pela sua intepretação do que eram aqueles outros planos.

– Eu não preciso saber dos detalhes da vida amorosa de vocês, adeus – o mais velho se despediu levando consigo a lata de cerveja.

– Quais são esses outros planos que eu não fiquei sabendo? – Jihoon desviou os olhos do filme que passava na tela do seu notebook para encarar Woojin.

– Assistir filmes de terror pra você ficar com medo e me abraçar enquanto dorme – Woojin sorriu de uma forma provocativa.

– Eu tenho certeza de que é você quem vai ficar com medo e me abraçar de noite.

– Quer apostar, seu bundão?

– Um milk-shake da lanchonete durante cinco dias pro vencedor.

Jihoon nunca imaginaria que a sua vida estaria daquele modo: namorando a pessoa que havia passado um ano inteiro tentando superar depois de se declarar bêbado em uma festa de Halloween. Era a primeira vez que não se sentia odiado pelo Universo e verdadeiramente em paz.

Às vezes achava estar vivendo em um sonho, ainda não conseguia acreditar que aquilo tudo era real quando Woojin sorria olhando para os seus olhos de forma afetuosa, ou quando segurava sua mão enquanto andavam pelo campus, ou quando o beijava de forma tímida na bochecha e nos lábios. Jihoon às vezes não acreditava que era ele recebendo aquilo e não outra pessoa.

Jihoon pensava sobre tudo enquanto observava o rosto de Woojin dormindo na pequena cama de solteiro que dividiam e sorriu consigo mesmo. Ele adorava o modo em que sua vida estava.

Torcendo para que Woojin não acordasse e o acusasse de ter perdido a aposta, Jihoon passou um braço pelo seu ombro e encostou suas testas, prestando atenção na sua respiração profunda e pausada e se deixando adormecer daquela forma confortável.  


Notas Finais


Eu espero que não tenha ficado tão ruim porque eu tive que fazer um rush pra terminar a tempo e forçar a criatividade pra criar um jeito de terminar a fic. Leiam a 2park da Vivi: Vamos respirar um milênio (no intervalo de um único dia) a inventora desse ship e melhor pessoa do mundo. Beijos ❤


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