História Love is not for everyone - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Cristiano Ronaldo, Gareth Bale
Personagens Cristiano Ronaldo, Gareth Bale, Personagens Originais
Tags Adult, Amor, Cristiano Ronaldo, Futebol!, Gareth Bale, Real Madrid, Romance, Traição
Visualizações 325
Palavras 3.213
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Famí­lia, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


FANFIC REESCRITA e como diria Dexter Morgan: TONIGHT IS THE NIGHT!

Esse é o primeiro capítulo que escrevi depois de meses sequer conseguindo fazer lista de compras, então espero não decepcionar ninguém.

Obrigada por ainda estarem comigo e que tudo dê certo dessa vez.

Beijokas, desculpem qualquer erro e boa leitura!

OBS: Imagino a Luísa como a Adelaide Kane, divirtam-se no google.

Capítulo 1 - Um


Capítulo 1:

IBIZA, Espanha. Julho, 2010.

LUÍSA

O som era ensurdecedor. Entrava por meus ouvidos e fazia todos os meus neurônios que ainda não foram denegridos por essa música ruim terem vontade de pular para fora de meu cérebro e saírem correndo. Eu não sei em qual parte do longo monologo de minha melhor amiga aceitei fazer essa loucura, mas aqui estávamos: em Ibiza, cercadas por música ruim, bebida cara e homens nos olhando como se fôssemos algo comestível. Sim, isso tudo é possível.

Confesso que esse não é meu habitat natural, pelo contrário, meu habitat consiste em silêncio, horas de estudo e uma xícara de café forte no lugar de vodka e deve ser por isso que estou rotulando Ibiza como horrível e não o paraíso das orgias como dizem por aí, mas qual é, encontro-me enjoada, com dor de cabeça e não consigo respirar direito. Não consigo respirar porque a) Angelina, minha melhor amiga, está me obrigando a ficar no meio da pista de dança, a qual não cabe nem mais uma agulha e b) forçou-me a caber em um vestido dois números menores que o meu. “É seu aniversário de duas décadas, precisamos comemorar com estilo!” A filha da mãe é uma manipuladora egocêntrica.

Conheço Angelina desde meus seis anos, quando me mudei de Madrid para Londres por causa do trabalho de meu pai. Ele era um advogado conceituado na época e tinha sido convidado por um amigo para “administrar papeis importantes”. Não lembro muito bem de nossa mudança, apenas de Angelina, uma menininha magricela e baixinha na época, que correu em minha direção e perguntou se eu queria ajuda para arrumar meu quarto novo e se eu gostava de bonecas ou chá. “Ei, como você não tem hora do chá com suas bonecas? Em que mundo você vive?” Lembro muito bem de ter respondido “Madrid, você não conhece?” em meu inglês falho de criança espanhola de seis anos. Ah, em 1996 era tão fácil fazer amizades.

Foi difícil no começo, afinal era um país diferente e eu nunca tinha ouvido tantas pessoas falando em inglês em toda minha vida, mas minha idade tornava tudo menos complexo. Eu era um camaleão e só precisava me camuflar, o que aconteceu muito rápido graças a Angelina.

De lá para cá várias coisas aconteceram e muitos degraus na escada da amizade foram alcançados. Angelina fez parte de toda minha transição de infância para adolescência, parte de minhas novas experiências e descobertas, mesmo que nossos temperamentos fossem opostos. Era como se nos completássemos e defino esse o motivo de nossa amizade ter dado certo. Coisas iguais são entediantes e sobre tédio eu entendo muito bem. O que nos leva a Ibiza, catorze anos depois daquela cena de duas garotinhas e uma Angelina e Luísa maiores, óbvio. Então eis a comprovação de nossas diferenças: se tédio era uma palavra repetida em meu dicionário, no de Angelina ela sequer existia.

“Ei, Ange!” Toco seu cotovelo e me aproximo de sua orelha para falar. Angelina estava toda suada e completamente envolvida por Like A G6 que apenas balança a cabeça e sorri, sem parar sua completa atenção na letra da música. Ela deve realmente estar fly like a G6, o que só confirma minha hipótese de maconha no banheiro feminino.

Antes que eu possa suplicar mais um pouco para voltar ao hotel, sinto algo vibrar em meus peitos. Levo tanto tempo para recordar que meu celular está escondido no sutiã que quem está me ligando desiste. Positivo, já que é meu pai e eu não aguento mais explicar que volto a tempo de minha festa chata de família no domingo. Meu aniversário é no domingo, legalmente ainda tenho 19 anos pois hoje é sexta, mas pelo amor de Cristo, quem comemora 20 anos em uma festa de família onde suas tias só bebem e apertam sua bochecha?

“Vou até o bar” Digo para uma Angelina chapada, agora imóvel em meio a pista de dança. Se ela continuar desse jeito logo, logo vai ser esmagada por alguém. Wait and see.

Chego até o bar depois de vários malabarismos. Tive que desviar de centenas de caras tentando me prender em uma dança, de garotas já super alteradas e de casais se beijando. Procuro um lugar do bar mais vazio e que ainda pudesse ver Ange em caso de emergência, sento-me e peço água em espanhol. O barman me olha com expressão de ‘sério? Água?’ mas logo me entrega uma garrafa e pisca com uma sorriso travesso nos lábios. Esse, definitivamente, não é meu habitat.

Para quase 20 anos me considero uma pessoa muito calma. Não sei se com 20 ainda sou chamada de adolescente, mas aborrecente tenho certeza que não seria um termo usado comigo. Meus pais sempre foram muito tranquilos, mesmo que Angelina ainda os assuste depois de todos esses anos, porém nunca fui de dar muitos problemas. Um ou outro talvez, Maria Luísa não é perfeita, entretanto nada que me defina como dor de cabeça. Acabo de terminar o primeiro ano de fisioterapia em uma boa universidade, passo grande parte de meu tempo me dedicando aos estudos, mesmo que não consiga fugir das festas que Angelina me arrasta e me considero uma boa garota. Nem sei o que estou fazendo em Ibiza. Mesmo. Eu falei sério sobre ser arrastada para festas.

Minha mãe é corretora de imóveis e acreditem, essa profissão existe fora dos Estados Unidos. Meu pai é advogado, mais precisamente advogado desportivo e hoje com idade suficiente eu entendo o quanto nossa mudança de Madrid para Londres foi significativa para ele. Não sei qual foi seu critério de escolha, talvez a ligação quase fraternal com Wenger, porém em 1996 ele quase matou minha mãe do coração falando que deixaria o ramo convencional da advocacia para representar juridicamente um time de futebol. Arsene Wenger começaria sua longa jornada sob o comando do Arsenal e bom, papai nunca negou um pedido dele.

Perdón...” Um rapaz esguio com uma pele branca de dar inveja e cabelo super preto penteado com um topete para ao meu lado, trazendo-me de volta ao ambiente atual. Ele era uns dez centímetros mais alto que eu, de ombros largos e rosto tão bem desenhado que, juro por Deus, acho até que estou sonhando. “Puede...” Ele parece pensar um pouco, preocupado e olhando ao redor, então fica aliviado quando vê a garrafa d’água que tenho em mãos. “Water, please” Aponta para meu objeto recém adquirido e se senta. Não sei por que, mas fico desconfortável com sua presença.

Observo seus braços que parecem estar ganhando músculos sob sua camisa. Passo para os três botões abertos de sua roupa e me pergunto em qual farra ele já esteve. Por alguns minutos deixo minha mente vagar com coisas pervertidas que nos envolvam. Sinto até mesmo que minhas mãos terminam de desabotoar sua veste e chegam em sua pele. Minha bochecha esquenta e me sinto uma virgem carente de novo, embora sem a parte do virgem. Só percebo que estou fixada demais no sujeito quando o mesmo ri para mim e balança a cabeça. Será que ele percebeu que estou corando por nada? 

Tento disfarçar o vexame bebendo o restante de minha água, entretanto quando coloco a garrafa novamente no balcão, duas orbes azuis cristalinas me fitam. É um azul tão vivo que posso comparar com a água das Bahamas. Tenho a sensação que estou me afogando nelas a cada segundo que se passa, mas não dou a mínima. Quem daria?

Hello” O sujeito diz e se vira totalmente para mim. Seus cílios curtos deixam seus olhos ainda mais a mostra e fico hipnotizada. “Hello” Ele repete, dessa vez arqueando uma das grossas sobrancelhas pretas. Seu sotaque britânico revela uma voz mansa de um garoto, ao contrário da aparência de homem. Sotaque britânico, merda. Minha mente pode jurar que o conhece de algum lugar, mas não consegue usar todo seu potencial para lembrar de onde.

Hi” Sorrio sem graça e disfarço olhando para a pista de dança. Ange ainda parece sã e salva. “E aí?” Mas que porra foi essa?

O estranho bonito toma um pouco de sua água e seca com as costas da mão seus lábios perfeitamente desenhados. Será que esse cara tem algum defeito ou foi desenhado por algum desenhista talentoso?

“E ai?” Enfim devolve a pergunta com naturalidade, sem tirar de mim suas duas pedras preciosas que carrega nos olhos. Tento o encarar de volta, mas isso só me faz querer nadar dentro dele, então opto por mais uma vez disfarçar, dessa vez analisando as bebidas do bar. “Tudo bem?” Pergunta, já que eu não digo mais nada. Era tão fácil ouvir sua voz em meio a essa música cheia de batida ruim que sorrio sozinha com a ideia. “Você demora para responder sempre assim mesmo ou está bêbada?” Sou obrigada a fita-lo dessa vez. Havia uma barba quase imperceptível crescendo em seu rosto e suas narinas faziam um movimento extremamente sutil quando ele respirava mais forte. Se eu tivesse um tipo de cara ideal, esse estranho seria o modelo. “Ah, lo siento...” Ele parece muito em dúvida sobre sua última frase, deixando claro que não entende espanhol. “Seu inglês não é bom?” Prossegue em sua língua dominante. 

“Desculpa” Chacoalho a cabeça, tentando normalizar minhas ideias. Eu estava mesmo colocando um garoto-barra-homem de balada como meu tipo ideal para casar? Tem algo errado nisso. Muito errado. “Não, estou sóbria. Não bebi”. Aponto para minha garrafa de água vazia. “E sim, eu falo inglês” O que era óbvio, já que eu estava respondendo em inglês. “É que meu raciocínio está meio lento por causa dessa música horrível” Acrescento, esperando que ele me ache uma chata vovozinha.

“UFA” Não tenho certeza, mas isso deve ter sido uma expressão de alívio por eu falar sua língua. “Você também não gostou? Pensei que era o único por aqui. Aleluia!” O bonito de olhos azuis ainda sem nome joga os braços para cima e balbucia alguma coisa. Ok, agora somos dois velhos caretas em uma festa.

“Espera. O que está fazendo aqui se não gosta desse tipo de música?” Eu franzo minha testa, intrigada e permito criar coragem para o encarar sem ficar rubra. Isso estava começando a ficar bom. Quem sabe ele possa mesmo ser meu tipo para casar.

“É a despedida de solteiro de um amigo” Meu companheiro dá de ombros, bebe o restante de sua água e roda no banco, apoiando o cotovelo e as costas o balcão, visando a pista. “E quem sabe meu aniversário. E você? Não parece feliz num ambiente desses” Oh shit... Uma rápida olhada para mim dos pés à cabeça e minha morte é declarada. “Mesmo que sua roupa diga ao contrário...”

“Eu não estou” Sorrio, mesmo não sabendo porque estava fazendo isso. “Fui persuadida” A última palavra é sussurrada enquanto jogo meu corpo para frente, aproximando de seu ouvido. Ajo como se Angelina pudesse me ouvir, mas ela nem sequer está nesse planeta. “E persuadida vale para estar aqui e pela roupa. Aliás, happy birthday to you” Tento cantarolar de forma falha o famoso feliz aniversário americano e aponto para a boate com as mãos. “Bela festa de aniversário” Esqueço completamente de que o meu próprio é em dois dias ou apenas um, se já passou da meia noite.

“Engraçadinha” Ele faz careta para meu sarcasmo e mostra a língua. Nem preciso adicionar pensamentos impuros. “Sabe de uma coisa? Eu achei que quem persuadisse as pessoas fosse o diabo e não ao contrário” Isso me deixa confusa, muito confusa então enrugo a testa.

Fico paralisada enquanto o estranho atraente levanta sua mão e toca o arco preso em meus cabelos. Tinha esquecido por completo desse negócio estúpido, mas ele parece gostar, pois ri e demora seus dedos ali. Finalmente compreendo seu comentário, afinal estou usando uma tiara com chifres.

“Você é o diabo” Finaliza, voltando a se encostar no balcão do bar. Eu sou o diabo. O que foi mesmo que ele tinha dito antes disso? “Eu sou Gareth, prazer em conhecer você, criatura sombria” O desgraçado sorri de lado e pisca, arrancando todo o ar ao meu redor. Sinto-me sufocada, sinto-me zonza, sinto-me prestes a explodir. Céus, eu sou o diabo.

“Você está contando seu nome para o diabo, Gareth? Ele possui uma memória muito boa, talvez nunca mais largue do seu pé” Eu gostaria muito de ter somente pensado isso ao invés de ter falado em voz alta. Isso não era eu. Maria Luísa San Martín não saia por aí em festas ou flertava com homens bonitos de olhos azuis. Caramba, ela nem sequer sabia o que estava fazendo em Ibiza! E eu já disso isso antes.

“Talvez ele não se importe” Gareth diz e por um instante toda a música do ambiente some. É o famoso clichê de só eu e ele ali, olhando um para o outro. Posso sentir quando sua mão sobe e toca novamente o arco preso em meu cabelo, sorrindo ao se divertir com aquilo. Vejo a expressão forte em sua bochecha ao fazer isso e seus dentes dignos de comercial de pasta dental.  

De repente seu sorriso some e seu olhar cai para meus lábios. Eu prendo a respiração. Não é como se eu nunca tivesse beijado na vida, mas fico tão nervosa como se fosse. Sinto um frio na barriga ao notar seu rosto se aproximando e esqueço o que tenho que fazer. Sorte minha que estou sentada. Preciso abrir os lábios quando ele me beijar? Preciso mexer a língua? Eu não sei, todas as memórias de uma experiência similar somem. Posso jurar que My First Kiss de 3OH!3 está tocando.

Sua mão desce para minha nuca, puxando alguns pelos no processo e sinto um formigar entre as coxas. Talvez Ibiza tenha sido uma ideia maravilhosa.

Ou talvez não.

Gareth leve os lábios até meu ouvido e eu fecho os olhos, sentindo-me mais aérea que Angelina na pista de dança. Eu sequer tinha percebido que ele estava em pé agora, entre minhas pernas, assim como sequer tinha percebido nossa diferença de altura. Aliás, seu cheiro é bom demais, quero sentir esse perfume para sempre.

“Onde está seu tridente?” O maldito sussurra, fazendo todo meu sistema nervoso e meus hormônios entrarem em colapso. Sinto minhas mãos suarem e engulo em seco.

“Descubra” Solto simplesmente, adquirindo coragem do fundo de minhas células. Nunca tive que passar pelo processo de flertar com alguém pois Ange quem intermediava meus lances. Geralmente eram caras inteligentes demais que só falavam sobre coisas intelectuais ou nada de conversa. Ok, nem foram tantos assim, não sou muito de sair beijando e abrindo as pernas por aí.

“Interessante” Todo seu sotaque britânico me faz derreter. Anos morando na Inglaterra, mas nessa voz tinha algo diferente, algo que me causava uma sensação esquisita no estômago.

Fico esperando ansiosa pelos acontecimentos seguintes, mas eles não vêm.

Gareth se afasta e seus olhos azuis oceano não estão mais concentrados em mim, pelo contrário, vagam em algo distante pelo recinto. Passo de excitação para frustração. “Eu acho que tenho um problema” Ele diz pausadamente, ainda olhando para um ponto atrás de mim.

“Que foi?” Acompanho a direção de sua concentração e demoro um pouco para me adaptar a luz da danceteria. São muitas pessoas dançando e mexendo seus corpos ao som de uma música que eu nem estava ouvindo antes. Aos poucos vou reconhecendo uma loira baixinha pendurada em um pescoço masculino com quase duas vezes seu tamanho. Eles fazem algo constrangedor com a língua e seus corpos, deixando-me enjoada. “Eu acho que vou vomitar” Digo, colocando as mãos na boca e me curvando um pouco.

“É meu amigo da despedida de solteiro” Escuto o moreno dizer. “Só espero que a mulher dele nunca descubra essa... Coisa...” Ele aponta discretamente para Angelina e o loiro se beijando de forma nojenta e bêbada. “Eca” Balança a cabeça, fazendo careta, então se vira de frente para o bar, chamando o barman com a mão, novamente sentando.

“É a amiga que me persuadiu e pode ter certeza que eu não vou contar também, mesmo que essa cena demore para sair da minha memória” Repito seu movimento em meu banco, tirando a troca de saliva bizarra do meu campo de visão. “Sério, acho que estou passando mal” Coloco a mão na boca, simulando estar enjoada, mas depois começo a rir, seguida pelo sujeito bonito de olhos azuis.

“Esse vai ser nosso segredo” Ele fala, rindo e me oferece um copo com vodka. Posso descrever uma risada como perfeita? Seus dentes brancos e sua maçã das bochechas, junto com seus sulcos e uma quase covinha. Talvez eu esteja apaixonada e queira voltar para o momento em que iríamos nos beijar. “Se bem que eu acho que para o diabo não existem segredos”

“Abro uma exceção” Pisco, jogando o máximo de malícia que consigo e bebo o líquido do copo oferecido. Queima, mas é reconfortante.

Gareth observa meus movimentos e se vira de frente para mim. Abandono minha bebida e faço o mesmo, colocando meus joelhos entre os seus. Antes que eu possa ter a primeira atitude, ele leva uma das mãos até meu arco com chifres e ri sozinho de algum pensamento. “Você é mesmo o diabo, menina bonita” Consigo ver uma batalha interna que seus olhos transparentes refletem, porém fecho os meus próprios quando sinto seu toque delicado em minha bochecha. Sua caricia leva longos minutos e eu sou uma manteiga derretendo aos poucos. Novamente não escuto a música alta do lugar onde estamos, apenas me concentro em seus dedos subindo e descendo por minha pele. “Eu sinto muito” Sua voz pronuncia tempo depois e me retira de meu êxtase.

“Oi?” Digo confusa, voltando a terra. Seu toque se vai e ele se levanta, intimidando-me com sua altura.

“Eu tenho uma namorada me esperando em casa e não consigo fazer isso com ela agora. Sinto muito”. Namorada? Ah, não, que decepção. “Tive que conhecer o diabo para preferir Deus” Suas palavras são fracas e seu olhar para mim não é muito animador.

Minha boca seca e eu apenas fico sentada. Quero dizer que estamos em Ibiza e o que acontece aqui, fica por aqui, entretanto nada sai de meus lábios. É algo ridículo de se dizer, eu sei, mas me sinto um vidro quebrado, que é retalhado em pedaços ainda menores quando recebo um beijo em minha testa. “Até mais, diabo” E então ele se vai.

Meus olhos acompanham involuntários seus passos até o amigo na pista de dança. Ele ainda está com Angelina, que ameaça bater em alguém quando Gareth os afasta, mas a loira está maluca demais para entender o que está acontecendo. Logo os dois somem entre as pessoas e ela volta a dançar com outro alguém, não se importando em perder o parceiro de cena constrangedora.

Eu fico ali, tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer. O arco de chifres pesa em minha cabeça agora e eu arranco ele com alguns fios de meu cabelo junto. Eu não sou mais o diabo, não sou mais alguém que um sujeito de olhos azuis cristalinos quer beijar. Sou apenas Maria Luísa e preciso voltar para realidade, preciso voltar para casa, preciso voltar para Londres.

Nunca mais quero ser o diabo. Preciso me lembrar disso.


Notas Finais


Tô me aventurando pelo wattpad também, então quem preferir ler por lá, eis o link: https://www.wattpad.com/story/113284224-love-is-not-for-everyone


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